Mais Uma Vez

19 Capítulo 18: Desmoronar


Notas iniciais
Obrigada a Cella_E_S por me betar e me fazer sofrer com as fofuras que ela escreve. Teve mais Abby gordita no outtake natalino que ela postou. Corre lá: http://www.fanfiction.net/s/7000681/1/A_beautiful_day
LEIAM A NOTA, POR FAVOR. É notícia boa ;)
Postarei o primeiro extra da fic amanhã, e estará numa história à parte lá no meu perfil chamada "Mais Uma Vez Extras", pra quem quiser conferir um pouco do passado de Bella, Edward e uma bebê Claire. Considerem isso um presente de Natal (atrasado) e um pedido de desculpas pela minha demora a postar esse capítulo.
Eu falei que esse capítulo seria revelador, né? Então, acho que eu menti... Ok, não menti, mas me confundi. Não é esse, e sim o(s) próximo(s). Não se decepcionem, caso não encontrem o que esperam. Essa situação que vocês verão agora precisa ocorrer nesse momento, e tudo tem um motivo certo para acontecer nessa história! O capítulo está um pouco pesado, embora nada de mal aconteça com Claire, Bella ou Edward. Mas vamos lá...

Capítulo 18: Desmoronar

Bella

Assim que abri meus olhos na sexta-feira, desejei fechá-los novamente e não voltar a abri-los por mais algumas horas. Minha coluna reclamava por ter dormido durante parte da noite sentada na cama de Claire, antes de ir para a minha própria cama quando o incômodo ficou grande demais. O dia que me esperava seria longo, e eu já estava apreensiva por tudo que tinha para acontecer. O sentimento de ansiedade na boca do meu estômago não era nada agradável.

Tomei um banho para elevar meu ânimo, mas pouco adiantou. O sonho que tinha me feito acordar ainda impressionava minha mente. Não era a primeira vez que eu tinha sonhos intensos com Edward, especialmente após me enfiar nessa situação tão emaranhada na qual nos encontrávamos agora. Quase nunca eram ruins; apenas angustiantes, outras vezes bonitos, como memórias boas. E esses eram os piores, pois acordar para essa realidade me fazia querer gritar até que tudo passasse.

Quando desci para tomar café, minha filha estava andando de um lado a outro na cozinha. O cheiro de bacon e ovos pairava no ar, e minha boca salivou como se eu não comesse há dias. Só então percebi que, de fato, desde o incidente com Edward eu não me alimentava direito. Nem me recordava de ter jantado ontem à noite. Creio que ter coisas demais a pensar criava esse efeito em mim.

- O que está fazendo? – indaguei chegando perto de Claire para beijá-la na testa.

- Café da manhã, oras. – me respondeu, como se fosse a coisa mais normal para ela.

- Está delirando de febre? Desde quando você cozinha algo além de batata frita?

- Não, é só que eu preciso estar bem disposta hoje, e muito bem alimentada. Além disso, eu quero fazer um agrado à Rose... — Claire deixou reticências no ar com aquela voz que me deixava em suspense.

- Agrado? Ela está doente?

- Ahn, bem... – ela pegou um prato e serviu o que tinha na frigideira antes de responder. — Olha, isso é pra ser um segredo, eu acho. Então não fala que fui eu que falei.

- Conta logo, Claire.

Minha filha mordeu o lábio em preocupação.

- É que ontem à noite, um pouco antes de você chegar, eu passei pelo quarto de hóspedes, e ouvi Rose chorando.

- Oh. – esbocei sentindo empatia, mas também curiosa.

- Pois é, e não era um choro tipo "ai, como Titanic é triste" não... Era um berreiro daqueles tipo "terminei com meu namorado, minha vida acabou".

- Coitada. – minha mão foi parar sobre o coração instintivamente. — E ela estava mesmo chorando por isso?

- Não sei, mãe. Eu não ouvi briga nenhuma por telefone, e até a manhã de ontem estava tudo bem entre ela e o Emmett... Enfim, é claro que depois eu bati na porta do quarto e perguntei se ela queria alguma coisa, mas tudo o que ela disse foi que ela queria sumir e se enfiou debaixo das cobertas. – Claire falou num tom conspiratório, e a essa altura nós já sentávamos à mesa para tratar de assuntos sérios.

- Céus. Isso parece grave. É dramático demais para Rose. – eu conhecia bem a minha sobrinha, e esse comportamento soava, no mínimo, estranho. A menina que Alice e Jasper haviam criado sempre foi tão decidida, independente e de bem com a vida. A última vez que eu havia visto Rosalie chorar, ela provavelmente ainda nem menstruava.

- Não é? E então, – continuou Claire. — ela me disse aquilo, mas mesmo assim eu entrei no quarto e tentei perguntar o que tinha de errado. Você sabe, Rose meio que é minha melhor amiga, depois de você e da Rachel, e sempre me conta tudo. Só que dessa vez ela estava muito estranha, e me pediu pra que eu a deixasse sozinha. Quer dizer, há uns meses eu venho notando isso. Ela está estranha mesmo.

- Filha, você tem ideia do que pode estar acontecendo?

- Não faco ideia, mãe. – falou tristonha. — Mas estou chateada com tudo isso. Não gosto de ver quem eu amo sofrendo.

Alisei seu rosto que parecia tenso de preocupação.

- Eu entendo, meu amor. Mas às vezes a gente tem que deixar que os outros nos procurem. Você foi lá falar com Rose, e ela não quis ajuda. Daqui a pouco talvez ela mude de ideia.

- É, pode ser. – ela deu de ombros. — Bom, mas como eu sou uma ótima prima e amiga, eu fiz questão de preparar esse café da manhã caprichado que você praticamente desdenhou. Estou pensando em levar pra Rose na cama, e ver se ela fica mais alegre. Me ajuda?

Fui pega de surpresa ao ouvir sua ideia inusitada, mas generosa, e sorri, assentindo cheia de orgulho.

- Argh! Que cheiro é esse? – Rosalie apareceu na porta da cozinha, de repente. Seu rosto belo estava visivelmente inchado e ela tinha enormes óculos escuros sobre os olhos, como se fosse enganar a alguém.

Ignorando o nariz franzido da prima, Claire abriu um grande sorriso para recepcioná-la.

- Bom dia pra você também, sua mal educada. Esse cheiro delicioso é o café da manhã que eu fiz pra gente. Pena que você levantou antes que eu pudesse levar na sua cama.

- Café da manhã? – resmungou Rosalie. Ela sentou-se vagarosamente na cadeira da bancada em frente a nós. — Eu... não sinto muita fome a essa hora.

- Mas você precisa se alimentar, e hoje o dia vai ser agitado. – minha filha retrucou, antes de empurrar para frente o prato que havia preparado. — Vai, coma antes que esfrie. Ah, e se estiver ruim apenas finja que gostou.

Rosalie ofereceu um sorriso tão duro que eu pude sentir o desconforto dela. Definitivamente algo estava errado com essa menina, e era difícil adivinhar o quê.

- Não prometo comer tudo... Mas obrigada por preparar. – falou antes de dar uma garfada, para alívio de Claire. Ela serviu a metade de um copo com o suco de laranja que estava sobre a bancada.

Sem perceber, eu e minha filha assistimos Rosalie em suspense por alguns instantes, esperando por sua reação.

- Que foi? – ela perguntou a nós. — Vocês não vão comer?

Eu sorri sem graça e me afastei da bancada para preparar o meu próprio café. – Claro que sim.

- Já estou comendo! – anunciou Claire.

Nós ficamos em silêncio, então, apenas nos entreolhando vez ou outra. Rose parecia inquieta em seu lugar, e suspirava a todo momento, como se estar aqui fosse um grande sacrifício para ela. Em certo ponto, minha filha puxou papo, falando sobre como ela passaria o dia ensaiando para o grande show que fariam no jogo de encerramento do ano letivo, além de me lembrar de levar câmeras para filmar e fotografar tanto a sua banda, quanto a última apresentação de Rose como líder de torcida.

Quando terminei de comer, Claire também já se levantava para lavar seu prato, e pegou o meu. O de Rose, porém, estava quase intacto.

- Você não comeu nada. – falei, e notei que ela se encolheu em seu assento.

- Eu já disse que não sinto fome pela manhã.

- Tem certeza?

- Sim. – seu rosto abaixou-se e ela se levantou rapidamente. — Com licença, vou terminar de me aprontar.

Ela parecia querer fugir, mas eu fui atrás antes que subisse as escadas. Num impulso, segurei sua mão com firmeza.

- Rosalie, posso conversar com você?

- Agora não, tia. Eu quero me arrumar logo.

- Vai ser rápido. Só queria saber o que você tem. Está com algum problema? – inquiri em tom sério.

- Como o que eu tenho? Não tenho nada. – disse enquanto balançava o braço para escapar. — Bella, me solte, por favor? Tenho que tomar banho.

- Só se você me disser o que tem de errado. Quase não tocou na comida, e está aí andando em sobressaltos. E por que está de óculos escuros dentro de casa? – tentei extrair qualquer resposta que fosse.

Ela bufou.

- Porque estou com olheiras enormes e cansada. Pronto, já pode me soltar.

E eu a soltei, afinal ela já não era nenhuma criança teimosa, apesar de estar se portando como uma.

- Pode ir. Mas se você estiver com qualquer problema, me procure. – pedi com mais suavidade. — Eu posso ser uma amiga, ok?

- Eu sei. Obrigada. – falou com um pequeno e curto sorriso antes de disparar para o andar de cima.

Suspirando, voltei para a cozinha. Se Claire tinha ouvido qualquer coisa, ela decidiu deixar de lado o assunto. Ao invés de mencionar Rose, eu a ajudei a secar e guardar a louça enquanto lhe contava sobre os planos para o feriado da Independência, em 4 de julho.

Por cair no domingo, e porque Jasper e Alice só voltariam à cidade no fim da próxima semana, nesse ano Carlisle e Esme haviam decidido não fazer nenhuma celebração em casa. O que era conveniente, já que, na semana passada, eu havia recebido uma ligação do meu pai convidando Claire e eu para passarmos o final de semana na casa dele em Poughkeepsie¹, a cidade interionana de 30 mil habitantes, onde ele morava atualmente.

O local era pacato, ficava a duas horas daqui, e nós visitávamos pelo menos uma vez por ano. Fazia alguns meses que eu não conversava direito com Charlie, e a perspectiva de poder vê-lo em breve me deixava contente. Além de tudo, o peso na consciência de deixá-lo viver sozinho às vezes me arrematava.

Há cinco anos, ele pedira transferência de seu posto de diretor da polícia do distrito do Harlem, e hoje em dia meu pai dividia seu tempo entre treinar o time de beisebol infantil local e chefiar uma estação da polícia florestal de Poughkeepsie.

Eu gostaria muito que ele ainda morasse perto de nós, mas a verdade era que Charlie jamais havia sido um homem da cidade grande; sempre foi tão diferente dos seus colegas de trabalho, fugindo para o meio do mato assim que surgiam brechas. Depois de tantos anos trabalhando e vivenciando a criminalidade de Nova York, creio que fosse até saudável para ele se afastar e lidar com algo mais tranquilo, menos traumático do que a violência daqui. Mas a saudade era grande.

- Isso é ótimo! – expressou Claire ao ouvir a novidade. — Estou mesmo com saudades do vô Charlie. Mas... você podia ter dito isso antes, hein?

- Eu não disse antes porque esqueci. – falei sem entrar em detalhes. Minha semana havia sido confusa demais para que eu pensasse em algo além de seguir em frente sem enfraquecer depois de ler aquelas benditas cartas. Lutar internamente demandava um tempo e uma energia enormes.

- Mas porque isso? – indaguei. — Por acaso está com algum compromisso?

Minha filha enrubesceu como há muito eu não via.

- Bom... Mais ou menos...

- O que está tramando agora, mocinha?

- É que eu meio que já tinha combinado de passar o dia na casa do Jake.

- Oh. Na casa do Jake. – repeti suas palavras, evidenciando o fato de que não era mais a casa da Rachel. Isso estava parecendo mais sério do que eu imaginava.

- Sim, mãe. Eu ia mesmo falar com você sobre isso. O pai dele vai fazer um churrasco no quintal, e chamar uns vizinhos. E chamou nós duas também. – ela olhava para qualquer lugar, menos para mim.

- Hey. Por que está falando assim comigo?

- Assim como?

- Como se eu fosse da Inquisição Espanhola.

- Ai, mãe, é que... – Claire falou antes de expirar o ar e me encarar. — Jake está quase sendo meu namorado e essa seria nossa primeira saída juntos, como um casal de verdade. É importante.

Suprimi um sorriso.

- Uau. Namorado? Por que não me disse nada?

- Ah porque... ainda não é oficial, ok? Na verdade, acho que ele vai me pedir em namoro hoje depois da apresentação. Se ele não pedir, eu peço! – ela riu nervosa, e parecia a coisa mais fofa e preciosa do mundo. Eu não me contive, e a abracei.

- Meu bebê, quando foi que você ficou tão grande e cheia de hormônios? – brinquei e Claire riu tapeando de leve meu braço. Era uma brincadeira com fundo de verdade. Ser mãe de uma criança tinha ficado quasefácil depois dos primeiros cinco anos. Mas ter uma adolescente em casa? Ninguém nunca me preparou para isso. Eu não podia pensar muito na questão, senão enlouqueceria.

- Então... – falou ela depois de me empurrar para longe.

- Claire, me desculpe, mas dessa vez eu vou dizer não. Eu não quero deixar de ir a Poughkeepsie, e não posso te deixar sozinha aqui. Além do mais, lembre-se de quanto tempo nós não vemos seu avô?

- Mas mãe! – choramingou como eu sabia que iria fazer. — Eu quero muito, muito ver o vovô, mas eu também quero muito, muito passar o dia com Jake. Sabe de uma coisa? Porque você não o chama pra ir à casa dos Black também? Eu tenho certeza que ele se daria bem com o tio Billy.

- Está louca? Vou levar penetras pra festa alheia? Nem pensar. – eu disse para o seu bico exagerado. — Não seja dramática. Você vai ter o verão inteirinho pra sair com Jake. Nós viajaremos amanhã de manhã, está bem?

Ela bufou, se dando por vencida.

- Está bem. Mas e Rose?

- Ela escolhe se quer ir conosco ou se quer ficar na casa de Esme. – eu disse quando terminei de guardar todos os vestígios de café da manhã. — Agora vamos, arrume sua mala antes de ir para o ensaio. Você vai com Rose mais tarde, certo?

- Sim.

- Ok. – falei subindo as escadas em direção ao meu banheiro. — Não esqueça de levar nada!

- E nem você, hein! – berrou Claire lá de baixo.

Terminei de me arrumar rapidamente, e logo estava pronta para ir trabalhar.

Eu só não esperava que ao abrir a porta da rua, eu desse de cara com um homem alto e vestido de terno, praticamente debruçando-se sobre mim. Eu dei um grito e pulei para trás antes mesmo de reconhecer quem era.

- Meu Deus, Riley, eu juro que quase tive um enfarte agora!

Ele estava rindo.

– Me desculpe, Bella. Não foi minha intenção. Eu só estava indo tocar a campanhia.

- Percebi. Você quer entrar? Quer dizer, eu estava de saída, não sei se posso te atender agora.

- Na verdade, eu vim te buscar. Temos uma reunião importante hoje com o pessoal da editora, na sede. – ele disse, e talvez tenha notado meu rosto confuso. — Você... não sabia? Ou esqueceu?

- Não, eu não sab... Merda, é mesmo! – meu cérebro voltou a funcionar naquele momento, me lembrando da agenda do dia. Eu realmente havia esquecido por completo esse compromisso. Céus, eu estava mortapara o mundo nesses últimos dias, ou o quê? Imbecil.

- Eu entendo. Você tem muita coisa nessa cabecinha. – ele tentou aliviar a situação com humor. — Agora que já te lembrei, podemos ir? Ou vamos ficar mais cinco minutos parados como um dois de paus aqui nessa porta?

- Vamos. – falei, mas dei meia volta. — Não, espere. Preciso do meu caderno de anotações do nosso projeto. Já volto. Entre e sente-se, por favor.

Eu corri o máximo que meus sapatos permitiam, fazendo barulho pelas escadas. Busquei o caderno que estava jogado sobre minha mesa, e voltei para a sala me sentindo afobada e despenteada.

- Mãe! – gritou Claire ao me ver. Ela estava sentada ao lado de Riley do sofá, enquanto a postura corporal dele não deixava dúvidas de que minha filha esteve aporrinhando o coitado.

- Minha flor, eu estou com pressa e atrasada. Depois nos falamos. Venha, Riley.

- Não, espera! – ela me parou antes que eu escapasse. — Por que não convidou Riley para ir me ver tocar? Ele disse que adoraria. E você prometeu que ia convidar todos os seus amigos.

Eu não tinha falado nada daquilo. Essa menina estava, definitivamente, concatenando algo. Eu dei de ombros, entretanto, já que não tinha tempo a perder.

- Não chamei porque... ai, Claire, sei lá, porque não me lembrei. Riley, se você quiser, ela vai tocar com a banda, na festa de encerramento da escola. É depois do expediente.

- Sim, ele quer. – ela insistiu.

- Acho que não tenho escolhas, não é? – riu ele, levantando-se. — Nos vemos mais tarde, Claire.

- Isso! – disse minha filha, que então subiu saltitante para o quarto.

Eu sacudi a cabeça.

– Eu juro que essa garota é doida. Acho que a derrubei muitas vezes quando bebê.

Riley gargalhou e nós andamos com pressa para o seu carro. A reunião duraria toda a manhã, e talvez até a parte da tarde. Minha chefe também estaria presente, então era muito provável que eu não precisaria sequer ir à redação hoje.

- Está bem, agora pode me dizer o que foi que minha filha aprontou na minha curta ausência naquela hora. – falei a ele enquanto estávamos no meio do caminho. Riley sorriu de leve e balançou a cabeça.

- Nada. Quer dizer...

- Ah não, agora você vai dizer.

- Não foi nada demais. Ela só disse que queria alguém pra te fazer companhia mais tarde, e como ela marcou de sair com os amigos para comer uma pizza após o show, precisava de alguém que fizesse você largar do pé dela. Palavras de Claire, não minhas. – explicou rindo.

- Largar do pé? É isso que ela pensa de mim? – falei fingindo mágoa. — Estou quase chateada.

- Não fique mesmo. – falou Riley casualmente, embora avançasse um semáforo vermelho, me fazendo sentir frio na barriga. Não havia perigo nenhum, era uma rua deserta do bairro. Porém eu jamais avançava um sinal vermelho. Traços da filha de um ex-policial nova-iorquino.

- E por quê? – perguntei curiosa, passado o susto.

- Porque eu adoraria te levar pra jantar hoje à noite. Só nós dois, sem falar de trabalho. Sem compromisso também, só por irmos.

Engoli em seco ao ouvir aquilo, sem saber se era o que eu queria ou não. A ideia de um encontro era a última coisa que passava pela minha cabeça atualmente. Mas talvez espairecer a cabeça, e apenas estar com uma companhia diferente pudesse me fazer bem.

- Bom... Está bem. – falei com um suspiro que deixou minha boca ao mesmo tempo.

Riley abriu um sorriso brilhante para mim, e virou-se para dizer suavemente. – Eu prometo fazer por onde.

De repente, o frio na barriga que me atingiu não tinha absolutamente nada a ver com regras de trânsito sendo quebradas.

xxxx

Eram 6 da tarde quando conseguimos, enfim, entrar no ginásio do St. Patrick. A festividade estava para começar a qualquer momento, e o lugar ia enchendo de gente. Esme havia ligado para avisar que guardara um lugar para mim e meu convidado, e logo a avistei no fim da terceira fileira.

- Como vai, Bella? – perguntou me abraçando. Nós não nos víamos desde a última festa em sua casa.

- Estou bem.

- Tem certeza? – ela sussurrou no meu ouvido, e imediatamente uma onda de apreensão me atingiu. Eu não saí da casa dela de forma discreta naquele sábado, e com certeza Esme ficou sabendo que algo havia acontecido — se é que Alice não dissera nada. E caso ela me perguntasse o que houve, eu não saberia o que dizer; eu simplesmente não conseguia mentir para Esme. Mas desmoronar aqui e agora era o que eu menos queria.

- Sim. – respondi tentando não entregar nenhum sentimento. Ela apertou meu ombro gentilmente ao nos afastarmos, e sorriu solenemente antes de virar-se para Riley.

- Como vai, rapaz? Você é o Riley, não é isso?

- Sim. – ele sorriu e os dois se cumprimentaram com um aperto de mão. — Como vai?

- Estou animada. – respondeu ela, nos guiando a sentar em um dos quatro assentos livres. — Nós preparamos uma linda festa pra hoje.

Eu me sentei entre Esme e Riley, observando o amplo ginásio. – Está mesmo lindo. É uma pena que Jasper e Alice irão perder. Quer dizer, isso vai ficar na memória de Rose pra sempre. O baile de formatura será quando?

- No sábado que vem. Essas crianças estão quase explodindo de ansiedade, por todo canto dessa escola é a única coisa que eles falam. Mas é assim todo ano.

- Eu imagino. Você lembra que eu quase não fui à minha formatura? Acabei indo por pura pressão dos amigos. – recordei sentindo uma súbita nostalgia. — E só de pensar que daqui a pouco será a vez de Claire...

- É a vez de Claire? Já está na hora? Ela já tocou? – de repente uma voz resfolegada soou quando um Edward esbaforido materializou-se ao lado de Esme. Nós olhamos para ele com curiosidade. Eu não fazia ideia de que ele estaria aqui, já que sempre trabalhava até tarde.

- Edward! Você esteve correndo? – indagou Esme, em nome de todos os três. Ela se levantou para abraçar o filho, que ainda estava com o terno uniforme do Le Printemps.

- Sim. – falou e sentou-se do lado esquerdo dela, pegando fôlego. Eu havia pensado que seria um lugar guardado para Carlisle, mas já devia deduzir que ele não poderia vir. — Eu não perdi nada, perdi?

- Não, ainda não começou. – ela respondeu.

- Oi, Bella. – cumprimentou Edward, e eu retribuí. Ainda não conseguia olhar diretamente em seus olhos, então me desviei o quanto antes.

- Eu vejo que você trouxe um convidado. – ele continuou, e esticou-se para apertar a mão de Riley. — Como está, Riley?

- Muito bem, e você? – ele se inclinou do meu lado direito, e suas mãos encontraram-se quase sobre o meu colo. Eu não podia imaginar que seria tão estranho ver uma cena assim, e a simbologia do momento me deixou inquieta. Era como se eu estivesse fazendo algo de errado por ter Riley ao meu lado.

- Estou bem... e sedento, pra dizer a verdade. Onde eu posso comprar alguma coisa? – Edward perguntou para Esme. Ela apontou uma cantina na lateral esquerda.

- Ali. Me traga um Sprite grande, por favor. – falou e virou-se para Riley e eu, abrindo sua carteira. — Vocês dois querem algo?

- Não, obrigado. – ambos respondemos ao mesmo tempo. Nós rimos para a sincronia do momento, nos entreolhando. Quando voltei meu olhar para frente novamente, Edward estava em pé ali. Ele portava uma expressão estranha, daquele jeito intenso com que me olhava ultimamente.

- Eu volto já. – sibilou ele após alguns longos e desconfortáveis instantes.

Passados alguns minutos, senti Riley inclinar-se sutilmente sobre mim. Olhei para ele.

- Você não se importa que eu esteja aqui, se importa? – indagou.

Franzindo o cenho, perguntei.

– Como assim?

- Quer dizer, eu não quero me intrometer em um evento familiar. – falou parecendo realmente preocupado. — E... eu vi a forma como Edward nos olhou. Não quero te deixar em uma posição desconfortável com ele. Eu posso ir embora e te buscar depois.

Eu bufei um riso sem humor. – Não tem como você deixar nada mais desconfortável do que já é entre Edward e eu. Fique tranquilo, acho que ele só estranhou o fato de você aparecer aqui, só isso.

Riley assentiu a cabeça, e nós voltamos nossa atenção para o palco montado no centro do ginásio, felizmente virado de frente para nós, onde uma garota havia se posicionado com um microfone na mão.

- Alô? Isso está ligado? – disse a pequena morena. — Ah sim. Boa noite! É com muita honra que eu, como presidente do diretório estudantil, apresento a vocês o primeiro festival de bandas do Saint Patrick, com os maiores talentos dessa escola. E não saiam de seus lugares, pois logo mais teremos o encerramento dos jogos estudantis de 2010!

Com seu anúncio, todo o local rompeu em uivos, aplausos e gritos ansiosos para o que viria a seguir. A banda de Claire era a primeira a se apresentar, e eu a vi entrando e se posicionando no palco, junto de suas colegas.

- E agora... Rachel Black na guitarra, Claire Cullen na bateria, Rebecca Black no baixo, Leah Clearwater na guitarra e vocais, e Kim Connweller nos teclados e vocais... Com vocês, a Little Lost Girls!

Todos levantamos para recepcioná-las, e nosso grupo aplaudiu e gritou o nome de Claire. Eu já tinha a câmera de filmar a postos, assim como Esme segurava a sua de fotografar. Minha filha deu os quatro toques iniciais com sua baqueta e a música começou a rolar pela grande quadra.

Elas eram boas, mesmo para uma banda amadora de garagem. O que mais me deixava mais satisfeita porém, era a expressão de felicidade e contentamento de Claire enquanto tocava, com seu olhar de concentração. Ela estava ali para fazer o seu melhor — e conseguiu.

As garotas tocaram cinco músicas; duas próprias, terminando o pequeno show com um cover do The Who², levando a plateia ao delírio com um solo de guitarra arrasador no final feito por Leah. A garota era realmente talentosa, e se destacava por suas habilidades.

Assim que a música parou e as luzes se acenderam, a plateia ovacionou a banda, e eu me pus de pé para aplaudir com afinco. O assobio alto por perto me fez olhar para Edward, que tinha o maior sorriso no rosto. Ele captou meu olhar, provavelmente refletindo em sua expressão o mesmo orgulho que devia estar estampado em mim.

- Claire! – gritei pulando, me esquecendo dos saltos nos pés e qualquer dor que eu sentia, física ou emocional. Eu estava em êxtase pela minha filha.

Ela sorriu quando avistou nosso pequeno grupo, e balançou suas baquetas no ar em nossa direção. Eu acenei de volta e assoprei um beijo com a mão. Ela rolou os olhos, mas continuou rindo até sair do palco.

- Isso foi demais! – comentei ao voltar a sentar.

- Foi mesmo. – falou Riley. — Vocês têm uma filha muito talentosa. Parabéns.

- Graças a mim, que insisti em colocá-la numa aula de música. – Edward se vangloriou. Ele estava errado.

- O quê? Claro que não, fui eu que a matriculei na aula. Ela precisava de uma atividade extracurricular, e música era a melhor opção. – falei.

- Quem comprou a primeira bateria fui eu, portanto eu que incentivei. – Edward estava contando vantagem, e me deixando furiosa.

- Ah, mas você sempre precisa contar vantagem, não é? É tão típico.

- Eu? E você que acha que tem toda a responsabilidade sobre os melhores traços de Claire, mas quando é para falar dos defeitos dela, eu que tenho toda a culpa, claro.

- Eu não acredito que você vai voltar a esse assunto. Escute aqui, seu- – Antes que eu pudesse argumentar mais, Esme intercedeu.

- Crianças! – me interrompeu. Só então notei que ela parecia desconfortável no meio de nossa discussão, assim como Riley. — Edward, você presenteou a primeira bateria, e Bella, você a matriculou na primeira aula. Pronto, ambos têm participação no sucesso da filha de vocês. Agora, por favor, se comportem como adultos e aproveitem a ocasião, está bem?

- Certo. – murmurou Edward, sem jeito.

- Desculpe, Esme. – falei baixinho para ela, que apenas rolou os olhos. Eu me sentia envergonhada.

O silêncio que se abateu entre nós quatro foi suficiente para me fazer refletir sobre o que acabara de acontecer. Eu não conseguia aceitar que eu precisasse ser chamada a atenção por Esme, mas Edward me levava a fazer as coisas mais inacreditáveis.

Uma outra banda foi anunciada pela mesma aluna de antes, dragando minha atenção de volta ao palco. Diversas coisas passaram pela minha cabeça naqueles minutos que precederam. Toda a minha recente conexão com Edward e nossa conversa evasiva de ontem ainda estavam muito vivas na minha cabeça. Estar na presença dele nesse momento, mais do que nunca, era demasiadamente intenso. E o grande muro que nos separava continuava aqui, ainda sem desmoronar nenhum tijolo.

Mais duas bandas se apresentaram por outros trinta minutos, e no meio tempo eu lembrei de avisar a Edward os planos para o fim de semana.

- Eu e Claire vamos para Poughkeepsie, então ela não vai poder ficar com você essa semana.

Ele pareceu desapontado, mas assentiu a cabeça. – Como queira.

A última banda não era tão boa quanto as outras, e eu passei o tempo conversando com Riley sobre músicas que gostávamos, constatando que nosso gosto não era assim tão parecido. Apenas rimos das diferenças e deixamos de lado o assunto.

Os números musicais, enfim, terminaram, me dando a deixa para colocar novamente a postos a câmera de filmar. Após o palco ser desmontado, Rosalie entrou em cena com seu time de líderes de torcida, dessa vez levantando a plateia pra valer. Eu tinha certeza que Alice daria tudo para estar aqui, então me esforcei para documentar o último grande ato de sua filha pelo time da escola.

- Ela está linda! – gritei para Esme, em meio ao alvoroçoso do ginásio, apontado sua neta. De longe, Rose parecia uma modelo na passarela, e eu notei o quanto ela havia crescido nos últimos tempos. O corpo parecia de mulher; as pernas longas à mostra pela minissaia vermelha estavam torneadas e a blusa de manga comprida dava forma aos seus braços e seios. Já não era a garotinha magrela e alta de antes.

A música estava animada, e após a breve introdução, os garotos e garotas começaram seu show. As meninas giravam piruetas e saltavam, umas após as outras, no chão, antes de subirem nos ombros de dois moços, que as seguravam e em seguida as rodavam no ar com uma manobra. O público vibrava com cada cheerleader que pousava em um salto cravado no chão; a batida da música e as bandeiras brancas e vermelhas davam uma atmosfera de alegria jovem e leve.

As garotas mexiam com a plateia, faziam o grito de guerra para que entoássemos juntos e todos — incluindo eu e Riley — entramos na brincadeira.

Em certo momento, cinco rapazes começaram a formar uma fila, onde subiram quatro meninas em seus ombros. Já previa que seria assim até chegar na última garota, a líder de torcida capitã — o que significava que Rosalie estava prestes a aparecer no destaque a qualquer momento. Ao meu lado, vi Esme apontando sua câmera fotográfica semi-profissional, esperando pelo momento perfeito para captar toda a glória e beleza de sua neta bem no alto da pirâmide.

Enfim, o topo de sua cabeça aloirada surgiu por detrás da torre de pessoas, finalizando a expectativa que pairava no ar vindo do público. Por dois segundos ela sorriu brilhantemente com os braços esticados no ar e as mãos em punhos, seu corpo longilíneo formando uma terminação perfeita sobre os ombros de duas outras meninas. Mais alguns segundos se passaram até que ela apoiasse uma mão no braço estendido de uma das duas moças, para permitir que sua perna esquerda desenvolvesse para cima, até erguê-la próxima a seu ouvido. O público ovacionou a peripécia com muitos assobios e palmas.

Eu estava perdida em pensamentos sobre como esse movimento devia doer, quando algo aconteceu e eu vi o sorriso de Rosalie esmaecer. Tudo foi tão rápido que eu quase não tive tempo de registrar. Um grito estridente soou na quadra lotada, e meus olhos apenas captaram o que estava acontecendo quando a pirâmide de adolescentes cambaleou e desmoronou mais rapidamente do que eu julgava ser normal. Meu coração deu um salto no meu peito.

Ouvi mais gritos, além de uivos e alguns arquejos de choque da platéia, que se calava e erguia os pescoços para ver o que acontecia. Eu só percebi que Esme havia saído do meu lado quando vi sua jaqueta vermelha cruzando a quadra correndo em seus saltos, em direção às pessoas que haviam se amontoado ao redor do centro do local. Os garotos se levantavam aos poucos do chão, e eu dardeei meus olhos à procura de Rose.

- Merda! Eu não consigo vê-la! – bradou Edward. — Acho que vou até lá.

Ele saiu em disparada, e eu olhei para Riley sem saber o que fazer. Lembrei de desligar a câmera na minha mão, só pensando no fim trágico que o vídeo teria.

Eu estava preocupada, e o sentimento que tive pela manhã havia voltado com força total. Um pressentimento ruim, e meu coração estava apertado.

Rose ainda não havia se levantado. Ela era a única no chão, e isso me deixava ainda mais preocupada. Eu estava pronta para ir até o centro da quadra saber o que acontecia, quando um treinador chegou berrando qualquer coisa e carregando uma maca laranja entre a confusão de gente. Consegui apenas ver a ponta do rabo de cavalo da minha sobrinha na maca em que a colocaram deitada, antes que ela seguisse para a porta lateral do ginásio. Esme e Edward seguiram logo atrás, e embora eu não conseguisse ver suas feições, eu sentia que ambos estavam aflita.

A música ainda rolou por mais uns instantes, sendo interrompida bruscamente antes que a aluna apresentadora entrasse e pedisse uma salva de palmas para a apresentação dos cheerleaders da Saint Patrick. Ela anunciou que estavam todos bens e já estariam sendo tratados. Eu não sabia se ela falava a verdade sobre todos estarem bem, mas por dez minutos fiquei sentada ali, nervosa enquanto o burburinho da platéia reiniciava como se nada tivesse acontecido.

- Calma, Bella. Está tudo bem com sua sobrinha, eu tenho certeza. Não pareceu tão grave assim. – comentou Riley, alisando meu braço. Eu sorri fraco para ele.

- Eu sei, mas não consigo evitar. Ela caiu direto no chão, eu vi!

Já estava na terceira unha roída quando vi Esme e Edward saindo de onde eles haviam entrado e marchando em nossa direção.

- Meu Deus, Esme, o que houve? – inquiri enquanto ela pegava sua bolsa e se sentava. O que era estranho, já que caso acontecesse um incidente desse com Claire, a última coisa que eu faria era ficar longe.

- Os enfermeiros disseram que não foi nada grave. Ela se queixou de dor no quadril, onde foi mais forte o impacto da queda, mas garantiu que estava se sentindo melhor depois do remédio spray que aplicaram. – falou parecendo ainda preocupada e distanciada.

- E só isso? Não vão levar para tirar um raio-x? – perguntei indignada.

- Não, porque foi uma queda corriqueira. Ou pelo menos foi isso que tanto o treinador Clapp quanto Rose me afirmaram. Além de ela ter dito que ao cair sobre alguns rapazes a queda foi amortecida.

- Eu não sei, não, Esme... Por que não insistiu? Nunca é demais ter cuidados desse tipo.

Ela bufou e começou a procurar por algum número em seu celular, enquanto sacudia a cabeça ferozmente.

- Eles me expulsaram de lá. Rose dizendo que eu estava fazendo uma tempestade em copo d'água, além de estar "fazendo ela pagar mico", e o maldito Clapp insistindo que a partir dali apenas os enfermeiros teriam permissão para cuidarem dela. Quem eles pensam que são? Isso aqui não é hospital!

- Calma, mãe. – interferiu Edward. Ele acariciou suas costas tentando acalmá-la. — Vamos dar mais um tempo para eles avaliarem melhor. Se ela tiver algum tipo de luxação, com certeza irão te chamar e encaminhá-la pra um hospital de verdade.

Esme parecia mais nervosa ainda por não achar o que procurava, e suas mãos tremiam. Eu pus minha mão sobre seu ombro.

- Esme... eu sei que é chato ouvir isso, mas fique calma, por favor. Você está me deixando nervosa assim. O que você quer aí, posso tentar achar?

- Quero a porcaria do celular novo de Carlisle. Se ela precisar ir a um hospital, quero que seja o dele. – disse.

Eu peguei o celular de suas mãos, e achei o número que ela queria, entregando-o de volta. Esme saiu da arquibancada e desceu até um local menos barulhento enquanto andava de um lado a outro. Soltei o ar que estava entalado na garganta, de repente pensando se Claire havia visto tudo o que aconteceu. Ela devia estar em algum canto da escola, para não aparecer até agora.

O inesperado toque do meu celular dentro da bolsa me fez dar um pulo. Se fosse minha filha ligando, então ela havia ouvido meu chamado. Entretanto, senti meu cenho franzir ao ler o visor da ligação. A chamada vinha do número de Rose.

- Alô? – atendi prontamente.

- B-Bella… – sua voz miúda em meio a soluços incessantes fez meu corpo gelar. Havia ali algo de muito errado.

- Rosalie? Alô? O que houve?

- Bella, eu não sei o que… – disse com um soluço e aquela voz de súplica. — Tem alguma coisa… que aconteceu, mas só você…

- Rosalie, você precisa de uma ambulância, é isso? Você está ferida? Onde estão os enfermeiros, o seu técnico? – disparei perguntas com urgência enquanto me levantava da arquibancada. Eu lancei um olhar de seriedade para Edward, que também me observava, e ele me entendeu, vindo atrás de mim.

- Não, eles não. Vem. Por favor, tem alguma coisa… – suas palavras desconexas, enlaçadas de choro e medo apenas fizeram meu corpo reagir. Meu coração estava disparado. Sem que eu pensasse duas vezes, meus pés seguiam para a porta onde entrara a maca que a carregou.

- Rose, fale comigo, por favor.

Ultrapassei o corredor pequeno que levava até o vestiário feminino, o único local para onde o corredor se ramificava, e o soluço distante que ouvi e o grunhido de dor que ressoou tanto na minha orelha quanto na entrada do vestiário, me disseram que Rosalie estava ali. Eu me virei e estiquei uma mão, fazendo Edward parar.

- Fique aqui. – pronuncei sem som, e ele assentiu. Eu segui o barulho que ouvia. Coloquei o celular no bolso e gritei por Rose.

- Rose, eu estou aqui! Me diz onde você está! – chamei andando entre o amplo vestiário. A água corrente de uma ducha no final da ala dos chuveiros chamou minha atenção e corri até lá. Não havia porta, e me deparei com Rosalie sentada — quase jogada no chão -, suprimida de toda cor em seu rosto, e uma mão segurando forte sua barriga.

Seus olhos azuis repletos de pavor e total desolação foi o que me dragou para ir em sua direção.

- Rose! – gritei e me abaixei em frente a ela. Ela ganiu meu nome, embrulhando ainda mais seu torso em si mesma, como impulso, e eu me recuei de choque quando notei a mancha escura que rolava pelo ralo do banheiro de piso negro.

- Está doendo. Me ajuda, Bella. – ela murmurou e eu rapidamente tentei um jeito de erguê-la dali. Seu corpo molhado não iria me ajudar e eu rapidamente busquei por uma toalha depois de desligar a água. Estava a um passo de chamar por Edward.

- Você está sangrando. – constatei o óbvio. — O que é isso, Rose? O que está sentindo? Fale comigo.

Para meu desespero, ela apenas sacudia a cabeça, e repetia. – Eu não sei. Não tive culpa.

- Você consegue andar? – perguntei envolvendo a toalha nela e a colocando de pé o melhor que consegui. Assim que demos o primeiro passo, seu grito estridente no meu ouvido respondeu por ela.

- Ok. Edward está lá fora, eu vou pedir que ele traga os enfermeiros. – falei e a sentei num dos bancos do lado oposto dos chuveiros. Ouvi seus choros ao fundo enquanto corria até o lado de fora, dando um encontrão em Edward.

- Eu já estava entrando lá. – falou. — Eu ouvi tudo. Vou chamar os enfermeiros. Ligue para o celular do meu pai.

Ele já estava correndo para a saída, e eu logo peguei meu telefone para chamar Carlisle e pedir que trouxessem uma ambulância. Após a ligação aflitiva, eu voltei para o interior do vestiário vazio, que ecoava com o som do choro de Rose. Eu me sentei ao seu lado, colocando-a em meu colo da melhor maneira que consegui. Minhas mãos estavam tremendo, enquanto eu tentava não pensar na aversão que eu tinha a sangue. Minha mente estava a mil tentando traçar explicações para o que Rosalie não conseguia me dizer com palavras. Porém só havia uma explicação possível para o vermelho escarlate que escorria do meio de suas pernas.

Minha memória juntou as peças do quebra-cabeça sobre cada comportamento estranho que minha sobrinha vinha tendo; enjôos constantes, fugir de consultórios médicos, fugir de mostrar o corpo na festa da piscina, fugir de refeições matinais...

Rose só podia estar sofrendo um aborto, de um filho que nós nunca sequer ficamos sabendo da existência.

Meu Deus, o que aconteceu a essa menina?

Notas finais
N/A: LEIAM AQUI!
Caso você não tenha lido lá em cima, eu repito: postarei o primeiro extra da fic amanhã, e estará numa história à parte lá no meu perfil chamada "Mais Uma Vez: Extras", pra quem quiser conferir um pouco do passado de Bella, Edward e uma bebê Claire. Considerem isso um presente de Natal (atrasado) e um pedido de desculpas pela minha demora a postar esse capítulo.
¹Poughkeepsie [leia-se Pôh-kipsíi] - cidade real, com 30 mil habitantes no interior do estado de Nova York. Aliás, existe uma fic com esse nome, e é muito linda (em inglês e já saiu do ar).
²Cover do The Who - é da música Baba O'Riley (sem trocadilhos com o nome do moço ao lado da Bella, ok) http:/ www. youtube. com/ watch?v=x2KRpRMSu4g foda, não?
A pirâmide que fez Rose cair é mais ou menos assim: http:/ picasaweb. google. com/lh/photo/9V37heLn3w-MF4IEqPnI-9MTjNZETYmyPJy0liipFm0?feat=directlink a diferença é que a dela era mais alta, audaciosa, e sua perna estava esticada para cima.
Feliz Natal atrasado. E comentem! :)