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13 Capitulo 13 - Mudanças não tão inesperadas
Notas iniciais
Rachel observou as malas no canto do hall do hotel e suspirou.
Do lado de fora, fotógrafos e fãs esperavam pela partida dos atores.
A maior parte do grupo já estava ali, mesmo que ainda faltassem mais de três horas para saírem, e a judia se encostou na parede, esperando que Quinn voltasse, os encarando.
— Você tá com uma carinha que tá me dando até pena de te fazer ir embora. – Jesse disse parando ao lado de Rachel.
— Eu só queria levar a Q comigo. – suspirou – Quero dizer... E se ela cansar de não me ter aqui?
— O que?
— Eu não vou poder estar aqui, Jesse. Não vou poder abraçar ela quando estiver mal. Não vou poder cuidar se ficar doente. Ou levar ela no cinema, pra jantar... – suspirou – Talvez Russel estivesse certo.
— Deixa eu ver se entendi: está pensando em deixar a Quinn?
— O que? Não! Isso não é uma opção.
— Então...?
— Talvez eu só... Não seja o bastante.
— Rachel, não seja estupida. Ela te escolheu. Ela quer você. Você vai deixar o que seu sogro disse entrar na sua cabeça?
— É claro que não. Isso não tem nada a ver com Russel.
— Então?
— O problema é Quinn. Eu... Eu queria poder ser namorada dela... Em tempo integral. Entende o que quero dizer?
— Você tá com medo.
— Não é medo.
— Então o que é?
— É... Receio.
— São sinônimos, Berry.
— Que seja.
— Você conversou sobre isso com ela?
— Não.
— Então deveria.
Jesse continuou falando alguma coisa sobre confiança e começo de relacionamento, mas Rachel não se deu o trabalho de ouvir. Ao invés disso, focou seu olhar na loira que ia em direção ao lugar onde a tinha deixado minutos antes.
— Jesse, a gente se fala depois, ok? – Rachel o interrompeu, apertando o ombro do rapaz antes de ir em direção a namorada.
***
Quinn e Rachel estavam sentadas em um dos sofás espalhados pelo hall do hotel, uma de frente para a outra, enquanto conversavam.
O relógio atrás de Quinn parecia rir de Rachel.
Elas tinham menos de dez minutos antes de irem embora.
— Eu vou te ligar todo dia. Nem que eu tenha que te acordar no meio da noite pra gente conversar. – Rachel disse segurando a mão da loira.
— Vai ser estranho não ter você por perto. – Quinn confessou.
— Eu sei. Quero dizer, foi só uma semana, mas... É como se eu te conhecesse desde sempre.
— Eu sei.
— Garotas. – Jesse chamou parando atrás do sofá, entre as duas – Sinto interromper, mas temos que ir.
— De acordo com o relógio, ainda temos cinco minutos.
— Rachel. – Jesse deu uma risada fraca – É sério. Temos que ir.
— Tá bem. – Rachel suspirou e Jesse se afastou, indo para perto do restante do grupo, já perto da porta.
A judia levantou, entrelaçando seu braço no da loira após ajudar ela a levantar, e as duas andaram lentamente até o diretor, enquanto conversavam.
— Vou fazer o possível pra voltar logo.
— Suas responsabilidades primeiro, Rach.
— Eu sei. – a judia sorriu – Promete conversar com o seu pai antes de pensar em se mudar?
— Não.
— Quinn!
— Eu conheço meu pai. Ele não vai ceder.
— Mas, Q, ele é seu pai! Ele nunca faria nada se não achasse realmente que está fazendo pelo seu bem. Acredite em mim. Eu tenho dois pais quase tão protetores quanto o seu. Sei do que estou falando.
— Quase tão protetores, Rach. – Quinn riu.
— Não importa o nível de proteção. Pais são pais.
— Tá bem. Se isso te faz feliz, eu falo com ele.
— Obrigada.
— E você, já falou com o Blaine?
— Não. Deixa isso pra quando eu voltar pra New York. Assim... Os dois já vão estar mais calmos.
— Bom.
As duas continuaram andando em silencio.
— Vamos logo, vocês duas! – Blaine gritou – Parecem duas lesmas caminhando.
— Eu não posso matar ele antes de conversar? – Rachel resmungou e Quinn riu.
— Não. Isso te levaria pra cadeia. Ia ser mais complicado ainda. – a loira disse e Rachel riu.
— Você tem razão.
— Então, Quinn, foi um prazer te conhecer. – Jesse disse quando as garotas pararam perto do grupo e a abraçou – Espero te ver em New York em breve.
— Espero conseguir ir. – Quinn brincou.
— Até mais, loira. Vê se não demora a aparecer. – Matt disse abraçando Quinn.
— Até.
— Q, a gente se vê em New York. – Elliott a abraçou e Quinn riu.
— Por que vocês têm tanta certeza que eu vou pra New York?
— Rachel. – a maior parte do grupo respondeu fazendo as garotas rirem.
— Quinn, a gente se vê em breve. – Harmony riu, a abraçando.
— Eu desisto de vocês. – Quinn riu.
— Foi bom te conhecer. – Jane disse a abraçando.
— Foi bom te conhecer também.
— Quinn, nós nos vemos logo. – Sam disse e a abraçou – Seja você em New York ou eu aqui.
— Pretende voltar a Los Angeles logo? – Quinn perguntou.
— É claro! E vou passar no café. Aliás, mande um beijo pra Kitty. – disse fazendo os outros rirem e Quinn lhe dar um beliscão – Oush. Esse doeu.
— Idiota. – Quinn riu.
— Bom, até mais Quinn. – Blaine a abraçou – Obrigada por colocar um sorriso de verdade no rosto da Rachel de novo. – sussurrou antes de se afastar.
— Até, Blaine.
— Então, Quinn, parabéns por conseguir fazer a Rachel sossegar – Puck brincou, a abraçando – Prometo ficar de olho nela por você.
— Noah! – Rachel reclamou.
— Eu agradeceria, Puck.
— Tá brincando, né? – Rachel resmungou e o grupo riu.
— É claro que eu to brincando. – Quinn disse e deu um selinho na namorada, parada ao seu lado.
— Eu vou sentir sua falta. – a judia murmurou a abraçando.
— Eu também. – Quinn suspirou – Promete me ligar quando chegar em Lima?
— Assim que eu sair do avião. E vou ligar todos os dias, também. Talvez duas ou três vezes no dia.
— Vou estar sempre com o celular.
— Eu te amo, Quinn.
Assim que as palavras saíram da boca de Rachel, o tempo pareceu correr mais devagar para a judia.
Eu te amo.
Rachel nem se lembrava de quando havia dito aquelas palavras com tanta sinceridade e espontaneidade como naquele momento.
Mas ela não queria ter dito. As palavras simplesmente saíram da sua boca como se fosse o certo a se falar naquele momento.
O que mais a surpreendeu é que ela percebeu que, inconscientemente, queria dizer aquilo desde que conheceu a garota.
Ela amava Quinn, e ao inferno quem tinha algo contra aquilo.
Quinn era sua namorada e ela a amava.
Não era e não parecia errado, apesar de parecer cedo. Mas ela sentia.
— Rach...
— Não fala nada. – Rachel murmurou, ainda abraçando a loira – Você não precisa dizer, Quinn. Só... Saiba que eu te amo.
— Ra...
A judia afastou a loira de si e a beijou.
Quinn passou os braços pelo pescoço da judia e, quando o ar se fez necessário, as duas se afastaram mas continuaram ali, com as testas uma na outra, sentindo suas respirações.
— Desculpe interromper, mas temos que ir. – Jesse falou.
— Tudo bem. – Rachel suspirou – Eu levo Quinn até o carro.
As duas saíram e os flashes explodiram.
Rachel se forçou a sorrir andando até o taxi – já que Jake levaria os atores até o aeroporto, afinal, também voltaria para New York – e a ajudou a entrar.
— Me liga assim que chegar. – Quinn pediu novamente.
— Pode deixar.
A judia colocou a cabeça pra dentro do carro e deu um beijo na bochecha de Quinn antes de mandar o motorista sair.
O restante do elenco saiu logo em seguida, e a van parou para que todos subissem.
Mas o olhar de Rachel ainda estava no taxi que se afastava enquanto sentia seu peito apertar.
— Rachel. – Jesse chamou colocando a mão no ombro da judia e Rachel sorriu, entrando no carro que os levaria até o aeroporto.
— Vocês vão ficar bem. – Sam falou assim que Rachel sentou ao seu lado.
— Eu espero que sim.
***
Quinn havia chegado em casa há quase duas horas.
Já tinha arrumado suas coisas e estava deitada na cama, pensando.
Não tinha falado com Russel quando chegou. Simplesmente cumprimentou sua mãe e sua irmã e subiu, afirmando estar cansada.
Apertou o botão do relógio na mesinha ao lado da sua cama e suspirou.
O avião em que Rachel estava deveria estar decolando naquele momento. Indo para uma viagem de mais de oito horas.
Ela sabia que sentiria falta da judia. Mas não imaginava que estaria querendo pegar um avião e ir vê-la horas depois de ter se despedido.
Ela havia sido uma presença constante na sua vida nos últimos seis dias.
Havia se acostumado a dizer seu nome e ela estar ali ao seu lado no segundo seguinte.
A ideia de que Rachel havia mudado por sua causa parecia boa, mas difícil de aceitar.
Sabia que se tivesse conhecido a judia em outro momento de sua vida, antes da ameaça de demissão e da bronca dos seus pais, provavelmente nem mesmo chegaria perto dela.
Mas agora, mesmo se Rachel, por algum motivo, voltasse a se comportar como se comportava antes – obviamente não em relação as mulheres – ela sabia que iria lidar com aquilo.
A loira abraçou o travesseiro e respirou fundo.
Queria que a judia não tivesse que ir.
***
O avião posou e Rachel agradeceu por finalmente terem chegado.
Não demorou para que ela estivesse descendo do avião com Hiram e Leroy logo atrás.
— Bem-vinda de volta. – Hiram disse passando o braço pelos ombros da filha enquanto iam pegar a bagagem.
Rachel apenas abraçou a cintura do pai enquanto continuavam seu caminho para dentro.
Demorou quase vinte minutos até pegarem todas as malas.
Leroy empurrava o carinho em direção a saída enquanto Rachel e Hiram carregavam uma bolsa cada.
A madrugada estava fria quando saíram do aeroporto, e Rachel se encolheu contra seu casaco.
— Taxi? – a judia perguntou.
— É. Não íamos incomodar ninguém para vir nos buscar a essa hora, não é? – Leroy falou.
Não demorou nem cinco minutos para os três estarem dentro do taxi.
Rachel pegou seu celular no bolso do casaco e encarou o horário brilhando na tela.
— Ela já deve estar dormindo, Rachel. – Hiram falou.
— É só que... Eu prometi que ia ligar. – Rachel suspirou – Mas sei que está tarde. Só tenho medo de não ligar e ela ficar preocupada.
— Então liga. Se ela não atender em dois ou três toques, você desliga. – Leroy falou.
Rachel deu de ombros e seguiu o conselho do pai.
Quinn atendeu no primeiro toque.
— Alô?
— Hey, Quinn. Te acordei?
— Não. Eu estava esperando você me ligar. Você chegou agora?
— Acabei de pegar um taxi. Agora mais uma hora e meia e eu to em casa.
— Como foi a viagem?
— Tranquila.
— Bom. – Rachel ouviu Quinn bochechar e sorriu.
— Vai dormir, Q. Não devia ter ficado esperando eu ligar.
— Não estou cansada.
— É claro que não.
— Já sabe o que vai fazer amanhã?
— Vou tentar rever alguns amigos, sair com algum deles. Não sei ao certo ainda. E você? Conversou com seu pai?
— Nem mesmo cheguei perto dele hoje.
— Quinn!
— Não estou evitando ele nem nada assim, Rachel. Eu passei o dia quase todo dormindo no meu quarto e arrumando minhas coisas. E ele deve ter passado o dia no escritório, ou algo assim. Mas prometo falar com ele amanhã.
— Tá bem. – Rachel suspirou – Não quero ser um problema, Q.
— Você não é, Rachel.
As duas ficaram em silencio por alguns segundos.
— Vai dormir, Q. Você deve estar cansada.
— Manda um beijo pra ela! – Hiram e Leroy disseram e Rachel sorriu.
— Pai e papai estão mandando um beijo.
— Manda outro pra eles. E um especial pra você. – brincou.
— Hum... Acho que vou ficar com todos pra mim.
— Boba. Eu vou dormir, Rach. A gente se fala amanhã?
— Te ligo de manhã.
— Ok. Beijos Rach.
— Beijos Q. Eu amo você.
Rachel desligou o telefone antes que a loira pudesse dizer alguma coisa.
— Eu amo você? – Leroy a encarou.
— E eu não menti. – a judia respondeu e colocou os fones, encostando a cabeça no encosto do banco e fechando os olhos, enquanto Hiram e Leroy a encaravam.
***
— Bom dia! – Quinn disse sentando para tomar café na manhã seguinte.
— Bom dia, Q. – Judy falou – Bacon?
— Sempre.
— Bom dia filha. – Russel falou e Quinn suspirou.
— Seu bacon. – Judy disse colocando a carne fatiada no prato da filha mais velha.
— Então, Quinn, como foi sua semana? – Russel perguntou.
Quinn se ocupou de encontrar seus talheres antes de responder.
— Segunda foi bom, terça foi... Interessante. Quarta a gente veio aqui, quinta passei o dia no teatro e sexta também. Sábado foi o melhor dia da minha vida e o domingo estava praticamente perfeito até que você resolveu estragar tudo.
— Quinn...
— Não estraga meu café também, Russel. Podemos conversar depois.
— Lucy, eu sou seu pai e...
— Já chega, Russel. – Judy falou e o homem respirou fundo – Não queremos brigas logo cedo, certo?
O restante do café da manhã foi tomado em silencio.
Kitty estava na escola – já que Judy tinha finalmente conseguido trocar o horário de aula da filha para manhã – e Quinn agradeceu por isso, afinal, sabia que a mais nova tinha mil e uma perguntas para ela e não se importaria em faze-las naquele momento.
Russel foi o primeiro a levantar, saindo sem falar nada.
Judy saiu logo depois, dando um beijo no rosto da filha, que prometeu descer para o café depois de limpar a louça.
Quinn ficou sozinha na mesa e suspirou antes de levantar.
Já estava terminando de guardar as coisas usadas no café da manhã quando ouviu seu telefone tocar.
Caminhou até o quarto rapidamente e pegou o celular em cima da sua mesa de cabeceira, onde o havia deixado na noite anterior, após conversar com Rachel.
— Alô?
— Bom dia! – a voz de Rachel soou animada.
— Bom dia, Rach. – Quinn sorriu – Dormiu bem?
— Bom, dormi melhor no domingo, mas não posso reclamar. – a judia brincou – E você, Quinn?
— Senti falta de você me abraçando, na verdade.
— Eu queria poder me mudar pra L.A. agora mesmo. E não te soltar nunca mais.
— Acho que vamos ter que nos acostumar com essa distância. – Quinn suspirou – Como está Lima?
— Exatamente como eu me lembrava.
— Isso é bom?
— Pelo menos não vou me perder. – brincou – Já falou com o seu pai?
— Ainda não. E você? Já encontrou algum amigo?
— Não. Acabei de acordar. Agora vou tomar café e surpreender alguns amigos que não sabem que eu to aqui.
— Bom, parecem planos melhores que o meu. Vou descer e conversar com Russel daqui a pouco.
— É seu pai, Q.
— E é isso que me assusta, Rach. Eu conheço meu pai. Ele não vai ceder. E eu também não.
— Vocês são dois cabeças duras.
— Talvez. Mas não vou desistir de você.
— Não precisa e não quero que faça isso. Só convença ele a me dar uma chance, ok?
— Eu já te dei uma chance, Rachel. Ele não precisa dar uma também. A opinião dele não importa.
— Se você for conversar com isso em mente, só vão brigar mais. Só relaxe, ok? Converse. Faça ele ver seus pontos, e ouça os dele. Eu sei que vocês podem chegar a um consenso.
— Uau. Isso não pareceu você falando.
— Talvez eu tenha lido um roteiro com essa fala há pouco tempo. Mas, hey! Não tire meu credito por lembrar dela. – Rachel disse fazendo Quinn rir
— Você tá certa, Rach. Eu vou descer pra falar com ele. Nos falamos a noite? Por volta das nove?
— Eu te ligo.
— Ok. Tenha um bom dia, Rach.
— Tenha um bom dia, Quinn. Eu te amo.
Como na noite anterior, Rachel desligou o telefone antes que Quinn pudesse responder, e a loira suspirou, frustrada.
Voltou para a cozinha e terminou o que fazia até Rachel ligar antes de descer para o café.
Entrou e foi direto para o balcão.
— Mãe? – chamou.
Como não obteve resposta, entrou na cozinha.
— Mãe?
— Diga, Quinn.
— Quem está no balcão?
— Ninguém. Bom, eu estava lá. Mas acabei de vir fazer o café de um cliente.
— Cadê o meu pai?
— No escritório.
— Vou falar com ele.
— Quinn, tudo bem que o café não está muito cheio, mas não acho que você vá querer brigar com o seu pai.
— Mãe, eu e Russel temos muito o que conversar. Eu não vou morar na casa de um homem que tenta controlar minha vida desse jeito. Eu preciso de espaço, e ou Russel vai me dar ele, ou eu vou me mudar. E vou fazer isso o mais rápido possível.
— Quinn, filha, pense no que está dizendo. – Judy deixou o que fazia de lado para encarar a filha – Você quer mesmo sair de casa? Eu sei que seu pai pode ser muito protetor as vezes, mas pelo bem ou pelo mal, ele sempre faz as coisas por que quer te proteger.
— Eu não sou mais uma garotinha que precisa de proteção vinte e quatro horas, mãe. E ou ele entende isso por bem, ou ele entende por mal.
— Quinn...
— Eu não quero discutir com você, mãe. – Quinn suspirou.
— Tudo bem. Podemos conversar depois que você falar com Russel.
— Muito obrigada. – Quinn deu um beijo na bochecha da mãe antes de sair da cozinha.
A loira parou em frente ao escritório do pai e bateu na porta sem hesitar.
Ela sabia o que queria. E ela teria.
— Entra! – Russel mandou e a loira entrou, encostando a porta atrás de si – Quinn? – ele parecia realmente surpreso.
— Precisamos conversar.
— O que aconteceu?
— Domingo aconteceu, pai.
— Quinn...
— Escuta, ok? Eu e Rachel conversamos e ela me convenceu a conversar com você ao invés de sair de casa o mais rápido possível.
— Você não estava falando sério sobre sair, não é?
— Estava. – Quinn sentou de frente para Russel e suspirou – Eu tenho vinte e um anos, pai. Sei tomar minhas próprias decisões.
— Mas...
— Não tem mas. O que eu te disse no domingo, apesar de talvez não ter sido dito do jeito certo, é verdade. Você e sua proteção me sufocam. E eu sei que sufocam Kitty também. Apesar disso, não to aqui pra falar dela. Por enquanto.
— Eu sei que protejo muito vocês, mas... – Russel suspirou – Isso não é tão ruim assim.
— É sim. Talvez você não goste de ouvir isso, Russel, mas você atrapalha nossos planos. Se eu beijei Rachel foi por que eu quis. Se aceitei namorar com ela foi por que eu quis. Por que eu gosto dela. E é reciproco. E mesmo se não for, eu nunca vou saber se não arriscar.
— Mas e se você se machucar? Já pensou nessa possibilidade?
— Então eu vou superar e continuar.
— Quinn...
— A questão, pai, é que eu tomei minha decisão. Não vou mais deixar você interferir na minha vida. E se for preciso sair de casa pra isso, então eu vou.
— E o que eu posso fazer pra você não sair? Por que, Quinn, eu vou continuar querendo te proteger, você sabe disso.
— É só não se meter, Russel. Não tente armar pra cima do meu namoro, ou fazer minha cabeça. Dê uma chance pra Rachel. Você pode não gostar dela pai, mas eu gosto. E você tem que aprender a respeitar isso. E não é só no meu namoro. Se eu tomo uma decisão sem pedir sua opinião, não adianta criticar. Eu não vou mudar de ideia.
— Ótimo. – Russel respirou fundo e passou a mão pelo rosto – Eu posso tentar parar de tentar te influenciar em tudo e querer controlar sua vida, Quinn. Mas não vou aceitar esse namoro.
— Então eu vou me mudar.
— Quinn...
— Isso não está sendo colocado em negociação, pai. Ou você vai parar de se intrometer e pelo menos tentar aceitar Rachel, ou eu vou sair desse escritório e vou direto ligar pra Santana, e tenho certeza que me mudo ainda essa semana. A escolha é sua.
— Olha o que essa garota já tá fazendo com a sua cabeça, Quinn. Ela vai destruir a nossa família! Vai te tirar de casa e...
— Não é ela, Russel. É você.
— Eu não sei se posso aceitar esse relacionamento.
— Essa é a sua palavra final?
Russel ficou em silencio, observando a filha.
— Você está realmente feliz com esse namoro? – perguntou após alguns minutos.
— Nunca estive tão feliz antes.
— E não tem como te fazer mudar de ideia?
Quinn levantou e Russel arregalou os olhos.
— Tá bem! – disse e respirou fundo – Eu não posso prometer que vou aceitar, nem dizer que estou feliz com isso, mas posso tentar conviver com esse namoro.
— Obrigada.
Quinn saiu da sala e Russel socou a mesa antes de respirar fundo e passar a mão pelo rosto.
Ele não ia interferir.
Mas também não seria a favor.
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