Maipetto no Neko
16 Capítulo 16 - Confissões adiadas
Notas iniciais
Agora to tentando revisar mais de duas vezes p ficar tudo bunitinho e v6 se deleitarem mais ainda com a leitura!
Bom capítulo!
Maipetto no Neko
Capítulo 16 – Confissões adiadas
Ishinn atendeu ao telefone já escandaloso como sempre. Queria saber como, quando onde e com quem seu filho estava. Não que fosse uma preocupação excessiva, apenas achava necessário demonstrar esse tipo de relacionamento, numa espécie de compensação pela falta de sua mãe. Confiava no filho assim como em suas irmãs.
- O Ichi-ni vai sair hoje? – perguntou Yuzu lavando a louça ao vê-lo terminar de falar.
- Ele só tem saído recentemente! – comentou Karin – Aposto que ele ta escondendo alguma coisa de nós.
- O Ichi-ni não é de fazer isso, Karin-chan!
- Calma, minhas filhinhas queridas! – interrompeu Ishinn pondo-se no meio das duas – Seu irmão foi sair com um amigo, só isso.
- Quem? O Sado ou o Ishida?
- Nem um nem outro. Lembram daquele homem que veio aqui depois de uma briga, o de cabelos azuis?
- O bebe chorão? – brincou Karin rindo consigo mesma.
- Ele tem um nome difícil... – Yuzu tentava-se lembrar pondo a mão ao lado do rosto até embolar as letras – Griru... Grimmjuro... Grimmjow-kun... Não é isso?
- Sim, esse mesmo! Yuzu, como você é inteligente minha filhinha! – indo até a menina ele a abraçou quase a esmagando em seu peito.
- Hmm... O ichi-ni tem saído muito com esse cara. – falou Karin pegando um pacote de biscoitos do armário – Desde quando o Ichi-ni tem amigos estranhos assim?
- Ora Karin, não julgue as pessoas pela aparência!
- To dizendo pai, tem alguma cosia rolando entre esses dois.
- Karin-chan, aposto que se tivesse alguma coisa acontecendo o Ichi-ni tinha nos contado, afinal, somos uma família. – completou Yuzu saindo do abraço apertado.
- Ah, mesmo assim Yuzu: eu sinto quando tem alguma coisa acontecendo. – completou com um sorriso de canto de boca.
Ishinn e Yuzu se entreolharam sem entender o que Karin queria dizer com aquelas palavras. Ignorando esse fato, terminaram de arrumar a cozinha e guardar as sobras do jantar na geladeira, afinal, Ichigo deveria comer fora também.
Qual era o problema com seu bom senso? De boa, tinha horas que tinha vontade de bater com a cabeça na parede diversas vezes para ver se ele voltava a funcionar. Grimmjow nem era muito eloqüente, mas só o jeito de falar, a voz rouca e carregada, o movimento conjunto dos lábios, a língua umedecendo-os para então retornar a fala, esses simples gestos faziam Ichigo estremecer. E por mais que a história dele sobre essa viagem parece mal contada ou no mínimo com muitas lacunas, um ímpeto, algo quase intuitivo o compelia a acreditar nele. E era essa sensação que o fazia ainda ficar junto de Grimmjow.
As monossílabas saíam automaticamente da garganta murmurando uma conversa rápida com seu pai. Nem pode dizer para onde estavam indo, pois o outro não lhe informara; queria fazer surpresa ou algo do tipo. Conhecendo-o como o conhecia, não duvidava nada que parariam em outra daquelas boates ou bares entupidos de gente e sem espaço nenhum para um simples mudar de passos. Enfim, já estava se preparando para enfrentar as filas e os pés doendo na manhã seguinte, mas havia dito que iria ficar com o maior antes que viajasse, então não podia dar para trás agora.
Pensando longe por todo o percurso, e sem ouvir a voz de Grimmjow também como se ele quisesse deixá-lo preso dentro desse transe, Ichigo ficou com a testa encostada no vidro da janela se abstraído do mundo à sua volta. Sentiu o sacolejar do carro parando tornando a posição ereta no banco. Retirou a mochila das costas deixando apenas a carteira e o celular nos bolsos da calça. Colocou seus pertences abaixo do banco e removeu o cinto, vendo que Grimmjow já o esperava do lado de fora; era um local cheio de luzes, como imaginara.
Suas feições ficaram tão surpresas que nem pode dizer nada de imediato. Bateu a porta de metal caminhando para o lado de Grimmjow que fitava o ambiente admirado com as mãos dentro da jaqueta, o sorriso costumeiro estampado nos lábios.
- Um cinema? – indagou o menor com as sobrancelhas arqueadas para o outro.
- É. Tu sempre reclama que vamos naquelas boates sempre lotadas. Então pensei que curtisse uns lances mais tranqüilos.
- Bom... É... – coçou a nuca um tanto quanto sem graça – Mas eu nem sei que filme ta passando.
- Sem problemas, a gente escolhe um agora, afinal não vamos prestar atenção na história mesmo.
Falou enquanto rodeava o pescoço do menor com o braço vendo-o corar um pouco e se afastar em seguida, repreendendo-o:
- Grimmjow, porra! Eu já disse!
- Ta, ta eu sei. Ninguém viu, relaxa.
Não era bem com a aproximação dele que se preocupara. Na verdade apenas em pensar no que Grimmjow pretendia fazer dentro de uma sala de cinema, deixava-o apreensivo. Até poderiam ir assistir ao filme, mas não podia o deixar se aproveitar — nem um pouco.
Pediram duas meias entradas para um filme trash qualquer – do tipo que Karin gostava de ver em casa – e foram entrando sem nem comprar nada para comer ou beber; afinal, poderiam acabar caindo no chão com as suas ações bruscas, os desperdiçando.
Ichigo andava a pelo menos uns dois passos atrás de Grimmjow, na esperança de seu bom senso resolver se manifestar e sair dali correndo. Por Deus! Não se importava em fazer isso com ele, desde que fosse em um local fechado. Como ele conseguia ser tão liberal na frente de outras pessoas? E se os escutassem, e se os vissem?! E se fossem expulsos? Como mostraria a cara ali de novo?! Com explicaria aos seus amigos?!E sua família?! Perguntando-se essas e muitas outras coisas, nem percebeu quando chegaram a escuridão programada da sala. As cadeiras vermelhas de veludo estavam praticamente vazias. Podiam jogar dados no meio do chão e escolher pelos números em qual fileira sentariam, e a tela já piscava a luz do retro projetor no meio dela indicando estar preparado.
Buscaram por uma posição no fundo bem no canto a esquerda onde a iluminação era mais fraca; ótimo! O ruivo sentou-se na ponta para a parede – péssima idéia, um erro de cálculo fatal, pois não teria como fugir se precisasse. Grimmjow enfiou as mãos na jaqueta aquietando-se em seu espaço, mas sem deixar de levantar a divisão entre as cadeiras. Sinal de perigo.
As luzes diminuíram mais ainda e nenhuma outra alma viva adentrou aquele recinto quase que sagrado. Uma música em tom de órgão começou a tocar — não perdiam tempo passando trailers antes de um filme de orçamento tão baixo como aquele. As cenas eram bem desconexas com gritos sutis ao fundo e uma espécie de corrida por um local rodeado em grama, árvores e galhos diversos. A voz desesperada era feminina e ruídos de metal faziam-se presentes como se cortassem tudo à sua frente, apesar de não enxergarem direito bem o que.
A qualidade de vídeo não era das melhores e ainda assim Ichigo tentava manter-se atento como se tivesse certeza de que algo mais emocionante aconteceria – e de fato, isso era verdade, porém não seria refletido naquela superfície branca... Num piscar de olhos Grimmjow colocara o braço por de trás do pescoço do menor. Estavam distantes da outra meia dúzia no cinema, e ninguém realmente prestava atenção nos dois.
Era apenas o braço dele, tudo bem, até ali nada de mais, nenhuma coisa fora do normal; tirando o fato de serem ambos homens. Ah! Como era belo ver suas concepções esvanescendo tão sutilmente.
O leve toque dos dedos em seu ombro fez um choque correr em sua espinha. Grimmjow mexia suavemente a ponta deles por cima da camisa azul de Ichigo indo até a parte sem tecido encostando em sua pele quente. Pode sentir os finos pelos se oriçarem quando o fazia. Passou a língua por cima dos dentes como se fosse um felino os polindo, e partiu para seu ataque.
Pondo a outra mão livre sobre a coxa do ruivo, apertando a carne grossa daquela parte, subiu a boca até achar o pescoço retesado pelo súbito movimento. Abocanhou os músculos rígidos e apesar da voracidade com a qual o fazia mantinha a compostura de não lhe causar nenhuma marca ou violência mais abrupta. De início Ichigo não pode fazê-lo parar nem mesmo tentando interromper as investidas de sua mão segurando-o pelo pulso com firmeza; na verdade, estava gostando do carinho repentino, porém a consciência resolveu-lhe alertá-lo quando os dedos apressados curvaram-se na parte interna de suas ancas roçando no jeans apertado e subindo cada vez mais.
- Grimmjow. – sussurrou próximo ao ouvido dele recostando a cabeça em seu ombro e afastando aquela boca de perto dele.
- Ta tudo bem, não irei passar disso. – falou como se quisesse tranqüilizá-lo – Só quero ficar aqui com você como qualquer outra pessoa que vem ao cinema com essa intenção.
Com as sobrancelhas arqueadas esticou o pescoço para dar uma olhada ao seu redor. Ninguém estava vidrado na direção deles – o que nessa altura poderia ser muito bom, ou muito ruim para o ruivo, em certo sentido. Mas cinemas tinham esse ar meio que... Excitante, quer dizer, qual casal não fazia esse tipo de coisas pelo menos uma vez na vida? No escuro, ninguém os ouvindo, o clima frio planejado pelo ar-condicionado... Cada pedaço desse ambiente contribuía para o clima perfeito.
Foda-se. Grimmjow só voltaria em um mês, queria aproveitar enquanto podia dele! Deixou-o continuar as carícias em sua cintura e no minuto seguinte segurou firme cada um dos lados de sua jaqueta puxando seus lábios para si e aprofundando-se num beijo lascivo. Avançou a língua sobre a dele sentindo o calor emanado dela, sugando o ar de dentro dele. As mãos ágeis do maior subiram até seu peito, alisando-o, aproveitando a repentina mudança de comportamento do ruivo. Desceu pelas laterais de seu torço e foi indo com o seu mais para cima do menor, porém sem deixar de dar-lhe espaço no meio das cadeiras. Ergueu a blusa deixando o tecido cair sobre seus pulsos enquanto os dedos ficavam tocando-lhe o abdômen.
Ichigo soltou o couro de seu casaco para entrelaçar os dedos no cabelo azulado. Eles eram curtos, porém maiores que os seus. Era gostoso afundar lentamente as unhas na maciez dele para depois voltar e repetir essa brincadeira tola. Afirmou as mãos enroscando-se nas mexas e acariciando a nuca dele.
Um calor subia no interior de Grimmjow conforme Ichigo mimava-o com o carinho sutil. Era uma sensação diferente da de uma excitação comum, mais amena e que abrangia todos os cantos de seu corpo. As pernas ficaram dormentes, inertes diante da sensação de aconchego que experimentava. Queria ser envolto por ele num abraço, imaginando se seria possível ficar perdido nele para sempre. Levou as mãos de seu abdômen para as maçãs do rosto do menor passando a recostar suas costas com maior pressão no encosto aveludado, a fim de prendê-lo como se assim o pudesse ter para si de forma mais completa.
Sem apercebe-se disso, seu rosto ficara um bocado vermelho, como se aquele fosse o primeiro encontro dos dois. Podia ser besteira de sua mente, mas tinha uma necessidade tão grande de ter Ichigo para si, que ia por cima até mesmo desse seu lado mais fechado, ouvindo com mais atenção aos seus sentimentos. ‘“Tolice”, pensava às vezes, porém não mais sabia como parar.
O ar quente batia na pele fria dos dois, aquecendo aquela parte de seus rostos. Arfavam com a respiração falha pelo osculo demorado, no entanto isso era irrelevante. Ter o sabor um do outro penetrado em si era o principal foco de cada um, quase como se uma saudade adiantada chegasse até eles.
Ao se separarem, porém mantendo as línguas erguidas no ar tocando uma a outra na pequena distancia entre os lábios, Ichigo escorregou os dedos do cabelo para as laterais abaixo das suas orelhas, cerrou os olhos com força, e sugou a carne úmida de Grimmjow para dentro de sua boca, fazendo-o retornar ao beijo enquanto delineava o contorno de seu lóbulo com as mãos.
Obediente o maior fechou os globos azuis gentilmente encostando-se também no banco, ficando melhor de frente para o ruivo. Os gritos do filme tornaram a ocupar o som da sala, mas o mundo a sua volta havia parado para eles. Estavam vivendo em seu próprio roteiro emocionante, cheio de altos e baixos, mas que no final, sempre dava tudo certo. Seria bom se a realidade pudesse ser como nesses romances bobos...
Onze e quinze Ichigo aportava em sua casa saindo do carro de Grimmjow e sendo seguido por ele até a entrada. Apanhou mais rápido dessa vez a chave correta deixando-a pendurada no trinco e voltando-se para o maior:
- A que horas seu vôo sai amanhã? – perguntou com as mãos nos bolsos.
- Só vou saber quando chegar em casa, mas deve ser a tarde, meu tutor sabe que não gosto de acordar cedo. – brincou vendo um rápido sorriso na face do outro — Te mando uma mensagem assim que souber.
- Se der tempo, eu passo lá para me despedir... – falou num tom manhoso a última palavra mesmo não querendo.
Abraçando sua cintura e levando as mãos para a parte traseira do ruivo, Grimmjow o prendeu no meio de um beijo. Deixou a língua suave recostar-se na dele provando o sabor final dela antes de afastar-se. O beijo durara bem menos do que o do cinema, mas de certa forma, fora melhor, mais aconchegante, e acima de tudo: apaixonado.
- A gente se vê amanhã – disse o maior levando a cabeça para trás0 ainda o segurando – Se não der te ligo assim que aportar.
- Tudo bem, não precisa se preocupar, eu sei que você vai estar ocupado.
- Ah! Mas eu arrumo um tempinho só para você, ruivinho. – sorriu sarcástico.
Corando um pouco Ichigo apenas meneou a cabeça para frente, sem deixar de dar-lhe o soco básico de despedida pelo apelido, saindo de seus braços e terminando de abrir a porta. Ouviu o carro de Grimmjow ir embora ao trancar sua casa, e encostou a testa na parede da sala. Respirou fundo antes de subir pesadamente os degraus até seu quarto. Tinha acabado de vê-lo, porém o aperto no peito já falava mais alto.
Dirigiu-se até o banheiro arremessando a mochila em cima de sua cama, e retirando as roupas. Entrou debaixo do chuveiro fazendo o cansaço do corpo ir embora ralo abaixo com a água.
Demorou mais do que o normal no banho, pois estava preguiçoso. Enrolou a toalha na cintura enxugando o cabelo laranja com outra. Vestiu a calça do pijama e jogou-se no colchão puxando o celular do bolso da mochila. Avistou uma mensagem pipocar na tela lendo seu conteúdo – era Grimmjow. Seu vôo sairia as três, como havia dito, de tarde. Daria tempo de ir de manhã à lojinha e partir para o aeroporto. Combinou rapidamente o local com o maior deixando o aparelho na cômoda ao lado para despertá-lo cedo.
Pôs o cobertor sobre ele ainda um pouco molhado aconchegando-se na cama. Mas apesar do sono, ele não conseguiu dormir muito bem. Pensava nas últimas horas que havia passado com Grimmjow e em como sentiria falta delas. Essa angustia fez-lo revirar-se no colchão até boa parte da madrugada, quando finalmente foi vencido por suas pálpebras caindo sem nem mesmo ter-lhes dado essa ordem.
Manhã de sábado, Renji acordava em seu apartamento com o relógio tocando rente ao seu ouvido. Desligou o chato barulho arrastando-se até a cozinha. Coçava a barriga por debaixo da blusa enquanto ligava a cafeteira com o rosto inchado cheio de marcas de seu cobertor. Lavou o rosto na pia mesmo, indo ao banheiro em seguida. Quando voltou o líquido quente já estava pronto, podendo assim abrir os olhos de vez ao sentir o calor fervente caindo pela garganta. Eram nove da manhã, as lojas de conveniência começavam o expediente. Olhou pela janela da pequena sala, e viu do outro lado da rua o comércio funcionando devidamente. Deu de ombros sorrindo em seguida: tinha outra loja a quarteirões dali mais interessante para se visitar.
Atravessando a rua apressado até seu trabalho, Ichigo corria, pois queria adiantar todo o serviço logo no início do dia para não ter de acumular tudo no domingo. Precisava ficar pronto para chegar ao aeroporto antes que Grimmjow fosse embora. Pegaria um táxi até lá, costume o qual não tinha, pois podia ir a qualquer canto de ônibus, mas dessa vez era por uma boa causa. Precisava sair meio dia em ponto, já que a distância entre os lugares era um pouco grande, além de não querer correr o risco de atrasar o outro por sua causa.
Foi aos fundos da lojinha avisando a chefa enquanto arrumava o estoque sobre seu pequeno contratempo, e explicando o porquê teria de sair mais cedo, se fosse possível. Ichigo era um rapaz aplicado, e não havia do que reclamar dele. Na verdade, teve certas dúvidas antes de contratá-lo devido a sua aparência, e a expressão sempre mal-humorada, mas ele parecia ser bem sincero, e hoje em dia, agradecia por ter alguém tão dedicado quanto ele. Nem precisou retesar muito o garoto, afinal, ele fazia por merecer um agrado desses de vez em quando, mas é claro, não o falou deforma gentil. Era seu gênio, afinal.
Depois de arrumarem o resto dos produtos ambos foram para seus postos – o ruivo no caixa, e a mulher como uma espécie de recepcionista ajudante. Não tardou para os clientes de sempre chegarem, os morados do bairro, que gostavam de comprar o café da manhã ali mesmo.
Ichigo batia os códigos de barras na máquina fazendo os cálculos no computador, pois essa era sua área, e onde tinha mais facilidade. Estava distraído, cuidado de seus afazeres como em qualquer outro dia. Mirava o relógio da tela de vez em quando se certificando de que daria tempo de sair no horário programado. Até a voz conhecida chamar-lhe a atenção:
- Está animado hoje, Ichigo.
- A lojinha fechou de novo? – brincou o ruivo vendo o sorriso largo de Renji.
- Ah, sei lá, aqui tem mais variedade, e posso conversar enquanto me decido também. – piscou para o outro, vendo-o ficar meio sem graça tornando a bater os produtos.
Passou a folhear umas revistas quaisquer esperando o menor terminar de atender uma senhora, pois atrapalhá-lo no serviço seria péssimo. Ao ver o movimento diminuir um pouco, voltou ao balcão parando na lateral dele, onde o pedaço em falso da madeira se erguia para se entrar atrás dele.
- Então, como anda a vida, alguma novidade? – indagou apoiando-se nos cotovelos.
- Bem, uma coisa ou outra, acho. – falou tentando mudar de assunto.
Tu acha ou tem certeza?
- Para falar a verdade tem uma coisa sim... – completou meio cabisbaixo, o que obviamente foi reparado pelo outro.
- Ei, o que houve? – perguntou preocupando-se.
- Ah depois eu te conto, agora no meio do trabalho é meio complicado. – mentiu fugindo do tópico em particular, era desagradável lembrar-se disso.
- Dá para pegar um folga de dez minutos? Porque parece que tu precisa desabafar com alguém. Você está esquisito desde a cafeteria; ficou quieto de repente, olhando para o nada...
Pensar que Renji não tinha percebido sua mudança tão brusca de comportamento era pedir demais. Havia ficado tão atônito com a visão de Grimmjow andando ao lado daquela mulher que ignorara a presença do outro ao seu lado. Só existia ele, o sádico, e as curvas da misteriosa e “muito amiga” dama de cabelos verdes do outro lado da rua, pendurada em sacolas de compras.
Além do mais desde quando recebeu o bombardeio de notícias vindas de Grimmjow, todas as novidades bateram direto na cara dele sem nem deixá-lo respirar. Estava quase sufocando com tanta informação nova, e mesmo não sendo muito de se abrir com as pessoas, havia um limite para o nível de saturação, e sabia que podia confiar em Renji. Por fim resolveu levar o lixo acumulado ao beco, aproveitando a saída para conversar com o amigo na pequena pracinha ao lado, onde podiam falar mais tranquilamente sem ninguém os atrapalhando, pois apenas algumas pessoas caminhavam naquele período da manhã por ela.
Sentaram-se num banco de pedra debaixo de uma árvore aproveitando o clima fresco da sombra e a boa falta que o barulho das buzinas faziam. O ruivo logo começou a falar, uma vez que os minutos eram curtos para tanto assunto. De início disse-lhe o mais básico para maior compreensão do outro: Grimmjow possuía uma empresa de advocacia herdada de seus pais. Chegou a rir com a feição embasbacada de Renji e prosseguiu de imediato falando agora do ponto mais irritante: a súbita viagem que o faria ficar fora durante um mês. Nesse momento um estranho brilho tomou conta da aura do maior apesar de Ichigo não perceber o porquê disso.
Estava ali, bem diante dele a chance pela qual tanto havia aguardado. O grude insistente e possessivo que era Grimmjow deixaria não só o lado de Ichigo, mas o país, impedindo as chances de estragar suas investidas. Afinal, ele poderia ter a exclusividade do ruivo, mas seria difícil mantê-la estando a quilômetros de distância. E o melhor disso tudo: é o fato de já ter em mente como plantar uma pequena semente de discórdia entre os dois. Era um golpe baixo, sabia disso, mas é como dizem: no amor e na guerra, vale tudo. E o resultado desse pequeno “toque” o que diria ao ruivo, caberia apenas a ele qual seria resolução tomada. Daria apenas um simples empurrão para o salto do penhasco, pensava, prestando um favor ao “amigo”.
- Nossa... – começou Renji depois de ouvir tudo – Você deve ter ficado doido com tudo isso.
- No início sim... Mas não há motivos para não acreditar nele.
- Então foi por essa razão que sua cabeça viajou tanto ontem?
- Ah... – coçou a nuca, pensando se seria prudente contar de um episódio de ciúmes tolo como aquele, mas já estavam ali, era melhor deixá-lo a par de tudo mesmo – Bom, não exatamente...
- Como assim?
- Eu... – começou imaginando quais as melhores palavras para serem usadas – Eu vi o Grimmjow naquela manhã da cafeteria, do outro lado da rua andando com... Uma amiga dele.
- Só amiga? – insinuou o outro, deixando as dúvidas de Ichigo mais visíveis.
- Não a conheço, e eles só estavam andando juntos... Creio eu que sim.
- Perguntou à ele? – tentou parecer preocupado com a relação dos dois, afinal, não poderia dar muito na pinta o quanto aquele papo o deixava mais alegre a cada segundo.
- Nem cheguei a falar disso... Foi tanta coisa junta que me perdi e acabei esquecendo. Não que eu esteja receoso, ou algo do tipo. – mentiu cruzando as pernas em cima do banco, pondo as mãos no meio do buraco entre elas, e virando o corpo um pouco para o lado.
Renji respirou fundo tentando acalmar sua alegria. As boas notícias – apenas para ele – não paravam de aparecer. Tinha uma tremenda chance de parecer o bom samaritano para o ruivo, além de poder “confortá-lo” depois da quase certa discussão dos dois. Começou sua alocução da forma mais natural e amistosa possível:
- Olha Ichigo, já tem um tempo eu queria comentar disso com você...
- O que? – indagou curioso.
- Sabe... – continuou parecendo consternado – Desde quando te conheci vejo você falando sobre o Grimmjow, em como ele é espontâneo, mas que não pensa direito antes de agir, nas suas brigas, que ele não dá o braço a torcer, é orgulhoso, possessivo, grosso, e sem pudores. – fez questão de ressaltar cada um dos defeitos dele vendo Ichigo torcer o rosto com isso, mas sem poder contradizê-lo.
- E isso tem a ver com a conversa em que ponto? – perguntou parecendo meio entediado com a lista desagradável e extremamente detalhada do maior.
- Daí que eu não entendo como uma pessoa como você acaba com um cara desses.
- Sei lá Renji, as coisas foram acontecendo. – sua paciência parecia estar se esgotando, pois sua voz já estava mais firme – Não dá para escolher essas coisas.
- Ta, mas depois de todo esse histórico, tu não acha que ele deve ter um bom motivo para só te contar as coisas de última hora?
- Como assim? – perguntou arqueando as sobrancelhas deixando as feições sérias.
- Para mim parece que o Grimmjow só te conta as coisas quando não tem jeito de esconder de você. Aposto que ele daria uma desculpa qualquer sobre essa tal mulher para escapar de uma situação desagradável; capaz até deles estarem saindo mesmo, essa cara parece desse tipo.
- Okay, você acaba de me deixar super feliz com isso Renji. – retrucou irônico, fazendo menção de levantar-se, porém fora impedido pela mão rápida do maior agarrando seu pulso no meio do caminho.
- Sério Ichigo, eu to falando isso porque me importo com você. Se eu estou dizendo que ele fala apenas as coisas que convém à ele é porque eu sei disso.
- Como você pode saber?! – esbravejou puxando o braço e livrando-se dele.
Bufando, Renji apoiou as mãos para trás recostando-se nelas e meneou a cabeça para o lado – já tinha bolado esse discurso faz tempo, e apesar de ser uma meia verdade, não estava mentindo a ele:
- Sério, não deveria ser eu te contando isso, eu realmente pensei que o Grimmjow acabaria te falando, mas ele teve a cara de pau de ficar quieto esses meses todos.
- Do que você ta falando Renji?!
- Tu se lembra do soco bem dado, diga-se de passagem, que eu recebi na cara dele?
Em silêncio, Ichigo apenas acenou que sim com a cabeça, não era a melhor recordação de Grimmjow.
- Pois bem – prosseguiu apoiando as mãos nos joelhos e encarando o ruivo com o cenho franzido – eu te disse naquela época que o Grimmjow havia se desculpado comigo... Quando na verdade não o fez.
- Para de falar merda, foi você mesmo quem confirmou isso. – respondeu de imediato.
- Disse para que vocês não ficassem putinhos um com o outro por minha causa, na verdade, como eu já falei, eu achava que o Grimmjow fosse acabar contando a verdade para você, mas parece que ele é covarde demais para isso.
- Já chega! – esbravejou visivelmente puto com o andar daquela conversa.
Era um assunto antigo, não tinha nem nada a ver com o tópico em questão, aliás, nem se importava nessa altura do campeonato se Grimmjow havia ou não pedido desculpas a Renji – mesmo tendo pedido isso à ele.
A questão embolando a mente do menor era outra, e o pior, Renji sabia qual eram as dúvidas brotando naquela linda cabecinha de morango:
- Só to dizendo, que se um cara esconde de você uma coisa pequena dessas, fazer o mesmo com algo mais sério é apenas um pulo.
Bingo! Ele tinha acertado em cheio a pergunta insistente da imaginação de Ichigo.
- Várias coisas podem ter acontecido para ele não ter dito nada. – falou agora com a voz mais amena, tentando arrumar uma desculpa plausível para aquele do qual tanto falavam.
- Ichigo, de boa, eu to sendo sincero aqui com você. Eu vejo como o Grimmjow te trata ou o jeito dele agir com as pessoas. Isso não é atitude de alguém normal. Por isso eu digo que ele pode muito bem estar indo viajar com essa tal mulher.
- Para mim já deu essa conversa. – disse, por fim, voltando-se para o caminho da loja, dando as costas para Renji.
- Ei! Escutar a verdade é ruim, mas de vez em quando é preciso! — gritou seguindo-o até ver Ichigo parar virando o pescoço para trás o encarando.
- Primeiro eu nem sei se isso é verdade ou não, segundo eu ainda não entendi porque você está se metendo tanto!
Arqueando as sobrancelhas, Renji adiantou-se para cima do menor quase caindo em cima dele e ficando a poucos centímetros de distancia de seu rosto:
- Não entendeu?! Por um acaso não somos amigos?! – a última palavra doía para sair da boca.
- Somos, mas amigos não falam desse jeito um com o outro, praticamente atacando a pessoa! Afinal o que deu em você?! Nunca te vi falando mal assim do Grimmjow, ainda mais me contando todos esses “segredinhos!” – ironizou — Porque está fazendo isso agora?! – respondeu elevando o tom de voz mais uma vez.
O sangue de Renji fervia, talvez por raiva, ou apenas uma excitação maior devido a pequena discussão. Sabia do gênio esquentado de Ichigo, e que poderia muito bem sair dali com um olho roxo, porém era incapaz de parar agora. “Porque” ele perguntara... O motivo era óbvio em sua mente, na verdade ele estava parando com as feições retorcidas bem diante dele, no entanto sabia que o outro ainda não havia desenvolvido a habilidade de ler mentes, e num rompante de desespero, numa idéia tola na tentativa de impedi-lo de continuar esgueirando-se dele e indo correndo na direção de Grimmjow, disse em alto e bom som como se descarregasse um enorme peso de cima dele, arranhando a frase até ela sair de sua garganta:
- Porque eu estou apaixonado por você!
Continua
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-Bônus-
Notas finais
N n foi dessa vez o o Ichigo e o Grimmjow chegaram nos finalmentes deles! xD Sou má!!
E.... O renji põe as asinhas deles de fora xD! Esquece o Aizen! Ele é o vilão dessa fic uahuahauhauhauah
espero q estejam gostando, pq eu estou AMANDO!
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Resposta a todos os fãs q imploram pelo Byakuya, calma... ele com certeza irá aparecer! xD
Até o próximo!
(Pedido pessoal da autora: divulguem a fic! Façam ela ficar na lista de mais lidas e comentadas!!! xD)- desespero se apossando de mim!!! Por favor, n me julguem por isso >_
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