Deixei o celular no viva voz, ainda procurando por Amanda.

Ceci: Fala Tobias!
Eu: Amanda sumiu!
Ceci: O quê? Como isso aconteceu?
Eu: Fui procurar por ela no quarto e não achei.
Ceci: Você já olhou nos outros cômodos da casa?
Eu: Procurei em todo canto, não achei.
Ceci: Procura direito.
Eu: Maria Cecília, eu tô olhando até dentro dos armários. Eu tô desesperado!
Ceci: Ah, quer que eu faça o quê? Isso é culpa sua. Agora eu não posso sair do meu trabalho para procurá-la, dá um jeito aí!
Eu: Tá bom, Maria Cecília. Tchau! — disse desligando em sua cara.

Fui até o quarto das meninas de novo já bem nervoso e chutei a cadeira. Depois sentei na cama e comecei a chorar.

Amanda: Papai!
Eu: Filha? — disse um pouco assustado — cadê você?
Amanda: Aqui em cima!

Olhei para cima e Amanda estava dentro do armário de cima da cômoda.

Eu: Menina, desce daí!

Tirei ela de lá em seguida a abracei bem forte em meu colo aliviado.

Eu: Graças a Deus você tá bem! — a coloquei no chão e segurei em seus braços (não com força, claro) — nunca mais faça isso!
Amanda: Desculpa, papai! Só que eu fiquei triste porque você vai me abandonar.
Tobias: Meu amor, mas eu nunca disse que eu ia te abandonar!
Amanda: Então?

Peguei-a no colo e a sentei na cama em meu lado

Eu: Olha, agora você ainda é muito pequena pra entender. Mas um dia, você vai saber porque estou fazendo isso. Não é nada com você e sua irmã, eu prometo!
Amanda: É com a mamãe?

Fiquei calado por 3 segundos olhando pra ela.

Eu: É, olha... É que o tempo passa e algumas coisas acabam mudando. Sua mãe e eu não sentimos mais o que a gente sentia antes um pelo outro. Agora você não entende, mas um dia você também vai se apaixonar por alguém e vai entender o que eu tô falando.
Amanda: Você nao ama mais a mamãe?
Eu: Eu sempre vou amar sua mãe.
Amanda: Então por que vai embora? Ela não ama mais você?
Eu: Não. Acho que não.

Amanda olhou pra mim um pouco chateada.

Eu: Mas olha... — disse a colocando no chão e me abaixando em sua frente — eu prometo que o meu amor por vocês não vai mudar nada! E eu não vou abandonar vocês, eu vou estar sempre aqui. Eu amo vocês!
Amanda: Quem sabe um dia a gente volte a ser uma família de novo!
Eu: É, quem sabe — disse um pouco pensativo.

Amanda me abraçou bem forte e eu fiquei emocionado mas não deixei meus olhos lacrimejarem. Logo me levantei.

Eu: Bom e então, vamo pra escola?
Amanda: Ahhh, não!
Eu: Ahhh, sim! Vamo logo! Já lanchou? — disse pegando em sua mão.
Amanda: Já — disse pegando sua mochila de rodinha e me acompanhando.
Eu: Então vamos!

Deixei-a na escola onde logo se juntou a Luana. Notei que ela não é muito boa em fazer amizades, não consegue se enturmar. Então falei com a professora e ela prometeu tentar ajudar. Logo fui trabalhar.