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21 Capitulo 21 - Midía eu te apresento Quinn Fabray.
Notas iniciais
— Pronta? – Marley perguntou.
— Pronta. – Rachel respondeu colocando um sorriso no rosto.
As duas saíram em direção aos flashes, câmeras, repórteres e microfones que lhes esperavam em frente ao pequeno palco.
Rachel sentou enquanto Marley parou em frente a mesa colocada no centro do palco.
— Estamos aqui hoje para esclarecer os vários boatos referentes a senhorita Berry. Vamos falar sobre a mulher que disse estar gravida de um filho dela, – Marley fingiu segurar a risada – sobre os problemas com álcool, e os boatos sobre a saída da peça e uma nova namorada. Todos vocês já sabem como funciona, mas, só para lembra-los: levantem suas mãos, a senhorita Berry escolhe quem vai fazer a pergunta, você fala e ela responde. Gritar sua pergunta não vai fazer ela ser respondida.
Marley parou em pé no fundo do palco e Rachel suspirou.
— A mídia adora distorcer tudo o que os artistas falam e fazem, além dos vários boatos sem sentido que espalham por aí. Muitos andaram saindo sobre mim, e estou aqui agora para esclarece-los respondendo as suas perguntas. O primeiro?
Vários jornalistas começaram a gritar ao mesmo tempo e Rachel respirou fundo. Os avisos de Marley nunca adiantavam de nada.
— Você. – Rachel escolheu um rapaz mais ao fundo, com a mão levantada.
— Há alguns meses atrás uma mulher chamada Agneska afirmou estar gravida de você. Ela claramente estava gravida, e tinha um exame para provar isso. O que eu quero saber é: esse filho é seu? E, se a senhorita me permite dizer, isso trouxe de volta os boatos sobre você ser intersexual. A senhorita tem algo a declarar sobre isso?
— Bom, o jeito mais fácil de te responder as duas perguntas é te dizendo que eu sabia desde o começo que o filho não é meu. Essa mulher, Agneska, eu vi fotos dela em algumas reportagens e eu nem ao menos me lembro de ter ido pra cama com ela. E, quando minha memória não lembra, eu sempre tenho as reportagens pra me lembrar, então... As pessoas tem que pensar antes de tentar sujar a imagem de alguém desse jeito. Próximo. – disse apontando para um jornalista parado próximo ao palco.
— Depois de vários acontecimentos... Lamentáveis envolvendo seu nome, começaram a surgir boatos sobre a possibilidade de você deixar RENT. Essa possibilidade existe?
— Existe a possibilidade de longas férias, mas não de deixar a peça. Apesar dos boatos que tem saído sobre mim, RENT é mais que meu trabalho.
A gritaria recomeçou e Rachel apontou para um dos jornalistas novamente.
— A senhorita foi vista saindo de uma clínica de reabilitação recentemente. Isso tem a ver com o problema com drogas revelado há alguns meses?
— Não existe um problema com drogas. Estava na clínica para uma análise com um psicólogo sobre meu problema com álcool.
— Você vai entrar em reabilitação? – alguém gritou.
— Não será necessário. Eu só tenho que ter força de vontade. E eu tenho de sobra. – Rachel escolheu o próximo repórter, tentando evitar aqueles que gritavam.
— Um blog de fofocas afirmou que você está namorando, e disse que a informação partiu de você própria. Isso é verdade?
— Sim. – um sorriso cresceu no rosto de Rachel – Eu estou namorando.
— Quem é ela? – o mesmo repórter perguntou.
— Ela se chama Quinn Fabray. Não, ela não é famosa. E sim, eu a conheci em Los Angeles. – Rachel escolheu uma mulher para fazer a pergunta seguinte.
— As fotos postadas nesse blog mostram uma garota loira. Menos de uma semana depois você foi vista com uma morena em Ohio. Algo a dizer sobre isso?
— A garota de Lima é apenas uma amiga. Saímos, eu bebi muito e ela me deixou em casa. Foi só o que aconteceu.
A gritaria preencheu novamente o ambiente e Rachel queria morrer. Apontou para um rapaz aparentemente tímido demais para aquela profissão, próximo ao palco.
— Alguns boatos dizem que você ia sair da peça por causa de uma briga com o diretor, Jesse St. James. Mesmo que você já tenha dito que vai continuar em RENT, eu gostaria de saber se essa briga realmente aconteceu.
— Olha, Jesse é o diretor. Como todo diretor, ele tem que chamar nossa atenção. Então as vezes a vontade de mandar ele pro inferno é grande, mas ele ainda é meu chefe. – disse fazendo o garoto rir baixo – Brincadeira. Jesse é uma ótima pessoa e nós já convivemos há mais de dois anos. É obvio que já nos desentendemos, mas nunca chegamos a brigar, muito menos a ponto de eu querer sair ou ele me tirar da peça.
— Então os boatos são falsos.
— Não tem nem uma virgula de verdade. – respondeu já escolhendo o próximo.
— RENT termina em alguns meses. Você já tem plano pra depois da peça?
— Ainda não. Minha assistente, na verdade, já tem recebido algumas propostas e está analisando, mas eu só vou realmente pensar nisso quando faltar um mês ou dois para o fim da peça. – Rachel escolheu um rapaz mais ao fundo para a próxima pergunta.
— Existem alguns boatos de que você e sua assistente, Marley, tem ou tiveram um caso. Isso é verdade?
— Se eu não estivesse namorando você ouviria boas piadas sobre isso, mas como eu namoro e gosto disso, vou apenas dizer que isso nunca aconteceu ou vai acontecer. Marley é uma mulher muito bonita, sim. Mas é ainda mais competente naquilo que faz.
— Funny girl vai ganhar uma nova temporada, e existem especulações de que você fara Fanny Brice. Existe alguma possibilidade de isso acontecer?
— Como eu disse, ainda não comecei a pensar no que fazer depois de RENT. Mas devo dizer que se alguma proposta pra fazer Fanny Brice chegar até mim, eu não pensarei duas vezes em aceitar. Na verdade, se estiverem fazendo testes, Marley, você já pode me inscrever. – brincou – Funny é uma grande inspiração, assim como a atriz que marcou essa história, Barbra Streisand. Então eu não posso te dizer se é uma possibilidade real. Mas posso te dizer que pra mim seria uma honra.
Rachel olhou para vários jornalistas antes de escolher o que faria a pergunta seguinte.
— Temos apenas mais dez minutos. – Marley avisou antes que o rapaz começasse a falar e Rachel concordou com a cabeça.
— Bem, Rachel, você pareceu fugir da pergunta do meu colega sobre os boatos de você ser intersexual, no começo da entrevista. Então, eu te pergunto, você é ou não intersexual?
Rachel respirou fundo e passou a mão pelo rosto antes de responder.
— Já me perguntaram milhares de vezes sobre isso, e minha resposta é sempre a mesma. Agora sou eu quem pergunto: por que vocês insistem tanto em falar sobre minha condição sexual, quando todos já sabem a resposta disso? Nosso corpo não nos define, mas sim a nossa mente.
— A resposta é sim ou não? – o rapaz tentou forçar, mas Rachel simplesmente o ignorou e passou a palavra para o próximo.
— Senhorita Berry, com o final da peça, você pensa em deixar os palcos e se aventurar em alguma outra área como o cinema, por exemplo?
— Eu nunca pensei no assunto, mas, por que não? Se gravarem em Los Angeles, então, tem um ponto a mais comigo. – brincou.
— Por que sua namorada mora lá?
— Exatamente. – sorriu antes de passar a palavra para uma mulher parada logo na frente do palco.
— Rachel, o sorriso no seu rosto quando falou da sua namorada não passou despercebido por ninguém. – a garota começou e Rachel sorriu ainda mais – Aparentemente, só falar nela já te anima. Sem querer ofender, mas todos sabemos que você nunca foi santa, e tem um passado, digamos, cheio. Como ela lidou com isso?
— Super bem, na verdade. Quinn é uma garota incrível, e sabe que eu tenho muito com o que lidar por causa do meu passado. Mais do que aceitar ela me apoia e ajuda não só a superar, mas também a me entender melhor. Ela... Quinn é minha sanidade. Ela me apoia e me faz ver um lado melhor de mim mesma. Ela sabe pelas coisas que eu passei e as coisas que eu fiz. Ao invés de correr, ela me deu a mão pra ter certeza que eu não tentaria ficar pra trás.
— Nos conte um pouco sobre ela. – alguém gritou e Rachel suspirou.
— Quinn é Quinn. Não tem como descrever alguém como ela.
— Ela trabalha? Estuda?
— Quinn é garçonete no café dos pais dela, e não estuda.
— Ela é uma fã? – essa pergunta fez Rachel rir.
— Não. Antes de realmente nos conhecermos, Quinn queria minha cabeça em uma bandeja de prata. – brincou.
— E como vocês se conheceram?
— Quinn foi a ganhadora do sorteio da peça em Los Angeles e passou uma semana no hotel comigo e o pessoal do elenco. Nos conhecemos lá.
— Ela é fã da peça, então?
— Não. A irmã dela é. Kitty pediu pra que ela fosse conseguir uns autógrafos.
— Ontem foram registradas algumas imagens de você com uma mulher loira em um restaurante aqui em New York. Era ela?
— Sim. Eu tive alguns problemas e Quinn veio me ajudar. Infelizmente ela já teve que voltar para Los Angeles hoje de manhã.
— Como é, pra você, manter um relacionamento a distância? – agora as perguntas já eram gritadas por repórteres aleatórios, mas enquanto aquilo estivesse organizado, Rachel não se importava.
— Difícil. A cada cinco minutos eu quero entrar em um avião e voar para Los Angeles.
— Sua namorada aparece de óculos em todas as fotos, e em algumas podemos ver uma bengala na mão dela. Estamos certos ao deduzir que ela é cega?
— Sim, vocês estão certos. Quinn não enxerga.
— Então você está com ela por pena ou publicidade?
— Como é?
— Bom, não é como se você fosse realmente namorar alguém que não pudesse apreciar seu trabalho, sua aparência, ou mesmo a vista da sua sacada.
Rachel levantou, pronta para avançar sobre o rapaz, mas Marley chegou ao seu lado em tempo recorde, colocando a mão no seu ombro e o apertando de leve.
— A entrevista acabou.
— Antes de sair, eu gostaria de deixar claro que amo minha namorada, e qualquer piada ou comentário de mal gosto como esse, terá consequências. Te vejo no tribunal ou na sala do seu chefe, dependendo de quem for ele.
Rachel saiu acompanhada de Marley, respirando fundo e apertando as mãos uma na outra.
— Marley, quero saber quem era aquele otário, e se é mais fácil fazer ele ser demitido ou preso. – Rachel praticamente rosnou assim que saíram da vista dos fotógrafos.
— Pode deixar. – Marley falou, lhe entregando um copo de agua – Agora se acalma, e, se aceita um conselho, ligue para a Quinn. Mas só quando estiver mais calma.
***
— Antes de sair, eu gostaria de deixar claro que amo minha namorada, e qualquer piada ou comentário de mal gosto como esse, terá consequências. Te vejo no tribunal ou na sala do seu chefe, dependendo de quem for ele.
Kitty fechou a janela do computador onde a entrevista era exibida e encarou a irmã, que tinha a testa franzida.
— Ela vai fazer da vida desse cara um inferno.
— O pior é que... Eu entendo eles, sabe? Como ela mesma disse, eu odiava ela.
As duas ficaram em silencio por algum tempo até o celular de Quinn começar a tocar.
— Alô?
— Hey, Q. Você viu a coletiva? – Rachel perguntou, parecendo nervosa.
— Você vai acabar com a carreira dele, não é?
— Ele não tem direito de duvidar do nosso namoro. Nenhum deles tem.
— Rachel, não ligue pra esse tipo de comentário maldoso. Acredite, eu sei que ainda vamos ouvir muitos assim.
— Não é certo, Quinn.
— Sendo certo ou não, é a verdade. Escuta... É você quem está acostumada a lidar com a mídia, então não vou tentar te dizer o que fazer, mas eu já ouvi comentários desse tipo e piadinhas muito piores, Rach. E isso não vai mudar.
— Bom, nós precisamos tentar.
— Então, você acha que eu queria sua cabeça em uma bandeja de prata? – Quinn mudou de assunto.
— E não queria? – Rachel deu uma risada fraca – Você mesma disse que eu não era um bom exemplo.
— Pra mim só não fazia diferença, na verdade.
— E como isso deveria ser melhor?
— Não deveria. – Quinn disse e Rachel riu.
— Como foi sua viajem?
— Bem tranquila. Com certeza aproveitei mais do que na ida.
— Sinto muito ter te deixado preocupada.
— Não sinta. Só me ligue quando precisar de mim.
— Pode acreditar, eu vou ligar. Marley tá me chamando. Vou ter que desligar.
— Tudo bem. A gente se fala amanhã?
— Sem dúvidas. Eu amo você.
— Eu também amo você.
— Acho que nunca vou cansar de ouvir isso.
As duas desligaram com um sorriso no rosto.
***
Na manhã seguinte, quando Santana entrou na casa dos Fabray e se jogou ao lado de Quinn no sofá sem falar nada, a loira já sabia que tinha algo errado.
— O que foi?
— Tem um bando de urubus na porta da sua casa.
— Como é?
— Um monte de fotógrafos, Quinn! – a latina esbravejou levantando e respirando fundo.
— Eu posso lidar com isso depois. O que eu quero saber é o que está te deixando de mal humor.
— E eu preciso de um motivo pra estar de mal humor?
— Desse jeito, sim, você precisa. O que foi?
— Bom... Você sabe que toda quarta as crianças vêm no café e, como não estávamos aqui ontem, eu passei no orfanato, você sabe, pra dar um oi pra Brittany.
— Certo.
— E... Ela tá namorando.
— Eu sinto muito, San.
— Eu tava começando a criar coragem, sabe? Pra chamar ela pra sair. E aí... Quando eu chego lá, ela tá abraçando um cara com aquele sorriso no rosto que...
— Você tá deduzindo que ela tá namorando por causa de um abraço?
— É claro que não. Eu não sou tão estupida assim. Eles disseram que se amam.
— Santana... Olha, pra mim você tá vendo coisa onde não tem.
— É claro que tem!
— Você perguntou pra ela?
— Não. Sai de lá e acho que ela nem me viu. Tava ocupada demais conversando com o engomadinho.
— Se ela não te viu, chama ela pra sair e espera pra ver a resposta.
— Eu vou levar um fora.
— É a Britt, San. O máximo que ela vai falar é não, e ele você já tem! Qual o problema em arriscar um pouco?
— Você não entende, Q.
— Entendo sim. Fui eu quem beijei Rachel, lembra? Ela poderia ter me afastado e dito não. Mas eu arrisquei, por que... Eu sentia que valia a pena. Você acha que a Britt vale a pena?
— Eu não estaria investindo nela desde o colegial se não valesse.
— Então por que, exatamente, você está aqui e não no orfanato falando com ela?
— Eu não sei, Fabray! Eu... Tenho medo. Sabe, e se, ao invés de sair comigo, ela resolver se afastar? E se eu assustar ela, ou se ela realmente estiver namorando, ou...
— Você nunca vai saber se você não tentar. Além disso, estamos falando da Britt. Você conhece ela melhor que ninguém, Santana. Toma uma atitude.
— Você tem razão. Eu vou tomar. Amanhã mesmo eu vou no orfanato e vou chamar ela pra sair. – Santana disse fazendo Quinn rir. Ela sabia que Santana não ia tomar uma atitude. Elas já tinham tido aquela conversa pelo menos umas dez vezes.
— Bom, eu vou descer. Tenho que ir pro café. Você vem ou vai pro escritório?
— Vou pro escritório. Mas quero um cappuccino com bastante creme e pouca canela antes.
— Vamos lá, então. Por conta da casa pelo coração partido.
— Eu não estou com o coração partido. – Santana revirou os olhos, sorrindo para a amiga. Quinn a conhecia como ninguém.
— É claro que não. Ainda assim, por via das dúvidas, vou pedir pra Kitty comprar sorvete e chocolate, caso queira passar aqui mais tarde. Talvez alugar um filme...
— Eu aceito o sorvete e o chocolate, mas passo o filme. – Santana resmungou – Será que podemos ir agora, ou a madame ainda tem muito o que rir da dor alheia?
— Certo. Desculpe.
— Hum... Quinn, acabei de lembrar que... Eu não tava brincando quando falei dos fotógrafos.
— O que?
— Tem um monte de fotógrafos na porta. Provavelmente todos querendo uma foto sua.
Quinn respirou fundo e passou a mão pelo rosto antes de dar de ombros.
— Então, vamos deixá-los ter uma foto minha saindo de casa pro café. Como Rachel sempre me aconselhou, é só passar direto, ignorar qualquer coisa que eles digam e sorrir.
— Você vai aceitar isso assim? Tranquilamente?
— E o que mais eu poderia fazer? Se isso faz parte de estar com ela, então ok, eu posso aguentar.
— Rachel tinha razão ontem. Você está aceitando tudo isso fácil demais. Até demais pro meu gosto.
— Você assistiu?
— Ela ia falar de você. É claro que eu assisti! Alias, aquele cara é um babaca.
— Rachel vai acabar com ele de alguma forma. Eu tenho certeza disso. Só não sei se gosto, na verdade.
— Por que não?
— Por que... San, esse tipo de gente tá em todo lugar. Esse cara é só um idiota e talvez... Talvez nem tenha sido ele, mas um... Chefe, ou algo assim, que pediu que ele fizesse uma pergunta do gênero.
— Mesmo se foi, alguém tem que sofrer as consequências daquele comentário, Quinn. Isso não é certo. O jeito como aquele cara falou da sua deficiência... – Santana suspirou.
— Seja como for, eu tenho que ir pro café agora. Então, que tal pararmos de falar de um imbecil qualquer e descer?
— Certo. Quer que eu me livre dos fotógrafos antes de você sair?
— Só vamos descer, San. E, por favor, só passe por eles sem falar nada. E não vá tentar bater em ninguém.
— Eu não prometo nada. – a latina sorriu e Quinn riu.
— Vamos lá.
Quinn ouviu os flashes começarem a ser disparados assim que a porta abriu.
Quinn desceu as escadas sozinha sem problemas, mas sentiu Santana segurar seu braço assim que desceu do último degrau, e franziu a testa.
— Eles estão no caminho. Só pra garantir. – a latina sussurrou no ouvido da loira que concordou.
As duas andaram calmamente até o café, e Quinn suspirou aliviada assim que a porta fechou atrás de si.
— Obrigada, San. Eu me viro daqui.
— Certo. Vou sentar no balcão. Cadeira de sempre. Quero meu café. – brincou.
— Pode deixar. – Quinn sorriu.
***
— Você tá brincando comigo. – Rachel suspirou, sentando de frente para sua assistente que mexia no computador do escritório da casa da judia – Marley, eu não quero fazer isso.
— Rachel, você precisa fazer isso. Desde ontem eu já recebi, pelo menos, quarenta e-mails de programas e revistas importantes querendo uma entrevista sua.
— O que eu tinha pra falar falei ontem.
— Você ameaçou processar um cara por que ele fez um comentário maldoso sobre sua namorada. Você nunca ligou pra nada do que falavam de você ou das pessoas a sua volta. Você precisa dar uma entrevista, Rachel. Uma exclusiva.
Rachel respirou fundo e passou a mão pelo rosto, quando, de repente, a solução dos seus problemas pareceu lhe atingir.
— Marley, você recebeu um e-mail do garoto responsável pelo blog que liberou fotos do dia em que eu pedi Quinn em namoro, certo?
— Recebi. Por que?
— Responda o garoto.
— Rachel, o que você está planejando?
— Eu prometi uma exclusiva pra ele, Marley. Sei que todas essas coisas com nome vão tirar até a última gota da minha paciência e ainda tentar distorcer cada coisa que eu falar, mas ele, eu duvido que faça isso. Vi o blog do garoto, e, além do mais, ele tá só começando. Eu tenho que dar uma exclusiva? Ok. Responda o garoto. Traga ele pra cá ainda essa semana. Deixe que ele reserve um estúdio para fazermos isso, e, se eu estiver de bom humor e ele quiser, quem sabe até umas fotos? Tudo por minha conta.
— Você enlouqueceu?
— Não. Marley, eu nunca tive tanta certeza de alguma coisa antes.
— Rachel, esse pode ser um momento decisivo na sua carreira. Sabe disso, não sabe?
— Não, esse é um momento decisivo na minha vida pessoal. Mas só nela.
— As duas estão diretamente ligadas. Queira você ou não.
— Marley, só faz o que eu te pedi, ok?
— Rachel. – Marley suspirou – Eu não sei se é uma boa ideia.
— Por que não?
— Por que você tem um nome muito grande no momento pra dar prioridade pra um blog de fofocas.
— E essas revistas que querem me entrevistar são o que? Esses programas que querem uma exclusiva, falam sobre o que?
— É diferente, Rachel. Eles têm um nome tão grande quanto o seu!
— E eles não dependem do meu nome pra ter retorno, Marley.
— O que quer dizer?
— É por isso que nenhuma dessas coisas são confiáveis. Por isso não se importam se eles distorcerem tanto as coisas que, além de um processo eu nunca mais vou dar uma entrevista pra eles. Eles não dependem do meu nome. Um blog como o daquele garoto depende. Se eu der uma exclusiva pra ele falando sobre tudo o que tem girado em torno do meu nome agora, o quão bom isso vai ser pro nome dele? Não só pro público, mas no meio também. Se ele distorcer as coisas, eu faço a caveira dele no meio, se não, ele vai ter visibilidade e uma boa reputação.
— O que você está dizendo é que vai usar o fato de você ter nome e ele não como garantia de que as coisas vão ser colocadas no contesto certo? Que isso vai ser positivo e não negativo pra sua imagem?
— Exatamente!
— Certo, você me convenceu. Mas, depois que a entrevista com ele sair, você vai ter que ir em algum programa famoso.
— Só se for no Jimmy Fallon.
— Posso ver se consigo isso. Mas, se não conseguir, você vai ter que se contentar com outro.
— Vemos isso depois.
— Ótimo. Vou tentar trazer o garoto no fim de semana.
— Perfeito.
— E, Rachel, eu te aconselho a contratar um segurança pra sua namorada.
— O que? – Rachel a encarou franzindo a testa.
— Bateram fotos dela com uma garota há pouco mais de uma hora, e já tem boatos sobre você ter alguma coisa sobrando na cabeça na internet. E eu não estou falando de uma aureola.
— Como é?
Rachel parou atrás de Marley e balançou a cabeça negativamente ao ver a foto de Quinn e Santana.
— Liga pro Artie. Quero isso fora da internet o mais rápido possível. Traga o garoto do blog o mais rápido que conseguir e entre em contato com um segurança. Vou conversar com Quinn sobre ela começar a andar com alguém. Se eles já sabem quem é ela pra tirar umas fotos, logo vão tentar parar ela na rua e só Deus sabe no que isso pode dar.
— Você acha que ela vai aceitar isso?
— Sinceramente? Não. – Rachel balançou a cabeça negativamente – Mas eu posso convencer ela.
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