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14 Capitulo 14 - Decisões que não podem ser mudadas


Notas iniciais
Oi estamos de volta. Espero que curtam o Capitulo.

— Bom dia. – Rachel disse sorrindo para os pais assim que chegou na cozinha.

— Bom dia, Rachel. – Hiram disse.

— Bom dia, filha. – Leroy sorriu e a judia sentou, começando a se servir – Tem planos pra hoje?

— Vou no McKinley. Quero ver como andam as coisas, conversar com o Will, Sue... Talvez dar umas dicas pro novo glee. – deu de ombros – Mas não sei o que vou fazer depois. E os senhores?

— Temos que ir trabalhar. Saímos daqui a pouco.

— Mas eu vou tentar chegar mais cedo. – Hiram avisou.

— Não precisa, papai. Eu provavelmente vá visitar alguém a tarde.

— Tem certeza?

— Tenho. Nós temos a semana toda pra ficar juntos. – Rachel sorriu – Além disso, vocês já foram pra Los Angeles...

— Não tivemos que pegar folga pra isso, Rachel. – Hiram disse – Mas vou tentar ficar em casa na sexta.

— Vou liberar os alunos da minha aula de sexta também. – Leroy falou – Assim podemos sair, ou algo do tipo.

— Não precisam fazer isso, pais. Eu não vim pra atrapalhar vocês.

— Não vai atrapalhar, Rach. – Leroy sorriu.

Os três continuaram comendo e conversando por alguns minutos, até que Hiram e Leroy tiveram que ir trabalhar.

Assim que os pais saíram Rachel subiu e se trocou antes de sair com o carro de Hiram em direção ao McKinley.

***

— Bom dia! – Santana disse entrando na sala dos Fabray, onde Quinn estava.

— Hey, San. – a loira sorriu.

— E ai, loira? Como foi ficar com os artistas semana passada? – a latina se jogou ao lado de Quinn e a Fabray riu.

— San, eles são pessoa normais.

— E daí? A atenção que eles recebem não é.

— Foi divertido, Santana. Eles são legais. Rimos, brincamos, e eles conseguiram me fazer beber. Foi só um copo, mas...

— Filhos da mãe. Eu tento isso há anos! – reclamou fazendo Quinn rir – E Rachel?

— Quanto tempo ainda temos até Kitty chegar?

— Ainda são dez da manhã. Por que?

— Vamos pro meu quarto.

— O que você aprontou, Fabray? – Santana a encarou.

— Só não quero correr o risco do meu pai ouvir. Vem.

Assim que as duas entraram no quarto, Quinn encostou a porta e sentou na cama, ao lado da amiga.

— Quinn?

— Eu pensei que ela era uma pessoa horrível, sabe? Na segunda ela não estava na hora que eu cheguei. Mas eu ouvi claramente quando ela e de duas garotas chegaram. E, como fiquei no quarto do lado do dela, ouvi o que elas fizeram a noite toda também.

— Duas garotas? – Santana a encarou de boca aberta – Como ela conseguiu?

— Foco, Santana!

— Tá certo. Desculpe. É que... Eu não to conseguindo sair nem com uma.

— Santana...

— Tá bem! Continue.

— Enfim, ela se atrasou para o ensaio na terça. Depois de algumas horas que o pessoal estava ensaiando ela apareceu, e nós literalmente nos esbarramos no corredor. E ela não foi nada gentil. Disse que eu tinha que olhar por onde andava e um monte de besteiras.

— Por que você namora com ela, mesmo?

— Por que essa não é a Rachel, San. A gente conversou naquele dia a tarde. Eu estava tomando café da tarde e ela apareceu e perguntou se podia sentar. Pediu desculpa pelo jeito que tinha me tratado, e disse que não percebeu que eu era cega. Nós começamos a conversar e... Dava pra ouvir na voz dela, San, como nem ela mesma tava feliz com o que estava acontecendo. Rachel me contou que é intersexual e...

— Ela é o que?

— Intersexual.

— E o que isso significa?

— Que ela... Bem, ela tem um pênis.

— Então ela é um homem?

— Não. Ela é uma garota, mas a mãe dela teve algumas complicações na gravidez e ela nasceu assim.

— Uau.

— Posso continuar?

— Claro.

— Rachel me contou algumas coisas sobre ela. Poucas, mas eu percebi que sem aquela faixada de diva galinha e destruidora de corações ela é uma boa pessoa. Pensei que seria fácil manter uma amizade.

— Bom, ela não parecia querer só amizade quando vocês vieram na quarta.

— Talvez. Mas foi ela quem me afastou quando a beijei.

— Você beijou ela?

— Ela e Blaine tinham discutido. Ela foi pro quarto e eu fui falar com ela. Eu tentei descobrir sobre o que eles falaram, e, de algum jeito, a conversa chegou em um ponto em que eu pedi pra sentir o rosto dela. E, de repente, ela estava falando que não era boa o suficiente pra mim e... Eu simplesmente senti que precisava beijar ela, San. E beijei.

— Assim, do nada?

— Quando ela disse que não podia fazer isso por que eu não era como as outras... Eu não sei o que foi, San, mas eu só queria beijar ela e mandar que nunca mais repetisse aquilo.

— Então você beijou. – Santana sorriu.

Quinn contou sobre como Rachel ficou quando descobriu que poderia ter um filho e sobre seu encontro e o pedido de namoro. Falou sobre o paparazzi e o passeio no domingo, até a hora em que as duas voltaram pro hotel.

— E...?

— Nos despedimos hoje de manhã...

— Não, Quinn. Tem mais alguma coisa ai pra contar. Dá pra ver na sua cara.

— Para de coisa, Santana. – Quinn resmungou, mas suas bochechas vermelhas a entregavam.

— Lucy...

— Não me chama desse jeito.

— Você dormiu com ela, não foi? – Quinn ficou ainda mais vermelha e Santana a encarou de boca aberta – Oh, meu Deus! Você dormiu com ela!

— Fala baixo, Santana! – Quinn reclamou – Não preciso que Russel escute isso.

— Ela não te forçou a nada, não é?

— O que? É claro que não!

— Mas... Você é tão certinha pra dormir com a garota tão rápido assim.

— Mas eu fiz por que quis. E não me arrependo. – sorriu – Ela foi perfeita, San. Carinhosa, cuidadosa e... Perfeita.

— Vocês se protegeram, certo? Por que até onde eu sei ela já pode ter engravidado uma.

— Santana! Qual é o seu problema, heim?

— Desculpa! Eu só estou preocupada com você. Quero dizer... É você! Eu pensei que só fosse para a cama com alguém no seu aniversário de três anos de casamento.

— Oh! Cala a boca. – Quinn riu e empurrou a latina de leve – Você sabe, essa é a Quinn do Russel, não eu.

— E você é...?

— Alguém que vai atrás do que quer.

— E você queria a Rachel.

— Eu ainda quero, San. Do meu lado. O tempo todo.

— Você tá tão apaixonada que me dá nojo.

— Eu amo ela, San.

Santana encarou a amiga de boca aberta.

— Ama? Pelo amor de Deus! Vocês namoram há o que? Dois dias?

— E você? Nem mesmo namora Brittany e diz que ama ela.

— É diferente! Quinn, eu conheço a Britt há anos. Vocês se conhecem há uma semana!

— E quanto tempo você levou para amar Brittany, então?

Santana a encarou calada.

De repente, Quinn tinha um ponto do o qual ela não podia discordar.

— Vai ser difícil ficar longe dela?

— A gente vai dar um jeito.

***

Rachel andou pelos corredores que tanto infernizaram sua vida de cabeça erguida.

Era a primeira vez que voltava ao McKinley desde que tinha se formado.

Havia evitado todas as reuniões que o senhor Schue – que agora fazia questão de ser chamado de Will – insistia em fazer com seu antigo clube do coral. Evitou festas e reuniões de sabe-se lá quantos anos de graduação – não importava, realmente. Ela nunca ia – Tinha evitado até mesmo as competições do clube do coral, só indo as nacionais em New York, dois anos após se formar.

Entretanto, voltar ali agora não era tão ruim.

Os poucos alunos parados nos corredores – provavelmente estavam com o horário vago – saiam da frente para que ela passasse, a encarando de boca aberta e cochichando, sem acreditar que ela estava ali.

Com certeza era bem melhor do que nos tempos do colégio.

Entrou na secretaria e encontrou Becky sentada em seu lugar habitual, atrás da mesa praticamente vazia.

— Hey, Becky. – sorriu.

— Hey, Rachel! – a garota levantou para abraça-la – Por que não disse que vinha?

— Quis fazer uma surpresa. Sue está aí?

— Não. Ela foi resolver algum problema dos jogadores.

— Como sempre. – Rachel sorriu – Sabe se ela demora?

— Daqui a pouco ela chega.

— Ok. Como andam as coisas por aqui?

— O mesmo de sempre. Jogadores estupidos, lideres maldosas e perdedores.... Que são perdedores.

— O clube do coral ainda leva raspadinha?

— De vez em quando. Mas diminuiu bastante desde que vocês ganharam as nacionais.

— Eu pensei que isso ia parar.

— Berry! – Sue entrou na sala sorrindo – Há quanto tempo!

— Olá, Sue. – Rachel a abraçou sorrindo – Como vai?

— Bem, muito bem. E você? Por que eu realmente prefiro não acreditar no que as notícias dizem.

— Eu estou bem, Sue. – Rachel sorriu – Sim, as notícias estão certas em sua grande parte. Mas não em tudo. Estou controlando a bebida agora. Na verdade, não era como se eu estivesse viciada como eles diziam, eu posso viver sem isso.

— Fico feliz em ouvir isso.

— E estou namorando.

— Rachel Berry, você tem muito o que me contar.

As duas entraram na sala da diretora, que fechou a porta, e sentaram.

Rachel contou sobre como andava sua vida, e Sue sobre como estava o colégio e sua filha, Robin.

Ficaram conversando por mais de duas horas, até que o ultimo sinal indicando o fim das aulas obrigatórias e o começo do pequeno intervalo antes dos clubes e aulas eletivas.

— Que horas começa o glee? – Rachel perguntou.

— Daqui meia hora. Não mechemos no horário dos clubes desde o seu último ano, ou um antes. Algo assim.

— Não criaram mais nenhum clube de arte? – Rachel arqueou a sobrancelha.

— Rachel, o clube do coral leva raspadinha todo dia, o clube de teatro tem cada vez menos integrantes e o pessoal de cinema e fotografia estão sem professores, por que ninguém sabe como ou quer assumir. O que eu poderia fazer?

— Você não tem um clube de instrumentos aqui, Sue. Tenho certeza que Brad poderia dar aula de piano e Will poderia ensinar violão. Já são dois clubes a mais.

— Rachel, ninguém se inscreveria. Além disso, não temos verba para abrir outro grupo.

— Essas crianças precisam de um incentivo a arte.

— Você e Blaine são dois belos incentivos pendurados na parede do glee. – Sue suspirou – Rachel, os adolescentes de Lima não ligam para arte. E não tem nada que a gente possa fazer contra isso.

Rachel suspirou e balançou a cabeça negativamente.

— Eu não entendo por que eles dão valor a alguém que corre atrás de uma bola, mas não podem valorizar alguém que canta. Isso exige um talento de verdade. Treinando qualquer um pode correr.

— Eu entendo seu ponto, Rachel, mas não menospreze o trabalho das líderes e dos jogadores. Eles dão duro por isso.

— Você está certa. – a judia suspirou – Mas me incomoda saber que isso continua acontecendo aqui.

— Me incomoda também, Rachel. Mas mesmo na diretoria tem muita coisa que eu não consigo impedir de acontecer.

— Nem as raspadinhas?

— Acredite, eu já tentei.

— Se esses alunos não respeitam nem você, imagine os outros professores.

Rachel esperou dez minutos depois que o sinal soou novamente para se despedir de Sue, prometendo visita-la novamente antes de voltar para L.A.. e voltar a andar pela escola.

A maior parte das salas estava vazia, como sempre foi.

A judia parou em frente a sala que lhe serviu de refúgio milhares de vezes e respirou fundo antes de abrir a porta de vagar, colocando apenas a cabeça para dentro.

Will estava de costas para a porta e de frente para os alunos que, em sua maioria, prestavam atenção ao que o homem dizia.

Ela conhecia aquela cena muito bem. Havia sido ela sentada ouvindo o professor durante três anos.

— Com licença. – Rachel falou, chamando a atenção de todos – Atrapalho?

— Rachel! – Will sorriu ao vê-la, enquanto os alunos murmuravam entre si, e Rachel entrou na sala, indo direto abraçar o professor – Que bom te ver. Já faz anos!

— Eu te convidei pra ir a New York. – se defendeu rindo.

Os dois se soltaram e Rachel virou para o grupo a sua frente.

Não passavam de quinze alunos, todos surpresos por ver a famosa Rachel Berry.

— Então, esse é o novo glee clube?

— Não mudamos muito desde o seu último ano.

— Tá brincando? Eu não conheço ninguém aqui!

— Não foi o que eu quis dizer. – Will riu.

— Me deixa adivinhar. Temos... Três líderes de torcida, quatro jogadores de futebol e seis ou sete... Minis Rachels? – brincou.

— Oito. – Will sorriu.

— Então... Como vão?

— Oh. Meu. Deus! – uma das alunas gritou – Eu não acredito que você está mesmo aqui!

Rachel sorriu.

Ela estava de volta a sua verdadeira casa.

***

Kitty entrou na sua casa no momento em que Santana saia. Sorriu para a latina, que falou alguma coisa que ela não entendeu – mas conhecia a amiga da irmã o suficiente pra saber que ela tinha feito alguma piada sem graça – e encostou a porta atrás de si, indo direto para o seu quarto. Jogou a mochila sobre a cama e foi direto para o banheiro. Tomou um banho rápido e colocou uma roupa folgada antes de ir no quarto da irmã mais velha.

Encontrou Quinn deitada, com uma música baixa tocando no aparelho de som que a loira tinha no quarto, já que não gostava de usar fones por sentir que perdia completamente os sentidos.

— Quinn? – chamou baixo, para o caso da mais velha estar dormindo.

— Hey, Kitty. – a loira sentou se recostando na cama e Kitty sorriu, indo sentar ao lado da irmã – Tava esperando que você aparecesse. Na verdade, to surpresa por você não ter vindo conversar ontem.

— Você tava cansada e eu tinha muito trabalho pra por em dia. Mas agora minhas coisas estão feitas e você dormiu por um bom tempo.

— Nem tanto assim, mas continue. – Quinn brincou.

— Você tem muito o que me contar, não é?

— Não muito, na verdade.

— Oh! Vamos lá! Eu não te mandei pra conhecer a Rachel pra você falar “não muito”.

— E o que você quer que eu diga?

— Tudo! Como você conheceu ela? Ela foi legal desde o começo? Como ela... Te pediu em namoro?

Quinn suspirou antes de segurar a mão da irmã entre as suas.

— Você tá bem mesmo com isso, Kitty?

— Com o que?

— Meu namoro. Quero dizer... Eu me sinto meio culpada por estar fazendo isso, sabe? Você é minha irmã, e...

— Tá tudo bem Quinn. Serio. Se você tá feliz com a Rachel, eu fico feliz por vocês duas.

— Mesmo?

— Q, eu posso lidar com isso. De verdade. Eu amo você, e quero te ver feliz, ok?

— Obrigada, Kitty. – a mais velha sorriu.

— Então, pode ir contando tudo! – disse fazendo Quinn rir.

— Bem, nós nos conhecemos na terça, e conversamos um pouco.

— Saiu na internet que ela tinha saído na segunda.

— Pois é. – suspirou.

— Por que ela não ficou te esperando?

— Eu não sei. Mas sei que até na terça a tarde eu queria matar ela.

— Por que?

— Não consegui dormir direito na segunda, e nós nos esbarramos no ensaio na terça e ela não foi muito agradável. Estava de ressaca. Mas nós conversamos na terça à tarde, e eu descobri algumas coisas sobre ela. Percebi que ela é uma boa pessoa, só... Pegou o caminho errado. Passamos a noite toda de terça conversando com o pessoal e brincando. Na quarta viemos aqui, então não tenho o que contar. Quinta passamos o dia todo no teatro, e na sexta também. Sábado você foi no hotel e...

— Quinn, por favor. – Kitty suspirou – Eu quero saber sobre... Os beijos e o encontro.

— Você tem certeza?

— Lucy, minha irmã mais velha está namorando pela primeira vez. É claro que eu quero saber de tudo!

— Mas...

— Você é mais importante pra mim do que um ídolo, Q.

— Tá certo. – Quinn sorriu.

A loira contou para a mais nova como as coisas tinham acontecido entre ela e a namorada da forma mais rápida que conseguiu, garantindo que não desse a impressão de que tinha algo a mais para contar dessa vez.

— E então ela teve que voltar para New York.

— Você mudou mesmo de opinião sobre a Rachel. – Kitty riu.

— Não. A Rachel sobre a qual eu formei uma opinião mudou.

— O que quer dizer?

— Ainda acho a diva que se acha a melhor pessoa que vive ou viveu nesse mundo uma péssima influencia pra você, e não gosto dela. Mas, a minha Rachel... A garota impulsiva que cuida de mim como se mais nada importasse... Essa Rachel é um ótimo exemplo. É essa Rachel que mudou minha opinião e que eu amo. É como se fosse a mesma pessoa, mas... Completamente diferente.

— Quer dizer que a Rachel não é ela mesma para o público?

— Rachel tem sua própria bagagem que ela tem que carregar, Kitty. A pressão da mídia não é o pior com o que ela já lidou, mas não é como se ter uma câmera em cima de você quase todo dia ajudasse a levar a vida. Rachel acha que tem que provar pra um mundo que na verdade não se importa que ela é uma coisa que ela não é. Ela quer ser o que os outros querem que ela seja, mas não é aquilo que ela é.

— De um jeito mais fácil?

— Rachel não sabe como lidar com a vida que ela escolheu.

— Você acha que vai conseguir lidar com isso?

— Com ela?

— Também. Mas eu to falando de quando vocês assumirem o namoro e a mídia vier atrás de você.

— Eu posso lidar com Rachel, e vou ajudar a lidar com a vida dela. Agora, a mídia... Bom, eu estou aceitando um possível enteado, Kitty. Um fotografo que eu nem mesmo vou poder ver me seguindo as vezes não vai ser grande coisa. Além disso, eu sempre posso pedir pra Santana se livrar de um ou outro pra mim. – brincou.

— Então... A história de ela ter um filho...?

— Ela ainda não sabe se é mesmo dela ou não, mas sim, pode ser que ela tenha engravidado essa garota.

— Os boatos são verdadeiros, então? Rachel é mesmo intersexual?

— É sim. Ela tem... Uma coisa que não deveria ter entre as pernas.

— Cara, isso deve ser muito estranho.

— Não tanto.

— Como é?

— Quero dizer, olha o mundo em que a gente vive, Kitty. Tem muita coisa estranha nele. Mas a gente só descobre ou dá nome quando alguém importante, ou muitas pessoas, passam por essa situação. É uma coisa que faz parte dela, tanto quanto não enxergar faz parte de mim.

— Tem certeza que isso foi dito nesse sentido, ou tem alguma coisa que você não me contou?

— Oh! Cala a boca. – Quinn riu – E você? Como seus amigos reagiram quando souberam que conheceu o pessoal?

A mais velha mudou de assunto e Kitty sorriu, começando a contar sobre como os amigos a encaravam de boca aberta enquanto ela contava sobre os mais novos amigos da irmã.

***

Rachel jogou a bolsa no chão e o próprio corpo na cama.

Tinha passado as últimas horas com o clube glee – e eles só perceberam a hora quando Sue invadiu a sala gritando que eles tinham cinco minutos antes que ela trancasse tudo – dando dicas de canto e conversando com o grupo.

Mas não era aquilo que a havia deixado irritada, e sim os fotógrafos que achavam que estavam escondidos na saída do McKinley.

Ela estava cansada daquilo.

Sua vida privada era pública e a publica era distorcida.

Ela estava no limite.

Quando viajou para Lima pensou que teria um pouco de sossego. A cidade nunca foi de dar muita atenção a famosos que apareceriam por lá. Se bem que famosos não apareciam por lá com frequência ou nem mesmo para fazer algum tipo de evento. Talvez fosse por isso que, de repente, Rachel Berry chamava a atenção. O único problema era que Rachel não queria nem um pouco dessa atenção.

Pegou o celular e o encarou, dividida entre ligar para Quinn, mandar uma mensagem ou controlar sua vontade de falar com a namorada e ligar depois.

Alguns segundos depois a mensagem estava descartada, e Rachel riu de si mesma.

Passou a mão pelo rosto e jogou o celular de lado. Ligaria mais tarde.

Ficou deitada por mais alguns minutos antes de ir tomar um banho para tentar relaxar.

Quando desceu, minutos depois, encontrou os pais sentados na sala de TV, e os dois sorriram para ela quando apareceu na porta.

A judia sentou entre os dois e os três ficaram assistindo a musicais, como faziam quando a menor era mais nova – e sempre que ela ia visita-los, o que raramente acontecia.

Menos de vinte e quatro horas, e Rachel só queria levar Quinn para Lima e construir uma vida ali, longe de tudo. Longe da mídia e das suas responsabilidades. Mas, no andar de cima, três mensagens da sua agente logo a lembrariam de que ela ainda era uma atriz. Tinha uma vida pública, e talvez um filho a caminho.

Construir uma nova vida, longe de tudo e de todos, estava fora de cogitação.

Notas finais
E aí? O que acharam do capítulo? Essas duas longe... Por quanto tempo mais será que vão ficar assim? Esperamos que estejam gostando. Até o próximo!