Maipetto no Neko

15 Capítulo 15 - Sobre o passado e paixões


Notas iniciais
É... Esqueci de mudar a capa xD
Sim, eu mudei pq a história já tá indo pra esses lados mesmo: o morango no meio dos dois!!! N mudei junto com o capítulo 15 pois sou cabeça de vento mesmo =X (Eventualmente vo mudar as capas da Fic, para que ela se adeque mais a história!)
WEEEE!!!! CAPÍTULO NOVO!
Então, começam os problemas: época de prova, atraso na fic! >__
Desculpem pela demora eu tava tendo de escrever menos de uma página por dia, e acabei de acabar, então tá quentinho saindo do forno esse aki!
Espero que ainda tenham saco de acompanhar a história!
Kissus e boa leitura!

Maipetto no Neko

Capítulo 15 – Sobre o passado e paixões

Havia bebido demais. A cabeça doía, o corpo estava mole e o gosto de cerveja misturada com tequila chegava forte em sua boca. Ainda assim, mesmo tendo enchido a cara com tudo o que tinha direito, Ichigo não saía da sua mente. Era tão estranho estar apaixonado pelo amigo sendo que antes sua atenção era voltada apenas para Byakuya. Mas talvez fosse natural, pois qualquer pessoa deseja encontrar alguém para ficar do seu lado. E o moreno... Bom, seu ex-professor era uma espécie de patamar inalcançável. Por mais que tentasse se aproximar dele, ou se igualar, jamais o alcançaria. Já com o ruivo tinha muito mais chances. No entanto aquilo estava indo para uma circunstância além do mais conveniente: tinha realmente se apaixonado por ele; por aquele garoto sempre sério, que quase nunca ri a não ser quando está com seus amigos, que faz as coisas com total esmero, e vai atropelando tudo pela frente até conseguir o que quer... Ichigo era complicado, mal-humorado, um tanto quanto bravinho, mas ao mesmo tempo tinha uma placa enorme na sua testa dizendo: “cuide de mim.” E Renji queria cuidar muito bem dele.

O único problema era Grimmjow. Porque diabos teve de gostar de alguém já “comprometido?” Quer dizer, os dois não estavam namorando, o próprio morango tinha lhe dito isso; num tom entristecido, diga-se de passagem. Verdade. Grimmjow era apenas um obstáculo a ser atravessado. Ele e Ichigo poderiam estar juntos, mas não no sentido mais amplo da palavra. “Okay, eles estavam se pegando há uns três meses.” Pensou quase sentindo um gosto amargo subir em sua garganta, mas... Não eram namorados; o caminho estava praticamente limpo à ele, só precisava de uma chance a mais com Ichigo.

Sem contar os passos foi fazendo o caminho normal até sua casa quando percebeu estar na esquina onde sua rua e a do ruivo se cruzavam. Já eram duas da manhã, ficaria mal aparecer ali agora? Com certeza seria, mas o que importa? Seu senso de certo e errado estava completamente abalado mesmo, qualquer coisa, nessas horas, a bebida era a melhor coisa a se culpar.

Cambaleante foi achegando-se do bairro iluminado apenas pelas luzes dos postes; e completamente deserto, procurando pela casa de Ichigo. Burrice, nem sabia onde era. Mas ainda assim algo mais forte o compeliu a continuar. Apoiando-se nos muros via os números das casas embolados pela visão turva, esperando não ser notado por ninguém, até deparar-se, com grande surpresa e satisfação, na enorme placa em cima de uma casa: Clínica Kurozaki. Não tinha erro — estava no lugar certo.

Porém como saberia onde Ichigo dormia? Podia jogar pedrinhas nas janelas aleatórias, mas e se outra pessoa abrisse o vidro e se deparasse com sua figura bêbada, em plena madrugada? Ele tinha duas irmãs menores, na certa chamariam a polícia, e lá se vai seu resto de noite numa cadeia até conseguir explicar tudo.

Os calcanhares foram indo para trás sem nem perceber. Tentava, na ponta dos pés, enxergar alguma coisa na escuridão dos quartos, mas era impossível da altura onde estava. De costas, não vira as latas de lixo se aproximando, batendo em uma delas e a derrubando, causando um verdadeiro estardalhaço. Tampando a boca, como se isso fosse fazer alguma diferença, correu até a frente do portão da clínica, onde lá ficou esperando que ninguém o tivesse escutado, tal como uma criança após fazer algo errado. Num estalo, olho para as janelas da casa de Ichigo; nenhum sinal de movimentação vindo delas. Que azar...

Escorregou seu corpo até sentar-se na calçada sentindo a cabeça pesar para frente e o estômago revirar. Se continuasse assim dormiria ali mesmo no relento. De relance, lembrou-se do celular em seu bolso. Último ponto de bateria: estava salvo! Desajeitado, começou a procurar pelo nome na tela extremamente reluzente que incomodava seus olhos avermelhados. Apertou o botão verde com as mãos trêmulas ouvindo o sinal da chamada.

- Alô... – disse a voz sonolenta do outro lado seguida de um bocejo.

- Me salva. – respondeu com a voz alterada.

- Renji? O que aconteceu?! – exaltou-se com o pedido repentino àquela hora da noite.

- To na frente da sua casa; não consigo ficar de pé sem ajuda...

O barulho do metal correndo pelas frestas cheias de poeira da vidraça chamaram sua atenção. Virando o pescoço para cima Renji avistou o ruivo apoiado no parapeito dela, e abriu um sorriso sem graça ao mesmo tempo em que acenava para ele fechando o celular.

Aqueceu-se quando o cobertor cobriu-lhe as costas no meio da rua fria. Ichigo o encarava com as sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados: também pudera, aparecendo assim sem mais nem menos na frente dele.

- Você tem algum problema?! – exclamou vendo Renji apoiar a mão na testa devido ao volume de sua voz.

- Eu saí... Bebi demais... Só isso...

- ‘Só isso!?”São duas e meia da manhã Renji! Ta todo mundo dormindo, e você bêbado em plena madrugada de sexta-feira!

- Desculpa... Quando eu percebi já estava na frente da sua casa... Não fiz por mal... – baixou mais ainda a cabeça com a dor dilacerante invadindo seu cérebro. Latejava ainda mais com o sermão do ruivo fazendo-o apertar as laterais da testa.

- Não é disso que estou reclamando, eu não me importo de você vir aqui, mas fico preocupado que se entupa de bebida desse jeito! Pense mais na sua saúde!

Era um sermão, com certeza. Mas não pode evitar o leve sorriso brotando em sua boca. Havia ficado contente com a angústia do ruivo.

Bufando, Ichigo foi ao seu lado estendendo a mão para ele. Ao se levantar e quase cair, Renji viu seu braço ser posto em volta do pescoço do menor. Apoiando-se nele, foi indo até a porta de sua casa. Era a primeira vez que ficavam tão pertos assim um do outro...

- Vou te deixar ficar aqui essa noite, mas você fica me devendo uma. – falou enquanto subiam vagarosamente as escadas devido à quase quedas do maior.

- Obrigado. – respondeu um tanto quanto sem jeito.

Chegando ao quarto, Ichigo tentou livrar-se do braço de Renji para puxar um cobertor e um travesseiro no armário e fazer um espaço improvisado no chão descente para ele, porém o desequilíbrio cambaleante das pernas alternadas dele apenas deu-lhe tempo de ir até a cama, ficando com metade do seu corpo debaixo do tatuado.

- Desculpe... – falou Renji embolado sem mais energia alguma para continuar a mover-se.

- Renji! Eu to ficando sem ar!

Empurrando-o um pouco para o lado pode encostar a lateral direita na parede, porém o braço de Renji ainda continuava sobre seu ombro e parte do peito. Ao mirar seu rosto e vê-lo já dormindo, uma sutil veia saltou-lhe da testa, mas preferiu não se incomodar com isso agora, afinal, em pouco seu despertador tocaria o chamando para ir à faculdade. Poderia socar a cara dele depois.

Mas... Os pensamentos distantes não o deixavam dormir e os olhos insistiam em encarar a face calma de Renji adormecido. Apesar das suas tatuagens causarem um efeito como se sua feição fosse sempre séria, ainda assim, podia ver a quietude estampada nele. A respiração estava bem próxima da sua, afinal a cama era de solteiro. E o cabelo cor de fogo tinha se soltado em algum momento de sua aventura, adornando as bochechas dele, contornando o desenho de seu maxilar com os fios lisos embolados um no outro quase como numa pintura delicada. Um deles caía sobre sua boca entre aberta ressaltando a tonalidade rosada delas. Seus lábios também eram bem volumosos, chamativos, instigantes...

Com as maçãs do rosto coradas, Ichigo virou bruscamente a cabeça para a outra direção. No que ele estava pensando numa hora dessas?! Tudo bem, talvez o sono já estive o afetando demais. Precisava dormir o que não tardou a acontecer, pois havia ficado cansado.

O silêncio do cômodo só era quebrado pelo tique-taque repetitivo do relógio, o qual Renji olhava sem piscar. Já havia passado uma hora desde quando perdeu o sono, afinal, como poderia relaxar estado tão perto assim do ruivo, e ainda: deitado na mesma cama que ele?!

Tinha quase desmaiado ao entrar em seu quarto pelo nervosismo, o que também o havia feito ficar envergonhado na subida até ele agradecendo a bebida disfarçar o rubor abaixo dos olhos; por Deus! Era o quarto dele!

Ao ver a cama nem pensou duas vezes em jogar-se nela e esconder-se no meio do travesseiro. Só não esperava embolar um pé no outro e acabar arrastando Ichigo. Agora, o melhor era fingir que havia dormido para evitar uma confusão maior. Estranho... Podia sentir quase como se uma presença o observa-se — a vontade de confirmar isso foi absurda, porém manteve os olhos cerrados. Era só uma impressão tola. Ah! Mas o cheiro de Ichigo tão próximo dele! Sentindo seu peito mover-se pela respiração. Era quase como uma tortura! Foi então que teve a brilhante idéia de voltar sua atenção para o relógio na escrivaninha perto da cama. Tedioso ao extremo.

Ao perceber que o outro tinha adormecido, devagar, foi retirando o braço de cima dele, e para isso apoiou-se com o cotovelo no colchão. Por um segundo ficou numa elevação um pouco acima da de Ichigo sendo capaz de ver sua face com mais clareza. O bom senso abandonou-o por completo ao por a mão sutilmente sobre aquele cabelo laranja. Fez-lhe um cafuné vendo suas expressões irem se tornando mais amenas com o carinho. Deslizou os dedos para sua nuca onde com a ponta deles escorregava até o começo de seu pescoço para então retornar a afundar na parte de trás de suas madeixas.

Deitou a palma da mão no lado voltado para cima e com o polegar acariciou as maçãs de seu rosto; e qual foi sua surpresa ao notá-lo virando a cabeça para sua direção, num sono um pouco perturbado; por ele. Os narizes quase se roçavam e mesmo com a possibilidade de despertar o ruivo, não conseguia parar de segurá-lo, como se quisesse mantê-lo ali para sempre.

Sua consciência não mais existia. Quatro e trinta e cinco da manhã, Ichigo dormia profundamente, não iria nem percebê-lo. Sua visão analisava cada detalhe minucioso de seu semblante. Seu cabelo, longo e solto, deixava as pontas tocarem as bochechas dele de leve fazendo-lhe cócegas ligeiras. A respiração quente... O cheiro que de novo invadia suas narinas com mais furor... A boca um tanto quanto seca devido a pouca umidade; mas não menos bela por isso.

Passou a língua sobre seus próprios lábios os umedecendo. Foi baixando o tronco até a altura do menor. Fechou os olhos, e esquecendo-se de qualquer pudor, roubou-lhe um beijo, permanecendo junto da boca carnuda de Ichigo por quanto tempo pode. Um calor subiu-lhe da ponta da cabeça até o final de suas costas. O coração acelerado procurava espaço no interior de seu peito tentando saltar para fora. Estava ficando quente, assim como a temperatura da boca de Ichigo. O tique taque do relógio prosseguia e depois de ouvi-los por mais algumas vezes retornou para trás constando que o sono do ruivo era pesado, mas acima de tudo: que seu gosto era deliciosamente perigoso. Lambeu o canto da boca pensando se seria prudente repetir a ação. Ora, já estava ali mesmo! Se aproveitar mais um pouco não seria pecado – mais do que já era. Dessa vez adiantou sua língua para tocar-lhe, no entanto, parou milímetros no ar ao avistar a boca do ruivo movendo-se e um nome ressaltar de sua voz dorminhoca:

- Grimmjow...

Estagnado, fitou-o firmemente antes de deitar-se ao seu lado de novo, dessa vez encolhendo-se de costas para ele. É claro. Ele tinha de atrapalhar mesmo quando não estava por perto... Levando os dedos à boca e passando-os de um lado a outro dos lábios, ainda pode desfrutar dos resquícios de Ichigo neles. Não podia ver, mas seu rosto estava extremamente corado nesse instante. E foi quando caiu no sono.

- Renji eu também tenho de tomar banho! – falou sussurrando do corredor.

- Calma Ichigo, eu já to saindo! – respondeu no mesmo tom do outro.

Acordaram mais cedo para poder evitar qualquer pergunta de sua família. Parando para pensar agora era a segunda vez que um estranho dormia na sua casa e precisavam ficar à surdina. Porém com Grimmjow fora mais fácil: ele apenas trocou de roupa e saiu. Mas Renji precisava de um banho, ou o cheiro de álcool jamais sairia dele.

Ao ouvir o trinco da porta se abrindo, Ichigo já se preparava para dar um murro no meio do peito dele, mas parou; imóvel, ao deparar-se com a imagem de Renji apenas com a toalha branca amarrada na cintura, outra sobre o cabelo desgrenhado, e as gotas de água ainda lhe escorrendo os músculos do abdômen, dos braços ressaltados; ele era tão definido assim?! Sem contar nos fios de suas madeixas soltas coladas ao corpo um pouco moreno de sol dele. E as tatuagens. Ele tinha tantas percorrendo os cantos mais minuciosos e detalhados...

- Que foi? – perguntou confuso ao ver Ichigo parado na porta sem expressão alguma.

- N-nada! Deixa eu tomar meu banho logo! – empurrou-o entrando no banheiro e fechando-o em seguida; tinha deixado as bochechas corarem.

Merda! Porque estava reparando tanto assim em Renji?! Nunca havia feito isso antes! Ta certo, só descobriu recentemente que era atraído por homens... Talvez era isso, afinal, se fosse uma mulher bonita saindo de um banho só de toalha, também ficaria admirando embasbacado. Mas... Renji era seu amigo... Entrou debaixo d’água sentindo-a bater nas costas desviando-se de qualquer um desses pensamentos; logo de manhã já tinha problemas!

No templo Grimmjow admirava suas olheiras no espelho. Dois belos pares de sombras negras que se encaixavam na sua fisionomia como se fizessem parte dela. Saco! E tudo por culpa de Aizen e sua idéia de viajar no meio do período da faculdade; local para o qual, aliás, estava atrasado.

Puxou uma roupa qualquer do seu armário, vestindo a jaqueta de couro de sempre e os coturnos; claro e a calça jeans escura. Ajeitava o cabelo bocejando algumas vezes, quando avistou as curvas mais delineadas e chamativas que já conhecia parando ao seu lado:

- Neriell?! – exclamou surpreso.

- Saudades? – brincou vendo-o bufar.

- O que veio fazer aqui logo de manhã?

- Acompanhar você a uma loja de roupas.

- Hein?!

- Para a sua viagem, tolinho! O Aizen-sama já me informou de tudo. Precisamos arrumar alguns ternos e roupas sociais para as reuniões, afinal, nem todas serão feitas num ambiente de escritório.

- E desde quando você é minha estilista particular?

- Ora Grimmjow, desde quando eu não sou sua particular? Em tudo, praticamente.

- Tudo é? – sorriu sarcástico envolvendo o pescoço dela com o braço.

- Quase tudo. Um dos meus cargos foi tomado por certo garoto ruivo.

- Ei!

Gargalhando a mulher curvilínea e seu vestido tubinho branco; salto alto cinza de quinze centímetros, entrou no carro de Grimmjow batendo no banco do motorista ao lado dela fazendo menção para o maior sentar-se. Jogando os cabelos para trás, ele entrou no veículo girando a chave na ignição. Um longo dia o esperava pela frente.

- Ichigo, eu to com fome! – reclamava Renji no meio do caminho para a faculdade; parecia uma criança às vezes.

- Tem uma lanchonete aqui perto, fica tranqüilo, estamos mais do que adiantados para a aula.

- Porque você é desesperado e nos acordou às seis da manhã.

- Se fossemos mais tarde meu pai iria acabar nos vendo, e explicar que te achei bêbado na frente da clinica dele não ia ser muito legal.

- Ta eu já pedi desculpas por isso!

- Então para de reclamar e vamos logo, também estou com fome.

Tornando a caminhar, a conversa chegou num ponto mais alegre e logo estavam rindo ao chegar a lanchonete. Pediram o café da manhã básico do cardápio, e poderiam demorar o quanto quisessem, afinal, eram sete horas e a aula só começava as nove; a faculdade ficava a poucos metros dali.

Saindo do carro Grimmjow abriu a porta para Neriell, uma educação automática sua, reparando na reação exagerada dos outros à sua volta ao vê-la pondo os pés para fora. Tudo bem, ela era extremamente atraente, mas achava que as pessoas não sabiam como disfarçar uma olhada mais detalhada. Andaram juntos pela calçada procurando pelas tais lojas onde seria guiado a um banho de guarda-roupa. Porque mulheres gostavam tanto de comprar?

Mediram alguns ternos e blusas sociais pedindo que fossem consertadas imediatamente para o fim da tarde, afinal, Aizen ajeitaria tudo para que sua viagem se seguisse no final de semana. Grimmjow ficou com o cenho fechado durante todo o tempo. Além de ser tudo muito entediante e desnecessário, preferia mil vezes estar na faculdade onde poderia encontra-se e conversar com Ichigo com mais calma. Teria apenas hoje para se despedir dele, e tinha muito a lhe falar ainda.

- O café está sem açúcar. – comentou Renji fazendo uma careta e buscando pelo pote à mesa.

- Café muito doce é ruim.

- Mas amargo é pior.

O papo era monótono devido ao sono de ambos, mas isso não atrapalhava a convivência deles. Ichigo saboreava um sanduíche junto de um cappuccino. Não era de tomar dessas coisas mais elaboradas, mas de vez em quando era bom. Renji tomava um expresso com bastante espuma – pedido seu – e um misto quente. Sentaram-se no canto da janela e observavam o movimento apressado das ruas; pessoas indo ao trabalho, crianças correndo para a escola, os carros diversos já buzinando em seus ouvidos, o clima básico de uma manhã de sexta.

O cabelo azulado, porém, chamou-lhe a atenção, destoante no meio da multidão repetitiva, com seu ar de imponência no andar. Mas além dele outra cabeleira o acompanhava, esverdeada, longa, e bem chamativa. Os braços dela agarravam o de Grimmjow como se fossem um só, rindo e falando-lhe ao pé do ouvido às vezes, fazendo-o a acompanhar com um comentário aleatório ou outro. Pareciam ser bem íntimos.

Baixou a caneca da boca e seus olhos incrédulos arregalaram-se por reflexo e seguiram-nos até entrarem em uma loja, aliás, carregavam diversas sacolas, como se estivessem num dia qualquer e feliz de um casal, conversando, sorrindo e aproveitando a companhia alheia... Sim, eles pareciam um casal, alegre e saltitante pelas ruas. Seria isso mesmo? Quem ela era? Daquela forma como se movia, a mulher parecia conhecer muito bem Grimmjow, não era apenas uma qualquer a qual meramente falava às vezes.

Nunca havia ficado com ele assim antes. Quer dizer, não era como se pudesse simplesmente passear no meio das pessoas ao lado de outro homem. Inveja? Talvez sentisse isso ao vê-los dessa maneira. Se um dos dois fosse uma mulher, assim como aquela de cabelos verdes, nada disso seria necessário, esse segredo, esses encontros escondidos, essas incertezas.

Porque não a conhecia? Ou melhor, porque Grimmjow não comentara nada sobre ela? Na verdade eram poucas as pessoas das quais o outro dizia à ele, sobre sua família principalmente, ao passo em que a sua era um livro aberto. Até mesmo seus amigos mais próximos lhe eram familiares, Ishida, Chad, Inoue. Ainda assim, Grimmjow nunca tinha falado-lhe de suas amizades. Ou dela... O café ficara amargo, não pela falta de açúcar, descendo já frio pela garganta pelo fato de ter ficado com a caneca erguida diante de seus lábios o tempo em que pode mirar os dois do outro lado da rua.

Renji pareceu não notar sua atenção repentina, pois estava entretido com os pacotinhos de açúcar despejando metade deles na sua xícara.

Uma pontada atravessava seu peito num sentimento de traição pois se fosse de alguma importância à ele, no mínimo, saberia mais sobre a vida particular de Grimmjow. Ou seria tão insignificante assim à ele?

- Neriell, esse já é o terceiro terno que eu experimento! – reclamou Grimmjow, sem poder mover-se livremente devido as mãos apressadas do alfaiate medindo seus braços enquanto ficava num banquinho acima do chão admirando sua frustração no espelho.

- Eles precisam ficar perfeito até amanhã cedo, Grimmjow, pare de fazer birra.

- Não é birra, eu não sou uma criança! Só não entendo para que tantos ternos!

- Você vai ficar um mês fora, pretende usar a mesma roupa em todas as reuniões? Além de ser bem anti-higiênico, é ruim para sua imagem.

- Porra, mas três ternos?! Nunca mais vou usá-los!

- Pelo contrário: correndo tudo bem nessa viagem esse será seu novo uniforme de trabalho.

- Quando você fala desse jeito tenho vontade de estragar tudo de propósito.

- Apesar de saber que é bem capaz de fazer isso, eu confio que você não o deseja, afinal, é a empresa dos seus pais.

Merda a mulher o conhecia bem. Pena, não tinha como fazê-la cair na pilha ou simplesmente arrumar uma desculpa para deixar de lado essa palhaçada toda. Um mês inteiro em outro país... Nem lembrava a última vez na qual usufruía dos seus dotes lingüísticos; benditas aulas de inglês, agora eram sua principal aliada.

- Pronto senhor, pode retirar a roupa. – disse o alfaiate vendo a expressão de alívio dele ao tocar o piso de novo.

- Depois vamos para a próxima loja. – comentou Neriell fazendo-o voltar-se para ela apressado.

- Outra?! – exclamou alterando a voz.

- Sim, você deve ter pelo menos um terno para cada dia da semana, sem contar nas vestimentas causais.

- Isso é sério? – indagou com a voz manhosa e enfurecida.

- Sim, e também vamos precisar ir a algumas lojas femininas.

- Para que?

- Para comprar uma bolsa que combine com seus olhos. – ironizou — Que pergunta! Para mim, oras. Afinal, eu não posso te deixar bem vestido e aparecer que nem um trapo do seu lado.

- Como é?! – berrou no meio da loja em sobressalto, chamando a atenção para si, mas sem importar-se com isso.

- Qual o problema?

- Você vai comigo?

- Claro que sim! – respondeu como se fosse apenas natural que assim o fosse — Ou você esperava ser deixado sozinho no meio dos abutres que são os gerentes e proprietários nas reuniões? Além do mais, eu sou a consultora da empresa, ou já se esqueceu disso?

- Não é como se eu tivesse me esquecido, apenas não me foi informado!

- O Aizen deveria ter falado.

- Pois bem, ele não disse.

- Que seja! Não é como se isso fosse o atrapalhar ou qualquer coisa do tipo. Agora troque logo de roupa e vamos indo, quero terminar antes do almoço.

Dando um grunhido contido de insatisfação e bagunçando os cabelos de todas as formas possíveis, foi andando em passos pesados, e propositais, até a cabine onde outros exemplares de ternos e camisetas nem um pouco próximas de seu estilo particular o aguardavam para ser experimentadas.

Droga! Não era hora para ficar se lamentando. Precisava o quanto antes terminar esse dia de shopping antes do fim da tarde, ou nem teria chance de explicar a situação toda à Ichigo; que nem por um segundo saía de sua cabeça, num sentimento de angústia, como se precisasse vê-lo... Era uma intuição tão estranha e incomoda que mal podia esperar para livrar-se dela. “Okay, força, só mais algumas trocas de tecido e adeus dia de mulher da porra!” Pensou, animando a si mesmo.

O silêncio instalado entre Renji e Ichigo era formidável. Nenhum dos dois atrevia-se a dizer algo; O maior devido ao sono e a ressaca maldita, e o morango pela cena matinal nem um pouco agradável. A calçada até a faculdade parecia durar quilômetros, e saber que a primeira aula seria de cálculo não ajudava.

O café parecia ter tirado um pouco da cara de exausto de Renji, pois em pouco tempo já aparentava melhora. Chegaram a sala tão cedo que encontraram apenas os alunos mais dedicados á espera do professor. Ichigo resolveu por puxar o caderno revisando a matéria para as provas, afinal, o melhor era ocupar-se de algo. Aproveitava para explicar outros detalhes das fórmulas à Renji, e passaria assim o resto do dia, fugindo de seus próprios pensamentos e infinitas deduções.

Porém por suas próprias preocupações não percebera os diversos olhares do tatuado em sua direção, apreciando a vista e principalmente delineando com os olhos o formato de seus lábios, lembrando-se do sabor do beijo roubado. Queria repetir a dose, mas sabia que precisava de uma oportunidade melhor, alguma abertura de Grimmjow para tal, mas quanto ao morango já havia se decidido. Balançou de leve a cabeça afastando essas idéias – por enquanto.

Neriell pegara um táxi para voltar até a empresa onde terminaria de ajeitar a papelada para a viagem de Grimmjow, enquanto este corria para seu carro esperando encontrar-se com Ichigo antes dele deixar a faculdade. Não pode deixar de claro, xingar a mulher duzentas vezes pelo dia desperdiçado com compras fúteis e sem sentido algum, escutando um sonoro “vai a merda” vindo dela. A risada sarcástica foi inevitável depois disso, ela sabia lidar com ele. Girou a chave na ignição e com toda vontade, acelerou saindo do estacionamento da loja.

Aquela típica cor alaranjada do fim da tarde formava-se no horizonte escondendo a pontinha do sol por trás das nuvens densas e carregadas, indicando uma chuva iminente. O tatuado queria porque queria continuar por mais tempo junto de Ichigo, porém ambos tinham seus afazeres da faculdade, e Renji tinha de dar um pulo no emprego de meio período para resolver um assunto pendente; quem diria, ele trabalhava! Era uma loja de cd´s de vinil, que na verdade, fazia bem a cara dele. Mas só ficava por lá quatro dias da semana no caixa, até as dez da noite quando fechavam.

Puxando os fones de ouvido da mochila e prometendo que passaria na tal loja depois para ver onde o amigo trabalhava despediram-se, e Ichigo pode passar o arco negro por sua cabeça deixando o volume alto preencher seus ouvidos.

Sentia quase se como um eco distante o chamasse, mas ignorou isso achando ser um efeito colateral da música reverberando e chegou até o ponto de ônibus assim. Só prestou atenção mesmo quando viu aquela mão se aproximando fazendo pressão com os dedos na dobra de seu cotovelo.

- Porra Ichigo! –bradou o maior arfando pela corrida.

- Grimmjow?! – disse baixando os fones, surpreso – Que houve?

- Tava te catando feito louco lá na faculdade, mas finalmente te achei; vem comigo, precisamos conversar.

As imagens da manhã saltaram como uma piada chata e insistente que teima em ficar gravada nas linhas de pensamento. Um desconforto e insatisfação fizeram suas pernas retesarem um bocado, mas acabou por segui-lo até o carro, deixando-se levar para um restaurante onde podiam sentar-se numa mesa de canto e falar à vontade. Pediram apenas bebidas, pois nenhum deles tinha fome.

- Ta tudo bem? – indagou Ichigo, cortando o silêncio e dando abertura para Grimmjow começar.

- Não muito. – respondeu de imediato tomando num gole o copo d’água; raro ele não ter pedido álcool.

- Essa conversa é sobre isso? – parecia já estar esperando por alguma má noticia, envolvendo certa pessoa de cabelos verdes...

- É. – enchendo seu copo prosseguiu – Tem uma coisa que preciso contar à você, Ichigo.

Não havia começado da melhor maneira possível para tranqüilizar o morango – na verdade aquelas palavras soavam quase como se ele fosse fazer uma revelação difícil, resultando em uma separação azucrinante e inconveniente.

- O que é? – falou tentando não parecer alterado, mas sim curioso.

Bebendo mais Grimmjow respirou fundo, e foi rodeando com o papo até conseguir se expressar:

- Antes de qualquer coisa saiba que não te contei antes, pois eu queria falar sobre esse assunto com mais calma num momento certo. Não é como se eu estivesse tentando te esconder ou algo assim, é que para mim isso é apenas uma obrigação que tenho para com minha família.

- Como? – “família?” Pensou. As coisas pareciam mudar de âmbito.

- Lembra quando comentei sobre meus pais?

O ruivo meneou que sim com a cabeça já percebendo o quão sério deveria ser aquilo, pois envolvia uma parte do passado de Grimmjow que ele não gostava de ressaltar.

- Bem, acontece que quando eles eram vivos, fundaram juntos, na juventude, uma empresa de advocacia; meu pai era advogado e minha mãe empresária. Completavam-se muito bem. – sorriu de canto de boca sem nem perceber com a última frase — Acontece que inesperadamente o negócio deu muito certo nas mãos deles e hoje essa firma é uma das mais famosas do Japão, América e Alemanha.

- Hã?! – exclamou o morango arregalando os olhos em surpresa e chegando o tronco para frente, pondo as mãos sobre a mesa mostrando o quanto aquilo era muito inesperado, até engasgou um pouco, porém não teve tempo de retrucar nem indagar nada, pois Grimmjow continuara como se já tivesse planejado todas as falas e quisesse as desabafar de uma vez só em um discurso, sendo forçado a fechar sua boca semi aberta e tornar a ouvi-lo.

- Eu fui o único filho deles Ichigo, e bom, a lógica se faz por si só: eles morreram, e agora eu sou herdeiro dessa mega-empresa. Eu realmente não me envolvo muito com os assuntos dela porque o meu tutor cuida de tudo para mim como presidente provisório para que eu possa terminar a faculdade, mas existem coisas que apenas eu posso fazer devido ao meu nome representar toda a companhia.

- Deixa eu ver se entendi. – comentou o menor cortando sua fala tentando organizar as revelações de agora – Você é assim... Rico? Tipo tem uma empresa e só me diz agora?

Não estava bravo com ele, apenas chocado de certa forma, traído, como se fosse apenas um mero detalhe em sua vida, sem merecimento para nada.

- Detesto ficar atrás de uma mesa de escritório o dia todo cuidando de formulários, casos, relatórios, só de pensar me dá náuseas. Juro que minha intenção jamais foi esconder algo essa magnitude de você; aliás, eu te confiei um segredo maior ainda que esse.

Encarando a verdade daquilo Ichigo aquietou-se pensando o quão tolo havia sido por ter passado o dia especulando teorias ridículas sobre Grimmjow. Okay, ele queria e ficava puto por não saber mais de sua vida, mas não era como se ele fosse uma incógnita: sabia de seus poderes, da lenda de sua família e que seus pais haviam falecido. Além do mais, recentemente ele tinha ajudado muito com seus problemas e tinha se esquecido que Grimmjow possuía seus próprios. Respirando fundo para concentrar-se nas informações novas Ichigo assimilava tudo da maneira mais calma possível... À ele...

- Cara eu compreendo tudo isso... Mas, sei lá... Podia ter tocado no assunto mais cedo, ou pensou que eu não entenderia?

- Nem eu me importo com isso, Ichigo. Se eu pudesse deixava o meu tutor cuidar de tudo até me dar na telha de assumir; mas isso é uma coisa que legalmente não há como eu fazer. O nome da empresa está nas minhas costas e se eu não cuidar dela, o legado dos meus pais vai desaparecer por minha causa. – pausando um pouco e mirando o menor viu o ruivo menear a cabeça em sinal de aprovação – Pelo menos isso eu quero manter vivo.

Balançando os cubos de gelo de uma borda a outra, o cenho de Ichigo permanecia franzido entretido com a brincadeira tola. Até finamente se dar conta de um detalhe:

- Você disse que estava esperando um momento mais oportuno para me contar. – ergueu o rosto a fim de encará-lo – O que houve para falar agora?

Respirando fundo Grimmjow jogou os cabelos para trás – ótimo, seu sinal corriqueiro de irritação ou nervosismo — soltando o ar quente pela boca embaçando o vidro gelado da água que acabava novamente.

- Recentemente tenho tido problemas para agradar os chefões das outras filiais. – começou com a voz rouca depois de finalizar o copo – Eles vêm pedindo minha presença em diversas reuniões e mesmo meu tutor tentando acalmá-los, aquelas raposas insistem em me ver, ou então vão debandar.

- E o que isso significa?

Com as sobrancelhas arqueadas o maior mirou Ichigo com certo pesar antes de prosseguir:

- Terei de viajar para fora do país durante um mês. – falou por fim.

O gelo fez um último movimento antes de parar. A expressão do ruivo era de descrença, pasmo com aquilo como se pudesse ser irreal ou algo do tipo. Quer dizer, não era o fim do mundo, mas ainda assim o desgosto não pode ser impedido de chegar à ele, dando-lhe pontadas repetitivas em seu peito, como se tentassem perfurá-lo.

- E por isso resolveu me contar. – afirmou com a voz mais forte.

Era impossível não pensar algo assim, afinal, ele mesmo dissera que aguardava por uma melhor hora, ou seja: apenas por um fator inesperado o fazia agora. Não que fosse errado, mas poderia ser ao menos em outras circunstancias.

- Não podia simplesmente sumir sem te falar nada. – comentou Grimmjow.

- Porque pretendia fazer isso? – interrompeu-o rispidamente.

- Não porra! Como se eu fosse dessas merdas! – esbravejou batendo com o copo na mesa, mas acalmou-se em seguida ao ver o olhar firme de Ichigo sobre ele.

Sabia que deveria ter contado tudo á ele, não era um segredo nem nada, apenas... Receio. Geralmente quando descobrem sobre sua situação mais favorável, tendem a tratá-lo de maneira diferente. Definitivamente não queria isso vindo de Ichigo e sabia que não estava conseguindo chegar até ele, no entanto as palavras para se expressar melhor eram escassas o deixando mais apreensivo ainda.

- Eu... Eu não quero ir... – falou baixando a cabeça na mesa e encostando a testa sobre ela. Levou as mãos até a nuca entrelaçando os dedos – De verdade, não quero...

- Mas é sua responsabilidade. – completou sabendo que era isso que ele precisava ouvir.

- Infelizmente sim. – virou a face para o lado encostando a bochecha na madeira e mirando o ruivo como pode daquela posição.

Ichigo encolheu-se um pouco na cadeira empurrando o suco para frente e enfiando as mãos no bolso do casaco. Olhava para a parede esverdeada tentando espantar a súbita tristeza apossando-se dele. Não era dependente de Grimmjow, mas sabia que ficaria com saudade dele. Na verdade aquilo que mais o chateava era toda essa informação repentina vinda inesperadamente.

- Tudo bem eu... Eu compreendo. – disse o ruivo por fim coçando a nuca – Essa empresa era importante para seus pais e também é para você então se você deve, vá.

O maior ergueu-se concordando com ele. Finalmente tudo acabava bem... Ao menos até a pergunta seguinte:

- Quando você viaja?

Sua mão ficou tão fria quanto o gelo. Gotas de suor brotavam em sua nuca escorrendo em descompasso. Prendeu a respiração por alguns segundos e com os globos azuis bem abertos, disse, por fim, desviando o olhar de Ichigo.

- Amanhã...

- Amanhã?! – repetiu o menor para reforçar aquilo – Porra Grimmjow! Tu vem me contar em cima da hora?!

- Ei eu só descobri ontem! – retrucou dessa vez voltado para ele.

- Que tipo de empresa avisa sobre uma viagem desse calibre dois dias antes?!

- Eu!... – parou seu próprio raciocínio, pois não queria dizer a ele sobre o pequeno favor que pedira a Aizen... O jeito era improvisar – É uma reunião de emergência!

- Que precisa ser feita em outro país?!

“Merda! Porque ele tinha de ser tão inteligente?!” Pensou segundos antes de responder:

- Porque o ramo principal da empresa fica nos Estados Unidos, e a principal fonte de lucros fica resguardada lá. Quando há um problema interno, sempre vamos para a sede que fica em Los Angeles.

Nem mesmo ele sabia da onde tinha tirado tanta baboseira, hoje em dia esse tipo de assunto podia ser resolvido com uma simples videoconferência. E torcia internamente para Ichigo não perceber esse detalhe também.

Frustrado, como se fosse o último, a saber, da morte de alguém; o que de fato era, sem envolvimento fúnebre, o ruivo trancou as feições sentindo que havia sido deixado para trás por ele.

- Mais alguma coisa?! – perguntou puxando as notas da carteira e deixando sobre a mesa.

- Não– ia continuar, mas o abrupto movimento de Ichigo fez-lo o acompanhar até a saída, vendo o menor caminhando a passos pesados para fora do restaurante.

Ótimo, tudo o que precisava agora era cuidar de um garoto temperamental. Se bem que dessa vez tinha errado feio com ele... Já havia passado do carro quando o alcançou:

- Ichigo!

- Eu não to puto com você. – falou do nada se voltando para ele e vendo Grimmjow parar em surpresa – Só foi... Do nada, saca? Tenho de por as idéias no lugar e também estudar para as provas, aliás, como você vai fazer com a faculdade?

- Terei esse tempo de licença por motivos pessoais. Mas essa não é a questão aqui Ichigo.

Andando para mais próximo dele ficou a pouco mais de trinta centímetros de seu rosto, sem receber uma negação, continuou tocando-lhe a face e agradecendo pela rua deserta:

- Eu quero, nem que seja apenas um pouco, ficar esse último dia aqui com você.

Grimmjow conseguia, não importava como, quebrar as defesas erguidas pelo morango. Estava chateado com a novidade, mais do que queria estar, pois sua parte racional entendia os compromissos dele. Porém mesmo querendo afastar-se desse sádico para seu próprio bem... As palavras, o cheiro, a presença, as ações impulsivas daquele homem levavam todos esses conceitos para longe. Se este era o último dia de Grimmjow nessas terras, se eles só se veriam dali a trinta dias... Então seu corpo o levava a ir com ele, sentindo-o o quanto podia, antes da abstinência achegar-se de ambos.

- E onde você pretende me levar? – disse, ainda com as feições sérias – Minhas irmãs já devem estar em casa, e meu pai chega em seguida.

- Tanto faz o lugar. – respondeu puxando-o pela cintura – Desde que eu possa ficar com você.

Sufocando-se no repentino beijo teve de agarrar os ombros largos de Grimmjow para não cair para trás com a força na qual o maior o empurrava, prendendo seus cabelos na nuca com os dedos, entrelaçando-se neles. Os lábios estalavam algumas vezes, mas as línguas não paravam de se debater. No susto Ichigo empurrou Grimmjow pondo a mão na frente do rosto.

- Estamos no meio da rua! – reclamou, vendo o sorriso do outro.

- Eu não consigo me conter perto de você, ruivinho. – ah! O apelido irritante que há tempos não ouvia. Chegou a fechar ainda mais a cara com isso – Mas não tem ninguém nessa rua, então relaxa.

- Idiota... – resmungou virando o rosto para o lado e recebendo um beijo na bochecha, voltando-se para ele – Você é um sádico filho da puta, sabia disso?

- Ainda bem que você gosta de ser maltratado.

Deixando o rosto corar com o comentário nem um pouco insinuativo, virou de costas dando a entender que era para ser seguido. Já eram sete da noite e se fossem sair precisava avisar que chegaria mais tarde em casa.

Sem perceber deixou que suas mãos se entrelaçassem quando Grimmjow chegou a andar do seu lado. Era perigoso fazerem isso em um local público, mas tudo bem... Só poderia sentir aquele calor novamente dali a muito tempo. Valia a pena o risco, e ambos pensavam assim...

Continua

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-Bônus-

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Notas finais
Como repararam, eu mudei a capa, e passei a colocar uma imagem final em cada capítulo. A capa tem sim a ver com o conteúdo da história, mas o bonus final é apenas puro entreterimento, espero que gostem xD Vou tentar enquadrar na Fic, pq tb, só texto o tempo todo cansa!
Então tá tudo se embolando na vida desses dois e mesmo assim arrumam um tempo para se pegar xD! Eu adoro o Grimmjow, sério!
E venhamos e convenhamos: ser amigo de um pedaço d emal caminho que eh o Renji e não sentir nem uma quedinha por ele é pedir demais de uma pessoa! Pelo amor de deus, ele eh um dos personagens mais lindos de bleach! (fã assumida)
E isso só complica mais a vida do feliz casal (ou n na visão do Renji)
Espero ter tempo para postar o novo capítulo, mas em primeira instância de escrevê-lo!
Até o próximo!