Maipetto no Neko
26 Capítulo 26 - Revivendo o passado
Notas iniciais
Boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 26 – Revivendo o passado
Finalmente Renji havia acabado de realizar sua mudança para a nova casa. Depois de quatro dias podia ter um lugar aconchegante e limpo para dormir. Apesar de achar desnecessário viver em um local tão grande, não tinha do que reclamar. O bairro era protegido, tinha portão de entrada, segurança próprio, e os vizinhos pareciam ser bem educados.
Aliás, falando em vizinhos, ainda lhe era absurda a idéia de que agora morava na mesma rua que Byakuya. Não o via desde o pequeno incidente com a bebida, mas isso jamais o impediria de ficar com a imagem dele na cabeça. Será que se lembraria dele dessa vez? Afinal, tinha sido um encontro mais perturbado em relação aos de antes, quando era apenas mais um entre milhares de alunos.
Os dedos batiam na madeira do apoio do sofá. A TV estava ligada, mas nem prestava muita atenção em qualquer canal que passava nela. Tinha vontade de levantar e ir até a casa dele, com qualquer desculpa mesmo, apenas para vê-lo. O problema era a desculpa...
Ouviu a campainha tocar despertando-o do transe. Ergueu-se girando a chave na maçaneta e tendo certa dificuldade em abri-la – precisava lembrar-se de chamar alguém para consertar o problema.
Abriu a porta e deparou-se com uma figura baixa de cabelos negros sorrindo para ele. Surpreendeu-se ao vê-la, mas acabou retribuindo o cumprimento esticando os lábios.
– Olá Renji! – disse Rukia, dando-lhe um soco no ombro.
– Rukia. Quanto tempo! – respondeu massageando o local atingido.
– Verdade! Você sumiu desde que terminamos o ensino médio.
– Você se mudou, lembra? – disse irônico.
– Ah, que seja! Podia ter me ligado para marcamos algo!
– Nem tinha seu telefone.
– Pare de inventar desculpas! – exclamou dando-lhe outro soco e fazendo-o dar um passo para trás.
– Continua carinhosa como sempre.
A baixinha riu, entrando na casa sem mesmo ser convidada. Renji e ela haviam estudado juntos durante um ano, antes de ser transferida para outra escola, mas apenas este espaço curto de tempo tinha feito os dois criarem uma amizade bem forte. Saíam juntos quase ininterruptamente, e ambos ressentiram o afastamento, no entanto nada podiam fazer. Rukia tinha de estudar mais perto da nova moradia quando se mudou por conta do trabalho do irmão. Na verdade, ele ainda ficou os últimos dois anos na sua antiga escola por conta do contrato, o que causou grande estresse nele por conta do excesso de afazeres. Mas enfim tinham conseguido se ajeitar. Por sorte, não precisou viajar para o exterior, como havia sido a programação inicial da faculdade para Byakuya, podendo permanecer em seu país, e evitando os problemas de adaptação básicos.
– Como sabia que eu estava aqui? – indagou Renji curioso.
– Ué eu vi sua mudança, mas o ni-sama comentou algo comigo uns dias atrás.
“Verdade?!” Renji exclamou mentalmente, animando-se com aquilo, porém não alimentou nenhuma esperança afinal tinha sido mesmo um encontro fora do comum e recente.
– O que conta de novo? – perguntou à Renji jogando-se no sofá.
– Nada de mais. Continuo estudando, se quer saber.
– Fazendo faculdade? Legal. Onde?
– Na da cidade mesmo.
– Sério?! – exclamou – Sabia que meu irmão trabalha lá?
– Sim.
Disse tentando parecer desinteressado, como se não fosse saber disso...
– Engraçado, ni-sama nunca falou que você estudava lá.
– Kuchiki-sensei nem deve se lembrar de mim.
– Engraçado, ele costuma se lembrar de todos seus alunos.
Todos menos ele. Pensou, sentindo-se mais diminuído ainda. A baixinha pareceu perceber o abatimento dele, mudando logo de assunto:
– Ah, mas vim aqui para te explorar um pouco, além de fazer visita, é claro!
– O que você quer? – perguntou já conhecendo a garota.
– A pia da minha casa acaba de quebrar...
– E como foi que isso aconteceu mesmo?
–É... Quando eu tentei jogar o resto do almoço pelo ralo...
Renji tentou segurar o riso, mas era impossível depois de ver a cara de desconcertada dela. Sentiu outro soco no ombro, e apesar da dor, continuou a rir.
– Vai ajudar ou não?! – perguntou a baixinha invocada.
– To indo, to indo.
Pondo as chaves no bolso, os dois foram conversando pelo caminho recordando-se dos tempos da escola. Parecia ter passado uma década desde que estudaram juntos, mas apesar da distância, nenhum dos lados havia perdido a velha e boa amizade de antes.
Ao chegarem na porta da casa Rukia puxou o chaveiro multicolorido com um coelho branco pendurado nele, chamando a atenção de Renji:
– Você ainda tem esse negócio? – apontou para o chaveiro.
– Claro! É meu bichinho de pelúcia favorito!
– Qual era o nome dessa coisa mesmo?
– Chappy, e não é uma coisa!
Quando entraram Renji pensou nas probabilidades e mais ainda na ironia daquilo tudo. Queria uma desculpa, pois bem: Rukia tinha sido a melhor de todas.
– Então me diz onde que ta o problema e já conserto! – falou enquanto arregaçava as mangas da blusa.
– Bem... Só tem mais um detalhe... – comentou a garota.
Renji ergueu uma das sobrancelhas sem gostar muito da voz dela e perguntou, arrependendo-se disso depois:
– Qual detalhe?
Sem responder-lhe, Rukia apenas abriu a porta da cozinha e logo o tatuado entendia o porquê da pressa dela em chamá-lo: ela não só tinha entupido a pia, como também havia alagado todo o cômodo.
– Cacete Rukia! – exclamou indo na direção da pia e tentando, em vão fechar a bica – Você não tinha só entupido isso?!
– Quando vi que não tava descendo pelo ralo eu abri a bica para ver se a água empurrava e acho que forcei demais...
– Você acha?! – ironizou com a blusa completamente encharcada e as mãos pressionando a corrente de água.
Pensou um pouco e em seguida voltou-se para a garota:
– Vai até a caixa de força e desliga a água!
Correndo, Rukia saiu de sua vista e segundos depois a água parava de jorrar. Levando as mãos a lateral do corpo, Renji as sacudia tirando o excesso de água, porém seu tronco estava completamente molhado.
– Deu certo? – perguntou Rukia ao voltar a cozinha.
– Deu.
Após respondê-la, Renji puxou a camisa para cima removendo-a e a jogou em cima da cadeira mesmo.
– Nossa você tem malhado? – brincou a garota, rindo.
– As pessoas crescem sabia Rukia? Menos você né...
Enfezada, ela pensou em ir até ele e dar-lhe um chute no meio do peito, no entanto ao ver o chão ensopado, desistiu, pensando em dar-lhe troco mais tarde.
– Bem, agora vou ver se dou um jeito nisso. Tem alguma caixa de ferramentas aqui?
– No armário.
Pegando a pequena caixa preta Renji pôs-se debaixo da pia e começou a remover o cano a fim de limpá-lo. Rukia puxou uma cadeira e da porta mesmo passou uma meia hora conversando com o amigo, rindo quando ele recebia um esguicho de água na cara.
Depois de muito lutar com as ferramentas e com o encanamento Renji saiu do piso enxugando a testa suada.
– Acho que consegui. Pode religar a água?
Rapidamente Rukia foi até a caixa gritando para avisá-lo ao apertar o botão. Renji torceu o registro e a água voltava a cair normalmente enquanto nada ficava acumulado dentro dela.
– Funcionou? – perguntou a pequena da porta.
– Parece que sim. Vê se não se empolga na cozinha de novo.
– Deixa de ser chato!
– Bom, agora preciso de um banho. – falou olhando para o peito desnudo e misturado entre suor e água.
– Se quiser pode usar o daqui de casa.
– Tudo bem, agora eu moro perto. – brincou afagando o cabelo da menor e a ouvindo reclamar do emaranhado que fazia nos fios.
Na descontração do momento os dois nem ouviram a porta da frente ser destrancada, muito menos viram Byakuya entrar por ela carregando usa maleta e a expressão de cansaço. Depois de trancá-la, o moreno ouviu altos risos, vindo do interior da casa, e intrigado foi até eles, parando no pequeno corredor que dava acesso ao resto dos cômodos, estático encarando a cena à sua frente.
Rukia brigava com um ser de cabelos vermelhos enquanto este ria. Mas a parte que deixara Byakuya surpreso não fora a presença dele ali, mas sim na forma na qual se apresentava: primeiro ponto, uma bermuda um pouco caída – que não era o maior dos problemas...
Os cabelos de Renji estavam presos agora, porém isso apenas ressaltava os contornos de seus ombros e braços, e além deles, o formato dos músculos do peito e o abdômen desnudo. O pior de tudo foi ter se deparado com o corpo amorenado dele molhado, com os pingos de suor escorrendo por entre os gomos da barriga e as tatuagens... Nem sabia que aquele homem era tatuado, muito menos que tinha os desenhos espalhados tão bem pelo torço e... O que Byakuya estava pensando mesmo?!
Livrando-se deste devaneio um tanto quanto perturbador à ele, Byakuya pigarreou chamando a atenção dos dois.
– Ni-sama! – falou Rukia alegre.
– Rukia. Vejo que tem companhia.
– Ah sim, esse aqui é o Renji, lembra-se dele?
Sem graça pela situação, o tatuado acenou, evitando encontrar seu olhar com o dele.
– Sim, me lembro. – respondeu o moreno – Mas porque ele está aqui?
– Ué ele agora mora no nosso bairro ni-sama.
– Isso eu sei. – disse parecendo mais sério – Quero saber por que está na nossa casa.
– Ah foi só um pequeno problema na cozinha, mas já está resolvido!
– Que problema?
– Um cano estourado. – interrompeu Renji a conversa paralela deles fazendo os olhos negros de Byakuya o fitarem – A Rukia foi me chamar para concertar já que ela não sabia. Mas ta tudo certo agora, só o piso que ainda está molhado.
Mirando o chão Byakuya pode ver a água saindo por debaixo da porta do cômodo, tornando a olhar para Renji:
– Entendo. Obrigado pela ajuda, e desculpe o incômodo.
– Q-que nada! Não é incomodo nenhum! Somos vizinhos, né?! É isso que vizinhos fazem! Eu acabei de me mudar, então, nós somos vizinhos, certo Rukia?!
A pequena o olhou sem entender muito bem seu nervosismo e confusão de palavras, e apenas concordou com ele.
– Rukia, melhor começar a limpar a cozinha. – disse Byakuya enquanto a menina ia buscar os panos.
Os poucos segundos sozinhos foram o bastante para deixar Renji sem graça, fazendo-o se apressar para sair dali:
– Bem, melhor ir tomar um banho, se precisarem, é só chamar!
Sem resposta e sem olhar para trás ele saiu da casa em disparate à sua. O coração acelerado parecia que ia saltar do peito, e o rosto vermelho queimava, combinando com a tonalidade de seus cabelos. Queria tanto uma desculpa para vê-lo, e acabou fazendo papel de bobo. Mas ao menos pode rever Rukia e por o papo em dia. Porém ainda assim, queria ter ficado mais um pouco na presença de Byakuya.
O moreno afrouxava a gravata deixando-a pendurada no pescoço. Ajeitou o casaco numa haste perto da entrada, e foi até a sala de jantar puxando uma cadeira e sentando-se.
Respirou fundo soltando o ar pesadamente. Massageou as têmporas como se estivesse com dor de cabeça. Porém ele sabia que não era isso. “Kuchiki-sensei, Kuchiki-sensei.” A frase repetia-se na sua mente com a voz jovial de um ex-aluno seu, agarrando-se a cada detalhe da escola, e correndo atrás dele quase como um cachorrinho. Chegava a ser irritante, ter um garoto como aquele o tempo todo lhe pedindo ajuda e explicações. Todavia gostava de ver um estudante tão dedicado quanto aquele. Um garoto peculiar e atrevido; era o que os outros professores diziam nas reuniões, enquanto Byakuya abstinha-se de fazer qualquer comentário. O que pensava sobre ele pertencia apenas as suas próprias deduções.
Rukia chegou até a sala enxugando as mãos com um pano qualquer vendo o irmão apoiando a cabeça no braço.
– Pronto ni-sama, tudo seco. – disse chegando perto dele.
– Ah sim, obrigado.
Byakuya levantou-se indo até a cozinha – precisava de um chá. Rukia o seguia ainda alegre pela presença de Renji. A pequena balbuciava qualquer coisa não ouvida por Byakuya no trajeto:
– Ni-sama, isso não é ótimo? – perguntou Rukia chamando a atenção do moreno.
– Ótimo? O que?
– Renji, ni-sama! Eu pensei que nunca mais o veria! Você se lembra dele, não é?
– Creio que sim Rukia. – como se ele pudesse não se lembrar dele...
– Fiquei muito feliz em saber que agora somos vizinhos. Achei que nunca mais veria meus antigos amigos. Importa-se se ele vier aqui outras vezes?
A respiração do moreno chegou a sobressaltar-se um pouco com o comentário da pequena, mas sua sutiliza em não demonstrar emoção alguma, faziam-no passar despercebido pelos olhos dela:
– Não vejo problema nisso, apenas peço que continue concentrando-se nos estudos.
– Tudo bem! Aposto que o Renji vai gostar de me ajudar com isso também, ele nunca foi um gênio, mas também não é burro. Sabia que ele estuda na mesma faculdade que você dá aula, ni-sama?
Outro baque, Byakuya deixara a chaleira escorregar um pouco da mão, porém conseguira colocá-la no fogo sem maiores problemas. O moreno não era conhecedor desse fato, que acabava de contribuir para um futuro ataque cardíaco nele.
– Interessante. – disse após alguns segundos de reflexão.
– Ele faz análise de sistemas!
O comentário final que fez com que Byakuya desse as costas para a pequena e se senta-se na cadeira mais próxima como se as forças lhe faltassem. Porque ele tinha de cursar a mesma carreira que a dele?! Isso só abriria espaço para encontros, perguntas, e novamente, tudo o que ocorrera no ensino médio. Estes pensamentos não pertenciam a um lado negativo seu, mas pelo contrário: despertavam coisas adormecidas há muito esquecidas... E que o lembravam de um passado longínquo.
Rukia continuou a narrar sobre as recordações da época onde estudavam juntos, das saídas, das brincadeiras, enfim, do dia a dia com o amigo. Enquanto tentava prestar atenção nas palavras dela, Byakuya permitia-se deixar as idéias livres, indo e vindo para além da sua imaginação. Fosse isso prudente ou não, o moreno abandonava a consciência, deixando a mente preencher-se com as imagens do ser de cabelos vermelhos. “Ele cresceu...” Disse para si mesmo sem usar os lábios.
No fim da tarde Ichigo saía da faculdade dando adeus aos estudos e podendo se entregar de vez as tão merecidas férias. As notas tinham sido boas, e com quase nenhuma falta, podia se gabar de ter começado com o pé direito a vida acadêmica. Ainda precisava falar com os amigos, combinar alguma coisa, ver se iriam querer viajar ou algo do tipo, mas ainda não tinha encontrado nenhum deles. Paciência.
Mas de rostos conhecidos pode reconhecer ao longe os cabelos azulados de Grimmjow vindo em sua direção parecendo entediado.
– Ué, o que aconteceu com suas férias adiantadas? – perguntou a ele irônico.
– Qual é só vim fazer a última prova, e que saco! Porra precisavam ter posto toda a matéria do semestre?!
– Ficou pendurado em alguma coisa?
– Sei lá. Espero que não, odeio ficar tendo aula quando geral está se divertindo.
Ichigo riu concordando com ele. Porém no susto, deixou as risadas de lado ao ser pego pela cintura pelos braços dele:
– Vamos sair hoje? – perguntou ao ruivo com a boca próxima a sua orelha.
– Grimmjow estamos no meio do pátio...
– Ah, vai ficar de palhaçada mesmo depois de tudo que resolvemos?!
Verdade. Ambos já não precisavam mais se importar com o que os outros diziam ou não sobre eles. Se estivessem bem, então o resto que se foda. Mas Ichigo ainda tinha algo com o que se preocupar, uma pequena coisa que precisava fazer:
– Só quero falar com meus amigos antes, e principalmente com minha família.
– Ta, eu sei que tu tem que conversar com eles, mas sério que isso ta te enchendo a cabeça? Eles vão ser contra ou algo do tipo?
– Tenho certeza que não, mas é algo que preciso fazer antes de... Antes de desencanar de vez, saca?
Grimmjow bufou afastando-se um pouco do garoto, mas permanecendo a uma distância reduzida.
– Nós ainda saímos?
– Isso sim. – respondeu para a alegria do outro.
– Oito horas, eu te pego, sem perguntas!
Tudo bem, Ichigo sabia que uma discussão com ele estava fora da questão. Grimmjow jamais daria o braço a torcer ainda mais agora que tinha um ar de sucesso estampado nele.
Relutou mais um pouco antes de ser liberado por Grimmjow. Iria para casa de ônibus recusando a carona dele, o que foi resultante de mais protestos do maior, sendo por fim vencido.
Ao chegar em casa Karin pode notar a felicidade rodeando o irmão, sendo praticamente forçada a perguntar – ou na visão do ruivo perturbá-lo:
– Ichi-ni ta saindo com alguém? – indagou a garota do sofá.
Ichigo chegou a travar um pouco na porta, mas a irmã não seria capaz de estragar seu bom humor.
– Vou dar uma volta com um amigo.
– Amigo? Sei... Sei... – retrucou irônica.
– Volta a assistir seus programas de quinta!
Rindo Karin puxou o balde de pipoca e ajeitou-se no sofá aumentando o volume da teve. A garota era esperta, ou melhor, intuitiva demais. Gostava de mexer com Ichigo, porém sabia evitar forçar qualquer assunto desagradável á ele. Yuzu continha-se, além de ser menos perspicaz, mantendo-se na cozinha cuidando do seu afazer favorito: cozinhar.
Seu pai ainda estava na clínica provavelmente a ponto de fechá-la e seria bom arrumar-se antes do questionário dele.
Subiu as escadas indo de encontro ao banho. Ao se desfazer do suor e entrar no quarto sentiu um vento gelado percorrer seu corpo gelando a espinha. Virou-se para a janela; estava nevando. O inverno tinha vindo com muita vontade esse ano. Cerrou o vidro procurando logo pelas roupas a fim de se aquecer.
Jogou uma calça jeans reforçada na cama, branca com um xadrez simples a adornando, uma blusa de gola alta com listras finas e escuras horizontais da mesma cor do tecido apenas o ressaltando, e para finalizar um casaco verde-água bem escuro, com um capuz de mesma cor, porém numa tonalidade mais clara. Puxou um par de luvas brancas da gaveta, quem sabe poderia usá-las, e o bom e velho par de tênis.
Deixou o ‘material’ o aguardando e perto das oito aprontou-se, esperando o telefonema de Grimmjow. Não tardou muito para recebê-lo vendo o carro dele, estacionar um pouco à frente de sua casa.
Desceu apressado as escadas, tentando evitar qualquer comentário da família, mas sabia que ouviria as piadinhas mais tarde, principalmente por ter apenas dito a seu pai quando girava a maçaneta da porta que não tinha hora para voltar. Chegou a escutar sons estalados como se fosse a imitação mal feita de beijos, mas ignorou as provocações dele e os risos de Karin. Ao menos Yuzu o defendia.
Tratou de apertar o passo até o carro antes que o frio o congelasse, e entrou no veículo fechando a porta quase ao mesmo tempo em que sentava no banco. Grimmjow soltou uma rápida gargalhada quando Ichigo esfregou as mãos, tendo o braço acertado por um soco do ruivo, mas não deixou de rir por isso.
– Isso tudo é frio Ichigo? – perguntou num tom de brincadeira.
– Ta nevando, gênio!
– Quer que eu te esquente? – ele falou mais sério dessa vez.
Ichigo o encarou alguns segundos deixando as bochechas coradas como se tivesse pensado a respeito dessa frase, e se valia a pena ou não respondê-la:
– Mais tarde. – disse por fim fazendo o outro gargalhar.
O carro rodou a esquina indo em direção a rua principal. Por conta da neve precisaram ir mais devagar, por sorte podiam contar com o aquecedor interno.
– Para onde nós vamos? – indagou o ruivo depois de algum tempo.
– Relaxa, tu vai gostar.
Aquilo poderia ser muito bom ou extremamente perigoso. Conhecendo como conhecia Grimmjow, sabia que acabariam num lugar barulhento. E não tardou muito para o ruivo confirmar suas suspeitas. Estavam na frente de um bar num misto entre boate e restaurante.
– Sério? – perguntou num tom manhoso ao maior antes de tirar o cinto e sair do carro.
– Calma.
Ao deixarem o carro no estacionamento e dirigirem-se até a entrada algo sobre aquele lugar ressaltava as memórias de Ichigo. A porta, a música, o neon lhe eram familiares. Com o rosto em tom de dúvida, Grimmjow o puxou pelo braço pondo a cabeça atrás do ombro de Ichigo e dizendo perto da ponta de seu ouvido:
– Nós já viemos aqui, lembra?
Sim, ele tinha lembrado. Foi pouco antes da confusão toda entre eles ter começado. Tinha ferido sua mão, e Grimmjow o trouxera até aqui para espairecer. Claro, a maneira dele... Recordava-se agora do canto escuro acima da boate onde ficaram longos minutos abafando entre um som e outro os sons quase inevitáveis. Ichigo sentiu as bochechas corarem mais, querendo sair dali, porém quando percebeu já estavam dentro do local, subindo as escadas. Adorava quando seu cérebro tinha estes momentos de relapso.
Assim como antes o ambiente continuava escuro. Mal dava para ver um palmo à sua frente, não sabendo distinguir se essa sensação do desconhecido era boa ou ruim. Ainda sentia a mão de Grimmjow o segurando, e por pouco não deu de cara com uma parede que protegia uma mesa – mais afastada – do resto do bar. Uma garçonete veio atendê-los em seguida providenciando as bebidas tão rápido quanto se foi.
– Hoje eles estão mais animados! – comentou o ruivo – Mas onde está a música?
– Hoje eles deixam a parte superior apenas com tema de fundo, justamente para dar esse clima mais aconchegante.
De fato sentia-se bem melhor ali. Ficaram num sofá grande e macio, a mesa ficava a quase dois metros de distância deles, e o espaço dava-lhes oportunidade para ficar deitados se quisessem, sem os olhos curiosos de ninguém para perturbá-los, já que a escuridão predominava ali.
Obvio que tudo isso fazia parte dos planos de Grimmjow. Como seu lado sádico gostava de fazer certas coisas em locais públicos, num recinto desses podia aplacar seu fetiche louco além de deixar o morango relaxado.
Chegando as costas para trás Grimmjow ajeitou-se no sofá-cadeira puxando Ichigo em seguida para ficar do seu lado. O ruivo revirou os olhos, como se já soubesse do que aconteceria agora, mas a parte moral dele ainda o fez rodopiar a cabeça em volta certificando-se de estarem sozinhos.
– Você é muito paranóico. – comentou Grimmjow após ele ter voltado a dar-lhe atenção.
– E você é relaxado demais.
– É assim que eu aproveito a vida. E falando em aproveitar...
Girando o tronco para a lateral Grimmjow deixou quase metade do corpo em cima de Ichigo, levando as mãos até seu rosto e o prendendo num beijo. Com o apoio debaixo do ruivo podia descer a boca até a dele com mais vontade, enterrando as carícias nela, fazendo aquele garoto certinho soltar gemidos de prazer.
Ichigo ao invés de relutar os avanços dele deixava-o divertir-se, lambendo a parte externa dos lábios dele antes de se separarem.
A língua quente de Grimmjow realmente espantava o frio do ruivo. Sentiu a gola da blusa ser arrastada para baixo agilmente enquanto a carne branca e macia do pescoço era abocanhada com leves mordiscadas, deixando marcas avermelhadas.
Ichigo esticou os braços para o alto envolvendo os ombros do maior, sendo agora completamente jogado para trás. As luvas atrapalhavam um pouco, pois tinha a carência de tocar-lhe a cútis, sentir o calor emanado dela. Tentou alguma vezes remover o tecido, porém atrapalhava-se cada vez mais.
Ao sentir a movimentação em suas costas Grimmjow soltou um rápido riso pegando as mãos do ruivo e pondo os dedos na frente de sua boca. Abriu-a com o rosto próximo ao dele, trajando uma expressão de malícia, e vagarosamente mordeu a ponta da luva puxando o pano para cima e retirando o incomodo de Ichigo.
Com a boca entreaberta, deleitando-se com as feições de Grimmjow o ruivo lambeu os lábios instigando-se ainda mais com aquilo, e logo ele terminou seu pequeno show, tratou de enfiar os dedos por dentro de sua blusa sentindo o abdômen quente e forte, ao mesmo tempo em que iniciavam outro beijo com as línguas debatendo-se ferozmente.
Os globos azuis de Grimmjow miraram o rosto em brasa de Ichigo, esticando os lábios em contentamento pela cena. Segurando no zíper do casaco do menor foi o abaixando devagar sentindo o volume no meio das pernas do garoto quase saltar para fora.
Jogou o casaco para o lado divertindo-se com o umbigo de Ichigo agora – usando sua boca, claro — que teve de segurar-se para não lançar sons mais altos do que o local permitia. A carne macia da língua de Grimmjow rodopiava sua barriga, enquanto as mãos subiam e desciam por seu torço e algumas vezes iam até o peito que arqueava cada vez que ele o fazia.
Quando ouviu o som do cinto ser aberto o coração acelerou parecendo saltar para a boca, porém deixou-o terminar. Outro som metálico de zíper fez-se e nesse momento o pudor do ruivo já tinha ido embora. Segurou com firmeza as bordas do casaco de Grimmjow e o trouxe para cima, roçando seu corpo contra sua parte mais ativa, e fez as bocas se encontrarem de novo. Mas dessa vez faria com que ele gemesse...
Enquanto distraído pela repentina ação de Ichigo, Grimmjow só percebeu a perna dele erguendo-se no meio das suas quando já era tarde demais. Abafado pelo ósculo, Grimmjow grunhiu descendo a testa até o ombro do ruivo, e sentindo os movimentos da coxa dele em cima de sua excitação, instigando-a ainda mais, fazendo o pano da calça começar a irritar.
Incapaz de segurar-se além daquilo, Grimmjow tratou de puxar para fora da cueca do garoto seu membro e apertá-lo entre os dedos. Ichigo mordeu os lábios sentindo a saudade daquela sensação espalhar-se por todo seu corpo. Fazia tanto tempo que queria de volta estas carícias mais violentas de Grimmjow, e agora tudo parecia irreal demais. Abriu os olhos constatando a presença dele ali, e conforme ele movimentava os dedos em seu membro, da maneira que pode, trouxe o dele para fora também, e uniram as mãos como que as entrelaçando no meio da brincadeira.
Grimmjow sorria excitado, imaginando como seria pegar aquele garoto de jeito e fazer serviço completo. Mas nessas horas a voz sábia de Neriell o alertava para levar as coisas com paciência. Pensava no prêmio final e isso apenas o excitava mais ainda.
Abaixando a cabeça até alcançar o ouvido de Ichigo Grimmjow sussurrou á ele:
– Te quero Ichigo. – e mordeu o lóbulo do garoto.
Ele gemeu, sem conter-se dessa vez apenas enterrando a cara no pescoço de Grimmjow e esfregando a testa nele. Com a mão livre enfiou os dedos por detrás das melenas azuladas dele e com um rápido puxão o fez mover-se encontrando seus lábios de novo. Beijava-o e mordia a parte carnuda, como se quisesse roubar um pedaço dele para si. Percorreu a boca dele com a sua jogando a cabeça para trás ao sentir sua ereção ser apertada por entre os dedos dele.
– Grimmjow!... – disse vacilando a voz ao passo em que o rosto corava-se.
Os músculos retesaram-se, o corpo pareceu entrar em erupção, e o frio desaparecera por completo; Grimmjow acelerou a velocidade com a qual se tocavam e no minutos seguinte despejavam a vontade há muito ansiada por ambos escorrer por entre os dedos e cair sobre o tecido das calças.
Ichigo virou os olhos para baixo vendo o ‘estrago’ que haviam causado, mas sem importar-se muito com este detalhe. Os olhos um pouco caídos e a respiração ofegante revelavam um cansaço saboroso nele, e ao voltar esse olhar de ‘quem quer mais’ para Grimmjow, o maior apertou seus lábios contra os deles sugando o resto do ar presente ali:
– Fica tranqüilo, essa noite ainda está longe de acabar. – comentou ao se separarem.
Ichigo envergou as sobrancelhas deixando o cenho sério, e disse puxando-o pela gola da camisa:
– Babaca egocentrista...
Grimmjow riu percebendo a falta que fazia ouvir estas palavras do ruivo, mas não apenas isso.
Seu corpo, seus sentimentos, tudo se acalmava de maneira tão absurdamente rápida quando próximo ao garoto que isso chegava a assustá-lo um pouco.
Bastava um sorriso, bastava seu cheiro, precisava apenas estar ao seu lado para ter suas defesas completamente destruídas por esse par de íris âmbar do garoto. Afagou-lhe a nuca sentindo agora o tamanho mais longo de suas melenas. Ele ficava mais bonito assim. O cabelo laranja combinava com o temperamento estourado dele, mas nada se comparava com este Ichigo manhoso debaixo dele.
Sim dava medo, mas era o frio na barriga mais gostoso que já havia sentido em toda a sua vida.
Continua
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–Bônus-
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Notas finais
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Em primeiro lugar quero agradecer pelos 200 reviews!!! Nunca imaginei que a fic fosse ter tantos fãs e tanta repercussão!
Obrigada por acompanharem minha história, por espalharem ela entre os amigos, por comentarem, pelos elogios!
Isso faz a felicidade da autoria e só me dá mais vontade de continuar sempre escrevendo mais, obrigada mesmo!
Enfim, a partir de agora a história vai se focar um pouquinho mais no novo casal, apesar de ser uma história secundária ela tem importãncia com a primeira =p
Espero que tenham gostado das surpresas e reviravoltas, porque eu estou amando!
Kissus e até o próximo capítulo!
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