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19 Capitulo 19 - Estresse
Notas iniciais
Rachel entrou no carro e respirou fundo, jogando a cabeça para trás contra o banco e passando a mão pelo rosto.
— Rachel? – Marley chamou após entrar ao lado da judia e fechar a porta do carro.
— Isso não foi bonito. – a Berry resmungou, de olhos fechados.
— Nem um pouco.
— O que essa mulher tem na cabeça? Céus! O que ela queria que eu fizesse depois de abrir o resultado? Cassasse com ela amanhã e fosse registrar uma criança que nem nasceu?
— Eu não sei e também não sei se seria uma boa descobrir. – Marley suspirou – Espero que isso não acabe em alguma revista amanhã.
— Aqui não era reservado?
— E é. Mas depois desse escândalo... – a assessora balançou a cabeça negativamente – Imagine o que ela teria feito se o resultado fosse positivo?
— Provavelmente menos escândalo. – Rachel olhou para a garota do seu lado e franziu a testa – Será que foi uma boa ideia concordar em refazer o exame quando a criança nascer só pra ela calar a boca?
— O filho não é seu, Rachel. Você não tem nada a perder. Além disso, só será um problema se ela insistir na ideia e cobrar o exame.
— Se a mídia souber disso vão querer saber por que topei fazer o exame de DNA. Minha situação vai vir a público.
— Não se preocupe com isso. Vou garantir que não aconteça.
— Eu sei que vai. Bom, temos um problema resolvido. Já podemos pensar na reunião de amanhã.
— Depois de irmos ao teatro.
— Vamos primeiro em um restaurante ou lanchonete, tá bem? Eu to morta de fome.
— Claro! Eu não marquei um horário com o Jesse, então podemos passar onde você quiser.
— Carl, desvia pro Burguer King mais próximo. – Rachel pediu para o motorista e Marley riu – O que?
— Você comendo fast food?
— Depois do que acabou de rolar? Eu preciso de um pouco de comida não saudável.
— Mas você praticamente abomina esse tipo de comida.
— De vez em quando não mata. – deu de ombros.
— Então, vai me contar sobre sua namorada?
Rachel sorriu e foi impossível para Marley não imita-la. Trabalhava para a judia havia quase cinco anos e nunca havia visto Rachel sorrir daquele jeito. Suas conquistas de uma noite normalmente, além de dar uma dor de cabeça com a mídia, a deixavam de mal humor. Marley via uma Rachel quebrada cada vez que a olhava nos olhos depois de se livrar de uma garota para ela, ou quando conversavam sobre algum problema com paparazzis a fotografando com essas garotas. Mas a simples menção a nova – e primeira, até onde ela sabia – namorada fazia seus olhos brilharem.
— Quinn é perfeita, Marley.
— Como se conheceram?
— Ela ganhou aquela promoção e foi passar uma semana com a gente no hotel.
— Você tá namorando uma fã, então? Rachel, isso é...
— Não. Quinn não é fã. A irmã mais nova dela, Kitty, é.
— Ainda assim... – Marley suspirou.
— Marley, Quinn é incrível. E... Depois do que eu já passei por causa de namoro...
— Você já namorou? – Marley a interrompeu, parecendo realmente surpresa.
— Infelizmente, uma vez. Mas prefiro não falar sobre isso.
— Então me conte sobre essa Quinn.
Rachel passou as duas horas e meia seguintes falando sobre a namorada. Contando com se conheceram e como havia se encantado pela loira sem perceber.
A judia só parou de falar sobre a Fabray quando chegaram ao teatro e as duas desceram do carro.
— Então, sobre o que Jesse quer falar? – perguntou.
— Sobre amanhã, eu acho. Ele não quis me adiantar o assunto.
— Espero que ele não esteja com minha carta de demissão na mão.
— Ele não tá. Apesar de tudo, você tem um contrato.
— Nunca pensei que fosse ficar tão feliz por ter assinado ele quanto no dia em que assinei, mas... – Rachel brincou.
As duas entraram no teatro sem problemas – afinal, quem ali não conheceria Rachel Berry? – e foram direto para o palco, onde o diretor estava reunido com os atores, conversando sobre a apresentação que aconteceria em algumas horas.
— Já fui oficialmente substituída ou posso ter meu lugar de volta? – a judia falou, chamando a atenção do grupo.
— Hey! Olha quem chegou. – Puck sorriu – Como vai, mamãe?
— Noah, a notícia boa é que eu não vou ser mãe. A ruim é que você não vai ter mais esse material para as suas piadas. Não. Espera aí. Essa notícia é melhor ainda. – a judia brincou.
— Deu negativo? – Jesse perguntou.
— Negativo. – a judia concordou com um sorriso.
— Então, nesse caso, a gente não dá os parabéns? – Jane brincou.
— Graças a Deus, não.
— Certo, vão descansar e se arrumar pra peça. – Jesse mandou – Rachel, vamos pro meu escritório, sim?
O diretor saiu na frente e Rachel o seguiu com Marley logo atrás, e assim que entraram na sala do rapaz, ele fechou a porta.
— Sabe, eu nunca tinha entrado aqui antes. – Rachel comentou, sentando na cadeira ao lado de Marley.
— Bom, seja bem-vinda. – Jesse brincou indo se sentar atrás da mesa de metal – Então, a peça começa logo, temos que ser rápidos.
— Qual o assunto? – Rachel perguntou.
— Precisamos falar sobre amanhã.
***
— Fabray, continua andando de um lado pro outro desse jeito e além de cega você vai ficar aleijada também, por que eu corto suas pernas fora. – Santana ameaçou enquanto Kitty segurava a risada, acompanhando com o olhar a irmã marcar um caminho no tapete da sala – Cadê seu bom humor de algumas horas atrás?
— Acabou depois de uma hora sem notícias da Rachel.
— Isso aí não é namoro não, Quinn. É doença.
— Ela estava falando com a vadia que aparentemente vai ter um filho dela. Há mais de quatro horas! Se ela não me ligou, deduzo que ainda está com ela. Isso só pode significar que o filho é da Rachel.
— Quinn, relaxa. – Kitty falou – Talvez ela tenha esquecido de ligar, ou não tenha tido tempo.
— Ela disse que ligava assim que terminasse a reunião.
— Quinn, para com isso. Tenho certeza que você tá nervosa à toa.
— É, Fabray. No máximo a anã ficou tão feliz com a notícia, que tá comemorando no quarto com a mãe do filho dela, agora.
Quinn travou no lugar e Kitty deu um tapa no braço de Santana, que gargalhava.
— Santana! Ela só estava brincando, Quinn. Rachel não te trairia.
— Eu sei que não. – Quinn suspirou.
O celular da loira começou a tocar e Quinn atendeu rapidamente, arrancando uma risada fraca da irmã e da amiga.
— Alô?
— Hey, Q. Desculpe a demora pra te ligar, mas...
— E aí, como foi?
— Bom, não foi bonito. Ela... Aquela mulher é louca!
— Rachel, o filho é seu ou não? – Quinn gritou assustando Kitty e Santana, e Rachel riu fraco do outro lado da linha.
— Não, Q. O filho não é meu.
— Graças a Deus. – a loira suspirou – Então por que demorou tanto pra ligar?
— Eu só parei pra almoçar e fui direto pra uma reunião com o Jesse depois de ver o resultado. Desculpe. Não tive tempo.
— Tudo bem. Eu entendo. Eu só... Estava preocupada.
— Preocupada é pouco! – Santana gritou e Rachel riu.
— Relaxa, Q. Já é um problema a menos. Agora tenho que focar na reunião de amanhã com os produtores.
— Vai dar tudo certo, Rach.
— Eu não sei não. Pelo o que o Jesse falou, eles querem minha cabeça em cima de uma bandeja.
— Aposto que você está exagerando.
— Não, Q. Eu infelizmente não to.
— Seja lá o que acontecer vamos resolver juntas, certo?
— Eu queria que você tivesse do meu lado amanhã. E na quarta, na coletiva. E na quinta também. E pelo resto da minha vida, na verdade.
— Isso é um pedido de casamento, senhorita Berry? – Quinn brincou.
— Se você falar sim eu juro que paro na próxima joalheria que eu ver pra comprar o anel. – Rachel disse e Quinn riu – Sabe, essa semana vai ser bem corrida pra mim, mas... Você poderia vir me ver na semana que vem, não é?
— Eu adoraria, Rachel. Mas não posso viajar sem ter me planejado antes.
— Aposto que Marley planeja tudo o que você precisar em duas horas.
— Acredito que sua assessora já tenha trabalho o suficiente essa semana.
— Mas eu to com saudades.
— Eu também, Rach. Mas... – Quinn suspirou – Não faz nem quinze dias que você foi embora. Temos que nos acostumar com essa distância, certo?
— Você tem razão. – Rachel murmurou.
— Rae, eu sinto sua falta também. De verdade. É como... Foi só uma semana, mas é como se não fosse a mesma coisa não tomar café com você ou não te abraçar logo de manhã. É como se o dia não fosse ser tão bom, por que eu não vou te sentir aqui.
— Mas nós não podemos pegar o avião sempre que der saudade. – Rachel disse – Você está certa.
— Você não está chateada, está?
— Não! Claro que não. Eu só... – suspirou – Não estou chateada com você. Só com essa distância. Cala a boca, Marley!
— Rachel?
— Desculpa. É que minha assessora tá enchendo meu saco. Ah! Vá se ferrar Marley. Arruma uma namorada e me deixa ser feliz. – reclamou arrancando uma risada da loira – Tá. Me dá um minuto. Que criatura insuportável.
— Ela tá te chamando?
— É. Quer falar sobre a reunião de amanhã. Eu te ligo mais tarde?
— Vou estar com o celular.
— Tudo bem. Eu te amo.
— Eu também. – Quinn respondeu para o telefone já mudo antes de suspirar e jogar o celular em cima da mesa.
— O filho não é dela? – Santana perguntou.
— Não. – Quinn sentou entre a amiga e a irmã – Mas esse é só um problema pra riscar da lista.
— É, você chegou em um péssimo momento na vida dessa garota.
— Rachel pode ter muito com o que lidar, Santana, mas não acho que existiria um momento melhor pra entrar na vida dela. Quero dizer... Rachel precisa de mim, e... Ela já mudou da agua pro vinho, e eu gosto de acreditar que tive algo a ver com isso.
— Mas e você, Q?
— Eu preciso de um pouco de alguma coisa na minha vida. Mesmo que seja problema.
— O que quer dizer?
— Que eu tinha uma rotina da qual eu nunca fugia e era realmente chato. Agora eu tenho algo com o que me preocupar e... E agora eu sinto. Entende?
— Pior que sim.
***
Rachel respirou fundo, praticamente tremendo quando desceu do carro com Marley e Artie logo atrás.
— Relaxa. – Artie disse colocando a mão no ombro da judia – A gente tem números e um contrato ao seu favor.
— E eles tem fatos contra mim, Artie.
— Vamos entrar. – Marley falou – E relaxa, Rachel. Vai dar tudo certo.
A judia respirou fundo enquanto entravam no luxuoso prédio a sua frente.
Após passarem pela segurança, que os mandou para o trigésimo andar, os três encontraram Jessie na recepção, onde esperaram por cerca de cinco minutos antes de serem levados para a sala de reunião, onde os produtores já os esperavam. A cada passo dado, Rachel se sentia andando no corredor da morte. Nunca tinha realmente lidado diretamente com os produtores – assim como todos os outros atores – e aquilo a deixava com medo, afinal, nunca tinha visto nem suas caras.
Após cumprimentar a todos e sentarem, Rachel cruzou as mãos em cima da mesa, esperando que alguém se pronunciasse.
— Não vejo a necessidade de seu advogado acompanhar essa reunião, senhorita Berry. – um dos produtores disse e Rachel relaxou visivelmente.
— Estou aqui só por precaução. – Artie respondeu e o silencio se fez novamente presente.
— Então...
— Rachel, acredito que você sabe por que estamos aqui, mas vamos refrescar sua memória. – um dos produtores interrompeu a judia – Problemas com bebidas, problemas com mulheres, um filho de uma desconhecida, e não uma desconhecida da mídia, mas uma desconhecida pra você! E uma namorada saída de Deus sabe onde. Esqueci alguma coisa?
— Os boatos dos problemas com drogas. – um deles falou.
— Espera, o que? – Rachel encarou o homem vestido formalmente demais, na opinião dela – Problemas com drogas?
— Senhor Wetzler, esse foi um boato sem fundamento desmentido no mesmo segundo em que foi lançado na mídia.
— Marley, que merda é essa de problema com drogas? – a judia murmurou ficando tensa.
— Não é nada importante.
— É minha vida, minha imagem, então é importante.
— Um segurança disse que te viu comprando algo muito parecido com cocaína para um jornalista. – Wetzler disse e Rachel relaxou novamente – Sua assessora fez um trabalho bem eficiente em desmentir e abafar o caso, mas pelo visto isso nem mesmo foi desmentido por você.
— Isso realmente não chegou a mim, mas eu nunca usei cocaína. Obviamente isso foi inventado.
— E o que pode me garantir isso?
— Quer um exame pra saber se eu já usei alguma coisa? Por que tenho certeza que não vão encontrar nada.
— Tudo bem. Um problema era só um boato sem fundamento que você não poderia prever ou evitar. Mas você não pode negar as mulheres e as bebidas. – outro dos cinco produtores que puderam comparecer a reunião falou.
— A minha namorada, que eu realmente não entendo por que foi citada como problema, já resolve a questão das mulheres por si só.
— Será mesmo? E aquelas fotos que saíram na última semana?
— Completamente fora de contesto, senhor Lance.
— Nos explique.
— Uma amiga estava em Lima, e nós saímos para conversar e se divertir um pouco. Eu acabei bebendo mais do que devia e ela me levou para casa. Não foi nada além disso.
— Nesse caso, voltamos ao álcool.
— Não vou negar que tenho tido problemas com bebidas ultimamente. Mas... Digamos que eu tive um grande incentivo para parar e estou resolvendo isso. Estou me controlando e...
— Se controlando como no dia das fotos?
— Olha, eu...
— Vamos resolver um problema por vez, certo? – outro dos produtores interrompeu – Comecemos com as drogas. Senhorita Berry, estaria mesmo disposta a fazer o exame para termos certeza que não tem mexido com substancias ilícitas?
— Claro.
— Espero que o exame seja feito ainda essa semana então. Se todos concordarem, é claro. – disse anotando algo na caderneta que carregava consigo.
— Você sabe que não precisa fazer isso, certo? – Artie murmurou para a judia.
— Não tenho por que não fazer, Artie.
— Mesmo assim...
— Quanto menos tiver o que ser discutido, melhor. E está tudo ok. Isso não me ofende ou deixa desconfortável, se é o que te preocupa.
— Certo.
— Se já terminaram sua reunião dentro da nossa reunião – o homem que havia tomado a frente da situação os interrompeu – gostaríamos de passar para o próximo tópico. E, levando em conta os assuntos que serão abordados aqui, acho conveniente que esse seja o álcool.
— Como eu disse, estou me policiando quanto a isso.
— Não é o suficiente, senhorita Berry. Nós tivemos a oportunidade de fazer uma reunião com todos os produtores e investidores desse espetáculo durante o fim de semana, e chegamos a conclusão de que a senhorita deveria passar algum tempo em reabilitação.
— O que? – Rachel praticamente gritou.
— Senhor Lance, não acho que isso seja realmente necessário. – Jesse se pronunciou.
— Não estamos realmente seguros de que você pode controlar isso, Rachel. Acredite quando eu digo que fazemos isso mais por você do que por nós.
— Eu não preciso de reabilitação. Eu posso me controlar. Me controlei nas últimas duas semanas.
— E o dia...
— O dia das fotos foi uma exceção! – a judia se exaltou.
— Rachel, se acalme. – Marley pediu.
— Acredite, senhorita Berry, também não queríamos chegar a isso, mas...
— Desculpe, senhor Thompson, mas acho que isso está sendo levado fora dos limites. – Artie disse.
— Seja direto, senhor Abrams.
— Os senhores estão pegando fatos da vida pessoal de Rachel e dando uma importância para a peça, que não tem.
— Rachel tem bebido com tanta frequência quanto é possível. Já entrou em brigas e foi levada para casa em situações lamentáveis. Acha que isso está sendo levado mais a sério do que deveria?
— Rachel está consciente de suas ações e está tomando providencias quanto a isso.
— Mas nós não achamos que seja o suficiente. A senhorita Berry tem sérios problemas com alcoolismo e estamos dizendo que, para seu próprio bem, ela deveria se internar imediatamente.
— Eu não vou para uma clínica de reabilitação. Isso está fora de cogitação.
— Continuar nessa peça enquanto ainda tiver problemas como esse é que está fora de cogitação.
— Então acho que vocês vão precisar de outra Maureen.
— Todos aqui estão cientes de que ninguém ganha com a saída de Rachel da peça, certo? – Jesse falou.
— Sei que Rachel perderia seu nome no meio. É só disso que sei.
— Vocês têm olhado os números ultimamente? Na última semana, enquanto Rachel estava de férias, perdemos praticamente metade das sessões. As pessoas simplesmente perdiam o interesse quando viam que ela não estava se apresentando naquela noite.
— Então a senhorita Berry resolveu tirar uma semana de folga aleatoriamente?
— Os senhores deveriam agradecer por Rachel não decidir terminar essa temporada em casa. – Artie falou.
— O que quer dizer?
— Que podem reclamar dos problemas pessoais de Rachel, mas não de seu desempenho profissional. Rachel tem férias e folgas atrasadas o suficiente para não se apresentar pelo resto da temporada, se ela quiser.
— Isso é algum tipo de ameaça, senhor Abrams? – outro dos investidores se arrumou na cadeira, encarando o advogado.
— Eu trabalho com fatos, senhor Stevens. E esses são os fatos.
— Além disso, eu não tirei uma semana de folga aleatoriamente. Eu percebi o quanto as coisas estavam erradas comigo e tirei essa semana para relaxar e me afastar de tudo. Eu precisava por a cabeça em ordem e foi o que fiz.
— Poderia continuar esse processo com ajuda medica na reabilitação.
— Eu não vou para a reabilitação, Lance.
— Vai se quiser manter seu papel. E isso não está sendo colado para discussão.
— Vocês decidiram que Rachel precisava de reabilitação quando ainda pensavam sobre os problemas com drogas, que ela claramente não tem. Então, senhores, acho que podemos negociar isso. – Artie pediu.
— Eu posso me comprometer a ir para a reabilitação de boa vontade se continuar com meu problema nos próximos seis messes. Mas é o máximo que vão conseguir de mim. – Rachel propôs.
— Ainda não me parece bom. Em seis messes você pode destruir o nome da peça.
— Eu concordo com o Wetzler. – Lance disse – Seis messes é tempo demais.
— Eu concordo com eles. – Stevens suspirou – Sinto muito, senhorita Berry, mas eu acredito que você precise de tratamento.
— E se um médico dissesse o contrário?
— O que?
— Se Rachel concordar, ela pode passar por uma avaliação médica que pode determinar se ela precisa do tratamento ou não. A partir desse resultado, caso o médico acredite que a reabilitação é a melhor opção para ela, Rachel pode decidir entre passar um tempo em reabilitação ou sair da peça.
— Se o médico decidir que ela precisa do tratamento, ela tem que se comprometer a fazer ele. – o ultimo investidor ali presente finalmente se pronunciou – Queremos que você saia dessa peça tanto quanto você, senhorita Berry. Mas você precisa lidar com os seus próprios demônios antes de realmente se comprometer com algo como essa peça.
— Que, ironicamente, eu já faço há quase três anos.
— É pegar ou largar. – Wetzler falou.
Rachel suspirou, passando a mão pelo rosto. Se via em um beco sem saída.
— Tudo bem. Eu faço essa avaliação. Mas em uma clínica discreta. Não preciso de mais escândalos como esse.
— Finalmente concordamos em algo. – Thompson sorriu.
— Passemos para o próximo tópico então. E ele seria, resumidamente, mulheres. – Lance suspirou – Serio, Rachel? Um filho?
— Não é meu.
— Como?
— A criança não é minha.
— Como pode ter tanta certeza?
— Fizemos um teste de DNA. – Marley disse, estendendo copias do resultado por cima da mesa para os cinco produtores – Deu negativo para a paternidade. Maternidade.
— Então esse é um problema resolvido. Nos resta então suas... Aventuras de uma noite e sua namorada.
— Eu não entendo como Quinn pode ser um problema.
— Sua namorada?
— Exato.
— Você não namora, Rachel. Você arranja problemas por passar cada noite com uma diferente.
— Exatamente por nunca ter namorado. Acho que o seu segundo problema anula completamente o primeiro.
— Rachel...
— Eu não vou ter mais casos de uma noite, senhor Mikaelson, por que agora tenho um caso de, espero eu, uma vida.
— De todo modo, Rachel, não podemos interferir nessa parte da sua vida. Não nos importamos se você tem casos de uma noite ou não. Desde que isso não saia na mídia. Então, o que estamos propondo referente a isso é que, e aí é que sua suposta namorada passa a ser um problema, você assuma um relacionamento serio com alguém do elenco. Estamos pensando em propor para Jane alg...
— Vocês querem que eu assuma um relacionamento falso, quando tenho um de verdade?
— Pelo bem da sua imagem você deve assumir um relacionamento com alguém do ramo. E não devem ter problemas diante da mídia.
— Senhores, isso nem mesmo está sendo colocado em discussão.
— Rachel...
— Eu aceito fazer um exame pra vocês saberem que não uso drogas e talvez eu acabe em uma merda de uma clínica, mas vocês não têm o direito de se meter no meu relacionamento.
— Rachel. – Jesse a reprendeu – Senhor Mikaelson, não entendo por que Rachel não pode simplesmente assumir um relacionamento com sua verdadeira namorada.
— Não precisamos de uma pessoa que não podemos controlar em um relacionamento com a senhorita Berry.
— Vocês não podem controlar Quinn, não podem me controlar e não poderiam controlar Jane. – Rachel rosnou – Não sei com quem vocês trabalharam antes, e não me importa. Eu não ligo. Sei que nós não somos marionetes na mão de vocês.
— Estamos tentando manter sua imagem.
— Estão tentando me transformar em algo que eu não sou. E isso, senhores, eu não vou suportar.
— Não estamos...
— Se não estivessem, a palavra controlar não teria saído da sua boca, senhor Mikaelson! – a judia exclamou.
— Você...
— Eu vou te dizer o que vai acontecer quanto a isso: quarta-feira eu tenho uma coletiva de imprensa. Vou marcar uma consulta sobre a reabilitação para amanhã mesmo. Então, durante a coletiva, posso anunciar que namoro Quinn e se estou indo para a reabilitação ou não, ou que namoro Quinn e estou saindo da peça por problemas com as pessoas responsáveis por ela. A escolha é de vocês. – a judia levantou, empurrando a cadeira para trás e arrumou a bolsa que carregava no ombro – Todos os assuntos que tinham para ser resolvidos já foram. Espero pela escolha dos senhores até quarta de manhã.
Rachel saiu da sala sem falar mais nada, deixando os outros encarando suas costas.
***
— Você, por algum acaso, enlouqueceu? – Marley gritou entrando na cozinha da casa da judia, que suspirou.
— Eu não vou deixar eles controlarem minha vida. – a judia respondeu parada na pia de frente para a janela, enquanto tomava um copo do que Marley torcia para ser água.
— Você fez muita merda, Rachel. Mas essa foi a pior de todas.
— Eles me demitiram?
— Ainda não.
— Então não foi tão ruim.
— Foi sim.
— Marley, eu amo Quinn, e sei que se eu ao menos cogitar a possibilidade de fazer o que eles sugeriram, ela vai ficar chateada. Brava. Puta da vida comigo. E eu não vou arriscar meu namoro pra atender aos caprichos desses caras! – Rachel gritou batendo o copo na pia e só então olhando para sua assistente.
— Você ama uma garota que conheceu há menos de um mês? Tenha dó, Rachel! Aposto que ela é só mais uma conquista. O que foi? Não conseguiu levar ela pra cama ainda?
Rachel atravessou a cozinha em questão de segundos e empurrou Marley contra a parede, a segurando ali, e a assiste arregalou os olhos. Nunca tinha visto a judia tão irritada antes.
— Minha vida particular é da sua conta tanto quanto é da conta daqueles vermes ricos, Rose. Quinn não é só uma conquista e você, aparentemente, não me conhece bem o suficiente para saber como me sinto. Você é competente demais pra eu te mandar pra rua, Marley. Não me force a isso.
Rachel se afastou da garota e foi em direção a sala, respirando fundo. Marley precisou de alguns segundos para se recuperar antes de segui-la.
— Sinto muito, Rachel. Eu... Eu me descontrolei.
— Quero que marque essa merda de consulta para amanhã, sem falta. E preciso que o resultado disso esteja na mão dos produtores ainda amanhã também. E se vire para ter uma resposta sobre a decisão deles antes da coletiva. – Rachel continuou andando pela casa, enquanto era seguida pela garota.
— Certo. Farei isso.
— E, Rose. – Rachel finalmente virou de frente para a garota quando entrou no quarto – Guarde suas opiniões sobre minha vida pessoal para si própria a partir de agora. Tranque a porta quando sair. – Rachel falou batendo a porta, enquanto Marley respirava fundo.
Algo lhe dizia que ela estava muito ferrada.
***
— Vem cá, Santana, você não trabalha não? Sai do meu pé, garota! – Quinn reclamou e Santana gargalhou, se jogando na cama da amiga.
— Ah, Quinn. Ser um gênio humilde demais e ter pais mais ricos do que o que deveria ser permitido tem suas vantagens.
— Até onde eu sei, você ainda tem um escritório de advocacia pra cuidar. Sendo rica ou não.
— Quinn, você sabe que eu amo você, mas quando você me lembra das minhas responsabilidades, eu tenho vontade de te matar. – murmurou levantando – Mas você tem razão, tenho que ir pro escritório. Vai jantar comigo hoje?
— Chego na sua casa sete e meia.
— Ótimo. – a latina abraçou a amiga antes de sair do quarto e Quinn suspirou, se jogando na cama antes ocupada pela Lopez.
Santana tinha passado o dia com ela, enchendo sua paciência quando ela só precisava pensar um pouco.
O som do celular a tirou de seus pensamentos e ela respirou fundo antes de atender.
— Alô?
— Quinn. – Rachel soluçou.
— Rach? O que aconteceu?
— Eu sou uma bagunça Quinn. Eu... Eu sou uma merda. Eu não deveria nem existir.
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