Mais cinco minutos, talvez?

11 capítulo 11- Diego.


Notas iniciais
Nosso tempo está acabando Você não pode empurrar pra debaixo do tapete Não podemos parar de gritar Eu quero a liberdade limitada e restrita Eu tentei desistir de você Mas eu estou viciado (Muse - Time Is Running Out) Hey, gente ♥ Como foi a semana de vocês? Espero que tenha sido boa. Olha quem já voltou com outro capítulo? Uhuu! Embora não era pra esse capítula sair hoje huashuas mas como eu passei meses sem postar, quanto antes melhor, néh? E gente... Tem tanta coisa rolando nesse que... Nossa! Ah, e já avisando: Desculpa os palavrões. Espero que vocês gostem. Foi feito com carinho ♥ Ah, e muito obrigada a todos que me mandaram um comentário ♥ Eu vou responder a todos eles, ok? ( Desculpa se demorar um pouquinho) E, mais uma fanart da Diovana ♥ ( Obrigada de novo, linda ♥ ) ps: Se vocês gostam de doramas e gostam dessa fic, recomendo que vejam "Please Come Back, Mister". É hilário.

É, eu estava morto. Totalmente morto.

Cinco costelas fraturadas, uma perna quebrada, um cotovelo deslocado, diversos traumas na cabeça e pra completar o pacote, meu cabelo havia sido raspado por causa de uma cirurgia. Não dá pra classificar esse conjunto de desastre de outra forma se não... Morto.

Não que eu estivesse esperando algo muito melhor que isso. Quer dizer, eu sofri um acidente de moto. Não é como se eu tivesse ido fazer um tratamento de pele em um SPA. É claro que a coisa não estaria muito boa para o meu lado, mas... Meu Deus! Eu estava parecendo uma experiência alienígena que deu errado! Duas semanas haviam se passado desde o acidente e, segundo o relatório médico, eu não tive qualquer sinal de melhora. Realmente não me espantava o fato de todo mundo achar que eu estava morrendo.

E talvez eu também devesse incluir o Erik nessa porcentagem de pessoas que achavam que eu já estava com um pé na cova, já que ele passou mais de cinco minutos só me observando com cara de horror. E quando eu digo “observando com cara de horror” quero dizer que ele me olhava da mesma forma que olharia para um sem teto bêbado afogado no próprio vômito dentro de um metrô.

— Hã... Bem... Podia ser pior... Não é? — Ele tentou ser positivo. Mas como é do Erik que estamos falando...

— Está dizendo que isso não é ruim o suficiente pra você? — Caleb, que pareceu não gostar muito do comentário, respondeu por mim.

— Não é isso! — Erik se apressou em explicar. — Não é que eu esteja... hã.... Desmerecendo a condição dele nem nada assim. É só que... Desculpa. — Suspirou. — Eu realmente não gosto de hospitais e... Pra falar a verdade, também não me sinto bem em vê-lo desse jeito. Quer dizer... Esta não é exatamente a imagem que eu tenho dele. Então vamos apenas dizer que estou nervoso.

De certa forma, me senti feliz em ouvir aquilo. Afinal, por pior que fosse a imagem que Erik tinha de mim, não envolvia eu parecendo um filhote de cruz credo atropelado. Isso era ótimo! E imagino que Caleb compartilhava dos mesmos sentimentos, já que ele apenas assentiu.

— É até difícil ficar com raiva das merdas que ele faz quando olho para ele assim... — ele confessou. —E também é muito difícil ver o meu irmão desse jeito acabado...

É, certo. Eu estava um trambolho. Todo mundo já sacou isso.

— Você sente algo diferente? — Erik me perguntou baixinho. — Por estar aqui e tudo mais...?

— Sinto que estou entrando em depressão. — Murmurei. — Fora isso... Tudo na mesma.

Até porque eu já sabia que não seria uma visita ao meu esculachado corpo que faria as coisas magicamente se resolverem. Quer dizer, nem eu era tão ingênuo assim. E nem me venha com aquelas piegas de que “ a esperança é a última que morre”. Sério. Porque não há nenhuma frase no mundo mais irônica do que essa.

—Você acha que pode fazer algo por ele? Quer dizer, acho que qualquer coisa é válida... — Caleb, por outro lado, estava se mostrando um cara de fé. E olha que ele nunca foi uma dessas pessoas que “ sempre veem o lado bom da vida”. Mas ele realmente parecia acreditar que um milagre divino estava preste a acontecer. Coitado...

Erik estava balançando a cabeça negativamente antes mesmo de Caleb terminar de falar. Porque é claro que ele também já havia se dado conta que realmente não havia nada que poderíamos fazer. Pelo menos, nada consideravelmente ético.

Por isso ele disse:

— Eu sou completamente impotente para resolver esse tipo de coisa. — E, por mim, a coisa tinha morrido ali. Mas o Erik continuou: — Diego é o único que sabe como resolver isso e, enquanto ele não o fizer, estou completamente a mercê dele...

E vou te contar: Aquilo era tudo o que ele não precisava ter dito.

Você já sentiu como se todas as palavras fugissem da sua mente e a única coisa que descreve perfeitamente o que você está sentindo é um longo e prolongado “merda” ? Por que foi exatamente assim que eu me senti. Eu até já podia prever muito bem como aquilo ia acabar.

Caleb virou a cabeça em direção ao Erik na mesma velocidade em que eu tentava bolar alguma ameaça relativamente boa pra fazer aquela cabeça loira idiota parar de falar, ou seja, lentamente.

— Meu irmão sabe o que?

— Ele sabe como resolver tudo isso. Ou pelo menos foi o que me disse ontem. — Eu ainda não tinha pensado em nada porque meu cérebro ainda estava gritando aquele “merda”.

— E por qual droga de motivo vocês ainda não resolveram isso?

— Porque acho que ele está gostando de um cara. — Erik respondeu de prontidão. — E, segundo ele, esse é o motivo de não querer voltar.

Meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerda!

Não sei dizer se aquilo tinha sido uma puta conspiração contra mim ou se Erik era apenas imbecil de mais pra sair falando aquilo pra todo mundo. Mas seja o que for, fez com que os olhos do meu irmão quase pulassem pra fora da cara. De verdade. Ele parecia alguém que tinha acabado de receber a notícia do dia do apocalipse.

— Hein? — Ele proferiu depois de um tempo como se o Erik estivesse falando em búlgaro.

— Bem, antes que você pergunte, eu não sei exatamente como isso aconteceu. Só sei que foi essa a resposta que eu recebi dele.

Eu ia matar o Erik. Sério. Eu ia. E olha que até os céus me deram autorização pra fazer isso. E agora eu também tinha um motivo!

— O meu irmão não é gay! — Caleb gritou para todo o continente ouvir.

Não que isso me favorecesse em alguma coisa, é claro. Quer dizer, ele tinha gritado aquilo pra todo o hospital ouvir! Agora todo mundo que passar pelo meu leito na UTI vai olhar para o semi-cadáver-Diego e dizer: “Olha lá, coitado. Morreu sem nem sair do armário”...

— Erik, por tudo que há de mais sagrado... Cala a porra dessa boca! — Eu mais implorei do que mandei.

— Se não o que? — O infeliz teve a petulância de revidar. — Vai fazer outra tatuagem em mim?

Ah... Então ele ainda estava chateado por causa disso.

Mas meu Deus! Precisava mesmo ter me ferrado daquele jeito? Sério?

Olha, eu não fiz aquela tatuagem de maldade. Não mesmo. Mas o que eu posso fazer se não sou a pessoa mais calma e sensível do mundo?

Quando eu percebi que tentar suicídio para o Erik era tão banal quanto almoçar, confesso que fiquei furioso. Bem, pra ser sincero, não sei exatamente o porquê de ter ficado, já que, tecnicamente, aquilo nem era da minha conta. Mas imagino que boa parte foi pelo fato dele querer morrer quando eu estava sinceramente tentando nos manter vivos. E também, eu não tinha garantia nenhuma de que ele não ia fazer novamente. Apesar de dividirmos o mesmo corpo, Erik não era lá um exemplo de pessoa confiável.

Então eu quis dar a ele o que ele tanto queria: A morte!

Era um significado bastante poético que, apesar de tudo, só eu compreendia. Mas é aquele ditado: O que vale é a intenção. Eu não queria causar nenhum dano a ele ou fazer algo que o prejudicasse. Até porque, eu ainda tinha esperança de que as coisas iam se resolver e eu seria, literalmente, apenas um fantasma que passou pela vida dele. Porque, você sabe, eu também tenho meus momentos de gentileza e piedade...

Mas o que exatamente eu ganhei com isso? Porra nenhuma! No máximo um irmão furioso.

— O que eu vou fazer com você eu decido depois. — Respondi ao Erik. — No momento estou mais preocupado é com o que Caleb vai fazer comigo...

Porque, querendo ou não, eu ia ter que consertar aquela porcaria. Eu só não sabia exatamente como. E, vamos só considerar as minhas opções:

1- Contar a verdade para Caleb, de forma que o Erik também ficasse sabendo do plano de morte que armaram pra ele. (Embora algo me dizia que isso não deveria nem ser considerado uma opção.)

2-Sustentar a mentira e ir fundo na história de que eu andava tendo um pequeno problema com a minha sexualidade.

3- Ou...

Ou nada. Não tinha mais nada a fazer. Era um ou outro.

E mesmo depois de termos sido expulsos da UTI — Porque segundo as enfermeiras, nós éramos “muito barulhentos”. — e de um bom tempinho ter passado, eu ainda não fazia ideia de qual das duas eu usaria.

— Eu ainda estou esperando uma explicação ou alguma coisa do tipo sobre tudo isso... — Caleb estava murmurando.

Nós estávamos sentados em um dos bancos de cimento em frente ao hospital. Erik havia terminado de plantar o caos e estava apenas esperando colher o fruto da maldade. E eu, obviamente, era quem estava tendo que limpar a bagunça.

— Bem... — Disse eu. — É uma história bem engraçada...

Caleb cruzou os braços e franziu o cenho.

— Estou louco pra rir. — O “Louco” eu não duvidava. Mas o “pra rir” não convenceu. Não convenceu nenhum pouco.

Suspirei.

— Olha, tem muita coisa rolando nos bastidores, entende? — Olhei pra ele. — Estar preso no corpo do Erik, ultimamente, está sendo o menor dos meus problemas. Sério.

—Você realmente gosta de outro cara? — Ele indagou com uma voz esganiçada.

— Inferno, Caleb! Você só prestou atenção nesta droga de parte? — Esbravejei. — E daí se for isso?

— Você está morrendo! — Vociferou — Gosta do infeliz o suficiente pra não querer nem mesmo voltar pra droga do seu corpo que tá morrendo?

— Caleb, eu estou todo quebrado! — Eu disse a ele no mesmo tom. — Pareço o resto do almoço de um urso pardo e as chances de que eu acorde desse coma maldito sem nenhuma sequela é praticamente zero. Acha mesmo que algo aí me é convidativo pra voltar?

Certo. Talvez eu não devesse ter dito isso dessa forma a ele. Sério. Realmente me arrependi segundos depois. Mas apesar de tudo... Eu estava falando sério. Pode ser egoísmo meu, mas era realmente o que eu estava pensando. Não que eu quisesse continuar como Erik o resto da vida. Não mesmo. Eu só estava um bocado chateado por causa da situação.

Quando voltei a olhar para Caleb ele me encarava como se eu tivesse acabado de pintar de cor-de-rosa toda a sua preciosa coleção de carrinhos.

— Então, segundo essa sua lógica imbecil... Foda-se eu e o papai, não é? — Ele concluiu simplesmente.

E não era. Não era mesmo. Pelo contrário, essa era a outra parte ferrada da minha vida que eu ainda tinha que saber como lidar. E vou ser sincero: Eu queria que Caleb nunca tivesse ficado sabendo de nada disso. Eu nunca teria contado a ele se soubesse que as coisas ficariam assim.

Mas quer saber? O real motivo de eu ter ido falar com Caleb, apesar de toda essa confusão, é porque eu realmente não conseguia imaginar a minha vida sem ele. Pelo menos, não enquanto eu vivia lindamente e ele lamentava o acidente. Não dava pra fazer isso.

— Escuta, realmente não dá pra explicar nada disso agora. Então será que você pode apenas confiar em mim? Quando isso estiver resolvido eu juro que te conto tudo.

Caleb estreitou os olhos.

— Confiar em você? É claro que eu posso confiar em você! — Ele vomitou sarcasmo. — Você é a pessoa mais digna de confiança que eu conheço.

— Não use essa droga de sarcasmo comigo. — Avisei. — Se eu estou falando que vou resolver a porra do problema é porque eu vou, caramba!

— Ah, sim — Ele se levantou e parou na minha frente. —Primeiro você se arrebenta inteiro em um acidente de moto. Depois, de alguma forma, ressuscita no corpo de um garoto cinco vezes menor que você. E então... Resolve descobrir que também sente atrações por outros caras. Realmente, você está fazendo um ótimo trabalho pra resolver as coisas.

E eu realmente queria dar um soco na cara dele.

— Cacete, Caleb! Esse não é o melhor momento do mundo pra você ficar com raiva de mim. — Também me levantei.

— Esse também não era o melhor momento pra você agir como um babaca, mas olha você aí... — Ele segurou o queixo do Erik erguendo minha cabeça mais pra cima. — Nunca pensei que diria isso, mas você está agindo igualzinho a ela...

Meu cérebro meio que parou aí depois disso. De modo que eu realmente nem percebi quando Caleb me deus as costas, visivelmente chateado. Estava muito ocupado, pensando em como um tiro teria machucado menos.

— Sabe... Eu realmente não entendo você. — Erik pronunciou logo em seguida. — Quero dizer, por que você está agindo assim com seu irmão se na realidade não é realmente o que você quer dizer?

Fechei meus olhos e suspirei.

— Olha, Erik, você tem seus motivos pra querer morrer e eu tenho meus motivos pra agir como um imbecil de vez em quando. — Proferi. — Mas se serve de consolo, eu estou me sentindo um merda agora.

— Quem é “ ela” que Caleb se referiu? — Pra alguém que adorava guardar segredos, Erik era bastante curioso.

— Nossa mãe. — Contei a ele e balancei a cabeça.

Foi uma forma cruel de dizer que eu estou abandonando a família. Caleb nunca superou a partida dela. Na verdade, ele era o que mais parecia guardar rancor. É claro que ele tinha toda razão pra isso, mas... Ele não precisava exatamente ter dito aquilo pra mim, certo? Quer dizer, eu não estou fazendo nada realmente ruim! Eu só queria ajudar um garoto problemático a sair da depressão sem precisar morrer!

Eu merecia ser esculachado pelo meu irmão apenas por estar sendo altruísta e pensando no próximo? Alguém me explica essa lógica maldita?

Era por isso — E alguns outros motivos que incluíam a família do Erik enchendo a porra do meu saco o resto do fim de semana inteiro. — Que eu estava super mal-humorado na segunda feira de manhã.

Tudo bem que eu já estaria de mau humor só por ser segunda feira e eu ter que ir pro inferno da escola, mas como eu também tinha tido todo aquele fim de semana de merda, eu estava ainda mais. E pra completar, eu estava ouvindo as lamurias de Erik, que era outra coisinha que não estava com nenhum pouquinho de saco pra aturar.

— Blá blá blá você não pode blá blá blá matar aula blá blá blá problemas... — Era mais ou menos o que ele estava dizendo. E eu sei que tinha algo a ver com matar aula porque era exatamente isso que eu estava fazendo.

Bem, mas quem, no meu lugar, teria saco pra aguentar dois horários de trigonometria sem matar alguém?

Então eu estava sentado em uma das mesas do refeitório, já que ninguém iria ali àquela hora, pensando em alguma coisa relacionada a como fazer Caleb parar de agir como um cuzão pra cima de mim, enquanto fazia algum desenho idiota no caderno do Erik.

— Você tem que voltar pra sala de aula. — Alguém murmurou e deu um chute na minha cadeira. Nem precisei levantar o rosto pra ver quem era.

— Certo. — Eu disse, ainda rabiscando o caderno. — Eu volto pra lá quando o relógio marcar às “vai pro inferno” em ponto. Ok?

Isaac provavelmente bufou em desagrado e puxou o caderno das minhas mãos. Ele não fez nada com ele, apenas ficou segurando e esperando eu levantar a cabeça pra encará-lo. E foi o que eu fiz. Não que isso fosse uma boa ideia. Quer dizer, eu ainda estava deveras mal-humorado. Tão mal-humorado que queria muito poder ao menos dar um soco nele. Mas eu havia prometido ao Erik que não voltaria a bater em ninguém, a não ser que pedissem por tal coisa.

— Você não pode matar aula aqui. — Ele disse novamente. — Vão te dar uma anotação.

— Eu avisei... — Erik murmurou. Ah, então era sobre isso que ele falava?

— Estou comovido com a repentina preocupação. — Puxei o caderno de volta. — Agora vai procurar alguém que se importe e me deixa em paz.

— Eu estou pouco me ferrando pra você. — Ele fez questão de dizer. — Mas sou o presidente de classe e quem vai acabar tendo que resolver isso, sou eu. — Presidente de classe? Mas que merda de titulo é esse? Quem inventou essa droga?

— Isaac... Apenas escute este som. — Bati a caneta de leve na mesa e isso fez ele me encarar. — Escutou? Pois é... Sou eu, tocando o foda-se pra você. Agora, se entendeu a mensagem... Vaza daqui!

Tive a impressão de vê-lo sorrir. Mas não deu pra ver muito bem e, de qualquer forma, ele rapidamente me deu as costas. Ideia essa que eu achei excelente.

Ou pelo menos era o que eu achava até perceber que ela havia se sentado do meu lado.

— Eu sei o que há de errado com você. — Ele apontou simplesmente.

E eu tive que rir dessa. Sério. Tive mesmo. Quer dizer, ele sabia? Sabia mesmo? Uau, essa eu queria ver.

— Oh.. Mesmo? — Acabei falando com um tom divertido.

Os olhos de Isaac brilharam. Parecia que ele havia esperando o fim de semana inteiro só pra me dizer aquilo.

— Eu pesquisei sobre você na internet. — Ele disse isso e... E nada. Não falou mais nada.

Era isso? Ele andou stalkeando o Erik na internet? Ah, pelo amor de Deus! Era realmente só isso?

— Ah, por favor, Isaac! Me ame menos, ok? Você agora faz pesquisas sobre mim na internet? — Balancei a cabeça e voltei a desenhar.

— A sua letra não se parece com a dele. — Ele continuou, como se eu não tivesse dito nada. — Nem o jeito que você fala, age ou pensa. Nem mesmo o seu olhar parece com o dele. Você é outra pessoa.

Ele afirmava com tanta convicção que era realmente difícil contestar. E sabe, não é que eu queira admitir, mas Isaac era inteligente. Ou passava tempo de mais observando o Erik...

Aposto mais na última.

— Transtorno dissociativo de identidade. — Ele continuou. — Se encaixa perfeitamente no seu caso.

Olhei pra ele.

— E...?

— Erik sempre teve o dom de contar mentiras — Ele disse a mim. — Mentiras tão boladas que até ele mesmo acredita nelas. Não me admiraria que ele tivesse criado você como uma espécie de fuga...

— Mas do que é que ele ta falando? — Erik esganiçou. Acho que ele estava achando aquele papo cientifico de Isaac tão idiota quanto eu.

— Erik não tem criatividade pra desenhar um sol com uma carinha no meio, Isaac. Quem dirá criar alguém como eu. — Falei e me virei completamente para ele. — Mas se você está sugerindo que eu não sou o Erik, ótimo. Você está certo nisso.

Eu já disse que estava sem saco? Pois é, eu estava. Então Isaac podia até jogar verde... Mas era eu quem ia colher maduro.

— Diego! — Erik gemeu. — O que você está fazendo?

Isaac me olhou com os olhos brilhando ainda mais. A satisfação era bem notável.

— Eu sabia! — Ele comemorou. — Não sou idiota pra não perceber que...

— Por outro lado você é um idiota por estar aqui, na minha frente, murmurando coisa sem sentindo sobre dupla personalidade. — Interrompi. — Eu não sou uma personalidade do Erik. Eu não sou um clone do Erik e eu não sou alguém ridiculamente parecido com o Erik. Eu sou o Erik. Pelo menos por fora.

Os olhos dele se estreitaram, como se ele ainda tentasse entender exatamente do que eu estava falando.

— O que você quer dizer?

— Quero dizer que eu sou um espirito que possuiu esse corpo. E agora ele é meu. — Contei simplesmente e fiquei observando o rosto de Isaac perder a cor.— Fui expulso do reino dos mortos porque eu era uma pessoa muito, mas muito cruel. Sabia?

Um fato sobre coisas sobrenaturais: Elas assustam. Sério, nem tente dizer ao contrário. Ninguém realmente quer ficar diante de um espirito. Por mais inúteis que nós sejamos.

— Pare com isso. — Erik me repreendeu. — Você está assustando ele.

E era essa a intenção!

— Mas o Erik...

— Ah, o Erik está bem. — Eu afirmei. — Eu não matei ele nem nada assim. E ele não faz muita questão desse corpo, de qualquer forma. E nem preciso comentar o motivo, certo? — Isaac continuava me encarando, completamente entorpecido. Acho que alguém não vai dormir muito bem durante a noite....— Olha, Isaac, acho que eu preciso te falar isso: Eu não sei que tipo de catástrofe lamentável vocês dois tiveram na vida, mas tente fazer um favor a si mesmo e... Supera logo essa merda, ok?— Era um bom conselho. Talvez um pouco rude e insensível. Mas era um bom conselho.

Me levantei, ainda de frente para Isaac. Não é como se eu tivesse algo a perder se eu brincasse só mais um pouco, certo?

— Ah, e talvez eu também deva mencionar que... — Me curvei até que seu rosto ficasse próximo, e sussurrei: — Erik descobriu que eu tenho uma pequena queda por você. Então, a não ser que seja pra me dar uma chance, não chegue mais perto de mim... Ou eu irei te atacar. — Tequei o ombro dele. — Passar bem.

Isaac recuou até quase cair da cadeira. Panaca medroso, era o que eu estava pensando. Não é como se eu fosse ataca-lo de verdade. Ou que gostasse dele.

— Mas o que foi isso que você fez? — Erik ainda estava vozeando pra mim. Algo me dizia que ele realmente não havia gostado muito. O que eu achei ainda melhor!

— Esse cara não encosta um dedo mais em você. — Garanti a ele. Eu estava com uma vontade enorme de rir. — Acho que eu o traumatizei a ponto dele querer trocar de calçada quando te ver...

E preciso confessar, aquilo melhorou o meu humor. Quer dizer, tortura psicológica tinha mais efeito que um soco. Eu tinha dom pra coisa e era mais divertido também. Talvez eu devesse me aperfeiçoar nisso...

Era exatamente nisso que eu estava pensando quando Isaac segurou meu ombro com força e me virou para ele. E juro que não percebi ele se aproximando. O rosto estava paralisado em uma expressão dura e ele parecia estar me chamando pra uma briga.

— O que... — Eu comecei a falar, ao mesmo tempo em que Isaac dizia:

— Muito bem. Então eu vou te dar uma chance... — E aí ele segurou a minha nunca.

E me beijou. Na boca. E de língua.

Notas finais
Uhhuu... Foi intenso, foi. Foi difícil, foi e o outro... Já ta pronto!! Graças a Deus, néh? Logo posto ele também. Mas me digam: O que acharam? Eu sei que tem gente que guarda rancor( odeia) do Isaac( Por que, gente ? huashuas) Mas destino é destino hashuashuas E Diego, hein? Como será que ficou após ter sido beijado por outro cara? Coitado... Tá jogando o pouco do que restava da sua " heterossexualidade" no lixo... Mas é disso que o povo gosta ♥ . Enfim... Ninguém quer ficar lendo os comentários da autora. Mas a autora que ler o de vocês ♥ Então, quem quiser mandar um bem lindo, fique a vontade ♥ Criticas, elogios, desabafos, tudo é válido! Agora, é melhor eu ir. ( To muito falante hoje.) Bye bye e beijinhos!!