Mais Uma Vez

14 Capítulo 13: Novidade


Notas iniciais
Obrigada a Cella, minha beta de quem agora sou companheira na luta trabalhista! Lerê, lerê, sister. HAHAH

Prestem atenção que o capítulo é duplo - mãe e filha divindo o POV; a separação está bem clara, com o nome de cada uma.

Capítulo 13: Novidade

Bella

Tudo tinha começado com uma pergunta que me fez revirar os olhos para minha filha.

- Mãe, eu estou gorda? – ela perguntara ao se inspecionar diante do espelho do meu quarto, enquanto eu procurava por uma roupa limpa para trabalhar no dia seguinte.

Gargalhei para Claire, sacudindo a cabeça pela pergunta sem noção e, obviamente, respondi que não. Minha filha não conseguiria ser gorda nem que tentasse — e eu lhes digo que tentar engordar era o que ela mais fazia, mesmo que não intencionalmente. Tudo bem, nos últimos meses ela havia perdido algumas roupas, mas eu tinha certeza que isso não era nada além de um processo normal da puberdade. Claire estava crescendo, tomando formas de mulher, e era claro que isso a assustava.

O único problema era fazê-la entender isso.

Durante a semana, eu precisei intervir para que Claire não começasse uma dieta maluca-porém-milagrosa que uma colega da escola havia lhe apresentado. Entretanto, nada a impediu de me arrastar para uma aula de academia.

Eu, a dona de uma bicicleta e uma esteira ergométricas caseiras que, atualmente, apenas ocupavam espaço e serviam de moradia para as aranhas da garagem.

Era domingo de manhã, o único dia que havia me dado folga em meio ao trabalho e aos preparativos para o livro. Claire havia combinado de me encontrar na academia mais próxima a nossa casa, onde ela já havia nos matriculado, e depois de duas horas de fazermos sabe-se lá o quê, ela voltaria para a casa do pai. E me obrigara a ser sua companhia, como se suas pernas firmes e lisas precisassem de alguma tonificação extra. Se eu não a conhecesse melhor, pensaria que esta era uma forma sutil de dizer que eu precisava de uma malhação.

Me sentia uma extraterrestre visitando planetas longínquos e estranhos. As pessoas passavam de um lado a outro falando palavras que eu não reconhecia como inglês, usando roupas justas demais para serem consideradas vestimentas normais. Estarrecida, eu apenas pensava "o quê estou fazendo aqui?", enquanto ficava na portaria esperando minha filha chegar.

Estava quase dormindo no sofá duro do pequeno saguão quando reconheci o carro de Edward estacionando no meio-fio, e ambos saltaram, caminhando até a academia. Eu levantei para encontrá-los na porta, estranhando o fato de Edward ter acompanhado Claire.

- Ah meu Deus, mãe. – ela disse ao me ver, sem nem mesmo me cumprimentar. Me inspecionou de cima a baixo, e eu segui seu olhar para ver o que a incomodava tanto.

- O que foi? – perguntei.

- Tsc. Eu sabia. É claro que você ia colocar a roupa mais ferrada do seu armário. Toma. – ela falou buscando algo em sua mochila, e me entregou uma regata e uma calça preta de lycra, que ainda tinham etiquetas e pareciam caber apenas metade de mim nelas.

- De onde você tirou isso?

- Eu comprei ontem quando fui comprar minhas roupas de malhar. Veste isso, por favor. Senão, os professores vão querer te colocar na aula de hidroginástica junto com as velhinhas. É sério. – ela avisou, e eu peguei a roupa, boquiaberta. Edward estava parado ao lado de nossa filha, apreciando nossa conversa, enquanto claramente segurava gargalhadas. Eu comprimi os olhos para ele.

- Edward. E você, porque está aqui? – perguntei rispidamente.

- Bom dia, Bella. Desculpe, mas eu tinha que vir aqui ver isso. Sabe, você, em uma academia.

- Aham, claro. Riam de mim. Mas saiba que a culpa é toda dessa garotinha aqui. – falei apontando para Claire, e sentindo-me surpreendentemente mais irritada por estar acordada a essa hora, do que por Edward estar presente.

- Mãe, você disse que era academia em troca de fazer a dieta. Você pediu por isso! – ela me lembrou, e eu quase me chutei por ter tido a brilhante ideia. — Vai se trocar logo, por favor, pois a aula de power ioga começa em 5 minutos.

- Claire, isso não vai caber em mim.

- Claro que vai. É tamanho único. Anda logo. – ela disse com seu modo impaciente de ser. Eu bufei e saí andando em busca do banheiro.

Antes de sair do saguão de entrada, retornei para a porta com um objetivo.

- E você não vai ficar aqui para assistir, vai? – inquiri a Edward, que permaneceu com os braços cruzados e encostado contra a parede do lado de dentro.

- Não. – ele sorriu de uma forma que eu sabia que escondia uma mentira descarada. Ergui as sobrancelhas até que ele dissesse a verdade. — Ok, talvez... Um pouco.

Dessa vez, eu cruzei meus braços, infantilmente batendo o pé no chão.

- Se ele não for embora, eu não saio daqui. – declarei para Claire. Ela rolou os olhos, mas virou-se para Edward.

- Pai, eu sei que prometi que deixaria você assistir esse momento épico, mas... – ela falou, confirmando o seu status de traidorazinha contra mim.

- Já entendi. – disse ele, desencostando da parede, mas inclinando-se para sussurrar para Claire em um tom alto. Propositalmente olhando para mim. — Mas eu vou sentar ali, e se eu ouvir algum grito, posso correr até a sala.

- Fechado! – ela disse rindo em conspiração, mas recolheu o rabo entre as pernas quando notou meu olhar feroz. Claire foi andando na minha frente para procurar a sala de power ioga. E eu já estava morrendo de medo. Qualquer coisa que tivesse um power na frente, não podia ser bom.

- Vai mesmo ficar por aqui? Isso pode demorar um pouco. Na verdade, umas duas horas. – perguntei a Edward, já que ele provavelmente devia ter coisas melhores a fazer.

- Eu trouxe um livro. E não tenho nenhum compromisso, então... – ele deu de ombros.

- Bom, a escolha é sua. Mas se você aparecer lá...

- Já sei, já sei. – Edward falou, e sentou-se no sofá desconfortável, portando seu irritante sorriso. Eu fui atrás de Claire para não me irritar ainda mais.

xxxx

- Chega, por favor, chega. Eu já estou vendo a luz! – falei em meio a arfadas, sem ter mais forças para ficar de pé.

Meia hora havia passado. Nós estávamos terminando o aquecimento, apenas, e eu já queria processar o treinador por tentativa de homício. No caso, o meu.

- Mãe, deixa de ser... – Claire falou com a voz esforçada. — Fracote. Eu estou ó...ótima. Aguente firme.

Eu olhei para ela, com a cabeça entre as pernas. Tudo doía, tudo. Eu me perguntava a todo momento se estávamos mesmo na turma correta; quer dizer, isso não deveria ser ioga, uma aula embalada por movimentos leves, de respiração e relaxamento? A expressão no rosto da minha filha não me enganava. Ela estava sofrendo tanto quanto eu.

- Sabe. – eu disse engolindo em seco. — Eu acho que... aquela aula de hidroginástica com idosos não soa tão mal.

- Sem. Chances. – ela disse, respirando fundo, e quase se jogando no chão quando o treinador declarou o fim da tortura, dando uma pausa para bebermos uma água antes de retornamos à segunda parte da aula.

Eu me arrastei até o bebedouro sozinha, já que Claire havia ficado estirada no chão. Quando voltei, ela não estava mais lá. Eu esperei até que o treinador voltasse a dar as ordens, mas Claire não tinha aparecido, então resolvi sair para procurá-la.

Ela não estava no banheiro, ou no bebedouro, e nem em nenhuma outra sala de ginástica. Eu fui até o saguão, porém Edward também não estava por lá.

- Com licença, você viu o homem que estava sentado naquele sofá? – perguntei, tendo a nítida sensação de que ele estaria junto de Claire.

- Ah, e como eu poderia não notá-lo? – riu a recepcionista, de modo insinuante. Seu sorriso sumiu ao reparar a insatisfação em meu rosto. — Bom, ele saiu com uma menina, se é isso que você quer saber. Acho que foram para aquele lado.

Ela apontou o caminho e eu segui, indo parar na lanchonete da academia. Eu só pude caminhar indignada até os dois, que estavam sentados na bancada da cantina.

- Eu não acredito nisso! – exclamei incrédula. Claire virou-se e olhou para mim como se tivesse sido pega em flagrante, o que era a mais pura verdade.

- Mãe, é que... O papai estava lá sozinho na portaria, e ele disse que estava com fome. Sabe, eu não gosto de deixar as pessoas fazerem uma boquinha sozinhas, e...

- Claire, você insistiu nessa aula, e agora me abandona? Venha, levanta daí, e vamos voltar. – falei acenando uma mão para que ela me acompanhasse. Minha filha mordeu o lábio inferior, entreolhando pra mim e Edward.

- É que... está doendo, mãe. – ela falou com a voz miúda para me fazer sentir pena.

- Você quer ou não fazer isso? – eu perguntei para esclarecer. Era claro que, assim que ela dissesse que havia desistido, eu sairia correndo sem olhar para trás. Mas não queria que ela desistisse para continuar com paranóias e tentar fazer maluquices para emagrecer.

- Eu quero. Eu preciso. – falou incerta.

- Mas...? – disse para que ela continuasse.

- Não sei se estou pronta.

- Deixe ela fazer o que ela achar melhor agora, Bella. – interviu Edward, não ajudando em nada. Eu me refreei para não mandá-lo calar a boca.

- Filha, posso falar com você? – eu chamei, e ela me acompanhou quando andei até o canto do pátio aberto onde ficava a cantina. Paramos ao lado de uma quina, e eu pus as mãos em seus ombros, fitando-a diretamente.

- Claire, meu amor, me diga o que você quer? Fale a verdade. Se você não quiser, não se sinta obrigada. Mas se você quer mesmo fazer exercícios, assuma um compromisso.

Ela suspirou.

- Eu preciso emagrecer, sei disso. Mas é que é tão difícil, e eu sei que qualquer outra aula será igualmente dura.

- Ok. Mas primeiro me diga, honestamente, de onde você tirou essa história de que "precisa emagrecer"? Eu já disse que você é perfeita, não tem nada de errado com seu corpo.

- Eu sei, mas... – ela começou a dizer, mas seu olhar encarava os tênis. — É que já são três calças que eu perco porque não cabem mais em mim. Sabe, tem gente que não gosta de garotas de bumbum grande, e tal.

Eu comprimi os olhos com desconfiança. Ela não era assim há alguns meses; minha filha sempre fora confiante de si mesma, então todo esse desconforto tinha que ter a influência de alguém.

- Tem gente? Que tipo de gente?

- Bem, sabe, as garotas do último ano... E os garotos também. E... é... Jake. – ela murmurou a última parte, porém eu pude ouvir perfeitamente. Segurei seu queixo delicadamente para erguer seu rosto, que estava virado para baixo o tempo todo.

- Ei. Se o Jake falou qualquer coisa ruim sobre você, então é porque ele não te merece. Ouviu? – eu disse firmemente, e ela mais uma vez suspirou.

- Bem, não é que ele tenha falado com todas as letras, mas é que... Sabe, a ex dele é toda magrela, e ela já tem quase dezoito anos e deve vestir tamanho PP, enquanto eu tenho quase quinze e já estou saindo do P. E outro dia, eu ouvi ele comentando sobre o quanto achava linda a Kate Moss, aquela modelo. Você sabe como ela é pequena.

- Então ele não te disse nada pessoalmente? – inquiri, e Claire negou com a cabeça. — E mesmo assim você tirou a conclusão de que ele não gosta da sua aparência?

- Bem, é. Ele não disse nada na minha cara, mas só pode ser verdade, mãe. E ele nunca disse nada sobre minha aparência, a não ser uma vez na festa da Kim. Ele falou que eu estava bonita, mas eu sei que era só pela quantidade de maquiagem que Rose me fez usar.

Sorri levemente para ela.

- Claire, você só está insegura, e começou a criar fantasias na sua cabeça. Eu tenho certeza que Jake não acha nenhum defeito em você. – falei. Eu queria acrescentar que ele era um adolescente de dezesseis anos, que certamente adorava qualquer tipo de mulher, mas achei que a assustaria.

- Duvido muito. Ele nem me chamou pra sair ainda. – ela confessou, e eu aproveitei a deixa para fazer uma proposta.

- Hm. Bom, você pode me contar isso quando estivermos em uma lanchonete decente, tomando um milkshake. Que tal?

Ela me fitou desconfiada.

- Mas você quer mesmo arruinar qualquer tentativa de emagrecimento, hein? E o papai? Eu não quero falar sobre isso na frente dele...

- Ah. – falei olhando para ele. — Bem, a gente dá um jeito de despistá-lo. Ele não tem nada melhor pra fazer não?

- Na vedade, não. Ele ia ficar a manhã toda aqui, e depois iríamos almoçar em casa. Parece que a Bisca... a Tanya fez uma viagem a trabalho, e ele está livre dela essa semana.

- Ok. Eu dou um jeito nisso. – falei piscando um olho. — Vem, um milkshake de baunilha me espera. Eu mereço depois de quase me virarem pelo avesso ali dentro.

Nós acabamos saindo para a lanchonete fast-food mais próxima, ao lado do parque de crianças; o que significava que o local estava cheio para o horário, e eu fiz Edward ficar na fila para pegar nossos pedidos, já que ele havia insistido em nos acompanhar. Enquanto esperávamos ele voltar, Claire conversou comigo sobre o menino.

Ela pareceu reservada e tímida, como eu esperava, mas podia ouvir em sua voz o quanto ela queria que qualquer coisa entre eles desse certo. Ao menos eu sabia que Jacob era um bom rapaz, e fiquei tranquila por perceber que ele não a pressionava para apressarem as coisas. Me dava calafrios ter que sequer pensar em colocar o meu bebê para tomar contraceptivos, ou algo assim. Definitivamente ainda não estava preparada para isso.

Nós decidimos que estava na hora de Claire fazer alguma atividade física regular, já que ela ainda parecia encucada sobre isso. A escola oferecia diversas modalidades, mas, embora ela gostasse de esportes, a sua agenda não permitiria a responsabilidade de entrar para algum time, como certamente aconteceria. Além disso, eu tinha certeza que, mais cedo ou mais tarde, Claire desistiria por achar outra coisa mais interessante para fazer — minha filha se entediava tão rápido das coisas, que era difícil algo prender sua atenção por muito tempo.

Como era uma ótima mãe, me comprometi a ajudá-la em apoio moral, e começaríamos em exercícios leves, como caminhadas e andar de bicicleta no parque. Eu não sei em que horário faria isso, e estava mais do que receosa de que ela iria me acordar todos os dias em uma hora ingrata para irmos correr. Talvez eu pudesse convencê-la de tirarmos os equipamentos de ginástica empoeirados da garagem.

Nós três acabamos tendo um almoço cedo, na lanchonete, e a companhia de Edward não foi tão desagradável quanto podia ser. Ele estava atipicamente quieto, parecendo estar com problemas a pensar em sua mente, mas eu não toquei no assunto.

Entretanto, Claire fez questão de tocar no assunto sobre como seu pai e eu iríamos trabalhar juntos.

- Nós não vamos trabalhar juntos, Claire. Eu duvido muito que o encontrarei por lá. – disse suavemente.

- Mas vocês estarão trabalhando para a mesma empresa, com o mesmo propósito. Dá no mesmo. – retrucou ela.

Nós andávamos pela calçada em direção a onde Edward havia estacionado o carro. Ele me daria uma carona até em casa, e depois ambos voltariam para o seu apartamento. Entretanto, minha filha empacou ao avistar uma loja de cupcakes.

- O que foi? – perguntei.

- Ah, não, Claire. – chamou Edward parecendo aborrecido, mas era tarde demais, ela já estava adentrando a pequena loja, me puxando pelo braço.

- Vem, vocês dois! Eu disse que ia comemorar com um bolinho hoje, pai. Você precisa fazer seu pedido. – ela disse, e eu franzi o cenho. Pedido?

De repente, a lâmpada acendeu-se quase literalmente em minha cabeça. A recordação de que hoje era aniversário de Edward me atingiu, e eu rapidamente senti tomar conta de mim o embaraço por ter esquecido.

- Oh, céus, é claro! Hoje é seu aniversário. Desculpe, eu sequer reparei que já era dia 20. – falei tentando remendar a gafe, embora ele não parecesse chateado comigo, e sim com Claire por ter me lembrado.

- Não tem problema. Na verdade, eu nem queria comemorar, foi Claire que insistiu nisso desde quando chegou lá em casa na sexta.

- Pai, pare de ser resmungão. Você está fazendo só trinta e três, não setenta e três! Eu não vou deixar você passar em branco, vem! – ela falou, e dirigiu-se até o balcão para pedir um dos pequenos bolinhos coloridos que abarrotavam a vitrine. Tanto Edward quanto eu não pudemos fazer muito, a não ser observar o Furacão Marie Claire em ação, e nos sentamos em uma mesa para três, no canto, esperando-a voltar.

- Bom, feliz aniversário. – falei a Edward, um pouco sem jeito.

Ele deu um sorriso igualmente constrangido, mais interessado em mexer nos dedos de sua mão do que ouvir meus cumprimentos.

- Obrigado.

- Você não parece muito feliz... É a ideia de estar ficando velho que te incomoda? – indaguei.

Franzindo o cenho, Edward refletiu em sua resposta antes de falar.

- Não sei. Não exatamente. É só... há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, nesse momento, parece que estou vivendo tudo olhando de fora. Não que seja ruim, é só que...

- Eu acho que tenho uma ideia. – falei com compreensão. Era quase como eu me sentia, às vezes, com a forma como muito havia mudado em rápida progressão nos últimos meses.

Em seguida, ouvi minha filha dando instruções ao funcionário.

- É para aquela mesa ali, por favor.

Ela vinha carregando um cupcake com uma vela fina acesa espetada no meio do bolinho, enquanto o rapaz levava uma bandeja com outros três cupcakes. Quando chegou à nossa mesa, seu sorriso mal cabia em seu rosto.

Ela puxou o coro da canção de aniversário ao depositar o doce vibrante na mesa, e nós cantamos a música para um Edward envergonhado, de um jeito que eu não via há anos. Chegava a ser engraçado, eu tinha que ser sincera.

Parada ao lado do pai, o olhar de Claire era pura admiração e amor para ele, quase fazendo-me sentir ciúmes instintivos, o que me fez chegar a conclusão de que, talvez, esse fosse um traço meu que jamais mudaria.

Um lado de mim era extremamente satisfeita por eles terem uma ótima relação; entretanto, uma outra parte — mais feia e escondida sob os panos –, sentia o inevitável receio de que um dia, quem sabe, Claire cairia em si e perceberia que não precisava mais de mim.

Eram ciúmes irracionais, que apenas só podiam ser explicados com o fato de Claire ser minha filha, só minha, e eu não queria perdê-la para alguém que, embora possuísse o amor dela igualmente, não havia passado por tudo o que passamos juntas enquanto ela crescia.

Era tolo e infantil, disso eu tinha plena consciência. Mas era inevitável.

- Parabéns, paizinho. – falou ela, envolvendo o pescoço dele com força. Claire espalhou vários pequenos beijos na lateral da face de Edward, de um modo tão carinhoso que quase me deixou com vontades de registrar aquele momento, como eu já havia feito diversas vezes, há tanto tempo. Edward apenas fechou os olhos e sorriu; eu reconheci sua expressão de felicidade naquele momento.

- Faça um pedido, Edward. – murmurei para ele. Seus olhos se abriram, e ele olhou para mim antes de inclinar-se para apagar a vela, enfim desviando seu olhar.

Momentos assim quase me faziam esquecer o passado, e fingir que nada de ruim jamais havia acontecido entre nós. Mas a fábula durava pouco tempo até as recordações retornarem para o canto de mágoa na minha memória permanente, e então eu voltava a assumir o meu posto de ex-mulher.

- E esse ano vai ter festa? Eu lembro de Esme ter comentado alguma coisa rapidamente quando eu a encontrei essa semana. – perguntei a Edward, que agora devorava seu cupcake rosado com uma colher que parecia pequena demais em sua mão. A cena era cômica, mas eu me refreei para não rir.

- Ah. A festa. Bem, você sabe que eu nunca tenho escolhas nesse assunto. Dona Esme virará bisavó e continuará me dando festas de aniversário como se eu ainda fosse criança. – ele resmungou.

A casa de Carlisle e Esme sempre fora o palco para diversas festas ao longo dos anos, porém, ela fazia questão de que as dos aniversários de seus filhos fossem as melhores de sempre, e a cada ano superando a do ano anterior. Não tinha como negar que eram, de fato, ótimas comemorações. Este ano, como a data de aniversário de Edward caía em um domingo, Esme preferiu comemorar no próximo sábado, como eles contaram. Eu ainda não sabia se poderia ou não ir. Ou se sequer estaria com ânimo. Não havia ido nos três primeiros anos de nossa separação, mas desde então eu comparecia, nem que que fosse por apenas algumas poucas horas.

Eu já estava completamente estufada ao sair da loja de bolinhos, tendo já almoçado besteiras na lanchonete. A caminhada de volta até o carro foi mais lenta que o costume, e Claire parecia igualmente empanzinada.

- Você tem um sal de frutas ou algo assim em casa? – falei para Edward, apontando com o olhar para Claire, que andava se arrastando pela calçada, usando o braço dele como apoio.

- Tenho. – ele falou.

- Ei, mãe, me deixa. Eu estou ótima. – ela falou franzindo o rosto, mas segurou sua barriga em reflexo, sem dúvidas a uma contração.

- Claro que você está bem. Tão bem quanto eu, com exceção de que você comeu não um, mas dois cupcakes. Eu juro que vamos usar aquelas bicicletas o quanto antes, porque dessa vez, sou eu que estou com peso na consciência.

- Aham. – ela murmurou em um gemido. Edward sacudiu a cabeça, mas estendeu seu outro braço.

- Vocês estão lerdas demais. Vamos, eu te ajudo a caminhar também. – falou. Embora eu quisesse protestar contra a sua insinuação, pus minhas mãos sobre seu antebraço, me apoiando para tirar todo o peso que a comida mal posicionada em meu estômago fazia ao atrapalhar meus movimentos normais. Éramos tão patéticas.

Quando cheguei em casa, o sinal da secretária eletrônica piscava, e eu corri para verificar as cinco chamadas perdidas.

- Bella, seu celular parece estar desligado. É o Riley. Bem, sobre aquele sistema da linha do tempo que conversamos na sexta... Eu revi umas coisas, e agora estou com receio de que não dê certo. Posso te encontrar às três para falarmos sobre isso? É mesmo urgente, e eu sei que é um saco estar interrompendo o seu final de semana, mas... é isso. – foi o primeiro recado que ouvi de Riley. Ele terminou o último com um pedido de desculpas por parecer um perseguidor, e minha risada acompanhou a sua na gravação da máquina.

Saí correndo para me aprontar, já que o relógio marcava quase duas e meia da tarde, e eu havia ligado para combinar que Riley viesse até mim. A campainha tocou três minutos após as três, enquanto eu terminava de secar meus cabelos. Desci rapidamente as escadas, reparando que não havia tido tempo de trocar a roupa fresca que eu usava por conta do secador. Ele fez soar a campainha mais uma vez, e eu fiz uma dança ridícula no meio da sala, indecisa se subia ou atendia a porta.

Merda. São apenas shorts. Curtos, mas são apenas shorts comuns, Bella.

Decidi não me importar, já que Riley não era nenhum desconhecido, afinal, e atendi a porta. Eu o cumprimentei com uma expressão constrangida, e me desculpei pelos meus trajes.

- Desculpe, mas você é pontual demais. Eu estava secando os cabelos, você me pegou desprevenida. – eu avisei ao acenar uma mão sobre meu corpo, guiando-o até o sofá.

Ele sorriu largamente.

- Que isso, Bella. Não tem o menor problema. Fique à vontade. Quer dizer, você está na sua casa, não é?

- Ok... – divaguei, sentindo as pernas mais do que nuas agora. — Bom, você pode ir começando a organizar o que precisa me mostrar para discutirmos. Eu vou, sabe, colocar algo menos... embaraçoso.

- Sem problemas. Faça o que achar melhor. – ele falou com jeito despretensioso de ser, e eu me senti aliviada por ele não ter levado tão a sério a minha gafe de vestuário. Era reconfortante.

Eu voltei usando jeans e uma camiseta polo lisa, mais modestas que as anteriores. Passamos toda a tarde discutindo um novo esquema de armazenamento de informações levantadas para o livro, e só paramos quando a noite me obrigou a acender as lâmpadas do local.

Eu havia descoberto que trabalhar em dupla, de uma forma intimista com um amigo antigo, era uma sensação calorosa e menos árdua, diferente de muito que já havia vivido no trabalho. A conversação fluía facilmente, e nosso entendimento refletia o conhecimento que tínhamos da personalidade um do outro. Era algo bom, e eu decidi que escrever esse livro já se mostrava estar sendo um prazer, muito mais do que uma tarefa trabalhosa, como eu havia pensado que seria.

- Acho que já cobrimos tudo por hoje. – anunciou Riley, levantando-se para se espreguiçar, e olhou para o relógio em seu pulso. — Hm, eu não sei você, mas estou faminto. Que tal sairmos pra garantirmos um jantar?

Sequer pensei duas vezes antes de responder, já que minha barriga roncava embaraçosamente.

- Acho maravilhoso. Deixe só eu pegar meu casaco e minha bolsa, e podemos ir.

Paramos em um pequeno restaurante chinês recém-aberto, o qual eu esperava para ir desde que abrira. Claire havia me ligado dizendo que só chegaria em casa quando já fosse a hora de dormir, e que jantaria com o pai, então eu pude ir tranquila sem me preocupar em deixá-la sozinha sem alimento em casa.

Foi um jantar divertido e agradável, deixando-me com uma sensação boa ao final de um domingo puxado, para enfrentar a semana que viria. Ao final, quando Riley insistiu em pagar a minha parte, eu protestei, chegando a roubar a conta de suas mãos, enquanto o garçom nos olhava com divertimento.

- Bella, deixe de ser teimosa e me devolva essa porcaria. – ele falou com uma risada, levantando-se do lugar para segurar o meu pulso.

- Não, e não! – eu bati de leve em sua mão e em contrapartida, ele esticou a outra para atingir o local sob minha cintura. Era como se ele soubesse exatamente onde estava o meu ponto mais fraco para sentir cócegas.

- Para! – eu gritei. — Não vou soltar, me deixe pagar minha parte!

- Só quando você soltar. – ele gargalhava a essa altura.

- Não vou soltar, todos já estão olhando para nós. Largue! – reclamei, levantando da cadeira. Eu sentia todos os olhares do restaurante voltados para nós, mas eu sequer me importei; estava me divertindo, mesmo agindo como uma criança. Eu sabia o quanto estávamos ridículos, mas eu não tinha mais forças para relutar.

- Você vai me fazer rasgar essa nota. Me entregue logo. – protestou Riley, e com um último ataque de cócegas, conseguiu me fazer soltar o papel da conta, rapidamente entregando uma nota de cinquenta ao garçom, que agora já ria abertamente de nós. Riley deixou que o garçom ficasse com o troco, e acenou com a cabeça para que eu andasse na frente.

Peguei minha bolsa para sairmos e marchei em derrota, bufando, mas não conseguindo mascarar a minha diversão.

- Me aguarde só da próxima vez, senhor Biers. – ameacei com um dedo.

Riley deu de ombros, cruzando os braços sobre o peito enquanto andava ao meu lado na calçada.

- Fui eu que convidei, Bella. Essa é a regra.

- Ok, então da próxima vez, eu te convido para jantar, e eu pagarei para você.

Riley me olhou com uma expressão surpresa, que transformou-se em algo que só poderia ser malícia. Ele inclinou-se para me responder, fazendo parar o meu caminhar.

- Então isso quer dizer que vai haver uma próxima vez, Bella? – perguntou em meu ouvido, arrepiando todo meu lado esquerdo do corpo com sua voz grave. Eu devia estar incomodada, mas apenas deixei sentir o seu hálito quente acariciando minha orelha e meu pescoço. Não era nada desagradável, pelo contrário.

Baixei os olhos ao lhe lançar um sorriso tímido. Flertar nunca foi o meu forte, mas eu me sentia livre e mais ousada nessa noite.

- Quem sabe. – eu disse, e ele riu, afastando-se para que voltássemos a caminhar.

- Tomara. Eu sempre me divirto muito com você, Bella. Você é uma ótima companhia. – declarou Riley, com mais seriedade do que o clima de antes.

- Acho que posso dizer o mesmo. – afirmei. Nós havíamos chegado ao seu carro, e entramos. — Sabe, acho que nunca fiquei tão grata em algo ter dado errado em um trabalho meu. Quer dizer, se não fosse por aquele outro jornalista desaparecer, eu nunca teria a chance de trabalhar com um amigo. O quão legal isso é?

- Eu sei. Você lembra de quando a gente fazia estágio juntos, e sonhávamos alto sobre o que cada um estaria fazendo nos quinze, vinte anos seguintes? – indagou ele ao dirigir para me deixar em casa. — Nós chegamos bastante longe, e em menos tempo. Até mais do que sonhamos, eu diria.

- É. Acho que sim, Riley. – sorri contente para ele, e embora a conversa tivesse terminado ali, o resto do caminho foi confortável. Nós combinamos de ter uma nova reunião na terça-feira, e eu me despedi com um abraço após agradecer a ele pelo jantar.

Naquela noite, me deitei pouco depois de minha filha chegar. Adormeci tranquila, felizmente sem sonhos que me transtornassem demais — a não ser aqueles que volta e meia apareciam e me faziam acordar com o corpo quente e suado. Necessitado.

Dessa vez, o amante misterioso possuía um rosto, mãos e voz bastante reconhecíveis. Era uma sensação nova, mas meu inconsciente me permitiu aproveitar as emoções providas pela novidade.

Eu não queria, mas se minha mente decidira infiltrar aquele amigo em meus sonhos, eu não via motivos para relutar.

xxxx

Claire

A última aula de segunda-feira havia terminado há dez minutos, e eu já começava a me irritar ao esperar pela minha banda em frente a portaria.

Nós não tínhamos tempo a perder. Se não quiséssemos pagar um mico em frente a toda a escola, então tínhamos que ensaiar, ensaiar, e ensaiar para que as três músicas que apresentaríamos em julho, na final do campeonato estudantil de basquete, ficassem perfeitas.

Mas aquelas meninas estavam demorando tanto, fazendo sabe-se lá o quê, que eu até mesmo começava a desconfiar que era a única a ter um comprometimento sério com isso. A banda tomava um grande tempo da minha vida, e tenho certeza que da delas também, portanto negligenciar os nossos compromissos era nada menos que uma grande falta de educação.

Quando eu já estava a ponto de pegar o celular para gritar exatamente tudo isso a qualquer uma delas, avistei Jacob saindo pelo corredor, sendo seguido por mais três pessoas. Entretanto, eu sequer tive interesse em reparar quem, exatamente, o acompanhava.

Quer dizer, como eu poderia olhar para qualquer outro lugar, quando ele vinha com aquele sorriso para mim, sem nem desviar o olhar do meu um segundo enquanto descia as escadas para me encontrar?

Eu levantei de onde sentava, e limpei as mãos que haviam ficado asquerosamente meladas por suor. Não adiantava quantas vezes eu o via, meu estômago continuava dando pontadas de ansiedade quando notava a presença de Jake, mesmo depois de quase um mês desde a primeira vez que nos beijamos.

Quase um mês desde que eu havia, finalmente, descoberto a sensação dos seus lábios. Ou de qualquer lábios, para ser exata.

Eu nunca fui uma menina exatamente romântica, porque, convenhamos, casais melosos são um pé no saco, e pessoas assim são mais ainda. Mas a memória daquele momento ficaria para sempre guardada comigo, já que havia sido tão especial; Ele tinha feito ser especial, como eu jamais pensava que fosse possível.

Havia ficado com medo de que algo tivesse o espantado e Jake tivesse fugido de mim, já que ele não havia aparecido na escola na segunda-feira após a fatídica festa da Kim, naquela sexta. No entanto, Jake me chamara para conversar, na hora do almoço da terça, onde, para meu alívio, ele me contara que Rachel havia ficado com uma ressaca terrível durante todo o fim de semana, e ele precisou ficar de babá para levá-la em um médico na segunda.

Ele dissera que as coisas com seu pai não estavam nada bem. Quando eu ofereci minha solidariedade, ele me agradecera de uma forma que eu não esperava, mas que tinha sido a melhor coisa a acontecer comigo desde… bem, desde que eu ganhei aquele computador aos dez anos.

Seus olhos haviam desviado por um instante para baixo, e no segundo seguinte tudo o que sentira foram lábios que não eram os meus, mãos segurando minha bochecha, e calor e a boca de Jacob me beijando.

Jacob me beijando.

Eu não me lembrava bem dessa parte, logo após o choque inicial, mas eu devo ter paralisado e prendido a respiração, pois rapidamente Jake afastara-se, e sua mão tombara do meu rosto. Tudo o que eu mais quis naquela hora foi me dar um soco por tamanha estupidez, ficando ali parada feito uma múmia. Para consertar aquilo, eu me inclinei num impulso e, enfim, encostei minha boca na de Jake novamente, rezando para fazer a coisa certa.

Imagine só se eu começasse a salivar excessivamente, feito um buldogue babão?

Foi desajeitado, no início, porém conforme os segundos se arrastavam, eu me sentia confiante para imitar os seus movimentos. Meu coração martelava em meu peito e em meus ouvidos enquanto eu sentia tudo o que Jake me proporcionava naquela hora, ensinando-me a achar o nosso ritmo.

Não poderia haver melhor professor do que ele, isso não se discutia.

Seus lábios eram tão macios, mas firmes, e algo que pareciam ser resquícios de barba faziam leves cócegas em mim. Era maravilhoso e gostoso, de uma forma diferente de tudo o que eu já provei.

E então, naquele dia, eu descobri que beijar era a melhor coisa do mundo; talvez até melhor que banana split com calda quente de caramelo — e isso já dizia muito.

A cada dia nós evoluíamos um pouco. Quando eu provei sua língua pela primeira vez, algo muito estranho ocorreu, me deixando com os joelhos moles e a cabeça zonza. Jake teve que me apoiar para que eu não desmoronasse em pleno corredor da escola, e eu me sentia um pimentão de tanta vergonha pela minha reação. Eu não sabia se era normal ficar tão afetada assim com simples beijos. Bem, todas as meninas não pareciam nada afetadas, e elas faziam isso a qualquer momento. Vai ver era uma coisa com a qual você devia se acostumar com o tempo.

O que me admirava, além da sensação maravilhosa que os beijos de Jake me proporcionavam, era que eu nunca havia achado que um dia eu fosse gostar tanto disso. E também jamais havia criado muitas expectativas sobre o que fazer ou o que esperar.

Vamos ser sinceros, trocar saliva com alguém não é a atividade mais normal que existe. Além do mais, quando eu era pequena, eu vivia flagrando meus pais se beijando — e vou lhes dizer que eram uns beijaços desentupidores de pia completamente nojentos –, então talvez eu tenha ficado um pouco traumatizada.

Mas era diferente com Jake. Era bom. Muito bom.

Entretanto, a bolha de encantamento do meu momento com Jake havia sido brutalmente estourada quando aquela idiota da Leah chegou para arruinar tudo. Foi um barraco completamente desnecessário na escola, que, além de uma quase aparição para a diretoria, me custou duas semanas separada da minha melhor amiga. Tudo porque ela era uma imbecil e maria-vai-com-as-outras, que não sabia apoiar a felicidade das amigas. É claro que eu falei isso tudo pessoalmente para Rachel, e apesar de ela ter me xingado de menininha iludida, nós resolvemos que não podíamos viver sem a outra.

Era uma verdade bastante inconveniente.

Agora, eu parecia estar viciada em seus beijos, pois tudo o que eu mais queria ao vê-lo era correr para seus braços e me plantar em sua boca, como aquelas ventosas da estrela do mar que costumava ter no aquário do escritório do papai. Eu me sentia tão patética a ponto de me comparar a ela, mas era exatamente assim.

Rapidamente, nos encontramos no meio do caminho, e eu subi na ponta dos pés para alcançar seu rosto. Suas mãos foram parar na minha cintura e eu finalmente pude matar a saudade dele. A gente não estava namorando, ou algo assim. Quer dizer, Jake sequer havia me chamado para sair em um encontro de verdade, mas nós passávamos tanto tempo juntos, ultimamente, que era difícil definir nossa situação com qualquer outra coisa.

Eu sequer havia me afastado para, enfim, dizer oi com palavras, quando uma garganta desagradável se limpara atrás de Jacob. Tentei bloquear a intromissão, mas ela foi insistente, me obrigando a interromper nossos movimentos.

Eu revirei os olhos ao ver que Leah estava parada com cara de poucos amigos, ao lado de Kim e Rachel. Obviamente, havia sido ela a nos interromper.

Ah sim, e o detalhe era que, como se não bastasse eu ser melhor amiga da irmã do menino por quem eu era a fim há um ano, a ex-namorada dele também tocava na Little Lost Girls, apenas complicando minha vida por ter que conviver com ela. E eu sequer podia reclamar, pois Leah era muito, muito boa.

- Vamos logo, nós não temos a tarde toda para ficar aqui assistindo essa pouca vergonha. – falou ela, com nojo na voz.

- É mesmo. – disse Rachel, mas me mandou um olhar de desculpas. — Quer dizer, vocês podem continuar a sessão pouca vergonha enquanto nós vamos para minha casa, mas por favor, vamos logo.

Eu peguei a mão de Jacob, e sem mais palavras, caminhamos até o seu carro. Eu estava com saudades dele, já que não havia tido tempo de encontrá-lo pela manhã, uma vez que havíamos ficado estudando na hora do almoço, então eu peguei as chaves de sua mão, e as entreguei para Kim.

- Dirige pra gente, por favor. Eu preciso dar uma palavrinha com ele aqui atrás. – eu falei, mas vi que as sobrancelhas de Jake foram parar quase no fim de sua testa.

- O quê? Não, ninguém pode dirigir além de mim.

- Por favor? – pedi docemente. Jake franziu o cenho, entreolhando meus olhos e o beicinho que formara involuntariamente em minha boca. Derrotado, ele xingou baixou, mas me seguiu para o banco traseiro. Eu sorri com a vitória.

Rachel ficou o tempo todo fazendo sons de asco, sentada ao meu lado no assento sobressalente, enquanto eu segurava o rosto de Jake, matava minha saudade, e parava para recuperar o fôlego. Eu não me importava que fosse completamente estranho fazer aquilo com a irmã dele tão perto, mas Jacob me fazia esquecer de tudo ao redor.

O ensaio foi bom, na medida do possível, mesmo que eu tivesse que dar umas broncas quando as meninas ficavam irritantemente de brincadeiras, dispersando nossa concentração. Elas me chamaram de General, mas eu havia sido até mesmo boazinha de deixar Kim e Leah saírem para fumar um cigarro por uns dez minutos.

Jake não ficou no estúdio, já que se ficasse, eu não conseguiria prestar atenção em outra coisa. Quando eu fiquei sozinha com Rachel, em um dos intervalos, nós voltamos a fazer o que nos preocupava nessa semana, além de ensaiar para o nosso show.

O paradeiro do McSky nos Estados Unidos.

O show era essa semana, na sexta, e ainda não tínhamos certeza se conseguiríamos ou não vê-los no hotel em Nova York.

- Eu acho que… – ela disse ao olhar as últimas mensagens em seu facebook. — Ah meu Deus. Ah meu Deus, Claire.

Ela parecia estar hiperventilando.

- O que, o que foi? – eu corri até onde ela estava sentada com seu celular. Ela abanou uma mão sobre o rosto.

- Eles. Aqui. – ela disse sem fazer sentido, e apontando para o que ela lia. Eu mesma quis abanar uma mão sobre mim ao ler que a banda estaria em Nova York amanhã mesmo, e que tudo indicava que seria em algum hotel próximo ao Central Park.

- Ah. Meu. Deus. Não acredito nisso. O único hotel de luxo mais próximo ao Central Park é o…

- O do seu pai! – ela exclamou ao completar, e quicou em seu lugar. — Isso! A gente vai conseguir, Claire. Nós vamos nos encontrar com eles. Eu já até imagino, vai ser tão lindo!

- Eu sei! – falei, sentindo-me quicar também. Havia um sorriso em mim que quase não cabia no rosto, e meus dedos já coçavam para ligar imediatamente para o papai e fazer com que ele desse um jeito que nos encontrássemos com o McSky assim que eles chegassem no Le Printemps.

- Eu juro, se seu pai conseguir isso pra gente, definitivamente, ele vai ser o pai mais legal do mundo. Além de ser o mais gato também. – ela riu, e eu acotovelei a sua lateral de leve.

- Ei! Não fale assim dele, é nojento, ok? – protestei. Com mais risadas, Rachel deu de ombros.

- É só a verdade. – ela falou, e deu uma pausa para dar um grito fino e atípico da sua postura. E mais uma vez, quicou. — Nós vamos conhecer o McSky!

Eu apenas sorri, e pulei juntamente com ela. Soltar gritinhos finos já era demais para mim, por mais que meu lado fã clamasse por isso.

Quando as meninas voltaram, carregando bandejas de comida, os olhares de reprovação foram intensos, mas nem eu, nem a minha amiga nos importamos.

Era tudo bom demais para ser verdade, e eu mal podia esperar para vê-los ao vivo logo.

- Se alguém continuar surtando assim por conta de uns moleques famosinhos, eu vou contar para um outro alguém, que tenho certeza que ficará bastante chateado com isso. Sem contar, que zoará essa alguém eternamente. – comentou Kim para Leah, embora ela olhasse para mim. Eu reconhecia o seu tom de brincadeira, mas seria muito embaraçoso se ela, de fato, contasse para Jake.

- Ah, não, por favor, Kim. Faça qualquer coisa, menos contar isso para Jake. – eu implorei.

Minha mortificação não poderia ser maior quando ouvi a voz descendo as escadas até o recluso estúdio.

- Não podem me contar o quê? – perguntou ele.

Merda. Lá vou eu em mais uma situação embaraçosa para minha coleção.

Maldita sincronia.

Notas finais
N/A: Quase consegui postar uma semana depois! Estou completamente sem tempo, mas estou dando um jeito. Não vou abandonar vocês, logo agora que a história está chegando a pontos importantes. Não me abandonem também!

E eu continuo lendo todas as reviews. Podem continuar comentando, viu?

Até a próxima.

Beijos :)