Maipetto no Neko
51 Capítulo 51 - Ligação Perdida
Notas iniciais
HAHAHAAHA! Mais uma vez vossa autora retorna dos mortos, e devolve a fic para vocês xD
Sério, nesses meses eu fiquei travada.
Não saía nada da minha mente. Ficava parada na frente do pc esperando as palavras sairem, mas nada acontecia. Fiquei mega frustrada!
E... Também estrou trabalhando em outros projetos, por isso fiquei meio sem tempo/ sem criatividade.
Mas aqui está a continuação da fic =D
Espero que os leitores ainda estejam dispostos a aguentar essa minha ausência T^T
Enfim, boa leitura a todos o
Maipetto no Neko
Capítulo 51 – Ligação Perdida
Neriell ouvia zumbidos, vozes distantes e outros sons altos. Os dedos dormentes, as pernas não respondiam aos seus comandos e mal conseguia enxergar um palmo á frente.
Num instante caminhava para fora do carro, e agora estava estatelada no chão da rua sem saber o que havia a atingido. Ou melhor, sabia sim. Escutou o som dos pneus queimando no asfalto antes da batida, porém mal teve tempo de pular e fugir do inevitável encontro. Por sorte os carros não haviam pegado fogo, e quem quer que fosse ao outro volante, ainda estava preso ao banco.
Afinal porque ninguém havia a ajudado ainda? Era tão importante assim ficarem ali assistindo a tragédia de camarote? Tirando fotos e analisando cada detalhe como a cena de um filme? Qual miserável podia ser a sua sorte?
Tentou virar o corpo, mas o abdômen doía muito. Os pés também. Enxergava um líquido vermelho escorrendo por debaixo do corpo. Seu sangue, fugindo da onde deveria estar. Os sentidos iam se inebriando cada vez mais, deixando-a torpe. E tudo o que conseguia pensar era em Grimmjow. O amigo que ficaria perdido sem ela, livre, nas garras de Aizen e de qualquer um pronto para se aproveitar do pavio curto dele. Aliás, organizando o pensamento nos últimos minutos de consciência, conseguia ver tudo como outra tramoia do arrumadinho de paletó, gravata, e cara mais sínica do mundo.
Não queria morrer. Ainda não. Precisava de muito mais tempo, tinha ainda muito que fazer na sua vida. E quanto a Matsumoto? Não conseguiria vingar a morte da amiga. Ia acabar tendo o mesmo destino. Devia ter sido mais cuidadosa, pensado dez vezes mais antes de agir. Aizen era mesmo astuto, dois passos à frente dela e de Grimmjow.
Usando o que lhes restava das suas forças, a bela dama ensanguentada deslizou os dedos pelo asfalto até o bolso do vestido onde guardava o celular. Apesar do aparelho estar ensopado e com a tela trincada, ainda funcionava. Apertou o numero um da discagem rápida e ouviu os toques pararem na caixa de mensagens.
- Grimmjow...
A voz trêmula e fraca mal saía da garganta. Na verdade mal sabia como foi capaz de fazer uma ligação naquele estado. Talvez fosse realmente seu momento final ali, sua última chance, suas últimas forças.
- Grimmjow... Você não pode... Confiar... No... Confiar no Aizen... Foi ele... Eu... Foi culpa dele...
Ah... Novos sons chegavam aos seus ouvidos. Sirenes ao longe se aproximando. Mas era tarde demais. A mão soltou vagarosamente o telefone, que continuou gravando por mais alguns segundos aqueles sons distantes da fofoca das pessoas apo redor, do transito parado, e da ambulância a caminho.
Os olhos verdes estavam turvos como um vidro fosco, o sangue espalhava-se mais e mais, e por fim os sentidos foram a abandonando, imergindo-a num imenso e profundo silêncio enegrecido.
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Ainda era cedo quando Grimmjow acordou. Bocejou três vezes antes de sair da cama, e continuou o processo até o banheiro. Sonolento, checou o telefone com a escova de dente enfiada na boca. Ninguém havia o importunado, ainda bem. Espreguiçou-se indo tomar banho, pois depois daquela noite e de todas as suas complicações, queria se afogar nos braços do ruivo dando uma melhorada no humor. Talvez fosse bom contar a ele sobre suas suspeitas também, afinal, Ichigo precisava estar atento assim como ele e Neriell. Não queria ter de encontrar a amiga no almoço, mas sabia ser preciso.
Depois da merecida ducha enxugou o cabelo enquanto a água ainda escorria pelo peito desnudo. Vestiu-se com a velha calça jeans, uma camisa azul e a jaqueta de couro por cima, completando o visual desleixado. Calçou o par de coturnos lembrando-se de por as luvas, pois ainda estava bem frio.
Era mais um dia comum onde podia distrair-se com Ichigo, e mesmo Neriell não estragaria isso. Depois e só depois de passar algumas horas com o ruivo é que iria vê-la. Entrou no carro sorrindo, começando a dirigir para fora da garagem, despreocupado, tranquilo e ansioso.
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Renji entrou na cozinha ainda desnorteado. Quando o apito alto da chaleira já continuava por alguns segundos foi que acordou finalmente. Pôs as duas xícaras numa bandeja junto do punhado de torradas com geleia e, antes de levá-la ao quarto estancou ao ver Byakuya se sentando a mesa. A expressão na mesma indiferença costumeira olhava para baixo, servindo-se do chá em silêncio.
Fechando a boca semiaberta Renji respirou fundo se juntando a ele do outro lado. Enfiou quatro colheres de açúcar na xícara batendo o metal na beirada da porcelana, emitindo um tintilar irritante. Byakuya tremeu o canto do olho mirando raivoso à indiferença de Renji até que o tatuado notou a aura de ódio, repousando a colher no pires. Derramou o chá na goela queimando a língua querendo evitar um confronto. Retorceu as feições batendo com força a xícara na mesa ao terminar coçando a língua no céu da boca. No ambiente calado que os dois ficaram sem encarar-se enquanto davam mordidas barulhentas nas torradas.
Noite passada foi nada mais do que uma confirmação daquilo que os dois já sabiam, mas insistiam em negar: ambos nutriam sentimentos há muito tempo. E na raiva incontida, no meio das palavras presas, acabaram, por fim, se entregando aquilo que não podiam mais conter — eles mesmos.
Mas não, o silêncio fúnebre não era por causa disso. Estavam de comum acordo com o estado da relação deles. Alias, agora podiam chamar aquilo de relação. O que os perturbava tanto era o inesperado e vergonhoso encontro com Rukia pela manhã, ou pior, como deveriam lidar com isso. Quer dizer, teriam de contar mais cedo ou mais tarde. Não é com se fossem viver no armário para sempre sem levantar suspeitas. Era melhor deixarem tudo às claras evitando um confronto futuro.
Contudo Renji perguntava-se como agiriam na faculdade e o que falariam dele. Se fosse pelo bem de Byakuya ficaria nas sombras sem nenhum problema. E essa dúvida era pertinente na cabeça do moreno também. Conhecia o caso de docentes que foram suspensos ou até mesmo expulsos por se envolverem com alunos. Mas o medo de atingir Renji nesse processo o deixava ainda mais apreensivo.
Basicamente, os dois continuavam a se preocupar um com outro sem dizer nada. É tirando o fato da relação pública oficial, a personalidade orgulhosa e complicada do casal permanecia a mesma.
Quando Byakuya deu o gole final colocando a xícara na mesa voltou a voz para Renji sem pormenores:
- Irei conversar com Rukia agora.
-Q-que?! Assim do nada?!
Renji exaltou-se corando a face.
- Quanto mais tempo ficarmos aqui discutindo pior será. Rukia não é burra, só precisa ser esclarecida dos fatos.
-E-eu sei disso! Mas ela deve estar confusa, quer dizer, ela não sabia de nada até então!
- Mais um motivo para terminarmos de uma vez com isso.
Erguendo-se da cadeira, o moreno ajeitou a blusa dentro da calça como de costume e foi andando para a porta da casa. Num movimento apressado, o tatuado também se levantou indo ao seu lado:
- Espere, eu vou com você.
- Porque deveria? Rukia é minha irmã.
- E eu sou amigo dela! Ao menos ela precisa escutar de nós dois!
Bufando Byakuya concordou sem vontade alguma de brigar no inicio da manhã. Saíram da casa semidestruída pelo vendaval chegando à casa vizinha rapidamente. Na entrada nenhum ruído estranho ou qualquer outro sinal de “perigo” à vista. A expressão de Renji era visivelmente preocupada, mas era melhor do que demonstrar por completo seu nervosismo. Conhecendo Rukia como conhecia, já esperava uma torrente de xingamentos, chutes e pontapés...
Quando viram a garota de pé na cozinha, o ruivo gelou. Byakuya parecia mais calmo, porém escondia a vergonha de reencontrar-se com a irmã depois do que ela... Havia presenciado.
- Rukia! Eu... Você já tomou café?! – Renji começou a gaguejar – Você deveria tomar café! Quer dizer, é a refeição mais importante do dia!
Sem ideia do que dizia, o tatuado continuou o discurso nutricional enquanto a baixinha vinha andando com a cabeça abaixada. Os olhos fechados, a face numa mudez completa, parecendo o frio e calculista irmão, até que, sem aviso algum, ela ergue o punho num soco bem dado no queixo do ruivo o fazendo morder a língua.
- Ai!
Gritou pondo ambas as mãos na frente da boca.
- Há quanto tempo faz irmão?
Perguntou diretamente a Byakuya.
- Poucos meses, nada de mais. Apenas não estava completamente definido o que aconteceria.
- E agora? – indagou cabisbaixa.
- Está tudo certo Rukia. É assim que as coisas são agora.
- Entendi.
Sorrindo, a baixinha abraçou um pouco acima a cintura do moreno enquanto dizia:
- Fico feliz por você ni-sama.
Indo para fora da cozinha, Renji ainda tentou segurar Rukia, mas a pequena lhe deu um belo pisão no pé antes que conseguisse, o fazendo contorcer-se de dor.
Sentando-se numa das cadeiras, o ruivo massageava o pé, enquanto a boca ainda doía.
- Foi mais difícil do que pensei. – Byakuya comentou bufando.
-Difícil?! Só se for para mim! – reclamou Renji.
- Ora, não aja como um bebê chorão. Ela estava muito chateada quando chegamos aqui.
Parando para pensar, nunca havia visto Rukia agir calma daquele jeito, ainda mais frente a uma situação dessas. Provavelmente a garota ficou acordada a noite toda pensando no que vira, e no que aquilo poderia afetá-la. Mesmo não sendo algo que a envolva diretamente, a vida de Byakuya interfere por demais na sua. Afinal, ela passou diversos anos mudando de cidade em cidade, deixando coisas, casas, ou amigos para trás. Qualquer alteração nesse processo deveria ser, no mínimo, levados em conta. Ou ainda, aprofundando mais nessa linha de raciocínio, sabia que a família do professor era bastante retrógrada. Dificilmente veriam os dois com bons olhos. E precisava admitir: ter Byakuya ao seu lado correndo esse risco deixava-o feliz e, contudo, apreensivo.
Erguendo-se convicto da cadeira –apesar de ainda sentir a dor no pé- falou ao moreno indo em direção as escadas do corredor:
- Eu preciso falar com ela.
Byakuya não tentou o impedir. Nem reagiu a frase dele. Apenas concordou com os olhos, começando a preparar uma xícara de chá. Tinha de retornar a sua própria calma se quisesse lidar com suas tarefas diárias. Muitos assuntos do trabalho para resolver, e não podia ficar se dando ao luxo de distrair-se dessa forma.
Depois de três batidas na porta, a morena continuava calada. Do outro lado, Renji falava sem deixar-se intimidar:
- Rukia, eu sei que você está aí dentro, abra a porta, por favor.
- Quem disse que eu estou no meu quarto?
O ruivo pulou num susto fazendo uma careta e pondo os braços para cima, ao ver a pequena atrás dele segurando uma caneca de café.
- Onde... Quer dizer, Rukia, preciso falar com você.
- Você já não disse tudo lá embaixo?
- Quê?! Eu não disse nada!
Revirando os olhos, Rukia comentou o deixando sem graça:
- Foi uma piada, Renji.
Coçando a nuca ainda mais sem jeito, o tatuado pensou novamente no discurso, mas quanto mais o cérebro trabalhava nesse assunto; quanto mais se focava na expressão nula de Rukia, mais se confundia.
- Rukia!
Começou chamando-a pelo nome. E parou por ali mesmo. A baixinha esperou por uma continuação, mas nada veio.
- Rukia!
Repetiu vendo a garota erguer uma das sobrancelhas:
- Sim?
Ela indagou começando a ficar sem paciência.
- Rukia... Rukia... Eu.... Rukia...
Levando um novo golpe, dessa vez na nuca, o ruivo quase foi ao chão, percebendo que havia deixado a garota irritada.
- Fala de uma vez! – berrou a morena.
Ainda com a cabeça baixa, praticamente beijando o chão, Renji cerrou os olhos com medo de encará-la. Respirou fundo, dizendo, por fim, com todas as suas forças:
- Eu amo o Byakuya-sensei!
Da cozinha, o professor tremeu na cadeira cuspindo o chá que estava na boca. Se ouvira direito, se havia escutado mesmo aquilo... Oh meu deus, e se Rukia tivesse ouvido também?! A vergonha lhe subiu pelo rosto deixando-o cada vez mais corado, e o pior disso tudo, é que mal tinha forças para sair daquela cadeira.
Desconcertada, Rukia deixou a boca semiaberta, os olhos arregalados enquanto continuava a fitar Renji naquela posição a reverenciando numa espécie de respeito. Era como se ele quisesse pedir permissão ou algo assim!
- E-eu sei que é uma coisa nova e diferente para você. Isso pode até mesmo parecer precipitado da minha parte, mas eu amo o Byakuya-sensei há muito, muito tempo mesmo! Desde o ensino médio!
Pronto, Byakuya havia desabado da cadeira da cozinha. Sua alma saía de dentro do corpo inerte, indo de encontro à luz. Adeus mundo cruel! Como poderia conviver com essa vergonha?! Renji gritando no andar de cima aos quatro ventos como se aquilo não fosse nada; na frente de Rukia, ou ainda, para toda a vizinhança ouvir!
Agora tinha de procurar um novo emprego... Deus! Queria morrer!
Quanto a Rukia, ela continuava embaraçada na frente do amigo sem saber se o interrompia, ou se continuava ouvindo, ou se simplesmente o ignorava. E por mais que quisesse, não era capaz de mover o corpo um centímetro sequer.
- Eu te juro Rukia! – continuou – Eu só quero ficar com ele para sempre! Não me importo com o que qualquer outra pessoa diga, de verdade! Se o mundo não aceita isso, quero que o mundo vá se ferrar! Mas eu jamais deixaria isso machucar você Rukia... Então por favor, acredite em mim quando eu digo que eu o amo!...
Um novo soco, bem dado no meio da cabeça. O ruivo desabou segurando os galos já formados sem saber como amenizar a fúria da baixinha. Nisso, com a face avermelhada, Rukia falou no mesmo tom de voz elevado dele:
- Eu sei disso tudo seu cabeça oca! Acredita mesmo que depois de tantos anos eu não conheço meu melhor amigo?! Eu sei que você gosta do meu irmão, sei disso desde o ensino médio!
Não, agora sim Byakuya havia morrido – ou no mínimo desmaiado. Da cozinha, escutando toda essa conversa em gritos; descobrir que Rukia já sabia de algo desse tipo é, no mínimo, desconcertante! Oh meu deus! Aonde aquele diálogo vergonhoso iria parar?! O coração do moreno já pulsava acelerado depois de ouvir tudo isso. Quer dizer, deixou um leve sorriso escapar do rosto ao ouvir Renji se declarando daquela forma a Rukia, mas saber que a irmã conhecia sobre os sentimentos do aluno há tanto tempo! Meu deus! Meus deus! Era o fim! Queria morrer... Oh por favor deus livre este pobre homem dessa humilhação!
- S-sabia?!
Renji exclamou ficando confuso e sem graça.
- Claro que sim! Ora essas! A gente sempre andou junto no colégio, acha mesmo que eu não percebia a cara de idiota que você fazia quando olhava pro meu irmão?!
Cara de idiota? Byakuya agora se sentiu desafiado. Como ele mesmo não percebeu as reações de Renji para com ele naquele tempo? Ah! Sentiu vontade de voltar ao passado só para ver a carinha de cachorro pidão jovem do ruivo...
Acordando do rápido devaneio, Byakuya continuou com os ouvidos atentos a conversa, ficando apreensivo, nervoso, encabulado, enfim, um reboliço de emoções e reações que o faziam desejar matar e abraçar Renji ao mesmo tempo.
- Se você sabia porque nunca falou nada sobre isso?! – perguntou Renji.
- E você?! – rebateu a baixinha – Você é meu amigo, porque nunca me disse?!
Renji chegou a abrir a boca, mas fechou logo em seguida. Não tinha uma razão ou motivo em si. Só acreditava ser impossível alcançar Byakuya. Claro, isto se provou um equívoco, mas ainda assim tudo parecia surreal demais.
- Você acha que seria fácil, simplesmente dizer na cara... Que eu gosto de homens... Que eu gosto do irmão da minha amiga?
O timbre de sua voz acalmou-se quase num sussurro mórbido. As íris tremeluziam mirando o parado chão sem forças para erguer-se. Nisso, a pequena e quente mão tocou-lhe o ombro parecendo como um anjo o puxando de dentro daquela pequena escuridão pesando no peito. A luz era tão forte e brilhante, que o ruivo nada pode fazer se não entregar-se a esse calor, cruzando com os cintilantes globos azuis da morena – brilho esse que destoava belamente da cor enegrecida dos seus cabelos.
Num sorriso meigo e gentil, a garota sibilou sincera:
- Você é mesmo um bobo. Me conhece tão bem e ainda fica com medo de coisas assim? Claro que eu ficaria do seu lado, te apoiaria, e continuaria sendo sua amiga.
Boquiaberto, o tatuado quis chorar perante tamanho coração que Rukia possuía. Eram palavras simples, mas tinham tanto poder que o deixavam pequeno frente a ela, mas no mesmo instante, o faziam pertencer aquele gostoso e caloroso abraço fornecido por essas doces palavras.
E depois foi tudo por água a baixo quando a personalidade explosiva da baixinha se manifestou novamente. A mão repousada no ombro o empurrou para baixo, batendo o tronco de Renji contra o piso do corredor. Sem entender nada, Renji ficou desnorteado, vendo a face angelical de Rukia tornar-se uma visão medonha:
- Mas eu ainda vou fazer você pagar por ter escondido isso de mim por tanto tempo. Você, meu amigo, que nunca me disse nada! Vou fazer você pensar direitinho no que fez!
Engolindo seco, o ruivo apenas concordou com ela, sendo liberado da pressão. Finalmente de pé, pode sentir a dor no ombro, na cabeça, no pé, em todos os lugares do corpo. No entanto, havia se livrado dum peso enorme das costas.
Sorrindo para si mesmo, Renji agradeceu a compreensão de Rukia, recebendo o mesmo sorriso de volta da baixinha. Indo, enfim, para a cozinha, desceu as escadas, mas antes, porém, a morena o parou uma última vez dizendo – naquele tom demoníaco de antes:
- E mais uma coisa: se você fizer algo que magoe o meu irmão, eu pessoalmente vou cuidar do seu castigo.
A aura enegrecida por detrás da garota diminuiu Renji no fim da escada. Ele concordou freneticamente com a cabeça antes de deixa-la satisfeita.
Bufou exausto, estalando o pescoço.
- Byakuya-sensei eu consegui...
Ele nem veio da onde o golpe veio, mas quando deu por si estava de volta no chão com uma nova dor de cabeça o amolando.
-S-sensei... – gaguejou.
- Na próxima vez, aprenda a moderar seu tom de voz.
Comentou o professor saindo da cozinha em direção ao seu escritório.
- O que está esperando? – continuou dizendo – Vamos, levante-se e venha! Temos muito trabalho a fazer.
-S-sim senhor...
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Quando saiu do carro Grimmjow xingou meio mundo e mais um pouco até a décima quinta geração. Um engarrafamento horrível o atrasou em mais de uma hora. Respirou fundo ao bater a porta do veículo com força. Queria se acalmar logo, pois Ichigo o encheria de sermões se visse como estava mal humorado logo no início da manhã.
Ventava um vento gelado na rua, e a casa do ruivo continuava repleta de neve, a não ser na entrada da clínica de seu pai e da casa. Chegou a frente da porta limpando os pés no tapete antes de tocar a campainha.
Nisso, um apito veio do bolso do grosso casaco de couro. Puxou o telefone bufando, pois já pensava ser Neriell começando a irritá-lo logo cedo. Disse um “alô” rápido e seco, parando de falar no segundo seguinte.
Saindo do quarto, Ichigo desceu as escadas ajeitando a camisa verde de gola alta antes de atender a porta. Não era muito do seu feitio ficar se arrumando, mas sabia que era Grimmjow do lado de fora, e sabia que estava com cara de sono ainda. Então ao menos suas roupas queria manter alinhada.
Girou a maçaneta como de costume, mas aquele som para Grimmjow pareceu durar horas.
Pois o tempo tinha parado, os sons estavam lentos, e mesmo a imagem de Ichigo demorou-se a se formar diante dele.
Vendo a face pálida do maior Ichigo exaltou-se sem entender porque ele estava ali de pé segurando o telefone. Não havia tentado o “atacar” em nenhum momento. Na verdade, Grimmjow não esboçava nenhum estímulo, assemelhando-se a uma estátua.
Assustado Ichigo tocou de leve seu ombro parecendo o despertar do transe. E então perguntou:
- Está tudo bem Grimmjow?
A respiração quente saía da boca dele formando a fumacinha branca da baixa temperatura. Os lábios estavam separados, mas nenhuma frase saía da garganta – seca devido ao frio. Até que o cérebro foi capaz de sincronizar o pensamento com a indagação de Ichigo. Começando a mover a boca já seca e rachada, ele respondeu quase sem voz:
- Neriell... A Neriell está...
Era Janeiro. Grande parte da cidade havia viajado para aproveitar o clima quente de outras regiões do país, ou simplesmente não haviam retornado das festas de fim de ano. Por conta disso, o hospital estava anormalmente tranquilo. Até que Grimmjow irrompeu as portas de vidros batendo as largas e pesadas botas no chão, enlameando o piso branco da clínica.
Batendo com as mãos no balcão, assustou a recepcionista quando berrou:
- Onde está a Neriell?!
- Q-quem? – ela replicou confusa e amedrontada.
- NERIELL!
Urrou chamando a atenção dos outros pacientes sentados na ala de espera.
- Queremos saber sobre uma entrada recente. – Ichigo interrompeu a linha de visão da recepcionista, afastando Grimmjow dela.
- C-certo. E-eu vou verificar! – respondeu a mulher.
Sem paciência alguma, Grimmjow voltou-se ao corredor do hospital atravessando todas as portas que encontrava pela frente, ignorando os avisos e pedidos da recepcionista, de médicos, enfermeiros, e todo o resto do corpo hospitalar. Ichigo o seguia mais atento as salas com pacientes, mas visivelmente alterada. Ora, preocupava-se igualmente com Neriell, e se fosse alguém de sua família... Ah! Ficaria tão irado, se não mais do que Grimmjow.
Antes de prosseguirem a jornada por todos os cantos do hospital, a recepcionista de antes corria na direção deles segurando uma ficha.
- A-aqui está! – falou chamando a atenção dos dois – O. Tull Neriell. Ela deu entrada há mais ou menos uma hora e está na sala de cirurgia nesse momento.
Segurando ambos os ombros da mulher Grimmjow berrou na cara dela:
- Em qual sala?!
-S-senhor me desculpe, mas ninguém pode entrar...
- QUAL A PORRA DA SALA?!
A voz dele sobressaiu-se feito um trovão ecoando por todos os lados. A mulher começou a chorar de medo e dor, pois os dedos dele agarraram-na de tal forma, que mal conseguia mover-se do aperto. E o timbre daquela voz parecia com a de um animal raivoso urrando, prestes a destroçar qualquer um que entrasse em seu caminho.
De súbito, a mulher foi solta, ao passo em que Grimmjow fora arremessado contra a parede. E lá ficou, debatendo-se raivoso, sendo prensado pelo antebraço de Ichigo – que forçava seu peso contra o peito do maior.
- Grimmjow! – ele gritou o acordando da fúria – Já chega! Não dá para fazer mais nada! Ela está na cirurgia, e nós vamos ficar aqui esperando quanto tempo for preciso; mas agora, pare!
Rangendo os dentes, bufando um rosnando, Grimmjow debateu-se devagar receoso de ferir Ichigo. Quando finamente foi solto, arqueou o corpo para frente respirando pesado.
Depois endireitou o corpo, chutando uma lixeira enquanto gritava um alto e largo “merda”.
A mulher acalmou-se correndo de volta a recepção. Grimmjow sentou-se no primeiro banco que viu pondo os cotovelos nas pernas e apoiando a testa entre as mãos. Ichigo aproximou-se dele ficando de pé recostado na parede a frente do namorado.
Afinal o que estava acontecendo?! Neriell no hospital... Foi só isso que lhe avisaram! Um acidente horrível a levou até aquela sala de cirurgia, e, além disso, não sabia de mais nada. Droga! Ficar ali sentado, impotente, desinformado, tendo de esperar por notícias apenas o enfureciam ainda mais! “Merda, merda, merda!” Xingava mentalmente diversas vezes.
No bolso do casaco sentiu o telefone tremer. Não queria saber de nada agora, não queria falar com ninguém, nem receber mensagem alguma!
Puxou o aparelho o apertando entre os dedos já pronto para arremessa-lo ao chão quando viu a tela brilhando enquanto as letras eletrônicas se formavam no meio dela:
Você tem uma ligação perdida.
Continua
Notas finais
Eu queria n ser tão dramática, mas fazer uq? Eu sou assim >_
Perdoem-me!
Tentarei escrever mais esses dias, pois a fic está nos seus momentos decisivos!
Kisuss meus amores! Até a próxima o
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