Mahoi

5 Henry - The Traitor


Notas iniciais
Yey~ Só pra avisar que nesse capítulo começa o Yaoi da fic, então, se não curtir, pule o encontro do Alucino com o Henry. Ah, spoiler maldito, spoiler maldito...

Henry virou seus olhos acinzentados para as velas assim que Yuna desmaiou novamente. O brilho intenso na sala escura era a única fonte de iluminação do local que havia sido feito no intuito de prender os prisioneiros do passado na cidade de Hollyet. Existiam celas escuras e imundas por toda parte, e o cheiro podre invadia as narinas das pessoas ali, dando um efeito bem desagradável ao local.

Flavia, naquele instante, tinha pele esbranquiçada e cabelos castanhos, e um chiclete de coloração esverdeada estava em sua boca, sendo mastigado diversas vezes.


Alucino abriu a porta bruscamente, usando suas vestimentas de bardo. Seu cabelo estava avermelhado e algumas sardas preenchiam suas bochechas. Os olhos azulados encararam Flavia rancorosamente, e logo correu para acertá-la em cheio na bochecha, sendo surpreendido por um chute rápido em sua barriga.

— Você não tinha morrido? — perguntou Flavia normalmente, como se aquilo fosse a coisa mais normal a se perguntar.

— Eu sou um mago das alucinações. — respondeu Alucino, com um tom debochado — Você realmente acredita em mim?

— Não gostei do que disse, Alucino — disse Henry, invadindo a conversa — Achei que eu pudesse confiar em você...

— Mas você pode confiar em mim... Só você e Blair podem confiar em mim! — Exclamou Alucino, o que acabou irritando Flavia.

— Ah, sim... Morra. — Disse Flavia, com um tom bravo. Logo, os três começaram a rir, como se aquilo fosse apenas uma situação normal entre eles.

— Não. — Disse Alucino, entre seus risos, e deu um tapa na cara de Flavia, que revidou com um outro — Vamos lutar? — Perguntou.

— Claro! — Respondeu, em suas gargalhadas, chutando o rosto do mago das alucinações.

Logo, os dois já estavam ignorando tanto a garota caída no chão quanto Henry, que apenas observava a discussão. Tapas, chutes, alucinações e bruxarias encheram aquele lugar escuro de ação sem motivo algum além de uma falsa morte. A fraca luz que voltou iluminar o local assim que a porta que havia sido aberta há algum tempo antes por Alucino fechou num estrondo, que, felizmente, não havia sido ouvido por ninguém.


Os corpos dos lutadores logo se encheram de marcas provenientes da batalha que parecia não ter fim. Quando uma explosão de risos invadiu Alucino, Henry não pôde se conter. Passou a rir junto dele, e Flavia não demorou muito para voltar a realizar a ação. Blair realmente teve motivos para escolhê-los como um trio.


Assim que o ambiente se acalmou, Henry decidiu quebrar o silêncio, por mais que gostasse de ficar ali parado, escutando os pássaros que voavam do lado de fora cantarem uma canção semelhante a que Alucino — que era seu amante — gostava de tocar e o barulho que Flavia fazia toda vez que estourava uma daquelas bolas de chiclete.


— Então... — Começou, com sua voz calma — Quem nós sequestraremos agora?


— Tem um garoto que não me soa bem — Disse Flavia — Nunca usou seu poder, pelo que parece. Aquele Robin...


— É um dos meus melhores alunos, se não contar o desconhecimento de seus poderes — Disse Henry — Mas, na minha matéria, ela era ótimo. Quem diria que um garoto quase sem talentos daquele se daria tão bem aprendendo sobre criação de armas e artefatos mágicos?

— Você elogiando ele desse jeito... Me dá ciúmes Henry... — Disse Alucino, inflando suas bochechas.

— Alucino, ele é só uma criança. Não precisa ter ciúmes. — Respondeu Henry.

— Ah, calem as bocas! Eu já tenho que aguentar ver vocês se beijando, e agora tenho que aguentar mais baboseira gay? É isso que querem insinuar? — Perguntou Flavia, com raiva.


— O que significa “gay”? — Perguntou Alucino, fugindo do assunto central da conversa.

— É como gente como você vai ser chamada no futuro, seu gay! — Exclamou Flavia, claramente expressando seu preconceito.

— Sim, sim, nós iremos parar com a “baboseira gay”... — Disse Henry, dando fim na discussão — Mas agora, voltemos ao assunto. Quem nós sequestraremos? O Robin?


E então, estava tudo decidido. A próxima vítima provavelmente seria Robin, um dos melhores membros da Brigada. Flavia despediu-se e mudou de forma, mudando sua forma para a de uma pequena e inocente criança de olhos violetas, e logo desapareceu numa nuvem de fumaça. Henry usou sua pirocinese para fazer uma pequena bola de fogo surgir em suas mãos, iluminando o local para guiar ele e seu amado para o lado de fora, onde eles teriam que fingir mais uma vez ser o que não eram.

— Podemos nos ver hoje, assim que o sol se pôr? — Perguntou Alucino.

— Claro — Disse Henry, e selou seus lábios com os do outro, pouco antes de sair do local abandonado no meio da floresta.

*****

O sol se punha ao longe. A brisa fria do inverno tocava a pele pálida de Henry, fazendo-o tremer de frio no lado de fora da estalagem. A cidade já estava vazia, mesmo com a luz dos lampiões sendo ligados pouco a pouco com algum tipo de magia desconhecida pelo mago do fogo. Enquanto esperava por Alucino, acendeu uma pequena chama para se esquentar, pois nem mesmo a manta negra que usava para cobrir maior parte de seus braços e pernas conseguia esquentar seu corpo.

Quando o mago das alucinações chegou, estava usando roupas pesadas e usava uma forma diferente. Sua pele estava prateada como a lua, e olhos dele estavam mudando de cor entre esverdeado e azulado, o que os tornavam hipnotizantes. Seus cabelos estavam numa coloração loira, quase que branca, e sua estatura parecia ter aumentado.

— Eu preferia o ruivo... — Murmurou Henry, bem baixinho. Foi surpreendido quando Alucino voltou a ficar ruivo, exatamente como naquela manhã. A única diferença entre aquele momento e o outro eram as vestimentas que o outro usava — Ah, você está muito belo essa noite — Disse em voz alta.

— Obrigado. Você também está muito elegante essa noite, loirinho — Agradeceu Alucino

Então, eles começaram a andar pela rua sem nenhum sinal de que estavam juntos em questões amorosas ou coisa assim, falando sobre coisas aleatórias. Os assuntos entre eles eram bem aleatórios entre si, e iam desde livros e feitiços até o que aconteceria se animais de estimação falassem e doces que serviam em estalagens. Quando chegaram numa área mais isolada da cidade, onde tinham certeza que nada poderia vê-los, deram as mãos e encararam a lua que subia no céu noturno, que escurecia aos poucos. Algumas estrelas surgiam, dando ainda mais brilho para a noite de Hollyet, a cidade santa.

— Henry... Sua mão está quente...

— Efeito colateral de se controlar o fogo — Respondeu Henry.

— O ar em volta de você fica quente também? — Perguntou Alucino.

— Não. Acho que está quente mesmo.

— Mas é inver... — Começou Alucino, logo arregalando os olhos. Juntamente de Henry, virou o corpo.

Uma criancinha aparentemente inocente, ou melhor, Flavia, estava atrás deles olhando para o resto da cidade, que estava em chamas. Um símbolo grande, em formato de xis, se espalhava pelo céu noturno, enquanto as pessoas gritavam e corriam insanamente. Yuna e Robin estavam ao lado da bruxa, caídos no chão, de olhos fechados.

Henry percebeu a aproximação de seus alunos, que claramente queriam atacar Flavia. Cobriu-se com o manto, e saiu correndo para bem longe dali.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Ah, e o capítulo ficou menor do que eu esperava, pq achei que assim ficaria melhor. Eu vou pra praia na quarta, só pra avisar, e n sei se no lugar que vou ficar vai ter internet, então, quero que me mandem alguma coisa sobre Mahoi que querem entender, como a criação do mundo, os deuses, a vida de algum personagem, que caso goste da ideia e a receba até amanhã (se for depois, no problem, mas dessa vez vou fazer o que vier até amanhã) eu iria adorar escrever algo sobre sua sugestão! Até mais ver!