Maipetto no Neko

47 Capítulo 47- O diabo veste armani


Notas iniciais
Para quem estava com saudades, um lemonzinho rápido para os fãs. ;)

Espero que gostem do capítulo!

Boa leitura o

Maipetto no Neko

Capítulo 47 – O diabo veste armani


Os dias continuavam correndo como de costume. Nada havia mudado naquele ano novo. Renji voltara à vidinha de estudos junto do professor. Ele nem o deixou ter descanso no recesso da faculdade; assim que chegaram de viagem trancafiaram-se atrás dos livros, papéis, e claro, o objeto mais importante de trabalho, os computadores. Às vezes paravam no meio da tarde para beber o chá trazido por Rukia, ou ainda para outras atividades mais... Repetitivas, cilíndricas e... Suadas.



No entanto, o mais importante é que tudo continuava na mesma. A viagem serviu apenas para distanciá-los ainda mais. Ao menos com Ichigo as coisas haviam melhorado, e apesar e ainda não ter acertado as diferenças com Grimmjow, principalmente depois do beijo que ele dera em Byakuya, tinha de admitir que sua relação melhorara, e muito. Agora podia sair quando quisesse com Ichigo sem precisar ‘pedir autorização’, o que achava ridículo da parte do egocêntrico namorado do ruivo. Enfim, menos um problema em sua vida.



Cinco de janeiro e já começara o ano letivo repleto de afazeres. Byakuya lhe entregou a responsabilidade de organizar os últimos casos de estudos feitos por ele, além de precisar organizá-los na ordem meticulosa estipulada pelo moreno, o que em sua opinião fora um erro tremendo de cálculo dele, afinal todos conheciam a sua total e completa falta de senso organizacional. Porém não podia ficar reclamando. Sua prioridade no momento era ocupar sua mente com qualquer outra coisa além de Byakuya e suas blusas de botões semiabertas revelando apenas uma parte da pele alva do pescoço, porém o bastante para deixa-lo intrigado em querer descobrir o resto daquele corpo, passear os dedos e os lábios pela cútis, deliciando-se com o sabor amargo e ao mesmo tempo tentador daquele homem. Mas não queria ficar pensando nisso. Se ocupasse sua mente com outros assuntos seria capaz de ignorar esse drama todo.



O som da fechadura da porta se trancando, porém, desviou sua atenção do amontoado de papéis à sua frente. Esticou os olhos para cima da poltrona avistando Byakuya remover os óculos e os apoiar em cima da mesinha na lateral da entrada. Depois, vagarosamente, ele removeu o nó da gravata e com um olhar mais do que sedutor, nem precisou chamar por Renji; o tatuado já se encontrava de pé apenas esperando sua aproximação – que não tardou a acontecer. E mais uma vez se prendia nessa mesma roda de eventos, incapaz de resistir aos encantos daquele homem, e mais ainda incapaz de desistir desses tolos sentimentos...



Trancafiados em seu quarto, Ichigo nem se lembrava de que Renji existia, aliás, estava completamente alheio do mundo à sua volta. Isso porque Grimmjow escalava em seu peito mordiscando os gomos da barriga, e a concentração do ruivo voltava-se apenas para seus gritos presos e seguros na garganta. Mesmo apesar dos inúmeros protestos, o egocêntrico queria porque queria passar a noite em sua casa. Por sorte, Karin e Yuzu haviam saído em um passeio com seus amigos, contudo seu pai ainda estava em casa, e sua mania de entrar nas horas mais inoportunas era muito conhecida. Pobres portas, já haviam sofrido muito com as batidas, empurrões e pontapés que recebera quando enxotava seu pai do quarto.



Enfim não era a hora de ficar preocupando-se com isso! Queria empurrar Grimmjow e o jogar para fora da cama – na verdade já tinha conseguido o afastar algumas vezes, mas o maior achava graça, uma espécie de desafio passar pelas barreiras impostas pelo ruivo, e continuava sua ‘incursão’ pelo corpo do menor.



– Porra, deixa de ser abusado! – exclamou Ichigo pondo as duas mãos na cabeça de Grimmjow querendo o levantar da cama.



– É a minha natureza! – brincou – Além do mais, você sabe que eu não consigo ficar parado do seu lado, ruivinho.



O apelido ainda o irritava, mas não tanto quanto as atitudes impensadas do namorado. E mesmo tendo o instinto primário de refutar as investidas, no mínimo, ansiosas de Grimmjow, também lutava consigo mesmo para não ceder à vontade, pois o beijo que ele dera em Byakuya ainda não havia sido digerido, ao mesmo instante em que ter um pingo de raiva quanto ao ocorrido lhe parecia ser inviável. Sentimentos tão dúbios e influentes, que o irritavam demais.



– Ei.



O maior falou subindo o corpo pelo de Ichigo deixando as cinturas na mesma altura e os rostos quase colados.



– Que foi? — perguntou impaciente.



– Me de um pouco de atenção...



Pediu com o olhar manhoso daquelas safiras, descendo a face ao seu pescoço e roçando os cabelos azuis; feito um bichinho, no espaço do ombro. Que manipulador cretino... Era impossível ficar brigando desse jeito, sentindo o cheiro perfumado das melenas resvalando nele e o suor das peles se encontrando entre eles.



Bufou revirando os olhos castanhos e, puxou-o num beijo violento, quase o sufocando, lambendo o interior da boca enquanto as mãos acariciavam a nuca azulada. Logo sentiu as mãos subindo pelo torço, e num instante, os ágeis dedos puxavam a calça marrom escura, fazendo o baixo ventre ser revelado. Do ósculo a boca de Grimmjow desceu apressada querendo encontrar a parte mais suculenta do garoto e a abocanhar feito uma sobremesa. Fazia tempo não saboreava a delícia que era Ichigo, e a língua pedia pelo gosto mais do que tentador dele.



Cerrando os olhos e mordendo os lábios numa frustrada tentativa de encobrir os sons saindo da boca, Ichigo sentia o volume ser pego por Grimmjow numa voracidade suave, esquentando-o com a saliva quente molhando a carne que ia crescendo com os movimentos repetidos de sobe e desce.



As unhas de Grimmjow arranharam na lateral das coxas deixando pequenas linhas vermelhas por onde passavam, apertando os músculos até chegar às nádegas do garoto apertando-as com força. O ruivo soltou um grunhido de dor devido à brutalidade com a qual tinha cada banda sendo comprimida entre as mãos do maior, mas em meio ao sentimento desconfortável uma ebulição de concupiscência e deleite recaiu sobre ele, e os sons escapulindo do canto dos lábios tornaram-se gritos, respirações rápidas e descompassadas, combinando com o ritmo acelerado do peito pulsando; do peito que tremeu ao ter a cintura pega pelas largas mãos de Grimmjow o girando em cima da cama, e o deixando com as costas expostas ao maior.



Os braços esticados no colchão queriam virar o corpo outra vez, mas Grimmjow não o permitiu, enfurecendo ainda mais o ruivo. Mas antes de ter tempo a alguma reação, o maior molhou os lábios vagarosamente com a pontinha da língua descendo a boca numa apressada mordida à banda esquerda, deixando a marca superficial dos dentes nela. Depois, apertou as costas de Ichigo massageando os músculos. Conforme os dedos afundavam na pele ia beijando cada lado, cada centímetro do corpo de Ichigo, deixando as bochechas do menos ferverem em vermelho. Os olhos trêmulos do ruivo cerraram enquanto um bafo quente saía no meio da falha respiração. Se quisesse impedi-lo de alguma coisa, deveria ter feito isso há muito tempo atrás, pois agora cada toque, cada palavra, havia sido inebriado.



Cingindo a base da coluna dele Grimmjow deixou-o bastante á vontade quando desceu a mão no meio das pernas do ruivo pressionando a sua entrada. As íris de Ichigo arregalaram-se, pois ainda não tinha se acostumado por completo com as investidas rápidas do namorado. O lençol enroscava-se entre seus dedos, e apesar do desconforto inicial que sempre sentia; logo se entregou a prazerosa sensação.



Grimmjow levou a boca novamente por suas costas fazendo desenhos por ela, mas não ficaram apenas ali. A língua rodopiou no meio dos dedos que ainda prensavam contra o meio das pernas de Ichigo, deixando-o cada vez mais molhado. Nesse ponto a vergonha já havia tomado conta por completo de Ichigo, e o pânico de que seu pai ou qualquer outra pessoa entrasse em seu quarto apenas aumentava, mas não conseguiria parar agora. A cintura subiu sem nem perceber e os múrmuros que soltava, ainda que incompreensíveis, eram o bastante para instigar Grimmjow.



A voz de Ichigo veio num alto e rouco urro; os ombros se encolheram, no entanto, ao invés de ceder o corpo sobre a cama, sentiu a cintura ser puxada para trás, forçando a entrada contra a ereção de Grimmjow mais ainda. Ergueu os braços apesar dos fracos pulmões quase sem ar, sentando no colo do maior. O suor escorria da testa, mas nem deu atenção a ele quando a boca se junto à do outro num beijo roubado. Esticou a língua devido à posição não muito confortável, encontrando a de Grimmjow no meio do caminho. O peito dele batia contra sua coluna nos movimentos acelerados, e meio que sem jeito, tentava permanecer sentado em cima dele conforme o volume saía e entrava.



Recostando as costas na parede ao lado da cama, sem pedir licença nem nada, o egocêntrico afundou Ichigo ainda mais em seu membro rijo, segurando a parte de trás de suas pernas, levantando-as um pouco. O ruivo fechou os olhos se sentindo cada vez mais invadido por Grimmjow, erguendo os braços para trás da cabeça do maior, querendo um lugar para se apoiar.



– Ichigo... – ele sussurrou rente ao seu ouvido.



Contudo o ruivo não conseguiu responder, preso demais naquela maravilhosa sensação de prazer.



– Use suas mãos... – continuou a falar, segurando um dos braços do garoto e pondo sua mão sobre o membro dele.



A face de Ichigo avermelhou-se quase fervendo em vergonha. Não ia conseguir fazer aquilo, ainda mais com Grimmjow falando daquele jeito; com a voz suave e ao mesmo tempo grossa, praticamente o ordenando a se tocar daquela maneira, enquanto continuava a ser possuído pelo maior. Nunca havia feito... Isso na frente de outra pessoa, que dirá de Grimmjow! Por deus, como ele conseguia ser pervertido assim?! Já não bastava o colocar nas mais diversas posições, o fazer implorar para tê-lo dentro de si, precisava obedecer aos pedidos egocêntricos dele?! Ah, não, isso não ia aceitar!



Meneou a cabeça para os lados, pois a voz continuava falha, e no instante seguinte, os movimentos repetitivos pararam, fazendo-o abrir os olhos em surpresa e confusão.



– Se você não fizer nada, eu também não faço.



Aquele maldito sorriso sádico se formou na boca de Grimmjow ao concluir a frase. Ichigo enfureceu-se querendo soca-lo, ou ainda dar uma boa série de chutes nele para fora de sua casa. No entanto, como sempre, ele continuava a provoca-lo, dando pequenos solavancos com a cintura, que o faziam enterrar-se dentro do ruivo e sair vagarosamente, quase até a ponta da ereção do maior. E a boca de Ichigo enchia-se, quase transbordando, querendo abaixar o corpo em cima de Grimmjow e, praticamente, ‘montar’ em seu colo ele mesmo. Noutro balanço imprevisto e violento, o membro aprofundou-se na altura da base, ficando ali parando, latejando no interior de Ichigo, levando a loucura.



Engolindo o excesso de saliva, pendeu a cabeça para frente e ruborizou novamente quando tocou em seu próprio volume circundando-o com os dedos. Era gostosa a sensação da carne sendo tocada, e do molhado escorrendo pela pontinha conforme esfregava a mão ao redor da carne, porém ainda mais gostoso foi ter as pernas erguidas outra vez e a velocidade com a qual Grimmjow entrava e saía aumentar bruscamente. Deitou a nuca no ombro do maior sem conseguir proferir uma única palavra, apenas o ar escapava em pequenas respirações ofegantes, e de relance pode enxergar o sorriso satisfeito do maior que tinha os olhos voltados a ele, aproveitando a visão de Ichigo e o toque tão ameno e carente do menor em si mesmo.



– Está gostando, Ichigo?



Ele perguntou com a voz reverberando no pescoço do ruivo até seu ouvido, deixando-o extasiado.



– S-sim! — respondeu alto quando finalmente teve o controle de sua fala reestabelecido.



Nisso, Grimmjow empurrou seu peito contra o menor forçando as mãos dele contra o colchão. Ainda continuava sentado em seu colo, mas a cintura erguia-se numa nova posição, dando-lhe mais espaço para se mover. E o fez estocando fundo e apressado, apertando o flanco do ruivo contra seu corpo, ouvindo os múrmuros de satisfação de Ichigo conforme se enterrava nele mais e mais e... Num longo espasmo, deixou-se cair sobre ele na cama, escorregando, por fim, para o lado o abraçando com os braços um pouco fracos devido ao cansaço.



Os dois ficaram assim por mais alguns minutos, antes de Grimmjow receber um cascudo no meio da cabeça.



– Mas!... Por quê?! – exclamou em meio ao dolorido golpe.



– Para você não ficar se achando demais.



Ichigo respondeu, porém, continuou deitado, esperando que Grimmjow retornasse a posição de antes – o que logo fez. O sorrisinho de vitória enfeitava seu rosto, mas assim como ele, o ruivo também sorria, entregando-se ao sono daquela noite. Antes de perder os sentidos, sentiu leves beijinhos estalarem em sua nuca e ombros, onde Grimmjow se engalfinhou feito um animal procurando abrigo. Realmente, um chantagista de primeira. Cobrindo os dois, Ichigo abandonou os últimos receios, dormindo finalmente.



Quando a manhã chegou, Ichigo não resistiu a vontade de empurrar Grimmjow para fora da cama. Ouviu o estalo alto de seu corpo caindo no chão, e logo sua cabeça levantava do piso. Enfurecido, mirou o ruivo já de pé terminando de abotoar a calça.



– Vai se vestir nós vamos tomar café.



Ele falou sorrindo. Aquela vez ele havia ganhado, mas a brincadeira ia ter volta... Mais tarde... Quando os dois estivessem sozinhos... ia começar tirando cada peça de roupa bem devagar, lambendo os pedaços novos de pele sendo descobertos por ele... Depois, o colocaria de quatro – ah sim, de quatro! E começaria a brincar nas áreas mais sórdidas do corpo do menor. E quando menos esperasse!... Pensando bem, depois de fazer isso tudo não conseguiria resistir a vontade de devorar Ichigo, mas no final das contas, ia acabar se divertindo também... Ah! Que seja1 Ele havia vencido a batalha, mas ainda pensaria numa melhor maneira de se vingar dele! Talvez mordaças e pedaços de chocolate derramados em cima dele e... Não, não, não! Droga, isso também não ia dar certo... Que merda! Por um acaso era incapaz de bolar um plano que não envolvesse Ichigo sem roupa lambuzado com diversos condimentos?” Para falar a verdade não. E, aliás, no fim das contas, quem ia acabar ganhando com essa história toda seria ele também...



Recebendo um novo soco na cabeça levou as mãos ao pequeno galo se formando mirando Ichigo enraivecido:



– O que tanto você está pensando? – ele perguntou – Vai acabar fritando o cérebro.



– Ha-ha-ha, engraçadinho... – Grimmjow replicou procurando por suas roupas.



Chegaram a uma mesa bem posta de café da manhã feita por Yuzu. Contudo avistou um bilhete na lateral da cafeteira. Era da irmã mais nova, dizendo que precisava passar no mercado antes do almoço.



– Dormiram bem?



O comentário piadista de Karin chegou aos ouvidos de Ichigo deixando-o de mau humor outra vez. Grimmjow quis rir, mas depois dos últimos golpes de Ichigo, preferiu engolir uma boa xícara de café.



– Desde quando minhas noites de sono te interessa? – Ichigo replicou.



– Desde que a casa começa a tremer de madrugada... Cuidado hein? As paredes são bem finas, e os vizinhos vão acabar ouvindo vocês dois!



Grimmjow quase engasgou e o riso escapou um pouco dos lábios. Recebeu um olhar de fúria vindo do ruivo, e antes dele continuar as briguinhas com sua irmã, o celular do sádico tocou mudando um pouco os ares; apesar de Karin insistir em ficar fazendo gestos um pouco... Estranhos com as mãos enquanto olhava para Ichigo... Uma torrada voou na direção dela caindo no chão, e uma leve estática formava-se entre os dois irmãos, até Grimmjow interromper a pequena discussão dos dois:



– Preciso ir andando.



– Aconteceu alguma coisa? – Ichigo indagou.



– Nada de amis, a Neriell quer falar comigo alguma coisa da empresa. Aquela mulher parece uma máquina! Mal se recuperou, e já quer falar de negócios.



– Boa sorte.



– Dê um ‘oi’ a ela por mim. – falou Karin.



– Desde quando vocês são amiguinhas? – Ichigo perguntou curioso.



– Desde que ela me contou algumas das suas histórias com o Grimmjow... Muitos divertidas, por sinal...



Um silêncio rápido fez-se, depois outra torrada voou na direção de Karin que subiu as escadas da casa rindo.



– Eu vou matar essa pirralha... – o ruivo comentou conforme ele e Grimmjow se aproximavam da porta.



– Relaxa, sua irmã pode ser pentelha, mas é bem engraçada.



– Isso porque você não convive com ela o dia todo...



O maior riu outra vez puxando Ichigo pela gola da camisa, dando-lhe um beijo.



– Quando essa burocracia toda terminar, eu te ligou para sairmos amis tarde.



– Vê se faz seu trabalho direito! – Ichigo replicou.



– Eita, agora você está parecendo a Neriell falando!



Empurrando-o para fora da casa antes que aquela conversa se estendesse ainda mais, Ichigo voltou a mesa para terminar seu café. Alguns minutos depois a campainha tocou e ele bateu a mão no meio da testa se perguntando o que Grimmjow poderia ter esquecido dessa vez.



– Bom dia Ichigo!



Rukia praticamente gritou ao lhe receber com um tapa bem dado nas costas. Ao seu lado, usando um casaco longo e touca, estava Inoue, que lhe deu um longo sorriso junto do ‘bom dia’. Ambas muito bem arrumadas, por sinal.



– Aconteceu alguma coisa para eu receber essas ‘boas vindas’ logo de manhã? – o ruivo perguntou deixando-as entrar para se aquecer do vento gelado.



– Ah! Lá em casa meu irmão e o Renji só querem saber de trabalhar, por isso eu liguei para a Inoue e resolvemos vir aqui te fazer uma pequena surpresa.



‘Não é só de trabalho que aqueles dois estão vivendo...’ Pensou Ichigo. Pigarreando a fim de renovar as ideias, ofereceu as duas a maravilhosa comida de Yuzu, e foram logo começando a fazer planos para a tarde. Grimmjow precisar trabalhar acabou vindo numa boa hora, pois ficaria entediado demais em casa, ainda mais com os comentários de Karin em seu ouvido...



– Falando no Grimmjow-kun, Kurozaki-kun, você já pensou no que vai dar a ele?



Inoue perguntou levantando mais duvidas do que clareza a mente e Ichigo.



– ‘Dar a ele?’ – repetiu – como assim.



– De presente!



– Porque eu daria um presente a ele?



Rukia e Inoue se entreolharam, e a morena cruzou os braços num olhar reprovador a Ichigo:



– Você se lembrou do aniversário do Grimmjow, não é mesmo?



Um novo e estranho silêncio formou-se na sala, onde uma agulha poderia cair no chão e ser ouvida a metros de distancia. Depois veio o desespero do garoto, bebendo num só gole uma nova xícara de café.



– Meu deus, como você é cabeça de vento! – a baixinha disse, pondo as mãos na cintura.



– E como vocês sabiam?! – perguntou começando a ficar visivelmente impaciente.



– Bem... Nós somos amigas do Grimmjow-kun também... Eu... Só acho que mulheres tendem a prestar mais atenção nas datas... – Inoue respondeu tentando amenizar a situação.



– Mas o Ichigo é namorado dele! – Rukia completou reduzindo a zero todas as tentativas de Orihime.



– Ah! Que droga!



Ichigo exclamou levando as duas mãos à cabeça.



– Relaxa garoto! – Rukia disse dando-lhe um cascudo – você ainda tem bastante tempo! Vamos a uma loja hoje, quem sabe encontramos alguma coisa.



– O problema é que eu não sei o que dar para ele!



– Nem uma pequenina ideia? – indagou Inoue.



– O que você pode dar a uma pessoa que tem praticamente tudo?!



As duas se entreolharam outra vez presas no mesmo dilema do ruivo.



– De qualquer forma, vamos a uma loja! – Rukia comentou apressando Ichigo – Só vendo o que se tem por lá é que vamos poder decidir.



Bufando, o ruivo arrastou os pés pela escada revirando o cérebro a procura de uma resposta. Ao chegar ao primeiro andar surpreendeu-se ao ver Karin de pé, arrumada, ao lado das suas amigas:



– Porque a pirralha está aqui? – perguntou desconfiado.



– A Karin-chan quer ir também! – Inoue falou animada.



– E por quê?!



– Se eu ficar em casa o dia inteiro sozinha vou acabar cometendo um assassinato! – brincou a mais nova – Vamos logo, quero dar uma volta pela cidade! Afinal, com toda essa neve, não tem como eu me reunir com meu time de futebol para jogar.



Ichigo bufou novamente esfregando a mão no rosto. Aquela seria uma tarde longa, mas muito longa mesmo.



Na terceira loja as sobrancelhas do ruivo haviam se envergado além do normal. Rukia e Inoue mais viam roupas do que se preocupavam em ajuda-lo com seu problema. E Karin de nada ajudava, pois apesar da sua falta de interesse pela moda, perdia-se nos corredores de esportes e filmes.



– Poderíamos, por favor, nos focar no problema real aqui! – Ichigo falou perdendo completamente a paciência.



– Encontrar sapatos que combinem com as roupas é um problema gravíssimo! – Rukia respondeu.



– R-rukia-chan, o Kurozaki-kun tem razão, precisamos encontrar um presente para o Grimmjow.



– Certo, certo, vamos dar uma olhada direito nessa loja então. Aos artigos masculinos!



A busca durou cerca de uma hora e meia. Nada conseguiu despertar o mínimo de atenção a Ichigo, frustrando-o cada vez mais.



– Que droga! Eu poderia entregar um cartão presente a ele?



– Credo! Que coisa horrível! – respondeu a morena – Tem de se algo bem pensado, com carinho e atenção!



Os três amigos ouviram de fundo o barulho de um pedaço de papel ser esticado. A atenção foi direcionada a Karin e sua face nula enquanto segurava um papel de presente vermelho e rosa:



– Se embrulha num desses e se entrega ao Grimmjow!



Ela disse. Alto. No meio de uma loja. Com várias pessoas passando. Sim ela disse assim mesmo, sem pensar duas vezes, sem prepara-los, sem pudor algum.



Primeiro; Ichigo ficou vermelho. Depois roxo, azul, e por fim, arrancou o papel da mão dela, começando uma perseguição ‘amigável’ pelo meio da loja. Rukia não conseguiu resistir a vontade de rir enquanto Inoue ficara envergonhada pelo ruivo, parada ao lado da morena o assistindo perseguir sua irmã pelos inúmeros corredores.



– EU VOU TE MATAR! – gritava vendo Karin gargalhar.



A sorte da irmã, era ser rápida. Porque se Ichigo pusesse as mãos nela... Nem mesmo o ruivo sabia o que faria com ela! Já bastava os momentos vergonhosos que passara com Grimmjow no meio da rua, diversas vezes; precisava mesmo escutar as piadinhas da irmã?!



Ao virar em um novo aglomerado de prateleiras, o rosto deu um encontrão em alguém mais alto. Quase foi ao chão sentindo o nariz arder. Parou no mesmo segundo, curvando-se num pedido de desculpas:



– P-perdão! Eu não estava olhando por onde ia!



Mais essa agora... Torcia para não ter nenhuma reclamação sua sendo feita na loja...



– Oh, eu quem peço desculpas. Fique aqui parado sem pensar nas pessoas passando pelo corredor.



O alto senhor respondeu deixando Ichigo mais sem graça ainda. Ao erguer seus olhos encontrou-se com um homem usando um terno, pelo sinal, de uma marca bastante cara; cabelos castanhos caíam na frente de sua face escondendo os óculos grossos que usava. Tinha um sorriso singelo e um porte impositivo, contudo, ao mesmo tempo que via aquela figura calma e tranquila, sentia uma energia pesada emanando dele.



– Mais uma vez, eu peço desculpas.



– Não se preocupe nenhum dano feito.



O homem sorriu outra vez fazendo o desconcerto de Ichigo melhorar um pouco. A voz de Rukia e Inoue veio em seguida tirando-o da situação inusitada.



– Kurozaki-kun, tudo bem? – Orihime indagou.



– Sim, apenas um... Pequeno encontro.



Respondeu tentando contornar sua própria vergonha, porém, notou o olhar assustado de Rukia dirigido ao homem de cabelos castanhos.



– Está tudo bem senhorita?



Perguntou-lhe o homem percebendo seu estonteamento.



– S-sim! Perdoe-me por encará-lo! Eu só... Não esperava ver alguém como o senhor por aqui... Não que isso seja uma coisa ruim, digo... O senhor também tem seu tempo livre!



– Você está bem Rukia? – perguntou Ichigo.



– Sim e... Você está bem?



Estranhando a pergunta, o ruivo respondeu-a:



– Porque não estaria?



E a baixinha achando que a lerdeza de Ichigo não podia ser maior... Ele realmente não fazia ideia de quem era a pessoa com a qual estava lidando:



– Bem é que...



– Desculpe por me intrometer, mas acredito que a senhorita esteja se referindo a mim. – comentou o senhor.



Voltando-se ao homem de terno, novas perguntas se formaram na cabeça de Ichigo, ao passo em que o arrumado homem ajeitou seus óculos, estendendo a mão ao garoto num cumprimento:



– O momento pode não ser um dos melhores, mas acredito que já passou da hora de termos uma introdução descente; meu nome é Aizen Sousuke.


Continua

Notas finais
NOOOSSA! O que será que vai acontecer agora com esse encontro tão repentino de Aizen e Ichigo?! Novas emoções nos aguardam no próximo capítulo!

Até breve meus queridos, kissus!