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7 Capítulo 7 - Primeiro encontro
Notas iniciais
— Rachel Barbra Berry! – a voz do seu pai praticamente estourou o ouvido da judia assim que ela atendeu o telefone.
— Então o senhor já sabe. – ela murmurou.
— Isso quer dizer que é verdade? Eu vou matar você, sua irresponsável! – Leroy gritou.
— Leroy, se acalme. – Hiram pediu e Rachel suspirou.
— Oi, papai.
— Olá, Rachel. Você pode nos explicar essa situação?
— Na verdade, ainda não. Também fiquei sabendo esses dias, então ainda estou resolvendo o problema.
— É uma criança. – Leroy rosnou.
— Eu sei, pai. E se for realmente minha eu vou assumir. Mas ainda não sei se é. Pode ser um golpe, ou algo do tipo.
— E quanto a sua situação? Isso vai vir a público. – Hiram disse.
— Só se o filho for meu.
— E se não for? Você vai fazer DNA e tudo mais, certo? Isso vai estourar de alguma maneira.
— Bem, estou tentando fazer o DNA antes da criança nascer. Então só tenho que manter a garota calada até o resultado sair.
— E se ela não ficar quieta?
— Aí eu entro com um processo pra isso. Marley vai me ligar ainda hoje pra dizer o que conseguiu.
— Rachel, quais são as chances desse filho ser seu? – Leroy perguntou.
— Não muitas. Apesar da aparente irresponsabilidade de dormir com várias garotas, eu sempre me previno.
— Certo. Podemos saber exatamente onde você está agora?
— No quarto do hotel.
— Ótimo. Desce que nós estamos te esperando. – Leroy disse.
— O que? – a judia gritou.
— Acabamos de chegar aqui. Vem falar com a gente.
— Vocês estão em Los Angeles?
— Em Paris que não estamos, Barbra. – Leroy respondeu irritado.
— Pai...
— Vai descer ou não vai?
— Claro. Me dê só alguns minutos. Já to descendo.
Rachel saiu do quarto praticamente tremendo. Seus pais estavam ali. Ela ia morrer antes do previsto.
Rachel trancou a porta e respirou fundo, perdida em seus pensamentos.
— Quem tá aí? – a voz de Quinn soou hesitante no corredor, assustando Rachel
— Hey, Q. Sou eu. Desculpa, não te vi aí. – a judia murmurou – O que tá fazendo aqui?
— Eu ia descer pra comer alguma coisa. O que aconteceu? Você parece nervosa.
— Meus pais tão aí em baixo.
— E?
— E eles só vieram por causa da história da gravidez. – o elevador abriu e Rachel passou o braço pelo de Quinn, entrando com ela – Eles vão me matar.
— Hey, você fez besteira e sabe disso, mas tá tentando mudar. Mostre isso a eles.
— Se eu tiver tempo antes do meu pai cortar meu pescoço. E sei que eles não estão bravos só por isso, mas por toda a porcaria que eu tenho feito.
— Você só fez escolhas erradas, Rachel. Todo mundo errada as vezes.
— Umas mil seguidas?
— Rach, eu tenho certeza que seus pais te amam e vão concordar comigo quando eu digo que você só precisa de um tempo.
— Obrigada, Quinn. Você pode fazer esse discurso pra eles?
A porta do elevador abriu e Rachel ajudou Quinn, que ria, a sair. E foi impossível para a morena evitar sorrir.
— Quer que eu te leve até o restaurante?
— Vá encontrar seus pais, Rachel. Eles estão esperando.
— Certo. – Rachel suspirou antes de dar um beijo na bochecha da garota – A gente se vê mais tarde.
— Tem certeza? Quero dizer, seus pais não vão se importar se você largar eles aí quando vieram te ver?
— Tenho certeza que só vieram pra brigar comigo. – Rachel tentou brincar – Não se preocupe. Eles vão entender.
— Ok. Te vejo mais tarde então.
— Passo no seu quarto as sete.
Quinn apenas sorriu e foi em direção ao restaurante.
— Rachel? – a judia observava Quinn se afastar quando a voz do seu pai a fez pular de susto.
— Pai. Papai. Que susto. – suspirou antes de se aproximar dos dois e abraça-los – Vem, vamos subir pro meu quarto e conversar.
— O que você estava olhando? – Hiram perguntou quando a judia apertou o botão do elevador.
— Quinn.
— Uma garota? – Leroy praticamente rosnou.
— É. Ela... Eu a ajudei a descer. Ainda tenho medo que ela tropece e caia a qualquer segundo.
— E ela é cega, por acaso? – Leroy debochou enquanto entrevam no elevador.
— Na verdade, é sim.
— Oh. – ele murmurou – Seja como for, você não é o tipo de pessoa que cuida das outras.
— Leroy! – Hiram deu um tapa no braço do marido.
— Não se preocupe, papai. – Rachel suspirou – Vocês vão ficar até quando?
— Vamos embora na segunda, quando você for.
— Sabe, vocês estragaram minha surpresa. – a judia reclamou – Vou pra Lima na segunda.
— Por que não nos disse nada?
— Era uma surpresa, papai. Eu preciso descansar um pouco, sair dos holofotes e por a cabeça no lugar. Que lugar melhor pra isso que Lima?
— Bom, voltamos juntos, então. – Hiram sorriu e deu um beijo na bochecha da judia.
Os três saíram do elevador e Rachel levou os homens até o seu quarto.
O som do celular da garota tocando a fez entrar na frente, para atende-lo rapidamente.
— Alô? Oi Marley. – Rachel fez um sinal com a mão para que os pais entrassem e ficassem a vontade, enquanto sentava na cama – Conseguiu resolver o problema? Maravilha. O que? Por que? Essa mulher é idiota? Tudo bem, me mande o telefone dela por mensagem depois e eu ligo. Como é o nome dela? Agnioque? Mas que diabos de nome é esse? Agnieszka? Tá. Ok. Pode mandar o enfermeiro. Nem pensar. Certo. Como eu disse, estarei em Lima na próxima semana. Acredito que isso dá tempo o suficiente para o resultado do exame sair, e então, quando eu voltar para New York, se o resultado for positivo, pensamos no que fazer. Eu não vou dar nenhuma entrevista sobre isso se o resultado for negativo. Por que eu não quero falar sobre a minha condição, mas também não quero mentir para os meus fãs. Certo. Ok, a gente se fala amanhã. Ah! Marley, eu tenho algum compromisso marcado em Los Angeles? Não, uma próxima viagem. Então, por favor, marque. Eu explico quando voltar. Tchau Marley.
Rachel desligou o telefone e virou para os pais, que a encaravam.
— E aí? – Hiram perguntou.
— Ela topa fazer o exame se falar comigo primeiro. Nem me pergunte o porquê. – Rachel suspirou e passou a mão pelo rosto – Eu não acredito que me meti nisso.
— Isso é consequência da sua irresponsabilidade. Uma...
— Eu sei, pai! – Rachel gritou, assustando ambos os seus pais, e respirou fundo – Desculpe, mas... Eu sei o que fiz. Sei por que isso aconteceu. Será que vocês podem ser só os meus pais compreensivos pelas próximas horas, me abraçar e dizer que vai ficar tudo bem?
— Oh, Rae. – Hiram suspirou e abraçou a filha – Nós amamos você, e vamos te apoiar. Mas não vamos passar a mão na sua cabeça. Você errou e tem que lidar com isso.
— Eu sei. – Rachel escondeu o rosto no pescoço do pai e respirou fundo, segurando as lagrimas – Mas justo agora?
— Por que justo agora? – Leroy se aproximou, sentando ao lado do marido – Algo que queira nos contar?
— Desde a última vez que a gente se falou, um dia depois que eu cheguei aqui, eu estou tentando, sabe? Não tenho saído para festas e tenho tratado os outros melhor. E... Nem tem sido tão difícil como eu pensei que seria.
— Por que, no fundo, você ainda é a nossa Rae. – Hiram disse – A nossa garotinha que quer a mulher ideal e trata todos bem.
— Não acho que só no fundo. – Leroy disse – Desde Jéssica eu acho...
— Não fale dela. – Rachel pediu – Jéssica não é um assunto bem-vindo.
— Seja como for, desde que ela... Fez o que fez, você ficou diferente, Rachel. Mas isso que você virou... Nunca foi você.
— Eu sei. – a judia suspirou – Eu não posso ter um filho assim, de uma mulher que eu só vi uma vez na vida. E que chama Agnieszka.
— Que diabos de nome é esse? – Hiram riu.
— Essa criança pode não ser sua. Mas e se for? – Leroy perguntou.
— Se for meu... Vou amar esse bebê. Eu só... Não quero me apegar a essa criança sem ter certeza. Por que aí eu vou querer um filho e...
— E...? – Leroy arqueou a sobrancelha.
— Não tem um “e”. – Rachel suspirou – Eu quero ter um filho. Mas com minha... Futura esposa, ou algo assim. Alguém que eu ame e que me ame. E que vá criar meu filho comigo. Eu quero um filho que eu vou ver todo dia, não em feriados e fim de semana! Não que eu não vá ama-lo se isso acontecer, mas...
— A gente entendeu, Rachel. – Leroy disse.
Rachel respirou fundo e pegou seu celular, que tocou indicando que ela havia recebido uma mensagem.
— Vou ligar para a suposta mãe do meu filho. – a judia resmungou e olhou para os pais – Me desejem sorte.
A judia, deitada no colo de Hiram, discou o número que Marley havia acabado de lhe enviar, depois de garantir que seu número apareceria como privado.
— Deixa no viva voz. – Leroy pediu.
Quatro toques depois, a mulher atendeu.
— Alô?
— Agnieszka? – Rachel perguntou.
— Rachel?
— Sou eu.
— Oh, céus! Eu estava esperando sua ligação.
— É, eu imagino que sim. – a judia suspirou – Agnieszka, você... Pelo amor, você tem um apelido?
— Me chama de Agnes.
— Ótimo, Agnes. Imagino que Marley, minha assistente, já tenha falado com você sobre o exame de DNA.
— Já. E quero deixar claro que isso me ofende.
— Bem, nós só tivemos uma noite. Não é como se eu te conhecesse, ou algo do tipo. Seja como for, Marley me disse que você gostaria de falar comigo antes de fazer o exame, e como estamos falando, espero que você possa fazer o procedimento no máximo até amanhã, para resolvermos essa situação o mais rápido possível.
— E você?
— O médico está vindo até Los Angeles para garantir que tudo será feito da maneira correta. Farei isso ainda hoje.
— Tudo bem. E o que faremos quando o resultado sair?
— Minha assistente entrara em contato e vocês poderão buscar o resultado juntas. Até lá, espero que você possa manter isso longe da mídia. Se alguém tem que falar sobre minha situação, sou eu.
— Claro. Como você preferir. Só uma coisa: você sabe que esses exames não são certos, não sabe? Eu preferiria que você esperasse até o bebê nascer.
— E enquanto isso, o que? Eu me apego a uma criança que pode não ser minha?
— Ela é sua!
— Ok, Agnes, não vamos discutir, tá bem? Se você tem tanta certeza que o filho é meu, qual o problema em fazer o exame?
— O problema é você desconfiar de mim.
— Agnes, nós mal nos conhecemos.
— Certo, tanto faz. Eu vou fazer esse exame, te provar que a criança é sua e ai, Rachel...
— E aí?
— Aí nós vamos conversar de verdade.
— Ótimo. Depois que os exames forem feitos nós conversamos então.
— É, Berry.
— Ótimo. Algo mais que queira falar?
— Tem muita coisa que eu quero falar. Mas vamos deixar pra falar pessoalmente.
— Ótimo. Obrigada por entender meu lado, Agnes.
— Até mais, Berry.
— Até.
Rachel desligou o telefone e olhou para os pais, suspirando.
— Não foi tão ruim.
— Esse filho é seu. – Leroy disse.
— Como você pode saber? – Hiram o encarou.
— Se não fosse ela teria procurado uma desculpa pra não fazer o exame.
— Sinto dizer, Rach, mas acho que seu pai tem razão.
A judia levantou e passou a mão pelo rosto, respirando fundo.
— O que eu vou fazer? E se... E se ela quiser casar?
— Você não precisa fazer isso.
— Eu preciso relaxar. Tenho que tirar isso da cabeça essa noite. Pelo menos... – Rachel olhou para o relógio e suspirou – Entre as seis e meia e as onze da noite.
— Você é bem especifica. – Hiram riu.
— Posso perguntar por que? – Leroy a encarou.
— Tenho um encontro. – a judia murmurou.
— Você tem um o que?
— Um encontro, pai. Tenho um encontro com a Quinn as sete. Vou levar ela pra jantar.
— Você já não tem problemas o suficiente com uma mulher gravida? Rachel!
— Eu não vou tentar nada, pai. Quinn não é esse tipo de garota.
— Ah! Não vem com essa. Porra, Rachel! Eu pensei que você ia tomar jeito depois dessa!
— E eu vou! Eu... – Rachel suspirou – Quinn é só uma garota legal que eu estou levando para jantar. E ela tem me ajudado bastante. Eu... Só quero passar um tempo com ela.
— Como você tem passado com todas essas garotas?
— Leroy... – Hiram respirou fundo.
— Não! Eu... Eu nem pensaria nisso. Quero dizer, se Russel desconfiar que eu pensei algo do tipo essa criança que pode ser minha vai ser minha única chance de ser mãe. – a judia resmungou.
— Quem é Russel?
— O pai da Q.
— Você conheceu o pai dela? – Hiram perguntou e Rachel acenou positivamente – Leroy, o que vamos dar de presente de casamento?
— O que?
— Rachel foi conhecer o pai da garota. A última vez que isso aconteceu foi há quase dez anos. Depois... Bem, você sabe. Então, já estou pensando um pouquinho no futuro. O que vamos dar de presente de casamento para as duas?
— Papai, eu to falando serio. Quinn é uma garota legal e nós só vamos sair para jantar, ok? No final da noite eu vou deixar ela no quarto aqui do lado, e vou voltar para o meu, prometendo passar lá amanhã cedo pra gente descer e tomar café. Vou dar um beijo de boa noite, e vir dormir. Simples assim.
— Você vai levar ela pra me encontro, tipo, de verdade? – Leroy a encarou.
— Isso.
— Você vai ser romântica e garantir que ela se divirta?
— Como deve ser. Esse é o plano.
— Acho que antes de decidir o presente, temos que decidir qual dos dois vai entrar com ela. – Leroy disse, se virando para o marido.
— Pais! – Rachel reclamou.
— Tá bem, desculpe. – Hiram riu – Quando vamos poder conhecer ela?
— Não vão.
— Como não? – Leroy reclamou.
— Rachel!
— Tudo bem! Que tal... Vocês vão ficar onde?
— Esse não é um jeito muito discreto de mudar de assunto. – Hiram reclamou.
— Não estou mudando de assunto. Só... Pensei que poderíamos tomar café juntos, amanhã de manhã.
— Bem, não vamos ficar nesse hotel.
— Certo. Hum... Bom, vou falar com a Quinn, e, se vocês deixarem o endereço do hotel, podemos passar lá amanhã e vamos todos tomar café no café da família dela. O que acham?
Hiram e Leroy olharam um para o outro, e Hiram sorriu.
— Claro. Assim podemos conhecer seus sogros.
— O que? Não! Nem pensem em comentar sobre isso, ok? Eu e Quinn não estamos namorando, e Russel não pode nem imaginar que estamos tendo um encontro. Ele me mataria.
— Tudo bem. Não falamos sobre isso. – Leroy riu – Pra onde você vai levar ela hoje a noite?
— Tenho reserva no Exterior Lotus.
— E...? – Hiram perguntou.
— E só. Vou levar ela pra jantar e pronto.
— Cadê a Rachel romântica de dez anos atrás?
— Pai, o que você quer que eu faça? É o nosso primeiro encontro!
— É, mas vocês já se conhecem, você já sabe do que ela gosta...
— E?
— E que você só leva uma pessoa pra jantar no primeiro encontro pra se conhecerem, por que a intenção é apenas conversar. Se vocês já se conhecem, você passa pro que seria o segundo encontro. Tem que ser algo divertido, que mostre que você está afim dela e quem você é.
— Eu realmente não sabia que tem regra pra isso. – Rachel debochou.
— Não é uma regra, por que não existe um manual pra encontros. Mas é como... Tá subentendido, sabe?
— Pai, eu realmente não acho que você esteja certo. Você sabe, eu e Quinn nos conhecemos, mas eu não me vejo levando ela a outro lugar que não seja um restaurante. Não por enquanto.
— Mas...
— Hiram, o encontro é dela, deixe que ela decida, sim? – Leroy o cortou.
— Você tem razão. Desculpe. – Hiram suspirou.
— E então, quando o médico vem tirar seu sangue?
— Ele deve chegar em no máximo quarenta minutos. – Rachel disse olhando o relógio – E assim que ele sair, eu vou tomar um banho e me arrumar. – a judia suspirou – Me desejem sorte.
— Pra qual dos dois? – Hiram arqueou a sobrancelha.
— Para os dois. – Rachel respirou fundo.
***
Quinn ouviu alguém bater na porta e respirou fundo.
— Quem é?
— Q, somos nós, Kitty e Santana. Está tudo bem? – ela ouviu a irmã perguntar preocupada e respirou fundo.
A porta foi aberta pouco depois e a Fabray mais nova e a latina entraram.
— Encostem a porta. – Quinn mandou entrando no quarto.
— Você se machucou, ou algo assim? – Santana perguntou.
— Não. Eu só... Preciso da ajuda de vocês. – a loira sentou na cama e Kitty e Santana a encararam.
— O que aconteceu? – Kitty perguntou depois de fechar a porta.
— Eu preciso me arrumar. Tenho um encontro.
— Você tem um o que? – Santana a encarou de boca aberta.
— Um encontro.
— Com quem? – Kitty perguntou.
— Com a Rachel.
— Rachel? Tipo, Rachel Berry?
— Isso.
— E aquela história de “como você pode gostar de alguém assim?”? – Kitty tentou imitar a voz de Quinn, falhando miseravelmente.
— As aparências enganam, Kitty.
— Mas você nem sabe a aparência dela. – Santana brincou, colocando uma mão no ombro de Kitty – É o primeiro encontro da sua irmã, Kitty. Dê um apoio a ela. – a latina sussurrou no ouvido da mais nova, que se afastou dela para se aproximar da irmã.
— Mas sempre que você me ouvia falar dela reclamava que ela é um mal exemplo, e...
— Kitty, qual é o problema? – Quinn a interrompeu – Quando você pensou que eu pudesse sair com o Sam você ficou animada, por que com Rachel, que você é mais fã, você... – a frase morreu na boca de Quinn e a loira suspirou – Você gosta dela, não é?
Kitty olhou para Quinn, que havia ficado desanimada de uma hora para a outra e depois para Santana, que balançou a cabeça negativamente.
— Eu...
— Não, Kitty, tudo bem. Se você gosta dela eu não vou fazer isso.
— Não! Quinn, eu... – Kitty suspirou e sentou ao lado da irmã – Eu e Santana estamos aqui para te ajudar a se arrumar, e é o que vamos fazer.
— Kitty, você é minha irmã, e mesmo que isso seja só uma paixonite de fã, eu não vou fazer nada que possa te magoar. – Quinn falou e Kitty a abraçou sorrindo.
— Se você gosta mesmo dela, Q, vai fundo.
— Você não vai se importar?
— Como você mesma disse, Q, é só uma paixonite boba de fã.
— Certo, estamos entendidas. Que horas vocês vão se encontrar, Dorinha? – Santana perguntou.
— Rachel passa aqui as sete. – Quinn sorriu.
— Nesse caso temos duas horas e meia. – Santana falou olhando para o relógio – Muito bem. Fabray, onde vocês vão?
— Vamos jantar.
— Jura, Fabray? Pela hora pensei que iam num zoológico. Que vão jantar tá obvio. Quero saber onde.
— Ela não me disse.
— Kitty, você conhece Rachel, ou mais ou menos, pelo menos. Onde acha que ela vai levar sua irmã?
— Não é comum da Rachel levar alguém para sair, mas sempre que ela sai com algum amigo para jantar é o tipo de restaurante que meus pais costumam ir para comemorar aniversários de casamento. Para um encontro, então, podemos deduzir que vai ser um restaurante ainda melhor.
— Em palavras de gente normal? – Santana perguntou.
— Um lugar formal. – Kitty disse.
— Certo. Fabray, você trouxe esse tipo de roupa?
— Só o que eu usei ontem. – Quinn suspirou.
— Tudo bem. Kitty, você vai na sua casa e pega um vestido pra Quinn. Tem que ser não muito curto, mas acima do joelho. Com decote, mas nada que mostre muito. E apertado nos lugares certos. Talvez um pouco aberto atrás...
— Quinn não tem nada assim. – Kitty avisou.
— E o que você acha que pode encontrar pra ela?
— Que tal o longo, com uma abertura na perna? – Quinn disse – Kitty me disse que eu estava sexy nele. É preto, se não me engano. Ou foi o que me disseram, pelo menos.
— Nunca te vi usando ele. – Santana falou.
— Por que ela só usou uma vez. Para o aniversário de uma prima. – Kitty falou – Mas ficou muito bem nele, Q. Eu acho que seria perfeito.
— Certo. Traga esse. Enquanto isso Quinn vai tomar um banho e assim que ela sair eu começo a maquiar ela.
— Certo. Volto o mais rápido que der.
Kitty saiu do quarto, encostando a porta atrás de si, e Santana encarou a loira sentada na cama.
— Eu vou para o meu banho. – Quinn avisou, levantando.
— Antes de ir, me diga uma coisa: o quão longe você pretende ir com ela?
— O que?
— O quão longe acha que vão, Q? Você sabe...
— Não acho que vá rolar, Santana.
— Certo. Mas vou pegar uma lingerie mais... Ousada, por precaução.
— Santana!
— Estou pelo menos te avisando, loira.
— Mas...
— Sem mas, Quinn. Se não rolar, ok. Se rolar, você estava prevenida.
— Santana! – Quinn rosnou.
— Você está perdendo tempo, Q. Tá perdendo tempo.
Quinn suspirou e foi para o banheiro. Sabia que era inútil discutir com Santana.
Alguns minutos depois a loira saiu do banheiro, colocou a lingerie que Santana havia separado, – e nessa hora a loira agradeceu por não poder ver o que a latina tinha escolhido – colocou um roupão, já que Kitty ainda não tinha voltado ainda, e sentou em uma cadeira, respirando fundo.
— Você vai com aquele óculos, não é?
— É claro que sim.
— Certo. Não preciso me preocupar muito com os olhos, então. Isso poupa, tipo, oitenta por cento do meu trabalho.
Quinn riu e Santana se aproximou da loira.
Pouco mais de dez minutos depois o telefone da Fabray começou a tocar e Santana revirou os olhos.
— Seja lá quem for, dispensa rápido. – mandou colocando o telefone na mão da loira.
— Alô? – Quinn atendeu – Oi, Rach. Oh, tudo bem. Aconteceu alguma coisa?
— Se ela desmarcar... – Santana rosnou baixinho, e Quinn a ignorou.
— Claro, sem problema. Não, eles vão adorar. Rachel, não se preocupe. Nós falamos disso a noite, certo? Eu também. – a loira sorriu – Ok, até daqui a pouco. Beijo. Rachel! – Quinn riu – Ok. Até daqui a pouco.
Quinn desligou e estendeu o telefone para Santana, que o segurou encarando a loira.
— Para de me olhar assim. – Quinn pediu.
— Você tá vermelha.
— Para com isso, Santana.
— O que foi que ela disse?
— Nada demais. Você pode voltar a me arruar, por favor?
— Só se me falar por que ela ligou.
— Rachel quer ir tomar café amanhã lá no café. Ela e os pais.
— Os pais dela moram aqui?
— Não, mas vieram por causa da história da... Bom, eles vieram.
— O que está me escondendo, Quinn?
— Podemos falar disso depois, San? É meio complicado.
— Você tá me devendo uma explicação das boas, Fabray.
— Depois, San. Depois.
Kitty voltou menos de meia hora depois com o vestido, e Santana deixou que a garota se trocasse antes de terminar a maquiagem.
Já faltavam dez minutos para as sete quando Kitty e Santana terminaram de arrumar a loira, e foram embora prometendo exigir detalhes do encontro na manhã seguinte – já que Kitty estava encarregada de avisar os pais sobre a visita que teriam.
No quarto do lado, Hiram ria enquanto Rachel perguntava pela milésima vez como estava.
— Rachel, pelo amor, a garota nem vai te ver. – Leroy disse.
— Isso não significa que eu não devo estar perfeita para esse encontro, pai.
— É claro que não. Isso vai estar em todos os jornais amanhã de manhã. – Hiram brincou e Rachel parou, o encarando.
— Obrigada por me lembrar, papai. Droga! Acho que vou trocar esses brincos.
— Rachel, pare com isso, filha. Você está linda. – Leroy disse.
— Jura?
— Juro.
O telefone do quarto tocou e Hiram atendeu.
— Alô? Certo, já vamos descer. Obrigada. – ele desligou o telefone e levantou sorrindo – Os taxis chegaram. Você pode bater na porta dela assim que eu e seu pai entrarmos no elevador.
— Certo.
A judia se despediu dos pais e parou em frente a porta do quarto de Quinn.
Assim que as portas do elevador se fecharam a judia respirou fundo e virou para frente, fechando o punho e acertando a madeira três vezes seguidas, praticamente tremendo – afinal, ela não fazia aquilo há quase dez anos.
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