Notas iniciais
Oi gente. Aqui está o capitulo que vai decidir parte da historia. Boa leitura pra vocês.

— Você deveria voltar de vez depois dessa peça. – Hiram disse abraçado a filha.

— Você sabe que eu não posso, papai.

— Poderia se quisesse.

— Última chamada para o voo dois mil novecentos e oito, destino New York. – a voz soou pelos alto-falantes e Rachel suspirou se afastando de Hiram.

— Eu prometo que volto antes do fim do ano, ok?

— Eu duvido disso, mas ok. – Hiram resmungou e Rachel deu uma risada fraca.

A judia se afastou do pai e abraçou Leroy.

— Pensa no que nós te falamos sobre seu namoro, ok? – o mais velho pediu.

— Pode deixar.

— E volta mesmo!

— Sim senhor. – Rachel riu e se afastou do pai – Eu tenho que ir. Ligo pra vocês quando chegar.

— Vamos esperar.

Rachel entregou sua passagem para o rapaz responsável e acenou para os pais antes de seguir para o avião.

Assim que sentou em seu lugar, a judia colocou os fones de ouvido, fechando os olhos e se deixando relaxar contra a poltrona não tão confortável quanto ela gostaria que fosse.

Sua sexta-feira havia sido tranquila e ela havia passado o dia anterior com os pais, mas sua noite foi ocupada em ajudar o new directions a escrever suas músicas – afinal a ideia de Jenny acabou sendo levada a sério, e tanto ela quanto Will e os estudantes se dedicaram a última música – e acabou não dormindo na noite anterior, então aquelas horas de voo serviriam para alguma coisa a mais do que leva-la de volta para a loucura de New York.

***

— Então ela quer assumir? – Santana perguntou observando Quinn mexer em alguns potes atrás do balcão.

— Isso.

— E você não sabe se é uma boa ideia?

— Eu não sei o que pensar sobre isso, San.

— Quinn, qual o problema? Afinal, não é melhor que todos saibam de uma vez do que vocês ficarem se escondendo quando ela vier pra cá ou você for pra lá?

— Bom, eu vou falar com ela hoje. Não me importo se as pessoas sabem ou não. Por mim, é uma escolha dela. Mas... Não quero que ela pense que precisa fazer isso, entende?

— Não acho que eu realmente entenda, mas pode se dizer que sim.

— O problema de dizer pra Rachel não assumir é que eu sei que ela vai ficar chateada, e se eu falar pra ela contar ela pode pensar que estou com ela por causa da mídia.

— A ideia foi dela, Fabray.

— Eu sei!

— O que você vai fazer?

— Resolver isso mais tarde, quando ela me ligar.

— Ainda não falou com ela hoje?

— Não. Ela deve tá no avião essa hora.

— New York?

— É. Ela deve estar pousando em... – Quinn levou o relógio que usava até a orelha e apertou o botão responsável por lhe informar as horas – Umas duas horas e vai direto pra uma reunião com a assessora e a... Mulher que diz estar esperando um filho dela.

— Aposto que o assunto é a Rachel só pelo claro tom de ciúme que eu ouvi na voz da Quinn. – Kitty brincou sentando ao lado de Santana.

— Pois o que eu ouvi foi uma sinfonia inteira. O que claramente significa que você está certa.

— Primeiro, eu não estou com ciúme. Rachel teve seu passado e essa é uma parte dele com a qual ainda temos que lidar. Segundo, Santana, essa piada é mais velha que minha avó.

— Fabray, seu amor por mim é perceptível há milhares de quilômetros de distância. Cuidado que daqui a pouco quem vai estar com ciúme é a sua namorada.

— Lopez, cala a boca.

— Ah, Fabray, qual o problema de assumir que tá com ciúme da sua garota?

— O problema é que eu não to com ciúme. Eu confio na minha namorada e sei que essa reunião vai ser só pra falar sobre a criança que pode ou não ser dela. – disse enfatizando o “não”.

— E que claramente você não quer que seja.

— Isso não é relevante, mas é obvio Santana.

— Seja como for, se eu fosse você, estaria com ciúme e preocupada. Rachel é gostosa pra caramba.

— Santana!

— O que? Eu sou sua amiga. Posso falar. Além disso, você não pode ver ela, então alguém tem que te contar a sorte que você deu.

— Santana está quase certa. – Kitty disse – E eu também teria ciúme. Ainda mais com o histórico de relacionamentos, ou melhor, falta de relacionamentos e excessos de casos de uma noite dela. Além disso, sabe-se lá quem é essa mulher e o que ela realmente quer com a Rachel além da história do filho. Quem garante que isso não é uma tentativa de ter um relacionamento com ela?

— Minha namorada mora há horas de avião de distância daqui e vocês querem me fazer sentir ciúme dela? É isso que eu to entendendo? Vocês querem me enlouquecer ou me fazer terminar o relacionamento da próxima vez que ela ligar?

— Nem um nem outro, maninha. Só estamos comentando.

— Estão me deixando preocupada, isso sim.

— Quinn, acho que já ficou claro pra todo mundo aqui que essa garota pode realmente estar gravida da Rachel ou só ser uma oportunista de mão cheia. E caso seja a segunda opção nada nos garante que o que ela quer é dinheiro. Talvez seja dinheiro, talvez seja uma oportunidade na mídia, fama... E talvez seja a Rachel.

— Você não está ajudando, Kitty. – Quinn suspirou.

— Seja como for e voltando ao assunto principal e que realmente interessa, Kitty, o que você acha sobre a Rachel querer contar pra mídia sobre a Quinn?

— Eu acho que isso anula nossos argumentos.

— Que argumentos? – Quinn franziu a testa – Espera ai, argumentos sobre o que?

— Bem, quando saiu aquela notícia no começo da semana eu e Santana estávamos conversando e chegamos a conclusão que... Bom, Rachel nunca assumiu um relacionamento publicamente.

— Se ela assumir você, é quase como se dissesse.... Quase uma prova de amor, entende? – Santana explicou.

— Santana, isso é besteira.

— Essa história da prova de amor sim, mas a Rachel querer assumir o relacionamento de vocês não é, Q. Eu acompanho Rachel desde antes de ela ser realmente famosa. Ela nunca nem mesmo fala sobre as garotas com quem sai. Sempre que perguntam sobre namoro e coisas do tipo em entrevistas ela desvia do assunto. É quase como se ela fugisse disso mais do que na frente das câmeras. Assumir um relacionamento... É algo extremamente grande pra ela. Pelo menos, seria visto como algo grande pela mídia e pelos fãs. Principalmente os fãs.

Quinn franziu a testa, se encostando no balcão enquanto pensava nas palavras de Kitty.

De repente, assumir seu namoro ganhou uma proporção que ela nunca poderia imaginar que teria. Passou a ser mais do que só dizer ao mundo que estavam juntas. Passou a ser praticamente a confirmação dos “eu te amo” da judia. Talvez dar carta branca para ela assumir o relacionamento das duas fosse um jeito de finalmente conseguir dizer de volta antes que a judia desligasse o telefone.

***

Rachel respirou fundo assim que viu a quantidade de repórteres que a esperavam do lado de fora do aeroporto.

Tinha dormido durante todo o voo, mas agora a fome que começava a se mostrar presente e a perspectiva do compromisso e da possível responsabilidade que a esperavam depois dos urubus com câmeras estavam deixando seu humor um pouco duvidoso.

— Lembre-se, Rachel: não responda nada. – sua assessora, Marley, disse – Você vai fazer uma coletiva em alguns dias e só aí vai tirar todas as dúvidas deles. Vá direto para o carro que eu cuido das malas.

— Certo. – a judia suspirou.

— Pronta?

— Vamos lá.

Assim que Rachel saiu, com Marley logo atrás, os flashes e gritos começaram.

A judia se limitou a sorrir e abrir espaço por entre os repórteres e paparazzis até o carro, sem dizer uma palavra, como a assessora havia recomendado.

Assim que ela e Marley estavam dentro do carro de vidros escuros a judia pegou seu celular e enviou uma mensagem para os pais, dizendo que havia chegado bem e prometendo ligar a noite.

— Nossos próximos dias serão bem agitados, Rachel. – Marley começou, respirando fundo.

— Primeiro eu preciso saber se temos que ir direto ou tenho tempo de passar em casa e tomar um banho primeiro.

— Temos que ir. Já estamos atrasadas.

— Tudo bem. E o resultado?

— Pegamos hoje de manhã. Pedi duas copias. Eu tenho uma na bolsa e ela ficou com a outra. Além da que fica nos registros do hospital, que podemos consultar caso alguma coisa dê errado.

— Você não deu uma olhada nele? Tipo... Não pode me adiantar o resultado? Eu dobro o seu salário!

— Rachel, isso é um absurdo.

— Pra você ver como eu to calma! – ironizou.

— Eu não olhei esse resultado. E, acredite em mim, eu estou tão ansiosa quanto você pra saber se o filho é seu, mas vamos descobrir isso junto com a Agneska, ok?

— Por que?

— Por que se abrirmos o resultado ela pode dizer que trocamos o nosso antes mesmo de abrir o dela, e resolver te levar pra justiça sem nem mesmo olhar o resultado, caso a criança não seja sua. E a última coisa que a gente precisa agora é de mais um escândalo desses envolvendo o seu nome. Além disso, nós duas sabemos o que isso traria à tona e eu não acredito que você queira isso, estou certa?

— E onde marcou esse encontro?

— Em um café pouco movimentado e bem reservado. Não vamos correr o risco de paparazzis e se tivermos que ficar lá além do tempo de abrir esse envelope, você pode comer alguma coisa. Sei que deve estar morrendo de fome.

— E a reunião com os produtores?

— Amanhã de manhã. Depois você vai pro ensaio. Atrasos não serão um problema por que Jesse estará com a gente. O que me lembra que temos que passar no teatro antes do horário da apresentação por que ele quer falar com você, mas, tecnicamente falando, ainda está de folga, então não vai se apresentar.

— Certo.

— Na quarta a noite, depois do seu ensaio, temos uma coletiva já marcada. Os e-mails foram enviados sem um assunto especifico em pauta, já que isso vai depender do que acontecer nas próximas vinte e quatro horas.

— O que quer dizer?

— As opções vão desde anunciar que você não vai ser mãe e vai sair da peça, até esclarecer que todas as ultimas noticias sobre você não passam de fofocas. Depende do resultado do exame que vamos abrir daqui a pouco e de como vai tá o humor dos seus chefes amanhã.

— Eu tenho um discurso pronto, ou algo assim?

— Algo assim. Mas vamos deixar pra discutir isso depois do café. O seu advogado já está avisado para estar presente amanhã e na quarta e uma mensagem ele estará no café hoje.

— O que Artie está achando de toda essa confusão?

— Bom, ele já começou a preparar alguns papeis. – Marley respondeu fazendo a judia suspirar.

— E o que eu tenho pra terça?

— Você só vai precisar ir pro ensaio. Vai precisar estar descansada pra quarta.

— Marley, eu amo você. – Rachel disse fazendo a garota rir – Você realmente pensou em tudo pra resolver meus problemas. Eu ia enlouquecer antes de chegar na metade disso aí.

— Você me paga pra isso, Rachel.

— E seu serviço vale cada centavo gasto.

— Não elogie muito. Isso nunca dá certo. – disse rindo.

— Se você diz... Quanto tempo até chegarmos no café?

— De dez a quinze minutos. Depende do transito.

— Ótimo. Tenho tempo de ligar pra Quinn.

— Quinn é... Sua namorada?

— A própria.

— Você ainda me deve uma explicação sobre essa garota, Rachel.

— Depois, Marley. Depois.

— Depois, mas rápido, por favor. Aliás, eu quero conhecer ela. Ela deve ser realmente especial pra conseguir te fazer namorar. O que foi que ela fez pra conseguir essa façanha?

— Ela... Ela respira.

— Isso foi meloso demais. Principalmente pra você. Tem certeza que você é a mesma Rachel que embarcou pra Los Angeles? Não fizeram um clone bonzinho por lá?

— Oh! Cale a boca. Eu sempre te tratei bem, Marley. Quinn só... Traz isso de mim para as outras pessoas também.

— Como eu disse, preciso conhecer ela. A garota fez um milagre ai.

Rachel sorriu para a assessora enquanto levava o celular até a orelha.

Quatro toques depois, Quinn atendeu o telefone.

— Hey, Q.

— Hey, Rach!

— Olha só, alguém está animada. Tá tendo um bom dia? O café está agitado?

— Está tudo bem tranquilo por aqui hoje, na verdade. Só estou conversando com as meninas. E você? Como foi a viagem?

— Foi bem calma. Dormi a maior parte do caminho, e vou correr para resolver algumas coisas agora.

— Vai falar com aquela mulher?

— Espero que pela primeira e última vez.

— Vai me ligar assim que souber o resultado do exame, certo?

— Assim que eu conseguir me livrar daquela mulher. – concordou.

— Vou esperar pela ligação.

— Pode deixar. Hum... Quinn... Você pensou sobre o que eu te disse?

— Sobre contar sobre nós pra mídia? É, eu pensei. E... Quando eu aceitei namorar com você, eu sabia onde estava me metendo.

— O que quer dizer?

— Vamos fazer isso uma hora ou outra, por que não agora?

— Posso contar então?

— A escolha é sua. Se quiser contar, pode ficar a vontade. Eu já disse, Rach, isso não é relevante pra mim.

— Perfeito! Eu vou ter uma coletiva na quarta e com certeza vão perguntar de você. Eu... Te falo algum lugar que vá transmitir e você pode assistir.

— Certo. Apesar que Kitty provavelmente já deve saber onde ela vai assistir. – brincou.

— Também é uma opção. – Rachel riu.

— Rach... Você também vai falar sobre... Sua condição?

— Só se o filho for mesmo meu. Isso é um assunto pessoal e a mídia não precisa saber. Por que?

— Nada. Eu só... Pensei que você fosse falar sobre.

— Eu não acho que estou pronta pra isso ainda, entende? Já tive minha cota de problemas por causa disso há alguns anos atrás.

— Rachel, chegamos. – Marley avisou.

— Certo. Q, tenho que desligar. A gente se fala mais tarde.

— Tudo bem. Beijos, Rach.

— Beijos. Amo você.

Rachel desligou o celular rapidamente e olhou para Marley, sentada ao seu lado.

— Pronta?

— Só se o resultado desse exame for negativo. – respirou fundo – Vamos lá.

Marley desceu do carro e a judia a acompanhou logo depois.

O espaço era tranquilo, e Rachel quase se sentiu acolhida assim que pisou dentro do café.

Marley a guiou até uma mesa, onde uma mulher já as esperava e a judia a encarou franzindo a testa enquanto tentava forçar sua mente a se lembrar dela.

A ruiva era uma mulher muito bonita, não podia negar. Com certeza não hesitaria em tentar leva-la para cama se a encontrasse em alguma boate meses atrás. Mas se tinha uma coisa da qual Rachel se orgulhava era sua boa memória mesmo quando estava alterada. E ela definitivamente não lembrava daquela ruiva.

— Olá Agneska. – Marley cumprimentou sentando de frente para a mulher.

— Oi. – Rachel forçou um sorriso, sentando ao lado da sua assessora.

— Rachel. Marley. Vão pedir alguma coisa? – a ruiva perguntou sorrindo para elas, e Rachel sentiu seu estomago embrulhar, pensando em como ela parecia calma demais, quase como se soubesse que o resultado daquele encontro seria a judia assumir seu filho.

— Talvez depois de abrir os resultados. – Marley respondeu sentindo o nervosismo e a tensão que parecia emanar da garota ao seu lado e a ruiva deu de ombros – Se formos realmente ficar aqui para discutir alguma coisa, depois disso.

— Ótimo.

Rachel já estava quase suando frio.

Definitivamente a mulher a sua frente parecia muito mais confiante do que ela gostaria que ela estivesse. Não que ela esperasse que a mulher estivesse tremendo de medo – como ela se sentia – mas aquela confiança aparentemente inabalável não parecia um bom sinal para a morena.

A judia observou a possível mãe do seu filho pegar um envelope branco na bolsa, ao mesmo tempo que Marley lhe entregava o dela.

Rachel respirou fundo algumas vezes antes de, com as mãos tremulas de nervoso, abrir o seu, e Agneska fez o mesmo, mas com um grande sorriso no rosto.

Os olhos de Rachel correram rapidamente pelo papel, ignorando a maior parte das palavras impressas no documento. Identificou seu nome e o da mulher a sua frente antes de identificar o resultado indicando se aquela criança era mesmo sua ou não.

— E então? – Marley perguntou alguns segundos depois, já começando a se sentir nervosa enquanto observava as duas mulheres e tentava ler o resultado em suas expressões – Temos assuntos pendentes, ou essa reunião acaba aqui?

Notas finais
O que vocês acharam? Nos digam o que esperam dos próximos capítulos. E ate semana que vem.