Maipetto no Neko
11 Capítulo 11 - Necessidade
Notas iniciais
Maipetto no Neko
Capítulo 11 – Necessidade
O cabelo ruivo caía sobre os olhos dele, tampando sua visão da face envergonhada. Ainda assim Grimmjow sabia que ele estava com aquela expressão de cobiça, ao mesmo tempo em que queria negar aquilo tudo, com as bochechas coradas, desajeitado como sempre. A boca dele descia sobre seu peito junto com a língua quente e a cama balançava aos poucos com os movimentos das suas pernas.
As coxas se encaixaram nas laterais de seu corpo, e as mãos foram descendo a calça aos poucos, até revelar o seu volume ativo. Ajeitou-se sobre ele e ergueu sua cintura; já desnuda, e foi esfregando o início das nádegas naquela parte, instigando-o cada vez mais com a agitação tentadora.
Os dedos ágeis do maior agarraram cada lado dele, incapaz de segurar-se por mais tempo, descendo-o com vontade até senti-lo penetrando a entrada dele, de forma tão apaixonada, tão esperada, e acima de tudo, com um imenso desejo sendo satisfeito.
O ruivo gemeu, gritando, apertando a mão sobre o peito dele, arranhando-o, deixando sua voz preencher todo o cômodo conforme rebolava sobre ele. “Grimmjow!” Urrou já se apressando sobre seu falo, ouvindo o maior clamando, implorando por seu nome, por sua presença.
- I-Ichigo! – deixou escapar por fim de seus lábios.
Os globos azuis assustados foram se arregalando conforme a respiração tentava se acalmar. Os lençóis confusos sobre a cama bagunçada mostravam o quanto havia se remexido durante o sono; durante o sonho que tivera com ele. Sentou-se virando o torço para o lado e encostando os pés no chão, pondo uma das mãos na testa enquanto apoiava o cotovelo na coxa. Estava suando muito, e arfava buscando um ar inexistente, um sentido para aquilo tudo. Sentiu um desconforto na parte de baixo de seu corpo vendo-o agora desperto. Socou um travesseiro para em seguida o arremessar contra a parede, fazendo-o bater na escrivaninha e derrubar o abajur, decorando o piso de madeira com os cacos perdidos dele.
“Estou ficando louco!” Pensou indo de encontro ao banheiro. Ichigo roubava cada vez mais seu tempo, a cada instante era como se seu cheiro, sua voz, sua visão invadisse seus sentidos, os inebriando. A vontade de ficar perto dele superava a todo segundo qualquer outra coisa da qual precisava fazer... Isso era mal... Era muito mal...
Chutou os pedaços maiores do abajur para o lado e puxou o relógio da gaveta; ainda era seis e meia da manhã, a faculdade começava só dali a duas horas. Já era quinta-feira mesmo? O final de semana havia passado correndo. Os encontros com Ichigo também... Bocejou agora sentindo o sono o puxar de volta para a cama. Mas o seu desejo ainda fazia-se presente; precisava de Ichigo, precisava tê-lo, nem que fosse apenas para ficar ao seu lado. Adormeceu com essa idéia, tornando a se perder nos sonhos com ele.
Horas depois já estava de pé diante dos prédios da faculdade, foi como se pulasse de um lugar a outro sem perceber como o fizera. Para falar a verdade nem se lembrava se havia vindo de carro ou de ônibus, nem quanto tempo tinha ficado ali parado, sem vontade nenhuma de entrar na sala de aula, mas sabia que era preciso para ao menos ter algo com o que ocupar sua cabeça. Bufou esfregando o cabelo para trás e apertando os olhos com força; foco era preciso se recuperar dessa abstinência.
Ichigo espreguiçava-se na sala, esperando o professor atrasado entediando-se com a falta do que fazer. Renji sentou-se ao seu lado, começando a conversa rotineira:
- Como está seu braço?
- Melhor. Já está cicatrizando bem, obrigado.
- Fico feliz por isso. Então, festa hoje à noite, ta dentro? – perguntou sorrindo.
- Você só sabe ir a festas?
- É um dom. – riu junto de Ichigo. A lateral de sua boca já estava melhor e lhe permitia movê-la com mais facilidade.
- Acho que hoje não vai dar eu vou estudar.
- Estudar para que?
- Temos provas daqui a pouco, sabia?
- Ah, sim, isso... Ainda falta umas boas semanas para os exames.
- Ao invés de se esbaldar em festa todos os dias seria bom estudar um pouco, nunca se sabe.
- Ao menos estou com a cabeça livre de preocupações e pronto para receber conhecimento.
- O que você esqueceu-se de aproveitar durante as aulas de ontem enquanto você dormia?
- Passei a noite acordado coletando informações com outros alunos, isso é uma forma de estudo. Tenho de me recuperar de alguma maneira! Além disso a voz da professora de programação é quase uma canção de ninar de tão clama e baixa.
Os dois riram, apesar de Renji ter dado um pequeno soco em seu ombro. A marca da sua bochecha já havia desaparecido, e a briga com Grimmjow já parecia ter sido esquecida por eles.
- Pretende estudar onde? – perguntou Renji, antes que o professor entrasse na sala.
- Devo marcar alguma coisa com o Grimmjow... – respondeu por alto puxando o caderno da mochila.
- Você tem o visto bastante ultimamente, né?
- Saímos quando dá... Mas ele sempre faz questão de me levar em casa depois da faculdade.
- Nossa, que gentileza, não? – comentou num tom um tanto quanto irônico, mas Ichigo pareceu não perceber.
A aula começou como qualquer outra, e o ruivo anotava tudo com seu zelo costumeiro, sem perceber nos olhos atentos de Renji sobre ele e a forma como a caneta dançava por entre seus dedos.
Como ele conseguia ficar ao lado de Grimmjow? Quer dizer, bonito ele era, mas fora isso a personalidade bruta dele era tão contrastante com a leveza na qual Ichigo manejava tudo em sua vida. Não que ele fosse delicado ou algo do tipo, era apenas calmo, sabia como resolver seus problemas sem criar confusões por nada. Na verdade pensava que se as coisas continuassem assim em pouco tempo ele acabaria se transformando por conta de Grimmjow. Pensava em alguma maneira de impedir isso, afinal, ninguém merece ter de mudar em nome de outra pessoa, e ver a sutileza de Ichigo se apagar era no mínimo deprimente.
Intervalo, finalmente. O refeitório estava lotado, quase sem lugar nenhum para se sentar. Ichigo estava sozinho perambulando com sua bandeja até avistar as costas largas de Chad num canto mais afastado dirigindo-se a ele.
- Oi gente. – disse já se sentando, recebendo resposta dele e de Ishida. Mas estranhou ao ver Inoue continuar quieta, devorando uma pilha de bolinhos doces. Ignorou o fato; deveria ser a fome mesmo.
- Como tem passado Ichigo? Você quase não fala mais conosco. – comentou Chad.
- Ah fiquei muito ocupado... Foi mal. – a desculpa era bem esfarrapada, mas foi o melhor que pode fazer agora.
- E ainda se diz nosso “amigo”. – terminou Ishida ajeitando seu almoço num prato.
- Ei, eu sou amigo de vocês, parem de fazer drama!
- O que foi isso no seu braço? – Chad apontou para o curativo chamando a atenção dos demais.
- Uma briga. Eu acabei levando um corte.
- Você ainda se mete nessas confusões? Que coisa Kurozaki, você já esta na faculdade, cresça.
- A culpa não foi minha Ishida! Eles aparecem na lojinha tentando assaltá-la.
- Sua chefe não tem sistema de segurança? – perguntou Chad.
- Do jeito que ela é orgulhosa, duvido.
- Melhor avisar a ela que essas medidas de prevenção são vitais para quem tem um negócio, ainda mais no ponto onde ela fica.
- Ishida sem papo de “senhor sabe tudo” agora.
- Eu estou certo, não pode negar isso.
Ichigo bufou deixando-o sair dessa de cabeça erguida. A barriga roncava pedindo pela comida e o cheiro dela já estava fazendo-o quase babar. Cortou o pão o pondo do lado de seu prato vendo agora o quanto Inoue já havia comido sem citar uma única palavra. Deu mais algumas garfadas participando dos comentários aleatórios de Chad e Ishida, mas a amiga o estava intrigando.
- Inoue, ta tudo bem? – falou o ruivo finalmente, porém sem obter resposta.
“O-o Kurozaki-kun... Ele estava... Naquela hora... Com aquele cara... Eles, eles tinham... O Kurozaki-kun o beijou!...” A cabeça da garota quase rodava ao repetir essa frase mentalmente, pensativa desde aquele dia no qual presenciou a cena. Nem ao menos escutava a voz de Ichigo a chamando, até perceber uma mão balançando na frente do seu rosto.
- Inoue? – indagou Ichigo encolhendo a mão ao ver resultado.
- S-sim! – exclamou a garota chegando o corpo para trás.
- Você está bem?
- E-eu to sim! Não é nada é só... Muita aula! É isso, muita matéria!
- Ta tão difícil assim que fica calada quem nem uma múmia?
- Inoue está assim desde a semana passada. – comentou Ishida.
- Alguém tentou fazer alguma coisa com você? – completou Chad.
- Se foi isso pode falar que a gente te ajuda!
- N-não se preocupe Kurozaki-kun, não é nada... Sério meninos só estou preocupada com as aulas e só! – falou por fim com um sorriso de canto de boca.
Os três se calaram parando com o interrogatório depois de perceberam o desconforto dela. Como poderia falar disso ainda mais na frente de Chad e Ishida? Lembrava-se do primeiro dia de aula quando encontrou ichigo junto daquele cara estranho de cabelos azuis falando com ele. Pensou serem apenas amigos, mas depois de ver os dois... Bom, naquela situação, era difícil colocá-los dessa forma. Estariam saindo? Estariam... Namorando?
Inoue ouviu as risadas alegres de Ichigo abstendo-se dessa idéia e observando-o agora. Fazia piadas com Chad e Ishida. Faz algum tempo andava mais despreocupado e feliz. Era como se de certa forma sua aura tivesse se tornado mais radiante de um período para cá.
Um estalo veio à sua mente e puxou da bolsa o casaco esquecido dele estendendo-o até suas mãos.
- Valeu! – exclamou o ruivo – Eu pensei que o tivesse perdido.
- Eu guardei desde aquele dia no refeitório e como só nos vimos agora...
- Obrigado Inoue.
Retribuiu o complemento com o sorriso inocente fechando seus olhos e esquecendo-se dos últimos pensamentos. Afinal, se Ichigo estava feliz era isso o que importava acima de tudo e qualquer coisa.
- Amanhã já é sexta-feira, não é? – disse o ruivo por alto chamando a atenção dos demais.
- Sim, por quê? – indagou Ishida.
- Inoue você não disse que ia fazer uma reunião para a Tatsuki?
- É verdade!! – exclamou a garota erguendo-se da mesa e pondo as mãos sobre ela – Temos de preparar alguma coisa antes dela ir embora! Vamos fazer a reunião amanhã na minha casa!
- Calma nós vamos te ajudar a arrumar as coisas, fica tranqüila.
- Quantas pessoas devem ir? – perguntou Ishida.
- Bem temos eu, o Sado-kun, o Ishida-kun, o Kurozaki-kun, a Tatsuki-chan, é claro, acho que ela vai querer chamar alguns dos amigos do time dela, isso deve dar mais umas seis ou sete pessoas. Ah! Se vocês quiserem podem levar alguém também!
Subitamente e por impulso ela dedicou o final da frase com um olhar na direção de Ichigo que ficou desconcertado e confuso com aqueles olhos tão decididos sobre ele. Sem resposta, ela apenas ouviu as confirmações de Chad e Ishida voltando a se sentar, sem antes de deixar claro novamente que eles poderiam levar quem eles quisessem.
O sino badalou pelo número de vezes da hora marcada para o fim do almoço fazendo o mar de alunos retornarem as suas devidas salas. Os amigos terminaram rapidamente de ajeitar os preparativos e decidir quem levaria o que até se separarem. Ichigo cuidaria dos aperitivos, o mais simples. Pediria para Yuzu ajudá-lo a fazer algo amanhã antes de ir para a casa de Inoue.
Sentou-se no seu lugar agora pensando se deveria chamar Grimmjow ou não. Quer dizer, se o fizesse deixaria bem claro que ele não poderia tomar nenhuma liberdade na frente dos amigos. Ainda não estava pronto para revelar uma coisa dessa magnitude a eles. Além do mais se fosse para dizer a alguém deveria fazê-lo primeiro com sua família; e isso o assustava um pouco. Puxou seu caderno ao ver o professor tornando a rabiscá-lo. Renji chegou poucos minutos depois, espreguiçando-se e com as feições cansadas; provavelmente tinha tirado um cochilo de mau jeito em qualquer canto. Deu uma rápida risada tornando a prestar atenção na aula.
Deixar Ichigo em casa depois da aula e receber apenas um beijo de despedida tinha sido uma tortura, uma frustração completa. Mal tinha estacionado em casa, Grimmjow esfregava o rosto parado com os braços abraçando o volante e o peito quase encostado nele. Festa numa sexta à noite. Não era comum de Ichigo o chamar para eventos assim era uma boa oportunidade para ficar junto dele; apesar de ter sido vetada qualquer aproximação durante toda à festa. Paciência, teria de esperar até a hora de irem embora para isso.
Desligou o motor do carro indo agora para seu quarto e jogando a mochila de qualquer jeito sobre a cama. Abriu seu armário procurando por alguma coisa há muito esquecida. Tirou sua roupa ficando completamente nu ao encontrar o kimono branco que não usava fazia tempo. Vestiu-o indo para a lateral de sua casa onde havia uma pequena fonte rodeada de árvores e flores; um local calmo e relaxante. Sentou-se de frente para a água corrente mantendo a coluna ereta enquanto fechava os olhos. Meditação era uma das práticas que precisava tornar a fazer.
Incrivelmente já era sexta, sala de aula, fim da parte da manhã. Ichigo queria ter podido encontrar Inoue para combinar algum outro detalhe da reunião, mas tanto ela quanto Ishida e Chad deveriam estar ocupados cuidando dos mesmos assuntos. Preferiu por não atrapalhá-los, indo sentar-se num local mais afastado do refeitório com um pacote de bolo na mão e suco na outra. A sombra da árvore era perfeita para fugir desse calorzinho mais forte do início da tarde. Ficou debaixo dela preocupando-se em terminar seu almoço para então voltar às aulas.
- Se escondendo de alguém?
Erguendo a cabeça e encarando a figura de pé à sua frente o ruivo vira Renji sentando-se agora ao seu lado.
- Não estou me escondendo, só achei esse lugar mais confortável. E você está me seguindo?
- De vez em quando eu gosto de vir aqui também.
- Hmm. Sabe me lembrei agora de uma notícia que deve te deixar animado.
- Qual?
- Uma amiga minha vai fazer uma pequena reunião na casa dela, coisa para no máximo vinte pessoas. Se você estiver a fim de ir.
- Nossa que milagre é esse de você me chamando para uma festa?
- Eu disse que isso poderia te animar, e não é uma festa, é uma reunião para reencontrarmos uma colega do ensino médio que saiu da cidade.
- Acho que eu só atrapalharia então.
- Fique tranqüilo, se você não falar com ninguém a noite toda com certeza a Inoue te fará companhia.
- Inoue?
- A dona da casa. Ela é bem simpática.
- Ah sim. Posso fazer uma pergunta?
- Pode.
- O Grimmjow vai estar lá?
O silêncio rápido foi a resposta confirmada com o tímido “sim” de Ichigo em seguida.
- Sabe não acho bom, eu não quero dar um motivo para vocês brigarem de novo. – disse completando seu raciocínio.
- Ei o Grimmjow tem de entender que eu tenho amigos, ele goste deles ou não. Isso é uma coisa entre eu e ele por isso não se sinta incomodado.
Renji o encarou por alguns instantes até virar a cabeça para frente sorrindo, relativamente feliz com o comentário dele. Deu de ombros por fim dizendo antes de se levantar:
- Se você diz. Me passa o endereço na sala depois, se der dou uma passada lá.
- Okay.
No fim da tarde Ichigo apressava Yuzu em sua casa para terminar os aperitivos; que não passavam de pequenos sanduíches feitos de última hora. Cinqüenta estariam de bom tamanho para o número de pessoas presentes. Os dois corriam ajeitando o recheio e preparando os pães deveriam faltar uns dez agora, o problema era que os aperitivos são geralmente servidos primeiro, e a reunião começaria dali à meia hora. Talvez correr da faculdade para casa não tivesse sido uma boa idéia.
- Calma ni-chan vai dar certo! – dizia Yuzu tentando melhorar o humor irritável do irmão.
- Ah! Eu sabia que era melhor ter feito isso ontem!
- A casa da Orihime-chan não fica longe daqui vai dar tempo.
- Eu espero. Sei que ela não vai ficar brava comigo nem nada, mas ainda assim não gosto de chegar atrasado.
- Eu sei ni-chan.
A menina sorriu tornando a mexer o pote e acrescentar os ingredientes que faltavam. Faltavam quinze minutos para o início da reunião e Ichigo corria pela rua com a sacola balançando ao seu lado, chegaria mais rápido assim do que esperando por um ônibus.
Sete horas, Inoue abriu a porta de sua casa vendo o ruivo arqueado, suando, estendendo-lhe a sacola antes de falar qualquer coisa.
- Obrigada Kurozaki-kun, venha, entre logo. A Tatsuki-chan já está na sala.
- Valeu. Olha, eu chamei dois amigos para virem aqui hoje, tudo bem?
- Ah, sem problemas!
“Dois amigos?” Pensou Inoue sem deixar o nervosismo de lado. “Será que o Kurozaki-kun está saindo com mais alguém?!” Seus pensamentos voavam enquanto finalizava tudo na cozinha. Ichigo havia mudado tanto depois da faculdade. Será que era normal? Além disso, ele tinha conhecido tantas outras pessoas... Antes ele parecia ser mais indiferente com as coisas. Falava com todos, sorria quando queria, mas era como se faltasse algo nele; sempre se metendo naquelas brigas sem sentido e ainda guardando seus problemas para si. Era estranho vê-lo assim, mas ao mesmo tempo uma sensação gostosa pelo amigo ser cada vez mais alegre. Tinha evoluído e ficado cada vez mais feliz, sociável com o passar dos dias.
- Ichigo! – exclamou a morena erguendo-se do sofá ao vê-lo passando o braço em volta de seu pescoço e o apertando – Quanto tempo eu não te vejo!
- Também senti sua falta Tatsuki... Mas pode me deixar respirar, por favor?
- Há! Continua fracote como sempre.
- Você trabalha para ficar mais forte, eu não tenho tempo para isso com a faculdade.
- Mesmo antes dela você já era um fracote.
- Diz isso para todos os caras que já apanharam de mim.
- Amadores, amadores. Não teriam nem uma chance contra mim.
- É quem diria que você iria entrar para um time de luta famoso. A Inoue me disse que talvez você vá para as nacionais.
- Preciso de só mais alguns treinos particulares e poderei tirar minha faixa preta para competir.
- fico feliz por você.
- Deveria mesmo afinal quase nunca eu te vejo, tem de se empenhar mais para falar com seus amigos.
- Quem vive viajando é você.
- Telefone existe! Agora vem, vou te apresentar para os meus colegas de time.
Um por um Ichigo foi conhecendo os companheiros de Tatsuki. Sentou-se no sofá compartilhando das histórias de colégio com eles, muitas das vezes cortando as falas da amiga, fazendo-a se irritar e lhe distribuir socos no braço. Orihime apareceu com os sanduíches de Ichigo passando a fazer parte da conversa divertida. Pouco tempo depois Chad e Ishida chegavam pondo suas respectivas compras para a pequena festa na cozinha e juntando-se aos três amigos. Era bom reunir todos assim de vez em quando, e conhecer as pessoas com quem Tatsuki andava era divertido.
A campainha tocou fazendo Inoue se levantar para atender a porta. Girou a maçaneta com um sorriso no rosto para então encarar a figura estranha e que nunca havia visto antes parado na sua frente.
- Hã... Aqui é a casa da Inoue Orihime? – perguntou coçando a cabeça.
- Sim sou eu. – respondeu tornando a sorrir.
- Meu nome é Renji eu sou amigo do Ichigo.
- Ah! Pode entrar ele está na sala!
- Obrigado.
Achegando-se na casa estranha, Renji foi ajeitando-se aos poucos ao lado dos demais, sentindo-se um tanto quanto deslocado até ver Ichigo.
- Renji, você veio!- disse o ruivo ao avistá-lo, chamando-o para se sentar perto dele.
Puxou uma almofada ficando mais próximo de Ichigo ouvindo o papo animado dos amigos. Pareciam falar da época de escola. Apresentou-se à eles vendo a cara de espanto pelas tatuagens em suas sobrancelhas; e também usava uma blusa branca de botões aberta até quase a altura do peito revelando a continuidade delas. Qualquer desavisado ficava surpreso ao ver tantas marcas num só corpo. Mas logo se esqueceram disso inteirando-o na conversa e até o forçando a contar suas próprias experiências do ensino médio.
-... É verdade! Eu juro! – exclamou Renji pegando outro sanduíche.
- Você desceu aquela ladeira a pé? É impossível! Aquilo tem quase uns noventa graus de inclinação! – retrucou Ichigo.
- Era um desafio eu tive de fazer.
- Isso é fisicamente impossível. – comentou Ishida arrumando seus óculos.
- Mas ele pode ter ido correndo. – falou Chad.
- Ainda assim é impossível.
- To dizendo que é verdade... Perguntem a qualquer um das redondezas sobre mim!
Ichigo ria dos comentários de Renji ao passo em que Ishida tentava os refutar devido as suas improbabilidades. Porém volta e meia olhava para a porta esperando por alguma coisa. Quase nove e meia e até agora nem sinal de Grimmjow. Será que tinha acontecido alguma coisa? Puxou seu celular procurando por alguma chamada perdida até resolver ligar para ele quando ouviu a campainha tocando.
- Já volto gente. – falou Inoue já se levantando.
- Deixa que eu vou. – apressou-se Ichigo ansioso impedindo a amiga de continuar o movimento; mas que permaneceu atenta à porta.
Abrindo-a numa euforia controlada Ichigo aliviou-se ao ver a figura de Grimmjow o encarando com o sorriso sarcástico e costumeiro de sempre.
- Ta atrasado. – disse sorrindo para ele.
- Estava com saudade? – indagou Grimmjow vendo-o corar e virar o rosto para a sala, tendo certeza de que ninguém os havia visto ou escutado.
Saiu do hall de entrada deixando a porta semicerrada e ficando no corredor da casa de Inoue, apenas com Grimmjow. Deixou os olhos miraram uma direção qualquer sem ser a do maior à sua frente e falou por entre os dentes:
- Podia ter chegado mais cedo...
- Oh... Você realmente tava preocupado? – perguntou surpreso, porém satisfeito com aquilo.
- É que... Bom... Eu... Deixa de ser convencido! – exclamou mudando o assunto de rumo; mas não pode evitar dar a deixa para a risada de Grimmjow.
- Okay, sem estresse. Vai me apresentar seus amigos ou não?
- Sim, vamos.
Antes de abrir a porta, Ichigo sentiu os dedos ágeis de Grimmjow segurando seu braço fazendo-o se voltar para ele tendo um beijo roubado. Não pode evitar fechar os olhos com aquilo, mas acordado logo em seguida pondo a mão sobre sua boca.
- Grimmjow! – esbravejou por entre as frestas dos dedos.
- Hehe. Já que eu não posso me aproveitar de você o resto da noite, quero tirar um pedaço agora.
- Não seja espertinho.
- Só com você Ichigo... Só com você.
Corando, o ruivo encostou mais um pouco a porta; deixando Inoue curiosa do lado de dentro por não conseguir ver mais nada; enquanto sua outra mão agarrava a gola da jaqueta de couro de Grimmjow puxando-o para um novo beijo. Deixou que ele abraça-se sua cintura, mas antes que o carinho pudesse avançar além disso, desgrudou as bocas baixando a cabeça até se recompor.
- Vê se não reclama mais agora. – disse decidido entrando na casa.
Grimmjow riu deixando Ichigo sair com a melhor agora; era bom o deixar sentir-se bem de vez em quando. E o beijo também havia sido... Havia sido muito bom. O sabor dele ficava mais gostoso a todo instante. Balançou a cabeça deixando esses pensamentos esvaziarem dela passando a seguir Ichigo até a sala. Apresentou-se à todos, lembrando-se agora de Orihime, pegando sua mão e a beijando agradecendo pela hospitalidade; não que Ichigo fosse se enciumar por causa disso, mas sabia que o irritava um pouco. O fez de propósito. Porém a face risonha se desfez ao notar a presença de Renji. O que diabos ele fazia ali?! E agora o ruivo ia se sentar perto dele?! Que gracinha! Pois bem. Puxou uma das almofadas fazendo questão de ficar ao lado dele também.
Por alguma razão Ichigo sentiu uma tensão estranha vinda dos seus dois lados, mas preferiu ignorar isso ou a noite seria estragada por conta dos dois, tornando a conversar com Tatsuki para saber mais sobre as cidades que o time de luta já havia passado.
Inoue observava a cena intrigante dos três à sua frente sem saber para qual direção olhar. Grimmjow era quem Ichigo havia beijado outro dia, mas Renji estava sendo bem amistoso com ele também. “Será um triângulo amoroso?!” Perguntava-se mentalmente tentando descobrir qual era a realidade daquela situação, apesar da sua própria mente fugir um pouco dela.
Quando finalmente desistiu de tanto quebrar a cabeça analisando as feições e reações de cada um deles, levantou-se sorrindo para a roda:
- Vou buscar mais alguma coisa para comer.
- Quer ajuda? – perguntou Ichigo; justamente ele.
- Ah... Eu... Bem, tem muita gente aqui, acho que sim...
Ele a acompanhou até a cozinha, receoso por deixar Renji e Grimmjow sentados juntos no mesmo ambiente, mas sabia que na frente dos outros eles não fariam nada de mais.
Abriu a geladeira encontrando os salgadinhos e entregando-os à Inoue. Uma rápida esquentada e estariam prontos para serem servidos. Precisavam levar mais bebida também, já estavam acabando.
Os dois ficaram parados um tempo sem se encarar. Ichigo voltou-se de costas para uma bancada apoiando as mãos nela enquanto Inoue brincava com seu cabelo e vigiava os salgadinhos. Volta e meia olhava para Ichigo deixando seu rosto ficar vermelho, e não sabia nem como disfarçar isso. Percebendo o desconforto da amiga, o ruivo cruzou os braços arqueando as sobrancelhas.
- Inoue o que aconteceu?
- Que?! N-não nada! Porque a pergunta?!
- Você tem andando estranha desde ontem no refeitório. Sempre que olha para mim parece que viu um fantasma, eu fiz alguma coisa?
- Claro que não Kurozaki-kun!
- Então porque você anda com a cabeça mais no mundo da lua do que o normal? To ficando preocupado co isso. O Chad e o Ishida também.
Mordendo o lábio inferior e virando um pouco o corpo para ele, Inoue segurou as palavras pensando na frase certa para abordar Ichigo.
- Isso é burrice! – exclamou Grimmjow da sala.
- Por quê?! – indagou Renji já exaltado com aquilo.
- Descer da porra de uma ladeira correndo só porque te desafiaram é no mínimo burrice.
- Ensino médio. Você nunca fez coisas estúpidas nesse período?
- Não desse ponto.
- No ensino médio eu batia em caras que tentavam se aproximar da Inoue. – comentou Tatsuki por alto, tentando evitar que os dois começassem a se matar.
- Vocês são amigas há tanto tempo assim? – perguntou Ishida, já percebendo as intenções dela e vendo os dois se acalmaram por não serem mais o centro das atenções.
- Sim. Ela é minha melhor amiga, sempre que posso dar uma pausa nos treinos venho vê-la.
- É um sentimento muito bom esse. – finalizou Chad.
Ichigo segurou o copo de água antes que ele se espatifasse no chão. Os olhos estavam arregalados e as mãos tremiam um pouco. Os salgadinhos estalaram um pouco no forno, e Inoue o encarava com um ar de susto com a reação dele.
- V-v-v-você... – gaguejou o ruivo tentando se acalmar – Você viu... Você me viu... Eu e o Grimmjow... Viu a gente... Nós dois... Nos... B-beijando?!
- Na verdade era você quem o tinha beijado, mas sim foi isso mesmo. – corrigiu-o vendo o desespero tomar conta de sua face.
Merda, merda, merda! Sabia que não deveria ter cedido aos pedidos dele! No meio da faculdade?! Ele realmente pensou que não seriam vistos por ninguém?! Poderia ter sido qualquer um... Mas porque justamente Inoue? Porque justamente um de seus amigos?!
- Inoue eu... Eu posso explicar eu...
- Tudo bem Kurozaki-kun.
Ela sorriu deixando o outro confuso ao ver seu rosto feliz o encarando.
- Você e o Grimmjow-san... Estão namorando?
Na sala, Ishida tentava ir contra outra situação proposta por um dos colegas de Tatsuki. Era de impressionar como eles se impressionavam com as deduções dele sobre qualquer assunto. Grimmjow e Renji discordavam dos assuntos no geral, com cada um tomando um lado específico, e digladiavam-se com suas frases e argumentos sempre que podiam, até Grimmjow, impaciente, esfregar os cabelos para trás e se erguer:
- Chega! Vou beber alguma coisa.
A roda chegou a surpreende-se com a abrupta resolução ele, mas logo voltaram aos comentários. Renji deu de ombros deixando-o de lado; ainda bem Ichigo não estava por perto para presenciar tal cena, ou talvez... Tivesse sido melhor se o tivesse...
- Namorados?!
- É, vocês dois são namorados ou algo do tipo? – tornou a perguntar a garota à Ichigo.
- N-não é claro que não! Nós não somos namorados ou qualquer cosia desse tipo! – o nervosismo por ter sido pego por Inoue apagavam as outras dúvidas do ruivo sobre sua relação com Grimmjow. Agora era preciso esclarecer as coisas com ela e ter certeza de que essa conversa não sairia dali.
A mão de Grimmjow parou no ar antes de aparecer diante da porta entre aberta da cozinha. A voz de Ichigo estava baixa, mas pode ouvi-la perfeitamente bem agora: “Nós não somos namorados ou qualquer cosia desse tipo!”
Aquelas palavra essa frase sendo dita com tanto ímpeto por ele, justo ele. Fechou os olhos deixando o cenho raivoso aflorar. Não sabia o porque exatamente, mas aquilo havia o deixado nervoso, e acima de tudo: uma pontada em seu peito começava a se repetir. Retornou o caminho que havia feito procurando por sua jaqueta na sala.
- Mas kurozaki-kun – continuava Inoue com a conversa – Se vocês não são namorados, mas se beijaram... Então... O que está acontecendo?
- Inoue olha é... Complicado. Eu... Nem eu mesmo sei o que está acontecendo, porém o mais importante é que você não diga a isso à ninguém.
- Nenhuma outra pessoa sabe?
- Não... Porque é um assunto delicado então... – coçando a nuca Ichigo aproximou-se de Inoue pousando as mãos sobre os ombros dela – Por favor, eu to te pedindo Inoue... Me promete que não conta isso á ninguém?
Ela segurou uma das mãos dele sorrindo antes de respondê-lo:
- Pode deixar Kurozaki-kun, eu não vou contar à ninguém.
- Obrigado. – disse aliviado, deixando a cabeça mais leve, dando um passo para trás.
A amiga encostou a mão no seu rosto conturbado e deixou sua expressão serena o acalmar.
- Sempre que quiser Kurozaki-kun, sabe que pode conversar comigo, né?
Atônito, ele apenas sorriu rapidamente acenando em sinal positivo para ela. Engraçado como as coisas Tinham atingido esse ponto, mas sabia que aos poucos as pessoas ao seu redor saberiam sobre sua relação com Grimmjow. Nesse momento ficou até mais aliviado ao perceber a calma de Inoue, sentindo certa felicidade por ter sido ela a primeira a saber.
Segurando uma das garrafas de refrigerante enquanto Inoue carregava os salgadinhos, os dois voltavam para a sala á tempo de ver Grimmjow vestindo sua jaqueta.
- O que foi? – perguntou ichigo pondo a bebida no meio da roda e indo até ele.
- Preciso ir embora.
- Mas já? Está cedo ainda.
- É mas tenho que resolver aqueles meus problemas de família, sabe como é.
- Acho que sim... – respondeu tristonho com a repentina saída dele. Esperava poderem ir embora juntos – Se não tem jeito.
- Pois é. Amanhã a gente se fala Ichigo.
Grimmjow foi caminhando até a porta sem olhar para trás e ver se o garoto o seguia, pois sabia que ele o havia feito. Parou na entrada ficando de lado para o ruivo com as mãos no bolso da jaqueta.
- Tem certeza? Eu Possi ir com você daqui a pouco. – disse por fim o garoto.
- Fique com seus amigos, você não os vê há um tempo, não quero ser estraga festas. Divirta-se.
- Ta... Até amanhã então.
- Até.
Ichigo fechou a porta depois de um tempo ao perceber que ele não se voltaria para a sua direção. Ele parecia estar aborrecido com algo, julgando ser pela presença de Renji, mas também sabia desses seus compromissos importantes, apesar de não saber ao certo o que ele fazia. Entrou por fim voltando para a roda e pegando um novo copo do refrigerante.
- Tudo bem? – indagou Renji quando ele chegou.
- Sim, tudo certo.
Renji respondeu-o com um “hmm” pondo o copo na frente de sua boca. Sem querer deixou um singelo sorriso escapar pelos lábios pela repentina saída de Grimmjow.
O carro já estava parado num sinal próximo ao templo. Sua mente girava ainda sem saber ao certo o que estava fazendo. Num estalo bateu com raiva no volante rangendo os dentes. Merda! Tinha deixado aquele puto do Renji junto de Ichigo! Mas era tarde demais: não voltaria agora por ele, seria muita humilhação. Continuou seu caminho até finalmente estacionar em casa. Foi andando até seu quarto sem falar com ninguém nem se importar com nada.
Não estava puto com Ichigo, não poderia, afinal sabia que ele não gostava de falar desse assunto com os outros e ficava tentando contornar a situação. Além do mais, realmente não tinham nada um com o outro. Mesmo assim... Mesmo assim porque aquelas palavras ditas do nada o haviam machucado tanto?! Ah! E nem pode voltar para casa com ele, merda, merda!
Irritado, bufou tirando a jaqueta e a blusa jogando-se na cama em seguida, afundando o rosto no travesseiro, revirando-se por ter sido um completo retardado nesse fim de noite, evitando ao máximo os pensamentos com Ichigo, pois isso apenas o aborreceria ainda mais.
E suas tentativas foram frustradas, não apenas por esse dia em particular, mas pelos muitos outros que se seguiram. Podia ver Ichigo quase todos os dias na faculdade, e saíam de vez em quando, porém ainda assim faltava algo, era preciso de mais; ele queria mais do garoto, perder-se nele como nunca fizera antes. E segurava-se para não assustá-lo, como se tivesse medo de fazer alguma coisa que o irritasse e acabasse por perdê-lo. Talvez fosse essa a razão pela qual não conseguia avançar muito com ele. De certa forma era Ichigo quem dizia o quanto e como aprofundavam mais a relação deles. Relação? Estava mesmo numa relação com ele ou era apenas mais uma diversão, algo de momento? Estranho... Não se lembrava de um momento desses que tenha durado quase três meses, como fazia agora.
Já estavam no meio do semestre. As provas se aproximavam, os professores corriam com a matéria, mas além disso, era o momento em que o templo mais enchia, a caixa de orações ficava repleta de pedidos, e o pior de tudo: Aizen o pressionava cada vez mais sobre os problemas da empresa. Saco! Ainda por cima, não conseguia tirar o ruivo da cabeça em qualquer que fosse o assunto.
Estava nos fundos de sua casa, no jardim mais uma vez, trajando apenas o kimono branco, que agora era usado freqüentemente por ele. Os olhos fechados e a expressão calma davam a ele um ar sereno. Antigamente nem perdia seu tempo com as meditações aprendidas por obrigação quando era pequeno, porém agora elas se faziam necessárias.
Ouvia apenas o barulho da fonte batendo nas pedras, das folhas balançando com a brisa fresca. O cheiro de madeira vinha forte até suas narinas limpando sua mente de qualquer distração terrena. Até aquela voz ecoar nos seus ouvidos:
- Que milagre Grimmjow.
- Estou meditando.
- É eu sei isso é uma novidade.
- Qual parte do “estou meditando” você não entendeu.
- Ah, como se você estivesse gostando. Aposto que estava esperando uma desculpa para sair dessa pose de Buda. Eu sou sua desculpa!
- Porra Neriell! – gritou já exaltado levantando-se para encará-la melhor – Vai começar a me encher em casa também?!
Grimmjow foi caminhando para a sala até sentar-se no sofá, vencido pela manha da mulher. Pôs uma das mãos dentro do kimono esperando sem paciência alguma até ela juntar-se à ele.
- Fala logo, porque veio até aqui? – indagou sem olhá-la.
- Para conversar com você, Grimmjow.
- Hã?! Porque?
- Foi um pedido do Aizen.
Ele arqueou as sobrancelhas, incrédulo daquilo. Neriell continuava a fitá-lo sorrindo, deixando sua bolsa de lado na poltrona, e pelas suas feições, aquela seria uma conversa bem longa. Merda estava dando fome...
Continua
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