Notas iniciais
As semanas passam tão rápido... Quando eu vejo, já chegou fim de semana...

O primeiro funeral em que eu fui em toda minha vida era de uma pessoa não muito próxima de mim: Um amigo do meu pai. Morreu de câncer em um hospital após passar meses em um tratamento que não deu resultado.

Eu tinha aproximadamente cinco ou seis anos e ainda me lembro com exatidão da pele cinza e da aparência mórbida e fraca da pessoa dentro do caixão. Lembro das roupas pretas de todos que estavam em volta e do choro contido de algumas pessoas presentes. E me lembro dos lamentos e palavras como “ele era uma pessoa maravilhosa”, “ele está melhor aonde está” e “o mundo perdeu um grande homem.”.

Me perguntei sinceramente porque as pessoas se tornam tão boas depois que morrem.

Quando estamos vivos, parece que ninguém dá a mínima para as coisas boas que fazemos. Elas não querem saber se você ajuda uma instituição de caridade, se faz serviço voluntariado ou se simplesmente deixou uma gorjeta maior do que o esperado para o garçom. Nada disso importa, porque estão ocupados demais procurando a suas falhas. E é disso que elas irão falar.

Até você morrer, pelo menos.

Depois disso você se torna um ser humano maravilhoso. Uma grande perda. Um vazio no mundo. Alguém insubstituível. Que, no entanto, não dura uma semana até elas se esquecerem da pessoa maravilhosa que você foi —ou não— e procurar o outro ser vivo para poder apontar as falhas novamente.

Talvez esse seja o ciclo da vida ou talvez eu estivesse apenas pensando demais, mas queria saber se elas também me transformariam em uma pessoa boa depois que eu morresse.

— Paciente do sexo masculino. Jovem, Idade desconhecida. — Os médicos que empurraram a maca onde eu estava deitado gritaram com toda força quando entraram correndo no pronto socorro. — Afogamento. Provavelmente tentativa de autoextermínio. Pulso e batimentos cardíacos instáveis.

Antes de morrer, tive a sensação de recuperar brevemente a minha consciência quando eles resgataram meu corpo da água e passaram trinta minutos fazendo os procedimentos de ressuscitação até minhas costelas quase serem lesionadas. Eles dizem que isso não aconteceu, mas eu acredito que foi real. Foi real e tão breve quanto um piscar de olhos. Um segundo no máximo. O suficiente para ver as luzes vermelhas oscilantes da ambulância, o céu escuro e o rosto nervoso dos paramédicos em cima de mim, enquanto apertavam o balão de oxigênio e massageavam meu peito para fazer meu coração voltar a funcionar...

E tão fácil quanto dar o primeiro suspiro ao nascer, o último suspiro saiu naturalmente.

E então eu morri.

Simples assim.

Não sei por quanto tempo fiquei morto, por falar nisso. Talvez algum tempo entre uma hora e meia ou duas horas. Tempo o suficiente para que, após os quarenta e cinco minutos de tentativa de ressuscitação terem fracassado, o médico responsável começasse a olhar para o relógio para declarar o horário oficial do óbito. Tempo o suficiente para cobrirem minha cabeça com um lençol branco. Tempo suficiente para começarem a pensar em como colocar a causa da morte no meu atestado de óbito.

Não vi nenhuma luz. Não senti paz ou tranquilidade e também não senti uma sensação reconfortante. Na verdade, não vi ou senti nada. Ou pelo menos não me lembro de nada que aconteceu nesse tempo.

Porém meu coração voltou a bater em algum momento.

Eles disseram que foi pela pressão das massagens cardíacas. Disseram que a pressão fez meu peito se expandir e quando encerraram o protocolo de ressuscitação, essa mesma pressão foi o que deu impulso para o meu coração voltar a bater.

Por isso, em vez de me colocarem no carro funerário, eles me levaram para o hospital.

— Os pulmões dele estão entrando em falência. Ele precisa ser intubado imediatamente!

Preciso dizer que causei um pequeno alvoroço naquele dia. Em parte, porque morri... E em parte porque não fiquei morto. E já que não fiquei, eles precisaram fazer muitos procedimentos para consertar o que mais tinha sido lesionado. O coração ter voltado a bater era um milagre, mas não adiantaria nada se todo o resto estivesse danificado.

Eles coloram muitos tubos por todo meu corpo. Drenaram toda a água do meu pulmão e também colocaram aparelhos para respirar por mim. Foi um procedimento doloroso. Ou pelo menos eu imagino que deve ter sido, mas considerando que fiquei em coma pelas próximas duas semanas seguintes, não posso afirmar com muita certeza.

Ninguém achou que eu acordaria, por falar nisso. Na verdade, eles haviam chamado meu pai depois da primeira semana e falado que possivelmente seria um caso de morte cerebral. Porém, fazendo o que sempre faço de melhor, que no caso é decepcionar as pessoas, acabei acordando... E estava bem.

Quer dizer, não exatamente bem. Meus pulmões, que já eram problemáticos antes, tinham colapsado de vez. Eu ainda precisava respirar com ajuda dos aparelhos e ninguém tinha muita certeza se eu permaneceria vivo por muito tempo.

Mas eu havia sobrevivido e isso foi um pouco surpreendente para todo mundo. Incluindo eu mesmo.

Eu não sabia, mas eles tinham um nome para isso: eles chamaram o que aconteceu comigo de “Efeito Lazaro”. Sim, “Lazaro” como o cara da bíblia que Jesus ressuscitou depois de quatro dias de sepultamento. O que me fez imaginar que certamente eu estava em uma situação muito mais otimista do que a dele, considerando que pelo menos ninguém tinha me enterrado.

O efeito lazaro, como eles disseram, é quando um paciente consegue ressuscitar sozinho após a parada cardíaca e o processo de reanimação. Os médicos também falaram que isso é algo raro e o fato de estar tão frio foi, de fato, o que me ajudou. Acontece que quando o seu coração para de bater como no meu caso, o cérebro não morre imediatamente. Ele faz como um grande urso gordo no inverno: Começa um processo de hibernação, antes do seu corpo parar de vez e começar a apodrecer. Nesse caso, se conseguir resfriar o paciente para que a temperatura dele esteja abaixo dos 32 graus, então há uma possibilidade de que ele consiga voltar, já que isso ajuda o processo de hibernação do seu cérebro a durar um pouco mais. É como... Em vez de desligar completamente um computador, você apenas o colocasse em modo de suspensão.

— Você é um pequeno milagre, mocinho! — Era o que uma das enfermeiras que vinham para trocar o soro e me dar medicações dizia para mim. — Poucas pessoas nessa vida tem a chance que você teve.

Preciso dizer que ela era uma das poucas pessoas que não me olhavam torto. A maioria dos médicos e enfermeiras não gostavam muito de mim. E como poderiam? Eles eram pessoas que salvavam vidas. E, para eles, eu tinha tentando acabar com a minha. É obvio que eles não me achavam a pessoa mais sensacional do planeta.

— Erik sempre foi um bom menino. — Meu pai respondeu por mim, passando a mão pelos meus cabelos. — Apesar do que aconteceu, ele merecia mais uma chance...

Pela primeira vez fiquei feliz pelo destino ter pensado da mesma forma que meu pai. Queria poder dizer isso a ele, mas infelizmente, havia um tubo na minha garganta que me impedia de falar e, mesmo se eu quisesse, não era nada confortável. Acredite, eu tinha tentando.

Meu pai foi a primeira pessoa que eu vi quando acordei, por falar nisso. Com um olhar cansado e batido, como se não dormisse há dias. O rosto também mostrava uma expressão desgostosa que mostrava que não importa quantas vezes isso acontecesse, ele nunca entenderia como o único filho tinha chegado àquele ponto. Ele não conseguia entender como, de todas as coisas do mundo, eu conseguia ser única coisa que ele não era capaz de resolver com dinheiro.

E eu aposto que ele contou impacientemente os dias até que eu conseguisse melhorar para, enfim, poder me perguntar isso.

Foram exatamente 121 dias até esse momento acontecer. Um total de quatro meses internado no ala da pneumologia, tomando inúmeros coquetéis de medicação, tanto para manter meus pulmões funcionando quanto para não pegar uma infecção que possivelmente me levaria a morte. Meus rins e meu estomago já não suportavam mais.

Nesse tempo, eu havia perdido peso e meus cabelos haviam crescido novamente. Era como se, de repente, eu tivesse voltando para a vida que eu tinha antes de Diego aparecer. E, de certa forma, era exatamente isso que tinha acontecido.

Diego...

Não teve um único dia naqueles meses em que fiquei internando que não pensei sobre ele. Primeiro porque quando tentei falar com ele percebi que isso não era mais possível. E segundo que agora havia um vazio na minha alma, como se parte dela realmente tivesse ido embora junto dele, e isso era muito difícil de ignorar. Então depois pensei no quanto não deveria tá sendo fácil para ele também. Eu tinha apenas um pulmão problemático para resolver. Ele tinha muito mais coisas!

— Você está pronto para ir? — Meu pai colocou a cabeça para dentro do quarto, assim que terminei de trocar de roupa e arrumei as coisas.

— Sim... — Eu disse em voz baixa. — Podemos ir.

Meu pai havia me perguntado sobre o que realmente tinha acontecido naquela noite alguns dias antes de eu finalmente receber alta. Não só ele, psiquiatras e psicólogos também vieram. Mas eu não disse a verdade a nenhum deles. Apenas disse que fiz algo que deveria fazer.

Obviamente, não foi uma resposta satisfatória para eles e eu ganhei um encaminhamento para o tratamento psicológico e psiquiátrico.

— Talvez... Devêssemos nós mudar. — Ele disse, depois que guardamos tudo no porta malas e colocamos o sinto. — Quer dizer, eu sempre achei que deveríamos, mas estava esperando você se formar primeiro. Mas agora... Acho que seria bom se fosse comigo na próxima viajem. Assim você pode aprender um pouco sobre os negócios.

Desde o dia em que acordei até os dias atuais meu pai não gostava muito de me olhar nos olhos. E quando ele acidentalmente o fazia, era como se olhasse para uma grande bomba relógio que eu ele não sabia desarmar e que qualquer coisa errada poderia resultar em uma explosão.

A ideia da viajem não veio dele, por falar nisso. Foi orientação que a psicóloga deu a ele, sobre não me deixar sozinho e passar um tempo comigo. Na real, ele não dava a mínima sobre aprender ou não sobre os negócios.

— Hum. — Eu assenti. — Podemos pensar sobre isso depois. Primeiro quero ir a um lugar. Pode me levar até lá?

Meu pai mostrou uma expressão de choque. Não sei se pelo fato de eu ter concordado de ir com ele em viajem ou por ter pedido para me levar em algum lugar, considerando que eu geralmente não pedia nada a ele. Nem mesmo carona.

— Você quer ir a um lugar? — Meu pai repetiu como se para garantir que tinha escutado certo. E então assentiu freneticamente com a cabeça. — Certo! Certo, você passou muito tempo no hospital. É normal que queira sair um pouco antes de voltar para casa. Aonde gostaria de ir?

Então disse a ele o endereço que havia repetido na minha cabeça inúmeras vezes nos últimos meses, apenas para garantir que eu não esqueceria.

Meu pai não ficou feliz. Bem, quer dizer, ele estava um pouco empolgado em me levar para passear, como se eu fosse um poodle de estimação que ele acabou de recolher do petshop, então quando ele jogou o endereço no GPS, pareceu não se dar conta de nada. Mas toda essa alegria morreu completamente quando chegamos naquela velha rua desgastada do subúrbio.

— ...É aqui? — Ele perguntou confuso, olhando para o local como se estivéssemos estacionados em outro planeta. E para ele provavelmente era de fato outro planeta, já que ele não ia para nenhum lugar onde os sapatos de couro fino pudessem ao menos sentir o contato do pó.

A verdade sempre foi clara: meu pai era um homem rico e caro da cabeça aos pés.

— Sim, é aqui. — Respondi sem dar maiores explicações, abrindo a porta do carro e indo em direção aquela casa que agora me parecia tão familiar.

Meu estomago estava um pouco enjoado, minhas mãos estavam geladas e minha respiração descompassada. Não tinha como negar o quanto eu estava ansioso para isso. Por aquele momento.

No entanto...

Quando cheguei em frente ao mesmo portão que havia estado algumas vezes antes, um sentimento dormente cresceu dentro de mim. E foi como se tudo a minha volta começasse a não fazer sentido.

Era como se não fosse real o que eu estava vendo.

Quando tinha ido até ali na noite em que beijei Caleb pela primeira vez, eu me lembro muito bem de tudo. Cada detalhe. Até mesmo aquela maldito jardim que sempre me deixou curioso para saber que cuidava daquelas plantas.

Mas agora... Era uma casa abandonada. Todas aquelas plantas estavam secas e mortas. Havia poeira, e vidros quebrados do que antes eram as janelas. Não tinha como ninguém morar ali!

Foram apenas alguns meses... Como isso poderia ter ficado assim?

Pisquei por um tempo para ter certeza do que eu estava vendo.

Fiquei tão confuso e agoniado com aquela imagem, que até mesmo eu, a pessoa mais introvertida do mundo, não consegui me impedir de ir a casa de uma outra moradora que molhava tranquilamente suas plantas para perguntar o que tinha acontecido ali.

— Onde estão as pessoas daquela casa? — Minha voz tremeu um pouco quando eu perguntei a ela, apontando na direção em que eu tinha vindo.

A mulher de meia-idade olhou em direção aonde meu dedo mostrava, piscando um pouco confusa para minha pergunta.

— Ninguém mora ali. — Ela disse simplesmente, como se eu já não tivesse notado isso.

— Como ninguém mora ali? — Minha voz saiu urgente. — Uma família, um pai com seus dois filhos! Onde eles estão?

Ela me encarou por um tempo como se tentasse entender sobre o que eu estava falando, e só depois abriu a boca em forma de “ah” como se tivesse um entendimento ou uma lembrança clara sobre o assunto.

— Eles se foram há um tempo já. — Ela contou com um pesar. — Parece que algo aconteceu com o menino mais novo. E logo depois eles se mudaram.

Um calafrio, que nem mesmo aquela noite na ponte foi capaz de chegar até em mim, percorreu todo o meu corpo.

— Algo... Aconteceu? — Repeti as palavras dela, mas era como se a voz não fosse minha, porque eu mal conseguia processar o fato de que ainda conseguia falar.

Ela assentiu com força.

— Eles eram uma família estranha. E pelo que sei, o garoto era eu pequeno delinquente. — Ela contou. — Parece que sofreu um acidente. Ficou um tempo no hospital, mas não resistiu. Era um fim esperado pela vida louca que ele levava...

Não ouvi mais o que ela tinha a dizer. Não porque não queria, mas porque não consegui. Foi como se minha audição tivesse sido congelada apenas naquelas últimas palavras.

Não resistiu.

Não resistiu...

Não... Resistiu?

Por que diabos ele não resistiria? Eu havia resistido, então porque ele não resistiria? Tínhamos um acordo, então como ele poderia simplesmente ir embora assim?

Uma bola de histeria e raiva cresceu em meu peito sem que eu me desse conta. Minha visão embaçou e meu joelhos cederam e eu pude sentir meu corpo caindo no chão. Acho que alguém estava me perguntando se eu estava bem, mas eu não conseguia — Nem queria — escutar ou responder nada. Minha mente estava em outro lugar. Pensando com muita força.

O que foi tudo isso? Então para que diabos foi tudo isso? Não era esse o acordo? Se eu morresse ele poderia voltar? Eu morri! Então... Então...

Então nada.

Porque eu ainda estava vivo depois de tudo.

Morrer por algumas horas não era o suficiente. Nada foi o suficiente. Fomos apenas muito ingênuos de achar que poderíamos enganar algo tão grande quanto o destino apenas por nosso próprio capricho. E nada do que eu fiz importava agora. Porque era tarde demais...

Me dar conta de que era tarde demais talvez tenha sido o que me fez desmoronar.

— Erik... — Alguém estava sacudindo meus ombros com força. — O que há de errado? Erik? Erik!

A voz e a imagem borrada do meu pai entraram no meu campo de visão por alguns minutos, e eu pude sentir algo quente rolando pelas minhas bochechas.

— Eu fiz isso por ele, pai... — Minha voz saiu débil e estupida. — Fiz tudo isso por ele. Por nós dois. Porque queria... Porque queria que sobrevivêssemos...juntos. Porque queria que ficássemos bem. Isso não é justo. Não é justo!

— Do que você está falando? — Meu pai pareceu nervoso e preocupado. Tentando me fazer ficar de pé novamente. — De quem está falando?

— Eu aguentei todos esses meses porque queria vê-lo. — Eu não respondi ao meu pai, porque continuava devaneando. — Eu aguentei toda dor e desconforto, porque achei que poderia vê-lo de novo. Contei cada maldita noite naquele hospital para que pudesse vê-lo. E eu só queria... Salva-lo. Não foi um desejo egoísta. Não foi! Eu queria de verdade que ele ficasse bem! Queria que nós dois ficássemos bem! Então o que foi que eu fiz de errado? Agora... O que significou tudo isso? Para que foi tudo isso? Hein? Para o que eu fiz tudo isso, pai? E o que eu deveria fazer agora?

— Erik! — Meu pai gritou, me sacudindo pelos ombros com tanta força que senti meu pescoço chicotear para frente e para trás. — Volte aos seus sentidos! Sobre o que você está falando? Quem deveria ficar bem?

Meu pai segurou meu rosto catatônico tentando fazer minha cabeça firmar e minha visão conseguir enxerga-lo, mas não era algo que eu conseguia controlar. O sentimento era forte demais. Forte demais para eu conseguir lidar e forte demais para que eu conseguisse liberar de uma vez só.

Eu não sabia o que fazer!

Então o nome veio até mim como se fosse a única coisa que eu pudesse me agarrar:

— Caleb... — Acabei em voz alta, mas tão fraco que parece mais que estava sussurrando. — Caleb deve saber o que realmente houve...

Mas não fazia a menor ideia de como começar a procura-lo. Não sabia para onde tinha ido. Não tinha mais seu numero de telefone porque nunca decorei e meu celular tinha ido embora há muito tempo...

Eles não me deixaram nada.

Eles se foram e me deixaram completamente sem nada!

— Quem é Caleb, Erik? — Meu pai ainda estava me perguntando.

Tive a sensação de que ele me segurou no colo. Ou pelo menos foi essa a explicação que eu encontrei para, de alguma forma, meu pai conseguir levar meu corpo disfuncional até o carro.

— Caleb é o único que deve saber. — Eu disse ao meu pai, em um estado completamente alucinado. — Precisamos encontra-lo. Certo, papai? Você vai me ajudar? Nós precisamos! Certo?

Eu estava segurando a camisa do meu pai com tanta força que podia sentir o tecido machucando meus dedos. Ele, por outro lado não conseguia esconder a expressão de pavor ao olhar para mim. Como se nem mesmo me reconhecesse....

Depois de um tempo ele disse:

— Sim... Sim, Erik. — A voz dele parecia tremula e completamente desajustada para o tom. — O papai vai ajudar você. Você vai ficar bem, ok? O papai vai ajudar...

Depois disso, ele não me perguntou mais nada. E tenho certeza que balbuciei mais um monte de coisas estranhas e incoerentes por todo o caminho.

Como a coisa mais sensata a se fazer, meu pai me levou de volta para o hospital. E eu acabei sendo internando novamente no mesmo dia em que recebi alta.

Só que dessa vez, na ala psiquiátrica.

Notas finais
Descobri junto com o Erik nesse capitulo sobre o efeito lazaro. Meus personagens me ensinam coisas muito interessantes!