Maipetto no Neko
31 Capítulo 31- A proximidade pode ser perigosa
Notas iniciais
desculpas pela falta de informação, mas vou trabalhar no próximo capítulo para matar a curiosidade de v6!
Enfim, boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 31 – A proximidade pode ser perigosa
As mãos doíam duras e geladas, como se ainda segurasse o telefone. Neriell tinha nós nos cabelos, desgrenhados, e o cheiro das roupas começava a incomodá-la. O estomago roncava. Já estava nesse estado deplorável há dias.
O estomago movia-se de novo. Ah, precisava comer. Os enlatados acabaram, os biscoitos também. Iria ter de cozinhar... Ou pedir alguma coisa. Não, não iria tocar naquele telefone novamente, ao menos não tão cedo.
Matsumoto estava morta. Sim, o pensamento agora corria em sua mente, repetidas vezes, assim como as lágrimas escorriam no rosto sem expressão dela. Nunca mais veria a amiga. Não ouviria as risadas dela, ou as piadas, ou ficaria bêbada no meio da noite.
Mas o pior de tudo era conhecer essa verdade. Estava podre, tinha de admitir. Fedia, sentia fome e ainda por cima nem parecia mais como ela mesma.
Nossa, o que a amiga diria à ela se a visse desse jeito? — Levanta essa bunda magra do chão! A voz ecoou no quarto, como se estivesse ao seu lado. Assustada, Neriell rondou com o olhar o aposento porém ninguém mais o residia.
– Levanta desse chão frio e vai cuidar dessa cara de derrotada.
A voz falou mais uma vez, fazendo-a encolher-se no meio do cobertor:
– Quem está aí? – indagou Neriell a desconhecida voz. — Deixa de ser burra mulher!
Gritou rápido e alto ao ver uma névoa formando-se diante dela. A sombra de Matsumoto começou a se materializar, estampando o sorriso metido.
Os olhos claros a miravam, aguardando alguma reação:
– Quer saber o que eu te diria? – perguntou Matsumoto – Eu diria que vocês é, de longe, apenas um pedaço cuspido e amassado da amiga que foi um dia. Diria para levantar essa bunda magra do chão e ir logo resolver a vida! Vamos lá mulher, eu te conheço melhor do que ninguém, então deixa de ser fresca, ergue a cabeça e toma logo um rumo! Faça justiça amiga. Seja você mesma mais uma vez.
A sombra desapareceu como se uma brisa tivesse entrado pelas cortinas e a dissipado. Com os olhos arregalados Neriell mirava o nada aguardando algo mais acontecer.
Mas já estava claro que o espectro da amiga se fora. E, mais ainda em sua mente, sabia estar na hora de sair do deplorável estado de devastação, e começar a juntar as peças desse quebra cabeça. Enxugou as lágrimas, fungando o nariz.
Cambaleante, ergueu-se do chão e retirou os lenços de cima do corpo. Andou até o chuveiro, e deixou a água fria bater nas costas molhando a camiseta velha e o pequeno short do pijama. Renovava-se a cada gota tocando sua pele.
O cabelo colava no torço, e os dedos iam ficando enrugados. A sensação era muito boa. Como conseguiu ficar tanto tempo sem tomar um bom banho? Girou a torneira saindo do chuveiro sem nem pegar uma toalha. Foi até a cozinha e começou a preparar alguma coisa para comer. Depois de quinze minutos, devorava um belo sanduíche sem perder tempo o mastigando. Engoliu metade do copo de suco, e ainda não satisfeita, preparou outra refeição do mesmo tamanho. Relaxou no banquinho com o estomago saciado, ouvindo o pingar das gotas que escorriam do assento caindo no piso do apartamento.
Num sobressalto, foi até sua cama, tratando de abrir as cortinar do quarto antes disso. A vista doeu com a forte luz do sol, mas sentia-se bem com o calor vindo dele. Procurou pela cama o aparelho e logo tinha o celular na mão. Respirou fundo, ainda receosa da última vez que o usara.
Abriu a gaveta da cômoda, e retirou a bateria de lá. Esperou pela musiquinha enjoativa de entrada, e logo teve sinal começou a discar um número.
O pôs na orelha sabendo que a água entrava pelos buraquinhos, porém nem se importava. Se sua teoria estivesse certa, tinha um bom lugar por onde começar a procurar o desaparecimento da amiga.
Quando a voz do outro lado se pronunciou, ela disse com a voz firme:
– Aizen precisamos conversar.
Quando o sol bateu nos seus olhos o despertando, Grimmjow apenas teve um grande alívio ao ver o corpo de volta ao normal, e sem ter a vontade de novos ataques.
O peito ainda doía, mas ao menos podia controlar isso. Saiu debaixo da cama vendo o estrago em seu quarto. Teria de trocar todo o conjunto de lençóis, pois apenas um ou outro tinham poucos arranhões.
Falando nisso, suas costas estavam bastante feridas também. Sentia fome. Sentia dores. Sentia raiva de si mesmo por ter deixado isso acontecer de novo. Tinha de encontrar alguma nova maneira de manter o controle, de deixar estes instintos presos dentro de si. E se falasse com Ichigo... Ah! Se ele soubesse não hesitaria na hora... Mas era dessa maneira que o queria? Por necessidade? Não... Era algo além disso, além dessa vontade carnal emanando dele. Havia uma centelha de algo muito especial nele, e essa chama clamava por Grimmjow, o fazendo querê-lo mais e mais de todas as formas possíveis.
Mas não assim. Não por que precisavam fazer, mas porque queriam. Primeiro, um longo banho gelado e uma troca de roupa, depois, café da manhã; reforçado. E então começaria as buscas pelos livros perdidos da família. Uma linha qualquer esquecida no meio das leituras poderia salvá-lo.
Ouviu o celular tocando antes de sair do quarto, e achou incrível o aparelho ainda estar funcionando, ou melhor, de tê-lo encontrado inteiro próximo ao guarda-roupa. Atendeu a chamada sem nem ao menos ver o nome na tela:
– Grimmjow?
– Ichigo?! Porque justamente ele tinha de telefonar...
– Tudo bem? – perguntou estranhando a exaltação dele.
– S-sim tudo, apenas acabei de acordar.
– Então, já que está de pé, minhas irmãs perguntaram se você quer vir com a gente no parque mais tarde.
Engolindo seco, pensou por alguns segundos antes de responder:
– E-eu vou passar na empresa hoje... Sabe como é, faz tempo não dou as caras por lá.. Te aviso de tarde se tiver algum problema.
– Hmm. Tudo bem, então vou aproveitar a tarde livre para me encontrar com o pessoal.
– Certo... Até mais tarde.
Sem nem ao menos ouvir a despedida dele, Grimmjow desligou o celular atirando-se na cama. Tampou o rosto sentindo-o fervilhar. A barriga também havia esquentado, e as mãos ficaram dormente do nada.
Foi apenas a voz do outro lado da linha, mas era como se ele estivesse ali sussurrando em sua orelha. Ficou ofegante de repente. O calor foi descendo das bochechas contornando os músculos do pescoço. O peito inflou-se e logo alcançava o abdômen. Quando deu por si, sentiu o volume por debaixo de sua calça. Encolheu-se na cama mordendo os lábios. Isso não poderia estar acontecendo.
Deslizou as mãos até o meio das pernas confirmando a excitação. Um filete de sangue escorreu pela sua boca, e quando ergueu a cabeça no colchão avistou o telefone ainda ali, lembrando-se da ligação de Ichigo. E assim, com apenas este pensamento, foi apossando das imagens do garoto, cada vez mais fortes em sua mente. Primeiro, foi o sorriso dele, a voz de quando ficava bravo com alguma coisa. Mas em poucos instante, o via perfeitamente deitado na cama de sua casa, apenas com um lençol lhe cobrindo o corpo.
A face dele estava vermelha, como de costume ao se encontrar numa situação dessas. Ichigo chamava por seu nome diversas vezes, a voz fraca, porém convidativa. O ruivo parecia estar ali de verdade ao seu lado. Gemendo e reagindo a ele, exatamente como queria. Sem perceber as mãos moviam-se por cima do tecido do jeans aumentando sua excitação.
Logo, retirou o membro dali de dentro, e ainda pensando em Ichigo, os dedos o apertavam, subindo e descendo num movimento acelerado. Arfava, contorcendo-se nos restos da cama. Iria enlouquecer se continuasse assim; se continuasse longe dele... Ah! Precisava liberar toda essa tensão! — Merda! – gritou num misto de prazer e ódio.
O líquido viscoso escorreu das mãos para o colchão, e subitamente, o corpo enfraqueceu. Queria chamar pelo garoto, tê-lo ali o amparando, mas as forças esvair-se-iam dele, como se não tivesse vontade de fazer mais nada. E assim, adormeceu, sem condições de continuar com os olhos abertos.
Longe dali, Renji tocava a campainha da casa de Byakuya. Combinaram de encontrar-se para uma conversa, até então desconhecida por ele. No caminho avistou a caixa de correio com uma ponta da carta da faculdade para o lado de fora, e acabou a colocando dentro do bolso, sem coragem para olhar seu conteúdo.
Rukia atendeu a porta com um enorme sorriso, e abraçando o amigo, convidou-o para entrar. Falaram um pouco das novidades, antes de Renji ir até o escritório, onde Byakuya o esperava.
Tentava desvendar o motivo da ligação dele no dia anterior, ou ainda qual o objetivo da conversa, mas não tinha a mínima idéia do que pensar. Diante da porta de orvalho, engoliu seco batendo duas vezes na madeira. Ouviu a voz abafada do lado de dentro o convidando a entrar, e o fez, vendo o moreno sentado numa cadeira de apoio longo avermelhada.
Seu olhar encontrou o dele por um breve momento antes de tornar a ler o jornal. Deu-lhe bom dia, sendo respondido automaticamente. Sem jeito, andou devagar até uma cadeira próxima a mesa e sentou-se aguardando a palavra dele.
– Como foi na sua prova Renji? Ele perguntou, sendo direto como sempre.
– Minha prova senhor?
– Sim, foi o que disse. Sem graça, pigarreou juntando as mãos no colo.
– Eu não... Não olhei o resultado ainda. – respondeu sem graça.
– A faculdade ainda não entregou?
– Bem... Já... – disse imaginando estar agindo como um idiota – Mas eu não quis ver ainda.
– Isso é ridículo, quanto antes souber, melhor.
Talvez para ele isso funciona-se assim, mas e quando se está na expectativa de noticias ruins? Ninguém aprecia receber más noticias.
– Eu sei, só... Não sei o que esperar dos resultados.
– Renji, se está com medo de repetir o semestre, então deve saber os resultados e começar a se preparar.
Mais uma vez, direto, sem curvas.
– Entendo isso Kuchiki-sensei, mas eu não sei se... Teria vontade de continuar indo a faculdade se tivesse de repetir um semestre.
Dessa vez ele ergueu o olhar friamente para Renji, parecendo o perfurar com ele. O tatuado sentiu um calafrio na espinha, e ficou ainda mais diminuído com as palavras duras dele:
– Este é o pensamento de alguém sem qualquer ambição na vida Renji, ou melhor: de um covarde que desiste na primeira topada, e ainda por cima, que nem sabe o que lhe aguarda. Pare de agir como uma criança que recebeu um não dos pais, e cresça.
Atônico, Renji escutou a sentença tão bem elaborada dele com um nó na garganta. Se fosse qualquer outra pessoa lhe dando um fora feito aquele estaria rolando no chão aos murros, mas sendo nessa situação Byakuya, acatou calado todas as ofensas, abaixando a cabeça.
Lentamente retirou a carta de dentro do bolso da calça e o pôs sobre a mesa. Byakuya passou os olhos rapidamente pelo papel, e então fez um sinal com a mão para que ele o abrisse. Rasgando o pedaço com a cola Renji abriu o envelope e retirou o documento.
Desdobrou-o e começou a ler o cabeçalho, nome da instituição, curso, data e hora da impressão. Começou a descer os globos vendo cada linha em detalhe até chegar num quadro com os nomes das matérias. Próximo a elas alguns números se destacavam em vírgulas e décimos. Piscou algumas vezes antes de estender o papel até Byakuya que o pegou no ar. Sério, começou a ler as mesmas coisas de Renji, porém concentrou-se nas notas mostradas no final da folha:
– Você passou. – disse num tom calmo, porém ríspido – Mas as notas continuam baixas.
– São as notas mínimas... – comentou Renji acanhado – Pelo menos o semestre não foi perdido.
– Acha mesmo isso?
Em dúvida, o tatuado o encarou, vendo-o baixar os globos negros e respirar fundo. Tornou a falar:
– Com estas notas, Renji, seus créditos vão ficar em decréscimo. Sem atividades extras, ou qualificações melhores, sua formação pode atrasar em dois anos, ou mais.
Um pouco assustado com as palavras dele, Renji começou a fazer os cálculos. Mais de seis anos de faculdade, terminaria com quase trinta anos... E o mestrado, e o doutorado? Ficariam em segundo plano, ou ainda nem tentaria fazê-los. Precisaria procurar cursos dentro da faculdade se quisesse recuperar estas notas péssimas.
– Talvez eu possa... Prestar o exame para as bolsas científicas da faculdade. – falou pensativo.
– Se continuar com esse desempenho, melhor nem tentar.
Renji o encarou um pouco ressentido. Ele estava duvidando – e com razão – da sua inteligência e capacidade de estudo. Porém só conseguiria provar algo á ele se dedicasse grande tempo aos estudos. No entanto, poderia esquecer a ajuda dele, afinal, depois daquela quase briga que tiveram, nem adiantaria pedir alguma coisa.
– Sei que não sou o mais brilhante dos alunos, mas vou me esforçar ao máximo. – respondeu firmemente, apenas sendo observado pelo outro – Se eu me concentrar, sei do que sou capaz, Kuchiki-sensei.
Ergueu-se da cadeira pegando o documento de cima da mesa e o enfiando no bolso. Curvou-se em forma de respeito e dirigiu-se a porta enquanto dizia:
– Obrigado pela ajuda.
Antes de terminar de girar a maçaneta e sair, ouviu a voz forte e imponente dele ressoando novamente no cômodo... Mesmo diante da situação indiferente deles, o coração não deixava de acelerar ao ouvi-lo:
– Espere Renji.
E ele o fez sem nem pestanejar, voltando o corpo para trás, e o escutando num novo discurso:
– Conseguir uma bolsa com notas baixas assim será muito difícil, mesmo que as melhore no próximo semestre, os professores procuram por excelência desde o inicio da faculdade. – levantou a cabeça a fim de mirar os olhos castanhos dele, e se perder por rápidos segundos nele – Mas há um meio de conseguir uma bolsa de maneira mais rápida.
– Como? – perguntou curioso.
– Indicação. Um professor pode indicar um aluno sobre sua supervisão. Isso dá a ele mais prestigio dentro da junta que decide para quem vão as bolsas no final de cada semestre.
Ainda confuso, Renji esperou que Byakuya continuasse. Na verdade, o moreno aguardou até ele se tocar na proposta entrelinhas na qual fazia à ele, e visto que não ocorreu esse insight, bufou de leve, prosseguindo:
– Se estiver mesmo disposto a melhorar suas notas posso colocar seu nome na minha lista de alunos supervisionados; darei trabalhos simples a você, será como uma espécie de estágio. Mas terá tempo para estudar e ainda poderá tirar suas duvidas diretamente comigo. E no final do semestre, se estiver melhor, o indicarei a uma bolsa.
Renji piscou uma, duas, três, quatro vezes, tentando digerir as palavras dele. Byakuya estava se oferecendo para ajudá-lo além do esperado. Aliás, porque estava fazendo isso? Da última vez irritou-se tanto com ele. Sentiu-se um estúpido por aproveitar-se do tempo dele, e do fato de serem vizinhos agora.
A frase ficou entalada na garganta. Tinha vontade de saber os motivos dele, porque queria tanto o auxiliar agora, ainda mais com algo tão sério, quer dizer, não é qualquer um escolhido para trabalhar junto com um professor, ainda mais alguém do calibre de Byakuya. Cada uma dessas palavras agarraram-se nas paredes de sua boca, prontas para sair e disparar uma série de perguntas contra o moreno.
Porém, vendo aqueles olhos tão profundos encarando os seus, o semblante sério e determinado, além, é claro, da pele ressaltando no tecido branco da camisa social dele, as presilhas ajeitando os fios do cabelo para trás... Ah! É mesmo! Lembrou-se agora. Não importava o que aquele homem fizesse com ele, nem mesmo como o tratasse. Se tinha a chance de ficar ao seu lado, de sugar cada momento de tempo com ele, não importava a razão; apenas a prenderia com suas mãos, o mais forte que pudesse.
Sorrindo de felicidade, Renji o reverenciou novamente, agradecendo inúmeras vezes. ‘Byakuya-sensei’! Dizia em felicidade, antes de despedir-se e deixar o escritório.
O moreno respirou fundo baixando os dedos que seguravam o jornal. Afrouxou um dos botões da camisa e fitou o horizonte através da enorme janela atrás dele. Viu os cabelos cor de fogo correrem pela rua e desaparecerem na esquina.
Ele estava alegre. Conseguiu, até que enfim, encontrar um meio de se redimir com ele. Só de ter a felicidade estampada no seu rosto, e poder fazer parte desse sentimento, um formigamento gostoso espalhava-se por seu corpo. Mas ao mesmo tempo sabia que precisava lutar contra ele. O ajudaria a melhorar na faculdade, e só. Transformaria essa experiência num treinamento própria, a fim de suportar a presença dele sem ficar fantasiando demais, afinal, nem era do seu feitio fazê-lo. Vamos lá Byakuya... Você consegue você é um Kuchiki... Tenha força. Uma aproximação dessas, não deve ser perigosa... Certo?
Continua
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– Bônus -
Notas finais
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Espero q ainda tenham paciencia de esperar e de ler ainda! A historia está chegando nos finalmentes! (nao, ela nao esta acabando ainda, mas algo q mtos querem ver há tempos logo acontecerá, só n direi uq eh =p)
Até o próximo capítulo gt!
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