Mahoi
3 Mika - The Gargoyles
Notas iniciais

Eles já estavam na cidade, e não haviam percebido a ausência de Robin, Olivia e Leya. Era quase de manhã, e todos com exceção de Mika, Yuna, Virion e Maribelle estavam na estalagem do lugar, enquanto os diretores negociavam um novo transporte em algum lugar na cidade, e por motivos de curiosidade, os quatro alunos que estavam fora da cama estavam naquelas ruas, afinal, até mesmo a calçada de Vinney eram misteriosas o bastante para lembrar de bruxas.
Era cerca de cinco horas da manhã quando andaram por baixo de um arco vermelho, e passaram por uma ponte branca, que atravessava o Veilblack, o rio que separava o templo do resto da cidade.
O lugar era como um castelo, típico daquela região. As torres eram pequenas, tinham cerca de 10 metros de altura, e os telhados eram vermelhos, a cor principal da religião de Mahoi. Algumas estátuas tão cinzentas quanto a construção estavam olhando para frente de boca fechada e patas no chão, e com asas abertas. Os olhos pareciam estar fixos no grupo, e ela parecia não ser nada convidativa. Mais gárgulas, em que Mika não tinha reparado antes, estavam presentes no topo do prédio principal do templo do lugar, mas as estátuas não pareciam estar lá em nenhuma imagem da cidade, nem no guia do lugar. Aquilo era intrigante...
— Yuna, está vendo aquelas estátuas? Ali, na parte de cima — Apontou Mika, enquanto bocejava.
— Estátuas?— Perguntou Yuna, fixando seus confusos olhos azul-claro nos olhos violeta de Mika.
— Eu também não vejo nada. Você tem certeza que não quer ir dormir Mika?— Perguntou Maribelle.
— Acho que vocês que precisam dormir. Eu consigo vê-los também— Disse Virion, sem soltar uma piadinha pela primeira vez em horas.
Então, Mika piscou. As estátuas, que antes estavam com as bocas fechadas, pareciam estar tentando abri-la. Aquilo era realmente estranho... Piscou mais uma vez. Pôde perceber mais um leve movimento, agora nas patas. Estaria ela imaginando coisas?
Continuaram a andar pelo templo escuro, que tinha um estranho ar tenebroso. A pouca iluminação existente eram os candelabros com algumas velas vermelhas e pretas acesas, e todas as outras velas espalhadas pelo templo, de cor branca, estava preto.Existiam alguns boatos sobre que, na verdade, o povo daquela cidade cultuava demônios, mas nenhum dos quatro tinha pensado que até mesmo o templo dava essa impressão demoníaca, cheia de estátuas sombrias.
Então, eles entraram numa sala com um espelho central. Mika tinha a impressão de ter visto algo estranho no reflexo. Piscou. Percebeu que era tudo da imaginação dela. Ou, talvez, não fosse. Virou-se para trás, na expectativa de ver algo fora do comum, mas não havia nada além do nada. Sim, o nada. Ao olhar em volta, só via o vazio, um lugar negro, e quando virou-se novamente, viu o espelho que nem ao menos a refletia, como se ela estivesse morta. Piscou mais uma vez, e tudo estava normal novamente. Bem, quase normal. A garota sentia um frio incomum, principalmente em suas mão direita.
Quando saíram do templo, sem ter ao menos rezado, Mika tevea sensação horrível de estar sendo seguida. Tinha escutado uma voz, um rugido, bem no meio de seus cabeça. Parou um pouco e arregalou os olhos arroxeados,virando o corpo magro e seus cabelos multi-coloridos para trás, e então, viu. Viu todo aquela coisa com olhos assustados. Viu Todas as gárgulas estavam com a boca aberta, com os olhos fixos nela. Andando em passos lentos para trás, tentando não olhar para aquilo, pôde perceber que era a única tendo aquela reação. Nem mesmo Virion, que havia alegado ter visto as gárgulas mais cedo parecia ter aquela reação.
"Não!" — Pensou, assustada — "Não... Não!" — Sentiu os olhos fecharem numa lágrima de medo, como se toda a coragem a qual as pessoas elogiavam havia sumido. Caiu no chão.
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Mesmo desacordada, Mika sabia que eles estavam lá. Sentia na escuridão do nada de que aqueles seres místicos estavam a espreita, a observando de onde quer que ela estivesse desmaiada.
Podia sentir, de alguma maneira, aquelas ferozes gárgulas atrás de você, com a boca aberta, perseguindo-a.
E foi então que ela se viu na sala do nada novamente.Aquela sala era algo que a atormentava desde pequena, em seus pesadelos. Era só fechar seus olhos e entrar num lugar escuro, com um espelho enegrecido, velho, sem reflexo, e tê–la encontrado ali, depois de muito tempo, foi o necessário para fazê-la desabar, pela segunda vez naquele dia. O reflexo era o nada. Talvez, ela fosse o nada também.
Mas, se teve algo que a fez sorrir foi o primeiro feixe de luz que surgiu.Mas então, veio o segundo, o terceiro, e logo uma explosão cegante veio em sua direção, tapando todo seu canto de visão. Quando achou que a luz havia diminuído, abriu seus olhos, adentrando o lugar em que mais queria estar naquela hora. A estalagem.
Maribelle estava a seu lado, usando sua magia de cura, que estava fazendo leves cócegas em sua barriga. Yuna estava logo mais pra frente, conversando com Virion sobre a comida fornecida no local, que do jeito animado que ela falava devia ter um gosto bom e meio peculiar. Pelas coisas que eles conversavam, Mika soube que o chocolate quente tinha um toque de canela, o que acentuava o aroma — e o sabor— da bebida, enquanto os pãezinhos tinham sido cozidos por um ótimo padeiro, por ter saído crocante por fora e macio por dentro.
— Oh, você acordou!— Disse Maribelle, com a gentileza de sempre em seu rosto— Tudo bem?
— Na verdade, não— Disse Mika, ajeitando-se na cama onde ela estava— Sinto um pouco de dor de cabeça.
— Ah,— Começou Maribelle, e logo a linha rosa bebê que tremeluzia de sua mão até o corpo de Mika engrossou um pouco— Está melhor?
— Está— Respondeu.
Então Yuna virou seu rosto para o lado, na direção de Mika, e então, deu um sorriso de canto por ver que sua amiga estava melhor. Virion,então, virou seu olhar para ela também.
— Ah, aí está você. Pode levantar esse seu corpo magro daí, e pegar um copo d' água pra mim? -—Perguntou Yuna, com um tom brincalhão.
—Yuna!— Exclamou Maribelle, que não havia entendido o tom dela.
— A minha eu quero com gelo— Brincou Virion, com seu jeito sarcástico de ser.
— Ah, calem a boca!— Exclamou grosseiramente Mika.
— É. Tudo bem com Mika— Concluiu Yuna, e logo os quatro tiveram uma repentina explosão de risos.
Mas, mesmo com as risadas, Mika havia percebido o vulto que passara pela janela.
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Era noite. Na manhã seguinte a escola sairia para dar continuidade ao tour pelo reino, e por isso os professores tinham que mostrar a cidade rapidamente para os alunos.
Por ser o horário usado pelos cidadãos de lá para o jantar, o cheiro de comida estava presente no ar, além de algumas senhoras vendendo comida pela janela e um bardo, juntamente de uma dançarina, estavam tocando na esperança de ganhar alguns trocados.
Uma grande fonte espirrava água em espiral, o que dava foco tanto para ela quanto para as estátuas ao seu redor, que representavam os espíritos da boa-sorte, mulheres magras e altas, usando vestidos que mesmo tendo sido esculpidos da pedra, pareciam ser tão leves como o vento. Eram quatro estátuas, como o de esperado em qualquer fonte das sorte. Uma moeda, era o que diziam. Apenas uma moeda e sua sorte estaria feita.
Assim que Mika jogou a moeda dentro da fonte, pôde ouvir uma música entrar em seus ouvidos. Era algo mais tenebroso que as outras que o homem sentado de pernas cruzadas no chão estava cantando, mas a voz melódica e a maestria em tocar o instrumento era facilmente reconhecido.
O bardo tocava e cantava sobre gárgulas, atraindo facilmente Mika, que deu meia-volta, como se estivesse hipnotizada com a música. Agachou-se perto do bardo e deu algumas moedas para ele.
Então, o som da música foi ficando mais alto, enquanto o ritmo da dança ia ficando cada vez mais rápido. Mika piscou uma vez, e perguntou:
— O que sabe sobre as gárgulas?—Perguntou Mika.
— Bem,— Começou o bardo— Sei que as suas são falsas — Disse, e estalou os dedos. A música parou rapidamente, e as roupas do homem se tornaram tradicionais de um mago negro, com um robe negro que o cobria completamente. Seu pequeno violino mudou de forma, tornando-se um grande cajado. Foi questão de milésimos para a dançarina levantar voo e pousar no ombro de seu mestre, numa forma de corvo.
A raiva invadiu o corpo de Mika, e a coragem tomou o lugar do medo, e o som da música trocou-se pela conversa alta das pessoas.
— Quem é você?— Perguntou— Quem é você? — Repetiu,rispidamente.
— Eu? — Perguntou, misterioso — Bem,— Continuou, e logo evaporou no ar, aparecendo atrás de Mika — Eu sou Alucino. E eu vou te matar — Sussurrou no ouvido da garota. Aquilo havia sido errado, bem errado.
Yuna, Virion e Maribelle estavam próximos dela, e ao perceber a estranha aproximação do homem ficaram em guarda. Quando ele tentou evaporar, Virion segurou-o por trás, acabando com a ilusão. O corvo tentou bicá–lo, mas Maribelle ajudou-o, segurando seu bico.
Yuna entrou em sua posição de guerra, ameaçando atacar Alucino, e Mika abriu suas asas, tomando um lugar alto no céu.Sim, eles formavam um bom grupo, mas, não eram tão rápidos como o dele.
As pessoas ao redor, que haviam se agrupado curiosos em volta deles ao perceber o que faziam, logo caíram no chão. Uma mulher "bronzeada", de cabelos brancos e brilhantes olhos castanhos estava entre os corpos caídos, e uma incomum aura roxa envolvia seu vestido negro.
Ela usava um chapéu preto com olhos e bocas, e tinha uma vassoura em mãos. Ela mascava uma estranha coisa rosa, e fazia bolas uma vez ou outra, que estouravam em sua boca logo em seguida.
—Chiclete— Disse— Uma das maiores invenções do futuro.
"O quê?", pensou Mika, "Essa mulher voltou do futuro? Nunca ouvi falar de chiclete!"
— Sim, eu viajo no tempo. Leio mentes também, — Começou a falar, enquanto andava para perto de Alucino— Mika.
Logo um brilho púrpura cobriu o lugar, e logo eles estavam numa espécie de arena. Lyliath, Leya, Robin, Olivia e Mark surgiram no campo, junto de seus aliados. Os alunos que imobilizavam Alucino, foram envolvidos por um brilho negro, e surgiram no outro lado do campo.
— Mark, desde quanto estava com a gente?— Perguntou Leya, confusa.
— Eu estava com vocês faz um bom tempo, ficando invisível. Mas, esse não é o problema— Respondeu Mark. Mesmo com um arranhão no rosto, que devia ter adquirido na fuga, Mika achava-o bonito demais para ser verdade, como se o mesmo fosse a ilusão, não o ilusionista.
Lilyath, então, começou a seguir o caminho em direção dos jovens, mas rapidamente uma luz violeta a envolveu. Seu corpo foi para o ar, e uma corda mágica envolveu sua barriga, e logo ela foi pressionada de maneira muito forte. Seu corpo ficou azulado e sua cabeça parecia ter estufado um pouco.
Não tardou muito para a cabeça explodir, jorrando seu sangue para cima. O seu corpo, então dissolveu-se, e uma coisa como um pó branco espalhou-se.
—Lyliath estava viva a tempo demais— Disse Flavia, debochada— Agora, aquelas aberrações do século XXII nunca vão existir...
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