Mais do que se pode ver
20 Capitulo 20 - Serenidade e consciência.
Notas iniciais
A campainha tocava incansavelmente e Rachel respirou fundo antes de jogar as pernas para fora da cama, se forçando a levantar.
Sua cabeça parecia que ia explodir a qualquer segundo e ela já estava jurando de morte quem estivesse do outro lado da porta.
Após sair do ensaio mais cansativo que o normal – mesmo que Jessie a tenha mandado pra casa mais cedo – no dia anterior, Rachel voltou para casa e, de repente, tudo o que a judia vinha tentando ignorar havia simplesmente explodido em cima dela.
Rachel se lembrava de ligar para Quinn quando as lagrimas começaram a sair sem sua permissão. Mas não conseguia se lembrar da conversa. Nem de ter desligado ou ido dormir. E nem de um dia em que tivesse dormido por mais de doze horas, como parecia ter acontecido.
— Já vai. – a Berry disse, mas a campainha continuou tocando – Já vai, droga!
Rachel abriu a porta e piscou duas vezes antes de um sorriso tomar conta de seu rosto.
— Quinn?
— Rachel. – a loira suspirou antes de se jogar em cima da namorada.
Rachel apertou a Fabray contra si e respirou fundo.
— Q, o que você tá fazendo aqui?
— Você tá bem? Eu fiquei preocupada.
— Eu... To legal. Preocupada por que?
— Por causa da ligação, Rachel. Você não falava coisa com coisa e chorava tanto que... Sinto muito não ter conseguido chegar antes.
Rachel se afastou de namorada e trancou a porta, logo depois passou deu braço pelo da loira e a guiou até a sala em silencio.
— Rachel?
— Eu acabei de acordar, então... Eu vou lavar o rosto e já venho, ok? Me dá dez minutos.
— Rachel, por favor.
— Eu estou bem, Quinn. Prometo que não vou demorar. – Rachel deu um beijo na cabeça da loira e se afastou em direção ao banheiro.
Escovou os dentes e lavou o rosto o mais rápido que conseguiu antes de voltar para a sala. Sentou ao lado de Quinn e respirou fundo.
— Sinto muito ter te deixado preocupada.
— Tudo bem. – Rachel segurou as mãos da namorada, balançando a cabeça negativamente.
— Como chegou aqui tão rápido?
— Peguei o primeiro avião que eu consegui depois que a ligação caiu. Santana veio comigo e Sam me trouxe aqui.
— Cadê a Santana e como você falou com o Sam?
— Santana tá com ele e Kitty tinha o número.
As duas ficaram em silencio enquanto Rachel olhava Quinn com um sorriso no rosto.
— O que aconteceu Rach?
— Eu não sei. Eu... – Rachel suspirou – Eu tive a reunião com os produtores ontem.
— Te demitiram?
— Não. Eles... Eles fizeram milhares de exigências. Querem ter certeza que não tenho problema com drogas, queriam me mandar pra reabilitação por causa da bebida e... – Rachel se interrompeu respirando fundo e soltou as mãos de Quinn, as levando até o próprio rosto.
— E o que mais, Rachel?
— Queriam que eu assumisse um relacionamento com alguém do elenco. Aparentemente eles iam escolher Jane.
— E você... Vai fazer isso?
— Não! Claro que não, Quinn. Eu... Eu discuti com eles. Disse que não ia fazer isso, que o único relacionamento que eu tenho é com você e depois sai de lá.
— Deixou eles falando sozinhos?
— Basicamente. Não fui demitida ainda, mas a possibilidade de isso acontecer até amanhã é grande.
— Sinto muito.
— Não, tudo bem. Eu só... Minha assistente, Marley, veio pra cá depois que a reunião realmente acabou. Ela falou besteira sobre o nosso namoro e eu perdi o controle. – Rachel suspirou.
— O que você fez?
— Eu quase bati nela.
— Rachel... Você...
— Eu só... Segurei ela e falei pra não se meter. Quando eu percebi o que eu estava fazendo... Eu estava a um segundo de dar um murro nela, Quinn.
— Mas você não bateu, certo?
— Não. Eu soltei ela e sai de perto.
Quinn puxou a namorada para perto de si e Rachel a abraçou, escondendo o rosto no pescoço da mais alta.
— Isso é tudo uma merda. Eu...
— Tá tudo bem, Rachel. Você só tem muito com o que lidar agora. Você precisa descansar um pouco.
— Isso não me dá o direito de agir do jeito que eu agi.
— Não. Mas te dá um caminho pra se controlar. Você vai pra reabilitação?
— Não sei. Espero que não.
— Será que não seria uma boa ideia, Rachel?
— O que? Você acha que eu preciso de ajuda medica pra isso, Q?
— Não. Eu acho que em uma clínica de reabilitação você vai se afastar da mídia, vai ter um tempo pra você e vai ter com quem conversar sobre o que tá acontecendo. Eu sei como você é irritada, Rachel. Mas você nunca tentou machucar ninguém.
— Eu não quero ficar trancada dentro de um hospital pra viciados, Quinn.
— Então tira férias. Não uma semana. Férias de verdade. Vai passar um mês em um lugar afastado de tudo.
— Eu tentei em Lima, Quinn. Não deu certo. Quando eu voltei só tinha mais problemas ainda. E acabou nisso.
— Então vamos por partes. O primeiro problema é a criança que você sabe que não é sua. Então já não é mais um problema.
— Certo.
— O segundo é a bebida. Você... Rachel, você tem certeza que não precisa da reabilitação?
— Eu acredito que sim, mas, de todo jeito, eu devo ter uma consulta hoje. Deve ser um psicólogo ou algo do tipo, que vai falar se eu preciso ou não ir pra clínica.
— E você vai fazer o que ele achar melhor?
— Não só pelos produtores, mas por mim mesma também. – Rachel concordou.
— Então mais tarde teremos o segundo problema resolvido. O terceiro é sua discussão com Marley ontem.
— Não foi bem uma discussão, mas, sim. É.
— Converse com ela e peça desculpa. Você está sobrecarregada e não precisa de mais esse peso nas costas. Esse foi um evento isolado. Se algo do tipo acontecer de novo você... Eu não sei. Começa a passar em um psicólogo, ou algo do tipo. Ou pode fazer... Aulas de box, talvez. Pra ajudar a descarregar.
— É uma boa ideia. Vou pedir pra Marley procurar isso pra mim.
— O último problema são os produtores.
— Infelizmente. Mas eu não vou aceitar essa proposta deles. Se... Se eles querem uma marionete, eles podem procurar outra pessoa.
— Quanto tempo de peça ainda tem?
— Uns seis ou sete meses. Por que?
— Rachel... Se é pelo bem da sua carreira...
— Não! – Rachel se afastou de Quinn e a encarou – Quinn, eu não vou fazer isso.
— Eu sei que é sua primeira peça grande, e se você for demitida, isso vai ser péssimo pra você.
— Quinn, eles vão ter que me pagar uma multa absurda se me mandarem embora. Eu duvido que eles façam isso. Além disso, se eu quiser, eu nem preciso pisar mais naquele palco. Pelo menos foi o que meu advogado disse.
— Como assim?
— Bom, já são quase três anos sem férias ou folga. – Rachel deu de ombros.
— Não me surpreende que você esteja tão estressada.
— Eu vou ficar bem.
— Seja como for, eu acho que... São só seis messes, Rach. A gente pode lidar com isso.
— Provavelmente sim. Mas eu não quero beijar outra garota. Ou levar ela pra jantar ou... Eu só quero você, Q.
— Eu não quero ser um problema pra você.
— E não é. Aqueles caras não controlam minha vida. Se eu deixar eles fazerem isso agora, vão querer fazer sempre e... Eu não vou deixar.
— Você tem certeza do que tá fazendo?
— Absoluta.
— Então eu vou estar do seu lado. Te apoiando no que você precisar.
— Obrigada, Quinn. Eu amo você.
Quinn segurou o rosto da namorada, se aproximou e lhe deu um selinho, sorrindo.
— Eu amo você também. – murmurou.
Rachel suspirou e acariciou o rosto da loira com calma.
— Você não precisa dizer isso só por que acha que eu quero ouvir, Q.
— Eu não estou falando por que você quer ouvir. Eu te amo, Rachel Barbra Berry, e vou repetir isso até que você acredite.
Rachel sorriu e se inclinou para frente, beijando Quinn como ela queria desde que viu a loira parada na sua porta.
***
Rachel saiu do consultório e passou direto por Marley em direção a saída.
Ainda não tinha falado com a assistente, mas esperava corrigir aquilo em breve.
Entrou no carro e esperou por alguns minutos até que a mais nova sentasse ao seu lado.
— O médico disse que você não precisa de reabilitação, mas recomendou umas férias, senhorita Berry. – Marley falou mostrando o envelope lacrado em sua mão e Rachel deu um tapa de leve no ombro do motorista, que não demorou para começar a dirigir – Vou mandar isso para os produtores imediatamente. E eles me prometeram uma resposta até amanhã de manhã.
— Perfeito.
— A senhorita precisa de mais alguma coisa?
— Primeiro que pare de me chamar assim. – Rachel suspirou – Sinto muito pelo o que aconteceu ontem, Marley. Nós duas estávamos estressadas, você falou besteira e eu exagerei. Não devia ter... Quase te batido daquele jeito.
— Tudo bem. Eu falei sem pensar e você reagiu do mesmo jeito.
— Não, Marley, não está tudo bem. Eu deveria ter gritado com você, te mandado pro inferno, talvez, mas não tenho o direito de ao menos chegar perto de te agredir.
— Rachel, está tudo bem, serio. Não esquenta com isso. Você tem problemas maiores agora.
— Acha que eles vão me demitir?
— Eu andei conversando com o Artie, e os números dificilmente vão deixar eles te mandarem embora.
— A multa por quebra de contrato.
— Eles podem alegar que você está fazendo uma publicidade negativa para a peça, usar algumas cláusulas do contrato e, acredite em mim, a multa seria praticamente anulada. Os números que eu estou falando são os da semana passada em comparação com o resto da temporada. A sua ausência quase deu prejuízo durante aquela semana.
— Então, a pesar de tudo...
— Seria inútil manter a peça sem você.
— Isso é bom.
— Certo, você tem ensaio agora, e, depois, eu recomendo que vá pra casa e descanse.
— Na verdade, quero que faça uma reserva no Eleven Madison Park pra duas pessoas.
— Pensei que estivesse namorando serio, Rachel. Sem querer me meter, nem nada.
— Tudo bem. – Rachel sorriu – Quinn está em New York.
— O que?
— Aparentemente eu liguei pra ela ontem, o que eu dizia não fazia sentido e ela ficou preocupada.
— Você...
— Pode falar, Marley. – Rachel incentivou quando a garota se interrompeu no meio da frase.
— Você bebeu ontem a noite?
— Não. Só tinha muita coisa com o que lidar.
O restante do caminho até o teatro foi feito em silencio.
Quando o carro parou Rachel olhou para Marley e respirou fundo.
— Você ainda tem meia hora, se não quiser entrar agora. – a mais nova disse.
— Não é isso. Eu... Eu realmente sinto muito, Marley.
— Tá tudo bem Rachel. Serio. As duas estávamos erradas. Vamos só esquecer isso, tá bem?
— Tudo bem.
— Ótimo.
— Marley, isso não é exatamente a prioridade no momento, mas... Me coloque em alguma academia para treinar box, ok?
— O que?
— Eu preciso de alguma coisa pra descontar minha raiva. Um saco de areia parece uma boa ideia.
— Você tem certeza disso?
— Absoluta.
— Tudo bem. Te vejo amanhã.
— Até amanhã. – Rachel disse saindo do carro.
A judia foi direto para o seu camarim, se jogando no sofá no canto do cômodo.
Ficou ali por cerca de dez minutos antes de respirar fundo e sair, indo bater na porta do camarim ao lado.
— Entra!
— Podemos conversar? – Rachel colocou apenas a cabeça para dentro do camarim e Blaine suspirou ao ver quem era.
— Acho que sim.
Rachel entrou e encostou a porta atrás de si, sentando no sofá logo em seguida, enquanto Blaine a encarava pelo espelho.
— Então, como estão as coisas?
— Vão melhorar, eu tenho certeza disso.
— Espero que sim. Fiquei sabendo que as coisas não andam bem. Queria que tivesse vindo conversar comigo desde o começo.
— Nós dois sabemos por que brigamos, Blaine.
— É. Por que você e Quinn... Rachel, sinto muito, mas eu não consigo ver isso sem ser você tentando se aproveitar dela.
— Você me conhece, Blaine. Sabe que eu nunca faria isso.
— Não, eu sei que a Rachel que eu conheci quando tínhamos treze anos não faria isso. A de dezesseis nem pensaria em uma coisa assim, agora, você... Rachel, eu não te reconheço mais.
— Eu também não estava me reconhecendo. Por isso...
— Você está mudando. É. É o que eu to vendo. Mas é tão repentino que... Sinto muito Rachel, e eu realmente prezo a sua amizade, mas eu não entendo.
— Você não tem que entender. Só aceitar que eu amo Quinn, e nós estamos juntas.
— E como você acha que ela vai ficar quando você também estiver com outra?
— Blaine, você não...
— Todo mundo do elenco já tá sabendo que os produtores querem que você finja namorar Jane. – Rachel o encarou por alguns segundos antes de suspirar.
— Como?
— Eles ligaram pra ela.
— Os produtores falaram direto com ela? Quando?
— Ontem, pouco depois que você saiu.
— Nesse caso eles precisam aprender o que não significa.
Blaine respirou fundo, passando a mão pelo rosto antes de finalmente virar de frente para a judia.
— O que você realmente quer com a Quinn, Rachel?
— Mesmo que o principal motivo da nossa briga seja o fato de você não ter nada a ver com isso, eu realmente gosto da Quinn, Blaine.
— Eu não consigo assimilar isso. Quero dizer... Se fosse a antiga Rachel, tudo bem. Ela se apegava fácil. Se apaixonava fácil, quando era de verdade. Mudava sua vida em questão de segundos. Mas você?
— O que você tem que entender é que a antiga Rachel ainda se sentia um lixo toda vez que eu fazia merda. Mas eu simplesmente ignorava.
— Você nunca mudou de verdade, não é?
— Nós usamos mascaras, Blaine. Eu só escolhi a errada.
O celular de Blaine começou a tocar e o rapaz suspirou, desligando o despertador.
— Vamos lá, Rach. Temos ensaio. – o rapaz sorriu antes de levantar e sair do camarim com o braço sobre os ombros da amiga.
Os dois foram para o palco rindo enquanto Rachel contava sobre a semana que havia passado em Lima.
— Cadê o Sam? – Jesse perguntou quando o elenco inteiro já estava em cima do palco.
— Da última vez que vi ele...
— E aqui, é o palco. – a voz de Sam preencheu o ambiente, interrompendo Puck.
O loiro apareceu em cima do palco com o braço entrelaçado ao de Quinn e Santana logo atrás dos dois, o que fez todos os olhares se voltarem para Rachel no mesmo segundo.
— Eu assumo daqui, Sam. – Rachel falou se aproximando dos três – Hey, Santana.
— E aí, Berry?
— Q. – Rachel tomou o lugar de Sam ao lado da namorada e lhe deu um selinho.
— Rach.
— Quinn! O que faz por aqui? – Jesse sorriu se aproximando da loira.
— Certa baixinha que me dizem ser muito bonita precisou de mim, então vim o mais rápido que pude. – Quinn respondeu o abraçando.
Aos poucos o restante do elenco se aproximou, cumprimentando – e em alguns casos conhecendo – as garotas.
Alguns minutos depois, Quinn e Santana se sentaram lado a lado na plateia, enquanto o grupo se focava no ensaio.
Depois de repassarem a peça completa duas vezes, sob algumas observações de Jesse, o elenco foi dispensado e Rachel foi até Quinn, sentando ao lado dela.
— Hey. – disse dando um selinho na loira.
— Hey, Berry, essa peça parece boa.
— Posso conseguir ingressos pra quinta, se vocês quiserem.
— Não estaremos aqui na quinta, Rach.
— Mas... Eu pensei que vocês fossem ficar um pouco.
— Não podemos. Santana tem o escritório dela pra cuidar e...
— Espera aí, você tem um escritório?
— De advocacia. Por que?
— Isso é uma coisa que eu não esperava. Seja como for... Fiquem pelo menos até o fim de semana.
— Eu também tenho alguns compromissos essa semana. Não posso ficar.
— Que compromisso?
— Além de ajudar minha família com o café eu tenho... Médico marcado. E fiquei de ajudar Kitty com uma coisa.
— Se não fosse pelo médico, te faria ficar. O que você tem?
— É... Rotina. – Quinn resmungou ficando vermelha e Rachel franziu a testa.
— Certeza?
— Tenho, Rach. Não se preocupe.
— Tudo bem. – suspirou – Quando vocês voltam?
— Amanhã de manhã. – Santana disse.
— Bom... Podemos pelo menos sair pra jantar hoje, então. – Rachel disse deitando a cabeça no ombro da namorada.
— Você se importa, San?
— Eu já arranjei minha companhia da noite, Fabray. Façam seu programa de casal por que vocês não sabem quando vão se ver de novo.
— Já tinha planos de me abandonar, Lopez? – Quinn brincou.
— Não, loira. Eu já sabia que você me abandonaria. – riu.
— Hey, Santana. Vamos? – Sam chamou.
— Onde vocês vão? – Quinn perguntou enquanto Santana pegava sua bolsa e levantava.
— Conheço um pub aqui perto que essa latina vai adorar.
— Não vá ficar bêbada. – Quinn pediu.
— Pode deixar. – Santana se abaixou para abraçar Quinn e sussurrou algo no ouvido da loira que deixou Quinn vermelha e Rachel curiosa.
Os dois se afastaram para perto de algumas outras pessoas e Rachel escondeu o rosto no pescoço da namorada, fazendo um leve carinho com o nariz no local.
— Vocês têm mesmo que ir?
— Eu também queria ficar, Rach. Mas, infelizmente, não posso.
— Vamos aproveitar nossa noite então.
— Vamos sim. – Quinn entrelaçou seus dedos nos da namorada e Rachel sorriu, olhando suas mãos.
— Eu amo você.
— Também amo você. – Quinn disse pouco antes de sentir os lábios da morena tomando os seus.
***
Rachel observou o avião decolar e respirou fundo, passando a mão pelo rosto enquanto sentia o peito apertar.
Doía mais do que a judia era capaz de expressar em palavras ver a namorada ir embora, mesmo quando ela nem ao menos deveria estar ali, só pra começar.
Depois de saírem do teatro no dia anterior, o casal foi para a casa da judia, se arrumaram e foram para o restaurante. Rachel sabia que nunca tinha se divertido tanto em um restaurante antes quanto se divertiu naquela noite, fazendo piadas e suspirando a cada risada da namorada. Sabia que tinha um paparazzo as fotografando, mas não se importou. Todos saberiam quem era Quinn em menos de vinte e quatro horas, de todo jeito.
Quando voltaram para a casa de Rachel, deitaram na sala sob o edredom e assistiram um filme abraçadas uma a outra. Quando os créditos começaram a subir Rachel desligou o DVD e as duas foram para o quarto onde, para a surpresa das duas, deitaram abraçadas uma a outra novamente, e conversaram durante madrugada inteira.
Durante a manhã Santana apareceu dizendo que Quinn tinha uma hora pra se arrumar antes de saírem, e só então as duas realmente se afastaram.
Ver o avião que levava sua garota de volta para longe dela fez o coração da judia falhar uma batida, pensando em como gostaria de manter a loira ali.
Rachel sentiu o celular vibrar no bolso da calça e atendeu sem nem olhar quem era, ainda encarando o ponto onde o avião tinha sumido há alguns minutos atrás.
— Alô?
— Rachel? Tenho boas novas.
— Marley. – a judia suspirou – O que aconteceu?
— Acabei de falar com os produtores. Você pode falar sobre a sua namorada hoje sem problemas, que seu emprego está garantido. Sabe, talvez seja até bom que... Quinn. É esse o nome dela?
— É. – Rachel resmungou.
— Enfim, talvez seja até bom que ela tenha vindo para New York agora, assim ela pode aparecer com você no final da coletiva, e...
— Quinn já foi, Marley.
— O que?
— Quinn teve que voltar pra Los Angeles hoje de manhã. Ela e a amiga tinham... Compromissos.
— Oh! Isso é uma pena. Eu nem tive a chance de conhecer ela.
— Vão ter outras oportunidades. – Rachel parecia prometer mais para si mesma do que para sua assistente.
— Rachel, você tá bem?
— To. – suspirou – Eu... Estou saindo do aeroporto agora. Você me encontra em casa em uma hora pra falarmos da coletiva?
— Tudo bem.
— Até, Marley.
— Até Rachel.
A Berry desligou o telefone e encarou o seu novo plano de fundo, onde Quinn sorria abraçada a ela, sem saber que estava sendo fotografada.
Sorriu para a foto antes de guardar o celular e se dirigir para a saída do aeroporto.
Ela daria um jeito de ver sua namorada o mais rápido possível.
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