Mais Que Amigos
5 LandyLand!
Notas iniciais
– OOOOOOOOWN! – gritaram as várias vozes.
Sara e Grissom separaram o abraço imediatamente, envergonhados. Na frente dos dois, todos os garotos do vestiário bisbilhotavam a conversa com rostos maliciosos.
– achei fofos – disse Nick secando os cabelos.
– arrumem um quarto – gritou alguém no fundo.
– mas que p... – Sara foi interrompida por Catherine:
– EU SABIA, tava shippando desde o começo. Simplesmente lindos, nerds e “combinantes”!
– É o quê? – disse Gil.
Foram impedidos de levar a conversa a qualquer lugar pelo sinal que tocou. Imediatamente todos os jovens dali se esbarraram rumo à porta de saída. Sara e Catherine seguiram caminhos diferentes para não serem pegas, sem se preocupar em ser denunciadas pelos meninos. O sistema de parceria funcionava muito bem naquela classe, visto que sempre haviam dívidas a pagar sobre flagras.
Grissom e Sara passaram o resto do dia juntos, cada um aprendendo mais sobre o outro, e aprendendo a gostar mais do outro. Durante a saída viram Heather se despedir de Hank com um beijo e ir embora, deixando-o para trás por causa da detenção. Grissom desviou o olhar quando ele o encarou com seus olhos incrivelmente claros – que deixava mais assustador ainda.
Estavam desprendendo as correntes de suas bicicletas – lado a lado, iniciando um costume – quando Gil disse:
– eu nunca fiz nada pra esse cara. Porque ele me odeia?
Sara procurou om olhos a quem Grissom se referia. Não encontrou. Ele já havia entrado na escola.
– tá falando do Hank? – chutou – ele disse que quer te matar porque acha que a gente tá transando e acha que eu pertenço a ele.
O garoto ficou paralisado olhando para ela, distraída com seu cadeado. Depois de um tempo ela o olhou e começou a rir.
– a sua cara... tinha que ver... Eu tô te zuando, ele só tá com o maior “ciumão” da gente junto. Nem se preocupa, ele é o rei de fazer cara de mal e conhece uns palavrões, mas nada melhor que uma “detençãozinha” pra ele baixar a bola.
– por que ciúme?
– nhé, a gente namorou um tempo, quando eu era desesperada pra ter alguém. Qualquer um pra dizer pros outros que tinha um namorado. Más experiências do passado me deixaram mais alerta agora. – ela sorriu.
– então você é seletiva com namorados?
– sim, por isso estou solteira – ela riu.
– ou os caras daqui são muito ruins ou eles só tem mal gosto.
Sara o fitou. Aquilo foi um elogio?
– eu sou péssimo com elogios. – disse Gil, confirmando suas suspeitas. Ela deixou um sorriso escapar.
Montados nas bicicletas, seguiram o mesmo caminho do dia anterior em silêncio. Talvez tivessem gastado todos os assuntos para conversar durante o dia. Pensando nisso Sara percebeu que a maioria do tempo que passaram juntos ela foi uma verdadeira matraca.
– então... – disse, tentando puxar assunto – me fala sobre você, visto que eu não calei a boca um segundo do dia.
Grissom riu.
– não tem muito de mim que você não saiba, e eu não sou interessante.
– faça uma ficha completa das suas preferências e dados pessoais.
– quer “stalkear” minha vida? — os dois gargalharam, mas por pouco tempo. Sara fez uma curva com a bicicleta e então estava em casa.
– a gente se vê amanhã? – perguntou Gil.
Sara gostaria de vê-lo novamente ainda hoje, e podia jurar que uma lâmpada se acendeu em sua cabeça ao se lembrar de algo óbvio:
– me passa seu número e mais tarde eu te ligo, ou mando uma mensagem, sei lá...
– bem lembrado – o garoto tirou da mochila uma caneta e estendeu a mão para Sara.
– vamos dançar?
Grissom sorriu.
– eu ia escrever o número na sua mão.
– ah, claro – um pouco envergonhada Sara deixou que ele segurasse sua mão e ali anotasse o número. Ela pode sentir sua mão quente e um pouco suada – nervosismo? Ou talvez só por segurar o guidão – mas o toque era leve, seus dedos pareciam segurar algo muito delicado e ter medo de quebrá-lo.
– pronto.
– a primeira ligação vai chegar como um número desconhecido, então se quando atender eu disser algo como "HURRAY, homem inseto" vai saber que sou eu.
– vou esperar. Até mais tarde, então.
– até.
Gil montou em sua bicicleta e seguiu para casa, mas Sara não entrou na sua. Ficou no lugar que estava esperando ele desaparecer de vista. Quando aconteceu, olhou o número de telefone em sua mão e inconscientemente abriu o maior sorriso do dia.
Ela entrou na casa e procurou com os olhos pela sua mãe em algum lugar.
– quem era aquele moço alto que te pediu em casamento? – disse Mary surpreendendo Sara, que não a viu sentada no sofá lendo uma revista.
– uh... Moço alto?
– o que estava com você ali na frente – ela abriu um sorriso que denunciou seus pensamentos maliciosos.
– pedido de casamento.
– vi ele segurando sua mão no maior clima.
– Ok. Mãe, aquele cara era meu AMIGO Gil Grissom, o cara novo da escola. – mostrou a mão rabiscada – e ele estava só me passando o telefone.
– você quase nunca usa seu celular. Ele é especial?
– Mãe! – Mary riu, e Sara a acompanhou.
Não era a primeira vez que ela pensava que um simples amigo era um pretendente. Já havia acontecido com Nick e David, quando a visitaram para formar um grupo de estudos, com Greg – que por sinal gostou muito da brincadeira – e a mais recente e pior de todas, com Warrick, enquanto sua namorada Catherine estava bem ao lado.
– mas ele era bonito. – disse a mulher se levantando – com fome? – passou pela filha e deu um beijo em sua cabeça.
– pra caramba – disse Sara, e seguiu sua mãe até a cozinha, onde uma mesa farta esperava pelas duas.
~
– mãe? – Grissom procurava pela casa. A encontrou no jardim, cuidando da pequena estufa dentro do gramado, cercado por cercas vivas e arbustos com botões quase abertos de diversas flores.
“Oi meu filho, como foi o dia hoje?” Betty guardou seu borrifador para abraçar o garoto.
– normal, fiz um teste pra... – ele gaguejou. Quase destruiu o sonho antes de começar – um teste... Uh... Para saberem meu nível de aprendizado... Se eu já conheço os conteúdos que estudam aqui.
“E como se saiu?”
– muito bem, pra falar a verdade... – ele coçou a nuca, desviando o olhar.
“E a garota que conheceu?”
– Sara? Ela tem me ajudado bastante a conhecer como as coisas funcionam lá.
“Bonito nome. Venha, vamos entrar. Deixei o almoço no forno há alguns minutos, já deve estar pronto.”
– toda refeição que envolve forno sempre é deliciosa. Ainda mais feita pela senhora.
Betty sorriu e acompanhou Gil com uma mão em seu ombro.
Ele não fazia ideia do porque estava bajulando sua mãe. Talvez a amortecendo para o inevitável momento em que contaria que estava seguindo o sonho de seu pai, também realizando o pesadelo de Betty.
~
“DREAM ON! DREAM ON! AND DREAM ON UNTIL YOUR DREAM COMES TRUE!”
– Aaaah – Sara quase caiu da cadeira giratória ao ouvir o toque de seu celular. Se não estivesse em volume ensurdecedor ela poderia enrolar antes de atender para curtir o trecho da música do Aerosmith. – alô?
– SARA! – gritou a voz de Catherine.
– oi lindona.
– ocupada?
– fazendo umas pesquisas marotas aqui – Sara olhou para o monitor do notebook à sua frente, seis abas de pesquisa abertas mas nenhuma resposta, e suspirou – na moral, nem comecei direito.
– se não demorar muito, vem se encontrar com “o povo” umas 8 horas na LandyLand.
– o parque de diversões? Isso é sério?
– mais que sério. O pessoal todo vai vir. E com “o pessoal todo” eu quero dizer literalmente o pessoal todo. Tô falando do Hodges.
– me convença.
– Nick ganhou o primeiro salário trabalhando na mecânica do primo dele.
– e o quico?
– duh, ele tem 16 anos e é um irresponsável, não tem nada pra fazer com 500 dólares. Ou seja, TUDO GRÁTIS MEU AMOR!
Sara olhou para o relógio, considerando a oferta. Eram quatro e meia da tarde.
– que horas você disse mesmo? – as duas amigas gargalharam.
– umas 8. E trás o Gil, ele tem que conhecer um pouco da parte vergonhosa de se morar em Vegas.
– que inclui os parques fracassados que se aproveitam da grande popularidade da cidade.
– quando você entende a piada não precisa explicar, perde a graça. Ah, e sobre essas tarefas aí... Será que não rola colocar meu nome?
– Foi mal, mas era exercício individual.
– ah, “de boa”, eu faço depois. Só rolou uma preguiça mesmo.
– vai piorar depois que ver o tamanho das questões, acho que até eu vou desistir.
– enfim, era só esse aviso mesmo. LandyLand, às 8. Vai de sapato fechado e calças por que o parque foi instalado em um terreno de terra.
– eca.
– beijão, gata, até mais tarde.
– até. – disse Sara por fim, e desligou.
Percebeu que sua mãe tinha razão quando disse que ela não usava muito o celular. Ele só estava a mão porque Sara aguardava a hora certa para mandar uma mensagem para Gil.
Talvez agora.
Olhou em seu braço, rezando para que não tivesse molhado tanto as mãos quando escovou os dentes. Por sorte, a maioria dos números estava visível, menos o último. Poderia ser um nove meio fechado ou um 8 meio aberto. Apostou que era um oito meio aberto. Ouviu o toque duas vezes ante de uma mulher atender com uma voz absurdamente aguda e estridente, como se gritasse ao telefone.
– QUEM É?
– uh... esse é o número de Gil Grissom? – Sara tinha certeza que não.
– não sou Phil Geeson nenhum, não – ela percebeu que a mulher mascava um chiclete ruidosamente enquanto falava, e de repente seu tom de voz suavizou – mas se quiser eu posso ser, docinho!
Sara desligou imediatamente. Pensou que uma prostituta tivesse roubado seu telefone, ou talvez aquilo fosse mesmo um nove meio fechado. Discou. Ouviu o telefone tocar cinco vezes, e já estava desistindo quando finalmente atenderam.
– a-alô? – disse uma voz familiar, e se pode ouvir o som de algo desmoronando dentro de um móvel.
– HURRAY HOMEM-INSETO! — gritou uma voz de garota.
– SARA! É... Oi Sara. – os ruídos continuaram.
– tá tudo bem aí?
– sim, eu só... custei pra achar meu celular no meio da bagunça do meu armário. Digamos que tudo veio abaixo. – ele ouviu Sara rir do outro lado da linha. Sem contato visual ele se sentia mais seguro para dizer que amava aquela risada, mas ainda se lembrava de não ser o melhor com elogios, ainda mais para garotas.
– Gil Grissom e bagunça são dois opostos, como pode encaixar na mesma frase?
– digamos que eu vivo de ousadias. – ele conseguiu tirar mais risos de Sara.
– você tá ocupado?
– ainda não, mas vou estar pra arrumar isso. E você?
– cem por cento disponível.
– legal... – disse Gil.
– legal. – disse Sara.
Mantiveram silêncio alguns minutos até que Sara se manifestou:
– que merda, tô sem assunto.
– idem.
– como vai seu cachorro?
Grissom riu.
– vai bem, obrigado. Feliz, saudável e babando.
– ele tá com calor?
– não sei, por quê?
– cachorros suam pela língua, ele baba por que está com calor.
– não sabia disso, mas você jura que estamos conversando sobre baba de cachorro?
– quer ir a um parque de diversões quase falido hoje?
– você respondeu minha pergunta com uma pergunta ou só fez uma pergunta em cima da minha pergunta?
– fiz uma pergunta em ciam da sua pergunta, mas, sim, estávamos conversando sobre baba de cachorro. Aliás, tô tentando mudar de assunto aqui, quer vir ou não?
– depende... Somos só nós? – ”Que droga de pergunta foi essa? Não é um encontro.” Pensou Gil.
– claro que não, vai o pessoal todo, — “Merda” — os caras que você já conhece da escola. Nick vai pagar tudo. A gente vai se encontrar lá umas 8, eu passo aí e a gente vai junto, te mostro o caminho.
– acho que posso, sim.
– legal. Cath mandou ir com roupas apropriadas pra pisar no barro.
– considerando que eu passei a infância em casas de campo, acho que todas as minhas roupas servem.
– ui, desculpa aí, burguês.
– não é pra tanto, eu disse casas, no plural, mas a verdade é que eram só duas, e uma delas dos meus avós.
– sempre quis morar no campo. O ar da cidade tem cheiro de aquecimento global.
– você é o tipo de vegetariana que engloba todo o conceito de “Humanas” na personalidade? – Sara riu e se deitou na cama para ficar mais confortável.
– eu sou o tipo de Biológicas que incorpora todo o conceito de vegetariana na personalidade.
Continuaram conversando por horas, que para os dois pareceram minutos. Foi só quando se levantou para buscar algo pra comer que Sara percebeu o entardecer.
– CARALHO! – gritou sem querer, alto o bastante para que sua mãe escutasse. Tapou a boca como se isso fosse adiantar. Ela não proibia um simples palavrão, mas não gostava que ficassem dizendo em casa.
– o que foi? – perguntou Gil na outra linha.
– tá na hora! O LandyLand! – olhou para o relógio e se desesperou ao ver que eram sete e 40 – se arruma, cara, eu vou passar aí o mais rápido que der. – e começou a recolher o necessário para tomar um banho.
– nem tinha lembrado disso, a gente conversou por mais de duas horas?!
– pois é, e olha que eu já fiquei mais tempo. – atrapalhada para segurar o telefone no ouvido e pegar suas coisas, deixou o desodorante cair.
– o que foi isso? – disse Grissom, que ouviu o barulho.
– uh... será que a gente pode encerrar a ligação? Não tô te expulsando, eu só não tenho cinco braços. – ouviu Gil rir do outro lado da linha.
– sem problemas, ia dizer que vou tomar um banho mas meu celular não é a prova d’água. Até daqui a pouco. – ao dizer essas palavras, sentiu um calafrio de ansiedade na espinha.
– “Adeusinho”.
– “Adeusinho”. – repetiu Gil, zombando de seu jeito de falar.
– eu gosto de diminutivos, ok, agora “tchauzinho”.
– até “loguinho”.
Assim que desligou, Sara correu para o banheiro e tomou o melhor banho de dois minutos que pôde.
~
– MÃE? – gritou Gil.
“O que foi?” disse Betty, que apareceu depressa à porta, pensando que algo tinha acontecido.
– calma! Eu só queria saber se... – respirou fundo. – se posso sair com uns amigos.
Betty o fitou. Sair à noite, em uma cidade como Vegas, com pessoas que ele conhecia a menos de dois dias? Ele a conhecia o bastante para saber que levaria um não enorme, então se preveniu.
Regra número um para Manipular sua mãe: faça com que ela preveja seu desapontamento caso lhe negue algo. Antes de chamá-la, Grissom abriu um belo sorriso, se vestiu como se estivesse pronto para sair, de modo que ela logo notasse sua grande expectativa e assim tivesse pena.
“Você não vai invadir uma boate, ou algo do tipo, não é?”
– vamos a um parque de diversões, como daqueles que viajam e visitam várias cidades da região. – então se lembrou de uma tática infalível – Meus novos amigos, e Sara vão estar lá.
Regra número dois de como Manipular sua mãe: Sempre a faça perceber que se permitir, ela vai estar fazendo algo que seu você quer e ao mesmo tempo algo que ela quer. Gil sabia que ela queria que ele tivesse amigos, e Sara já havia sido bem falada no último dia.
“Bem...” Betty comprimiu os lábios “Acho que se voltar cedo, e atender sempre que eu ligar...”
Agora Gil podia abusar da Regra número três de como Manipular sua mãe: Demonstre uma gratidão exagerada, para que pareça que ela acabou de salvar sua vida, e fique feliz com sua felicidade. Correu em direção à mãe e a abraçou tão forte que a ergueu no colo, soltando dela sons que poderiam ser considerados risadas, já que ela não falava.
– obrigado, obrigado, obrigado – disse enquanto caminhava até a porta da frente, e contava nos dedos as coisas que tinha que se lembrar – prometo voltar cedo, atendo todas as ligações, e se você não ligar de cinco em 5 minutos, eu ligo.
“E tome muito cuidado na rua!”
– cuidado na rua, sabia que estava faltando algo. – ele parou e olhou para ela novamente. Seguiu em sua direção e beijou seu rosto. – obrigado, mãe.
“Não vai me comprar com isso.” A senhora sorriu “Aproveite lá”
– Boa noite, mãe. – e saiu da casa. Preparou sua bicicleta e se sentou na varanda onde esperaria por Sara, para que ela lhe mostrasse o caminho conforme o combinado. Não demorou muito para que ela aparecesse, também na sua bicicleta.
– Expresso Parque Falido, embarque imediato – e imitou som do apito de um trem.
Gil sorriu e correu em sua direção. Ao chegar mais perto, percebeu que ela por trás do uniforme da escola ela tinha um estilo próprio perfeito. Usava jeans rasgado em três pontos distintos e assimétricos, tênis Allstar preto de cano alto e uma camiseta preta com uma estampa indecifrável na noite escura. Amarrado em sua cintura estava um casaco bege.
– você tá... – parou a frase no meio, sem encontrar um adjetivo para elogiá-la que não o deixasse constrangido.
– Linda? Fabulosa? Absolutamente espetacular? É, eu sei. – ele percebeu que ela estava fazendo uma piada para quebrar o gelo.
– tirou as palavras da minha boca. – ambos sorriram, e seguiram para o LandyLand.
~
– CAATHERIIINE! Ô CAAAAAAAATH! – gritava Sara, em frente ao portão de entrada do parque, enquanto Gil prendia as bicicletas em um poste na calçada do estacionamento ao lado.
– ela deveria nos esperar aqui? – perguntou.
– ela e a gangue.
– talvez não tenha chegado ainda. Experimente-
– CAAAAATH! – interrompeu Sara. Ele sorriu e balançou a cabeça em negação. – CATHERINE WILLOWS SUA DESGRAÇADA NÃO-PONTUAL!
– Liga pra ela, confirma que ela ainda não veio, e se ela estiver no parque, pergunta onde ela está que a gente vai encontrar. – disse Grissom o mais rápido que pôde, aproveitando a deixa antes de ser interrompido de novo.
Sara pareceu pensar pela primeira vez no dia.
– tem razão. – concluiu. Discou o número de Catherine e se surpreendeu por usar o celular pela segunda vez no mesmo dia depois de semanas sem tocá-lo.
– alô? – disse Warrick do outro lado da linha.
– Rick? Cadê a Cath?
– ah, oi Sara! Você se atrasou um pouco, Catherine cansou de esperar e agora tá na Casa do Terror com o Nick, o Greg e... Acho que o Hodges foi só pra impressionar a Wendy. Você tá com o Gil?
– sim, mas onde fica a casa do terror? – Sara colocou a ligação em viva-voz para que Gil também ouvisse as instruções do caminho.
– tá vendo uma roda gigante?
– você quer dizer aquele monte de ferrugem compactado em forma de uma roda nem tão grande?
– a Cath bem falou que você ia detonar o parque, mas é essa mesma. Segue ela até o centro, tem a praça de alimentação. Jim tá aqui comigo, fala oi Jim... – e eles ouviram a voz de Jim dizer “Oi” com a boca cheia. – isso aqui tá meio vazio pra um parque, mas se não achar nossa mesa, ela é a única numa foodtruck chamada Cluckin’ Bell. Tem um frango pelado gigante no outdoor deles.
– Ok... – Sara riu — Entendido, a gente já tá chegando, “adeusinho”.
Sara desligou e eles seguiram pelo caminho que Warrick indicou.
Gigante era um adjetivo leve para o frango gigante e pelado da Cluckin’ Bell. Ele era tão grande que Gil sugeriu que o caminhão tivesse sobrevoado por cima do arco da entrada do parque, visto que a física não o deixaria passar por baixo.
– esse lugar tem cheiro de fritura! – disse Sara ao chegar e trocar soquinhos com Jim e Warrick. Grissom fez a mesma coisa, e os dois foram convidados a sentar e se servir das coxinhas que tinham pedido.
– um parque de diversões inteiro e vocês querem comer Frango frito? – disse Gil, experimentando uma. Sara mostrou a língua e ele fez “Hummm”, a provocando.
– bem pensado, por que os moços não foram na casa do Terror? – a única garota os fitou com olhar malicioso.
– eu só tô acompanhando o Bonitão aqui. – disse Jim dando uma cotovelada em Rick enquanto bebia um gole da latinha.
– Que fofo War! Você tem medinho dos fantasmas de lençol! – provocou Sara.
– pra começar não é medo, é Fobia, não são os fantasmas... São... As aranhas...
Jim engasgou enquanto bebia e quase cuspiu seu refrigerante.
– cara, elas são de plástico! Você é mais frango que ele – e apontou para o frango gigante do outdoor.
Todos riram, até que Sara parou subitamente e ficou com o olhar fixo para Grissom, que se sentou de frente para ela na mesa.
– AH, SÓ PODE ESTAR DE SACANAGEM!
Ele pensou que tivesse sujado a camisa com o molho, quando percebeu que ela olhava além de seus ombros. Se virou também e entendeu o motivo de sua indignação.
– só pode ser muita sacanagem.
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