Maipetto no Neko

45 Capítulo 45 - Feliz ano novo


Notas iniciais
Enfim amores,prometi a participação do Aizen, nosso querido vilão hahah! Aí está para vocês o/

Estou postando diretamente da minha viagem de fds, aproveitando esse feriado de corpus cristi, então, espero q gostem dessa capítulo!

Boa leitura!

Maipetto no Neko

Capítulo 45 – Feliz ano novo

Trinta e um de dezembro o dia mais esperado de todos os anos. Época de unir os amigos e família, resolver conflitos, fazer pedidos definir metas, e rezar por um recomeço, e até mesmo um templo quase abandonado como aquele recebia visitas; isso Aizen admitia enquanto subia as longas escadas do remoto local. Gin o seguia de perto o guiando pelo caminho de estátuas quebradas, oferendas profanadas e a poeira que subia junto ao vento.

O cachecol de Aizen remexia-se em seu pescoço, mas mesmo assim continuava a manter a compostura de sempre, a face pálida e calma por detrás dos óculos e cabelo desajeitados. Aquela aparência já havia o rendido muitas vitórias; hoje não seria diferente.

Na entrada principal havia uma pequena fonte onde alguns fiéis oravam, regando a estátua do centro com uma pequena concha. Depois batiam as mãos envoltas em colares de reza baixando a cabeça com os olhos fechados numa expressão quase dolorida. Aizen riu daquilo; não era incrédulo, só achava perda de tempo depender do poder divino para alcançar suas metas. Eles deveriam ser usados pelo homem ao invés de serem tão reverenciados. Era exatamente esse seu plano.

- Onde está o velho monge, Gin? – indagou ao subordinado.

- Ele prefere ficar afastado da multidão. Recebe alguns seguidores mais necessitados próximo ao centro do templo, onde mora.

- Certo, certo, então não vamos deixá-lo esperando.

Sentado na pequena varanda um velho senhor de barba longa apreciava a brisa fria da estação. A pouca neve que ainda cobria o chão do templo era aos poucos retiradas pelos mais jovens discípulos. Alguns poucos seguidores mais antigos vieram o visitar hoje, e, apesar daquele templo não carregar mais tanta a gloria de antigamente, assim o preferia, pois dessa forma, podia o proteger mais calmamente.

Mas os ventos daquela manhã mudavam de maneira drástica. Um odor estranho vinha carregado no ar, e seus velhos ossos lhe diziam que uma força obscura achegava-se da tão almejada paz. Os sinos acima do templo rodopiavam feito peões, tocando a música trazida pela ventania.

Do horizonte uma sombra distorcida caminhava devagar numa silhueta retorcida pela própria densidade da energia emanando dele. O homem de óculos e feições amenas em nada enganava o velho monge; ele já havia encontrado muitos outros como ele em sua longa vida, sendo incapaz de se impressionar com qualquer tentativa de demonstrar algum tipo de poder sobre ele; jamais seria subjugado por uma mente tão fraca e egoísta como a daquele homem pomposo, apesar da sua fala mansa ser capaz de driblar os mais desatentos.

Aizen parou diante do velho monge observando a calma com a qual ele prosseguia a meditar. Pôs a mão sobre a boca pigarreando, e disse em seguida:

- Bom dia senhor.

- Bom dia.

Ele respondeu num tom simples, porém firme.

- Gostaria de conversar um pouco, se não fosse incômodo.

- Escutar as aflições alheias é meu dever; prossiga.

Aizen quis rir, mas conteve-se, continuando a falar:

- Recentemente eu ouvi histórias incríveis sobre esse templo maravilhoso. É verdade que ele tem mais de mil anos de existência?

- É o que a história diz. – respondeu secamente.

- Hmm. Entendo. Fascinante. Uma obra histórica como essa deveria receber mais atenção, o senhor não acha?

- O templo recebe aqueles que realmente têm fé; não precisamos nem de mais nem de menos.

- Uma sábia resposta.

O monge nada disse, apenas uniu as mãos no colo tornando a meditar. Aizen não queria admitir, mas a passividade agressiva do velho começava a irritá-lo um pouco. Na verdade, estava acostumado a ter uma maior recepção aos seus avanços... Que seja; aquela atitude desafiadora não duraria por muito tempo.

- Eu ainda ouvi outras histórias, algumas muito interessantes e até mesmo... Místicas sobre esse templo.

As sobrancelhas brancas tremerem sutilmente ao som da palavra final na frase de Aizen. O monge estava certo, ele era um homem perigoso.

- Histórias são histórias; nunca se pode ter certeza absoluta sobre elas. – falou tentando desviá-lo do assunto.

Contudo, já era tarde demais.

- E é exatamente para ter certeza sobre elas que estou aqui, velho monge Yamamoto Genryuusai.

Ele sabia seu nome, aquilo deveria ser um mau sinal. Até onde ele sabia?

- Percebo que fez suas pesquisas. – comentou o monge.

- Antecipação é a chave para a vitória.

- Não nesse caso, infelizmente.

- Oh... Verdade? Por quê? – indagou achando graça.

- Já estou velho demais criança, e a idade me trouxe muitos benefícios, como a paciência, a calma, mas acima de tudo, o desapego. Pode desperdiçar quantas palavras quiser; elas apenas atingiram o vazio.

Puxando os óculos do rosto, Aizen, limpou as lentes com a ponta do cachecol, depois o fechou pondo-o dentro do bolso do casaco. Fez isso enquanto sorria mirando o chão, intrigando Yamamoto.

- Desapego você diz... – Aizen falou — E que abnegação seria essa? Dos prazeres mundanos? Da busca por realização própria? Ou da vida?

O monge abriu os olhos deixando-os num nível mais baixo do que seu campo de visão sendo capaz de observar Aizen dos pés a cabeça. Usava roupas finas, sapatos lustrosos, e carregava a arrogância do poder em suas costas.

- Um homem como você jamais entenderia a renúncia de uma existência voltada apenas à obtenção do equilíbrio. Uma criança que tenta brincar com o mundo querendo o envolver com as mãos feito um brinquedo, mesmo que consiga segurar um globo inteiro, jamais poderá superar a força de um sol; o sol que incendeia; que nos rodeia, e que não pode ser abancado por nada nem ninguém. Um homem que almeja por tanto acaba se esquecendo do calor acima dele, e sempre acaba se queimando.

Aizen bateu palmas estalando as duas mãos em sons contínuos ecoando pelo templo vazio.

- Bravo! – exclamou – Bravo, um belo sermão. Tenho certeza de que seus fiéis o ouviram diversas vezes, lembrando-se do quão insignificante são perante esse... ‘Sol’ majestoso, gigantesco, pairando sobre nossas cabeças. O senhor merece mesmo cada ruga em seu rosto; mostra uma grande experiência mesmo. No entanto, ainda há muito a se aprender nessa vida, meu caro Yamamoto. Veja bem, eu não nego a presença divina nesse mundo, muito menos a ignoro. Eu simplesmente compreendo melhor do que o senhor essas convicções terrenas, essas implicações sobre o certo e errado; pois eu sou necessário ao mundo, de uma maneira, completamente essencial. Entenda, se eu ficasse sentado, o dia todo meditando, como o senhor faz, outro chegaria, clamando o que agora estou querendo. Nesse caso, como os seus próprios dogmas devem tê-lo ensinado nesses fabulosos anos, há, e sempre haverá dois lados para a mesma moeda. Então, o senhor também deve entender melhor, agora, que eu sou exatamente aquilo que eu deveria ser: um ponto de equilíbrio na balança. O senhor procura gerar a igualdade, a bondade, enquanto eu procuro gerar o caos, pois apenas diante do completo caos, os humanos se voltam à benevolência.

Yamamoto baixou o olhar balançando a cabeça em negação:

- Você é apenas um louco procurando distorcer a realidade para que ela se adéqüe ao que quer... As leis do equilíbrio são muito mais complexas, e servem a um propósito muito maior. Elas tratam de procurar em nós mesmos nossas falhas e nossas virtudes, e então poderemos distinguir o certo e o errado. A balança deve trazer iluminação a nós mesmo e aos outros... E não o mal.

- Mal? E que mal seria esse, se venho aqui apenas à procura de respostas?

- O mal que há dentro de você, de alguém pronto a pisar em qualquer um na busca por poder.

- Ora, achei que os homens fossem livres em suas escolhas.

- E são; mas há sempre uma mão clemente pronta a guiá-los para o caminho certo.

- Bem, não discordo disso, mas, sejamos sinceros: o mundo ainda não funciona como no paraíso, ele ainda é sujo e podre. Por isso eu estou aqui, para unir essa podridão e criar uma nova era de paz e prosperidade; à minha maneira, claro.

- Você não é um Deus!

- Mas ainda assim serei adorado por outros nesse mundo, que me seguirão, que serão meus discípulos, e mesmo não sendo Deus, eu serei o mais próximo dele na Terra.

- Palavras impuras... Vejo um destino amargo e sem volta para alguém sem salvação como você.

- Agora estamos conversando monge. Aí está sua real face: um homem que me odeia do fundo de sua alma, e que me mataria se pudesse. No fundo, somos todos humanos, e como tal, devemos seguir nossos instintos. O mais forte sobrevive.

- Você ainda está errado, criança... O mais forte sobrevive... Mas aquele ainda mais forte é o que vive e cuida dos outros; pois a maior de todas as forças é ter alguém ao seu lado com quem compartilhar seus momentos; não um mero espectador das suas vontades, mas um companheiro que o acompanha por admiração e respeito... O respeito foi feito para ser apreciado, no entanto, quando ele é forçado, todo o seu significado se perde, e nenhum ‘sobrevivente’ é capaz de contê-lo... A vida é longa, e creio que em breve você entenderá isso, seja para conduzi-lo a um novo caminho, ou para seu próprio fim.

- Deveria bater palmas novamente às suas belas palavras, mas chega de conversas desnecessárias; vamos tratar de negócios.

Estalando os dedos, Aizen esperou pacientemente enquanto novas sombras andavam a direção dos dois. O monge arregalou os olhos, incrédulo, ao ver seus discípulos serem trazidos à força por outro homem de cabelos brancos e olhos de raposa.

- Como pode ver senhor Yamamoto – falou Aizen – antecipação.

- Mestre nos perdoe... – um dos discípulos falou – Nós não conseguimos evitar.

- Que linda a devoção eles tem. – Aizen continuou – Gin, por favor.

O homem estendeu um papel a ele enquanto apontava uma pistola na direção dos três discípulos de joelhos no chão.

- Vejamos... – Aizen falava andando devagar de um lado a outro — Choujirou Sasakibe, Shunsui Kyouraku e Juushirou Ukitake. Todos estes homens devotos foram os primeiros e únicos a dedicarem suas vidas a esse templo e seus ensinamentos. Muito profundo, anos de amizade e convivência.

- Deixe-os fora disso... – Yamamoto disse envergando o corpo para frente.

- Ora, onde está o desapego do qual você falou monge? Seus discípulos devem conhecer essa lição tão importante... Gin, por favor.

Gin entregou uma arma a Aizen que, encaixou uma nova parte mais longa a boca do cano.

- Eu realmente odeio o estardalhaço que as armas fazem, apesar delas serem... Muito úteis. Gin, tampe a boca deles, os gritos podem atrapalhar.

O homem raposa o fez e, em três rápidos disparos cada bala silenciosa acertou uma das pernas dos três homens ajoelhados, agonizando pela dor da repentina ferida pelos gritos abafados; os rostos vermelhos e as veias saltando devido a força que exerciam ao tentar elevar a voz.

Yamamoto levantou-se com os olhos arregalados. Tensionou os braços, pronto a atacar Aizen, mas o homem continuou apontando a arma aos discípulos, tendo de permanecer imóvel caso quisesse ajudá-los.

- Não precisa ficar tão preocupado os tiros só atravessaram uma pequena parte das pernas, nenhum dano permanente. Assim não vão conseguir correr caso pensem em fugir ou contar a alguém sobre o nosso encontro.

Eles soltavam grunhidos angustiantes antes de Gin remover as mordaças. O mais velho dos três, Choujirou, mirou o velho monge arfando conforme falava:

- Mestre... Aconteça o que acontecer conosco... Não entregue a ele.

O monge rangeu os dentes. Aizen ainda segurava a arma e a situação não podia ser pior. Se tentasse o deter acabaria pondo em risco a vida deles... Estava de mãos atadas.

- Agora, por favor, senhor Yamamoto – Aizen prosseguiu limpando o cano da arma – Me diga onde está o hougyoku?

Um suor frio escorreu da testa do monge. Os discípulos continuavam a se encarar sentindo o sangue escorrer das feridas, sem saber quem era aquele homem, e ainda mais surpresos do quanto ele sabia.

- Como?... – o monge perguntou engasgando a frase.

- Eu fiz minha pesquisa muito bem. – sorriu – Estou ficando sem tempo. Hoje é um dia muito importante e gostaria de voltar a minha casa antes da meia noite para poder comemorar, então, vamos adiantar o processo.

Um novo disparo, o corpo foi ao chão, e o silêncio instalou-se nos dois discípulos restantes. Yamamoto tremeu vendo Choujirou cair inerte no meio do templo. Um dos mais antigos amigos, um dos mais devotos fiéis que já viu, morto em questão de segundos diante de seus olhos...

- Por quê?... – falou com a voz fraca.

- Abnegação, monge, vamos lá, mostre a mim esse tão belo ensinamento. Ele foi apenas um sacrifício pelo bem maior não é mesmo?

- Não se desperdiça uma vida dessa forma! – esbravejou.

- Então vamos conversar mais um pouco, afinal, você só tem mais dois discípulos.

De nada adiantava discutir com aquele homem. A cada minuto perdido a vida de Shunsui e Ukitake poderia ter o mesmo destino... De Choujirou... Havia perdido aquela batalha.

- Deixe-os em paz... E eu lhe entregarei o hougyoku.

- Mestre não! – gritou Ukitake.

- Mestre, nós estamos prontos a servi-lo, Choujirou também. – comentou Shunsui — Não entregue a esse homem...

- Eu já tomei minha decisão. A vida é mais importante do que a proteção desse artefato.

- Excelente! – Aizen falou – Sabia que chegaríamos a um acordo.

Baixando os ombros, derrotado, Yamamoto voltou-se para o templo. Demorou alguns instantes, mas logo retornou com uma pequena caixa de veludo negro em suas mãos.

- Pegue-o, e vá embora. – o monge disse já cansado demais dos jogos daquele homem, desgostoso demais ao ter de observar o corpo de Choujirou ali.

Aizen segurou a caixa abrindo-a. Uma esfera brilhante pulsava dentro dela emanando uma energia poderosa. Finalmente, um passo a mais na direção de seus objetivos. A alegria dentro de si era tamanha que nenhuma palavra conseguiria a descrever.

- Obrigado por sua cooperação, monge. – disse – Mas antes de partir vamos falar sobre como utilizar a jóia.

A respiração de Yamamoto sumiu. Ele sabia demais.

- E é bom não me esconder nada. – continuou – Detestaria ter de voltar aqui e reduzir o numero de fiéis outra vez, afinal, esse templo já está decadente demais.

Horas depois o santuário voltava à monótona tranquilidade. Pouquíssimas pessoas circulavam por ele, perguntando-se do que se tratava a fumaça negra subindo no topo do templo...

Velando o corpo do querido amigo, Shunsui, Ukitake e Yamamoto rezavam por sua alma, sentindo uma profunda tristeza instalar-se neles e nos arredores do templo. Nada seria como antes sem Choujirou... Ele era um dos mais devotos ao monge e, apesar da dor em admitir isso, ele deveria estar em feliz em seus últimos momentos, por ter sido capaz de servir a sua causa...

- Mestre... O que faremos agora?... – Ukitake perguntou acanhado, pois sabia o quanto o monge era apegado ao amigo.

- O poder é uma faca de dois gumes... – respondeu com a voz fraca — Se ele é moldado pelo respeito, então a faca cortará seus inimigos, mas se ele é forçado sobre o próximo, então uma hora, a lâmina pode escorregar, e tudo se perder.

Yamamoto esticou a cabeça para o alto mirando o céu límpido. Tanta bonança e serenidade, num momento como aquele. O universo realmente deveria ter algum senso de humor perverso.

No avião, Aizen desfrutava da paisagem pacata do templo afastando-se. As nuvens atravessavam as asas da aeronave pacificamente e a música dos auto-falantes relaxava aquele dia turbulento.

- Gin, porque tanto alvoroço nesse avião? – perguntou a ele.

- É dia de ano novo senhor. Muitas pessoas viajam nessa época.

- Oh, verdade, tinha até me esquecido. Deveria ter feito um pedido no templo antes de partir, que pena.

- Realmente senhor uma lástima.

Ajeitando os óculos de volta no rosto Aizen apanhou a pequena caixa do paletó sorrindo. Precisava apenas ser paciente, e tudo andaria conforme o planejado.

- Que bela virada de ano Gin. – comentou, fazendo o outro o acompanhar no sorriso.

- Concordo senhor, será um esplendido começo. Mas não devemos tomar medidas provisórias até lá?

- Está tudo sob controle, Gin. Meus dois maiores empecilhos estão; ou numa cama de hospital, ou numa pousada relaxando em seus melhores momentos com o namorado perfeito... Tenho tempo de sobra para elaborar tudo com cautela.

- O senhor pensou em tudo.

- Antecipação, Gin.

Esticando os lábios ao mirar a janela do avião, Aizen continuou a alisar a tampa da caixinha dizendo para si mesmo:

- Feliz ano novo.

Continua

Notas finais
Só um mero detalhe, q eu sei q irá pipocar nos reviews: o hogyoku não tem a mesma função do anime! é o mesmo objeto, mas a função dele será bem diferente na fic =p

Olha o spoiler q estou dando a v6, hein? Sejam muito carinhosos nos comentários, e me digam o que acharam do Aizen

hehehe

Kissus amores, até o próximo capítulo o