Mais Que Um Professor

23 Capítulo 23 - O Primeiro Atrito


Notas iniciais
Primeiramente, gostaria de pedir desculpas. Imensas desculpas. Eu sumi por vários dias. Mas não foi à toa, e eu pensei em vocês todo o tempo. O pino do carregador queimou dentro do meu notebook. Ele não ligava. Fiquei desesperada. Levei a um técnico de informática. O notebook ficou lá por dias e em nenhum deles obtive uma resposta concreta. Eu fiquei louca, pois estava em dívida com vocês. O notebook em si não tinha problema, eu poderia esperar. Mas a pasta com meus textos estava lá dentro. Como eu poderia postar o capítulo? Não tinha como. Nem entrei aqui para não me deparar com mensagens ansiosas e ficar mais triste. Depois de uma semana, o técnico informou que meu notebook tinha morrido, mas que poderia recuperar as coisas que estava dentro. E após semanas, aqui estou eu. Espero que o capítulo valha por toda a demora. Escrevi este capítulo ouvindo duas músicas. Para escrever o começo e o meio, não tirei do modo repeat a música "Girls Just Want to Have Fun" da banda Starfucker (http://www.youtube.com/watch?v=UodDJEE49V0), uma versão muito boa da famosa música da Cindy Lauper. E a partir do parágrafo que se inicia com "Encostada em sua cabeceira, cochilei. Só fui...", ouvi muito a música "Simple As This", do Jake Bugg (http://www.youtube.com/watch?v=xXnIMKceHkk). Para quem quiser, fica como sugestão para acompanhar a leitura. Já deixei o link pra facilitar. Vale a pena também conferir a tradução das músicas. Se encaixa bem com o capítulo, com as cenas, com os sentimentos da Anna.

A Anna de meses atrás, com todas as suas teorias malucas, não acreditaria no rumo que sua vida tomou. E sei que ela me agradeceria por não saber. Na ânsia de realizar os sonhos que o futuro lhe prometeu, ela certamente se perderia e hoje eu não estaria onde estou.

À todas as "Annas" que permitiram a monotonia do dia a dia deturpar suas esperanças: eu vou dormir na casa de um professor. Do nosso querido professor. Por nós.

Atenciosamente, Anna dos 17 anos.

Não sou boa em supor situações, pois minha imaginação sempre me leva a um patamar inalcançável. Mas hoje aposto todas as fichas que acumulei durante toda a minha vida. Meu coração bombeia expectativas. Meu coração bombeia Vitor.

Aluna Anna: "Por conta do horário e para evitar perguntas, achei melhor aceitar seu convite. Espero que não se importe e que eu não atrapalhe. Já avisei minha mãe."

Professor Vitor: "Você nunca atrapalha, Anna. Espero que não fique desconfortável. Os professores logo vão embora. Se quiser tomar um banho, fique à vontade. Tem toalha no armário. E camisetas, se quiser trocar de roupa."

Aluna Anna: "Aceito o banho e a toalha. Roupas limpas eu tenho na mochila. Ando com elas por sempre dormir na Duda. Enfim, obrigada."



Minha realidade se parece com uma roupa larga. Números acima do meu, mas extremamente confortável. Metáforas a parte, minha realidade se encontra acima do que minha idade e adolescência pode abrigar. Treze anos acima de mim, mas que curiosamente, eram anos e situações extremamente confortáveis. Não sei dizer em que momento o universo julgou propício me presentear com essa nova peça. Mas sei dizer o momento em que julguei propício vesti-la: a primeira vez que o vi; a primeira vez em que minha mente viajou entre mares desconhecidos e me agradeceu pelos sonhos loucos e improváveis.

Eu precisava tomar um banho. Guardei minha vergonha dentro da mochila e levantei em busca da toalha. Assim que levantei, me permiti observar o lugar para onde sempre me teletransportei mentalmente. Não era muito diferente do que pensei. Tinha cara de Vitor. Nada fora do normal. Era aconchegante, como os seus braços.

Abri seu armário e me deparei com um homem organizado. Tudo me levava a crer que o equilíbrio regia sua vida. Seu cheiro rapidamente encontrou seu admirador: meu nariz. E ali, naquela cena improvável, eu inspirei o cheiro que trazia o ardor e a calma ao meu corpo.

Assim que peguei a toalha me encaminhei para o banheiro do seu quarto. Como o barulho da conversa dos escandalosos professores era grande, não me importunei com o barulho que o chuveiro iria fazer. A chance de todos estarem entretidos e ninguém perceber era grande.

Saí do banheiro e pensei nele me vendo de toalha. A ideia de alguém me ver nua nunca me apavorou. A ideia de um professor me ver nua nunca me passou pela cabeça. Não tenho problemas com meu corpo, mas não sei se tenho recursos suficientes para atiçá-lo. Imediatamente me dei conta de quem estava começando (insegurança) a me arrastar para um velho amigo (baixa autoestima), e num ato de loucura, com uma grande ajuda da minha mais nova amiga (confiança), gritei para mim mesma: "Você o atiçou com seu jeito de ser. Não fique mal por situações que você nem chegou a viver. Livre-se dos receios". Balancei a cabeça com o intuito de afastar a confusão de dentro de mim e vesti a roupa que estava em minha mochila. O pijama, na verdade. Um shorts preto e uma camiseta branca, dada pela Duda, com os dizeres: Girls Just Want To Have Fun*. Ela considerava a frase como um de seus lemas. Apesar de eu ter a camiseta há um bom tempo, esta deve ser a primeira vez em que sinto uma vontade arrebatadora de fazer jus a frase.

Pelo visto, os professores não estavam com pressa. O tempo não também não tinha pressa e demorava para passar. Sentei em sua cama e mergulhei em meu silêncio interior até ser despertada por uma curiosidade gigante, Duda, querendo saber onde eu estava exatamente. Eu estava digitando a mensagem "Casa do Vit..." quando avistei seu chapéu de praxe. O peguei, encostei na cabeceira de sua cama e tirei uma foto. Mandei para ela com a legenda: "Na Rússia, minha querida."

Encostada em sua cabeceira, cochilei. Só fui acordar com o som da porta do quarto abrindo. Pelo silêncio que tomou conta do apartamento e pelo instantâneo caos – comandado por desejos desconhecidos – que tomou de cada centímetro do meu corpo, percebi que os professores finalmente haviam ido embora. Assim que abri meus olhos vi a maçaneta girando e antes que eu pudesse me levantar, ele entrou no quarto.

– Os professores demoraram tanto que você até cochilou. Peço desculpas novamente. Me esqueci completamente da visita deles.

– Não tem problema, Vitor. Não foi nada. Esqueça isso – sorri para ele da melhor forma que consegui.

Ele sentou perto de mim.

– Então as garotas só querem se divertir, Anna? – com o olhar fixo no meu, para afastar o desconforto e me trazer de volta, perguntou se referindo a minha camiseta.

– Quem não quer? – respondi ao mesmo tempo em que me espreguiçava. Ele riu, aquele sorriso tímido que exige uma interpretação maior. Afinal, esse sorriso terminou com sua língua passando pelo seu lábio inferior.

Enrijeci ao notar que seus olhos percorriam meu corpo, minhas pernas nuas...

– É a primeira vez que te vejo sem uniforme – disse após perceber meu rubor.

Não sabia o que dizer, o que fazer. E ele estava um tanto receoso, como se esperasse algum tipo de autorização da minha parte. Uma autorização para tocar o que seus olhos contemplavam.

Me encaminhei para perto dele... em seu colo. Devagar, minhas mãos se moveram para o seu rosto. Sua barba pinicava em minha pele e aquilo era bom.

– Está tudo bem – sussurrei em seu ouvido.

Movi minha boca sobre a dele, e seus lábios se moveram sobre os meus. Meu corpo queimava. E quando suas mãos envolveram meu quadril, eu pensei em física: olhos talvez não possam transformar luz em calor, mas dois corpos em contato denotam um atrito. Então o abracei mais forte e o beijei como se aquele fosse meu último beijo.

Ele agarrava forte minhas pernas, me puxando para ele. Instintivamente uma de suas mãos foi para debaixo da minha camiseta, e de imediato ele a retirou de lá e parou de me beijar.

Ficamos nos olhando. Eu sabia o que ele queria dizer. Ele sabia o que eu estava pensando.

Eu era virgem. Ele me queria. Ele era meu professor.

– Não tem problema – coloquei minha mão sobre a dele, que estava em cima de uma das minhas pernas, e sorri.

– Não quero que você se arrependa disso no futuro. Sei que nossos toques estavam indo em direção a isso, e me desculpa. Não quero que se sinta forçada a nada. Inclusive, até vou dormir na sala.

– Shiu – o beijei enquanto falava –, eu estou pronta. Eu quero isso. Não vou me arrepender. Quero sempre me lembrar disso – direcionei minhas mãos para sua camiseta e lentamente a puxei, jogando-a no chão. Beijei seu pescoço, mordisquei seus lábios... e tirei a minha camiseta. Seus olhos brilhavam como o fogo.

Delicadamente, ele me acariciava. Até que seus lábios alcançaram minha boca e suas mãos voltaram a me pressionar para baixo. Mesmo não sabendo como "isso" funcionava, não me incomodei com as áreas quentes e voluptuosas da Rússia e abri o zíper da sua calça. E essa foi a minha entrada para a festa.

Ele empurrou suas calças para fora e tirou o meu sutiã. Seus dentes arranhavam minha pele e uma de suas mãos apalpava meus seios. Aquilo era estranho. Mas era incrivelmente bom. Era uma sensação insaciável. Os músculos da minha barriga se contraiam. E toda aquela vontade ia tomando o lugar de todas as borboletas do meu estômago. "Eu vou fazer aquilo e eu quero fazer", era tudo em que eu conseguia pensar.

Tirei meu shorts, minha calcinha e num piscar de olhos, eu estava nua embaixo do meu professor. Ele pegou uma camisinha em sua cômoda. Num piscar de olhos ele tirou sua cueca e como se eu fosse uma porta, ele começou a me destrancar. A chave, única, precisa, feita sob medida, a certa – que me abriria. Num piscar de olhos, ele libertou uma parte de mim que estava escondida atrás da porta. Ele a abriu e agora é como se eu estivesse livre para ser e sentir.

Dói.

Suas mãos ainda percorrem meu corpo e me apertam.

É como mergulhar em um oceano. Vou cada vez mais fundo. Passando, bem lentamente, por vários estágios. Atingindo o ápice das sensações. E quando chego no fundo – que sempre pode ser mais fundo –, vou subindo delicadamente para cima, para a superfície. E ali boio. Extasiadamente, tranquilamente... Flutuo em sensações, em prazeres arrebatadores.

*Garotas só querem se divertir.

Notas finais
Ah, meus leitores queridos. Eu estava morrendo de saudade. Novamente, peço desculpas. Espero que tenham entendido meu (forçado) sumiço e que me perdoem. Eu realmente não podia postar o capítulo, pois ele estava dentro do notebook quebrado. Mas mudando de assunto, pois o citado acima me entristece, o que acharam do capítulo? O capítulo tão esperado... Qual a parte que mais gostaram? O que sentiram ao ler? Enfim, me contem tudo. Por favor. Espero ter atingindo todas as expectativas. Obrigada por serem tão gentis e pacientes. Beijos.