Notas iniciais
E um dia se atreveu A olhar pro alto Tinha um céu mas não era azul No cansaço de tentar quis desistir Se é coragem eu não sei Tenta achar que não é assim tão mal Exercita a paciência Guarda os pulsos pro final Saída de emergência (Pulsos-Pitty) Oii, pessoas que provavelmente nem lembram de mim ♥ Tudo bom? Eu sei que ta todo mundo bem chateado pela minha demora, mas é que bateu uma bad esses tempos que ninguém tem ideia. Pensa em alguém que ta tendo um ano bem agitado? E olha que só estamos em abril e_e Aposto que muita gente vai pensar: "Mds, mulher! Você passa quase cinco meses em hiatos, e ainda trás um cap. dramático desses?"... Gente, drama é meu sobrenome kkk e esse cap. foi bem trabalhoso, hein? Aliás, a demora foi porque eu tive que reescreve-lo uma quinhentas vezes. Levem em consideração. AAAAh, e eu obrigada a todos que me mandaram um comentário, a fofa da Malu que me deu uma linda recomendação e a maravilhosa Diovana Santos que fez várias fanarts da fic ( que vou colocar cada uma no final dos capítulos.) ♥ ♥

Acho que meu pai nunca quis ter filhos.

Talvez o fato dele ser um dos maiores empresários imobiliários do país o influenciasse nesse tipo de pensamento. O trabalho dele é basicamente comprar e vender prédios em construção ou finalizados, e isso requer que ele esteja quase sempre viajando. Por isso criar laços não era muito conveniente.

Bem, mas isso não quer dizer que ele não tentava fazer seu dever como pai, de vez em quando. Ele tentava. Apesar de mostrar claramente que ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo.

—Eu não consigo entender. — Meu pai falava. — Eu pensei que... Achei que você estaria melhor depois de tudo. Qual é o problema dessa vez? Você quer mudar de escola novamente?

A minha resposta para a pergunta foi apenas um suspiro. Porque eu sequer sabia como falar sobre qualquer um dos meus problemas.

Havia mais de uma hora que eu estava sentado no escritório de Henry Bryan. E também havia mais uma hora que eu o observava tentar achar uma razão plausível para justificar meu “comportamento”. Embora não estivesse chegando nem perto. De qualquer forma, meu pai não parecia muito incomodado com meu silêncio. Imagino que aquele era um dos momentos em que ele queria simplesmente fingir não ter ouvido o que Felícia disse poucas horas atrás e simplesmente entrar no primeiro voo de volta a Berlim.

Mas em vez disso, ele se sentou ao meu lado.

—Seu cabelo está diferente. — Observou, passando a mão no emaranhado de fios. — E parece mais saudável de alguma forma. Não parece que você teve alguma recaída...

— Eu estou bem. — Acabei respondendo com uma voz esgotada. — Não me sinto doente e indisposto há um tempo.

Ele fez uma pausa me dando um riso forçado.

— E isso não é ótimo? Bem, este não é exatamente o corte de cabelo que eu teria escolhido, mas... Se você se sente bem é o que...

— Pergunte logo. — Eu o interrompi. — Estamos aqui há horas e nesse ritmo ficaremos toda a madrugada. Então... Apenas pergunte o que quer saber.

Ele me encarou seriamente, como há muito tempo eu não o via fazer. Não sei dizer que tipo de expetativa ele procurava em meu rosto. Mas seja o que for, não encontrou até o segundo em que perguntou:

— Por que tentou se matar de novo, Erik?

Teve muita ênfase no “ de novo”. Afinal, o que para Felícia podia ser a novidade do ano, para o meu pai era uma notícia velha. Uma impertinente notícia que ele tentava a todo custo fingir que não existia.

— Felícia quer me internar em uma clínica psiquiátrica. — Falei sem muita emoção. — Não que ela esteja muito preocupada com a minha saúde mental, caso queira saber. É apenas uma forma de se livrar de mim.

— Isso não tem nada a ver com o assunto. — Meu pai contrapôs, tentando ao máximo controlar a voz.

— De certa forma tem sim. — Sibilei. — Achei que seria interessante. Ela dar esse tipo de notícia, quero dizer. Pensei que seria melhor do que a ideia de me mandar para um hospital. Afinal, você ao menos sabe quem deixou o armário de remédios destrancado?

— Erik! — Meu pai me repreendeu. — Você ao menos está se escutando? Quando aquilo aconteceu da primeira vez, você me disse que tinha sido acidente. Eu confiei em você. Então por que você está agindo como...— Papai se deteve.

“Como um louco”, era o que ele ia dizer. Não precisava ser um gênio para saber isso.

Suspirei.

— Você não quer realmente uma resposta sobre isso, quer? — Perguntei com sinceridade. — Não me entenda mal. Apenas acho que isso é tão enfadonho para mim quanto pra você. E, de qualquer forma, podemos resolver isso depois. Está tarde e o senhor deveria descansar.

Ele me encarou por algum tempo. Provavelmente ponderando se realmente queria levar a aquela conversa adiante. E por um minuto, quase cheguei a acreditar que sim.

— Certo. — Disse por fim. — Você ficará bem até amanhã. Eu posso acreditar ao menos nisso, não é? — Era como se ele tivesse tentando convencer a si mesmo. Mostrei a ele um sorriso fraco e apenas concordei com a cabeça, antes de sair daquela sala.

Ao fechar a porta atrás de mim, soltei o ar com tanta força que pensei que meus pulmões sairiam pelo nariz.

Pra dizer a verdade, não pretendia ser rude. Não com meu pai e não naquele momento. Eu só o via poucas vezes durante o ano e era muito raro ele estar em casa, então eu realmente não pretendia parecer um rebelde sem causa. Mas eu definitivamente não estava disposto a manter aquela conversa com ele. E nem com ninguém, na verdade. Mas aparentemente, Diego achou que fazia parte de uma exceção, visto que assim que eu entrei em meu quarto e fechei a porta, ele já foi logo dizendo:

— Então... Este é o momento em que você me explica exatamente que inferno acabou de acontecer?

Ele, apesar de ser a personificação da inconveniência, não havia falado nada desde a desagradável conversa que tivemos. E não sei se se podemos chamar aquilo de privacidade, mas era isso que, imagino, ele estava querendo me dar.

Se fosse para palpitar, eu diria que Diego estava estranho. Quero dizer, mais do que o de costume. Olha, eu não sou tão idiota quanto pareço. Sei quando algo está errado com ele também. E não acreditava que Isaac tivesse realmente a ver com isso.

Pelo menos eu esperava que não.

— Não. — Respondi. — Este é o momento em que eu vou pra cama e tento me esquecer do desastre que os dias têm sido.

— Não me enrola, Erik. Eu não sou igual ao seu pai.— Ele ralhou.

— Não estou te enrolando. — De alguma forma minha voz saiu calma. — Apenas não quero falar sobre hoje...

— Não hoje. — Ele me cortou. — Sobre a primeira vez. Sobre a sua revolta com o mundo ou chame como quiser. Sobre o motivo de você agir assim até com o seu pai...

Joguei minha cabeça para trás bufando fortemente.

—Será que eu realmente precisarei tatuar na minha cara o quanto eu não estou a fim de explicar nada disso pra ninguém? — Indaguei alto. — É, eu tentei me matar. Três vezes. E todas deram catastroficamente erradas. Não é como se eu tivesse ganhado uma medalha por todo esse fracasso, então não tem nada pra me gabar. Satisfeito?

Ele fez uma pausa, provavelmente compartilhando do mesmo sentimento de incomodo que eu sentia ao falar sobre aquilo.

— Tá, que seja. — Falou simplesmente. — Pra falar a verdade, não ligo muito para suas... Quase mortes frustradas. — Ele retrucou com certo asco. — Apenas pare com isso! Pare de tentar morrer. Eu não quero morrer, Erik. E, honestamente, é frustrante ouvir você dizer que quer.

Fechei meus olhos e suspirei, me sentando na cama.

— O mundo é como um ringue, Diego. — Balbuciei com uma voz distante. — Mas ao contrário de você... Eu nunca aprendi a bater.

— Eu bato por você, então. — Ele falou de uma maneira engraçada e convencida. Imagino que ele não entendeu muito bem a colocação. — De qualquer forma, morrer não é uma opção, ou uma vantagem, aqui. Pode ser?

Isso, de alguma forma, me arrancou um sorriso sincero. O primeiro do dia, aliás.

Mas o problema era que eu podia fugir do meu pai. Podia até mesmo fugir de Diego. Só não podia fugir de mim mesmo. Talvez tenha sido por isso, e por todo aquela pressão que haviam me colocado durante todo o dia, que o sonho daquela noite não foi nenhum pouco agradável. Porque na realidade, não foi só um sonho.

Sonhei comigo aos treze anos de idade. Sentado em uma mesa de metal, no laboratório de biologia, balançando as minhas pernas. O lugar estava particularmente escuro e a pouca luz que entrava pela fresta de uma das janelas estava focada em mim. A aula daquele dia tinha sido sobre dissecação. O que basicamente queria dizer que teríamos que abrir algum bicho para depois estudá-lo.

Bem, não foi muito legal quando Isaac colou um adesivo com meu nome naquele maldito sapo. Muito menos quando o esfaqueou com o bisturi. Mas achei interessante como aquela lamina podia tirar facilmente uma vida.

Então achei que talvez fosse uma boa ideia tentar em mim.

Bem, era melhor do que continuar com aquilo, certo? Quero dizer, com as provocações de Isaac. Parecia realmente uma excelente ideia.

Por isso roubei o bisturi quando a aula acabou.

Deslizei a lamina afiada sobre a pele fina do meu pulso, de modo que uma dor aguda tomou conta de toda a região. Quando o sangue começou a fluir em boa quantidade, eu arquejei. Eu não sabia exatamente o que deveria fazer e só tinha ouvido falar daquilo uma vez. Achei que qualquer corte bastaria. Mas é claro, não bastou.

Quase três minutos depois o faxineiro da escola me encontrou. Tudo em seguida foi um borrão que eu realmente não consigo me lembrar...

Quando me perguntaram o que havia acontecido, eu estava envergonhado de mais para falar a verdade. Então menti dizendo que havia sido um acidente. Que eu simplesmente havia “achado” aquele bisturi e sem querer acabei me cortando. É claro que ninguém realmente acreditou naquilo, mas era melhor do que assumir os boatos de que um aluno havia tentado se matar dentro da escola.

Depois disso, meu pai fez de tudo pra retirar aquela marca do meu pulso, de forma que ela é quase inexistente hoje em dia. E desde então, não me deixavam chegar muito perto de nada cortante, ou cordas ou medicamentos ou qualquer coisa que pudesse me influenciar a tentar aquilo novamente.

O problema é que, mesmo depois de tanto tempo, parecia que eu ainda podia sentir a dor afiada por todo meu corpo. Para apenas uma lembrança estupida aquilo ainda doía pra caramba, aliás.

Pelo menos era o que eu pensava até abrir os meus olhos.

Foi quando eu me dei conta de que eu não estava apenas “sonhando” com aquela dor. Eu estava verdadeiramente sentindo. Só que não estava vindo do pulso, como o esperado. Estava vindo de um lugar muito pior.

Desde que eu acabara me envolvendo no problema com Diego, já não era nenhuma novidade acordar em outros lugares ou fazendo alguma coisa completamente esquisita. Mas eu realmente não estava preparado pra aquilo. Principalmente porque minha mente ainda estava absorta nas minhas memorias, de modo que eu permaneci imóvel até me dar conta do que de fato acontecia ali.

Acho que deixei um grito sair da minha boca no momento em que uma agulha muito afiada resolveu passear por um dos lados da minha... Bem, bunda.

— Mas o que é que você está fazendo? — Gritei exasperado quando sai do meu torpor momentâneo, tentando me levantar daquela maca.

Um homem corpulento era o autor daquela obra. Ele levantou os olhos para mim e disse com a voz abafada pela máscara de higiene:

— Estou dando os últimos retoques. Agora fica quieto. Você estava aguentando numa boa as últimas horas, apenas continue assim. — E então pressionou meu quadril ainda mais contra a maca.

A única coisa que meu cérebro conseguiu pensar foi: “Últimos retoques de que? ”. Mas não precisava ter um QI muito alto para saber. Bastou dar uma olhada geral no local aonde eu estava. Eu só não queria acreditar.

Deixei outro grito sair, só que dessa vez de pura raiva:

— Que droga, Diego! Me diz que você não fez uma maldita tatuagem em mim!

Obviamente, eu estava falando com o meu desagradável companheiro corporal, porém como fisicamente só havia eu e o tatuador naquele lugar, o dito cujo achou que era com ele e puxou a máscara pra baixo, com uma grande carranca:

— O meu nome é Carlos! — Ele pareceu ofendido. — E se você continuar se mexendo assim essa coisa vai ficar uma merda...

Olhei irritadiço para ele com uma enorme vontade contar que eu não estava nem aí para o nome dele ou que ele estava fazendo. Mas acho que não seria uma boa ideia ofender um homem grande daqueles, principalmente quando ele controlava uma agulha gigante sobre o meu traseiro.

De qualquer forma, Diego não apareceu nem mesmo pra se defender. E se eu fosse ele, teria feito o mesmo. Fazia certo tempo em que algo conseguia me deixar tão zangado. Mas aquilo... É. Aquilo me tirou totalmente do sério. Eu queria poder ferver Diego dentro de um caldeirão de ácido, e acho que nem assim me sentiria melhor.

— Olha... Carlos... — Me apressei em dizer. — Não precisa retocar nada não. Na verdade não era nem pra ter começado isso e... Eu só quero sair. Ok? Só me deixa sair daqui! — Antes que eu tenha um ataque, era o que eu queria completar.

Eu estava praticamente implorando. Imagino que tenha sido tão comovente que ele apenas deu de ombros para mim e se afastou.

Descobri assim que levantei e olhei no espelho que eu tinha uma caveira mexicana gravada pra sempre — Ou pelo menos até eu descobrir como tirar aquela coisa do meu corpo de forma eficaz— no lado direto da minha bunda.

Aquilo era horrível.

Quer dizer, não a tatuagem. A pintura e si era bem bonita, pra falar a verdade. Com muitas cores e tudo mais. Não tinha como dizer o contrário. Era uma bela arte!

Desde que não estivesse tatuada na minha bunda, poxa!

— Quanto eu te devo? — Perguntei ao tatuador assim que terminei de me vestir, ainda pasmo com aquilo.

— Você já pagou. — Ele respondeu como seu fosse idiota. — Mas se quiser pagar de novo eu não vou achar ruim nem nada...

Dessa vez eu precisei ignora-lo para não ser grosso e abri a porta daquele estúdio furiosamente.

E, como se toda aquela situação não bastasse, Caleb estava bem do outro lado. Ele me notou ao menos tempo que eu o notei. A diferença foi que, enquanto eu franzia as sobrancelhas e dava ainda mais realce a minha cara emburrada, ele estava sorrindo. Confesso que esse foi um dos momentos em que eu não soube como reagir. Quero dizer, a minha bunda ainda estava doendo, eu estava de mal humor e nada em mim era convidativo para uma aproximação amigável, mas... Ainda assim ele estava sorrindo.

— Por que você está aqui? — Desentalei com uma voz mais ríspida do que eu queria.

Caleb veio em minha direção, como se estudasse cada ponto da minha expressão.

— Erik. — Ele apontou com diversão. — Meu irmão me ligou.

É claro que ligou...

— Tanto faz. Só.... Por que estamos aqui? Nesse... Nisso... Aqui! — Balbuciei . — Porque me trouxeram num maldito tatuador?

Caleb pareceu achar ainda mais graça no meu desespero.

— Primeiramente... Por que a gente não sai daqui? Vem, eu vou te pegar alguma coisa. — Ele passou o braço pelos meus ombros me guiando porta a fora.

Só que Caleb não especificou o que “pagar alguma coisa” poderia significar. De modo que quando descemos do taxi e olhei para o lugar onde estava, senti minhas pernas bambearem.

— Mas que tipo de lugar isso é?

— É o bar de um amigo meu. — Ele respondeu casualmente. — Aqui você pode ter o chilique que você quiser sem que alguém ache que você tem um parafuso a menos.

Não querendo ser rude, mas eu realmente não senti nenhuma vontade de conhecer o ciclo de amizades de Caleb.

Apesar de ainda ser dia, o lugar estava relativamente cheio. Só que o público que o frequentava não me parecia muito receptivo. O ambiente era tão estranho que faria uma cadeia de segurança máxima parecer a casa da Barbie.

Mas aparentemente, só eu notava isso.

Eu realmente precisava fazer uma nota mental de que a família de Diego, assim como ele próprio, não eram boa influência para ninguém.

— Ótimo. — Eu disse de forma depressiva. — Um estúdio de tatuagem e um bar. Até que ponto isso é um problema?

O lugar tinha um cheiro forte de álcool e tabaco. De longe uma das piores combinações que eu já vi.

— Então... O que você quer? — Caleb, que estava estranhamente simpático naquele dia, me perguntou.

— Hã... Qual a coisa mais fraca para se tomar aqui?

Ele pensou por um tempo.

— Água.

— Então pode ser isso mesmo. — Concordei com ele.

Eu estava em pé, ao lado de Caleb, no balcão. O motivo de eu estar pé era claramente a brilhante ideia de alguém de fazer uma tatuagem onde não deveria.

— O meu irmão não fez isso para te deixar zangado. — Caleb respondeu como se lesse meus pensamentos. — Acho que ele quis te dar um presente.

Bufei ainda mais indignado. Certo, se esse era o tipo de presente que Diego costumava dar às pessoas, ele estava oficialmente desconvidado pro natal.

— Belo presente! — Ironizei. — Foi realmente a coisa mais tocante que me deram. Literalmente.

Caleb balançou o copo em suas mãos, que eu não duvidaria muito que fosse de whisky.

— O que ele escolheu pra você?

— Uma caveira mexicana. — Suspirei ao lembrar. — É muito bonita, pra ser sincero. Só não queria que estivesse em mim.

Caleb me olhou e um “Q” de entendimento passou pelo seu rosto. Ele parecia perdido em pensamentos por alguns segundos, como se realmente compreendesse o motivo de eu ter acabado com uma caveira maquiada tatuada no traseiro.

— Ela está ligada a morte. — Diego contou alegremente logo em seguida. — Na verdade, tem muitos significados, mas é principalmente usada para homenagear aos mortos. E, antes que você comece a tacar pedras em mim, saiba que eu fiz isso com a melhor das intenções. E leve em consideração que quem aguentou a coisa toda fui eu.

Se a intenção era me tranquilizar, não deu certo.

— Você realmente achou que seria uma boa ideia tatuar uma coisa dessas em mim? — Ralhei indignado tentando controlar a voz. Mas, como Caleb havia dito, ninguém prestava muita atenção no que estava acontecendo.

— Para ser sincero, achei a ideia fantástica. — E pelo tom de voz, ele não estava brincando.

— Por que? — Minha voz saiu esganiçada, e isso fez Caleb acordar de seu transe.

— Porque morte me lembra de você. — Ele respondeu como se fosse obvio. — Digamos que é a minha forma poética de homenagear a todos os “Erik’s” que você matou.

— Mas eu ainda não estou morto! — Contestei.

— Mas não faz nenhuma questão realmente de estar vivo, não é? — Caleb falou de repente.

Voltei meus olhos para ele. Porque é realmente assustador quando alguém diz alto algo que nem a sua boca tem coragem de dizer.

— Essa é diferença entre você e o meu irmão. — Caleb continuou divagando. — Diego pode ter sido um imbecil que fazia muita merda. Mas ele realmente vivia a vida. Vivia tanto que conseguiu acabar com ela em segundos. — Tive a impressão de escutar sua voz embargar. — De qualquer forma... — ele olhou para mim. — Você deveria ir vê-lo. Meu irmão, quero dizer. Acho que isso poderia ajudar de alguma forma.

Senti como se um elefante acabasse de me atropelar. Não que eu já tenha sido atropelado por um elefante. Mas senti um baque tão forte que imaginei ser a mesma sensação. Nunca tinha me ocorrido de ir ver Diego. Não em carne e osso, pelo menos. Algo não me parecia certo. E imagino que Diego concordava comigo neste ponto.

— Acho melhor não...— Eu tentei. — Não sei se essa seria uma boa ideia...

Caleb levantou a sobrancelhas pra mim.

— Você tem uma melhor?

Não tinha, claro. Mas também não queria ir ao hospital. Na verdade, eu odiava hospitais. E de alguma forma esse lugar decadente sempre fez parte da minha vida.

Meus olhos encontraram os de Caleb involuntariamente, e confesso que estremeci ao ver tanta expectativa dentro deles. Era como se ele esperasse que o fato de eu encontrar o corpo de Diego fosse o suficiente para, sei lá, ressuscitá-lo. Mas, bem, não é como se eu fosse um xamã, um deus pagão nem uma criatura divina com poderes mágicos. Então realmente eu não conseguia entender porque ele estava me olhando daquela forma.

Algo se agitou no me estômago.

—Vamos fazer isso. — Diego murmurou, apesar de parecer desacreditado naquilo tanto quanto eu. — Não é como se eu quisesse ir também, mas...Como Caleb disse: Não há nenhuma ideia melhor, e um trauma a mais ou a menos não vai fazer muita diferença.

E de certa forma, eu era obrigado a concordar com Diego. Um trauma a mais não faria muita diferença. Até porque eu duvidava muito que uma simples visita ao hospital pudesse ser pior do que acordar com uma tatuagem na bunda.

Mas... Só pra constar....

Duvidei errado.

Notas finais
Oi de novo!! Gostaram do cap? Espero realmente que sim. E espero que me perdoem, mais uma vez, a demora. A vida do dia a dia não é fácil, mas a gente faz o que pode o/ Eu mudei a capa da fic, como vocês viram huashuas desculpa, sou péssima em edições, mas achei tão bonitinha que coloquei . Espero que tenham gostado dela tmb o/ Beijos e até próxima, seus lindos ♥