Maipetto no Neko
25 Capítulo 25 - Sem romantismo
Notas iniciais
A demora foi devido a capa nova que eu estava fazendo!
Boa leitura, espero que gostem ^^
Maipetto no Neko
Capítulo 25 – Sem romantismo
O beijo era intenso. Na verdade em poucos minutos pareciam ter afogado toda a saudade do último mês. Ichigo escalava nas costas largas de Grimmjow procurando um apoio, mas passou a empurrá-lo ao sentir a mão do outro descendo e arrastando-se para dentro de sua calça.
– Pode parar! – disse o afastando.
– Que houve agora?! – exclamou assustado.
– Não pense que porque eu entendi parte dessa situação toda eu estou cem por cento certo com você!
Revirando os olhos Grimmjow bufou batendo o braço no tronco da árvore onde Ichigo estava apoiado enquanto a outra ficava enfiada dentro do bolso. Arqueou o corpo para frente quase prendendo o ruivo no meio dele, que não se intimidou nem mudou de posição, mas sim permaneceu o encarando com o olhar firme.
– Tu ta de sacanagem comigo, né?! – disse Grimmjow com a voz mais ríspida.
– Não to não.
– Porra! Eu to aqui agindo feito um babaca a noite toda, sendo o mais compreensível possível e você vem e me diz que ainda não se resolveu?!
– A gente não se resolveu.
– Caralho, quanto mais ‘bonzinho’ eu tenho de ficar para você parar com isso?! Eu to me segurando feito um louco desde que te vi! Já não agüento mais! Por mim nós já estávamos sem roupa rolando nessa neve daqui mesmo!
Soltando um rápido riso Ichigo retornou com o olhar sério para ele, porém mantendo os lábios esticados:
– Nossa só agora que eu realmente me senti como se estivesse falando com você e não um clone.
– Muito engraçado... Isso só prova o que eu venho dizendo! Preciso pedir desculpas quantas vezes mais?!
– Não quero mais desculpas, quero só outras respostas.
Ele afastou-se da árvore e andou algumas vezes no mesmo lugar dando as costas para Ichigo e tornando a vê-lo. A paciência estava no limite, afinal, não era seu forte.
– É sério isso?! – perguntou ainda incrédulo.
– Sim.
– Puta que pariu...
Ichigo aguardou que ele terminasse de resmungar e praguejar durante alguns minutos mais, pensando agora em como tinha sentido falta desse lado cabeça quente dele. Era estranho estar mais acostumado com Grimmjow desse jeito furioso, afinal, como ele mesmo dissera, estava sendo muito bonzinho até agora. Talvez bonzinho demais para conseguir enganar Ichigo. Mas ainda assim tinha sido bom ouvi-lo dizer que tinha se apaixonado por ele. Ao menos, o ruivo não era o único.
Grimmjow voltou-se para ele, vendo um sutil sorriso estampado na face de Ichigo. Deu de ombros, pois não tinha mais saco para perguntar sobre as reações dele, pois tudo o que queria era se resolver de vez com o garoto. Bem que Neriell o avisara que não seria uma tarefa fácil. Aliás, precisava agradecê-la depois.
Em sua casa, a própria Neriell digitava um número repetidas vezes no celular apenas tendo como resposta a voz eletrônica da caixa postal. Já tinha deixado inúmeros recados, mas nenhum retorno, e isso tinha mais de quatro horas. Matsumoto podia ser desligada, mas tratando-se de telefones, era bem atenta, e desde o aeroporto a amiga não dava sinal de vida. Roendo a outra metade das unhas, Neriell ficava cada vez mais aflita, indagando-se e imaginando o que poderia ter acontecido com ela. Tentaria quantas vezes fossem necessárias, iria até a casa dela, procuraria por conhecidos, ou nos lugares onde costumava ir, precisava saber onde Matsumoto estava!
– Como sabe meu nome?
Fitando-o sem ação alguma Renji via os lábios de Byakuya se moverem, mas era como se o tempo tivesse parado para ele. Nunca havia estado tão perto dele dessa forma, muito menos teve a chance de falar sobre algum outro assunto que não fosse relacionado aos estudos. Tinha de dizer algo, ou nunca mais teria outra chance como essa.
– Eu... – disse quase sussurrando, procurando pela sua voz perdida dentro da garganta.
– Vou ser bem direto: quem é você, porque esta na frente da minha casa e como sabe o meu nome?
Num instante despercebido pelo tatuado Byakuya havia fechado o guarda-chuva e apontava a parte de metal ponte-aguda para ele, pronto para atacá-lo caso fosse preciso. Procurando por um ponto de equilíbrio, Renji ergueu-se aos poucos para não causar nenhuma desconfiança nele, e ao ficar de pé – segurando-se com força no corrimão – pigarreou e falou de novo:
– Peço desculpas, mas eu não sabia que essa era sua casa Kuchiki-sensei...
– “Sensei”... Acaso é um dos meus alunos? – perguntou mantendo o olhar firme e a face séria.
– Ex-aluno, na verdade... O senhor me deu aula no ensino médio.
– Entendo. Mas isto ainda não explica como veio parar na frente de minha casa. Acaso estava me seguindo?
– O que?! N-não é claro que não!
Deixando as bochechas corarem, Renji baixou a cabeça, pensando em como estúpido deveria parecer sendo um home feito e ao mesmo tempo ficando tão sem graça na presença dele.
– Qual é sua explicação, nesse caso.
– B-bem eu... Eu tenho uma casa nesse bairro... Mas eu me perdi. Estou morrendo de dor de cabeça e me abaixei um pouco aqui tentando melhorar um pouco.
Analisando-o bem, Byakuya o fitou por alguns segundos antes de baixar o guarda-chuva. Pelo estado dele e a voz rouca deveria estar bêbado, ou num ponto muito perto disso. Achava deprimente, mas não estava li para julgar ninguém, só queria saber da estranha coincidência de um dos seus ex-alunos estar parado na frente de sua casa numa hora dessas da noite.
– Nesse caso, me diga qual é a sua casa e terei prazer em levá-lo até ela. Se continuar aqui vai acabar sendo um incomodo para os outros vizinhos.
Ah, ele era realmente um homem sofisticado. Poucos teriam se oferecido para isso e justamente por esse motivo, Renji matutava a cabeça a fim de lembrar o número da casa que por alguma razão tinha lhe escapado da mente.
– Acho... Número quinhentos e sete... Sim, se não me engano é isso mesmo.
– Pensei que nesse endereço morasse uma senhora.
– Sim, ela faleceu há alguns dias e deixou a casa para mim, estou fazendo a mudança ainda.
– Compreendo. Sinto muito.
– Obrigado.
– Agora, vamos depressa, já é tarde, e também quero entrar na minha casa.
– Pode ir se quiser eu vou achar o caminho... – respondeu meio sem graça.
– Apesar de ser a minha vontade, fui ensinado a não dar as costas para os outros, então se puder não me atrasar mais, gostaria que fossemos logo.
Acenando em concordância, Renji via-se numa posição impossível de negar qualquer outra coisa á ele. Talvez fosse sua maneira educada de falar, mesmo que ríspida, ou o simples fato de ter se perdido entre a razão e um desejo fulminante que fazia seu coração saltar para a boca.
Como pode foi caminhando vagarosamente ao lado dele que apenas prestava atenção caso fosse preciso ampará-lo. Ele estava num estado péssimo mas ainda podia andar com as próprias pernas, e Byakuya agradecia por isso, pois não tinha obrigação de ser babá de ninguém.
Em poucos minutos estavam na casa de Renji, e depois de ter revirados os bolsos algumas vezes achou o molho de chaves. Foi até a porta, feliz ao ouvir o trinco se abrindo.
– Agora já pode ir sozinho, se me der licença.
Mal terminou a frase Byakuya já dava as costas para Renji apertando o passo na direção da sua casa. Tentando prolongar mais um pouco daquela situação inusitada, o tatuado começou a falar antes de perdê-lo de vista.
– O-obrigado pela ajuda! Se precisar de alguma coisa, pode me pedir que farei o possível para auxiliá-lo!
Sem obter uma resposta, Byakuya apenas acenou com a cabeça e tornou a caminhar. Terminando de abrir a porta, Renji ajeitou-se no interior da casa onde pode. Por sorte, um sofá velho, porém em bom estado, havia ficado na casa. Jogou-se nele, esperando a tontura passar. No minuto seguinte soltou uma gargalhada longa deixando pequenas lágrimas escorrerem nos cantos dos olhos devido a intensidade do riso. A vida era muito engraçada mesmo. Há pouco estava se queixando sobre os problemas com Ichigo, e agora, tinha acabado de encontrar-se com sua antiga paixonite aguda. O melhor de tudo, era saber que agora eram vizinhos! Realmente, era melhor rir do que chorar de tristeza...
Byakuya entrou em sua casa repousando o guarda-chuva ao lado da porta quando escutou pequenos e rápidos passos vindos em sua direção. Voltou-se para trás e avistou a figura de uma pequena garota trajando pijamas azulados. Coçava os olhos devido ao sono:
– Ni-sama?- indagou Rukia.
– Acordada à essa hora?
– Escutei o barulho da porta se abrindo e vim ver quem era. Porque voltou tão tarde?
– Tive de ficar depois da hora numa reunião com o corpo docente da faculdade, nada de mais. – ele suspirou fundo terminando de retirar o casaco.
– Aconteceu alguma coisa? – indagou conhecendo o rosto de preocupação dele.
– Nada de mais, estou bem. Volte a dormir amanhã você tem aula.
– Okay, boa noite ni-sama.
Ao constatar estar sozinho novamente, Byakuya abriu a porta da geladeira. Olhou-a um pouco, depois a cerrou indo até a bancada onde começou a preparar um pouco de chá. Sentou-se na cadeira, e só agora percebia a mão tremendo um pouco; a respiração um pouco descompassada e até mesmo seu peito parecia pesado. Massageando as têmporas, pensou em como estava sendo estúpido. Recordou-se dos cabelos avermelhados frente à sua porta, e ouviu o som da chaleira apitando. Pegou-a despejando a água dentro da xícara. Os olhos escuros e profundos de Renji ainda estavam cravados na sua mente. Entortou as sobrancelhas e depois de alguns goles do chá, disse para si mesmo:
– Parece que estou revivendo o meu passado...
Longe dali, Ichigo caminhava indo na direção de sua casa enquanto era seguido por Grimmjow, com o cenho fechado, e com cara de poucos amigos. ‘Ele finalmente voltou ao normal. ’ Pensou o ruivo ao vê-lo agora. Realmente foi difícil de acreditar na mudança tão brusca na personalidade dele. Parando para refletir um pouco, tinha de dar crédito á Grimmjow, pois para ter de se portar daquela maneira tão ‘certinha’ significava mesmo que ele queria ajeitar as coisas entre os dois.
Enquanto faziam o trajeto do parque até o bairro de Ichigo, este foi indagando ao outro sobre as pequenas confusões em que se encontraram, antes da viagem dele. De início as coisas estavam bem simples, mas de repente, o assunto tornava-se sério de novo:
– Porque mentiu sobre ter se desculpado com o Renji? – perguntou Ichigo.
– Porra, você quer mesmo que eu responda isso?! – ironizou.
– Sim, é uma coisa que tem me incomodado.
– Primeiro, a culpa dessa merda toda entre a gente é desse cara que resolveu se meter, segundo, desde aquela festa ele tava querendo alguma coisa com você, e nem me venha dizer que não, porque depois daquele beijo fica difícil negar!
– Foi ele quem me beijou. – respondeu, ainda sem mostrar sinal de intimidação.
– Só prova mais ainda que o errado é ele! – esbravejou, vendo Ichigo pedir para que se contivesse mais.
– Ta, eu entendi seu ponto de vista. –respondeu, sabendo que não podia ir contra a lógica de Grimmjow, afinal, ele estava realmente certo sobre as segundas intenções de Renji – Mas você também podia ter me dito que não se desculpou ao invés de mentir!
– Quem quis mentir foi ele, caralho! Eu não ia me desculpar e a merda toda foi armada por ele, porra, temos mesmo de ficar revirando isso?! Não to a fim de falar dessa cara, não quero saber dele, muito menos vê-lo pintado de ouro na minha frente!
– Vai me dizer que está com ciúmes dele? – perguntou, querendo provocá-lo um pouco mais.
Na verdade, estava sendo muito interessante Para Ichigo vê-lo hora tão carinhoso, hora tão irritado. Queria instigar mais esse lado de Grimmjow, pois como já tinha constatado antes, ele só falava a verdade quando realmente se enfurecia.
– To, porra! Será que você ainda não percebeu isso?! Fiquei um mês fora e quando eu volto vejo os dois juntos! É claro que eu estou com ciúme, é claro que eu quero arrebentar as fuças dele! Se pudesse tinha esfregado o rosto dele no asfalto!
Ichigo riu. Uma gargalhada rápida, porém alta, chegando a apoiar as mãos na barriga. Grimmjow arqueou as sobrancelhas tentando entender qual era a graça e acabou deixando de lado a raiva que estava sentindo de Renji para melhor entender o que se passava na cabeça do ruivo.
– Que foi?! – perguntou curioso, e ao mesmo tempo confuso.
– Nada! – respondeu terminando de rir – Só estava pensando comigo mesmo... Não se preocupe.
A expressão de Grimmjow nesse momento era sem preço. Porém mesmo sem entender muito bem o que estava se passando pela linda cabecinha dele, de uma coisa tinha certeza: Ichigo não parecia estar mais tão chateado com ele como antes. Respirando fundo, aproximou-se dele fazendo a risada cessar. Segurou seu rosto com ambas as mãos, e sem pensar duas vezes, deu-lhe outro beijo. Ichigo fechou os olhos, sentindo o corpo aquecer apesar do frio da noite. Com os dedos foi-se achegando da barra do casaco dele e o prendeu ali, deixando os lábios tocaram-se mais, deixando aquela fumacinha recorrente do clima frio escapar por entre uma respiração e outra.
– Estamos bem agora? – perguntou Grimmjow ao afastar a boca da dele.
Ichigo olhou com mais atenção para os globos azuis dele. Era mesmo linda a cor profunda e serena deles. Baixou a cabeça deixando a testa repousar no peito dele. Pensou e repensou algumas vezes, e disse num tom baixo, parecendo um pouco tristonho:
– Só preciso que me diga mais uma coisa...
Revirando os olhos, Grimmjow sentiu a vitória escapar-lhe por entre os dedos. Respirou fundo, e tentando encontrar o que lhe sobrava de paciência, perguntou com os dentes cerrados, e a voz passando por entre eles:
– O que é?...
Levantando o rosto a fim de encará-lo, Ichigo estufou o peito, e perguntou de uma vez – afinal, também queria por um fim naquilo tudo, e se ele mesmo tinha dito que responderia tudo o que quisesse saber, aproveitar-se-ia disso ao máximo hoje:
– Quem era aquela mulher que foi viajar com você?
O tom de voz sério do garoto chegou a deixar Grimmjow um pouco acuado. Merda, ele queria saber de Neriell. Tudo bem, não tinha nada de mais a contar à ele, o problema era saber explicar...
– Olha só, antes de qualquer coisa eu não tenho nada com ela, ta bom?! Preciso de um atestado escrito, uma declaração para confirmar isso?!
O modo irônico dele chegava a trazer boas lembranças à Ichigo, mas não podia se deixar levar por elas, não agora:
– Okay, se você ta dizendo eu não vou discordar, mas porque ela tava viajando com você?!
– Ta com ciúmes ruivinho? – disse, sem poder evitar de fazer a brincadeira.
Deixando as feições sérias, Grimmjow sorriu virando o rosto para o lado evitando uma risada mais alta. Tornou a encarar Ichigo e começou a falar sentindo-se um pouco mais aliviado:
– Ela se chama Neriell, e é a consultora da empresa. Ela viajou comigo porque eu sou um zero à esquerda quando se trata de lidar com reuniões e contratos. Neriell é quem cuida disso, e foi comigo para garantir que eu não fizesse besteira.
– Tipo sua babá? Faz sentido.
Agora quem tinha trancado a cara era ele. Se bem que era verdade...
– Satisfeito? – perguntou por entre os dentes.
– Creio que sim...
– Então... – começou, segurando-o pela cintura e colando a testa na dele. A boca a poucos centímetros uma da outra, e os lábios movendo-se lentamente, deixando o ruivo desconcertado – Será que nós já podemos parar com essa seção de interrogatórios? Porque eu to louquinho para agarrar você.
– Eu...
Sem tempo para respostas e com a face corada, Ichigo só teve tempo de respirar fundo enquanto era ‘atacado’ por Grimmjow. Teve a cintura aproximada da dele, enquanto os dedos apertavam seu casaco tentando encontrar a pele por debaixo dele. A carne da língua de Grimmjow passava por cima da sua devagar, indo de um lado ao outro como se estivesse o massageando. Estalou os lábios nos dele para então retornar ao encontro das línguas num ósculo incansável.
Já era quase três da manhã, provavelmente mais ninguém passava na rua aquela hora, então Ichigo nem se importava com as trocas de carinhos ao ar livre, bem no meio do seu bairro. Podia ver sua casa de relance quando abria os olhos a fim de encontrar a boca de Grimmjow para um novo beijo, mas ela estava completamente apagada.
Segurou de novo o maior pela gola do casaco, e o deixou deslizar as mãos até debaixo de seu cinto, apertando a parte carnuda de trás do ruivo. Deixou um gemido escapar devido ao movimento inesperado, e pode sentir as maçãs do rosto arderem, mas não parou de beijá-lo nem por isso.
Ao menos, grande parte de seus problemas havia se resolvido essa noite, agora, só precisavam aproveitar e matar a saudade um do outro.
Passados alguns longos minutos entre uma troca de carícia e outra, Ichigo finalmente teve forças para sair do abraço de Grimmjow e ir com ele até a porta de sua casa.
– Amanhã você tem aula? – perguntou Grimmjow antes de se despedirem.
– Tenho; aliás, você também, né?!
– Eu ainda tenho três dias de dispensa, vou até lá só para fazer as provas.
– Melhor ir estudar então.
– Quer ser meu professor particular? – brincou, abraçando-o mais uma vez.
– Quem sabe. Se você estudar de verdade ao invés de me agarrar.
– Ah! Mas assim você estraga toda a graça!
Sorrindo Ichigo deu-lhe um último beijo antes de abrir a porta. Despediram-se, e esperou até q eu Grimmjow alcança-se o portão de entrada, mas antes de dar as costas para ele, ouviu sua voz o chamando:
– Ah é quase esqueci de uma coisa.
–O que? – indagou curioso.
– Olha só, eu não sou muito bom nesses coisas, nem gosto de ficar com muita frescura, então se alguém me perguntar, eu vou dizer que nós estamos namorando, ta?
– O que?!
O eco da pequena exaltação de Ichigo chegou a atingir uma grande parte do bairro. Nessa ele realmente o tinha pego desprevenido.
– Funciona assim: se te perguntarem, você diz que eu sou seu namorado, e se me perguntarem eu digo que você é meu namorado, simples, sem complicações nem cenas melosas de filme. Tudo bem por você?
Sutil como sempre, Grimmjow tinha encontrado outra maneira de pegar o ruivo de surpresa, de deixá-lo desconcertado, sem ação alguma. Afinal quem ele pensava que era para falar dessa forma, como se fosse uma propriedade, um acordo?! Como esse cara egocentrista conseguia deixar Ichigo tão puto, e ao mesmo tempo cada vez mais apaixonado por ele?!
Queria rebater aquele comentário, mas o coração batendo acelerado no peito e o rubor na face o impediam disso. É verdade o que dizem, quando você gosta de alguém fica cada vez mais idiota...
– Tudo bem por mim... – respondeu depois de alguns segundos de ausência.
Vendo o sorriso largo de vitória de Grimmjow, Ichigo o viu ir embora, permanecendo parado no mesmo lugar por mais alguns longos minutos antes de entrar.
Subiu as escadas parecendo absorto, como se distante da realidade. Tirou o casaco e o jogou de qualquer maneira em cima da cadeira. Sentou-se na cama e deixou a cabeça cair até atingir o travesseiro. Virou o corpo para cima e fitou o teto branco como se tivesse algo de interessante nele. Com as sobrancelhas arqueadas, disse para si mesmo depois de muita reflexão sobre os eventos dessa noite:
– Isso quer dizer que nós estamos namorando?...
Soltando um rápido riso, terminou de tirar ao menos a blusa e cobriu-se deixando a janela fechada devido ao frio. Realmente, não sabia mais o que esperar vindo de Grimmjow... Mas apesar de tudo, estava feliz.
Foi apenas um mês de distância dele, mas isso bastou para que ambos pudessem amadurecer percebendo as necessidades de cada um, e até mesmo os sentimentos. Quem diria que Grimmjow era capaz disso. Quem diria que um cara violento, egoísta, e possessivo feito ele seria capaz de deixar a vida do ruivo de pernas pro ar ao mesmo tempo em que a deixava cada vez mais interessante. Não demorou, e logo o sono chegou aos olhos de Ichigo, mas dessa vez ele não teve de se preocupar com pesadelos; estava alegre demais para se deixar levar por eles.
Na manhã seguinte, no escritório, Aizen terminava de organizar sua mesa para dar início as tarefas do dia. Sentia o aroma doce do chá sendo feito por Gin do outro lado da sala. Parecia sereno e tranqüilo e o dia começava numa calmaria sem igual. Até as portas do cômodo serem abertos com tamanha violência, que alguns papéis voaram de encontro ao chão:
– Aizen! – berrou Neriell ao chegar a sua mesa.
– Neriell, o que aconteceu, porque tamanho alvoroço a essa hora da manhã?
– Você sabe o que aconteceu com a Matsumoto?!
–A senhorita Rangiku? Ela não está em sua mesa como de costume?
– Não, não está! E nem atende minhas ligações, por isso estou te perguntando, já que ela trabalhava aqui sob sua supervisão: você sabe onde ela está?!
Furiosa e aparentando não ter dormido a noite a inteira, Neriell se exaltava sem pensar duas vezes chamando a atenção dos ouvidos e olhares curiosos do andar para dentro da sala da presidência.
Fazendo um rápido sinal para Gin, ele fechou as portas evitando uma maior confusão. Ergueu-se da mesa e caminhou ate Neriell, que afastou-se dele dois passos para trás demonstrando sua insegurança e hostilidade, caso fosse preciso.
– Minha queria, a senhorita Rangiku trabalha aqui todos os dias de manha e sai no fim do expediente como de costume de todos os outros funcionários. Infelizmente não posso ficar vigiando a todos, por isso peço que se acalme, tenho certeza de que encontraremos uma solução para isso.
– Ela trabalhava na mesa em frente a sua sala, você deve saber de alguma coisa, ou se ao menos ela saiu com alguém, mais tarde, qualquer coisa!
O desespero já havia se apossado dela. Ótimo, era o que Aizen queria, e seus pensamentos iam longe com o deleite da imagem de Neriell fora de seus planos, mas as feições de preocupação e ingenuidade aparentavam o contrário para a mulher:
– Veja bem minha querida, até hoje de manhã, para mim, a senhorita Rangiku estava apenas atrasada para o dia de trabalho, eu não sei o que aconteceu com ela, nem se aconteceu alguma coisa, tudo o que posso lhe informar é que a vi trabalhando no último dia de expediente, e como fiquei até mais tarde tratando de alguns documentos com Gin dentro da sala não tenho como lhe dizer onde ela pode estar. Talvez seja melhor ir até a casa dela, ou perguntar a algum parente.
Gin aproximou-se dela oferecendo-lhe uma xícara de chá. Sentando-se na poltrona, Neriell bebeu o líquido num só gole sentindo a garganta arder, mas sem importar-se com isso. Respirou fundo, e mais calma, disse:
– Tem razão. Preciso saber com os parentes dela, amigos, alguém deve saber de alguma coisa... Obrigada pela atenção Aizen e desculpe-me pelos problemas.
– Não há problema nenhum querida, fique sabendo que irei perguntar aos seguranças se sabem de algo, ou algum colega de trabalho. Cuide da família dela que farei o possível para ter notícias daqui.
– Obrigada Aizen. Melhor eu ir andando.
Despediram-se com um rápido aperto de mão enquanto Gin curvava-se para ela com a típica reverencia dada no templo. Saiu do escritório deixando os dois sozinhos. Aizen retornou a sua cadeira e puxou o telefone do gancho. O segurança lhe confirmava a saída de Neriell do prédio.
– Gin, o que foi mesmo que fez com a senhorita Rangiku?
Sorrindo, ele abriu os olhos de raposa revelando a cor quase prateada deles.
– Ora senhor, apenas fiz exatamente como havia me ordenado: a silenciei.
Sorrindo, Aizen ajeitou a gravata no pescoço puxando um maço de papéis da mesa:
– Bem nessa caso, não há nada que possamos fazer para ajudar, afinal, não tem como saber onde ela está, ou que sobrou dela... Vamos Gin, vamos começar o trabalho, o dia hoje será puxado.
– Sim senhor.
Sentando-se no pequeno sofá próximo a estante de livros Gin digitava rapidamente as palavras ditas por Aizen em seu computador. Corrigiam ações e processos, abriam novos casos, mas o homem de cabelos brancos podia ver claramente o sorriso de satisfação nos lábios de Aizen... E o brilho de prazer em seus olhos.
Continua
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–Bônus-
Notas finais
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Weee!!! Os dois estão juntos de novo!
E agora tem casal novo pintando na área! hehehe
Ainda sinto pena da Matsumoto, tsc...
Enfim, até o próximo capítulo!
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