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26 Capitulo 26 - Festa
Notas iniciais
Rachel empurrou o carrinho com suas malas para fora da área de desembarque e logo avistou Marley.
Parou ao lado da assessora e suspirou.
— Hey, Rachel. O que houve?
— Nada. Muita coisa pra fazer hoje? – perguntou voltando a andar, e a mais nova a seguiu.
— Não. Mas quando você souber o que temos pra fazer, vai ficar surpresa.
— Eu duvido disso, mas vamos lá. O que temos pra hoje?
— Você tem pouco menos de mil convidados te esperando pra uma festa beneficente que começa as oito.
— Mil? – a judia a encarou de boca aberta.
— Um pouco menos de mil.
— Como você conseguiu isso?
— Eu não, você. Parece que é mais influente do que imaginávamos, Rachel.
— Não é possível que eu conheça tanta gente.
— Bom, não conhece, mas muitos estão levando acompanhantes que você nunca viu, e muitos outros não vão poder comparecer, mas estão mandando um representante.
— Uau.
— Você tem cabeleireiro e manicure as cinco e meia.
— Isso me dá seis horas pra almoçar e descansar um pouco antes de sair. – Rachel falou olhando no relógio.
— Vai comer em casa ou vai pedir pro Carl parar em algum lugar?
— Vou comer em casa.
As duas pararam na porta do aeroporto e a judia respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— Pronta?
— Eu nunca to pronta pra esse povo. – murmurou colocando os óculos escuros que carregava pendurado na blusa e deixou que Marley pegasse o carinho com as malas – Vamos lá.
***
Rachel observou o salão cheio e sorriu, parada em frente ao microfone enquanto agradecia as palmas.
Tinha acabado de fazer um discurso sobre o orfanato, apresentando tanto o lugar através de fotos quanto os problemas pelos quais eles passavam.
Falou sobre as crianças e o dia que tinha passado lá, terminando seu discurso pedindo para que todos ajudassem o lugar como pudessem.
Desceu do palco e foi direto em direção a Marley, que sorria para ela.
— Você foi muito bem, Rachel.
— Valeu.
A festa havia começado há duas horas. Das novecentas e oitenta e três pessoas que haviam confirmado presença, novecentas e vinte e oito estavam ali.
— Chegou mais alguém?
— O Kevin e a Dani chegaram no meio do seu discurso.
— Jonas?
— Isso. E... O segurança disse que a Ellen acabou de chegar com a esposa. – passou a informação que havia acabado de receber no fone que havia carregado consigo a noite toda.
— Certo. Vou procurar eles.
— Ah! Meghan tava te procurando. Aliás, não sei como ela não apareceu aqui depois do seu discurso.
— Meghan...?
— Ory.
— Por que, exatamente, você chamou ela?
— Pensei que era pra chamar a maior quantidade de gente possível.
— Mas a Meghan? – Rachel suspirou – Certo, vou ter que evitar ela, agora.
— Qual é o problema com ela, afinal?
— Tivemos um caso.
— Você teve muitos casos.
— É, mas Meghan resolveu ficar atrás de mim depois. – suspirou – Enfim, eu tenho muita gente com quem falar ainda.
— Certo. Qualquer coisa, eu vou estar na sala lá em cima, garantindo que não vai ter nenhum problema.
— Ok.
Rachel começou a andar pelo salão, e não demorou para esbarrar com Ellen e Portia, que conversavam com Jamie Lee Curtis.
Falou com as três por vários minutos, explicando para Ellen e Portia aquilo que elas tinham perdido no seu discurso de um modo resumido.
O assunto estava começando a mudar quando Rachel avistou Meghan e se desculpou rapidamente, dizendo que tinha que falar com outras pessoas e saindo de perto das três.
Conversou com Adam Sandler, Zac Efron, Ian Somerhalder, Taylor Lautner, Will Smith, Adelle, Emma Roberts, Katie McGarry, Ashley Tisdale e vários outros amigos, além de conhecer Veronica Roth, John Stamos e algumas outras pessoas que ela fez uma nota mental de perguntar a Marley onde ela tinha conseguido o contato.
Tirou fotos com a maioria, e sabia que essas fotos estariam em revistas e sites de todo tipo na manhã seguinte, junto com as especulações sobre o que seria aquela festa, e agradeceu mentalmente a si mesma por ter avisado a Quinn que estaria em uma festa naquela noite quando se falaram pelo telefone algumas horas antes.
Já eram onze horas quando Rachel subiu ao palco para agradecer e anunciar que graças as doações feitas até aquele momento, já tinham arrecadado dinheiro o suficiente para pagar as dívidas do orfanato.
Quando desceu do palco a judia foi parada por mais de dez pessoas – ela parou de contar nos doze – antes mesmo de conseguir chegar a Marley, que se aproximou rapidamente.
Um deles tomou a frente e começou a falar sobre levar as crianças para um passeio e mais algumas coisas que deixaram a judia perdida, porém, que deixaram Marley realmente animada.
O grupo se despediu logo depois, dizendo que já iam embora e Marley agradeceu, prometendo entrar em contato ainda naquela semana.
— Agora você me explica. – Rachel pediu e Marley riu.
— Rachel, prepare suas malas. Se Brittany concordar, vamos passar uma semana em Los Angeles.
— Eu gosto de como soa, mas não entendo o motivo.
— Você mostrou o orfanato e deixou bem claro que além das dívidas, o espaço também precisa de uma reforma.
— Certo.
— Eu não sei se você percebeu, mas além de artistas, também tem muitos empresários aqui, Rachel. Gente que não tem nada a ver com o seu ramo.
— Na minha língua, Marley.
— A reforma é por conta deles.
— Como é?
— Esses senhores têm empresas no ramo, Rachel, e se comprometeram a bancar a reforma mandando todo o material necessário, ao invés de fazerem uma doação em dinheiro.
— Caramba.
— Rachel?
Assim que a voz chegou aos seus ouvidos a judia fez uma careta, arrancando uma risada de Marley, antes de suspirar e se obrigar a por um sorriso no rosto.
— Meghan. – a abraçou – Quanto tempo!
— Quase um ano. – concordou – Rachel, me deixa te apresentar meu namorado, John. John, essa é Rachel, uma amiga e idealizadora dessa festa.
— Muito prazer, Rachel. – o rapaz disse apertando a mão da judia, que sorriu.
— Olá, John.
— Uma bela ação a sua.
— Não posso ficar nem com metade do credito, mas obrigada.
— John, pega uma bebida pra mim? – Meghan pediu.
— Claro. Já volto. – disse dando um selinho na namorada antes de se afastar.
— Ele parece ser um bom rapaz. Você se deu bem, Meghan.
— Fiquei sabendo que você também tá namorando.
— To sim.
— Não vai me apresentar ela?
— Quinn não tá aqui. Ela mora em Los Angeles e não pode vir.
— Então... O que foi que ela teve que fazer pra conseguir isso?
— O que?
— Qual é, Rachel? Nós duas sabemos que você não namora. Eu aprendi isso depois de uns sete meses correndo atrás de você. Ou o problema era comigo?
— Eu me apaixonei pela Q. O problema não era você ou eu, Meghan. Só... A situação. O momento.
— Então eu tenho chances agora?
— Não, Meghan. Você não tem. Eu amo minha namorada.
— Isso é conversa. Aposto que você só precisa de outra noite pra mudar de ideia.
— Não.
— Rachel...
— Esquece, Meghan. Não adianta insistir. Eu amo minha namorada, e não existe a mínima possibilidade de eu trair ela. Agora, se me der licença, tem gente querendo falar sobre o orfanato.
Rachel saiu de perto da garota respirando fundo, ignorando qualquer coisa a mais que ela tivesse a dizer.
Foi em direção ao andar de cima do salão, sendo parada por poucas pessoas no caminho antes de conseguir subir.
Passou pela cozinha e por cerca de cinco portas fechadas antes de entrar no escritório onde sua assistente tinha passado a maior parte da noite – e onde sabia que ia encontrá-la.
— Certo. Obrigada, Brittany. Bom agradeça a Rachel. – a judia limpou a garganta, chamando a atenção de Marley, que estava de costas para a porta, ao telefone – Até mais. Tchau.
Rachel sentou de frente para a mais nova, que arqueou a sobrancelha para ela.
— Você deveria ficar lá em baixo.
— Preciso de alguns minutos depois da Meghan. – disse fazendo Marley rir – Como estamos com as doações?
— Estamos muito bem. Melhor do que pensávamos, na verdade. As contas já podem ser todas pagas, o material para fazer uma reforma foi doado, e as crianças ganharam uma viagem, além do dinheiro que eles vão ter para emergências.
— Vamos voltar um pouco aí. Viagem?
— É. Um dono de hotéis e um de uma rede de viagens aéreas... Bom, os representantes deles, doaram a viagem, a hospedagem e o transporte deles.
— Pra onde?
— Eles falaram em mandar as crianças pra Disney, mas temos que ver o quanto elas gastariam lá.
— Bom, são duzentas e vinte crianças. Se conseguirmos duzentas e vinte pessoas dispostas a pagar as despeças de uma criança lá, o problema tá resolvido.
— Eu vejo isso acontecendo. – Marley sorriu – Mas acho melhor você voltar. E não se preocupe, Meghan já foi embora.
— Como você sabe?
— Eu to sendo avisada de cada um que entra e cada um que sai. – apontou com a cabeça para o computador.
— Bom, eu vou descer. Tem uma previsão de quando essa festa acaba?
— Não estamos aqui nem há cinco horas, Rachel.
— É, mas to louca pra ir embora.
— Bom, não vai poder ir pelo menos até as três.
— Isso me dá mais...?
— Três horas e meia de tortura.
— Merda.
— Vai se divertir, Rachel. Você não precisa ficar falando sobre o orfanato o tempo todo.
— É pra isso que eu to aqui, Marley. Além disso, eu estou sóbria em uma festa.
Marley riu enquanto Rachel saia do escritório.
A judia foi direto para o bar, onde pediu um refrigerante.
Pegou sua bebida e saiu atrás de alguém com quem conversar.
— Olha só, se não são metade dos Jonas. – brincou se aproximando de Joe, Kevin e Dani.
— Hey, baixinha. – Joe sorriu.
— Olha a anã ai! – Kevin brincou – Pensei que a gente só ia te ver no palco hoje.
— Você não tem tanta sorte. – riu – Cadê o Nick?
— Ele e Demi tinham show hoje.
— Claro. A tour.
— É, mas o Nick eu vejo sempre. – Joe disse – Já sua namorada, eu ainda nem conheço. Quando vai nos apresentar, senhorita Berry?
— Pra você dar em cima dela? Nunca, Jonas.
— Deixa de besteira, Rachel. Eu também estou louca pra conhecer ela. – Dani falou.
— Quinn não tá aqui.
— Ela é de Los Angeles, não é? – Kevin perguntou.
— É. – Rachel suspirou.
— Pra uma garota que já deu em cima da minha esposa, você tá com cara de apaixonada demais, Rachel. – Kevin brincou.
— Eu já disse que não sabia que ela era sua namorada, Jonas. – Rachel franziu a testa, enquanto os outros riam.
— Seja como for, agora você é uma pessoa comprometida e eu vou ser obrigado a ir pras festas sozinho. – Joe suspirou – O lado bom é que sobra mais mulher pra mim.
— Quando você vai deixar de tratar as mulheres como objetos, Joseph? – Dani reclamou.
— Quando ele encontrar a garota certa. – Rachel deu um sorriso de lado, dando um gole em seu refrigerante – Digo por experiência própria.
— Dá até orgulho de ver. – Kevin sorriu – Nossa garotinha tá crescendo.
— Vai se foder, Jonas.
— Dani não vai querer no meio de uma festa.
— Kevin! – a Dani reclamou enquanto os outros três riam.
— To mentindo?
A morena apenas revirou os olhos e cruzou os braços.
— Eu to brincando, amor. – Kevin disse dando um beijo de leve no pescoço da mulher, que tentou esconder um sorriso.
— Você é tão enjoativamente doce desse jeito com a sua namorada também, Rachel?
— Ela é cem vezes pior. – Sam brincou se aproximando do grupo – E aí, gente?
— Hey, Sam. – Kevin sorriu.
— Fala aí, boca de truta. – Joe provocou.
— Oi. – Dani sorriu. – Você conheceu a namorada da Rach?
— Conheci sim. Quinn é um amor de pessoa.
— O loiro aqui tá louco pra pegar minha cunhada. – Rachel riu.
— Com o sogro que você tem? Não, muito obrigada.
— Sogro bravo, Rachel? – Joe riu.
— Bravo é apelido, meu amigo. Um apelido carinhoso.
— Nem todos têm a minha sorte. – Kevin riu.
— Exibido dos infernos. – Rachel resmungou – Russel ameaçou me matar. Literalmente.
— Ele só queria se fazer de bravo, Rachel. – Kevin revirou os olhos.
— Digamos que ele foi bem convincente. – a judia balançou a cabeça negativamente – Não pareceu brincadeira.
— Até parece que o cara te apontou uma arma. – Joe riu – Mas eu te entendo. Eddie também não era o melhor sogro do mundo quando eu e Demi namoramos.
— Eu ainda não acredito que você pegou minha D.Love, Jonas. – Rachel balançou a cabeça negativamente e ele a encarou arqueando a sobrancelha.
— Pelo menos a gente parou nos beijos, Berry.
— O que ele quis dizer com isso? – Kevin franziu a testa.
— Eu não faço ideia. – Rachel falou virando o restante do seu refrigerante.
— Sei. – Sam arqueou a sobrancelha.
— Rachel. – Marley chamou e Rachel virou para a garota quase lhe dando um beijo por interromper aquela conversa.
— Tá tudo bem?
— Mais ou menos. Preciso que você suba comigo.
— Certo.
A judia se despediu dos amigos e acompanhou Marley de volta para o escritório.
— O que aconteceu?
— Paparazzis.
— O que? Como eles descobriram sobre essa festa?
— Um monte de artista em um lugar só já chama a atenção o suficiente. E várias pessoas postaram fotos aqui. Você está em várias, alias. Como você acha que eles descobriram?
— Merda.
— Nós sabíamos que isso ia acontecer, Rachel.
— E agora?
— Agora você escolhe entre dar mais um pequeno discurso pedindo pra ninguém divulgar o motivo do evento aqui dentro, ou dá um discurso divulgando o motivo do evento lá fora.
— O que você acha que eu devo fazer?
— Bom, o discurso lá fora seria ótimo pra sua carreira.
— Mas o discurso aqui dentro seria ótimo pra minha vida pessoal. – a judia completou e Marley assentiu.
— Rach, é minha obrigação garantir que você esteja bem tanto pessoal quanto profissionalmente. Mas essa é uma escolha sua.
— A questão é que eu não to fazendo isso pra ter um reconhecimento. To fazendo isso pela Quinn.
— O irônico disso tudo, é que nem ela sabe.
***
— Alô? – Quinn atendeu o celular ainda meio dormindo.
— Hey, Q. Te acordei?
— Rach? Tá tudo bem?
— Tudo. Eu... Só queria te contar uma coisa.
— O que houve?
— Bom... – Rachel suspirou – Lembra a pessoa que fez uma doação pro orfanato, e Brittany disse que preferia permanecer no anonimato?
— O que tem?
— Sou eu.
— Você?
— Isso.
— E por que não me contou antes?
— Por que eu não ia te contar.
— Por que não?
— Eu só queria ajudar eles.
— E por que não ia me contar?
— Não sei ao certo. Eu só... Não sei.
— Você tem que ter um motivo, Rachel. – a Fabray já estava ficando irritada.
— Por que eu fiz isso por você, Q. Por que sei que essas crianças são importantes pra você. E... Eu só acho que, às vezes, não precisamos do reconhecimento por fazer algo assim. Entende?
Quinn ficou em silencio por um tempo, ouvindo a respiração da namorada.
— Q?
— Por que resolveu me contar, então?
— Bem, eu dei uma festa pra arrecadar fundos pro orfanato. Estou nela agora, na verdade. E alguns paparazzis descobriram. E daí eu achei que... Seria melhor te contar antes que alguma reportagem fizesse isso.
— Agora eu estou me perguntando o que mais você esconde de mim, senhorita Berry. – Quinn brincou.
— Nada, baby. Não escondo nada de você.
— Eu espero que não. – a loira bocejou.
— Eu te acordei, não é?
— Pois é.
— Vou te deixar dormir então. E eu tenho uma festa na qual não aguento mais ficar pra voltar. – disse fazendo Quinn rir fraco – Boa noite, Q.
— Boa noite, Rach. Eu amo você.
— Eu também te amo.
As duas desligaram e Quinn voltou a deitar, bocejando, mas não conseguiu dormir. Sua cabeça rodando em milhões de pensamentos, tentando entender por que Rachel não tinha simplesmente lhe contado antes.
***
Rachel olhou para o relógio no seu pulso, bocejando.
Eram duas e meia da manhã. A maior parte dos convidados já havia ido embora, e as poucas pessoas que ainda estavam ali se preparavam para sair.
— Me dá um Bloody Mary. – pediu sentando no bar com um suspiro cansado.
— Pensei que você tivesse parando de beber. – Sam, sentado ao lado dela, falou.
— Se eu não beber, vou dormir em qualquer canto desse chão daqui a pouco.
— Não deveria ser o contrário? – disse fazendo a garota rir.
— Irônico, não?
— Aconteceu alguma coisa?
— Não, está tudo ótimo.
— E como a Quinn tá?
— Bem. Aliás, Kitty agradeceu pelos CDs.
— Eu falei com ela hoje de manhã.
— Esse lance de vocês é sério?
— Que lance? – Sam riu – Não tem lance nenhum.
— Não é o que parece, Evans. – disse sorrindo para o barman, que lhe entregou o drink que havia pedido.
— Kitty é uma boa garota, mas é uma criança.
— Na idade dela eu já transava. – falou depois de tomar um belo gole da sua taça.
— Rachel!
— O que é? – riu – Sam, Kitty não é nenhum bebê, serio. Além disso, eu vi ela dispensar uma garota gata por que o Sam tinha ligado. – piscou.
— Do que você tá falando?
— A gente saiu no domingo a noite. Eu deixei ela com uma garota que, se eu não tivesse Quinn, eu faria questão de dar em cima, e ela simplesmente largou a garota de lado por que você ligou.
— E daí?
— Evans, faça-me o favor. Por que você só não assume logo que gosta da garota e vai atrás dela?
— Eu não gosto de ninguém.
— Ah! Qual é? Não é como se eu fosse ligar pra Quinn e pedir pra ela mandar Kitty pra cá se você confessar. Não é errado gostar de alguém, Sam. E isso tá vindo de mim.
— Ou meio Bloody Mary te deixou bêbada, ou isso aí é efeito do seu amor pela Quinn. – Sam riu.
— Não tenta mudar de assunto.
— Eu tenho uma lista de motivos pra não ficar com a Kitty, Berry.
— Por exemplo?
— Kitty tem dezessete anos, e eu vinte e três. Russel me mataria. Eu não acho que conseguiria lidar com um namoro a distância.
— Se eu consigo você também consegue. Eu ainda to viva. E logo, logo ela faz dezoito.
— Por que tá insistindo tanto nisso?
— Por que, Sam, eu estou imensamente feliz com Quinn, e quero ver os outros felizes também.
— Eu tenho que ir. – Sam disse levantando – A gente se vê?
— A gente se vê.
Sam se afastou e Rachel terminou seu drink, pedindo outro logo em seguida.
A judia já terminava sua quinta taça quando Marley apareceu, dizendo que já poderiam ir embora.
— Finalmente! – Rachel gritou jogando as mãos pra cima, e Marley franziu a testa.
— Você tá bêbada?
— Eu acho que não. – falou enrolado.
— Rachel! O que você bebeu?
— Só cinco Bloody Mary. Você sabe que eu preciso de pelo menos uns dez desse pra ficar bêbada.
— Antes. Agora você tá há seis meses sem colocar nada de álcool na boca.
— Ops. – riu – Acho que eu to bêbada, então. Olha, não conta pra Quinn, tá bem? – pediu se encostando na assessora – Ela ia ficar brava, e eu não quero que ela fique brava, por que eu amo ela, e ela ia brigar comigo. E eu não quero brigar com ela.
— Você tá muito bêbada. Vamos logo. E vamos sair pelos fundos, pra ninguém te ver nesse estado.
— Mas todo mundo já me viu assim! – riu – Qual seria o problema?
— Quer que a Quinn saiba?
— Não!
— Então vamos pelos fundos.
— Sim, capitã! – a judia gargalhou e Marley suspirou antes de pegar o telefone e avisar o motorista que sairiam pelos fundos.
***
— Alô? – Rachel atendeu o telefone sem nem abrir os olhos.
Sua cabeça parecia que ia explodir, ela sentia como se tivesse levado uma surra e fosse colocar tudo o que tinha no estomago pra fora a qualquer segundo.
— Rachel?
— Hey! Q. – suspirou – Tudo bem?
— Eu quem te pergunto. Por que não me ligou hoje de manhã?
— Ainda é de manhã, não é?
— São cinco horas da tarde, Berry. E essa já é a oitava vez que eu te ligo.
— Serio? – murmurou – Desculpa. Eu tava dormindo desde ontem. Eu acho.
— Acha?
— É. Eu... Posso ter bebido ontem a noite.
— Rachel. – Quinn resmungou, frustrada.
— Eu ia ficar só no primeiro Bloody Mary! Eu juro.
— E um drink fez isso com você?
— Talvez eu tenha me empolgado e ido até o quinto. Mas, hey! É normal ter recaídas, não é?
— Eu to decepcionada, Rachel.
— Desculpe. – suspirou – Eu não queria ter ficado bêbada.
— Não se desculpe comigo. Se desculpe com você mesma.
— Mas não é por mim que eu to parando. – murmurou – E... Você também está brava por eu não ter te contado que estava ajudando o orfanato, não é?
— Eu não sei exatamente o que pensar disso, Rachel. Quero dizer... Por que você não contou antes?
— Eu só não queria que você achasse que eu estava tentando te impressionar! – gemeu fraco pela dor de cabeça.
— Tá de ressaca?
— Muito.
— Vai tomar um banho, um remédio, e come alguma coisa, certo?
— Não to com fome. – murmurou e Quinn riu.
— Rachel, ou faz o que eu disse, ou vou pedir pro Sam ir ai gritar na sua porta até você me obedecer.
— Por que você não vem?
— Rach...
— Tá bem! Tá bem! – resmungou – Já to levantando e indo pro banho.
— Ótimo. Me liga quando estiver melhor.
— Pode deixar.
— Beijo. Amo você.
— Também te amo.
Com a cabeça girando, Rachel se obrigou a ir tomar um banho, enquanto tentava lembrar o que, exatamente, tinha feito depois da terceira taça na noite anterior.
— Maldita ressaca. – reclamou consigo mesmo.
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