Maipetto no Neko
46 Capítulo 46 - Empatando o jogo
Notas iniciais
Boa leitura peaple o
Maipetto no Neko
Capítulo 46 – Empatando o jogo
Lindos os fogos daquela noite. Ano novo finalmente e as estrelas artificias explodindo no céu escuro arrancavam suspiros da multidão os assistindo no meio da neve do dia frio de inverno, mas um frio que ia embora com os abraços, com as carícias e a excitação do recomeço.
Ichigo mirava a festa com os olhos vidrados nos desenhos se formando acima deles, sem perceber quando o corpo fora pego por Grimmjow, lhe dando um longo beijo, ficando escondidos dos olhares curiosos que tinham a atenção voltada ao horizonte. Dessa vez o ruivo deixaria passar.
- Para dar sorte. – o maior comentou sorrindo.
Ichigo envergou as sobrancelhas, mas concordou com ele. Queria que tudo desse certo naquele novo ano, que as coisas melhorassem, não apenas para ele, mas também para seus amigos; para Renji.
Falando do amigo, ele havia sumido de repente. Rukia ficara com ele, Grimmjow, Inoue, Chad e Ishida; todos na frente do grande hotel apreciando o show garantido da meia noite. Depois ainda haveria um grande banquete, bebidas e comidas de todos os tipos, o que animou ainda mais Orihime. Mas ainda se perguntava onde Renji havia se metido.
No quarto do hotel o tatuado segurava as coxas de Byakuya prendendo-o na altura de sua cintura. Arfava rente ao seu ouvido enquanto o moreno segurava-se em seus ombros, gemendo entre uma explosão e outra do lado de fora, apenas a luz dos fogos iluminando o cômodo escuro, desenhando os contornos dos dois corpos.
- S-sensei... Eu vou! – exclamou Renji apertando-o ainda mais contra si.
- Venha logo!
Gritou o homem sentindo as estocadas aumentarem de velocidade e num rompante, o calor lhe invadia o interior.
Ajeitando as roupas no lugar, o professor arrumou o cabelo, ainda sem ar. Depois se voltou a Renji enquanto colocava a gravata no lugar, falando a ele:
- Vamos, Rukia nos espera na festa.
- Sim senhor... Já estou indo.
A porta se fechou e o tatuado recostou as costas na parede. Seu desejo não conseguia ser refreado quando se tratava de Byakuya. Que começo de ano maravilhoso: tinha o homem que amava apenas para si, mas ainda assim não conseguia sentir-se completo. Não conseguia ser um canalha procurando apenas momentos de diversão. Queria mais, muito mais do que aquilo...
- Feliz ano novo... – disse baixinho para si mesmo num tom tristonho.
Depois se recompondo, apanhou o casaco e saiu do quarto, procurando pelo elevador naquele corredor imenso do hotel.
Chegando ao salão com tantas pessoas alegres e se divertindo apenas serviu para deixa-lo ainda mais miserável. Caminhando entre elas tentando não esbarrar nos já muito bêbados para ficar de pé, logo avistou Rukia perto do buffet enchendo um prato com as diversidades do jantar.
- Você vai acabar engordando.
A morena virou-se terminando de engolir um pedaço de carne. Deu um soco no ombro de Renji voltando falando:
- Tenho um metabolismo rápido. – replicou.
- Sei; sei... – brincou vendo o cenho franzido da garota.
Não muito distante Grimmjow e Ichigo conversavam parecendo se divertir um com o outro. Brigavam e depois riam, sem importar-se com o que cada um deles falava. Ficou preso àquela visão por um bom tempo ignorando um pouco as palavras de Rukia. Eles realmente se completavam, e precisou levar diversos socos até perceber isso. Agora tudo o que conseguia sentir com relação a Ichigo era inveja. Quer dizer, ficava feliz por vê-lo tão descontraído e risonho ao lado de Grimmjow, mas ainda pensava se algum dia encontraria aquela mesma alegria. Respirou fundo inapto de uma resposta, continuando a observá-los sem nem perceber.
Mas alguém havia notado esse interesse tão profundo no casal, e mesmo não querendo admitir, aquela afeição desconhecida à Byakuya, deixava-o irritado. Desde a primeira vez que vira Ichigo, Renji não parou de falar sobre ele, ou ainda de ter encontros estranhos. Ver o aluno tão concentrado assim naqueles dois apenas levantava mais perguntas; que jamais seria capaz de fazer a ele, pois não podia ceder a esses instintos. Só conseguia fazer o tatuado esquecer-se dele quando o usava, e depois o jogava fora feito lixo... Uma das atitudes mais infantis suas, no entanto, era a única maneira que encontrara para camuflar seus reais desejos, e ter Renji por completo; ao menos nesses instantes.
Involuntariamente começou a caminhar pelo salão aproximando-se do aluno e, pouco tempo depois, estava ao lado dele e de Rukia.
- Ni-sama! – a garota exclamou alegre – Você precisa experimentar o buffet, está uma delícia!
- Mais tarde. Estou sem apetite agora.
- Eu também. – comentou Renji – Vou lá fora pegar um pouco de ar.
- Até mais tarde! – Rukia despediu-se tornando a comer.
Ele havia saído com uma feição cabisbaixa. Ah, Byakuya estava se remoendo só de vê-lo assim.
- Rukia, não deveria ir ver seus amigos? – falou a irmã.
- Sim, verdade! Mas tudo bem em deixa-lo aqui, ni-sama?
- Você os convidou, deve ficar com eles o quanto puder. Aproveite, pois iremos embora amanhã a tarde.
- Nesse caso, te vejo mais tarde! Ah Ni-sama, posso te fazer uma pergunta antes?
- Certamente.
- Você está feliz, ni-sama?
Achou a pergunta estranha, mas respondeu-a mesmo assim:
- Me considero... Satisfeito.
- Desculpa isso deve ser meio repentino. – falou coçando a nuca, parecendo sem jeito – É só que eu notei certa... Felicidade em você nesses dias. Talvez seja por causa dessa temporada de férias improvisada!
Bem, aquelas férias tinham sido bastante interessantes até o momento. Mas feliz? Aparentava tanto assim sua satisfação por causa de Renji? Pensava esconder perfeitamente essas sensações. Contudo, Rukia era sua irmã, ela mais do que ninguém conhecia sua personalidade tão fechada.
- Estou mais relaxado. – blefou – Obrigado por se preocupar.
- Ah! Não é preocupação, eu também estou muito feliz por você ni-sama! Espero que isso continue! Mas agora eu vou mesmo ficar com meus amigos. Até mais tarde!
Saltitante a baixinha correu pelo salão quase pulando em cima de Ichigo ao chegar por trás dele. Por pouco não levou os dois ao chão. Recebeu alguns protestos do ruivo, mas logo em seguida, foi carregada alegremente por ele num passeio em suas costas – e o morango envergou as sobrancelhas sentindo-se um burro de carga, apesar de aceitar os pedidos da garota. Grimmjow ria, achando Rukia uma das figuras mais engraçadas que já conhecera.
Byakuya queria realmente saber se aquele garoto era tão interessante assim. Rukia parecia ser bastante apegada a ele, os outros o acompanhando também. O excêntrico de cabelos azuis ao lado dele parecia ter uma relação com Ichigo, já percebera desde a primeira vez que os vira juntos. E Renji, bom quanto a ele nem precisava pensar muito; já estava mais do que claro o interesse do tatuado em Ichigo.
Chegou a apertar o copo em suas mãos só de imaginar os dois juntos. Traído por si mesmo, largou o vidro antes de quebra-lo, e, incapaz de ficar no salão vendo o motivo de suas frustações divertindo-se com Rukia, decidiu acompanhar a ideia de Renji para refrescar a cabeça do lado de fora da festa.
Tinha de se presente o máximo possível a Renji, pois só assim tornar-se-ia o único, sem dar espaço a Ichigo ou a Rukia. Por deus! Rukia! Havia ficado com ciúmes da própria irmã! Aquilo era insano, havia ultrapassado todos os limites, e, no entanto, não sabia como evitar, não sabia agir de outra maneira.
Porque Renji devia o odiar. Forçá-lo a esses encontros, obriga-lo a seguir com estes atos imorais usando a autoridade sobre ele... Ódio era pouco. E depois querer justificar tudo por conta de sentimentos reprimidos, que nutre há anos pelo aluno de tanto tempo? Que egoísmo, e ridículo a um homem na sua idade. Rukia também o detestaria se soubesse; seu amigo e seu irmão; cena ridícula.
Não, não podia contar a ele. Só sabia usá-lo, enganá-lo, e descartar feito um objeto insignificante. Havia mesmo atingindo o fundo do poço. E ir encontrar Renji naquela hora da noite de ano novo, só confirmava o quão baixo ia para satisfazer uma vontade tola e infantil.
- Renji. – falou ao vê-lo.
- Sensei? Porque esta aqui?
- Também achei melhor tomar um pouco de ar.
- O senhor não gosta muito de ambientes lotados, não é?
- Verdade...
Oh, o tatuado sabia um pouco sobre ele. Admitia ter ficado surpreso.
Esticando os braços, o ruivo disse parecendo mais relaxado:
- Nós vamos ter um longo período de estudo depois desses dias, certo?
- Sim. Precisamos recobrar o tempo perdido.
Ele riu divertindo-se consigo mesmo. Podia encerrar aquilo tudo agora mesmo, dizendo estar cansado das aulas extras, do trabalho como assistente e... Os outros ‘serviço’. Ainda assim ignorava as mensagens do cérebro. No fundo sabia ser incapaz de negar uma única coisa aquele homem. E admitir isso apenas o afastaria. Esse professor tão dedicado, e um pouco excêntrico em seus pedidos, era tudo em sua vida. Conhecendo-o como o conhecia, acabaria se distanciando, pois Byakuya jamais ficaria ao lado de alguém com sentimentos tão tolos... Quem ele pensava que era; afinal? Querendo se comparar a alguém no nível dele. Tinha medo também de perder Rukia, e fechar o pacote completo, perdendo as duas pessoas que mais estimava. Não, era melhor atender apenas a carne, deixar tudo debaixo do tapete, e seguir adiante. Quem sabe um dia encontra-se alguém com quem conviver sem precisar de mentiras? Alguém capaz de aceita-lo. Aí sim, talvez, conseguiria se esquecer de Byakuya... Era o seu plano até então.
- Ichigo! Vamos passear lá fora! – Rukia exclamou.
- Esse passeio já está de bom tamanho!
O ruivo replicou colocando-a no chão.
- Você é muito chato. É ano novo!
- É Ichigo. – Grimmjow intrometeu-se rindo – Só faltava ela dizer ‘upa-upa cavalinho’.
- Babaca...
Os dois riram juntos da cara desgostosa de Ichigo. Depois, enxugando o canto dos olhos, Rukia comentou ao perceber a falta de seu irmão no salão:
- Acho que o ni-sama voltou ao seu quarto.
- Você queria falar com ele? – Ichigo indagou.
- Queria passar mais algum tempo... Amanhã nós já vamos embora.
- Podemos dar uma olhada por aí e ver se o achamos.
- Obrigada! Ele provavelmente está com o Renji.
E o nome mencionado despertou uma pequena fúria em Grimmjow.
- Eu vou com o Ichigo, você olha aqui dentro! – exclamou pondo o braço envolta do ombro do menor.
- Quem te nomeou capitão?! – o ruivo reclamou.
- Tudo bem Ichigo, eu entendo... – a baixinha respondeu pondo a mão embaixo do queixo num sorriso malicioso – Eu sei que vocês querem ficar um pouco sozinhos... Afinal, é ano novo, querem começar com o pé direito!
- RUKIA! – Ichigo gritou deixando o rosto ruborizar.
- Ah, que bom! Alguém que me entende! – o maior completou.
- GRIMMJOW?! – outro grito e novamente a face avermelhou-se feito um tomate.
Rindo em conjunto outra vez, os dois ‘grupos’ afastaram-se indo começar as buscas nos respectivos lugares.
- Você podia ser mais discreto... – falou quando as bochechas diminuíram o tom vermelho.
- Eu não consigo evitar! – brincou.
- Vamos achar logo o irmão as Rukia e comer alguma coisa. Andar tanto no salão me deixou com fome.
- É, eu também estou com fome...
Comentou alisando a parte traseira do ruivo, que, respondeu com um soco bem dado na cabeça do outro:
- AI!
- Foi bem feito.
- Nossa, quanto amor...
- Deixa de frescura e vamos logo.
Nisso, as portas dianteiras do grande hotel se abriram. A maioria dos hóspedes já havia entrado, aproveitando a música e o banquete, por isso, não foi difícil ver o alvo da sua procura próximo à fonte de mármore no centro do pátio conversando com ele mesmo: Renji. Grimmjow rangeu os dentes, mas preferiu ficar quieto. Tinha prometido deixa-lo inteiro.
No entanto, enquanto Grimmjow se perdia em pensamentos sádicos, Ichigo notara a expressão quase nula de Renji; triste e cabisbaixa. Alguma coisa havia acontecido, e logo entendeu ao vê-lo junto de Byakuya. Na sua mais recente conversa descobrira o relacionamento nada saudável entre os dois. Ano novo, festa e alegria, discordavam com esses problemas. Aliás, essa foi uma das únicas coisas que fizera Grimmjow acalmar-se depois da confusão... Não queria trair a confidencia do amigo, mas também precisava evitar uma nova briga.
Respirando fundo, o ruivo falou chamando a atenção dos dois, e ainda mais de Byakuya:
- Olá Renji.
- Ichigo! O que está fazendo aqui?
- Viemos a pedido de Rukia e...
Cortando sua fala Grimmjow se interpôs entre eles ficando ligeiramente próximo a Byakuya mirando-o numa espécie de análise. Tanto Ichigo e Renji nada entenderam, e o moreno ficara mais do que intrigado com a repentina ação. O que ele queria e ainda, porque Ichigo tinha de chegar agora? A mera presença dele modificava o humor de Renji, piorando o seu ao mesmo tempo. O estranho a sua frente continuava o encarando num olhar nada acolhedor, e, sem intimidar-se com o tamanho dele, disse, sem paciência:
- Algum problema?
‘Então, esse metido a bacana é o novo casinho de Renji?’ Pensou Grimmjow achando graça. Os dois em nada se pareciam. Sorriu rapidamente e, num movimento rápido demais para ser evitado, segurou a blusa de Byakuya juntando sua boca com a dele num beijo apressado, e mais ainda, que levantou gritos de protestos, tanto de Renji quanto de Ichigo, incapazes de acreditar no que viam – as bocas abertas em surpresa, os corpos atônitos e os olhos arregalados.
Segundos depois largou o moreno afastando-se dele, ainda sob as ameaças do ruivo e do tatuado, mas antes de deixá-los continuar a praguejar, apontou o dedo na direção de Renji, dizendo:
- Isso é para deixar as coisas empatadas.
- Qual o seu problema Grimmjow?! – Ichigo exclamou envergando as sobrancelhas mais do que o normal, enraivecido.
- Nem comece! – o maior replicou – Você ficou se agarrando com o Renji por quase um mês!
Tanto Ichigo quanto Renji ficaram calados inaptos de rebater as alegações dele, ao passo em que Byakuya ainda não havia se recuperado do repentino beijo, perguntando-se se aquilo havia mesmo acontecido, ou se estava sonhando.
Afastando-se, Grimmjow sentiu um calafrio nas costas quando chegaram próximos à entrada do salão e ao invés de entrarem, sentiu um puxão no braço o levando a parte lateral do hotel. As costas bateram contra o muro num estalo, mas anda pode dizer para defender-se, pois o ruivo já havia começado a falar, acusando-o, e, visivelmente irritado:
- Porque você fez isso? – vociferou Ichigo.
- Eu disse: foi minha vingança pessoal.
- E precisava beijá-lo?!
- Claro porra! –exclamou — Só assim aquele babaca ia entender como eu me senti quando eu te vi o beijando!
O ruivo abriu e depois fechou a boca. Grimmjow e seus impulsos irracionais... Ele levantara uma boa questão, mas ainda assim, mesmo que tenha sido apenas para ‘igualar’ seus problemas com Renji, detestara o fato de que ele havia beijado outra pessoa.
- Se fosse só por isso – falou num tom ranzinza- eu preferia que você tivesse socado a cara dele... – terminou cabisbaixo.
Percebendo agora a face emburrada do menor, Grimmjow teve uma pontada de culpa instalando-se nele. Depois, pôs a mãos sobre sua cabeça lhe afagando os cabelos, descendo os dedos até a orelha, parando ali:
- Você está com ciúmes? – perguntou calmamente, achando aquilo um pouco engraçado.
- Claro que sim! – exclamou quase lhe dando um soco – O meu namorado acabou de beijar outro cara na minha frente, como acha que eu me senti?!
Nisso, recebeu um abraço tão apertado de Grimmjow que seus sentidos ficaram confusos outra vez. Primeiro o irritava, depois, fazia demonstrações de carinho; seria ele bipolar?!
- Eu não quero beijar mais ninguém além de você Ichigo. –falou rente ao seu ouvido.
O ruivo amenizou as feições, mas ainda não lhe retribuía o abraço:
- V-você só quer ficar comigo? – perguntou achando-se um idiota – Porque você tinha uma fama bem grande antes de me conhecer.
- E assim que te conheci e te beijei, te toquei, eu percebi que nunca mais ia querer outra pessoa; quero apenas seu corpo, beijar apenas a sua boca... Só tenho olhos para você, ruivinho.
A cabeça ardeu com o cascudo, mas aí veio o beijo, antes de poder sentir alguma dor:
- Nunca, nunca mais mesmo, faça isso outra vez, deu para entender, ou vou precisar socar essa ordem no seu cérebro?!
‘Ordem?’ O maior pensou rindo consigo mesmo. Ah, ele não queria mais ninguém mesmo, só aquele ruivo desejando ser o seu dono... E ele o era, certo? Seu único e amado mestre.
- Mensagem recebida. – brincou agora sendo abraçado de volta.
Ichigo não queria brigar, nem tirava um pouco da razão de Grimmjow. Na verdade, a irritação maior foi ao vê-lo beijando Byakuya. E nesse momento, pensou no que ele mesmo deveria ter sentido ao encontrá-lo naquele dia próximo a sua casa com Renji o beijando... Uma sensação nada agradável que havia magoado bastante. Até então nem percebera o quanto havia o deixado triste com aquilo, nem que o namorado impulsivo ainda guardava algum ressentimento. Precisava prestar mais atenção nele, afinal, calado como Grimmjow era, tinha de adivinhar as coisas se passando em sua cabeça se quisesse compreendê-lo. Ah! Como ele conseguia gostar de um cara tão complicado assim? Mas, fazer o que. Já tinha se apaixonado de vez por ele, e agora precisava dobrar a atenção quando o assunto eram os sentimentos reprimidos do maior. Riu consigo mesmo pensando nesse comentário pessoal.
- Ei. – Grimmjow falou ainda no meio do abraço – Será que nós já podemos voltar ao quarto? Quero comemorar o ano novo com você.
- Claro.
Respondeu de imediato animando Grimmjow.
- Depois que falarmos com a Rukia. – terminou a frase vendo a expressão de tédio instalando-se nele.
Sorriu andando até o hotel enquanto Grimmjow se arrastava querendo logo ir embora dali. Fazer o que, era incapaz de dizer não aquele ruivinho...
- Sinto muito, muito, muito mesmo!
Renji repetia as desculpas sem saber onde enfiar a cara. Grimmjow havia extrapolando todos os limites; dessa vez ia ouvir poucas e boas quando o visse outra vez. No entanto, primeiro, tinha de concertar a confusão causada por ele.
- Sensei eu nem sei o que dizer! Se eu soubesse que ele ia fazer aquilo eu juro que...
- Não foi sua culpa, Renji. – respondeu-o ao se recompor por fim.
- E-eu sei, mas... Ainda assim ele estava com o Ichigo, e bem...
De novo aquele nome. Droga, aquilo estava o irritando demais já.
- Esse seu ‘amigo’... – começou a falar sem medir as conseqüências, pois precisava saber, precisava ter certeza se havia escutado direito as palavras de Grimmjow, e não foi capaz de segurar a língua – Vocês já... Saíram juntos?
Os olhos castanhos chegaram a tremer um pouco, encabulado e sem jeito de responder uma questão como aquela. Se eles haviam saído por algum tempo? Sim, mas tudo não passou de uma ilusão criada por ambos para preencher o vazio do momento.
- A-aconteceu há um tempinho atrás... Sensei... – falou querendo enfiar-se num buraco – Nós dois estudávamos juntos e... Bem... Uma coisa leva a outra. Mas nós percebemos que era besteira nossa, que nunca seriamos nada além de amigos! Agora o Ichigo namora o Grimmjow, eles estão bem felizes juntos e eu...
A boca ficou seca e sem voz. Ele o que? Tinha um caso? Um relacionamento? Não nada daquilo. Ele, na verdade, não tinha nada.
- E eu estou feliz pelos dois. – completou antes de acabar se metendo em novos problemas.
- Hmm.
Foi a única resposta de Byakuya, um murmurar sem sentido de quem entendeu a situação, mas ainda desconfia de algo. Para o moreno, era claro que Renji nutria algum sentimento além do afeto com relação a Ichigo. Tinha enfiado essa idéia na cabeça, e quem seria capaz de convencê-lo do contrário? Aquilo o matava aos poucos, porém, como de costume, continuaria guardando essas inseguranças e vontades dentro de si...
Enquanto que Renji, tendo falado tão abertamente com Byakuya essas palavras apenas fizeram uma nova afirmação ao tatuado: ele realmente não pensava mais em Ichigo da mesma maneira. Vendo-o junto de Grimmjow, conversando sobre um assunto tão delicado com Byakuya, nada o afetava. Ichigo era seu amigo. Ponto final, e poder dizer ao professor com todas as letras, pareceu aliviar um peso das costas. Finalmente, livre desse fantasma. Mas ainda queria tirar satisfações com Grimmjow!
- Ni-sama! Olha só! O nariz do Renji está inteiro!
Brincou a baixinha, alegre e saltitante como sempre, ao chegar no pátio depois de falar com Ichigo. Logo separara a tensão entre os dois sem nem dar-se conta disso. A contagiante felicidade dela trouxe-os de volta ao salão para terminar a noite em meio à festa. Renji sentindo-se mais à vontade no ambiente brilhante e convidativo do início de um novo ano; e Byakuya, pensativo, enigmático, remoendo-se por dentro naquele fatídico fim de ano...
Continua
Notas finais
Bem, mas pelo menos uma vez ele tinha de sair por cima, né gente? Mas agora todo o meu sadismo pulou para o Byakuya xD Tadinho dele, sofrendo de amor calado! Ah... Mas já já isso se resolve ;)
beijos aos meus maravilhosos leitores =***
Até o próximo o
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