Mahoi
2 Leya - The Train
Notas iniciais

Leya encarou o inseto que zunia na frente de seu rosto.
Concentrou-se um pouco, e pôde ver o mundo em câmera lenta. O bater das asas e os movimentos extremamente lentos tornaram a tarefa fácil para a maga da velocidade, que matou o mosquito usando uma mão, o que fez o mundo voltar ao normal.
— Leya, preste atenção na aula! — Exclamou o professor Henry, percebendo a distração da aluna.
Leya, então, fingiu prestar atenção, fixando seus olhos verdes no quadro negro. Ela esperava que o tal tour começasse logo, mas a noite parecia estar tão longe... Durante a madrugada, a escola iria começar a viajar por todo o reino, quando faria exatamente um ano do que as pessoas acreditavam ter sido o sumiço da bruxa.
Mas, óbvio que ela não acreditava naquela teoria. Como participante da Brigada, a garota achava que a bruxa havia apenas se refugiado em um canto de Mahoi, e o tour daria início para a caçada.
Algum tempo depois, felizmente, o sino tocou. As faces entendia das dos alunos foram logo substituídas pelos sorrisos, que saíram apressadamente da sala. O relógio marcava três horas da tarde, e Leya teria de participar da reunião da Brigada, mas não antes de comer algo em sua casa.
Escondeu seu rosto com seus cabelos loiros ondulados, ligeiramente enrolados na ponta, e tentou se mesclar com uma multidão que passava animada perto das salas de aula. Quando chegou no portão da escola de magia, sentiu um puxão no braço. Mark, o mago das ilusões, estava invisível o tempo todo, andando a seu lado.
— Tem como me soltar? — Sussurrou
— Vamos, vamos! — Sussurrou Mark,
O menino segurou a mão da maga da velocidade rapidamente, e fez ela tornar-se invisível junto dele. Correram contra o relógio, ou melhor, contra a torre dele, que se encontrava no centro do "pátio".
Afundaram no concreto. O portal os levou diretamente para o QG de Sialus, um lugar grande construído magicamente pelos alunos de dentro da torre. Yuna encontrava-se despojada sobre a mesa, esperando os outros membros. Sentados ao seu lado estavam Virion e Maribelle, que conversam num tom de voz baixo.
— Hey — Cumprimentou Yuna, enquanto enrolava a ponta de seus ondulados cabelos de cor azul safira perolado.
— Ah, olá-Disse Maribelle, com uma voz doce-Como vão? — Perguntou, olhando-os com seus olhos rosas claros, enquanto abria um sorriso.
— Yo, ho! — Exclamou Virion, com um tom um tanto que animado.
Leya simplesmente não conseguia acreditar naquela cena. A pouco tempo começaria a real caçada e eles estavam ali, parados, sem nem discutir ou conversar sobre coisas importantes. Sentiu-se revoltada, mas, mesmo assim, não perdeu a razão. Cumprimentou-os e pegou um lugar na mesa, que tinha um espaço monstruoso de 100 cadeiras.
Alguns vinte minutos depois, todos os participantes da Brigada estavam lá. Victor, o mago dos portais, surgiu do nada, e abriu a porta. Tijolos. Agora, o portal havia sido desativado. Ninguém entraria — ou sairia — até o fim da reunião.
— Noventa e nove, cem — Contou Yuna, a líder daquele grupo da Brigada — Agora que estamos todos aqui, vamos começar a reunião. Sabemos que todos aqui somos importantes. Alguns, como eu, temos poderes únicos — Começou, com o mesmo discurso de sempre — Outros, tem poderes comuns, mas, nossa mana vem do mesmo lugar. Somos todos necessários, acreditem! — Falou, com alta determinação — Assim como a comida. Cadê o chá com biscoitos, Maribelle?-Quebrou o clima.
Após a menina de olhos rosa voltar com a comida, a discussão começou. O tour já tinha um mapa e -graças aos deuses- o primeiro lugar era perfeito para começar as buscas. Era o lugar mais usado pelos criminosos para se esconder, e talvez ela estivesse lá.
— Mas… — Levantou Olivia, a vidente. Suas bochechas rosaram rapidamente, ficando da cor das mechas de seu cabelo loiro — Sinto que ela não está lá — Sentou.
Leya se dispersou assim que Olivia sentou. Estava escutando alguma coisa estranha. Talvez estivesse escutando coisas, ficando maluca, mas uma voz doce ria em sua mente.
— O que acha Leya? — Perguntou Mika, encarando-a com seus profundos olhos verdes — Leya?
— Hmn...? — Emitiu Leya-Alguém está escutando isso?
No resto da reunião, Leya permaneceu calada. O plano consistia em... Bem, ela não sabia. A voz distraiu-a no momento crucial, em que eles discutiram o plano. O que ela, a voz, era ou de onde vinha, era algo desconhecido. Talvez...
♥♦♣♠
— Blair! — Comentou com Robin, já no trem para o tour. A lua estava alta no céu, e a escuridão era rasgada por um trovão uma vez ou outra — Era ela. Tenho certeza que era ela.
— Calma Leya, — Disse Robin, com sua voz infantil — Pode ter sido só sua imaginação.
— Mas,-Começou Leya, mas chegou na conclusão de que, com ele, não valia a pena discutir.
Eles então começaram a falar sobre coisas aleatórias, nem sempre. Mark e Olivia, então, apareceram, com algumas canecas nas mãos, que estavam aparentemente quentes, pela fumaça que saia delas. A garota sentou-se ao lado de Leya, enquanto Mark sentou perto de Robin, e os dois entregaram uma caneca para a pessoa ao lado.
Leya colocou a caneca na boca, e sentiu o líquido quente descer pela boca, além de uma sensação de queimadura em seus lábios. O gosto era doce, e foi facilmente reconhecível, mas nem mesmo o chocolate conseguiu fazer a maga parar de sentir a dor que o leite quente causava em sua garganta ou, até mesmo de Blair, que ela tinha certeza de estar dentro da sua mente.
Olhou para o teto que, por um motivo desconhecido, era espelhado. Observou seus cabelos loiros, que batiam delicadamente em suas costas, e observou também o grande laço avermelhado que usava em sua cabeça, preso num arco. Seus olhos de cor verde acinzentado estavam com olheiras quase que imperceptíveis, e seus lábios pequenos estavam num tom avermelhado. Ela utilizava um vestido ao estilo “boneca” de porcelana, o que era o verdadeiro estilo da garota, que tinha o guarda-roupa extremamente influenciado pelo estilo mais fofinho de ser.
Olivia cutucou-a delicadamente no ombro após alguns segundos. As mechas rosas da garota causavam uma certa inveja em Leya, que sempre quis ter trechos de seu cabelo naquela cor, mas aquilo não havia atrapalhado as 2 magas a formarem uma amizade sólida. Mas, aquela timidez… Bem, ela era um problema
— Leya… Você está se… se sentindo bem? — Perguntou. Sua voz estava calma e ela fala de maneira pausada, mas parecia preocupada com a atitude repentina da amiga, que havia olhado para cima e parado do meio do nada.
— Ah, estou sim — Disse Leya, abaixando a cabeça na direção de seu chocolate. Ignorou o fato dele ainda estar quente, e deu um gole, e logo sentiu aquela sensação dolorosa na boca.
— Sobre o que estavam conversando antes? — Perguntou Mark, olhando Robin e Leya com seus belos olhos dourados, enquanto mexia em seus cabelos encaracolados que pareciam a areia em questão de cores.
–Ah, sobre nada…-Disse Leya, tentando disfarçar o verdadeiro assunto.
— Leya está mentindo. Ela me disse algo sobre vozes estranhas na cabe— Henry começou, mas a maga a velocidade pôde, facilmente, controlar a velocidade da fala. O mundo, que estava novamente em câmera lenta, voltou ao normal quando Leya tampou a boca do menino de cabelos vermelhos.
— Nada, nada, foi isso que ele quis dizer.
— Tem certeza que… Que está tudo bem? — Perguntou Olivia, parecendo espantada.
— Claro que estou Olivia, como eu não estaria? Ah, e acho que vou pro nosso vagão cama.
Então, Leya terminou de beber o chocolate. Saiu, e, apressadamente, passou pelos 2 vagões restaurante, destinados a abrigar 500 alunos que estavam com fome, ou apenas vontade de conversar enquanto bebiam algo.
Adentrou a porta que parecia ser o último dos vagões. E era. Um vagão particularmente maior, provavelmente um trabalho mútuo entre o diretor e outros magos do espaço, estava em sua frente. Camas, beliches, redes, colchonetes e outras coisas usáveis para dormir estavam espalhados pelo vagão, de maneira extremamente desorganizada para poder abrigar todos os alunos.
Não demorou muito para Leya perceber os nomes nas coisas, e achou o seu rapidamente, escrito numa rede. Deitou nela, tentando fechar seus olhos, esquecer-se da voz que ouviu naquele dia, mas simplesmente não podia. Só quando sentiu o peso em seus olhos, e a voz estranha ecoar mais algumas coisas, como palavras mágicas em sua mente, dormiu. Não tardou muito para ter pesadelos.
♥♦♣♠
Leya sentiu seu corpo bater no chão. Estava sonolenta e confusa, e tinham duas pessoas a segurando pelo braço. Ao abrir seus olhos, pôde ver Robin e Olivia a carregando, e não tardou a bocejar.
— O quê? — Perguntou, confusa e sonolenta.
— Leya, não temos tempo pra explicar! — Exclamou Olivia, de maneira que ninguém havia a ouvido falar ainda. Seus olhos estavam brilhantes e inchados, e mesmo no escuro a maga da velocidade pôde perceber que um olho era azul mar, e o outro, verde mar.
— Vamos, vamos! — Exclamou Robin, com sua voz no tom infantil de sempre. Sua expressão parecia preocupada, e se observasse bem, seu rosto estava realmente assustado.
Sem entender nada da confusão, a garota que estava sendo carregada pelos braços apenas ficou parada, calada, espantada. Olhando em volta, percebeu que ninguém estava ali, e a porta do trem estava aberta.
Os dois pularam desesperadamente, com Leya nas mãos, e correram para dentro da floresta. Ao ritmo dos passos, uma risada estridente ecoou na mente da loira com o vestido de boneca, escondendo não tão bem assim a frase “É hora do show, querida”.
O som que foi seguido daquele, foi, claramente, uma grande explosão. Pedaços do trem estavam em chamas, cortando o céu com suas faíscas, enquanto as árvores mais ao longe começavam a pegar fogo.
–Hm?-Perguntou Leya, demonstrando sua total confusão, quando um pedaço queimado de colchão caiu em sua frente, começando a alastrar-se pela grama.
Então, involuntariamente, a maga da velocidade usou seus poderes, levando seus amigos junto dela para a velocidade normal. Correram enquanto o resto do mundo estava em câmera lenta, como se fossem tão leves como o vento.
O fogo, então, ficou para trás. Olivia e Robin tiveram tempo de explicar para Leya o que estava ocorrendo. Uma visão havia alertado a vidente de uma explosão do trem, e todos morriam.
— Pelo que você viu, todos fugiram — Disse Robin — Quando você saiu… Boom! O estranho é que não teve nenhum motivo para explosão.
—Tem certeza de que não teve nenhum motivo? — Perguntou a mulher, balançando sua parte inferior, que era como a cauda de uma cobra, e bateu um pouco suas asas negras — Pois eu acho que teve sim… — Então, Lyhliath abriu seus olhos vermelhos e encarou-os com rancor. Não demorou muito para abrir sua boca, e mostrar suas mandíbulas.
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