Mais Uma Vez

25 Capítulo 24: O Passado


Notas iniciais
Obrigada a Cella, que tem me ajudado MUITO a deixar essa história mais coerente. Tenho uma beta linda s2
.
Poxa poxa, cadê todas as leitoras que me pediram tanto pra postar? Apareçam, moças! Eu volteeeei! :)

Capítulo 24: O Passado

Meu fim de semana correu tranquilo. Eu havia combinado de sair no sábado com Mary, a noiva para quem eu seria madrinha. Seu casamento com Garrett estava perto — eles subiriam o altar dentro de um mês -, e ela já tinha começado a fazer os ajustes nos vestidos das madrinhas. A procura do vestido ideal, apesar de cansativa, foi uma distração muito bem vinda à minha cabeça sobrecarregada de pensamentos confusos.

Sozinha em casa no domingo, pude colocar em dia algumas leituras, incluindo a pesquisa sobre as crises de pânico, como prometi a Edward.

Após algumas horas lendo sobre o assunto, eu fui capaz de ver que tudo o que ele me dizia era verídico. Não que eu tivesse duvidado, mas ler e conhecer tantos casos que se assemelhavam ao dele me dava mais segurança.

Entretanto, tudo aquilo só me deixava com um sentimento misto de curiosidade e ressentimento que eu não conseguia evitar. De fato, me sentia mais curiosa para saber os momentos cruciais na vida dele que eu havia perdido ou deixado passar. Porém era justamente o que me magoava. Ainda.

Eu tinha toda a intenção de abordar com ele minhas dúvidas a respeito disso, embora outra coisa me deixasse encucada no momento. Na minha mente, por Edward ter escondido tantas coisas de mim enquanto vivemos juntos, então havia grandes chances de que muitas de suas atitudes fossem, também, uma mera fachada.

Não consegui evitar. Eu fiquei me perguntando se, enquanto enfrentávamos a nossa crise silenciosa, cada vez que ele dizia que me amava era uma invenção. Algo para me deixar satisfeita, só da boca pra fora. Me perguntei se naqueles últimos meses seus sorrisos tinham mesmo um significado e seus carinhos tinham o mesmo afeto.

Era uma linha de pensamento mórbida e masoquista, pois doía sequer cogitar o passado como sendo uma grande mentira.

Mas eu tratei de centrar minha cabeça. Sabia que não adiantava nada ficar só enchendo minha mente de negatividade. Talvez se eu soubesse como ele sentia-se de fato naquela época ao meu lado, agora eu poderia ser capaz de me desvencilhar de vez desse passado que me fez tão feliz. O passado que era o meu veneno e antídoto, tudo no mesmo frasco.

Caso Edward me dissesse que ele havia fingido felicidade ao meu lado, nada iria mudar. Já estava feito, e esse só seria mais um item na conta de seus erros. Caso me dissesse o contrário, bom... Ao menos eu ficaria mais tranquilizada e poderia recordar aquele tempo com menos rancor.

Quando cheguei em casa na quarta-feira daquela semana, encontrei Claire no sofá assim que entrei pela porta da cozinha. Ela se levantou rapidamente e veio até a mim, me abraçando e beijando antes que eu pudesse terminar de tirar meu tailleur e bolsa.

- Meu Deus, mas que amor todo é esse? — respondi rindo e tentando retribuir aos afagos. Ela se afastou e me olhou com aqueles imensos olhos verde acinzentados.

Eu conhecia bem aquele olhar.

- Marie Claire, o que você aprontou?

- Nada, mãe! Poxa. — ela choramingou, pegando minha não e nos encaminhando para o sofá. — Vem cá, quero te contar um negócio.

Sentando-se, Claire começou a mexer nos dedos nervosamente. Respirou duas vezes antes de erguer os olhos para mim e falar de uma vez.

- Mãe, você lembra do Jacob... o irmão da Rachel, né? E eu falei que a gente tava saindo...

- Sim. — Eu franzi o cenho com uma pontada de receio por onde isso iria chegar.

- É, então... A gente... a gente tá namorando. — ela falou com cautela, testando minha reação.

Só que eu não me surpreendi. Lembrava muito bem de quando ela havia me contado sobre seu primeiro beijo e como estava quase namorando com esse menino. Seria apenas natural. Por isso mesmo, estranhei seu nervosismo ao me contar aquilo.

- Espere, você já tinha me dito que estavam quase namorando. Qual é a novidade?

- Quero dizer que agora estamos namorando firme. Há duas semanas.

- E por que não me contou antes?

- Ah, sei lá. Você estava tão tensa nessas últimas semanas...

Então minhas suspeitas de que havia alguma coisa acontecendo com minha filha estavam certas. Suspirei com o sentimento de falha que me atingiu.

- Isso é muito legal, filha. Fico feliz por você. — sorri tentando mostrar interesse.

- É, só que... tem mais.

Está bem, agora eu tinha começado a ficar preocupada.

- Mais?

- Ele quer vir aqui... Pra falar com você.

- Falar comigo?

- É, pra... pedir pra gente sair. Oficialmente. Ele quer me levar pra jantar essa semana.

- Só um jantar? — expirei. — Filha, ele não precisa vir até aqui pedir permissão pra isso.

- Não?

- Não, ué. Por incrível que pareça, eu confio no Jake. Ele é um bom rapaz, eu conheço a família dele há anos... Não vejo porquê.

Seus olhos piscaram duas vezes antes que ela se mexesse.

- Certo. — ela pareceu suspriar de alívio. — Já volto.

Assisti confusa enquanto Claire dava meia volta e saía pela porta da frente. Que diabos essa garota estava fazendo? Ela voltou dois minutos depois com um sorriso bobo no rosto.

- O que está acontecendo? — perguntei.

- Ah, bom, o Jake estava lá fora esperando na bicicleta. Eu mandei ele ficar lá enquanto você não chegava. Mas como você disse que não precisava entrar... Falei que ele podia ir embora.

- Clarie! Não acredito que você deixou o menino lá fora esse tempo todo. E como eu não o vi quando cheguei?

- Você entrou pela garagem, né. — ela deu de ombros, mas meu cerébro logo recordou-se de um fato que me fez entrar em modo de mãe superprotetora. Ah não.

- Filha, senta um instante. — pedi, e ela aquiesceu. — Por acaso... O Jake tem vindo aqui enquanto eu não estou em casa?

Eu sabia muito bem o que dois adolescentes eram capazes de fazer sozinhos numa casa. Meu único instinto era evitar que qualquer coisa fora do meu controle pudesse acontecer.

- Ah, algumas vezes ele me traz depois do ensaio da banda e eu convido pra ficar a tarde aqui me fazendo companhia. Estamos de férias, né. — ela deu de ombros, aparentemente sem compreender o que eu queria dizer. — Por quê?

- É só que... Eu não sei se é certo ele vir aqui quando eu não estiver.

- Do que está falando?

- Estou falando de vocês dois sozinhos sem supervisão. — suspirei. — Olha só, eu não posso proibir que ele venha, porque proibir é sempre pior, mas... Eu posso te pedir, por favor, que mantenha esses encontros quando eu estiver por perto?

- Mas mãe... — ela começou a protestar e então seu rosto se transformou para um tom de rosa intenso quando sua ficha caiu. — Ai, mãe! Não! Se você tá falando isso porque acha que a gente vai fazer... aquilo... Não, nada a ver! Eu só tenho quatorze anos, é muito cedo pra isso.

- Eu sei, meu amor, mas seu namorado tem quase dezoito. Você nem faz ideia de como é essa idade. Você acaba cedendo por pressão, e...

- Mãe, o Jacob me respeita. Pode ficar tranquila. E eu não estou nada pronta, nem mesmo pra ceder por pressão. Na verdade, estamos longe disso. Tudo o que a gente faz é conversar ou ver um filme ou jogar videogame. Não fazemos nada... sexual. — ela explicou suavemente, e eu enxerguei uma vulnerabilidade em sua expressão que era nova para mim.

Ela obviamente ainda era ingênua o bastante para não entender que sexo não era apenas a conjunção carnal, e sim uma série de experimentações anteriores entre duas pessoas. Os beijinhos inocentes daqui a pouco não seriam mais tão inocentes assim. E eu sentia a necessidade de alertá-la de alguma forma, mesmo que não pensasse que esse momento chegaria tão rápido.

- Tudo bem. Eu acredito em você. — afirmei. — Mas eu quero que você esteja preparada pra quando achar que for a hora certa. Você tem que ter em mente de que essas coisas simplesmente... acabam acontecendo. É inevitável num relacionamento, entende?

- Mãe, não tem nem três meses que eu beijei pela primeira vez. Posso te garantir que o processo aqui é lento.

- Ok. É claro que eu preferia que você esperasse bastante tempo. Pelo menos até ter maturidade suficiente, mas... Se você sentir que alguma coisa está perto de rolar... Me avise, ok? A gente vai tomar as precauções.

- Você quer dizer... a pílula?

- Se for o caso, sim. Vamos buscar as melhores opções.

Ela assentiu. Ficou ali em silêncio por mais alguns momentos, e foi impossível desvendar seus pensamentos.

- Quer falar mais alguma coisa? — eu perguntei.

- Hm... não. Por enquanto não. — respondeu mordendo o interior da bochecha. Eu me aproximei e envolvi seus ombros em um meio abraço.

- Hey. Não fica assustada não, tá?! Isso é normal. Coisas da vida que a gente tem que lidar quando cresce.

- Não consigo evitar, com esse papo. — ela quase sussurrou. — Na minha cabeça só os adultos fazem sexo. E agora eu... Ter a possibilidade de fazer isso é... Não estou pronta pra encarar essa responsabilidade.

- Que milagre a senhorita Quero-ter-16-anos agora está renegando a vida adulta?

- Sei lá, é estranho. Não tinha pensado nessas coisas antes. Eu só queria ter 16 anos e um carro.

Eu ri e beijei sua testa.

- Depois você traz ele aqui pra jantar. Posso conhecê-lo melhor.

Assentindo, ela encostou a cabeça no meu ombro e suspirou.

- Eu gosto muito dele. De verdade.

- Eu sei, estou vendo na sua cara. Veio toda boba lá de fora.

Ela soltou um gemido frustrado.

- Ai, será que virei uma daquelas garotas romantiquinhas melosas? — reclamou. — Que saco.

- Todo mundo fica assim quando se apaixona. Todo mundo...

Antes de dormir, Claire me fez prometer que eu não contaria nada a Edward sobre o namoro. Eu concordei, contanto que ela resolvesse contar em breve. Ela disse que precisava preparar o terreno, sejá lá o que isso significava.

Na quinta-feira, o meu dia começou diferente.

Era aniversário de Carmen, minha ex-chefe, e passamos a manhã comemorando em uma festa bastante ostensiva para uma redação de revista. Era um dos poucos, ou melhor, únicodia que a nossa querida editora abdicava algumas horas de trabalho para uma confraternização entre os funcionários. Sim, no seu aniversário. Chamá-la de egocêntrica seria pouco.

Por outro lado, nós fomos obrigados a trabalhar a mais durante a tarde, pois Carmen continuava sendo Carmen, e eu precisei ficar até às oito da noite na redação. Meus planos de encontrar Edward no Joe's tiveram que ser adiados para o dia seguinte, após eu ligar e confirmar com ele.

O problema todo da sexta-feira começou quando acordei e vi a tempestade negra se formando logo cedo.

Fui trabalhar xingando todas as gerações de quem havia inventado o sistema capitalista, e trabalhei sem energias o dia todo. Às seis em ponto, juntei minhas coisas e saí sem olhar para trás, pronta para meu fim de semana. Mas antes, eu tinha um encontro.

Estava no carro em direção ao Joe's Caffé quando meu celular tocou.

- Edward? — atendi.

- Oi, Bella. Olha, eu acabei de chegar aqui... O lugar está fechado. O que a gente faz?

- Fechado? Eu estou quase chegando.

- Tem uma placa aqui, diz que não abre às sextas. Que tipo de lugar em Nova York não abre às sextas?

- Ah, merda. Eu sei. Tinha esquecido disso. Tem alguma coisa a ver com a religião do dono... — falei, e o avistei quando virei a esquina, desligando o telefone. Assim que atravessei a avenida, porém, os primeiros pingos de chuva começaram a cair e em poucos segundos já chovia torrencialmente.

Parei na frente da marquise onde Edward se abrigava e abaixei o vidro.

- Entra aí. — chamei. Ele olhou por um momento, deliberando.

- Eu pego um taxi, não tem problema. — respondeu.

- Para de besteira, Edward. Vai ficar todo molhado aí. Entra logo.

Esperei enquanto ele corria até o carro e abria a porta, sentando no banco ao meu lado. Felizmente, não estava molhado o bastante para estragar o assento.

- Obrigado. — ele falou.

- Cadê o seu carro?

- Emprestei pra Tanya... O carro dela teve um problema, e como eu vou a pé para o trabalho...

- Entendi. — falei e suspirei, reparando que ainda estávamos parados na frente do café fechado. O silêncio estava pesado entre nós. Devia ser a primeira vez que ele entrava no meu carro, e por algum motivo meu cérebro resolveu tomar conhecimento disso.

- Então... Você quer ir pra outro lugar ou prefere desmarcar? — ele quebrou o silêncio.

- Não quero desmarcar. Vamos procurar algum restaurante.

Dei partida novamente e segui em direção aos restaurantes que eu já conhecia nas redondezas. O problema é que sair debaixo de chuva em Nova York, justamente na hora do rush, devia ser considerado uma loucura, pois o trânsito ficava insuportável. Nós perdemos pelo menos uma hora nas poucas ruas que consegui andar, e para fechar o combo furada, todos os cinco estabelecimentos que paramos estavam lotados. Aparentemente, todo mundo tinha sempre a mesma ideia de sair na sexta-feira para um happy hour.

- Mas que merda. — xinguei baixo ao pararmos em mais um semáforo vermelho. De canto de olho, senti Edward virar e me encarar.

- Posso dar uma sugestão? — falou.

- Qual? — virei, já irritada pelos planos terem dado errado mais uma vez.

- A gente pode ir pra minha casa. Eu sei que você não se sente confortável, mas... Ela está vazia.

Eu estava tão desconsertada que logo concordei, e dirigi para seu apartamento rezando para que eu não estivesse formando uma arapuca contra mim mesma. O propósito principal desses encontros consistia em uma oportuniadade para que Edward e eu pudéssemos conversar em um lugar neutro, para que pudéssemos nos encontrar no meio — e não que tivéssemos qualquer tipo de vantagem sobre o outro. Por isso eu havia insistido em nos encontrarmos no café.

E agora eu estava aqui. Sentada na mesa de seu apartamento pela primeira vez desde a nossa conversa decisiva em julho, quase dois meses atrás.

- Pois bem, qual é a pauta de hoje? — ele brincou, trazendo duas xícaras de chocolate quente para se juntar a mim.

Eu bufei, cansada.

- Quem dera que isso aqui fosse como a revista... Pelo menos lá eu tenho controle sobre as coisas.

- Eu gosto desse aspecto. Do fato de não termos controle aqui. Acho que é esse o momento pra gente falar tudo o que precisa ser dito mesmo. Já perdemos tempo demais deixando coisas não ditas ou falando meias verdades.

- Você tem razão. — falei e bebi um gole, aprovando o chocolate. — Está muito bom.

Ele sorriu.

- Faço o que posso.

- Você sempre foi um desastre na cozinha. — comentei, rindo com a lembrança que tive. — Lembro de quando te encontrei tentando cozinhar um ovo, mas esqueceu de colocar água.

- Ah, nem lembre disso. Eu não me orgulho, ok? — ele riu. — Tive que aprender a me virar sozinho. Hoje em dia eu faço algumas coisas.

- Duvido.

- Bom, eu consigo discar o número da pizzaria de olhos fechados. Não é o bastante?

Eu ri.

- Você tem é sorte de trabalhar em um hotel que tem uma cozinha tão boa. Claire jamais iria querer voltar aqui caso você não fornecesse comida boa de verdade.

- Bella, isso machuca. — ele fingiu mágoa colocando uma mão no peito. — E nem vem com lição de moral. Eu bem sei que você não é a melhor cozinheira do mundo também.

- Eu não tenho tempo de cozinhar, é outra história. Acho que eu cozinho razoavelmente bem. Tenho a habilidade que se adquire depois de ser mãe. A gente tem que achar qualquer forma de alimentar os filhos, não é?

Ele assentiu.

- Você fazia os melhores brownies, sabia? Eu adorava chegar em casa e beliscar um pouco de brownie com sorvete.

- Acho que Claire herdou de você essa loucura por doces. Culpa sua.

- Pelo menos não temos histórico de diabetes na família. — ele deu de ombros, sem um pingo de vergonha, rindo antes de tomar mais chocolate, e eu fiz o mesmo.

Era tão mais fácil ficar aqui apenas falando sobre amenidades e situações agradáveis do passado. Isso é, até me lembrar do simples fato de que eu não assava doces há anos. Isso dizia muita coisa sobre meus hábitos adquiridos após nossa separação.

- Eu parei de fazer brownies, eles começaram a dar errado. — suspirei. — Acho que fiquei tanto tempo sendo amarga que nenhum doce deu certo mais...

Edward me fitou por um segundo antes de desviar os olhos, parecendo não saber o que dizer. Não havia muitos argumentos contra a verdade, afinal.

- É, eu... Eu também nunca mais peguei no meu violão, sabe. — ele respondeu com a voz resignada. — Está ainda guardado na casa da minha mãe.

- Eu já caí no sono tantas vezes ouvindo aquele violão... — recordei, sacudindo a cabeça para me livrar do aperto na garganta que senti. Pela mudança do tom da nossa conversa, achei que seria o melhor momento para começar a questioná-lo sobre o que estava na minha cabeça essa semana. — Sabe, Edward, eu... Eu já te disse, tenho pensado tanto sobre o passado. Algumas memórias vem às vezes sem eu querer.

- Eu sei como é. Também tenho sentido isso mais forte do que nunca.

- Nós fomos muito felizes, não? Nós éramos felizes... de verdade? — falei, terminando em uma pergunta.

- Claro que sim, Bella. — respondeu suavemente. — Há alguma dúvida nisso?

- É só porque... Eu fico me perguntando se você foi mesmo feliz ao meu lado. Ao menos nos primeiros anos.

Ele me encarou com o semblante sério.

- Por que está questionando isso agora, Bella?

- O que eu quero dizer é... Você sofreu calado com tudo que passava com sua família e os seus problemas pessoais. Então eu não sei se em algum momento você passou também a sofrer com a nossa convivência, com tudo o que estávamos enfrentando juntos. Eu não tinha como saber. — minha voz soou mais triste do que eu pretendia. — Por isso eu tenho medo de que algum dia você tenha fingido estar feliz só pra me deixar contente e eu nunca reparei, como não reparei em muitas outras coisas.

Ele olhou diretamente nos meus olhos.

- Eu já te disse. Eu nunca fui tão feliz quanto nos momentos em que vivi ao seu lado. E eu jamais fingi, eu não teria sido capaz.

- Nem quando você me disse que aquela não era a vida que você desejava levar? — perguntei, me recordando da briga mais dura que já tivemos, e que me marcou tanto que eu ainda sabia de cor as suas palavras na discussão.

Ele sacudiu a cabeça.

- Eu me envergonho muito de ter falado isso, ainda mais pra você, que não merecia ouvir... Sim, eu estava muito insatisfeito com o rumo que tudo estava tomando, mas não tinha nada a ver com você. Era só a situação, tudo ao meu redor que me deixava infeliz. — falou, e eu vi um sorriso discreto e carinhoso surgir em seus lábios. — Na verdade, você e Claire eram sempre as melhores partes do meu dia, mesmo que eu não demonstrasse o bastante... Nos meus momentos mais obscuros, me dava uma pontada de felicidade saber que eu podia virar o rosto e ver nossa filha desenhando na mesa da cozinha com uma concentração adorável, enquanto você falava no telefone com uma amiga, rindo sobre besteiras da TV, brincando com seu cabelo e sendo jovem. Aquilo era meu porto seguro, meu verdadeiro lar.

A nostalgia da cena que havia se repetido inúmeras vezes me atingiu em cheio, e eu me esforcei para não derramar lágrimas. Eu sentia falta daquilo. Não havia como negar. Meu coração ardeu com a vontade de ter aquela familiaridade de volta. Mas como?

Me perguntei se talvez eu tivesse esperado tempo demais para agir. Talvez agora fosse tarde e eu nunca teria uma família como aquela novamente.

- Quer dizer que você ficava prestando atenção em todas as minhas conversas, é? — eu brinquei para despistar, secando um pouco meus olhos marejados.

- Não muito. Eu ficava satisfeito só em ouvir sua voz. Me acalmava.

- Eu acredito em você, então. Se minha voz te acalmava e não te irritava, mesmo depois de tantos anos... Só podia ser mesmo amor de verdade. — eu falei em tom de brincadeira, mas completamente honesta.

- Não precisa duvidar dos meus sentimentos, Bella. Eles sempre foram verdadeiros, mesmo nos momentos em que estiveram mais confusos. Eu prometo.

Assenti, experimentando dar uma chance ao que ele dizia. Sentia meu coração mais acalentado ao crer que as memórias felizes podiam continuar lá, reais, e que eu poderia relembrá-las sem qualquer dor. Ao menos era isso que eu esperava que acontecesse a partir de agora.

Respirei fundo em meio a um misto de nostalgia boa e tristeza. O sentimento agridoce não me incomodou, porém, pois eu sabia que era um grande passo. Ao menos dessa vez a saudade veio acompanhada de ternura, não de mágoa.

- Nós tínhamos mais problemas do que eu queria enxergar, e nós dois pisamos na bola muitas vezes, não? — Prossegui. — Faltou maturidade pra encarar os fatos.

- Faltou maturidade pra tantas coisas. — ele assentiu.

- Você acha que talvez... Talvez a rotina tenha acabado com o que tínhamos antes mesmo de você me abandonar? — eu joguei minha hipótese, para ver o que ele responderia. — Talvez a gente fosse terminar tudo de qualquer forma se você não tivesse partido. Mesmo sendo felizes...

Vi Edward ponderar por uns segundos até balançar a cabeça lentamente.

- Não. Eu não acharia uma hipótese tão absurda, caso eu não soubesse exatamente a forma como agi e o motivo. Acho que ficamos abalados pela rotina como todo casal, mas eu não diria que isso acabou com o casamento. A gente ainda podia dar um jeito, se tivéssemos tido a oportunidade de batalhar pela relação caso eu não tivesse... partido.

- Ou talvez não, Edward. Como você acha que a gente iria conseguir batalhar contra problemas que nem mesmo admitíamos ter?

- Eu não tenho uma resposta pra isso, só sei que... Eu faria o meu melhor. Posso te garantir.

- Posso te perguntar uma coisa?

Ele sorriu, a malícia brilhando em seus olhos.

- Posso te perguntar por que você ainda precisa me perguntar se pode me perguntar coisas?

Eu franzi o cenho por um momento tentando entender o que ele havia dito, e então eu ri para sua tentativa de me deixar tonta. Edward sempre vinha com o humor mais bobo possível... e eu sempre caía.

- Estou falando sério. — disse no que pareceu mais um choramingo, o que só o divertiu mais. Eu deixei ele ter seu momento, até que se recompôs.

- Claro que pode. Pergunte o que quiser.

- Você continua pondo toda a culpa em si mesmo? Sobre tudo o que aconteceu com a gente.

Todo o resquício de humor em sua feição se extinguiu.

- Você acha que continuo me culpando?

- Acho. Porque você acabou de dizer que não concorda com o que eu falei. A minha impressão é que você nunca se perdoou pela sua escolha errada, e nem conseguiu ainda superar isso.

Ele soltou um suspiro longo.

- Como vou superar uma dor tão grande que eu causei a vocês? Eu venho tentando todos esses anos, mas... é difícil.

- Me diga, Edward... Como você acha que eu posso te perdoar, se nem você se perdoou? Eu já disse que esses encontros estão servindo pra muita coisa, mas eu queria que principalmente servisse para acharmos alguma solução em comum. Alguma coisa que me faça aceitar o que você fez, e que nós possamos seguir em frente com as nossas vidas.

- Isso significa que você está tirando a culpa de mim?

Eu suspirei. — Eu não mais quero ficar achando culpados, porque eu já entendi que cada um tem sua parcela nisso. Você só pisou muito mais na bola do que eu.

Ele pausou e molhou os lábios. E enfim respondeu minha primeira pergunta.

- Bella, sim, eu já me perdoei. Tenho trabalho nisso esses anos todos na terapia... Mas não significa que eu consiga superar completamente o que eu fiz, ou que eu não viva com medo de errar novamente. Isso já faz parte do meu sistema, não posso evitar.

- Bom. Que bom que você se perdoa. — eu assenti. — Mas não acha que aliviaria um pouco o peso dos seus ombros se você reconhecesse que houve um momento em que paramos de funcionar como um casal saudável, e isso acabou nos prejudicando?

Ele pareceu completamente cético.

- Eu concordo que tivemos problemas, mas não muda nada. Eu pirei e caí fora. Parti seu coração dessa maneira, e não enquanto nós dois arruinávamos nossa relação.

- Você tem conversado com seu terapeuta sobre o que eu pedi?

- Sobre você... você também ter negligenciado meus problemas naquela época?

- Isso.

Ele assentiu, desviando o olhar.

- Sim, Bella. Estamos conversando. — respondeu quase mecanicamente.

- E então? — pressionei, mas ele ficou calado. — Me fala, Edward, por favor.

Ele apenas respondeu quando voltou seu olhar para mim. Aquele que eu já tinha visto várias vezes. Seu olhar perdido, como se lutasse contra uma corrente forte demais.

- Lá no início, quando comecei a terapia, Stefan tentou me mostrar esse lado. Nós tentamos. Só que você tem que entender que... Na minha mente isso não é justo com você. Eu não consigo te responsabilizar pelas minhas ações. Me parece mais prejudicial ainda. Assim como é complicado pra você aceitar e perdoar meus erros, pra mim é complicado simplesmente aceitar que os seus existiram.

Estiquei minha mão para tocar seu antebraço. Ele olhou para minha mão enquanto me ouvia.

- Me prometa que vai repensar isso. — pedi novamente com a voz macia. Estava pedindo aquilo para mim e para ele, pois eu não conseguia mais ver seu rosto atormentado quando tocávamos em certos pontos.

Ele assentiu a cabeça, e enfim falou o que eu gostaria de ouvir.

- Prometo que vou repensar. Prometo que vou me esforçar, Bella.

Sorri em agradecimento, apertando seu braço ligeiramente antes de voltar a pegar minha caneca.

- Obrigada. É só o melhor a fazer.

- Eu que te agradeço por estar tão empenhada. Significa muito pra mim.

- Eu só cheguei a um ponto que não tinha volta, Edward... Eu preciso disso. E tenho certeza que você também.

- É só que é tudo muito novo. — seu queixo abaixou, e de repente ele pareceu acanhado. — Eu tenho que me acostumar a ver um sorriso no seu rosto quando você olha pra mim, e não a carranca que você costumava fazer até pouco tempo atrás... E pretendo que seja assim sempre, a partir de agora.

Seu olhar demorou-se sobre o meu por alguns segundos, e embora eu não soubesse distinguir sua expressão, eu sabia que ele parecia feliz. Meu coração acelerou uma batida por razão nenhuma, e eu logo corrigi minha postura para espantar aquela sensação estranha.

Eu não respondi. Não saberia o que dizer, de qualquer forma.

Após o meu silêncio, Edward pediu licença para ir até o banheiro, me deixando sozinha na sala com meus pensamentos. O meu sistema de auto-análise que tinha me acostumado a fazer desde o início dessa nova fase da minha vida.

Então agora eu sabia e compreendia o processo de sua síndrome do pânico, o que havia sido o estopim para que ele me abandonasse. Agora eu compreendia que nosso sofrimento tinha muitas causas e não era apenas culpa dele. Ambos falhamos, afinal éramos apenas humanos. E tudo o que eu precisava era aceitar essas conclusões de corpo e alma.

Entretanto, ainda havia um sentimento estranho dentro de mim. Por que eu não conseguia ainda ficar satisfeita com todas as explicações que estava tendo sobre algo que sempre quis saber, mas relutei tanto contra? Faltava uma linha que uniria tudo. Agora eu só podia esperar essa linha aparecer.

Eu já podia sentir um orgulho de mim mesma por ter chegado tão longe. Com pequenos atos e atitudes eu começava a me sentir mais amadurecida a cada dia. A minha lição tinha sido aprendida, e eu tinha certeza que não seria capaz de cometer mais os mesmos erros. Nunca mais iria deixar de lado as pessoas ao meu redor que me amavam. Nunca mais deixaria a comunicação falhar. E principalmente, a lição fundamental — eu nunca mais iria me deixar ficar tão abalada pelos erros dos outros.

A vida era só minha e era só uma. E eu já começava a me sentir forte o bastante para vivê-la da forma como sempre mereci.

Me espreguicei na cadeira após terminar de tomar o chocolate na caneca. Era surreal ainda estar nesta sala, tendo esse tipo de conversa com Edward, de uma forma tão pacífica. Quando eu iria imaginar que nossas vidas tomariam esse rumo?

Ouvi o telefone tocando, me tirando das divagações. Edward veio correndo atendê-lo. Falou baixo, murmurando algumas palavras, e eu percebi que ele falava com a noiva. Quando desligou, veio direto para sentar em sua cadeira.

- Ela vem aqui? — perguntei. Ele me olhou com espanto, mas respondeu.

- Não... Ela queria entregar o carro, mas eu disse que tinha uma visita. Ela vem mais tarde.

- Uma visita. — bufei com uma risada debochada.

- É melhor assim. Se eu falasse que era você, Tanya iria começar a fazer perguntas.

- Edward, sei que não é da minha conta, mas... O que você está fazendo agora com sua noiva é uma canalhice enorme, sabe. — falei de uma vez aquilo que eu já tinha passado na minha cabeça tantas vezes, e não tinha coragem de dizer.

- Como assim? — ele perguntou confuso.

- Não entra na minha cabeça como você pôde dizer aquelas coisas pra mim sobre... sobre o que você ainda sente, e mesmo assim, ainda continuar com ela. Isso é tão mesquinho. Parece que você não aprendeu nada em toda sua vida.

Eu não havia esquecido do último trecho da carta que li naquele dia. Toda aquela história de que ele dormia com Tanya pensando em mim e ainda me amava era tão absurda que eu sequer permitia aceitar como verdade. Mas aparentemente era. Uma verdade doentia demais.

Seu suspiro soou triste e cansado.

- Você nunca entenderia...

- Tente. — o desafiei. — Me explique então. Por que você ainda continua com essa mulher se não a ama?

- Eu amo. Só não é... não é o maior amor do mundo. Ela não é a mulher da minha vida. Não posso evitar isso. O fato é que... Nós dois somos mesquinhos, não sou só eu. Nós dois nos beneficiamos dessa relação.

- O que isso significa? Você tem medo de perder seu emprego ou algo assim? E ela?

- Bella, por favor. Eu posso não ser totalmente equilibrado, mas acima de tudo sou um homem honesto. Eu jamais me envolveria com Tanya só para agradar o pai ou para conseguir subir na carreira. Não sou assim e nunca vou ser.

- Está bem, me desculpe. Mas então por quê, Edward? Por que não acabar de uma vez com uma relação que vocês dois sabem que não vai dar certo?

Ele hesitou em responder. Coçou a cabeça e jogou para dentro o restante do conteúdo em sua caneca. Limpou a boca com os dedos rapidamente, e só então voltou a me encarar para falar.

- Conheci Tanya em um momento muito sombrio da minha vida, e era a mesma ocasião para ela. Ela estava lá ao meu lado em um momento que me sentia sozinho e precisava de apoio... Tanya tem sido essa pessoa desde então. Sabe, eu nunca esqueço do dia a conheci. — ele sorriu, um pouco tristonho. — Um dia eu cheguei cedo demais no consultório de Stefan, e lá estava Tanya. Ela tinha só 21 anos. Era linda, aquele cabelo ruivo tão farto... Ela tinha uma energia tão pra cima, tão diferente da minha. E foi a primeira pessoa a me fazer sorrir depois de muito tempo... fazia meses e meses que eu não me sentia tão bem quanto me senti ao lado dela naqueles poucos minutos em que ficamos na sala de espera.

- Pelo jeito que você está falando nem parece que ela precisava estar num consultório de psicoterapia.

- É verdade. Eu mesmo me questionei quais seriam os motivos pra ela estar ali. Mas percebi aos poucos que seu jeito extrovertido era apenas uma casca. Quem olhasse de perto, via que seus olhos eram os de uma criancinha perdida e assustada. Uma parte de mim teve medo de que eu estivesse fazendo Claire sofrer como aquela jovem mulher parecia sofrer na vida… — ele expirou o ar, perdido nas lembranças. — Bom, nós nos tornamos amigos. Ano a ano, ela acompanhava o meu crescimento, me dava dicas com meu tratamento. Estava tentando encontrar uma resposta pra vida, e lá estava ela, sempre ao meu lado. Eu não acho que ela me entendia por completo, mas o importante era que eu havia achado alguém que se sentia tão perdido quanto eu, e que sabia me apoiar e me animar nos momentos certos. Tanya já estava há anos nessa batalha contra si própria.

- Ela... Ela tem algum vício? — perguntei com cautela. Edward assentiu.

- Tem. Ou teve… Anfetamina de remédios pra emagrecer, por um tempo, e outros antidepressivos. Volta e meia tem recaídas.

Oh. Isso explica muita coisa do seu comportamento.

- Eu jamais podia imaginar… Isso é péssimo. — falei com sinceridade.

- Eu sei. Eu também não imaginava. Pra mim ela era só mais uma pobre garota rica abandonada afetivamente pela família porque ela foi criada longe de casa por um pai ausente, órfã de mãe...

- Essas recaídas foram recentes?

- Não, já tem uns cinco anos desde a última. Tanya precisou ser internada na reabilitação. Foi um susto enorme, porque ela quase teve uma overdose. Mas foi assim que eu acabei conhecendo seu pai, Joaquin. E esse homem... Esse homem me deu a chance de ter tudo o que tenho hoje, Bella.

- Joaquin Denali é um homem muito bom. — assenti, lembrando-me do encontro que tive com o dono do Le Printemps. — Mas o que isso tem a ver com ele? Você já não disse não tem medo de perder o emprego?

- Você deve saber, ele está doente. — Edward explicou. — E ano passado, quando ele me promoveu… Eu entendi que ele estava me preparando. Ele nunca me disse nada, mas eu compreendi tudo. Ele queria que eu assumisse o seu lugar, tanto na empresa quanto na vida de Tanya. Ele confiou em mim como um protetor da sua filha. É por isso, Bella. Eu fiz uma promessa a Joaquin. Iria cuidar de Tanya pelo tempo que eu pudesse, como gratidão a tudo o que eles haviam feito por mim.

Aquilo soava trágico. Injusto com todos os envolvidos nessa história. Porém eu sentia uma indignação e nem sabia o motivo exato.

- Mas… Como você pôde ser capaz de noivar com essa mulher só por piedade, Edward?

- Não foi piedade. Eu noivei porque… porque achei que seria a coisa certa e natural a fazer. Tanya e eu parecíamos uma parceria duradoura e quase perfeita. Ela me faz rir, me deixa leve de novo quando o meu estresse e as crises tomam conta de mim. E eu… eu sei dar o suporte que ela necessita. Sou eu quem a faz não desistir de melhorar a cada dia, e ela já teve tanto progresso... Entenda minha lógica, Bella.

Levei uns instantes para digerir o que ele dizia, suas palavras formando um turbilhão confuso dentro de mim. Edward tinha motivos racionais e leais para continuar noivo, e fazia sentido. Entranto, a situação continuava ridícula. Simplesmente absurda.

- Isso tudo é muito bonito na teoria, muito gentil da sua parte. Mas pra mim só parece que você... Que você está encurralado. Não sei como consegue dormir direito sabendo que continua vivendo uma mentira.

- Bella, eu disse que você não entenderia. Tanya me faz feliz, de uma forma ou de outra. Eu não posso ter quem meu coração manda de verdade, então... — ele gesticulou as mãos, deixando de falar o que quer que iria falar, e mudou de assunto. — Eu só não quero cometer o mesmo erro. Terminar com Tanya a essa altura significaria magoá-la imensamente, e não posso conviver com mais essa culpa de novo. Não posso.

Edward parecia completamente desamparado. Eu vi em seu olhar. E não pude deixar de sentir pena, sabendo que havia pouco que eu podia fazer para ajudá-lo. Ou melhor, pouco que eu podia fazer sem me queimar no caminho.

Eu não era tola. Sabia, pelo menos desde aquela vez em sua festa, que ele estaria mais do que disposto a voltar a ter um relacionamento comigo caso eu permitisse e quisesse. Mas eu não conseguia pensar nisso sem correr o risco de ficar maluca, então simplesmente deixei o pensamento lá no fundo escuro do baú, trancafiado a mil chaves.

- Você nunca vai se livrar dela e ser feliz pensando assim, Edward. — concluí. — Está só trocando um erro por outro. Você tem potencial pra sair dessa relação e procurar alguém que você ame de verdade.

- E você se importa com a minha felicidade? — ele ficou mais defensivo.

- Eu me importo sim. Eu não te odeio, acho que já deixei isso bem claro. Não desejo seu mal...

Ele abriu a boca para argumentar comigo, porém fomos interrompidos pelo som inesperado da fechadura sendo rodada por uma chave do lado de fora. Meu coração disparou com o susto. A porta se abriu antes que eu pudesse me virar na cadeira, e Edward levantou-se rapidamente.

- Tanya? — sua voz profunda perguntou.

- Então ela é a sua visita, Edward? — ouvi suas palavras acusatórias e todos os pelos do meu corpo se eriçaram com a raiva. — Trocou o nosso encontro de novo pra ficar com essa mulher?

Virei-me e levantei para encará-la. Que mal educada essa doida.

- Anda, Edward. — ela pressionou. — Me explica o que vocês estavam fazendo aí!

Notas finais
N/A: No próximo capítulo as coisas vão começar a melhorar bastante. Não fujammm.
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Pra quem deixar review agora eu vou enviar um bom spoiler do capítulo 25. ;)
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Até semana que vem!
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Beijos!