Magnólia, minha cidade do interior
23 Um laço de amor
—Não... não e não. – Cana dizia repetindo quantas vezes precisasse até eu ceder. – Você não vai fazer dezoito anos de novo minha cara, temos que fazer uma festa pra comemorar. A festa entendeu? Com letra maiúscula.
—É verdade Lucy, não se chega a maioridade mais de uma vez. – Erza falou concordando com a cartomante.
—Vocês não entendem... meu pai não quer e eu não vejo necessidade... – tentei argumentar de novo, mas foi fomo chorar sobre o leite derramado, não adiantou nada.
—Você vai nos agradecer depois. – Cana disse pondo um ponto final em nossa discussão.
Bem durante as férias de aula nem tocaram nesse assunto, daí quando Natsu contou que meu aniversário é daqui três dias, minhas amigas surtaram.
Eu sei que só se faz dezoito anos uma vez na vida, mas pra mim não é necessário uma grande festa, estou bem assim, e além disso, as finanças de meu pai estão cada vez mais baixas devido a ele não estar no seu cem por cento nos últimos meses, e então significa que apenas Natsu e eu estamos trabalhando na fazenda, o que não gera tanto lucro assim.
—Por que não explica pra elas que não podemos gastar? – Natsu sugeriu a mim enquanto estávamos indo para casa depois da aula.
—Não sei se o pai quer que alguém saiba das dificuldades lá de casa.. – respondi, lembrando-me que Jude era gentil, mas um tanto orgulhoso em certos pontos, e financeiro era um deles.
—Então diga que você não quer uma festa. – Natsu continuava tentando colaborar, mas ele não estava sendo um dos mais criativos em arranjar uma desculpa.
—Eu já disse isso. – Olhei pra ele erguendo minhas sobrancelhas pra dizer o quão óbvio era.
—Ok, eu desisto. – Natsu sorriu ao ver minha expressão e então voltou sua atenção para estrada.
Nossos cavalos estavam lado a lado, não tão lentos e nem tão rápidos, a velocidade ideal para que pudéssemos conversar e não chegar atrasado pra fazer o almoço.
—Jude já pegou uma febre assim antes? – perguntei preocupada a Natsu.
—Não lembro. – Natsu tentava vasculhar em sua memória. – Pra falar a verdade, não lembro de uma vez que ele tenha ficado doente... digo fora aquela vez que ele me salvou.
—Entendo. – falei voltando meu olhar para frente e pensando quanto tempo ainda pra ele melhorar. Acho que estava na hora de chamar um médico.
Chegando em casa fomos até o quarto ver como o velho Jude estava, abrimos a porta lentamente para não acordá-lo caso estivesse dormindo, e nos aproximamos da cama.
—São vocês... – sua voz saiu rouca e demonstrava cansaço. – Desculpem, não pude levantar para preparar um almoço pra vocês...
—Não tem problema pai, nós nos viramos ok? – eu cheguei mais perto e coloquei minha mão sob sua testa, a mesma estava quente e suada. – Natsu você pode pegar mais um cobertor pra mim fazendo o favor?
Ele afirmou com a cabeça e foi procurar o que pedi enquanto eu ia pegar um pano com água fria pra tentar diminuir a febre de meu pai.
Logo ele estava coberto e eu apalpava o pano em sua testa, ele sorria pra mim agradecido.
—Logo é seu aniversário não é? – ele pediu pra mim, parecia aborrecido.
—Sim, mas não quero nada, fique tranquilo. – falei para Jude, antes que o mesmo se invocasse e piorasse de sua febre.
—Lucy? – Natsu chegou mais perto. – eu terminei o almoço, quer que eu traga pra darmos pra ele?
—Sim por favor. – pedi a Natsu, e assim demos sopa pra Jude, meu pai insistiu em tomar sozinho, sem que ninguém o ajudasse, mas acabou se derramando um pouco devido a sua fraqueza.
—Estou um inútil... – ele disse desanimado com a sujeira que fez.
—Não, isso é temporário pai, logo o senhor estará bem melhor do estava antes. – falei rindo pra ele e ajudando o mesmo a se limpar.
—Deus te ouça. – falou meu pai religioso.
—Nós precisamos ir fazer as tarefas da fazenda pai, antes que comece a chover. – eu disse um pouco culpada por ter que deixa-lo sozinho. – Por favor fique embaixo das cobertas e procure descansar e de forma alguma abra a janela, você não pode pegar esse vento, ok?
—Sim minha enfermeira. – papai disse sorrindo para mim, mas deve ter sentido dor, pois ele logo desapareceu.
Enquanto estávamos almoçando, Natsu me olhava a todo instante. Sei que ele se preocupava tanto quanto eu com Jude, mas infelizmente não podíamos ficar com ele direto, precisávamos continuar fazendo as coisas da fazenda, senão não teríamos o que comer.
—Ele vai melhorar, você vai ver. – Natsu dizia pra mim cada pouco, tentando me acalmar.
—Não seria melhor chamar um médico, tem alguém aqui não é? – perguntei ao meu namorado.
—Tem uma, mas Jude não gosta muito dela e não gosta de chama-la por que acha que não adianta nada. – Natsu respondeu tão decepcionado quanto eu.
—Ah teimosia. – blasfemei.
O resto do dia se passou rapidamente e nos próximos a mesma coisa, papai quase não conseguia levantar da cama devido à fraqueza, sua febre baixava e logo aumentava de novo, Natsu e eu trabalhávamos na fazenda quando conseguíamos, pois a nuvem de chuva se posicionou sob Magnólia e não quis mais sair.
Eram aproximadamente seis horas da tarde, eu e Natsu estávamos em silêncio na cozinha fazendo um trabalho de aula, ao som da chuva e do vento do lado de fora da casa fazia a plantação de milharal ficar assustadora.
Cada pouco espiávamos Jude e ele permanecia dormindo, amanhã, não importa o que ele pense, irei chamar a doutora Poluchka para examiná-lo, eu já suspeitava que não fosse uma febra normal.
De repente ouvimos toc toc toc na porta de entrada, quem em sã consciência sairia de casa num tempo desses?
—Será que você pode atender? – Natsu perguntou pra mim. – Eu estou ocupando a régua e achei o ponto certo.
—Claro. – levantei tranquilamente e passei por ele, saindo da cozinha e indo até a porta.
—SURPRESAAAAAAA! – Meus amigos gritaram todos juntos debaixo do mesmo guarda chuva, todos encharcados.
—O que? – tentei perguntar, mas logo foram me empurrando para dentro de casa.
—Não achou que esqueceríamos não é? – Cana falou ironicamente.
—Esquecer o que? – pedi curiosa.
—Meu deus, ela se esqueceu do próprio aniversário. – Erza falou rindo, enquanto se secava com a toalha que meu namorado trouxe. – Natsu, era para mantê-la distraída, mas não ao ponto dela se esquecer que está de aniversário.
—É mesmo.. hehe... – cocei a nuca e senti minhas bochechas queimarem. – Desculpem... eu não fiz nada.
—Relaxa loira. – Laxus se secou também e passou por mim indo até a cozinha, ele carregava uma caixa grande.
—Hoje é o seu dia e os aniversariantes não precisam se preocupar com nada. – Jella sorriu pra mim deixando a toalha com a caçula Strauss e foi até a cozinha atrás do loiro levando uma caixa um pouco menor.
—Foi tudo ideia do Natsu ok? – Lisanna disse piscando pra mim e passando a toalha para a irmã.
—Não se preocupe Lucy, ele nos contou o que está acontecendo e você não precisa se envergonhar. – Mira falou já seca e levando para a cozinha uma caixa pequena nos braços.
—Viemos ajudar querida. – Freed falou indo logo atrás da namorada.
—O que você disse a eles? – perguntei a Natsu. Ele veio até mim e colocou suas mãos em meu rosto, fazendo-me olhar diretamente em seus olhos esmeralda.
—Não se preocupe com isso, hoje é o seu aniversário sua esquecida, aproveite. – ele me deu um selinho e me levou até a cozinha com os outros.
Observei Freed tirar um pacote de farinha , açúcar, feijão e arroz, e alcançando para Mira ir guardando nos lugares que ela achava que era.
Olhei para Erza e Jellal, os mesmos estavam tirando alguns pães da outra caixa e guardando no outro armário.
Laxus e Cana tiravam alguns balões azuis da caixa e enxiam de ar e suspendiam com barbantes no teto, enquanto Lisanna ia colocando algumas guloseimas caseiras sob a mesa.
—Isso tudo é pra mim? – olhei para os enfeites, os salgados e doces que meus amigos prepararam. Não pude deixar de chorar, eu não queria dar problema pra eles, eu era apenas uma garota nova em Magnólia e eles me recolheram com tanto carinho. – Obrigada!
—Ohhhh, Lucyyy... – Cana, Mira, Erza e Lisanna vieram até mim me abraçar, enquanto os meninos observavam a cena. – Você merece linda.
—Merece muito mais na verdade, mas não temos tantos recursos quanto na cidade grande, mas o que vale... – Natsu estava falando e eu o beijei, docemente, apenas para ele calar-se e sentir o quanto eu amava ele e o que ele fez por mim.
Estávamos todos conversando e comendo na mesa da cozinha, as risadas eram baixas pois todos sabiam que Jude estava de cama, então peguei um pedacinho de torta e um pouco de suco e levei até ele.
—Papai, com licença... – entrei e sentei em seu lado na cama. – trouxe pro senhor.
—Obrigada minha doce filha. – ele se ajeitou com dificuldade na cama e então o ajudei a se alimentar, fiquei conversando um pouco e quando eu ia sair ele segurou em minha mão. – Eu tenho um presente pra você...
—Pai, não precisa... – tentei argumentar, mas ele abriu à gavetinha da cômoda que estava ao lado da cama, na qual ele alcançava com facilidade.
—Você usava ele quando era pequena, sempre vinha correndo com ele na mão até mim para que eu prendesse pra você. – ele estendeu um pacotinho rosa de presente feito por ele mesmo, o peguei e abri, dentro dele continha um pedaço de fita azul, sorri e algumas lágrimas vieram encher meus olhos, eu as contive, então dei para ele e baixei a cabeça para que ele pudesse arrumar meu cabelo. – Pronto, linda como sempre.
Levantei e olhei no pequeno espelho que meu pai tinha no quarto, era um rabinho de lado com um laço azul, ficou tão bem em mim, que parecia que eu sempre usava este penteado.
—Obrigada pai. – fui até ele e o abracei.
—De nada, era seu já, mas quando sua mãe a levou com pressa, vocês se esqueceram. – ele dizia com algumas lágrimas nos olhos, eu continuei abraçada a ele, e então ele pegou no sono depois de um tempo, sua respiração estava um pouco irregular, mas sua febre diminuiu e suas expressão não era mais de dor.
Sai do quarto de fininho para não acordá-lo e fui até a cozinha. Chegando lá, todos me olharam e as meninas pareciam que iriam me pular.
—Ai meu deus que lindinha. – Erza disse olhando para o laço no meu cabelo.
—Ué, de onde veio? – Cana perguntou.
—Meu pai me deu agora. – falei sentando no meu lugar.
—Como ele está Lucy? – Lisanna perguntou e Mira colocou a mão sobre a minha.
—A febre passou e parece que ele não sente mais nenhuma dor como antes, mas a respiração dele está um pouco alterada. – comentei com elas.
—Não é melhor chamar a doutora? – Erza solicitou.
—Jude não...
—Vou chamar assim que amanhecer. – Interrompi Natsu, chega de seguir ordens de quem nem estava pensando direito.
—Se você acha... – Natsu falou apoiando-me.
—Bem, vamos mudar de assunto pra melhorar esse clima. – Cana disse levantando e pegando uma caixa pequena. – Nós decidimos gastar um pouco a mais de dinheiro no seu presente Lucy, e por isso estamos dando todos juntos. Exceto Natsu, ele disse que tinha algo já.
—Não precisavam comprar nada, meu deus não gastem seu dinheiro comigo. – eu argumentei preocupada.
—Bem, será que devolvemos então? – Jellal olhou para os outros e para minha expressão de espanto. – Haahahaha, Lucy, Lucy, tão ingênua.
—Aqui está. – Cana entregou a caixa para mim. Eu peguei com todo o cuidado, por que pelo visto eles gastaram bastante, então era algo de valor.
Abri a pequena caixinha e uma luz dourada apareceu, logo percebi que era como uma joia, então meus olhos se acostumaram e eu peguei um colar com um pingente no qual eu nunca havia visto aquele símbolo, parecia a metade de um coração, mas tenho certeza que não é isso..
—Ah.. – olhei boquiaberta para meus amigos. – Eu não sei o que dizer.... eu... isso é ouro?
—Sim. – Erza respondeu. – queremos que se lembre de nós para sempre, independente se ficar aqui futuramente ou não.
—Meu deus... obrigada mesmo... – eu não sabia o que dizer, aquilo era lindo, mesmo não entendo o significado ainda, era um presente entanto de amigos que eu recém conheci, mas que já conquistaram mais do que meu pequeno coração.
—Que bom que gostou Lucy, você tem o símbolo da nossa amizade agora. – Cana falou e puxou de dentro da blusa uma corrente que tinha uma corrente com o mesmo pingente, só que em prata.
E assim todos fizeram o mesmo, cada um com seu, só que de material diferente.
—Ganhei da Mira essa semana. – Lisanna mostrou a dela empolgada, em prata também, ela merecia.
—Obrigada, eu realmente amei isso... não sei como agradecer. – Falei rindo e lacrimejando ao mesmo tempo, e dessa vez quem veio me consolar foi Natsu, que me abraçou e mexeu um pouco no meu cabelo.
—Bem, minha vez. – Natsu se levantou e foi até seu quarto, quando voltou trazia com ele uma caixa média com alguns furinhos, estranhei a embalagem do rapaz quando ele me entregou.
Quando abri, eu quis levantar e lhe dar o maior beijo que já havia dado em Natsu. Dentro da caixinha havia um pequeno felino de pelagem azul, que miou ao me ver.
—Ownnnn.. – as meninas fizeram ao mesmo tempo quando viram o filhote de gato.
—Como conseguiu deixar o pelo dele dessa cor? – Laxus perguntou curioso.
—Spray próprio. – Natsu respondeu sorrindo ao ver minha alegria.
—E onde conseguiu um? – Laxus pediu.
—Erza que me deu. – Natsu respondeu simplesmente.- Agora não me peça como ela tem isso.
Fui até meu namorado com o pequeno filhote no colo e lhe dei um beijo de agradecimento.
—Que bom que gostou. – ele disse relaxando os músculos que até então estavam tensos.
—Eu amei. – olhei para o gatinho e por um breve instante vi a felicidade que ele iria nos trazer. – Vai se chamar Happy!
—Lindo nome. – Jellal falou e todos concordaram.
Passamos o resto da noite paparicando Happy e conversando sobre o símbolo, nas quais foram ideia de Cana. Ela contou que hà alguns anos atrás, ela e Erza decidiram fazer para simbolizar a amizade das duas, mas depois veio a Mira, o Jellal e enfim, elas viram que a amizade é inficita quando se tem os amigos certos, então que o circulo fique cada vez maior.
—Incrível, mas me desculpem pedir, desculpem mesmo... – fiquei um pouco sem graça. – Mas o que é esse símbolo mesmo?
—Hahahahahaha... – Erza e Cana riram. – Desculpe a gente Lucy.
—Bem.. – Cana veio até mim e segurou o pinge em suas mãos para me explicar. – Aqui, essas ondas, são como asas, aqui é como se fosse um cabelo, e aqui é o pé, e aqui como se fosse uma calda.
—Uma fada? – perguntei admirando o símbolo.
—Exatamente. – Erza sorriu. – Foi a Cana quem desenhou e eu amei, então decidimos eternizar nossa amizade como um ser imortal, uma fada.
—Poxa, é lindo mesmo. – sorri para o símbolo o largando sob minha pele, deixando ele fazer seu trabalho de colar.
—O papo está ótimo, mas amanhã temos aula. – Erza disse se levantando e Jellal já acompanhou sua namorada.
—Tem razão. – Cana se levantou também.
—Vocês tem certeza, está um tempo meio feio, não querem dormir aqui? Não tem muito espaço, mas damos um jeito. – Ofereci poso, pois realmente estava começando a trovejar.
—Agradecemos Lucy, mas nossos pais vão nos pegar se não formos pra casa. – Cana respondeu já indo em direção à porta.
—Eu acho que eles vão pegar você se você for neste tempo pra casa Cana. – argumentei.
—Faz sentido, mas não quero incomodar e já decidimos. – Cana disse já abrindo a porta e o vento gélido entrando.
—Bem obrigada mesmo pelo presente e pelas coisas que trouxeram, eu sou muito grata, de verdade. – falei abraçando minhas amigas e acenando para seus namorados.
—Sempre que pudermos fazer algo, faremos. – Erza disse acenando e abrindo o guarda chuva.
—Mande melhoras para Jude por nós. – Mira segurou em minhas mãos e foi com seus irmãos.
Natsu veio até mim e segurou em minha cintura, e me deu um pequeno beijo no pescoço, o que fez eu me arrepiar inteira.
—Feliz aniversário! – ele disse antes de me beijar, foi um beijo um pouco mais ousado, mas não o parei pois estava bom, ele me encostou na parede e me deixou prensada na mesma, suas mão passeavam pela minha cintura, costa e perna, e as minhas pelo seu abdômen, cabelo e seus braços fortes.
Ficamos assim mais um tempo e então nos pusemos ajeitar a cozinha, que não demorou muito, então fomos ver como Jude estava e ele dormia tranquilamente, as vezes seu corpo tremia um pouco, então eu e Natsu prendemos as cobertas nas laterais da cama para assegurar que ele não perdesse as mesmas a noite.
Dei um beijo em sua testa quente e assim fomos cada um pro seu quarto dormir e descansar pois amanhã seria um longo dia.
Deitei na cama logo após tirar o pequeno laço azul que meu pai me deu e o segurei lembrando do meu dia, apesar de meu pai estar doente e de cama, meu aniversário foi incrível, passei com as pessoas que eu gostava, ganhei o melhor símbolo de amizade que poderia receber e agora eu tinha um companheiro de cama, o gato de pelagem azul tonalizada que meu namorado me deu, dormia no meu quarto e estava totalmente coberto ao meu lado, não pude deixar de sorrir para tamanha fofura.
Adormeci abraçada a Happy, e em minha mão segurava a fada dourada e o laço azul, e como se fossem meus amuletos da sorte, tive apenas sonhos bons, de quando eu era criança, brincando com meu pai e correndo atrás de uma garotinho, do qual não podia ver o rosto.
Então sou despertada com um ranger de porta estridente. Abri meus olhos levantando da cama rápido para tentar entender o que diabos Natsu estava fazendo no meu quarto logo de manhã, se papai descobrisse ele estava ferrado.
—Lucy... – Natsu falou respirando com dificuldade e tentando botar pra fora as palavras. – Seu pai.... ele não está respirando...
Com um tapa no rosto e um balde de água gelada, eu levantei da cama correndo sem me importar se estava sem sutiã, fui direto ao quarto de meu pai e me ajoelhei ao lado da cama, tentei apalpá-lo, mas como Natsu disse, ele não respirava, estava sem pulso, sem o levantar do peito e em seu pescoço também não havia sinal.
Rapidamente tentei fazer boca a boca e massagem cardíaca, exatamente como tinha apreendido na escola antes de me mudar pra Magnólia, mas nada adiantava.
—Não não não.... – continuava a repetir o processo, precisava dar certo, tinha que dar certo, afinal por que eu tinha apreendido se não era pra salvar a vida de meu pai. – Pai, pai, vamos lá...
—Lucy.. – Natsu tentou me chamar, mas não lhe dei atenção. – Lucy... não adianta... eu sinto muito.
—Não... ele vai voltar... – meu olhos começaram a arder, e meu coração a doer, mas eu persisti, não poderia perder meu pai também, não agora.
—Lucy... – Natsu se ajoelhou ao meu lado e me abraçou com força para que eu parasse.
—Não, me solta... eu preciso ajudar ele... – as lágrimas agora desciam como uma torneira aberta, a dor só crescia e eu me via novamente inútil diante do corpo de meu pai, novamente eu não pude fazer nada.
Por que eu não conseguia fazer nada? Por que eu tinha que vê-los morrer em meus braços? Por que agora? Por que comigo?
—NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!. – Eu gritei e baixei a cabeça, onde meus olhos fixaram na fita azul que se enrolou no meu braço enquanto eu dormia, meu último laço de amor com minha família.
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