Mais Uma Vez

13 Capítulo 12: Proposta


Notas iniciais
Obrigada a Cella, minha beta que pode se sentir incluída nesse capítulo, em forma de recepcionista do turno da noite que aparece aí. lol

Perguntas e respostas:

A "aninhacullen" perguntou, via review sem login, quantos capítulos teria a fic. Bom, eu não tenho número certo, mas com certeza será entre 35 e 40. Parece muito, mas vocês tem que lembrar que meus capítulos são sempre relativamente pequenos! - com exceção desse aqui, né hahah

A "Bruna" perguntou se: 1) teria PDV do Edward. Não terá, a não ser nos extras do passado, que escreverei mais adiante. 2) Se terão outros PDVs da Claire. Sim, terão.

POR FAVOR: Leiam a Nota Final lá embaixo depois, porque eu tenho avisos importantes a dar! Pra quem está se perguntando o motivo da minha demora a postar, lá está a reposta.

Capítulo 12: Proposta

Bella

Mais de duas semanas haviam passado desde o fatídico dia — e madrugada, de certa forma – que passei com Edward. Quatro dias desde a última vez que eu o vira, quando ele deixou Claire em casa no domingo. Meus sonhos continuavam perturbados, e talvez devesse classificá-los como pesadelos, já que nos últimos quinze dias, eu havia acordado com o peito pesado e o rosto manchado por lágrimas desesperadas mais vezes que o normal.

Nem todos os sonhos tinham Edward como protagonista, mas ele estava presente na maioria, principalmente quando o teor do pesadelo consistia em situações de claustrofobia. Era impressionante como um único evento poderia afetar tanto a sua cabeça de uma forma tão profunda, mesmo que você não se deixasse afetar, superficialmente.

Assim que acordei no dia seguinte ao incidente no elevador do Le Printemps, tratei de ligar para Esme e marcar um almoço. Eu sabia que ela devia estar abalada, e eu precisava dizer que estaria pronta a ajudá-la assim que ela chamasse.

Ao vê-la com seu sorriso charmoso no rosto, eu logo soube que Esme estava bem, como sempre. Entretanto, sua firmeza quando toquei no assunto de seu ex-marido me surpreendeu. Qualquer transtorno que ela pudesse ter sentido havia ficado naquele dia em que Anthony lhe telefonou — Esme mostrava, mais uma vez, exímia habilidade de não guardar ressentimentos e deixar o passado para trás.

Eu ainda tinha tanto a aprender com ela.

Mostrar meu apoio a Esme era um impulso quase obrigatório em meu sistema. Ela sempre esteve ao meu lado enquanto eu passava por tormentas, mesmo que isso implicasse em contrariar seu próprio filho quando eu implorava para ele não aparecer nunca mais na minha frente. Ela esteve lá no período da separação legal entre Edward e eu, onde ela respeitou os meus desejos, e em nenhum momento, ao contrário de Alice, tentou intervir na situação.

Era claro que, para ela, haviam decisões equivocadas da minha parte, mas Esme apenas aceitava que eram aquelas que me fariam bem naquele momento. Eu só esperava que ela jamais se arrependesse de ter optado por posicionar-se de forma neutra e me apoiar quando necessário nessa bagunça toda. Eu não sabia comoEsme se sentia em relação à forma como as situações sucederam-se, levando-nos aonde estávamos atualmente.

Hoje era manhã de quinta-feira e minha filha estava aflita, andando de um lado a outro com seu celular em punho, enquanto eu terminava de tomar o café da manhã. Ela já estava há dez minutos pronta. Felizmente, eu tinha acordado de bom humor, então a diferença entre nossos humores era visível.

- Claire, se você quer cavar um buraco no chão, é mais fácil pegar uma pá no quartinho. – eu falei de brincadeira, vendo-a percorrer pela milésima vez o mesmo caminho.

- Ha-ha, muito engraçadinha. Mais ajuda quem não atrapalha, mãe, e nesse momento você está me atrapalhando.

- Eu? – disse. — Não tenho nada a ver com isso, você é que está ninando esse celular como se fosse um bebê.

- Eu já falei que é uma ligação importante que eu estou esperando. E você está me atrapalhando sim, já que ao invés de terminar esse café que está ruminando feito vaca há horas, não levanta a bunda daí pra me levar logo à escola.

Ela falou com um tom de tanta indignação, porém eu sequer tive outra reação a não ser rir. Não dava para levar a sério minha filha adolescente quando ela ficava aflita por uma banda de garotos bonitinhos, que possivelmente estariam chegando ao país a qualquer momento.

- E pare de rir de mim! Eu preciso ser a primeira a saber onde eles vão ficar aqui em Nova York. Se eles ficarem no One Season, eu já sei que não irão se hospedar no Le Printemps por aqui, e aí adeus minha visita privada com eles.

- Visita privada? – inquiri enquanto me levantava para escovar os dentes. Ela me acompanhou até o banheiro. — Você acha mesmo que alguém, digo, seus pais te deixarão fazer uma "visita" em um quarto com um bando de marmanjos desconhecidos, Claire?

- Ai, mãe. É claro que não seria no quarto, seria em uma sala ou algo assim. – falou rolando os olhos. — E, além disso, qual o problema se fosse? Eu e Rachel só queremos conversar, pedir umas fotos e uns autógrafos a eles. Nada demais.

- Ah sim, claro. – respondi, como se eu fosse ingênua. Eu já havia sido uma adolescente e, embora jamais tivesse sido obcecada como ela por um artista, eu tive minhas paixonites por alguns ídolos na época. Jason Priestley, do Barrados no Baile¹, costumava povoar um bocado dos meus devaneios, e eu sempre me sentia secretamente orgulhosa quando as garotas da escola diziam o quanto era sortuda por ter um namorado que era super parecido com o ator. Quer dizer, creio que eu não me apaixonei por Edward à toa.

- Podemos, finalmente, ir? – perguntou Claire. — Se Rachel não ligou até agora, é porque ela ainda está tentando descobrir alguma coisa com as fontes do fórum no site. Eu preciso checar pessoalmente com ela!

Eu lembrei que nossa conexão da internet estava fora do ar desde ontem, e fiz uma nota mental para lembrar de pedir o conserto. Só mesmo assim para Claire não estar grudada num computador desde cedo.

- Espere aí, deixe só eu terminar aqui de pentear meu cabelo. – falei, fingindo voltar para o banheiro, embora meus fios estivessem completamente alinhados em um rabo de cavalo baixo. Claire reparou que eu estava apenas implicando com ela e foi em minha direção.

- Isso não tem a menor graça, mãe. Vem! – ela disse me puxando pelo braço e me arrastando para fora de casa enquanto tagarelava. — Você sabia que um enfarte é fulminante antes dos trinta anos? É sério, tá, eu vi no Discovery Home and Health. Você não vai querer que sua filhinha tenha uma síncope, né?

- Ah, jura? Que bom então que eu já saí da faixa de risco. – falei rindo ainda mais e ignorando seus exageros. Ela continuou me empurrando até que estivéssemos no carro, prontas para partir.

- Acho bom você pisar fundonesse carro, se não já pode ir direto pro hospital porque meu coração vai ter um treco já, já, eu tenho certeza. — Claire ameaçou.

Eu rolei os olhos, mas acelerei um pouco mais a direção para que ela não pegasse novamente no meu pé. Durante todo o caminho até o colégio eu pude ouvir o seu digitar nervoso nas pequenas teclas do celular, e quando parei em frente ao local, ela praticamente saiu do carro em movimento, antes mesmo de esperar que eu estacionasse por completo.

- Te amo, filha! – gritei para suas costas, que sumiam na multidão de estudantes. Ela fez um giro para me encarar, e me acenou, gritando a sua recíproca, tudo isso enquanto continuava a correr, mesmo de costas. Eu gargalhei da situação, agradecendo aos céus por ela não ter herdado a minha falta de coordenação.

Meu sorriso ainda estava no rosto quando cheguei à redação da revista, já que durante o percurso meus pensamentos haviam sido povoados com a noção de como eu tinha recebido o melhor presente do mundo ao ter Claire. Nada seria o mesmo sem ela comigo. Minha filha havia me transformado em uma pessoa melhor e eu já havia aprendido coisas que duvido que aprenderia antes, caso não tivesse dado à luz. Era uma realização fantástica de perceber.

Ainda era um motivo de suadouro entrar nos elevadores, mas eu estava melhorando aos poucos. Na semana passada, eu apenas conseguia subir ou descer acompanhada de alguém, e mesmo assim, rezando internamente para que nada desse errado e eu não voltasse a ter um novo ataque.

Assim que entrei na minha sala, Emily avisou que uma pessoa havia entrado em contato comigo, e o bilhete que minha assistente escrevera dizia "Amanda Nixon, departamento de marketing do grupo Le Printemps, irá ligar mais tarde." Franzi o cenho, já que isso só poderia significar que eles estavam repensando a entrevista com Joaquin, o que era, no mínimo, estranho. Suspirei pesadamente, deixando a apreensão de lado para iniciar o meu dia.

A manhã passou tranquila dentro da rotina e pouco tempo depois, a assistente de Carmen entrou em minha sala para avisar que a chefe estaria me esperando lá no fim do dia. Internamente, eu torci para que não fosse nada grave — Carmen tinha o terrível hábito de não se preocupar muito com o horário de saída de seus funcionários quando estes trabalhavam diretamente com ela.

Estava arrumando minha bolsa, ao meio-dia, quando Alice me ligou, convidando para almoçar. Desci o prédio para dar de cara com ela no saguão de entrada, e a pequena mulher parecia enérgica e vivaz como sempre, porém suas feições denotavam um certo nervosismo, e seu estalar de dedos não deixavam dúvidas sobre seu estado.

- Por acaso você e Claire combinaram de me deixar aflita com a ansiedade de vocês hoje? – disse, me aproximando para envolvê-la num abraço. — Saiba que eu já estou mais do que acostumada com drama desnecessário, não vai funcionar.

- Eu não sei do que você está falando, Bella, mas tenho certeza que são coisas completamente diferentes. – ela disse, se afastando do abraço após deixar um beijo no meu rosto. Ela fez uma pausa e se calou, mas me encarou com olhos azuis tão grandes e interesseiros, que eu só pude franzir os meus, sentindo o que ela queria dizer.

- O que você quer, hein? Eu já conheço esse olhar de cachorro pidão porque, aparentemente, toda a família Platt-Cullen possui esse gene. Nem minha filha escapou.

Ela sorriu sem jeito.

- Eu juro que tento ser sutil, mas nem sempre consigo. Bom, eu quero pedir um favor seu.

- Sério? Eu nem desconfiava. – disse ironicamente, mas sorri apesar disso, envolvendo meu braço no seu para sairmos andando. — Me conte pelo caminho. Estou morrendo de fome.

Nós sentamos no restaurante japonês no fim da rua, que tinha um cardápio especial de almoço, com um preço incrivelmente em conta para um japonês em Nova York; qualquer comida nessa cidade que não proviesse de barraquinhas custava uma fortuna. Os pratos chegaram à mesa, e eu mastigava enquanto ouvia Alice explicando o pequeno impasse que ela enfrentava.

- Então nós não vamos poder ficar por aqui na última semana de aulas. E por isso preciso de sua ajuda. – explicou.

Ela contara que o grupo de teatro da escola, o qual dirigia, havia sido escolhido de última hora para um festival no interior do estado, o que a obrigaria a viajar durante uma semana com eles, quinze dias antes do fim das aulas. Mas além disso, Jasper havia sido convidado para lecionar em palestras de um congresso de Psicologia em Seattle, justamente no mesmo período. O seu dilema aí estava.

- Deixa eu adivinhar, você quer que Rosalie fique conosco lá em casa? Você sabe que ela é mais do que bem-vinda, nem precisava dessa ansiedade toda.

Alice sorriu aliviada.

- Jura que não vai ser incômodo? Eu não quero que ela atrapalhe nem você a trabalhar, nem Claire a estudar.

- Claro que não, que bobagem. Vai ser ótimo, eu estou com saudades dela até.

- Muito, muito obrigada, Bella. Você não sabe como eu fiquei aflita com isso. Rose nunca iria querer ficar na casa dos avós, e eu também não estava nem um pouco satisfeita de deixar minha casa para uma adolescente, que sabe-se lá o que faria na nossa ausência. E eu bem sei o que é ter dezessete anos e um namorado numa casa vazia.

Eu ri, balançando a cabeça.

- Você fala como se Rose fosse uma diabinha. Eu tenho certeza que existem garotas muito piores que ela.

- É, eu sei disso. Quer dizer, pelo menos acho que sei. Ela anda muito estranha, principalmente depois que começou a namorar o Emmett.

- Vocês não gostam dele?

- Não é bem isso. Ele é um garoto legal, é só que... Não sei, eu acho que esse é o primeiro namorado sério dela, sabe? E eu não quero me intrometer, mas não sei como ela está reagindo a isso.

- Como assim? – indaguei, comendo minha salada. Alice deu de ombros, parecendo encontrar palavras certas para dizer.

- Rose sempre teve namoradinhos, desde muito cedo. Jasper e eu tivemos que aprender a lidar com isso logo, sabendo que nossa filha estava se transformando rapidamente em uma mulher. Ela nunca foi assim... – ela divagou, abanando uma mão para si mesma.

- Assim, um filé de borboleta? – falei rindo, provocando-a com o apelido antigo. Ela me fitou com um brilho de irritação nos olhos.

- Isabella Swan, esse apelido não tinha graça quando eu tinha dezoito anos, e continua não tendo a menor graça hoje em dia.

- Ok. Me desculpe, não tem graça mesmo, Filézinho. – eu ri, mas parei para que ela continuasse.

- Como eu estava dizendo, bom, eu sempre soube que minha filha seria um mulherão e atrairia a atenção dos garotos. Quer dizer, com doze anos ela já recebia propostas de agências de modelo.

- Sim, eu lembro.

Na época, Alice tivera que intervir para impedir que a filha entrasse na carreira tão curta e tão dura de modelo. Rose ficara deslumbrada com a possibilidade, mas logo desistiu de uma possível carreira quando teve que ficar dez horas em pé, durante o seu primeiro e único ensaio fotográfico, quando tinha apenas treze anos. Foi uma lição traumatizante para ela.

- Enfim, ela costumava aparecer com um namorado a cada dois meses, praticamente, durante um longo período. Nós sempre quisemos dar liberdade, mesmo supervisionada, para que ela percebesse como seria bom um relacionamento longo. Mas então apareceu Emmett, e eu pude ver o quanto ela mudou. Você acredita que eles já estão há quase dois anos juntos? E agora eu tenho medo de que Rose esteja repensando isso; que ela esteja com medo da responsabilidade que uma relação séria requer. Eu acho realmente que ela encontrou tudo isso com Emmett, embora seja cedo para dizer e eu nem tenha tanto conhecimento assim da relação deles, mas...

- Eu posso imaginar. – concordei, enquanto mordia um rolinho.

- Sim, e o pior é que ela anda cabisbaixa, cada dia mais retraída, anda pelos cantos com o rosto assustado quase. Eu não sei se é a proximidade da faculdade, ou a cobrança na escola, mas parece que ela está se dando conta de que está virando adulta, e não sabe lidar com isso. Eu nunca pensei que fosse ser tão difícil essa fase, Bella. Eu tento ajudar, mas sempre parece forçado. Não sei o que fazer. Estou me sentindo uma iniciante nessa coisa de ser mãe.

Enquanto Alice falava, eu refletia sobre a minha própria filha em seu processo de crescimento. Embora ainda faltassem alguns anos até que Claire atingisse a maioridade, ela parecia estar no caminho certo; era responsável e o mais independente possível, apesar de ter suas manias imaturas, como era normal.

- Bem, eu posso tentar conversar com ela no tempo em que ela estiver lá em casa. Às vezes, é mais fácil uma jovem conversar com alguém que não seja sua mãe, e sim sua tia legal. – eu ofereci, e sorri levemente. — Se não der certo, bom, eu acho que seu instinto materno dirá o que é melhor fazer.

- Tomara que você consiga. Mas é difícil conseguir conversar com ela. Rose nunca foi muito de se abrir comigo, e tem vezes que eu a vejo sozinha na escola, ou apenas com a companhia de Claire. Acho que ela tem uma relação complicada com o mundo e eu tenho medo de não estar dando a devida atenção a isso.

- Bobagem. É claro que você dá atenção, mas você trabalha demais, e não pode ficar 24 horas por dia no pé da sua filha. – brinquei e ela sorriu entristecida. — Você é uma ótima mãe, Ali. Mesmo um cego veria a sua dedicação.

Seu sorriso foi genuíno, apesar de fraco, e ela apertou minha mão em agradecimento. Alice bebeu um gole de água antes de voltar a falar.

- Ah, eu não sei se Claire já te falou, mas no dia primeiro de julho, quando eu estarei retornando, será a final do campeonato estadual de basquete estudantil. A St. Patrick esse ano será o time residente e o evento de abertura vai ser grande. Como uma festa de final de ano letivo.

- Sim, eu sei. Ela não parou de falar nisso; quer dizer, seu papo nessa última semana tem se alternado entre McSky e o show que a banda dela fará na abertura desse jogo. – eu disse.

Minha filha estava tão animada com a possibilidade de, finalmente, se apresentar para toda a escola, que quase não conseguia dormir nos últimos dias, desde que foram selecionadas pela diretoria, juntamente com outras quatro bandas de alunos. Eu tinha fortes palpites de que Esme interviera nesse processo, de certa forma, mas preferi não cortar o barato dela e não toquei no assunto.

Alice e eu nos calamos após isso, apenas aproveitando o almoço. A comida estava tão saborosa que não deu brechas para papos furados. Isto é, até algum pensamento surgir na mente de Alice, fazendo-a erguer a cabeça bruscamente para me fitar. Seus olhos aflitivos me prenderam a atenção em um instante.

- O que foi dessa vez, Ali? – perguntei enquanto sua expressão oscilava entre aflita e defensiva.

- Ahm... Eu tenho uma coisa para contar, que eu não sei bem se devo ou não contar, e também nem sei se você vai querer saber.

Rolei os olhos.

- Agora você já começou. Pode falar.

- É Edward. – ela disse com cautela, e eu me preparei para o que viria a seguir. — Bem, ao que parece, ele foi pressionado por aquela mulher, e ela conseguiu, finalmente, marcar uma data para o casamento deles.

Eu ignorei o frio que percorreu minha espinha e dei de ombros para permanecer inabalável.

- Hm. Bom, tomara que ele não se arrependa mais tarde, não é mesmo? Um divórcio é uma tormenta na vida de uma pessoa.

Alice ficou boquiaberta.

- Isso é tudo que você tem a dizer?

- O que você quer que eu diga, Alice? Quer que eu dê um escândalo no restaurante, que eu saia correndo e me jogue da ponte do Brooklyn? Se seu irmão vai casar ou não, isso pouco me importa.

Suspirando, ela sacudiu a cabeça para mim, toda sua postura exclamava reprovação. Eu me lembrava que a última vez que conversamos sobre o assunto, dessa forma, havia sido quando ela me contara do noivado. Foi uma sensação igualmente estranha.

- Está tudo errado, Bella. Como você não vê isso?

Eu abaixei meu hashi para falar calmamente.

- O quê eu não vejo, Alice? Quantas vezes eu tenho que dizer: o que está feito, está feito? A vida seguiu desse jeito, e qualquer possibilidade que eu e ele tivéssemos de voltar a nos relacionar já se esvaiu, por vários motivos. Se é que houve alguma brecha para isso, esse tempo já se foi, e nós dois seguimos nossas vidas.

- Bella, caso você ainda não tenha percebido, eu sou totalmente contra essa maluquice de casamento. E eu tenho certeza absoluta que você é a única pessoa que pode impedir essa burrice do meu irmão. Vocês não precisam voltar a ter uma relação, porque eu sei que as coisas não são simples assim, eu entendo. Mas vocês poderiam se entender, nem que fosse só para que ele repensasse essa loucura toda. Se você apenas deixasse de ser teimosa e colaborasse...

- Não. – falei num tom firme. — Eu não quero me envolver nesse assunto, de jeito nenhum. E além disso eu já aviso que não garanto que eu vá, caso seja convidada.

- É claro que você será convidada. Quer dizer, isso se houver mesmo festa.

- Por favor, Alice, por favor, não vá fazer nenhuma estupidez, ok? Eu não quero que sequer pensem que eu tenho algo a ver com qualquer merda que possa vir a dar com essa história de casamento. – eu disse, dando um fim a discussão.

Falar a palavra casamento foi difícil, mais do que eu imaginava. Parecia que a concretude da nossa separação estava, enfim, próxima de chegar a uma conclusão, e dessa vez seria para sempre. Um caminho completamente sem volta. E eu estava em parte aliviada com a novidade, em parte só um pouco ressentida. Respirei fundo para não deixar que as sensações desagradáveis tomassem conta de mim, e rapidamente desviei meus pensamentos.

- Está bem. – falou ela parecendo se dar por vencida. — Eles marcaram pra janeiro. Só estou informando. E o assunto morre por aqui. Por enquanto...

Sua última frase foi sussurrada, mas eu fingi não dar a atenção que ela procurava.

- Obrigada por não pressionar o assunto. Agora, falando em casamentos, eu serei madrinha esse ano, já contei? – falei. Alice sacudiu a cabeça. — É dos meus amigos, Garrett e Mary. Você deve se lembrar deles, fizeram estágio comigo.

- Lembro um pouco. Eu lembro de uma festa de aniversário de Edward, acho que a de 21 anos, onde eu estava trocando as pernas depois de tanto beber daquele bendito drinque com uísque que o papai fez, e então eu cheguei para os dois, que se beijavam num canto da sala, e fiz algum comentário idiota sobre como ambos eram ruivos, e os filhos seriam lindos. E só me recordo porque vocês ficaram tirando sarro da minha cara por semanas por conta disso.

- Sim, exatamente esse casal. – falei rindo da recordação, deixando de lado o clima anterior de quase tensão. — Então, vai ser em outubro, e eu estou muito feliz por ter sido convidada para madrinha, mas... Já estou temendo qual será o vestido que me farão colocar.

- Se você puder escolher sozinha, eu estou aqui para ajudar. Tenho mais experiência nisso, acredite. – ela disse e eu aquiesci, já que era a pura verdade. — Bom, e quem vai te acompanhar até o altar?

- Pelo que eu entendi, Riley vai entrar comigo, e muito provavelmente será o meu parceiro durante a noite, na hora das valsas. Acho que nós somos os únicos solteiros, então não teremos escolhas.

- Riley... Esse nome não me é estranho. Mas não me lembro do rosto dele.

- Ele também estagiou conosco, era o mais novo da turma.

- Hmm, e ele está solteiro, é? – Alice falou insinuantemente, mexendo as sobrancelhas enquanto eu terminava de comer toda a refeição do meu prato, apenas esperando pela sobremesa. Eu ergui uma sobrancelha para ela.

- Alice, você tem que se decidir. Ou você quer que eu volte para Edward, ou você quer me arranjar parceiros sexuais. Uma coisa ou outra, escolha um lado!

- Bella, eu só quero que você seja feliz. Estou do seu lado.

- Ah sim, claro. Obrigada por ser uma amiga tão altruísta e generosa. – falei com ironia. — Sim, Riley é solteiro. Sim, eu o acho atraente e, por acaso, ele já teve uma queda por mim há anos, coisa que eu tenho plena consciência, mas nunca rolou nada entre nós. Pronto. Você não precisa mais cavar esse assunto.

- Ok, mas meu único conselho é que amigos podem ter seus benefícios, se é que você me entende. Eu digo e repito, isso pode te fazer muito bem, nem que seja apenas por um tempo.

- Uhum. – murmurei, mas sem abrir a boca, já que saboreava uma colherada do doce de chocolate e menta derretendo sobre minha língua. — Mas eu estou ótima assim. Tenho chocolate, é tudo que eu preciso.

Alice começou a protestar sobre minha justificativa, mas antes que ela pudesse continuar, eu enfiei uma colherada do bolo em sua boca, tentando silenciá-la com a nossa sobremesa.

Felizmente funcionou.

O resto da minha tarde foi ocupada por uma revisão do artigo que já havia sido escrito sobre uma famosa empresária, criadora dos sapatos e bolsa que as nova-iorquinas mais cobiçavam. Às cinco da tarde, eu já estava terminando e preparando para arrumar minhas coisas quando a assistente de Carmen chamou-me em minha sala.

- Boa tarde, Carmen. – disse ao entrar em seu escritório. Ela estava de pé, com várias fotos sobre a mesa. Era o dia de escolha da capa da semana.

- Boa tarde, Bella. – ela falou sem desviar os olhos para mim. Eu esperei até que ela terminasse o que fazia e me dar atenção.

- Eu recebi seu recado. Já podemos conversar? Sou toda ouvidos. – eu falei, sentando na cadeira, mas ela permaneceu de pé.

- Não, Bella, nossa reunião não será aqui, você não sabe?

Eu olhei confusa para ela, mas me levantei, em todo caso.

- Não, só me disseram que você me esperava no final da tarde. Vamos pra onde?

- Para o escritório do meu irmão, oras.

- Por quê? – me peguei exclamando repleta de curiosidade, me sentindo uma boba com tantas perguntas. Carmen apenas entregou a foto que serviria de capa para sua assistente, e pegou sua bolsa.

- A Amanda ligou para você mais cedo, não ligou? Temos uma reunião com eles, sobre o livro. Meu Deus, Bella, você está tão aérea hoje.

- Amanda? Que livro? – eu me perdi em meio a confusão de suas palavras, e de repente, me vi sendo empurrada até minha sala.

- Amanda Nixon, a diretora de criação e marketing do Le Printemps. Nós temos uma reunião com ela sobre o livro do centenário do grupo. Ande, pegue sua bolsa e vamos, pois temos que estar lá em trinta minutos!

Eu não tive opção a não ser arrumar minhas coisas e sair sem sequer me despedir de Emily ou desligar meu computador. Minha assistente apenas me lançou um olhar de perdão para mim, quando eu a questionei a razão de não terem me falado sobre nada disso antes.

- Carmen, me perdoe, mas eu não sei do que você está falando, nem sei do motivo exato dessa reunião. Realmente, eu lembro que uma Amanda Nixon ligou hoje mais cedo, quando eu ainda não tinha chegado, mas ela não retornou. Preciso de um esclarecimento aqui.

Nós fomos para o elevador, e ela falou enquanto descíamos.

- No final do ano que vem será o centenário do grupo Le Printemps, o qual é comandado pelo meu irmão Joaquin, creio que você se recorde disso. – disse pesando no sarcasmo, e eu contive minha língua dentro da boca para não dar uma resposta atravessada. — Então, eles farão várias comemorações, e um registro literário sobre a história dos hotéis do grupo será uma delas. E, obviamente, Joaquin teve influência na escolha da editora que lançará o livro. A nossa Readers foi a escolhida.

Enquanto ela explicava, eu sentia meu coração acelerando com cada palavra. Eu tinha quase certeza sobre o que ela estava implicando, mas não queria me adiantar ou criar esperanças falsas.

- E nós estamos indo para lá, por que...? – indaguei.

Carmen bufou antes de rolar os olhos.

- Porque eles querem você, menina, por que mais seria?

- Eles me querem... pra escrever. O livro? – eu balbicei feito uma idiota, mas minha boca entreabriu-se de perplexidade.

- Bella, eu pensava que você fosse mais esperta que isso. Não está claro?

O sorriso que começou a se espalhar pelo meu rosto não podia ser contido nem que eu tentasse. Uma sensação de realização tomava conta de mim. Era o sonho de onze entre dez jornalistas que eu conhecia.

- Obrigada por me escolher, Carmen, eu estou... imensamente lisonjeada.

- Não precisa me agradecer. Agradeça a Joaquin, que adorou a sua entrevista com "a jornalista mais gentil que eu já tive o prazer de conhecer", como ele disse. E também ao gerente dele, que parece que soprou seu nome à Amanda, enquanto faziam a reunião para escolha de possíveis escritores.

Meu sorriso diminuiu por alguns milímetros. Eu sabia que estava bom demais para ser verdade. Entrentao, nem sequer o conhecimento de que Edward, o gerente do Le Printemps, havia metido o bedelho nessa escolha por mim iria tirar a minha excitação. Escrever um livro sempre foi um sonho, um que eu já havia há tempos desistido de perseguir, por parecer tão impossível.

- Você estaria disposta? – ela perguntou ao sairmos do prédio. Seu motorista nos esperava com o carro na porta, e rapidamente entramos.

- Estou, claro. – respondi. Porém minha consciência não evitou pensar duas vezes. Era uma chance e tanto, mas apesar de tudo, eu precisava encarar a realidade.

Meu cargo de editora subchefe ainda era recente, e só agora eu estava começando a realmente pegar o ritmo do trabalho, após o primeiro mês.

- Mas... eu apenas temo não conseguir encaixar um projeto desses no meu calendário. Quer dizer, é uma oportunidade maravilhosa, mas a revista toma praticamente todo o meu dia.

- Bella, eu tenho certeza que, se você quiser, achará um tempo. E, além disso, você terá o auxílio de mais um profissional, que ficará encarregado pela pesquisa histórica, e eu serei sua revisora. Basta você dizer sim. Eu, particularmente, acho que esse livro poderá ter um diferencial com a sua escrita. E o pagamento será bastante recompensador. Pense com carinho, sí, mi querida? – ela disse com seu tom que variava de complacente a condescendente em um instante.

Carmen me queria nessa empreitada, sabe-se lá porquê. Eu mordi o interior da bochecha, olhando para as ruas movimentadas que passavam ligeiras por nós, refletindo sobre tudo isso.

Escrever um livro seria mais uma responsabilidade dentro da minha rotina já apertada. Eu poderia trabalhar fora de casa, mas isso chatearia Claire, certamente. Outro fator que atribulava o meu caminho era um só, e logo aquele que me deixava incomodada, de tal modo que me deixava com um pé atrás antes de aceitar a proposta. Eu não queria me sentir obrigada a ter gratidão por Edward ter me indicado para esse trabalho.

Era uma situação limítrofe enervante.

Nossas vidas ultimamente pareciam se cruzar em mais esquinas que o meu bem-estar tolerava, e a promessa de que ele jamais se envolveria com minhas questões da vida profissional havia sido anulada. Ele havia interferido dessa vez, e embora o resultado fosse positivo, eu não queria, de modo algum, que as pessoas achassem que eu apenas estava lá por um favor.

Haviam outros jornalistas igualmente talentosos trabalhando, mesmo na New York Week, e qualquer um questionaria o motivo de ser eu, ex-esposa do gerente, a escolhida. Eu me sentiria muito mais confortável se tivesse conseguido com o meu talento, apenas, e não com a simpatia de alguém influente em ambas as partes envolvidas, e na minha vida.

Era uma guerra dura, onde prós e contras pesavam quase igualmente. Mas, no final, minha sensação de satisfação com a possibilidade de um sonho estar próximo de ser realizado pesou muito mais que futuras intrigas ou desconfianças de terceiros. Afinal, eu duvidava que Carmen seria convidada, caso não tivesse qualquer envolvimento com o presidente do Grupo, então estávamos igualmente beneficiadas nisso.

Eu iria aceitar esse trabalho. E nada me impediria de mostrar que eu merecia aquele espaço, se fosse preciso.

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A reunião estava acontecendo em uma ala do hotel que eu ainda não havia visitado. Agradeci, internamente, pela sala de reuniões ser em um andar mais próximo ao térreo, e eu não ter que passar tempo demais naquele bendito elevador.

A tal Amanda Nixon explicava o processo que envolvia desde a concepção do livro, até o que eles esperavam com o lançamento. O objetivo era contar a saga de um dos grupos mais importantes da hotelaria norte-americana, honrando todos os altos e baixos e as figuras mais influentes de sua história, além de relatar um pouco sobre cada uma das filiais, e histórias interessantes que as envolvessem.

Ao lado da Srta. Nixon estava Joaquin Denali, sua secretária, e um assistente de Amanda. Do lado oposto da mesa, eu sentava entre Carmen e uma cadeira vazia, enquanto esperávamos o segundo escritor convidado chegar. Aparentemente, eu havia sido a última a saber da empreitada, ou mesmo receber o convite. Havia sido uma boa surpresa, mas de vez em quando era bom ter conhecimento das coisas.

- Bem, como vejo que o Sr. Morrison está terrivelmente atrasado, vamos prosseguir com a reunião. – anunciou Amanda, após termos feito uma pausa de dez minutos para um café e para esperar pelo tal Sr. Morrison. Joaquin parecia nervoso.

- Srta. Nixon, eu já estou voltando atrás nessa escolha pelo Sr. Morrison. Estamos aqui há uma hora, e ele sequer ligou para justificar o atraso? Ele não me parece interessado o suficiente, e você sabe que eu não suporto pessoas anti-profissionais. – ele disse com uma carranca no rosto, sentando-se em seu lugar. Era estranho ver uma postura tão grave em um homem que havia se mostrado apenas dócil em um outro momento. Mas ele tinha toda a razão.

- Vamos esperar mais cinco minutos, Sr. Denali. Pode ser?

Ele bufou, mas aquiesceu com a cabeça, resmungando sobre o quanto era uma falta de respeito uma pessoa marcar um compromisso e não dar satisfações.

Quase doze minutos haviam se passado, em meio ao silêncio que tomara conta da sala — eu marquei no grande relógio que enfeitava a parede avermelhada, mais do que entediada de estar ali esperando. Já havia decorado o padrão do papel de parede, quando Joaquin jogou sobre a mesa o livro de notas que ele lia, assustando a todos os presentes com o barulho proporcionado.

- É isso. Já esperamos demais, e esse senhor não atende nenhum telefone. Ele está fora e ponto final. Tenho certeza que podemos encontrar alguém igualmente competente para esse trabalho, pois o tempo é curto. – ele anunciou com firmeza, e eu senti a inquietação de Amanda e o assistente por terem que lidar com um imprevisto tão inconveniente.

- Mas, Sr. Denali, já está tudo acertado com o Sr. Morrison, e nós demoramos tanto a achar alguém que se encaixasse nos requisitos que precisamos. Vai ser difícil encontrar alguém agora. – ela explicou avidamente.

- Sinto muito, Amanda, mas temos urgência para esse livro ficar pronto antes do aniversário. Precisamos de alguém que seja compatível com as nossas expectativas. – ele falou dando um ponto final ao impasse, e virou-se com intenção para Carmen e eu. — Me digam, vocês são do ramo, quem vocês podem indicar para esse trabalho?

- A-agora? – eu ouvi Carmen, pela primeira vez na vida, gaguejar. Ela parecia não estar preparada para a pergunta, e eu percebi que seu irmão tinha a inacreditável habilidade de desarmá-la de sua atitude de superioridade sempre imponente.

- Preciso de uma resposta pra ontem, Carmen.

- Eu preciso avaliar, Joaquin, existem tantos profissionais que eu conheço...

- Sr. Denali, nós ainda temos a lista de outras opções, podemos começar por ali. – falou a tímida secretária de Joaquin, e ele olhou para ela.

- Pois bem, onde está essa lista?

- Eu irei imprimir, senhor. Só um minuto. – ela disse, se levantando para usar o computador que ficava no canto da ampla sala.

Ela retornou, e entregou a lista a Joaquin, que por sua vez, rapidamente passou para Carmen.

- Quais desses nomes você conhece, e quais você aprova, Carmen? – ele falou, e ela o fitou um instante antes de pegar o papel. Fez um sinal com a cabeça para que eu me aproximasse e inspecionasse com ela.

Haviam alguns nomes que eu reconhecia, alguns que eram ótimos profissionais, outros nem tanto. Alguns trabalharam comigo em algum momento, ou eu apenas havia ouvido falar. Mas um nome em especial saltou aos meus olhos, e eu soltei um arquejo para o inesperado.

- Você tem alguma coisa a dizer, Bella? – ela disse em voz baixa.

- Bem, sim. Eu conheço ele, Riley Biers. É meu amigo pessoal, e eu tenho certeza que é um profissional excelente. Ele tem muita experiência com pesquisa, se eu não me engano esse era o cargo dele na Science Now; jornalismo investigativo é a sua especialidade.

- Ótimo, uma pessoa de confiança e que temos certeza que terá uma boa relação com Bella. Podemos contactá-lo, então? – declarou Joaquin, virando-se para Amanda Nixon. Ela pareceu pega de surpresa, mas assentiu a cabeça.

- Bom, eu devo admitir que ele era um dos mais cotados. Eu ligo ainda hoje e podemos marcar uma nova reunião amanhã.

- Tudo bem. Estamos de acordo? – Sr. Denali falou, olhando para Carmen e eu. Ambas concordamos. Ele se levantou, sendo seguido pelo resto de nós.

- Foi um prazer, Isabella. – ele sorriu ao me alcançar, e eu retribui, apertando sua mão estendida.

- Espero fazer um bom trabalho. Estou incrivelmente animada. Muito obrigada pela oportunidade.

- Não há de quê. Acho mesmo que vai ser um bom trabalho. – ele concordou, me dando espaço para sair. Me despedi rapidamente de Carmen e dos outros presentes.

Eu mal podia acreditar na reviravolta do destino. Riley e eu jamais havíamos trabalhados juntos, mas eu tinha certeza que seria muito agradável, embora esperasse que qualquer desentendimento entre nós não afetasse nossa amizade. Mas eu estava confiante de que iria dar certo.

Desci no elevador sozinha, a primeira a sair, já que estava mais do que louca para ir correndo para casa e contar as novidades à minha filha. Entretanto, eu precisava fazer uma coisa antes.

Ao sair do elevador, meus pés me guiaram diretamente até a recepção.

- Boa tarde, em que posso ajudar? – falou a mocinha sorridente.

- Boa tarde... Ou boa noite. Bem, eu estou procurando uma pessoa que trabalha aqui, na verdade. Será que eu posso saber essa informação por aqui?

- Claro. – ela disse pegando o interfone. — É só me dizer qual o setor, e eu ligo.

- Ah sim, é da gerência. Edward Cullen?

A moça hesitou por um momento.

- Oh. Você tinha um horário marcado? Porque eu creio que a essa hora, ele não esteja mais trabalhando.

- Ah, claro. – eu falei, me sentindo idiota por não reparar que já havia passado demais da hora normal de trabalho. — Você sabe se ele já saiu? Eu sou Isabella Swan, a ex-esposa dele, preciso tratar de uns assuntos.

- Hm, não sei, eu acabei de chegar para o turno da noite. – falou. — Espere, vou checar.

Assisti enquanto ela fazia a ligação, mas foi rápido. Edward já havia ido embora.

- Já entendi. Bom, obrigada, em todo caso. – eu disse. — Boa noite.

- De nada. Boa noite!

Saí do hotel para caminhar até o fim da rua, onde eu sabia que Edward estaria. Fiquei ridiculamente empacada na porta da frente. Não fazia ideia de como ele reagiria, já que uma visita minha deveria ser a última coisa que ele esperaria, então pensei cinco vezes antes de decidir, e entrar para me apresentar na portaria de seu apartamento. O porteiro anunciou minha chegada, e eu pude ouvir que Edward hesitara enquanto respondia do outro lado da linha. Quando, enfim, tive minha passagem liberada, subi os treze andares até sua casa.

Era um prédio chique, que certamente abrigava diversos empresários solteirões que necessitavam do serviço do apart-hotel. Haviam apenas dois apartamentos por andar, e eu caminhei com cautela até a porta do lado direito no fim do corredor, suspirando e torcendo para que ele estivesse sozinho e sem a companhia de sua noiva.

Eu não queria dever gratidão a Edward. Eu não queria me sentir como se devesse qualquer coisa. Mas precisava admitir que ele havia feito uma boa ação, dessa vez, já que talvez sem sua indicação eu não teria conseguido esse trabalho que era um sonho. Um sonho, não da forma como eu sempre imaginei que pudesse acontecer, mas já era um começo.

Expirei longamente ao parar em frente a sua porta, e toquei a campainha antes que me arrependesse de vir até aqui agradecê-lo por isso.

- Bella? – ele falou ao abrir, confuso, ainda que estivesse esperando a minha chegada.

- Oi. Eu posso entrar? Prometo que serei breve. – falei, e Edward se afastou para me deixar passar.

Era a primeira vez que eu entrava em sua casa, e embora a curiosidade me aguçasse, achei que seria menos rude se eu não vagasse meus olhos para reparar no local. Me concentrei em sentar no sofá que ele havia indicado, e então fixei meus olhos em sua figura, que guardava alguma coisa no móvel da sala. Ele ainda vestia parte de seu terno padrão do hotel, apenas a calça cinza e a camisa social branca com as mangas enroladas até os cotovelos, o que indicava que ele havia acabado de chegar em casa. Seus pés estavam descalços, e seu rosto aparentava cansaço.

- Desculpe te incomodar assim, sem sequer ligar antes. Eu estava no hotel, e me avisaram que você já tinha saído...

- Tudo bem. Mas o que houve? É algum problema com Claire? Algum outro problema? – ele logo perguntou, parecendo nervoso. Eu sacudi a cabeça.

- Não, calma. Não é nenhum problema.

- Que bom. – ele falou expirando, e pausou para coçar a nuca, num gesto extremamente familiar. — Você... quer beber alguma coisa? Eu não sei bem o que tenho na geladeira, mas...

- Não vou querer nada, tudo bem. – disse, mas percebi que sua postura era de desconforto. — Sente-se, Edward, por favor.

- Claro. – ele falou e sentou-se à minha frente em uma cadeira que puxara da mesa de jantar, colocando uma perna dobrada sobre um joelho. Edward me olhou com apreensão, e eu tive que desviar o olhar um momento antes de voltar a falar.

- É... Bem, eu vim aqui, porque sei o que você fez por mim.

Ele franziu o cenho.

- Eu fiz?

- Sim. E eu queria te agradecer.

O silêncio que tomou conta foi repleto de um suspense que normalmente eu acharia ridículo, não fosse a presença dele aqui. Tive que contar até três para quebrar a ausência de som.

- Diga alguma coisa, Edward. Eu sei que você sabe do que estou falando. O livro...?

- Oh. Sim, claro. – ele disse, saindo de seu transe perplexo. — Eu não sabia que eles tinham levado a sério a minha sugestão. Isso é... realmente maravilhoso, Bella.

- Sim, eles levaram a sério. E eu fui escolhida. Bem, um dos escolhidos. Acabei de sair da reunião com eles, e por um contratempo, acabou que Riley vai substituir a outra pessoa escolhida. Ainda mal posso acreditar.

Ele ergueu as sobrancelhas.

- O Riley? Riley Biers? Uau. Faz anos que não o vejo.

- É, eu também não tenho tido muito contato com ele, mas o vi mês passado. – eu assenti, e lambi meus lábios, que ficaram secos. — Então era só isso, eu só queria agradecer. Isso será muito importante pra mim, você não faz ideia.

- Eu faço. – ele disse suavemente. — Era um sonho seu, não era? Não tive como deixar essa oportunidade passar quando soube que estariam fazendo esse livro. Eu sei que disse que não iria me intrometer mais na sua vida, mas não consegui, me perdoe. Bom, ao menos você conseguiu. Acho que eu devia te dar os parabéns, porque sei que não te escolheram à toa.

- Obrigada. – falei, sentindo-me tocada por sua consideração. — E eu te perdoo dessa vez, porque acabou sendo uma coisa boa, afinal, e eu estou ridiculamente animada para esse trabalho. Mas só dessa vez, hein.

- Eu sei. Estou feliz por você. Eu só quero o seu bem, Bella. – Edward falou. O modo como seu olhar intenso capturou o meu enquanto mostrava-me um sorriso sincero, suave e gentil foi suficiente para contrair meu peito e criar um nó em minha garganta. Suspirei para evitar deixar-me envolver pelas emoções do dia.

- Bom, acho que é só isso. – falei me levantando.

- Ok. – ele disse, me encaminhando até a porta.

- Boa noite, Edward. – falei ao estender minha mão, e ele a tomou em seguida.

- Boa noite. Espero você lá no hotel mais vezes? Creio que começarão a trabalhar logo.

- Sim, eu acredito que sim. – respondi e dei de ombros. — Vai ver que agora você realmente vá conseguir me pagar aquele chá.

- Tomara. – falou com um sorriso ligeiro. — Boa noite, Bella.

- Boa noite. – cumprimentei novamente e saí pela porta.

Havia sido uma visita rápida, porém menos complicada do que eu imaginava. E Edward pareceu sinceramente feliz por ter conseguido, apenas para variar, fazer algo de bom por mim. Talvez ele estivesse perplexo por eu estar abaixando minha guarda e o meu orgulho, ao agradecê-lo. Talvez ele estivesse genuinamente feliz por mim. Mas apenas a sua expressão ao declarar seu sentimento em relação a isso e me dizer o quanto tinha consideração por mim foi suficiente para mexer comigo. Consideração era uma coisa que eu não esperava dele há muito tempo. Mas Edward pareceu completamente sincero dessa vez.

Cheguei em casa e contei as novidades para minha filha, que por sua vez, mostrou tanta alegria que eu tive quase que impedi-la à força de ir se arrumar para comemorar justo agora. Ela parecia muito mais contente com a notícia do que quando eu fui promovida. Mas faríamos nossa comemoração amanhã.

Naquela noite, meu corpo adormeceu cansado, embora minha cabeça flutuasse com os sentimentos vividos no dia. Um novo sonho estranho resolveu infiltrar-se em meu sono, mas ao contrário dos outros, este não era um pesadelo. Pelo contrário. Era alegre, repleto de flores e possuía uma paz que há muito eu não sentia. Meus dois companheiros estavam presentes, e eu evitei acordar para não perdê-los de vista enquanto corríamos, livres, por um campo florido.

As risadas do meu marido e de nossa filha pequena eram a trilha sonora que contribuía para que aquele pedacinho fabricado de irrealidade fosse perfeito.

E o foi, naquele momento. Ao menos enquanto eu permanecia de olhos fechados, tudo era perfeito.

Notas finais
N/A: ¹Jason Priestley existe, e foi realmente um Robert Pattinson da década de 90, quando protagonizou a série adolescente "Barrados no Baile", a qual recentemente ficou em evidência ao ter uma regravação (chamada "90210". Passava na Sony, e eu achava uó). Aqui umas fotos do moço http://bit.ly/ntgM8U

O meu COMUNICADO é que: agora eu estou fazendo estágio, juntamente com a faculdade, o que deixa o meu tempo mais curto ainda. Portanto, terei apenas os fins de semana para escrever, e ainda não sei como ficará o cronograma de postagens. Se não for quinta, será aos sábados ou domingos. Verei como fica isso mais adiante.

E eu apenas demorei pra postar essa semana pois o documento que eu havia escrito foi corrompido, o que me fez reescrever tudo o que já estava feito! Um saco.

Têm dúvidas? Me perguntem, e eu respondo quase tudo. Mas vocês precisam deixar um meio para eu responder, pois review anônima NÃO é possível. Ainda não tenho dons de Alice Cullen pra prever meios de comunicar-me com vocês :)

Não me abandonem!

Até breve.