Maipetto no Neko
30 Capítulo 30 - Tudo tem um preço
Notas iniciais
Eu queria ter escrito mais nesse capitulo, mas como sei que v6 estavam com mta saudade, resolvi o dividir em dois capítulos para v6 poderem aproveitar mais da historia e saber q eu n morri! xD
Postei assim q acabei, então peço q n reparem nos mtos erros de portugues!
Enfim, boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 30 – Tudo tem um preço
Compensação. A palavra de ordem pairando na mente de Byakuya. O porquê da questão, porém, ainda lhe era desconhecido. Não podia simplesmente ajudar dando uma ‘xícara de açúcar’. E caso ele tirasse uma nota ruim na prova e reprovasse, sentir-se-ia mais culpado ainda. Precisava bolar uma maneira de compensar Renji.
Mas o que poderia fazer? Em tão pouco tempo de convívio, ele havia o ajudado com um problema em sua casa, e ao invés de agradecer, fora grosso com ele, praticamente o expulsando.
Seus ímpetos deveriam ser controlados, não por ele apenas, mas por Renji, que não tinha nada a ver com seus problemas, além é claro de pensar em Rukia e na amizade com ele.
Em meio aos livros e documentos da faculdade, aproveitava seus meses de descanso antes da volta às aulas. Porém essa parte das férias ficara para trás conforme continuava pensando em Renji, ou melhor, na resolução das suas indagações.
Volta e meia suas idéias se distraíam o levando a pensar longe, imaginando cenários diversos, lugares distantes, onde em todos eles, Renji estava envolvido. Enfezava-se consigo mesmo quando se dava conta, socando a ponta da mesa do escritório de raiva. Foco tinha de ter foco se quisesse ajudá-lo. E isso também seria uma forma de recuperação própria, afinal, forçar-se a ficar ao seu lado apenas como um ‘professor atencioso’ lhe daria condições de esquecer estes pensamentos.
Mas antes disso tudo, antes de viajar mais uma vez, precisava resolver as indagações inicias: como ajudar Renji com a faculdade?
No dia seguinte, um sol forte e fora de estação bateu no rosto de Ichigo fazendo-o franzir o cenho com o desconforto e assim o acordando. Deparou-se com Grimmjow; sem blusa; enroscado entre os lençóis da cama e seu peito, e sorriu vendo-o dormir de boca aberta. Talvez tivesse até babado de noite, o que o fez soltar um rápido riso, mas no minuto seguinte, lembrou-se que estava em casa, desvencilhando-se dele. Porém no meio do ato brusco, acabou por derrubá-lo no chão, ouvindo o baque de seu corpo, e um grunhido de dor.
– Fiz algo errado ontem a noite?... – falou irônico.
– Porra Grimmjow! A gente dormiu até tarde! – respondeu parecendo irritado.
– E daí? – ele coçava a nuca sentindo a dor da queda enquanto sentava-se.
– ‘Daí’ que meu pai e minhas irmãs devem ta lá embaixo! Como vou sair daqui de dentro com você?!
– Ué, mas eles já sabem que somos namorados.
– Mas eles não precisam ficar sabendo da minha intimidade, muito menos que eu dormir aqui com você!
– Ah! Você já é bem grandinho, eles devem ter idéia de alguma coisa...
– Mas não precisam ver e... Como assim idéia de alguma coisa?! – indagou começando a desesperar-se.
– Cara, tu tem dezoito anos, e mais importante ta namorando comigo. É claro que eles já sacaram que vamos além dos beijinhos e mãos dadas.
– Ai saco! – disse, bufando e levando as mãos ao alto.
– Relaxa ruivo. – ergueu-se – Eu protejo sua integridade.
– Quem a denegri é você!
– Por isso! Quem melhor para te proteger!
O maior abraçou-o por trás, envolvendo seus braços no meio do carinho, mas logo o soltou quando sentiu a cotovelada no meio do estomago.
– Soldado... Abatido... – brincou Grimmjow sentando-se na beirada da cama com as mãos sobre o abdômen.
Ichigo andou alguns segundos pelo quarto em círculos pensando. Tudo bem, tinha esclarecido tudo com sua família, mas sair do quarto com Grimmjow na noite seguinte era pedir demais!
– Já sei. – falou chamando a atenção do outro.
– O que?
– Vira um gato.
– Hã?
– Anda! Vira um gato e sai pela janela!
– Não é mais fácil esperar eles saírem?
– Minhas irmãs tão de férias também gênio. Só o meu vai sair para o hospital.
Olhando-o com as expressões contorcidas, Grimmjow bufou vestindo sua blusa e seu casaco – ambos em locais diferentes do quarto – e vestiu as calças, fazendo Ichigo perceber que ele estava sem elas. Mordeu a ponta do lábio com a visão dele semi-nu, mas logo desvencilhou-se da idéia antes dela aflorar.
– Pensei que com sua família sabendo eu não ia mais precisar entrar e sair daqui pela janela...
– A culpa foi nossa por esquecer da hora.
– Sai pela janela comigo então!
– Eu moro aqui.
– E isso é argumento?
Ichigo riu junto do outro, sendo abraçado novamente por ele. Juntaram suas testas, e beijaram-se. Antes das mãos rápidas de Grimmjow começaram a descer por seu corpo, afastou-o vendo seu descontento.
– Vai ter de me compensar depois por ter me feito sair daqui assim. – brincou, lambendo de leve seus lábios.
– Pode deixar, eu penso em alguma coisa.
Sorrindo, Grimmjow girou o corpo ficando de costas para o ruivo. Cerrou os olhos e deixou as feições relaxadas. Os braços caíram e as pernas começaram a ficar dormentes. Afastando-se, Ichigo via, ainda impressionando, a transformação dele. Os músculos retesaram, diminuindo de tamanho. Garras no lugar de mãos e pés, e logo, pelos e patas tomavam conta do espaço. Grimmjow tomou o aspecto de um gato branco grande apenas para caber entre os braços do ruivo, que o pegou gentilmente do chão e o pôs no parapeito da janela. O animal virou o focinho e tocou-lhe o nariz antes de saltar para fora, misturando-se na neve que ainda derretia.
Ichigo riu enxugando a ponta do nariz que ficara gelado. Estava apenas de calça e uma camiseta branca fina. A janela aberta trouxe um vento frio que o fizera estremecer. Cruzou os braços pondo um casaco e descendo as escadas. Suas irmãs tomavam café, e seu pai já havia saído como tinha imaginado. Tinha muito a fazer nesse dia e precisava recarregar as energias. Uma boa xícara de café o ajudaria. Depois, precisava ligar para Inoue combinando um encontro com os amigos; estava na hora de contar tudo a eles também.
Era manhã, mas nem assim Neriell sabia em qual período do dia estava. Agachada no canto da cozinha segurava o telefone sem fio entre os dedos. As unhas tinham sangue seco nas pontas, e as teclas, já gastas, nem mostravam mais os desenhos dos números e letras. Tinha emagrecido na última semana, pelo menos três quilos. Olheiras debaixo dos olhos mostravam a falta de sono já prejudicial.
Onde estava sua amiga? Precisava tanto falar com ela... E nem mesmo uma notícia, nem mesmo uma palavra dela, ou uma carta, ou qualquer outra coisa. Ela nunca foi de segredos muito menos de se esconder assim. E mesmo se fosse necessário proteger-se, a avisaria de alguma forma.
O sono começava a vencer sua insônia, quando escutou ao longe a musiquinha repetitiva e chata de seu celular. Desvencilhou-se do cobertor a envolvendo e chegou até a cama onde estava o aparelho num pulo.
Tremendo os dedos segurou o telefone e apertou o botão verde de chamada, vendo a tela brilhando com a cor forte azulada; as cortinas fechadas deixavam-no ser o único emissor de luz dali.
– Alô?! – disse pondo o celular na orelha.
– ...Neriell?
A voz do outro lado vinha num som de chiado muito forte. As letras pareciam ser ditas por alguém fraco, porém a mulher de cabelos esverdeados pode distinguir muito bem de quem era aquele timbre:
– Matsumoto é você?! – perguntou ganhando esperanças, — Onde você está?!
– Eu... eu não sei.. Tudo está escuro aqui...
– Deve ser um quarto; ou um galpão! Podem ter te posto num lugar desses! Eu sabia que não devia ter te deixado sozinha aqui!
– Não tem ninguém aqui... Só eu. É tudo tão quieto...
– Tente achar alguma coisa Matsumoto, algo para saber onde você está!
– As vezes outras pessoas falam comigo... – continuou, tendo a voz mais calma e serena – Elas também estão presas... Sem encontrar a saída...
– Presas? Aonde, como assim Matsumoto?!
As íris de Neriell começaram a tremeluzir de medo e preocupação. Onde quer que ela estivesse, e o que tivessem feito com ela, causaram um grande trauma na amiga.
– Neriell... Aqui também é frio... Muito frio... Não sinto meu corpo... Nem escuto minha voz direito... E... Só existe... Solidão... E pesar... E o frio...
A respiração da mulher no quarto cessou com as palavras da amiga. O celular tremia na sua mão, e os globos viravam de um lado ao outro tentando compreender o significado daquilo tudo. Matsumoto estava falando com ela, finalmente, depois de tanto tempo sem notícias. Pela descrição do lugar e pela fraqueza na voz, deveria ter ficado em cativeiro. Mas aquela frase, as palavras que se repetiam em sua mente lhe davam outras sensações, idéias absurdas, novos temores, e ainda receosa em confirmá-los, afastou o aparelho do rosto e viu a tela apagada. Tentou ligar o eletrônico, porém não conseguira. O virou tentando descobrir o problema, quando viu a parte da capa vazia; sem bateria ou qualquer outra coisa capaz de tê-lo feito ligar, ou de ter recebido aquela ligação.
Gritou jogando o celular longe. Pôs as mãos na cabeça afundando-as nas melenas desgrenhadas, sentindo lágrimas quentes escorrerem pelo rosto sem cessar. Aquela não era Matsumoto, nunca foi e nem nunca será; não terá mais noticias dela, sabia disso, oh Deus, começava a se dar conta apenas agora do que realmente havia acontecido com ela... E isso estava a deixando louca.
Na sua casa, Renji tentava distrair-se lendo algumas revistas. O correio já havia chegado, e junto dele a carta com as notas da prova. Porém tinha medo de ir até lá e descobrir o resultado. Se fosse contar com sua sorte, o semestre estava perdido.
Jogou a revista na frente do rosto, tentando ignorar os pensamentos chegando até sua mente. Era sempre assim quando ficava muito tempo sozinho... Ele sempre rondava suas idéias.
Num gostoso cochilo de fim de tarde, um sonho qualquer podia apoderar-se dele sem pedir licença. E os cabelos negros e lisos batiam no seu rosto como se quisessem fazê-lo imaginar qual cheiro teriam. Os dedos finos e fortes alisavam seus ombros, e o semblante ainda sem forma aproximava-se de sua face, apenas ressaltando a boca. Os lábios resvalavam querendo aprofundar um beijo, porém era como se uma barreira invisível os impedisse disso.
– Renji... – ele sussurrava com a voz grossa e imponente, e apenas esse sutil toque o deixava completamente excitado...
O telefone tocou, despertando-o, e no susto, caiu do sofá, sentindo a dor da queda no ombro esquerdo. Praguejou algumas vezes antes de atender a chamada com certa raiva:
– Alô?! – disse quase gritando.
– Renji?
Era ele.
– Kuchiki-sensei! – exclamou atônito.
– Desculpe, mas está ocupado?
– No momento não, nada a se fazer!
– Ótimo. Gostaria de conversar com você...
Os olhos do tatuado se arregalaram, não acreditando nas palavras deles; pois seu sonho parecia uma espécie de chamado, e nesse minuto, falava com ele do outro lado da linha:
– O senhor quer... Que eu vá à sua casa? – perguntou incrédulo, porém muito feliz.
Logo seria noite, e o parque de diversões começaria as atrações mais calmas e menos chamativas. Lanchonetes trabalhavam com afinco para atender a todos os clientes esfomeados do dia.
Ichigo esperava junto a grade de uma delas os amigos chegarem. O coração batia acelerado, e sentia suor escorrendo da nuca, mesmo com o frio. Como iniciaria a conversa? Tinha bolado antes toda ela, mas com sua família tendo vindo na frente, acabou se atrapalhando. Inoue já sabia, e isso talvez o ajudasse, mas e quanto aos outros amigos? Chad e Ishida entenderiam tudo assim como ela, ou agiriam de uma forma inesperada? Tinha medo, sim, custava a admitir isso, pois era o pior sentimento do mundo para ele, mas não conseguia evitar.
– Kurozaki-kun!
A voz de Inoue despertou-o do rapido transe mental, e acenou de volta a ela. Estava sozinha, o que lhe causou um rápido alívio.
– Inoue, bom te ver.
– Sim! Verdade! E os rapazes?
– Devem estar chegando.
– Então vou aproveitar para comer alguma coisa, você vem?
– Claro.
O brilho radiante da amiga conseguia afastar esta sombra negra pairando em cima da sua cabeça. A melhor qualidade dela, sem dúvida. Raras vezes a vira triste com alguma coisa, e quando ficava sempre tinha com quem contar; principalmente com ele, e claro, com Tatsuki também.
Ishida e Chad chegariam em breve. Precisava ensaiar mentalmente o discurso enquanto Inoue o distraía com suas piadas e comentarios as vezes fora da realidade. Gostava desse lado despreocupado da amiga. Sorriu consigo mesmo, comprando um cachorro-quente a fim de se livrar do frio. A noite seria longa. Mas aos poucos, começava a ter coragem.
Sete horas, Grimmjow dormia em seu quarto; ou melhor tentava, afinal, seria difícil relaxar num cômodo completamente destruído como aquele.
Os travesseiros rasgados com o almofadado espalhado pelo chão; as janelas, quebradas, tinham os cacos abaixo delas, podendo cortar o primeiro desavisado. As colchas remexidas e jogadas em todos os cantos. O armário tinha as portas abertas, lanhadas, com roupas saindo; mal colocadas ou simplesmente no lugar errado. O chão tinha marcas de arranhões grandes e com certezas, tinham sido feitos por um animal poderoso... Ou uma pessoa.
Escondido debaixo da cama, Grimmjow abraçava o próprio corpo; a blusa destroçada, as calças frouxas e quase caindo, os pés descalços e apenas com uma meia. Estremecia, tanto pelo frio vindo da vidraça escancarada, quanto de medo; ira.
Outro ataque. Depois de tanto tempo seguro de si, outro ataque. O que deveria fazer? Como concertar isso dessa vez? Foi tão de repente... Quando tentou voltar ao normal sentiu o corpo retesando, como se não o pudesse fazer. As garras aumentaram de tamanho assim como seu porte. As orelhas afinaram-se, a calda alongou-se, e parecia mais uma pantera, do que um gato. No momento de fúria e descontrole, arrasou com o quarto, mordendo os móveis, rachando e quebrando o chão, além de mutilar os lençóis, travesseiros e suas roupas.
Tremia de medo, tremia de insegurança. E se não fosse capaz de voltar da próxima vez? Estava ficando cada vez mais difícil, cada vez mais insuportável. Pensou ter resolvido esse problema com o retorno a cidade, por ter reencontrado Ichigo; mas tinha apenas se iludido. Tinha de ter mais dele e sabia disso agora.
O que faria? O que faria? Como faria... Precisava de ajuda. Precisava se recompor. Nem meditações funcionariam, e a única solução escapava por entre seus dedos: jamais forçaria Ichigo a nada...
Se continuasse assim, ah! A droga da maldição! Tinha se esquecido dela nos últimos meses, focando-se apenas no ruivo. Estava perdido, sem rumo, queria alguém ali ao seu lado, alguém que o animasse, queria alguém para afagar sua cabeça e lhe dizer: ‘vai ficar tudo bem’. Um ombro amigo, um fio de esperança que o acordasse desse pesadelo e o trouxesse de volta a vida. Alguém... Por favor... Alguém para socorrê-lo nesse segundo...
Onde estava Neriell?
Continua
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–Bônus-
Notas finais
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Então, espero q eu tenha conseguido matar a saudade de v6, e q tb tenha deixado v6 de orelha em pé com as novidades dramáticas da história! =D
Eu to com a faculdade mais folgada agora, mas posso acabar me envolvendo em outros projetos, então, fiquem atentos! tentarei manter a fic rodando e mantendo os fãs informados pelas notas!
Por enquanto é só! Eu estava com muita saudade de escrever ^^
Kissus o
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