Mahoi
8 Blair - The Aurora Borealis
Notas iniciais
Blair estava sentada numa mesa de jantar, que era feita do mogno da maior qualidade existente em todo o reino de Mahoi. Seu jantar estava sendo preparado por um velho companheiro, Vaike, que era, além de um exemplar feiticeiro, que nada mais é do quê um humano com magia que só é capaz de ser usada com o auxílio de um livro de feitiços e um item com valor mágico que "catalise" a sua magia, o servo mais confiável e cabeça quente de Blair e o patriarca da família Hiperink.
Assim que os dois grandes sino do relógio principal do bairro destinado aos feiticeiros de Vinney tocaram 12 vezes, marcando a meia noite, a porta da cozinha do feiticeiro abriu-se, exalando a deliciosa explosão de aromas das comidas preparadas pelo homem.
Se Blair tivesse a necessidade de ingerir qualquer tipo de alimento para sobreviver, gostaria bastante de viver naquela mesa pra sempre. Um peru assado que passou voando pela porta juntamente de uma grande bandeja pousou no centro da mesa, e logo foi seguida de vários outros tipos de alimento e objetos. Uma salada de alface voou pelos ares, caindo do lado de Blair. Já uma panela de uma espécie arroxeada de grão parecido com o arroz caiu ao lado da cadeira onde o feiticeiro sentaria. Mais duas cadeiras surgiram na mesa de jantar, e junto delas, uma travessa de batatas assadas e e uma jarra cheia de um suco de todas as cores, que provavelmente combinava vários sabores.
— Filhas, hora de jantar! — Gritou o homem, enquanto saia da cozinha e se ajeitava na mesa da sala de jantar, que tinha as paredes magicamente encantadas para terem uma parte negra e outra que mudava de cor, como uma aurora boreal. O teto também era mágico, e mostrava o céu que estava fora do planeta, com as estrelas e a combinação de cores formadas pelas galáxias, nebulosas e outros, além de um candelabro provavelmente invisível, o que fazia parecer que todas as numerosas velas que iluminavam o ambiente eram flutuantes — Venham logo! — Gritou o homem.
E então, sem emitir som algum, elas simplesmente apareceram nos lugares que pertenciam à elas, nas laterais da mesa. Uma das garotas tinha cabelos loiros e olhos azuis levemente acinzentados, e sua pele levemente escurecida. Já a sua irmã gêmea tinha os mesmos cabelos loiros, mas sua pele era esbranquiçada e os olhos eram diferentes, cada um de uma cor. O direito era dourado, e o esquerdo era azul claro. Se não fosse o fato do feiticeiro tê-las chamado de filhas, seria identificável a relação fraterna entre as duas.
— Pronto pai. Estamos aqui — Disseram as duas, em uníssono. Se as duas formassem um dueto, com toda certeza as vozes se mesclariam, tornando uma só voz suave e melódica.
— Espero que me conheçam... — Disse Blair, com uma voz que era tão doce quanto dura.
— Claro que te conhecemos, milady — Respondeu a irmã heterocromata — Eu sou Elyse, Grande Bruxa.
— E eu sou Elizabeth, Bruxa Negra.
"Nossa, originalidade. Sempre presente nos nomes de feiticeiros...", pensou Blair.
A bruxa passou o olhar pela bandeja que estava posta a seu lado, e logo em seguida passou o olhar em seu prato vazio. Pela primeira vez na vida, sentiu vontade de comer algo, sentido que aumentava enquanto o aroma do jantar invadia suas narinas. Foi então que ela percebeu que feiticeiro tirou do bolso de sua calça um pequeno livro com uma capa onde prenominava o preto , mas que tinha grandes letras, escritas com uma tinta dourada e brilhante, que juntas formavam a palavra Hiperink, e abriu-o bem na página do meio. Soprou a folha amarelada, e uma espécie de fumaça arroxeada saiu dele, dissipando-se no ar logo em seguida.
Vaike, então, pronunciou alguma palavra que Blair não entendeu, e a joia em seu anel brilhou em vários tons, parecidos como a "aurora boreal" que brilhava na parede. Então, as bandejas e as travessas de comida começaram a girar pela mesa, enquanto uma certa quantidade de comida caia no prato de cada um. Finalmente, eles começaram a comer pouco a pouco. Mas, obviamente, nenhum deles estava ali apenas para comer.
— Blair, você pode fazer o seu pedido agora, por favor? — Pediu o homem de curtos cabelos loiros, que desviou os olhos cinzentos que antes pousavam em seu prato vazio para a direção dos olhos vermelhos de Blair.
— Não — Respondeu Blair, e depois deu um sorriso de canto, enquanto colocava a sua última batata na boca.
— Blair, nada de brincadeirinhas! — Repreendeu Vaike — Agora, diga!
— E se eu não disser? O que você faria, feiticeiro? — Perguntou a bruxa, com o mesmo sorrisinho de antes. O tom de voz dela foi tão inocentemente assustador que ela ganhou olhares surpresos de Elyse e Elizabeth.
O silêncio, então, prevaleceu na sala. Vaike, o feiticeiro, abriu o livreto novamente e mexendo sua boca sem emitir nenhum som, as coisas da mesa começaram a voar e passando pela porta da cozinha, que havia sido aberta ao mesmo tempo em que o mago começou a mexer sua boca. Cansada de ficar parada, então, Blair resolveu quebrar o silêncio de uma maneira que perturbasse o homem.
— Ah, eu quero pedir uma coisa pra vocês — Disse a albina, recolocando o tom doce em sua voz e o sorriso infantil no rosto.
— Resolveu abrir a boca, entã-
— Pai, não fale assim com a Bruxa Negra! — Exclamaram Elyse e Elizabeth, novamente em uníssono.
— Dessa vez, eu deixarei passar, Vaike. Mas se tiver uma próxima... — Começou Blair, sem terminar essa frase — Agora, prestem atenção. Eu quero que vocês vão para Marlett, e dessa vez, sem fogo.
— Ah, você sabe muito bem que fogo não é com um Hiperink. Nosso Dom é o uso do ge-
— E é exatamente por isso, feiticeiros de gelo, que chamei vocês. Vocês iriam para lá, e seguiriam minhas ordens?
— Por mim, nós podería-
— Faríamos isso com todo prazer! — Disse Elizabeth, cortando a fala de Elyse, sua irmã.
— E é bom que façam. Bem, o plano é o seguinte... — E Blair começou a contar o plano aos seus "capangas", escutando suas sugestões e moldando-o conforme as propostas que eram dadas.
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