Mais cinco minutos, talvez?
24 Capitulo 24- Diego
Notas iniciais
Esqueça toda aquela merda sobre o apocalipse sendo anunciado com trombetas. Ele começa com uma ligação de celular.
Acontece que eu tinha passado o dia inteiro vegetando em cima da cama enquanto massageava meu estomago protuberante depois de ter comido muito além do que deveria na noite anterior. Bem, Erik havia dado permissão, então quem era eu para recusar, Não é? No entanto, exatamente as 16:46 da tarde, quase no final do dia, quando eu achei que era improvável alguma ocorrência acontecer e estava finalmente aproveitando meu momento de paz e satisfação depois de tanto tempo, uma musiquinha irritante começou a tocar do celular do Erik.
Eu, que estava me sentindo uma espécie de sucuri que comeu um boi e estava tentando digerir, rolei meu corpo para o lado para conseguir alcançar o aparelho e fiquei completamente em choque quando vi no visor quem estava ligando.
Bem, tenham em mente que o Erik nunca recebe muitas ligações. A maioria é cobrança para pessoas erradas ou a operadora enchendo o saco. Então, quando vi o nome de Isaac sendo exibido de maneira brilhante naquela tela, eu fiquei deveras chocado.
A ultima vez que eu tinha visto Isaac eu estava praticamente chutando a bunda dele para fora do meu quarto depois dele ter feito uma espécie de declaração para mim. Honestamente eu não queria falar com ele. Então virei o celular para baixo e voltei a massagear minha barriga redonda e branca como uma bola.
O celular tocou uma, duas, três... Na vigésima vez eu queria tacar aquela merda na parede.
Mas em vez disso eu atendi na força do ódio:
— Tá, o que é? — Eu respondi sem nenhuma cortesia.
Eu esperava no mínimo Isaac me falar que um meteoro do tamanho do Canada estava indo diretamente para minha casa e que eu precisava urgentemente sair de lá pra não morrer. Eu me recusava a acreditar que qualquer coisa em menor grau que isso era o suficiente para ele me ligar mais de vinte vezes seguidas.
No entanto...
— Desça. Eu estou na frente da sua casa. — Ele teve a audácia de ordenar.
— Desculpa, Isaac, caguei pra isso. Não vou descer, não. Tchau!— Falei brevemente e desliguei o celular.
Ele ligou de novo imediatamente.
Mesmo não querendo, me levantei da cama e olhei pela janela do quarto para a entrada da casa.
Eu pude ver o bastardo andando de um lado para o outro enquanto me ligava como se eu fosse o único idiota disponível para salvar a vida dele. Por outro lado, ele parecia nervoso e com passos desconexos mesmo apenas fazendo poucos movimentos. Na verdade, todo o comportamento dele não parecia certo.
O bom de ter amigos que vivem chapados é que você reconhece uma pessoa bêbada mesmo que a distância.
A questão era: Porque diabos Isaac estava bêbado na frente da minha casa àquela hora do dia?
Tentei pensar em alguma razão para isso, mas nada me ocorreu, de modo que quando ele ligou novamente, eu atendi.
A figura solitária do lado de fora parou de andar e pareceu suspirar de alivio.
— Por favor! — Foi o que a voz do outro lado disse imediatamente. — Eu só preciso falar com alguém...
A voz foi tão lamentável junto com o pedido de “por favor” que eu afastei o telefone da orelha e olhei para fora da janela para confirmar que eram a mesma pessoa.
Bem, ele não parecia estar querendo briga. E eu sabia que para pessoas arrogantes como Isaac, implorar pra me ver significava que certamente alguma merda muito grande tinha acontecido.
Ignorei o desconforto que ainda tava sentido e coloquei uma camiseta larga e um casaco pesado de lã. Eu parecia uma gravida de cinco meses andando quando desci as escadas apoiando as minhas costas e minha barriga pesada, mas era o que dava pra fazer.
Já tinha mais de 15 horas desde o jantar! Por que essa merda ainda não tinha sido digerida? Será que o estomago do Erik era tão inútil que demorava quase um dia para digerir apenas dezesseis pedaços de pizza?
Eu estava realmente pensando nisso quando abri o portão e dei de cara com a aparência de lixo humano que Isaac me exibia. Fiquei me perguntando se deveria voltar e pegar minha carteira pra dar uma esmola ou algo assim.
—Puta merda, você ta bem?— Foi só o que eu consegui perguntar.
Os olhos de Isaac estavam vermelhos e inchados, como se ele tivesse chorado o dia inteiro. Ele fedia a álcool e parecia tão abatido quanto um paciente terminal.
Quando ele me viu do lado de fora, diminuiu nossa distancia a passos largos e sem me responder e me apertou num forte abraço. Foi tão de repente que eu nem tive reação. Quando eu vi, já estava preso em um par de braços enormes. Isaac era alguns bons centímetros mais alto, de modo que ele precisou abaixar a cabeça para conseguir chegar à curva do meu pescoço. E então eu ouvi um lamento fraco vindo dele, enquanto sentia algo molhado e quente pingando no meu pescoço.
Foi quando eu percebi que esse cara estava me abraçando enquanto chorava lamentavelmente.
Bem, é isso. O fim do mundo estava acontecendo.
Dei algumas palmadinhas de consolo nas costas dele enquanto tentava olhar para o céu para ver ele se abrindo, os anjos descendo e o apocalipse começando... Mas com exceção das lagrimas quentes e dos barulhos de choro que Isaac fazia como um cachorro abandonado, tudo estava silencioso.
— Hum... — Eu disse depois de ficarmos assim por uns dez minutos. — Você quer entrar? Ou uma água ou sei lá?
Ainda sem me soltar ele balançou a cabeça negativamente.
— Me deixa ficar assim. Só por um momento... Por favor. — Ele disse fracamente de forma depressiva.
E eu deixei.
Que dizer, o cara tava chorando! Eu não queria deixar a coisa ainda pior ou ser muito cruel. Eu não tenho nenhuma vontade de sair por aí chutando cachorro morto, então é óbvio que eu não ia me aproveitar da fraqueza de Isaac para deixa-lo ainda mais um lixo.
Depois de um tempo, e das minhas pernas terem começado a adormecerem, ainda com Isaac grudado em mim como uma criança de cinco anos, eu consegui arrasta-lo até uma praça com bancos para poder nos sentar.
— Então, o que exatamente aconteceu com você? — Eu perguntei a ele, entregando alguns guardanapos que eu peguei da padaria da esquina. — Alguém te intimidou ou algo assim?
Isaac não era exatamente o tipo de pessoa que seria intimidada, mas ele tava tão lamentável que eu nem conseguia pensar em algo que poderia deixa-lo assim. Na verdade, eu estava quase adquirindo um trauma. Ele não chorou nem quando eu quebrei o nariz dele, então por que agora?
Ele me encarou por alguns segundos, fungando com uma aparência patética e totalmente diferente de como eu o conhecia.
— Se fosse o contrário... Eu nunca teria vindo por você. Na verdade, eu até acharia graça da sua cara. — Ele declarou.— Sabe disso, não é?
AAH filho da puta!
Não consegui conter minha cara de indignação.
— Você me babou e chorou no meu ombro igual um condenado e agora me vem com essa? Na boa Isaac, vai se foder, então!
Eu dei de ombros e me levantei, mas Isaac segurou a manga do meu casaco.
— Obrigado... — Ele falou, no entanto. — Por ser uma pessoa melhor do que eu. É só isso que eu queria dizer...
Me virei para ele que ainda estava agarrado em mim.
— De nada, Isaac. Me orgulho disso todos os dias! Agora pode me soltar?
Ele não levantou o olhar para me olhar, mas também não me soltou.
— Meu pai vai se casar de novo. — Ele soltou simplesmente.
E eu fiquei parado, esperando-o desenrolar o resto da história e de como ela terminaria com ele chorando em cima de mim. Mas nada mais saiu da boca dele.
— É por isso que você bebeu desse jeito e veio atrás de mim?
Ele assentiu.
— Eu não sabia mais quem procurar.
— Você não tem um moooonte de amigos, seguidores, lacaios ou minions... Sei lá, como você chama aquele povo que te trata como um deus? — Questionei. Não de maneira debochada ou algo assim, mas porque eu realmente estava curioso. Não é possível que todo mundo estivesse ocupado e eu era a única pessoa disponível na face da terra.
Isaac deu um sorriso amargo e levantou o olhar para mim finalmente. Os olhos geralmente brilhantes de arrogância e sarcasmo estavam opacos e sem vida, e ele parecia realmente arrasado.
— É justamente por isso que eu não posso ir a nenhuma dessas pessoas agora.
Minhas sobrancelhas subiram quando eu finalmente entendi o ponto.
Isaac não podia, ou não queria, desfazer sua imagem perfeito diante dos outros. Mas não precisava de algo assim em relação ao Erik... Ou eu, no caso.
— Bem, então, o que você quer de mim? Seu pai vai se casar... Certamente eu não sou o noivo, então não sei porque vir me ver.
Ele suspirou.
— Você... Conhece... sabe do que aconteceu no passado, não sabe? Entre mim e o Erik? — Isaac perguntou cautelosamente.
Eu assenti sem mudar minha expressão.
— Erik foi um filho da puta e você é um babaca rancoroso e infantil. — Resumi.— Prossiga.
A expressão de Isaac era azeda e dolorida. Como se eu tivesse dado um soco nos países baixos dele sem dó nem piedade.
— Erik destruiu a minha família... — Ele reclamou para a pessoa errada.
— Não mesmo. — Eu apontei pra ele. — Seu pai destruiu a sua família. O Erik só anunciou isso pra todo mundo. Foi errado? Foi! Mas você generalizou a porra toda e jogou toda a responsabilidade para ele. Ou seja, você é um babaca, rancoroso, infantil e burro pra caralho, já que não sabe nem olhar para uma situação de forma justa.
Isaac abriu a boca, mas não soube o como rebater minhas palavras, visto que eu estava certo. Então ele apenas juntou as mãos e apertou os lábios.
Por fim ele optou por algo ridículo:
— Você não vai me consolar mesmo, não é?
— Você não quer consolo. Por isso me procurou. — Eu declarei. — Você quer alguém que escute você e te ajude a pensar. Não sei exatamente no que você quer que eu pensei junto com você, e é esse o motivo de eu ainda não ter realmente te deixado pateticamente sozinho.
Veja bem, não é que quisesse ser rude com ele quando ele claramente estava com a guarda totalmente baixa. Mas eu precisava que Isaac voltasse aos sentindo o mais rápido possível se ele realmente queria que eu ajudasse em alguma coisa. Ele estava triste, eu entendo. Mas não havia chegado ao ponto de me tornar tão santo para passar a mãos na cabeça dele e dar beijinhos em seu rosto como um filhotinho de gato fofo. Até porque tenho certeza que não era isso que Isaac precisava naquele momento.
Ele sorriu pra mim sem muito humor, mas pareceu concordar totalmente comigo.
— Você está certo. É por isso que eu vim ver você. — Ele assentiu. — Meu pai vai se casa depois de todos esses anos.
— Sim, você já disse isso. — Eu informei.
— Ele e a minha mãe estão separados há muitos anos, e nesse tempo ele teve incontáveis amantes... Mas agora, ele decidiu que quer se casar novamente. — Ele riu como se estivesse me contando uma piada divertida. — Ele até mandou um convite de casamento para minha mãe noite passada. Então ela se trancou no quarto e eu não consegui falar com ela o dia inteiro. Tentei visita-la, mas ela nem mesmo abriu a porta pra mim.
Hum... Certo, isso explica porque ele estava tão transtornado.
— A sua mãe nunca superou o divórcio?
De alguma forma, me lembrei do meu pai. Que mesmo depois de todos esses anos, nunca se relacionou com mais ninguém e bem lá no fundo parecia que ainda esperava pelo retorno da minha mãe...
Isaac balançou a cabeça.
— Ela nunca mais foi a mesma desde aquela época. Não que fosse uma mãe ruim, mas... É como se ele tivesse perdido o sentido da vida...
Olhei para Isaac enquanto ele me contava a lamentável história enquanto me perdia em meus próprios pensamentos.
A verdade é que Isaac odiava o próprio pai demais para pronunciar isso em voz alta, mas não podia fazer nada contra ele. Por outro lado, ele tinha que ver a mãe destruída sem poder ajudar. E eu nem precisava analisar muito profundamente para saber o quanto ele se sentia mal...
No fim do dia, Isaac se odiava mais do que poderia odiar qualquer outra pessoa. Até mesmo o Erik, que se tornou apenas um bode expiatório nisso tudo.
Ele acabou pagando todo o pato por uma família fodida...
— ...Mas o que me incomoda, é que ele sabia. — Isaac continuou, e eu voltei a prestar atenção. — Ele mandou a merda do convite porque queria machuca-la de propósito. Ele é um filho da puta sádico que gosta de machucar as pessoas!
Tal pai, tal filho... Eu pensei, mas não quis adicionar mais lenha ao fogo.
— Então o problema não é o casamento em si, mas o que ele fez com a sua mãe?
Isaac suspirou.
— Não sou tão infantil para me incomodar apenas com um casamento. — Ele se justificou. — Mas meu pai, ele parece que teve o cérebro cozido em uma panela de pressão. A mulher com quem ele vai se casar é uma vadia interesseira e todo mundo sabe disso. Ela não se importa nem com os próprios filhos, e também não me quer por perto...— Os olhos de Isaac estava vermelho quando ele me olhou. — No fim das contas, eu realmente nem tenho mais nenhuma casa para retornar...
Um arrepio subiu pela minha espinha ao ouvi-lo falar tão melancolicamente.
Isaac me puxou para um abraço de novo para poder voltar a esfregar seu ranho no casaco caro que eu estava usando.
Certo, Isaac é um bêbado carente. Eu anotei isso dentro da minha agenda mental para nunca me esquecer desse detalhe.
Por sorte já estava escurecendo e não havia muita gente para ver aquela cena...
Enquanto um cara de quase 1’80 se agarrava em mim como um bebe preguiça, meu celular começou a tocar novamente. Dessa vez eu tinha certeza de que não era Isaac, já que a criatura estava agora choramingando na minha frente.
Tentei usar minha mão livre para alcançar o celular no bolço do casaco, ainda com Isaac pendurado em mim igual uma espirito obsessor. Felizmente ou não, a pessoa que ligava também parecia bastante determinada a falar comigo, já que não parou mesmo depois de tanto tempo.
Por que de repente todo mundo resolveu ligar pra mim?, atendi o celular me fazendo essa pergunta.
— O que foi agora? — Eu tinha visto o nome no visor de modo que já sabia que coisa boa não era. — Não vai me dizer que eu to morrendo de novo, vai?
Caleb do outro lado da linha deu um suspiro como se ficasse aliviado por ser eu quem atendeu o telefone, e não o Erik.
— Diego, Você não vai acreditar no que aconteceu...— Ele anunciou.
Meu coração já nem palpitava mais ao ouvir essas palavras.
Olhei para Isaac ainda abraçado comigo mesmo depois de todo o esforço e também suspirei.
— Você ligou um pouco tarde; eu já não estou acreditando em muita coisa que está acontecendo hoje. Não sei se você ainda consegue me surpreender.
— É sério! — A voz dele estava baixa. Provavelmente havia mais pessoas por perto pra ele ta falando daquele jeito.
— Tá! Solta a bomba... — Eu já nem me incomodava em enlouquecer.
Caleb tomou folego como se dessa vez realmente não soubesse como me falar algo. O que me fez concluir que a parada era realmente séria pro meu irmão até lembrar de ter consideração...
— Diego... — Ele hesitou. — A mamãe está aqui... De volta! Aqui em casa!
Certo, isso talvez tenha me surpreendido o suficiente para que eu até mesmo tenha me esquecido que Isaac ainda estava me agarrando e me levantasse imediatamente.
— Como é que é? — Minha voz subiu alguns agudos. — Como? Por que agora? Essa mulher sumiu há quase uma década, de que buraco ela saiu?
— Ela veio procurar o papai. — Caleb explicou com a voz amarga. —Agora ela quer pedir o divórcio porque quer se casar novamente. Da pra acreditar nisso?
Franzi o cenho ao ouvir essas palavras. Tecnicamente falando, meu pais nunca se divorciaram legalmente, considerando que a minha mãe fugiu antes mesmo de sequer falar algo sobre isso. E até agora isso não pareceu fazer muita diferença para ela, então... Por que de repente...?
De repente me virei imediatamente para o bastardo choroso que ainda olhava para mim com olhos molhados de lagrimas parecendo confuso por eu ter me levantado de uma vez. E de repente um pensamento bizarro passou pela minha cabeça e que me assustou até a morte.
Nãao, não era possível. O mundo não era tão fodidamente pequeno assim, certo?
Por ora resolvi pensar assim.
— Sim, não dá pra acreditar! —falei mortificado a Caleb.— Ela... Ela sabe sobre o que aconteceu comigo?
— Eu tive que contar a ela. — Caleb disse. — Sendo sincero, ela pareceu triste. Mas então...
Eu escutei uma risada de escarnio vir do outro lado da linha, como se a coisa fosse tão ridícula que Caleb nem mesmo conseguisse repetir em voz alta.
— Então o quê, Caleb? fala, caralho!
— Ela quer transferir você para um hospital particular. — Ele disse. — Aparentemente ela arrumou algum homem cheio da grana e que esbanjar isso para gente. Ela disse que meu pai nunca teve condições realmente para nos criar e é por isso que você terminou desse jeito...Muito irônico vindo da mulher que nos deixou sem nem olhar pra trás!
Erro 404. Meu cérebro deu erro e parou de responder.
Olhei novamente para Isaac tentando me convencer de que o mundo realmente não podia ser tão filho da putamente pequeno assim!
Isso também não fazia o menor sentindo. Quer dizer, eu não conhecia o pai de Isaac pessoalmente, mas pelas descrições, ele não era alguém com quem ela se envolveria. Minha mãe sempre gostou de homens corpulentos, tatuados e que pilotavam motocicletas capazes de alcançar velocidade absurda... Ela era apaixonada pela loucura! Como ela acabou se interessando por um engravatado?
— Hum... Isa- Isaac...— Eu o chamei docemente. — Você... Por um acaso sabe o nome da mulher que vai se casar com o seu pai?
O bobão me encarou por um tempo como se não entendesse porque de repente eu estava fazendo aquela pergunta.
— Acho que... — Ele apertou os olhos tentando se lembrar... — Acho que Mariane. Ela é alguns anos mais jovem que meu pai, provavelmente tem trinta e sete ou trinta e oito anos....
Ao ouvir aquele nome familiar, a mão que ainda sustentava o celular enfraqueceu totalmente e o aparelho despencou diretamente para o chão.
Provavelmente estava quebrado. Mas naquele momento eu só conseguia pensar que sim! O mundo pode realmente ser fodidamente pequeno...
Ok, isso era um problema muito, muito grande!
Eu e Isaac estávamos prestes a nos tornar uma família. De forma que técnica e legalmente falando, ele seria meu segundo irmão mais velho e caralho.... Quem ia querer uma porra dessa?
— Como o seu pai conheceu essa mulher, pelo amor de Deus? — Eu perguntei enquanto agarrava o colarinho de Isaac.
Ele pareceu ainda mais confuso com meu repentino interesse naquela história. Mas graças a bebida, Isaac estava entorpecido o suficiente para negligenciar completamente meu toque o urgente e o olhar psicótico que eu provavelmente estava exibindo para ele.
— Eu não sei os detalhes.— Ele disse vagamente. — Há alguns anos ele a contratou como assistente ou sei lá... Então eles já estavam transando antes disso. Agora, de alguma forma ela o fez se casar com ela...
Minha mente ainda estava em choque, mas alguma coisa nas palavras dele me incomodou.
— Seu pai não é uma criança, Isaac. E tenho certeza de que ela não colocou uma arma na cabeça dele e obrigou a se casar!
Isaac me pareceu ofendido ao ouvir minhas palavras.
— Por que você está ficando do lado dessa mulher?
Ouvir isso fez com que a minha razão voltasse um pouco. Cobri meu rosto com as palmas das minhas mãos e tentei pensar novamente.
Sim, por que eu estava defendendo-a agora? Esse não era o ponto!
Então uma vontade absurda de rir brotou dentro de mim. Eu ri alto. Tão alto que Isaac quase pareceu recuperar a sobriedade para me olhar como se eu fosse completamente maluco.
Mas é que aquilo era tão malditamente engraçado!
Eu estava quase morrendo e a minha mãe desaparecida a décadas finalmente dava as caras. O motivo? Ela ia se casar com o pai do cara mais perturbado que eu tive contato nos últimos dias...
Será que a coisa toda podia ser mais engraçada?
— Hey, Isaac..— Eu o chamei entre as risadas. — Você aguenta beber mais um pouco?
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