Mahoi
6 Virion - The Eowyngs
Notas iniciais
Antes de o fogo começar, durante a tarde, Virion comprou um arco e uma aljava mágica juntamente de Maribelle, que havia comprado um cajado para aprimorar o alcance de seu poder de cura. Seus olhos esverdeados encaravam o cabelo castanho de Maribelle, a dona de seu coração. Nem sabia como se aguentava perto dela, com o coração batendo num ritmo acelerado, tendo que ficar ali, sem poder tocar os lábios rosados da garota com os seus, ou acariciar aqueles cabelos lisos que exalavam um cheiro tão bom quanto o de madressilvas desabrochando num jardim, mas, ele tentava se distrair. E foi naquele momento que ele se distraiu com uma garota loira, de mechas rosa, correndo sem rumo pela calçada. Olivia estava com as bochechas risadas, e a expressão chorosa que ela tinha depois de uma visão ruim ou quando tinha maus pressentimentos.
— Olivia? — Se perguntou Virion — Olivia! — Gritou, esperando que a menina fosse a sua direção.
— Virion! — Exclamou a menina de cabelos loiros, atraindo a atenção das pessoas. Corou novamente, e, cabisbaixa, foi na direção do rapaz de cabelos pretos e olhos verde-limão, que era ligeiramente maior que ela — Achei você... Ah, oi Maribelle... Vocês tem que me levar para o diretor... — Disse rapidamente.
E, bem, aquela fala havia realmente desviado a atenção de Virion. Ele, Maribelle e Olivia pegaram o caminho mais rápido para a escadaria, subindo-a tão rápido quanto.
Quando adentraram o lugar tumultuado, puderam ver mulheres com asas angelicais voavam de um lado para o outro, tagarelando. Suas vestes brancas e esvoaçantes se misturavam entre as estátuas religiosas, mas um grande número delas estava próximo da estátua de Artemisia, a primeira angeal. Ao mesmo tempo em que as mulheres voavam próximas da estátua, homens igualmente alados voavam próximos da estátua de Tumnu, o primeiro cherubo.
"Angealis", examinou Virion mentalmente, "E aqueles ali devem ser cherubis".
Mas aqueles não eram os únicos seres não humanos dali. Alguns gothyels exibiam suas orelhas pontudas e peles levemente amareladas, como folhas no outono. Já mais para o lado, alguns homens usando capas escuras, que deviam ser vampiros se escondendo da luz.
Olivia, então, apontou para a maior estátua, e disse que o diretor estaria ali, ou pelos menos era aquilo que ela sentia. A multidão que se encontrava em volta do diretor era grande, mas ele foi facilmente encontrado, afinal, era o único ajoelhado ali.
— Diretor, olhe para trás — Sussurrou Virion — Temos que falar com o senhor.
— O quê foi? — Perguntou o diretor, levantando do chão — Só falta me dizer que a Olivia está com mal...
— Acertou. Eu sinto... Queimaduras que ainda não estão aqui. Então, acho que tínhamos que avisar para o povo que teria fogo, e, claro, ir para outra cidade e...
— Não Olivia. Nós não vamos fazer isso. O tour por Hollyeth tem que terminar amanhã, entendido?
— Por qual motivo, exatamente? — Pergubtou Maribelle.
— Pelo simples motivo de eu querer as coisas assim. Eu mando, os alunos, ou seja, vocês, obedecem — Respondeu o diretor, rispidamente— Sem falar que Olivia pode estar apenas imaginando coisas.
— Mas, diretor... — Começou Olivia.
— Sem mas! — Exclamou o diretor, com raiva. Logo, saiu do templo em passos largos e barulhentos.
Virion segurou a mão de Olivia, e, corado, segurou a de Maribelle também. Sem fazer nenhuma piadinha, o que seria inadequado naquele momento, passou a correr atrás do anão de cabelos negros que devia chamar de diretor.
— Para onde você pensa que vai? — Gritou o menino para o homem, já do lado de fora do templo — Nos leve a sério, pode ser perigoso!
— Acho que vou para alguma taverna. Deixe-me quieto! — Gritou o diretor, que não parecia ter acabado de rezar. Desceu a escadaria rapidamente, querendo fugir doa alunos que o perturbavam.
— Mas, diretor, pode ser Blair! — Gritou Maribelle — Nós andamos encontrando bruxos e demônios, eu já te falei!
— Não fale bobagens, menina mentirosa! Ah, e vi Blair fugir desse reino com meus próprios olhos! — Disse o diretor, ignorante. E então, eles haviam percebido que não adiantaria debater. Eles simplesmente ficariam em Hollyeth até ser tarde demais.
Algum tempo o depois, o céu havia escurecido. Olivia tremeu um pouco, e a primeira faísca começaria a surgir, logo, logo...
****
Virion puxou o fio preto de seu arco azul, que carregava uma flecha enfeitiçada com hidrocinese. Soltou o a corda, e então a flecha giratória saiu escapou pelo seu arco, espalhando jatos d' água azulados por todos os lados, ajudando os magos de água a apagarem o fogo.
O barulho desesperado de pessoas correndo e gritando pela cidade dava uma espécie de agonia desesperada, um medo inexplicável que parecia ser pior que o próprio fogo. Pedaços de casas de madeira caíam por todos os lados, em chamas, e faíscas iluminavam o céu noturno, o que apenas aumentava a visão amedrontador a da grande marca em formato de x, que logo começou a disparar mais bolas de fogo.
Pedidos de misericórdia aos deuses e ordens de fuga se juntavam aos gritos de medo, mas Virion conseguiu concentrar-se mesmo assim, atirando mais flechas de água por toda direção, apagando chamas aqui e ali. Quando terminava o trabalho em algum foco do incêndio, seguia Maribelle, que procurava feridos juntamente das outras curandeiras.
Foi quando eles entraram no único espaço intocado pelo fogo que viram uma coisa muito estranha acontecer. Um pégaso branco, de boa aparência e que tinha asas grandes, levemente iluminadas pela luz rubra e mortífera causada pelo incêndio, desceu do céu, sendo montada por uma garota de olhos prateados e cabelos de coloração que estava entre um rosa bebê e lilás, derrubando uma pequena garotinha que carregava um ursinho de pelúcia amarronzado em sua mão direita. Não demorou muito para a pequena menina ser consumido por um brilho branco, e tomar sua forma original. Sua pele era tão branca quanto a da outra garota, e seus rostos eram muito parecidos, tal como as colorações de seus cabelos. A única coisa diferente entre elas era o corte de cabelo, pois diferentemente da mulher com o pégaso, a "ex-criança" mantinha seus fios lilases num corte que ia até o seu pescoço.
— Elza! — Exclamou a primeira mulher, com uma voz melódica e encantadora, ao mesmo tempo que dura — O que está fazendo? Como a virgem das águas está... está... Como é a palavra? — Se perguntou — Ah, sim... Queimando Hollyeth!
— Cale a sua boca, Luna! — Exclamou Flavia, ou melhor dizendo, Elza — Agora meu nome é Flavia, assim como o seu não é mais Coral!
— Não me importo! Isso é apenas quando estamos na superfície — Disse Coral, com mais dureza na voz — Fingir ter outro nome, tudo bem, mas queimar essa cidade!? — Exclamou Coral — Essa tarefa era minha!
Virion começou a observar a cena confusamente. Como assim aquela menina era Flavia? E, como assim o real nome era Elza? Era muita informação para o cérebro dele. Pelo menos o fogo havia parado pela desconcentração de Elza — ou Flavia, se preferir esse nome — e as mulheres, aparentemente gêmeas, não paravam de discutir. As curandeiras haviam se dispersado, deixando Virion sozinho no local. E, bem, aquilo havia sido errado.
— Ele está sozinho, certo? — Perguntou Luna.
— Está. E nunca mais me chame de virgem das águas. Eu já acabei com esse título que eu deveria ter faz tempo — Respondeu Flavia, sarcástica, girando seu corpo para fixar seus olhos no arqueiro.
Virion conseguiu ser rápido, colocando agilmente sua mão na aljava e retirando uma flecha enfeitiçada com fumaça. Usou sua magia, fazendo seus olhos verde-limão reluzirem e logo em seguida a sua visão ficou controlável, permitindo ele focar, desfocar, aproximar e até mesmo distanciar sua visão. Mirou bem no pégaso, e atirou a flecha, que desapareceu no ar.
Tentou de novo. Desapareceu. Tentou e tentou, gastando suas flechas de fumaça inutilmente. Foi então que ele lembrou que elas eram bruxas, e encarou-as com rancor. Sem armas, seu poder era inútil, e ele nunca prestara muita atenção nas aulas de duelo. Murmurou um xingamento, e esperou que elas lhe atacassem.
— Você realmente achou que seria chato assim? — Perguntou Flavia para Virion.
— Blair mandou a gente fazer vocês, alunos, sofrerem. Não vamos desobedecer a uma ordem dessas, certo, irmã? — Perguntou Luna, já essa falando com a irmã.
— Blair? — Virion abaixou seu arco, boquiaberto. Seus pelos eriçaram, e a confusão se alastrou pelo corpo magro, desde seus pés até seus cabelos negros — Como assim, Blair? — Começou a soar frio, molhando um pouco a sua túnica azulada levemente chamuscada.
— Você não costuma pensar, certo? — Perguntou Flavia, preparando uma bola de fogo.
— Como um pirata que conheci no meu aniversário de cinquenta anos. Foi a minha pior ida para a superfície. Não sei você percebeu, mas somos Eowyngs. Sereias do Sul, sabe? — Disse Luna, preparando uma bola d' água.
Robin e Yuna estremeceram no chão. Estavam acordados, mas Yuna não abria seus olhos, por algum motivo.
— Ela ainda está cega? — Perguntou Flavia, atirando a bola de fogo na direção de Virion.
— Cega?! — Exclamou Virion, desviando. Pegou uma flecha de fogo, e a atirou na mulher que tentou o queimar, focando em seu peito.
— Sim, — Começou Luna — cega. Sem ver seu sangue escorrendo, sem ver o rosto de sua assassina ou qualquer coisa assim. Que podre — Então, a bruxa do pégaso que já havia até sumido, curou a cegueira de Yuna, que começou a levantar com Robin lentamente.
Yuna, atordoada, olhou em volta confusa, enquanto Robin ajudava-a a se sustentar. Um machucado em sua cabeça dois, o que preocupou Virion, que não percebeu quando uma rajada de água atingiu seu rosto. Yuna, então, tentou agir, invocando uma lança no céu, que logo começou a cair em direção de Flavia, mas ela desapareceu, tornando-se água enquanto descia.
— Robin, Robin... Por qual motivo não usa seus poderes? Ah, sim, — Começou Flavia — Você não tem nen — E logo foi interrompida pelo cabo de uma faca, lançada por Yuna que logo mudou de alvo.
— Claro que eu... que eu... — Disse Robin, quando um brilho arroxeado começou a escapar de suas mãos — Claro que eu tenho! — Gritou, e o brilho se espalhou pelo seu corpo, doendo um pouco, fazendo-o gritar até sua voz acabar, e parou de emanar aquela coisa estranha. Não podia ter sido apenas um lampejo de poder, mas, de imediato, nada havia acontecido.
Virion tentou ignorar a cena, e distanciou sua vista para ter um grande campo de visão. Robin estava ao seu lado, esperando acontecer algo de útil. Luna e Yuna estavam atracados e Flavia estava fazendo gestos aparentemente mágicos com a mão.
— Flavia, o quê é isso? — Perguntou, na tentativa de distrair a mulher. Sacou uma flecha normal de sua aljava mágica, que havia comprado algumas horas antes, e posicionou-a no arco discretamente.
— Onde? — Perguntou Flavia — Não estou vendo nada!
— Onde o quê? — Perguntou Virion.
— Onde está a coisa que falou, oras.
— Esqueci. Mas acho que era uma cicatriz— Continuou Virion, fazendo ela parar com os gestos.
— Mas eu não tenho cicatrizas.
— Tem certeza? — E então, Virion atirou a flecha, logo seguida de mais duas, que provavelmente haviam batido na mão direita dela.
Flavia logo começou a gemer e a gritar. Exclamou palavrões e tirou as flechas de sua mão, enquanto tentava, inutilmente, amaldiçoar Virion.
— Seu, seu... Filho da vadia que vende o corpo nas ruelas escuras de Vinney! — Exclamou Flavia.
— Ei! Não fale assim da minha mãe! — Exclamou Virion, atirando mais uma flecha, essa que caiu em seu ombro.
A mão de Flavia começou a jorrar sangue para todo o lado, e ela passou a gritar pela quando dor. Sua mão branca encharcou-se de sangue, e ficou completamente vermelha. Gritou mais algumas vezes, o bastante para Yuna e Luna pararem de brigar, caídas no chão.
— Irmã! Não, você não pode morrer! — Gritou Luna, empurrando Yuna para o lado. Levantou-se rapidamente, como se nenhum dos arranhões e socos que a outra havia a dado tivesse feito qualquer tipo de dano.
— Não, eu não po... — Proferiu Flavia, que caiu no chão.
— Mas, irmã... Não, não morra irmã... Fique viva! — Gritou Luna, enquanto lágrimas caiam pelo seu rosto. Ao sentir a aproximação dos magos, virou seu rosto, na forma mais primitiva. Era como se, por um segundo, ela houvesse se tornado uma aberração nortenha. Seus cabelos se tornaram estranhas algas vermelhas mortas, e seus dentes estavam tão pontudos quantos os de um tubarão, mas em poucos segundos, ela voltou ao normal — Foi qual de vocês? Qual de vocês fez isso com ela? — Perguntou a Eowyng, com a voz alterada e olhos avermelhados de tantas lágrimas que saiam de seus olhos — Foi você. Foi você, não foi? — Terminou a frase apontando para Virion — Ah, não importa. Apenas um feitiço, e ela estará viva de novo. Apenas um feitiço, e a sua morte será a vida dela. Diga adeus ao mundo, Virion. Elsa não trocou sua cauda para ser uma bruxa para ser morta por alguém como você, mago.
Ela, então, levantou. Em prantos, amaldiçoou o garoto com uma palavra, “Nosferatu”. O rosto de Virion começou a se iluminar por uma luz roxa que caia do céu. 6, 7, 8 ou mais gotas de sangue rubras saiam de seu corpo, por mais que nenhum buraco estivesse feito, e flutuavam para o corpo de Flavia. Alguns fios de seus cabelos negros começaram a ficar esbranquiçados, e ele começou a sentir dores.
Iria gritar, quando um som o interrompeu:
— Não! — Ouviu Robin gritar, pouco antes do rapaz voltar a ser envolto de um brilho arroxeado.
Havia sido questão de segundos para o chão abaixo das duas mulheres de cabelos rosados abrir, e a boca ser avermelhado surgiu do chão. Num pulo, o monstro escamoso e rubro, com dentes extremamente pontudos e amarelados, fechou a boca, fazendo as duas bruxas, que anteriormente moravam no mar, morrerem rapidamente.
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