Maipetto no Neko
27 Capítulo 27 - Reflexões
Notas iniciais
O Ichigo tem 18, o Grimmjow tem 22, o Renji tem 23, a Rukia tb tem 23, e o Byakuya tem 43 ^^
Os demais amigos do Ichigo tem a mesma idade dele, a Karin e a Yuzu estão na adolescencia, então creio q devem estar pelos 15/17 anos, e o pai do Ihcigo deve ter 45/49, o Aizen tem 48 anos, o Gin tem 32. A Neriell tem 26, a Matsumoto tem 28.
De resto, esse capítulo eh bem isso mesmo q o título diz: as reflexões de vida dos personagens: Principalmente Ichigo e Byakuya!
Divritam-se ;]
Maipetto no Neko
Capítulo 27 – Reflexões
Renji corria para o campus da faculdade antes que os portões se fechassem. Terminava de engolir um pedaço de pão no processo, o que era seu café da manhã. Havia se esquecido completamente que sua casa agora ficava um pouco mais distante, e acordou no horário de sempre só percebendo seu erro quando era tarde demais.
Tinha de ver os resultados da última prova, pois a segunda chamada seria dali a quatro dias, e teria de se preparar caso precisasse refazê-la – o que todo o seu ser diria que ia acontecer.
Quando entrou no prédio bem à tempo subiu as escadas como um raio, e logo encontrou a lista com os nomes e notas anexadas no quadro ao lado da porta de sua sala. Via alguns colegas de classe vibrando pelo corredor, outros chorando, e chegou a suar frio ao procurar por seu nome. Engoliu seco passando o dedo por cima das letras até achar o que lhe interessava. Cerrou os olhos por alguns segundos e verificou sua nota.
Minutos seguintes estava agachado no corredor com a cabeça apoiada nos joelhos...
– Burro... Burro... Burro... – repetia conforme batia com a testa na perra.
Escutando alguém pigarrear, Renji ergueu os olhos e empalideceu no momento seguinte:
– Você está bem no meio da passagem, Abarai.
– Kuchiki-sensei! M-me desculpe!
Encabulado, ergueu-se num pulo dando espaço para que o moreno passasse. Mas nem mesmo a presença dele foi capaz de remover o abatimento de seu rosto.
Byakuya não parecia ter notado, ou melhor, não havia se importado com o que ele fazia ali ou não, mas a curiosidade, mesmo que pequena, dentro dele queria saber o porquê do martírio do tatuado – mas seu orgulho jamais o faria perguntar isso.
– Obrigado. – foi tudo o que proferiu continuando seu caminho como se ele nem estivesse ali.
Renji bateu as costas numa parede bufando. Isso ainda podia ficar pior? Indo até uma janela ele apoiou-se no parapeito olhando a parte exterior da faculdade. Claro, aquele cabelo laranja caminhando no meio da rua era inconfundível. E o ser ao lado dele também... Então, os dois tinham voltado? Rindo assim, andando juntos, quase com um letreiro estampado na cara deles.
– É, isso pode ficar pior... – disse para si mesmo dando meia volta.
Podia ir afogar as mágoas numa garrafa de vodka, mas seu cérebro precisaria descansar com uma boa dose de estudos se quisesse passar nessa matéria. Infelizmente sua fonte de conhecimento estava indisponível por problemas pessoais, e Renji não conhecia mais ninguém nerd o bastante para lhe ajudar.
Enfiando as mãos nos bolsos ele nada mais podia fazer a não ser ir para casa e começar a devorar seus livros, se é que seria possível revisar em quatro dias a matéria de um semestre inteiro...
Três da tarde, o calor fazia o tatuado usar apenas uma bermuda dentro de casa com um picolé enfiado na boca, uma faixa segurando o cabelo para trás e uma tonelada de livros e anotações á sua frente. Era estranho o tempo quente nessa época do ano, mas não tinha do que reclamar, afinal, havia sido um longo período de frio e neve... Variar de vez em quando era bom.
Forçava sua vista para ler mais de um assunto ao mesmo tempo, e estava assim há pelo menos duas horas, quando finalmente a cabeça pediu por um tempo. E o fez jogando-se no meio do amontoado de folhas:
– Não vou conseguir!!! – gritou com a voz abafada por estar preso no meio de milhares de folhas.
– Não vai conseguir o que? – alguém repetiu sua frase fazendo-o se erguer assustado.
Renji olhou á sua volta levando um susto e chegando o corpo para trás ao ver Rukia sentada em sua poltrona:
– C-c-como você entrou aqui?! – exclamou apontando o dedo para ela.
– Pulei pela janela.
– Porque não tocou a campainha?!
– Como se eu fosse ficar parada lá na frente com esse calor esperando você atender!
– Sabia que invadir a casa das pessoas é crime?
– E quem vai fazer queixa? Você? To esperando!
A pequena mostrou a língua para Renji enquanto puxava um dos olhos para baixo, fazendo o amigo a encarar por alguns segundos, mas rir no minuto seguinte. Ao menos ela o tinha feito esfriar as idéias.
– Quer beber alguma coisa? – perguntou levantando-se do chão.
– Tem mais picolé?
– Tem.
– Chocolate!
– Eu sei.
Rukia sorriu aguardando pacientemente que Renji retornasse. Quando o fez tratou de comer metade do picolé numa só mordida, assustando amigo que retraiu a mão com medo de perder os dedos frente à fome da amiga. Ela podia ser pequena, mas tinha um estômago e tanto.
Sentou-se novamente no chão virando outra página do livro e segurando a caneta pronto para fazer novas observações, mas a quem estava enganando? Jamais conseguiria se concentrar com Rukia ali:
– Porque está estudando? – perguntou a garota apoiando o rosto em uma das mãos.
– Tenho uma prova daqui a quatro dias.
– Ué, não está de férias?
– Recuperação.
– Nossa, você continua burrinho que nem na escola.
– Vai ficar me ‘elogiando’ ou eu vou poder estudar em paz?
– To entediada.
– Percebi...
– Vamos fazer alguma coisa!
– Qual parte do: ‘eu preciso estudar’, você não entendeu?
– Então vem comigo lá pra casa! Você fica estudando lá!
– Qual o problema de ficar aqui comigo?
–Na minha casa tem ar condicionado.
Imediatamente Renji recolheu seu material, ao mesmo tempo em que vestia uma blusa, e enfiava o tênis no pé. Já na porta, virou-se para Rukia com a mão na maçaneta:
– Você vem ou não?! – exclamou.
Rukia gargalhou levantando da poltrona e saindo da casa. Logo estavam na sua sala, climatizada, e livrando-se do maldito calor de agora há pouco.
– Santa tecnologia... – comentou Renji enquanto o vento batia nas suas costas.
– Vai apreciar o vento ou estudar? – perguntou Rukia sentada no sofá.
–Foi você quem me arrastou pra cá enquanto eu estudava!
– Mas agora que já chegamos você pode continuar!
– Estraga prazeres...
– Eu te conheço: você precisa de alguém te incentivando se não fica sem fazer nada.
Verdade. Se estivesse em casa ainda, Renji com certeza estaria assistindo a algum programa na tevê, ou teria sido chamado para alguma festa de meio de semana... Ficar com Rukia ali, mesmo que falando de vez em quando, era o melhor que fazia. Porém por maior que fosse sua concentração, a matéria simplesmente não fixava em sua cabeça.
Depois de mais alguns minutos de concentração, um estalo veio á mente dele, e voltou-se para Rukia, vendo a garota ler uma revista qualquer:
– Rukia o Kuchiki-sensei ta em casa? – indagou a pequena, como quem não quer nada, uma conversa casual talvez.
– Ta sim. O ni-sama tinha de resolver uns problemas da faculdade e se trancou no escritório desde cedo.
– Ah sim... O Kuchiki-sensei é bem atarefado.
– Sabe ele não é mais seu professor para ficar o chamando assim.
– É costume! – disse rapidamente – E respeito também...
– Que seja! Vou ver se ele quer alguma coisa.
– E vai me deixar aqui sozinho?!
– Pelo amor de Deus Renji, você não é uma criança! Agora continue estudando!
O ultimato da garota parecia quase uma ameaça, e Renji só pode obedecê-la. Tinha mesmo de terminar ao menos aquela página na qual estava há mais de uma hora. Mas saber que Byakuya estava na mesma casa que ele, a poucos metros de distância não ajudava muito, pois seu nervosismo aumentara, e nem mesmo o ar condicionado parecia esconder o suor escorrendo de sua testa.
Atrás de uma mesa com o computador repleto de programas e arquivos abertos Byakuya lia e relia diversos papéis referentes a faculdade. Ainda tinha muitos alunos presos em sua matéria, e a quantidade de vagas para o próximo semestre havia diminuído. Iria precisar dobrar o tempo de aulas se quisesse aprovar a todos, ou uma grande maioria teria de esperar. Não gostava de fazer isso, mas também não iria se exaustar por conta dos erros da faculdade.
Assinou um dos contratos deixando outros registros de lado, pousando a caneta ao lado do computador ao ouvir batidas na porta, dando permissão que entrassem:
– Ni-sama, vim ver se precisa se alguma coisa. – disse Rukia ainda parada na porta.
– Estou bem Rukia, obrigado.
– Sério? Nem mesmo um chá?
– Logo irei até a cozinha quando for dar uma pausa.
– Tudo bem então. Ah, é mesmo, esqueci de avisar o Renji está aqui.
As sobrancelhas de Byakuya moverem-se levemente enquanto lia alguns documentos. Não deixou-se abalar por aquela notícia, apenas perguntando à Rukia, sem erguer o olhar:
– Veio te visitar?
– Na verdade ele está estudando, disse que tem prova de segunda chamada daqui a quatro dias, e como eu sei que sozinho ele não faz nada, o trouxe pra cá.
– Entendo...
Fechando a porta Rukia retornou para a sala, enquanto Byakuya ficava preso entre seus deveres e sua angústia. Seria melhor se ficasse pelo escritório, sem dar as caras. Porém isso seria extremamente rude, de acordo com seus ensinamentos de etiqueta. Em compensação, era provável que Renji nem soubesse desses mandamentos quase religiosos da hospitalidade. Além do mais, o garoto estava estudando, ir até lá poderia atrapalhá-lo de alguma forma...
Sacudindo a cabeça, Byakuya decidiu por continuar com seu trabalho, preenchendo a mente com o que era importante ao invés de ocupar-se com besteiras. Já devia ter parado de ter essas idéias. Aliás, até havia conseguindo, porém os eventos recentes acabaram por mudar o curso de plano elaborado para sua vida.
Alguns minutos depois, para sua surpresa, Rukia adentrou seu escritório novamente, justo quando a concentração lhe retornara:
– O chá está quase pronto ni-sama! – comentou a garota com um sorriso no rosto.
– Rukia, eu disse que faria depois.
– Eu sei, mas o Renji ta de visita aqui, e você me ensinou que é indelicado não oferecer chá quando se tem visitas. Vim te avisar, pois assim não precisa fazer duas viagens.
Traído por sua própria regra de etiqueta... Respirando fundo, como se tentasse achar forças para erguer-se, Byakuya afastou-se da mesa, e foi com a pequena até a cozinha onde a chaleira já apitava. Com cuidado, Rukia retirou-a do fogo, e a levou até um apoio, onde à sua volta três xícaras e uma cesta com biscoitos os aguardava.
Byakuya sentou-se pondo o chá numa delas, e passou a tomá-lo, ignorando o fato de estar queimando a língua devido a fervura: quanto mais depressa acabasse com aquilo, antes poderia retornar aos seus afazeres e o pequeno mundo trancafiado de seu escritório.
Rukia tinha desaparecido por pelo menos uns vinte minutos. Renji tinha conseguido sair da página que lia a quase duas horas, deparando-se com outras questões mais complicadas ainda.
Quando começou a escrever suas anotações, a amiga apareceu ao seu lado – lhe dando outro susto — e o chamando para o chá. Tudo bem, ao menos faria uma pausa. Ledo engano. Rukia fez questão de obrigá-lo a levar o livro para a mesa, e sobre protestos Renji fora forçado a obedecê-la. O poder de persuasão, ou melhor, de ameaça daquela garota era impressionante.
Enquanto perdia-se nas linhas de explicações e fórmulas da matéria, o tatuado foi sentando-se na mesa sem nem mesmo perceber a presença de Byakuya ali. Já o outro, fingia não tê-lo visto, entornando sua xícara de chá goela à baixo e comendo alguns biscoitos para disfarçar. Rukia juntou-se à eles no minuto seguinte assoprando a bebida antes de dar o primeiro gole, e fazer seu comentário:
– É ótimo ter uma pausa para um chá com os amigos!
– Verdade... – respondeu Renji, ainda concentrado em sua leitura.
Byakuya apenas assentiu que sim com a cabeça, com o olhar voltado para 'os tão interessantes desenhos da xícara de chá’.
Num sobressalto, chamando a atenção dos outros dois, Renji bateu com a testa no livro, sacudindo um pouco a mesa. Nem Byakuya pode evitar de arregalar um pouco os olhos com o súbito movimento dele:
– Não dá! Essas coisas não entram na minha cabeça de jeito nenhum! – reclamou balançando a testa de um lado para o outro no meio das folhas.
– Calma Renji, você só tem de arrumar um jeito certo de estudar. – disse Rukia tentando animar o amigo.
– Eu sei a matéria, o problema é falar com esses termos lógicos todos! Como vou decorar isso tudo em menos de quatro dias?!
Pondo a xícara de volta no pires, e pigarreando, Byakuya comentou, fazendo Renji tomar nota de sua presença ali:
– Talvez eu possa lhe ajudar.
Com outro sobressalto Renji ergueu a cabeça o fitando, sentindo-se um idiota por não tê-lo visto antes; e com um frio no estômago indescritível.
– M-me ajudar? – perguntou. Porque tinha sempre de gaguejar quando o encontrava?
– Você cursa a mesma área na qual sou especialista. Posso lhe ajudar com os estudos, se está com tantos problemas assim.
– Isso seria ótimo ni-sama! Que sorte, não é Renji? – disse Rukia, sorrindo para o amigo.
– Eu não quero atrapalhá-lo... – respondeu encabulado – A Rukia falou que está bastante ocupado com seus serviços da faculdade.
– Também preciso espairecer um pouco, e grande parte dele já está adiantada. Mas se não quiser minha ajuda, então...
– Eu quero! – respondeu cortando-lhe a fala.
Byakuya assentiu com a cabeça, sentindo-se incomodado pela falta de educação dele, porém ignorando devido à sua empolgação.
– Muito bem, irei recolher meus afazeres e logo o encontro na sala.
Apenas concordando, Renji permaneceu na mesa terminando seu chá – na tentativa de se acalmar – enquanto Byakuya saída da cozinha.
Chegando ao seu escritório, o moreno fechou a porta apoiando as costas na mesma. O que havia acontecido com sua decisão de não se envolver? De ignorar a presença dele?! Droga. Sua força de vontade tinha o abandonado naquele momento. Pondo a mão no meio da testa desceu os dedos por toda a extensão de seu rosto. Era o ensino médio todo de novo, repetindo-se ali mesmo na sua casa, e dessa vez, por sua culpa.
– O dia hoje está um tédio. – comentou Grimmjow terminando de beber o chá gelado, deixando apenas as pedras de gelo batendo no fundo.
Estavam na cafeteria a qual freqüentavam. Alguns atendentes chegaram a falar da falta que os dois faziam, simpáticos, e claro, dispostos a não perder a clientela.
– Deve ser o calor. – disse Ichigo.
– Podíamos ir a um lugar mais fresco...
Havia malícia em sua voz, e o ruivo sabia disso, mas apenas riu, balançando a cabeça para os lados, o ignorando:
– Hoje não posso, já disse.
– Que saco! Mal passamos Duas horas juntos.
– Mas eu tinha te avisado que hoje iria me encontrar com Chad, Ishida e Inoue, e quem sabe... Conversar com eles.
– Enquanto isso eu fico sem fazer porra nenhuma em casa!
– Aproveita e põe os estudos em dia, deve estar precisando refrescar a memória.
– Tive de ler muita coisa já nesse último mês, quero ficar longe de qualquer assunto que de trabalho!
Ichigo riu puxando a carteira do bolso e pondo uma nota na mesa. Algo que nunca havia deixado por conta de Grimmjow era que o então, namorado, pagasse qualquer coisa por ele. De vez em quando isso lhe escapava, rendendo um bom tempo de discussão entre eles. Que se sempre acabava de maneiras, inusitadas... Em locais inesperados... Em posições interessantes...
Livrando-se destes pensamentos, o ruivo ergueu-se sendo seguido por Grimmjow. Ouviram a sineta ao abrirem a porta tocar, e com protestos do maior, separaram-se, combinando uma saída amanhã.
O convite de Inoue tinha sido oportuno, mas não pode deixar de render um frio na barriga dele. Havia se decidido em deixar tudo às claras, porém o medo estava estampado em sua face. Além do mais ponderava para quem deveria revelar tudo primeiro: seus amigos, ou sua família. E claro, precisaria da ‘sutileza’ de Grimmjow longe disso.
O pior de tudo era não saber qual seria o destino do grupo ao certo. Inoue havia dito que iriam se encontrar em sua casa para então decidir aonde iriam.
Pouco tempo depois de caminhada e estava diante da casa da amiga. Respirou fundo ainda ponderando muito seu raciocínio, ante de tocar a campainha. Logo a amiga alegre atendeu a porta, mostrando-lhe um largo sorriso. Segurando as mãos dele, o puxou para dentro de casa, onde encontrou os demais na sala.
– Está atrasado... – comentou Ishida ajeitando os óculos.
– Foi mal, perdi a hora.
– Não faz mal Kurozaki-kun – comentou Inoue – agora que estamos todos juntos podemos sair!
– E aonde vamos exatamente?
– Inoue sugeriu um parque. – disse Chad, parecendo não se opor a idéia.
– Por mim tudo bem.
– Nós não somos mais crianças, porém se a Inoue-san quer... – respondeu Ishida.
– Ah, não quer forçar ninguém!
– Fica tranqüila Inoue, nós arrastaremos o Ishida de qualquer jeito, não importa para onde a gente vá! – ironizou Ichigo, vendo o cenho franzido dele.
Juntado as mãos na frente do corpo, Orihime falou, finalizando a conversa:
– Bem, vamos indo então! Ou pegaremos muitas filas!
Saíram da casa da amiga comentando sobre as últimas semanas de aula e as provas, tema muito importante na vida dos quatro. Ishida como sempre, tinha passado em todas as matérias com notas excelentes, e elogios aos montes dos professores. Chad chegou a ficar pendurado em uma matéria, mas não foi preciso fazer a segunda chamada. Inoue, surpreendendo o grupo, havia passado com louvor o semestre, e assim como Ichigo, não tivera problema nenhum. Mas é como dizem: o primeiro ano de faculdade é sempre uma maravilha...
Pouco antes das três da tarde chegavam ao parque com Inoue sendo a mais animada entre eles. Pulando de alegria, ela foi comprando as entradas de diversos brinquedos, e já se preparando para entrar nas filas.
Ichigo queria apenas um tempo a sós com eles para poder conversar sobre assuntos mais sérios em paz, porém seria impossível num ambiente tão turbulento como aquele, e ainda não havia definido se isso era algo bom ou ruim.
Começando pela montanha russa, uma das maiores de todo o país, puderam ver grande parte da cidade quando alcançaram o ponto mais alto do brinquedo. Em seguida foi a vez da casa mal assombrada, algo que estranhamente divertia Inoue. Na montanha russa, tiveram de aparar Ishida depois da corrida devido ao enjôo que o amigo sentira, após tantas voltas, altos e baixos. Ichigo claro, não pode deixar de ressaltar na ‘delicadeza’ do rapaz, sendo respondido com novos xingamentos criativos do quatro-olhos.
Em meio aos risos, e as palhaçadas já comuns do grupo, o fim do dia foi se aproximando, e cada um tinha seus afazeres para tratar.
No final das contas, Ichigo não fora capaz de dizer uma única palavra sobre seu novo relacionamento. Todavia, talvez fosse melhor assim. Apesar de Inoue já saber sobre boa parte da conversa – menos os últimos detalhes sórdidos – seria melhor contar tudo á sua família primeiro, afinal, sabia ser muito mais fácil a aceitação do lado de fora de seu núcleo familiar.
Quando percebeu Ichigo já estava no caminho de volta a sua casa. E ainda não havia pensado em nenhuma maneira sutil de conversar com seu pai e suas irmãs... Bem, provavelmente seria como em qualquer outra situação tensa em sua vida: resolveria na hora, de qualquer maneira, e assim ajeitaria as coisas aos poucos.
Com os olhos quase caindo de sono, Renji terminava de escrever a última linha de exercícios em seu caderno. Ao seu lado, numa poltrona, lendo um livro, Byakuya o aguardava terminar a bateria de simulados que havia entregado a ele.
Interessante como Renji tinha conseguido de alguma forma não prestar muita atenção na presença do moreno ali. Talvez a vontade de passar nessa prova tenha sido um grande incentivo, mas saber que estava sendo ajudado por ele, de alguma forma, o fazia querer ter um bom resultado, como se assim pudesse agradecer pela ajuda.
Oito e quinze da noite, Byakuya olhava seu relógio, baixando o livro e observando o rosto abatido de Renji. Respirando fundo, ele removeu os óculos pondo em uma mesinha ao seu lado e abaixou o livro.
– Já terminou? – indagou á ele.
– Sim. – respondeu esticando o braço com o papel á ele.
Analisando as respostas rapidamente, Byakuya podia dizer que Renji havia acertado trinta por cento da prova. Aquilo não era um bom sinal. Ou ele tinha algum problema, ou estava no curso errado...
– Renji, tem certeza de que quer cursar análise de sistemas? – perguntou á ele. Num tom sério.
Abatido pela frase dele, e sabendo agora o resultado do teste, o tatuado respirou fundo, mirando para o livro á sua frente:
– Eu sei que pareço estúpido, mas gosto dessa área. Além do mais, quando tenho de lidar com algum problema na prática, resolvo em poucos minutos, mas por no papel o passo a passo, fazer os caçulos absurdos, me deixa confuso!
Byakuya tornou a recostar as costas na poltrona tentando compreendê-lo. Na escola Renji não era um aluno tão bom assim, mas realmente, recordava-se que em algumas matérias mais manuais ele tinha grande talento. Talvez só precisasse de um incentivo para conseguir associar a ação com a teoria, só não sabia o que.
– Muito bem Renji, pensarei em alguma coisa. – disse erguendo-se – Por hora, pode ir para casa, já está ficando tarde.
– Quer dizer que, vai me ajudar ainda? – perguntou deixando a voz mais manhosa.
– Sim, mas primeiro, tenho de bolar algum método de estudo que se adéqüe à você.
– Sério, o senhor está tendo muito trabalho por minha causa.
– Estou me distraindo com isso, e preciso de um descanso da faculdade.
– Mas isso não te lembra as aulas?
– Tirando a parte burocrática, eu gosto de dar aulas.
– Bem, se o senhor não gostasse então eu diria que está na profissão errada!
Sorrindo, Renji apenas o viu analisando ainda sua folha de exercícios sem dar muito atenção a sua ‘piada’ ou mesmo a sua expressão.
Desapontado, ele ergueu-se, agradecendo pela ajuda e hospitalidade. Recolheu o material, e postou-se a saída, antes, claro, despediu-se de Rukia, e caminhou lentamente para casa... A qual chegou em menos de cinco minutos.
Jogando os livros em cima da mesa da sala, jogou-se no sofá com os braços servindo de travesseiro. Estava enganando-se de novo. Byakuya apenas o estava ajudando, mas isso não queria dizer que sua personalidade, seu comportamento teria mudado. Deveria estar feliz por ao menos ser lembrado por ele, mesmo que seja apenas como o amigo de sua irmã caçula. Iriam se ver de novo, mas como aluno e professor. Nada mais...
Byakuya ouvira o barulho da porta se fechando e Rukia retornava ao seu quarto. Foi quando pode finalmente respirar aliviado, sem precisar controlar o suor escorrendo pelo corpo.
Ainda não sabia onde tinha batido a cabeça para ter a idéia de ficar á sós com Renji na mesma sala. Pegou seu livro, e pôs-se a retornar ao escritório, quando passou pelo local no chão onde ele estava sentado. Um cheiro estranho e novo adentrou em suas narinas o fazendo parar alguns segundos com os olhos cerrados: era o odor dele.
Os batimentos cardíacos aceleraram, e ele levou a mão no peito sentindo o corpo fraquejar. Aquilo começava a ficar insuportável! Como iria conviver com ele dessa maneira?! Depois de tanto anos forçando-se a esquecer, depois de tanto tempo ignorando o simples fato da existência dele, tudo tinha ido por água à baixo!
Byakuya era professor dele no ensino médio, e de certa forma ainda o era. A ética fugia dos pensamentos do moreno quando eles eram dirigidos à Renji. Sua educação, seus conceitos então, se perdiam aos poucos...
Quem iria imaginar; um garotinho prestativo e atencioso da escola roubando a atenção de seu mestre. Parecia um daqueles clichês idiotas e sem enredo do cinema. Mas ele não queria sucumbir ou terminar criando problemas por conta disso... Se ele soubesse. Ah! Se Renji tivesse conhecimento desses pensamentos de seu professor, de alguém mais velho?
Seria tratado como um louco excêntrico, uma aberração. E Rukia? Melhor amiga dele. Com que olhos iria encarar o irmão mais velho, que deve ser seu arquétipo?! Isso jamais poderia acontecer, nunca!
Poderia remoer-se por dentro, poderia entristecer-se cada vez mais por conta disso, mas não se entregaria a essas vontades reprimidas. Esqueceria de novo, mudaria seus hábitos, até mesmo o ignoraria... Porém não trairia seu orgulho.
Deitando-se na cama, exausto, Byakuya deixou-se entregar pelo maravilhoso mundo dos sonhos, e seu inconsciente lhe dera um bom relaxamento – ao menos enquanto eles permanecessem no mundo fantasioso dele...
E assim o moreno deixava a mente se preencher com o sorriso daquele aluno; do agora homem que cada vez mais conseguia lhe roubar um novo pedaço de atenção, sem nem ao menos ter noção disso.
Continua
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– Bônus —
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Notas finais
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Enfim, sem muita pegação nesse capítulo, mas ao menos já deu p perceber outras coisas, tipo, a quedinha (do tamanho de um precipício) q o Byakuya tem pelo Renji!
Espero q ele tenha outra recaída... HEhehe (pensamentos pervos da autora)
Enfim, até o próximo cap =]
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