Mais Que Amigos

6 Teste de conhecimento


Notas iniciais
Demorei um pouco com esse rapazinho aqui por que cometi um erro catastrófico no enredo e praticamente recomecei do zero (pertíssimo do fim) Quem quer compartilhar historias trágicas de uma infância traumatizante?

Warrick e Jim ficaram curiosos para saber o que estava acontecendo, e também procuraram pelo que assustava os dois.

— ih, alá, aquele não é o Peddigrew? – disse rick, só então se lembrando da situação entre Hank, Sara e Gil.

— e a gostosa da Heather também veio. – disse Jim devorando coxinhas fritas.

— apesar de ela ser uma vagabunda de proporções enormes, uma mulher não é comida pra você chamar de gostosa, James. – disse Sara jogando uma bolinha de guardanapo em cheio na cabeça dele. – será que a gente podia ir curtir o parque antes que eu vomite?

— por que a curiosidade repentina em conhecer o “monte de ferrugem falido”? – perguntou Jim fazendo aspas com as mãos.

— por causa deles! – e estendeu as mãos na direção de Hank e Heather, só agora percebendo que Sophia, Peter, Terri e Charles estavam junto a eles, formando respectivamente, três casais. – ENTÃO AGORA VIROU FESTA?

— pra quê o stress?

Todos se voltaram para a direção em que foi ouvida a voz de Catherine, e ali estava ela juntamente com Nick e Wendy.

— cadê os outros? – disse Rick se posicionando de pé ao lado da namorada.

— Hodges tá vomitando, Greg foi junto pra filmar e colocar no YouTube. – disse Nick roubando a última coxinha de frango. Jim o olhou feio.

— foi tão assustador assim? – perguntou Sara aproveitando a deixa de Warrick para se levantar da mesa seguida pelos outros dois garotos.

— na verdade os bonecos robóticos eram péssimos. Seria cômico se não fosse trágico. – disse Wendy, tirando risada dos dois que a acompanharam lá e também viram a cena.

Em seguida chegou Hodges, com o rosto pálido, e Greg, pulando alegremente enquanto segurava uma enorme casquinha sabor pistache.

— não era ânsia, ele vomitou mesmo. – trocou um highfive com Nick.

— você pegou tudo? – ele perguntou, empolgado.

— peguei, mas ele me fez excluir. – e apontou com a cabeça para Hodges que revirou os olhos. Em seguida esticou o pescoço e tentou dizer para todos o mais baixo de pôde. — mal sabe ele que meu celular tem como recuperar arquivos apagados em até 48 horas.

Nick e Greg trocaram olhares cúmplices, e então, com todos reunidos, Jim sugeriu o mesmo de Sara: explorar o parque.

Passaram primeiro pelas barracas de prêmios, onde todos se revezaram para jogar. Warrick quis ser cavalheiro tentando pegar uma pelúcia para Catherine no tiro ao alvo, mas desistiu após fracassar três vezes e Nick reclamar que ia acabar gastando todo o seu dinheiro ali. A loira se posicionou para tentar e conseguiu uma pelúcia de um gato roxo para ela mesma, na primeira tentativa.

Apenas por diversão, Grissom tentou a sorte na barraca onde ganhava o prêmio quem derrubasse a pilha de garrafas com três bolas, tendo assim 3 tentativas, e acertou em cheio. Percebeu que Sara estava namorando uma pulseira se elefante dourada, e precisou de muita coragem para escolher aquele brinde e oferecer à ela como presente.

— uh... isso é sério? – ela pegou a pulseira, envergonhada. Com um pouco de dificuldade conseguiu colocar em seu pulso usando apenas uma mão e disse, sem parar de admirar o pingente – obrigada.

— provavelmente é falsificada, mas de nada. – ele colocou as mãos nos bolsos.

— não vale, ele é do time de Baseball! – gritou Greg vendo a cena.

— o cara é tão bom no arremesso quanto é na sedução – Rick deu uma cotovelada em Gil e insinuou que estava paquerando Sara.

— eu sou foda. – disse ele fingindo pensar que se tratava de uma brincadeira.

Ao disfarçar, desviou o olhar para o alto onde avistou nada menos do que sua maior diversão em parques temáticos: uma montanha russa.

— nem pensa nisso – disse Catherine ao descobrir o que tanto ele admirava. – essa coisa vai desmoronar se alguém subir.

— mas tem gente andando nela agora mesmo – disse no exato momento em que os carrinhos passaram pelo loop, gritos de pânico e alegria ecoaram pela arena.

— eu vou com você. – disse Sara, logo notando que se precipitou: talvez ele não quisesse companhia ou nem mesmo passear no brinquedo. Se tranquilizou ao ver Grissom sorrir e dizer:

— legal. Vem – e estendeu a mão a ela. – não vamos dançar.

Sara riu, e sem pensar duas vezes aceitou o gesto e seguiram na direção da atração, ambos sem se importar com os prováveis pensamentos maliciosos de seus amigos que ficaram pra trás.

Grissom não sabia por que ou como havia conseguido propor andar de mãos dadas com Sara, — talvez fosse empolgação pela montanha – mas tentou agir naturalmente, mal sabendo que ela pensava o mesmo.

Ambos tentavam disfarçar olhando as atrações pelo caminho, até que Gil finalmente achou melhor dizer algo.

— tem um cara de 30 anos no carrossel ou é impressão?

Sara procurou o carrossel, o que não foi difícil, já que ele era um grande cupcake cor de rosa cheio de luzes, com cavalinhos de crina roxa girando ao ritmo de uma música irritantemente fofa. Duas garotinhas riam montadas em seus cavalos, e logo atrás delas um sujeito de terno e gravata sorria enquanto cavalgava também.

— eu sugiro 40 – ambos riram da situação.

— você não me alcança, pai! – gritou uma das garotas para o homem.

Imediatamente o sorrisos de ambos, Grissom e Sara, desapareceram. Eles partilhavam da mesma dor de não ter mais um pai. Sem saber sobre ela, Gil se dispôs a puxar assunto novamente.

— meu pai morreu num assalto. Ele era jogador de baseball quase profissional. Tinha mais prejuízo com os patrocinadores do que medalhas – o garoto sorriu se recordando – mas adorava o jogo. E o seu?

Sara comprimiu os lábios, fazendo-o se lembrar que não era a primeira vez que ela evitava falar sobre aquilo.

— assunto pessoal. Desculpe.

— tudo bem... – disse a morena chutando uma pedrinha no chão. Ela gostaria de encerrar o assunto ali e talvez lhe contar sobre isso mais tarde, mas por algum motivo sentia que podia confiar em Gil.

Por um instante parou e se lembrou que o passado não é nenhum crime que se tenha que guardar segredo. O máximo que poderia acontecer seria o rapaz que ela segurava a mão julgá-la uma maluca, o que ela já estava acostumada.

— meu pai era abusivo. Passava o dia todo fora e chegava noite bêbado só pra estuprar minha mãe. Se ela se esquecesse de me colocar pra dormir trancada no quarto, eu acabava sendo vítima também. Era pior quando ela tentava impedir. Ele batia em nós duas até não conseguirmos nos levantar do chão. Agradeço até hoje por ele ser lesado demais pra nunca bater usando um objeto, usava os punhos, caso contrário eu estaria morta agora. – Sara tomou fôlego, e só então percebeu que haviam parado na fila da montanha russa.

Olhou para Grissom e sua expressão boquiaberta fazia parecer que ele tinha visto o atropelamento de um gatinho. Ele não compreendia a naturalidade com que ela falava sobre algo tão grave.

— isso é... Sério? – Sara percebeu que ele estava pálido.

— infelizmente, mas não acabou ainda. Um dia minha mãe se cansou dessa palhaçada, mas em vez de ligar pra polícia e mandar prender aquele nojento, ela foi até a cozinha e pegou uma faca. Enfiou umas 7 vezes no peito dele enquanto estava desmaiado de tanta bebida. Eu ouvi os gritos dela e a encontrei no quarto chorando, ela me mandou sair dali. Tinha sangue pra todos os lados, eu era uma criança, então me virei para fugir, mas provavelmente os vizinhos já haviam chamado a polícia, porque tinha uns cinco ou seis oficiais ali só pra prender a minha mãe e me enviar pra um orfanato. Mary me adotou, então a gente se mudou algumas vezes até conseguirmos estabelecer qualquer coisa fixa aqui. Agora sim, acabou.

Enquanto contava, a fila havia andado, e faltava apenas esperar que os carrinhos terminassem a volta pela montanha russa para que eles fossem os próximos a entrar. Grissom tentou pensar em todas as formas do mundo de dizer que aquela situação foi pesada sem parecer que estava tão perplexo. Pensou até em não dizer nada, mas o clima tenso precisava ser quebrado de algum modo.

Percebeu que seus dedos ainda estavam entrelaçados. Ele apertou levemente sua mão, e então a soltou apenas para se virar para Sara e a abraçar. Gil pensava que talvez ela fosse começar a chorar em seus braços, mas em vez disso ela simplesmente aceitou o abraço gargalhando.

Ele se separou dela e a olhou confuso. Por um instante, pensou que fosse uma piada, até que ela disse:

— você é fofo, cara. Mas tudo bem, eu já superei isso, do contrário eu nem conseguiria contar isso pra alguém.

Eles trocaras sorrisos e perceberam que o carrinho da montanha russa havia voltado ao início. Quatro rapazes se levantaram de seus assentos e saíram rindo e comentando sobre o brinquedo. Um deles pareceu ficar um pouco zonzo ao se pôr de pé novamente, mas logo conseguiu acompanhar os outros. Sara trocou 8 dólares por dois ingressos e então ela e Grissom passaram pela catraca.

— será que a gente pode sentar nas cadeiras da frente? – ele perguntou, pensando que talvez ela pudesse ter medo.

— tá brincando? Porque alguém iria se sentar atrás e perder a emoção da pré-morte?

A resposta fez com que Gil abrisse um enorme sorriso. Eles se sentaram nos dois primeiros assentos do primeiro carrinho, e observaram as pessoas do resto da fila entrarem. Um garotinho com sua mãe fez uma birra gigante ao ter que jogar seu sorvete fora por ser proibido comer na montanha russa, e outra pior ainda quando viu que os primeiros lugares – onde ele disse que queria sentar — estavam ocupados. Sara e Grissom tentaram segurar o riso.

Quando o brinquedo começou, Sara ficou um tanto insegura, e então sentiu uma mão sobre a sua novamente. Olhou para Gil e ele estava com o olhar mais passivo do mundo, os olhos focados à sua frente, esperando pela primeira descida. Quando eles escorregaram subitamente para baixo, foram ouvidos gritos das outras pessoas e Sara segurou o seu. Viram à frente uma grande subida, e ela sussurrou:

— clássico. Cai, depois sobe alto e devagar e desce correndo.

— é o primeiro impulso gravitacional, obrigatório em toda montanha russa. – ele respondeu, calmo.

— uh... Eu não sabia disso. — ela ficou envergonhada, e se sentiu um pouco idiota por não ter apenas deduzido. Não era tão ruim assim em exatas.

— não é obrigatório saber. É que eu adoro montanhas russas.

Ao terminar a frase, o carrinho alcançou o topo e desceu, desta vez conseguindo tirar um grito de Sara misturado com gargalhadas fortes. Geralmente, quando andava nesse brinquedo, Gil apenas se sentava e deixava o tempo passar. Nunca entendia o motivo pelo qual as pessoas simplesmente começavam a berrar como se fosse o fim do mundo. Mas ao ver Sara, uma pessoa tão focada, se render ao costume alheio, ele entendeu que não se tratava de uma regra. Não é todo dia que você é lançado em alta velocidade por trilhos que desafiam a gravidade. Ele percebeu como aquilo era divertido, como fazia ele se sentir vivo, com vontade de gritar.

Então ele gritou. E gargalhou acompanhando Sara. Passando pelo primeiro loop eles gritaram ainda mais alto. Naquele momento Grissom poderia jurar que ouvia sua própria voz ecoar pelo parque.

Assim que chegaram ao início, perceberam como estavam zonzos. Sara precisou se apoiar nele, segurando seu braço, para sair sem cambalear.

— foi daora – ela disse, suspirando, e tirando uma risada de Gil.

— eu iria de novo.

— eu não.

Eles riram, mas não demorou para que o silêncio se instalasse, já que ambos não sabiam o próximo passo a seguir. Concordaram em andar pelo parque, em parte conhecendo as outras atrações e em parte procurando seus amigos. Ao chegarem ao fim do terreno onde estavam as instalações, se preocuparam.

— eles fugiram. – disse Sara, demonstrando preocupação e ao mesmo tempo sorrindo, como se aceitasse a triste realidade.

— talvez a gente tenha deixado passar. – disse Grissom, com os olhos cerrados para o parque atrás, procurando de longe – vamos voltar.

Ele começou a andar, mas Sara segurou seu braço.

— a gente podia ficar aqui um pouco... – sentiu seu rosto queimar ao ser fitada por ele – ou a gente pode ir...

— pode ser. – Gil tentou sorrir.

— é que... – ela tentou se explicar – aqui é afastado daquela loucura de comida, ferrugem e barulho...

— pessoas e suas crianças ramelentas – Grissom completou. Eles andaram na direção de um banco em frente a uma cerca que dividia o terreno do parque do deserto.

Se sentaram de modo que conseguissem admirar aquela paisagem. A lua estava assustadoramente grande, e iluminava morros de areia fazendo-os parecer um oceano alaranjado e estático. Uma brisa gelada fez Sara estremecer, então ela desamarrou o casaco da cintura e o vestiu, abraçando os joelhos ainda sentada no banco. Grissom percebeu um tecido felpudo na gola e reconheceu o casaco de aviador, três vezes o tamanho de Sara, já que os detalhes dos cotovelos estavam na metade de seu antebraço e as pontas das mangas cobriam toda a sua palma.

— nunca achei que faria isso. – Grissom disse repentinamente, como se saísse de um devaneio, mas sem tirar os olhos do deserto.

— é uma daquelas frases aleatórias que as pessoas dizem pra deixar os outros confusos e curiosos com a explicação? – ela perguntou.

— acho que sim.

— tudo bem. – Sara pigarreou e forçou um drama na voz – Oh, poderia por obséquio fornecer-me a devida explicação para esta sua menção inconveniente?

Gil soltou gargalhadas altas, fazendo a garota enrubescer com o fato de tê-lo feito rir.

— nunca achei que visitaria um parque de diversões falido em Vegas com uma garota como você.

— cadê a linguagem formal... – Sara piscou – ei, como assim uma “garota como eu”?

— espontânea talvez? – chutou Grissom — Criativa, com opinião, e uma maneira linda de ver as coisas.

Ele apenas disse o que veio à mente, e só percebeu a série de elogios que havia feito a ela quando seus olhos encontraram um rosto pálido o encarando.

— eu não sou tudo isso... – disse, sem graça – quer dizer, olha pra você: inteligente, esportista, aventureiro, “charmosão”... o que você tá fazendo andando comigo?

— um bem enorme a mim mesmo, eu acho.

Sara ficou em silêncio. Gil a encarou, mas estranhamente não se sentia sem graça por aquilo. Seu coração pulava de alegria por ter conseguido dizer parte do que sentia por ela sem soar ridículo. Se impressionou porque na verdade, soou muito bem.

— nossa. – ela disse – me senti especial.

— você é. Tem sido minha melhor amiga desde que eu cheguei, e eu queria muito agradecer por isso.

— uau, friendzone.

— o quê? – ele revisou o que havia dito – bem... Somos amigos, certo?

— mas é claro que somos. – disse Sara o tranquilizando.

Seus olharem se encontraram por um tempo bem maior do que ambos estavam acostumados. Grissom se atreveu a chegar mais perto, e sua insegurança passou tão rápido quanto chegou, ao perceber que ela também se aproximava. Logo seus corpos haviam alcançado o limite, e então ele tirou uma mecha de cabelo do rosto da garota tentando ao mesmo tempo acariciar sua bochecha. Sara fechou os olhos e moveu o rosto em direção ao dele, logo ambos sentiam a respiração um do outro, borboletas em seus estômagos, e então alguém gritou:

— SAARAAA! – ele se separaram subitamente para observar Greg correr na direção deles – achei eles, eu ganhei!

Log atrás, o resto do pessoal se intercalava para andar e ao mesmo tempo conversarem todos juntos.

— eles não fugiram. – disse Sara, agora se afastando mais como se estivesse arrependida de ter começado aquilo — GREG, SEU ESTRAGA CLIMAS ORDINÁRIO! – ela gritou, fazendo-o descartar a antiga hipótese.

— estraga o q- ele parou e percebeu os dois juntos – VOCÊ ESTÁ ME TRAINDO?

Como era de se esperar, Greg não demonstrou seu ciúme. Em vez disso, fingiu zombar da situação e foi acompanhado por Sara logo que a mesma percebeu seu tom de voz.

— E SE EU ESTIVER? – ela se levantou.

Ambos se posicionaram em posições de luta e balançando seus corpos para frente e para trás, como personagens de Street Fighter.

Sara fingiu que lhe dava um hadouken enquanto Greg se jogava no chão imitando um efeito slow motion.

— nãaaaaaaaaaaaaaaoooooooooo – ele gritava com a voz grave enquanto caía.

Todo o pessoal comemorou como se aquilo fosse uma verdadeira luta. Grissom percebeu — pela familiaridade deles com aquela cena –que se tratava de uma brincadeira comum entre os amigos, e por um instante sentiu-se intruso.

— cai dentro! – disse Sara, fazendo com as mãos movimentos provocativos similares a um rapper.

— Sara? Posso falar com você um instante? – só então a morena percebeu Catherine ali, com um olhar malicioso sobre ela. Se afastaram um pouco do grupo, Sara dando uma última olhada para trás e conferindo que agora Gil estava de pé conversando com os outros rapazes.

— o que foi? – ela tinha medo da resposta.

— você e o Gilbert.

— Ah, não.

— eu vi tudo. – ela não se conteve e abriu um sorriso, visivelmente empolgada. – apostamos quem te encontraria primeiro mas eu já estava de olho em vocês lá de dentro.

— por que não avisou? A gente procurou vocês em todo lugar!

— não procuraram na casa de espelhos.

— então como você estava de olho?

— eu não entrei, esse lugar me dá tontura. Disseram que Hodges quase vomitou de novo. MAS ESSE NÃO É O ASSUNTO!

— Cath, não adianta. Eu. Não. Vou. Te. Dar. Detalhes.

Sara começou a andar de volta em direção ao resto do pessoal, e na metade do caminho Catherine insistiu, abaixando o tom de voz conforme eles se aproximavam dos amigos.

— vocês usaram mensagens subliminares no diálogo?

— talvez...

— mas... rolou uma beijoca, certo?

Sara gargalhou.

— quem usa a palavra “beijoca”?

— eu uso, e responda a pergunta.

— quase, ok? – Já ao lado do grupo, ela sussurrou — Chegamos bem perto mas o Gregory interrompeu.

— EU INTERROMPI O QUÊ? – as duas garotas pularam de susto quando Greg surgiu ao lado delas. – ei Sara, posso falar com você?

— tem mais alguém querendo assuntos partilhares comigo? A hora é essa! – ela disse um pouco mais alto para que os outros ouvissem.

— eu quero! – disse Nick.

— já voltamos – disse Sara com um sorriso amarelo, se afastando novamente, dessa vez com Greg. Ao chegarem a uma certa distância ela parou – que foi, animal?

— vocês estavam ficando? – ele disse com um olhar confuso.

Sara revirou os olhos.

— por que a curiosidade?

— não confio nesse cara. Ele não larga do seu pé desde que chegou.

— tá tudo sob controle, eu já conheço o bastante pra confirmar que ele não é um sequestrador ou um maníaco sexual.

— sei... – Greg cruzou os braços. – qual o nome da mãe dele?

— Betty Grissom. Ela ficou surda na adolescência e só se comunica por sinais – ela arqueou uma sobrancelha como se dissesse “eu venci”.

— e do pai?

Ela percebeu que o garoto de cabelos espetados iria continuar a fazer perguntas até ficar satisfeito. Se não soubesse de suas chances de ganhar teria desistido. Mas no pouco tempo que passou com Gil já aprendeu muito sobre ele.

— Phillip Grissom. Ex-jogador de baseball do time regional de Santa Monica.

— qual o hobbie dele?

— ler, estudar sobre insetos, assistir séries de investigação criminal. (Inner: REFERÊNCIA)

— e o que ele quer ser quando crescer?

— Rebatedor profissional ou Entomologista.

— fale minha língua.

Sara bufou.

— jogador de baseball ou cientista de insetos.

— que merda de futuro, hein?

— já acabou?

— não. Ele é virgem?

— como eu vou saber?

— se ele não for, provavelmente já sentiu a sensação de transar com alguém e agora quer seu corpo nu.

— ELE NÃO É UM PERVERTIDO!

— EU NÃO CONFIO NESSE CARA!

— você não precisa confiar, Gregory. – ela bagunçou seus cabelos antes de se afastar. – valeu mesmo, mas eu me cuido.

— Sara... – ele disse, a fazendo parar e o fitar.

Pela primeira vez, Sara viu Greg Sanders envergonhado. Estava cabisbaixo, entrelaçando os dedos, parecia perdido como uma criança vendo sua mãe chorar.

— Ei, o que foi?

— eu... – ele respirou fundo – nada, esquece.

Um pouco confusa, ela voltou para junto dos amigos sem esperar por ele. Mais precisamente ela voltou para Gil.

— minha vez. – disse Nick ao vê-la se aproximar.

— você estava falando sério? – Sara pôs as mãos na cintura.

— lógico – ele saiu do meio da multidão e lhe ofereceu o braço como se estivesse a tirando para uma dança. — senhorita.

— eu mereço. – disse mau humorada, respondendo o gesto.

Era a terceira vez que Sara ia para um canto afastado conversar com alguém em privacidade. Já estava ficando cansada daquilo.

— e você? Quer falar sobre o Gil também?

— não... – Nick a olhou confuso – mas você acabou de denunciar o que estava fofocando com os últimos dois. Deixa eu adivinhar... Cath queria saber se vocês se pegaram.

— isso é óbvio.

— e Greg queria te fazer desistir do Gil pra ficar com ele, mas você deu-lhe um fabuloso toco?

— o Greg queria o quê? – disse Sara em um tom alto não intencional.

O rosto de Nick ficou sem expressão.

— ele não te deu o pen drive?

— QUE PEN DRIVE?

— merda.

— NICK! – ela estava quase desesperada – pode me explicar isso agora ou você leva um murro.

O garoto desviou o olhar. Coçou a nuca e fechou os olhos, como se suplicasse em silêncio para que não tivesse que passar por aquilo. Depois de alguns minutos de silêncio ele soltou um longo suspiro.

— eu sou um péssimo amigo.

Notas finais
Reviews, moças Adoro Reviews
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.