Magnólia, minha cidade do interior

21 Um cachecol serve para duas pessoas


Notas iniciais
Desculpem a demora, mas caprichei para os últimos capítulos :)

Mais tarde naquele mesmo dia, eu estava tratando os animais e pensando no presente que meus amigos enviaram de aniversário, como será que termina aquele seriado e como eu vou assistir?

—Ahm... Lucy... acho que você já deu o suficiente... – a voz de Natsu me despertou e eu reparei no monte de quirera que fiz para as galinhas.

—Oh... que droga... – reclamei coçando a cabeça e indo guardar o saco da ração.

—Ahm... e então... tudo bem? – Natsu perguntou olhando um pouco nervoso para mim.

—Sim... eu que devo desculpas lembra? – falei sorrindo sem graça.

—Olha... – ele começou a falar vindo em minha direção e a poucos passos de me alcançar ele parou e apenas olhou em meus olhos. – Sinto muito pelo houve hoje, mas acredite, eu fiquei tão chateado e nervoso quanto você.

Eu suspirei, o que eu poderia fazer? Agora era a hora de dizer a ele como me senti? Confessar que eu estava pronta?

—Então se pudermos deixar pra lá esse ocorrido, sei que você está desconfortável, não quero pressioná-la ok? – ele falou sorrindo, Natsu sempre compreensivo, mas era o certo prolongar ainda mais esse assunto? – Então, estou curioso, mas se não quiser contar, eu respeito...

—O que? – perguntei estranhando sua pergunta, do que ele estava falando?

—Do envelope e do pacote que Jude lhe entregou mais cedo... – Natsu explicou vendo minha expressão duvidosa.

—Ah.. hehe... – corei, droga, eu estava no mundo da lua. – Era uma carta dos meus amigos de Era, e um dvd e uma foto deles...

—Posso ver? – Natsu perguntou ansioso.

—Claro, venha comigo. – Fomos até meu quarto e o convidei para entrar, ele não tinha vindo aqui desde o dia que ele trouxe minhas bagagens.

Ele se sentou na cama e esperou que eu lhe entregasse a foto, ele analisou e seu sorriso desapareceu, franzindo o cenho e eu não soube explicar o porquê.

—O que é isso? – ele perguntou um pouco indignado. – Você está bem? Como eles foram capazes de fazer isso com você? Não eram seus amigos?

—Do que está falando? – perguntei curiosa pelo motivo que deixara Natsu tão nervoso.

—Disso aqui! – ele levantou e apontou na foto as mãos de Juvia e Gray entrelaçadas.

—Ah... ahahahaha... sim eles estão juntos... – respondi sorrindo para a reação de Natsu.

—Você não estava com ele? Não gostava dele? – Natsu perguntou estranhando meu sorriso e indiferença quanto ao fato.

—Se eu gostasse dele não teria quase beijado você duas vezes! – respondi um pouco grossa, afinal já tínhamos conversado sobre isso e ele parecia insistir no assunto até que eu admitisse que estava apaixonada por ele.

Natsu ficou em silêncio, não soube o que me responder, então ele sentou novamente na cama, largou a foto ao seu lado e baixou a cabeça apoiando em suas mãos, que seus cotovelos estavam apoiados em seus joelhos.

—Eu sou um idiota! – ele falou e eu suspirei com sua admissão, então fui até ele e sentei ao seu lado. – Me desculpe.

—Você é um idiota... – eu falei sorrindo. – Mas é o idiota que eu gosto.

Então sua cabeça se ergueu rápida para me encarar, e em suas bochechas começaram a surgir pequenos sinais de rosa, que deu a ele uma expressão nua de envergonhado.

—Quando você faz aniversário? – ele perguntou tentando espantar a cor estampada em seu rosto.

—Daqui três meses, dia 01 de fevereiro. – respondi estranhando a mudança de assunto súbita e a pergunta em si. — E você?

—Semana que vem, 07 de novembro. – ele sorriu com a pergunta.

—O que foi? – perguntei curiosa.

—Nada, apenas lembrei de algo que aconteceu no meu último aniversário. – ele respondeu olhando para mim.

—O que aconteceu? – sorri para ele pedindo para me contar.

—Eu estava chateado com Lisanna, então quando soprei minha vela, pedi que alguém legal aparecesse para mudar minha vida. – ele contou e seus olhos brilhavam de satisfação.

Sim, novamente meu rosto pareceu ferver e minha barriga se embrulhava, eu não sabia o que falar, eu apenas sorri e novamente aquela sensação de momento perfeito invadiu minha mente e meu corpo.

—Crianças... – a voz de meu pai gritou da cozinha. – A janta está pronta.

Olhamos um pro outro e sorrimos, ambos tínhamos entendido que ainda não era a hora, pois fomos interrompidos antes mesmo de tentarmos, mas agora eu sabia que estava pronta, eu queria isso, queria estar com Natsu.

Chegando à cozinha papai já havia preparado a janta e a mesa estava pronta e então ele reparou que Natsu e eu já havíamos nos acertado.

—Fico feliz que resolveram o problema do trabalho da escola. – Jude falou rindo e olhando para Natsu piscando com apenas um olho. O que foi aquilo?

—Sim, estamos progredindo nele. – Natsu falou feliz e foi se sentar em seu lugar, quando passou pelo meu pai recebeu pequenos tapinhas de afeto nas costas e aquilo não era exatamente normal, o que estava havendo?

Bem, o resto da noite passou tranquilo e rápido, por mais que tenha sido uma mentira que Natsu e eu não estávamos falando um com o outro por causa de um trabalho, eu tinha um pra fazer e um tanto complexo, e já que não tinha internet eu precisava de livros, e papai e Natsu não tinham quase nada, então passei o final de semana na casa de Erza e fizemos juntas.

Foram dois dias divertidos a beça, Erza tem sido uma de minhas amigas mais próximas e sempre que eu precisava de algo ela era a primeira a oferecer apoio.

E como tudo o que é bom dura pouco, fizemos o trabalho, conversamos um pouco, planejamos a festa de aniversário de Natsu e o fim de semana acabou rápido. Já no outro dia, segunda-feira, estávamos indo para a escola e encontramos Jellal no caminho, então demos carona e eu banquei a vela, sim eles finalmente se beijaram e agora descobriram que podem fazer isso quantas vezes quiserem, mas eu não me incomodava, sabia que ambos estavam felizes um com o outro e logo eu teria a minha felicidade também.

Chegando à escola, Natsu, Cana e Lisanna estavam no murro conversando, e quando o rapaz me viu, abriu um sorriso imenso e veio em minha direção.

—Como senti sua falta. – ele disse me abraçando na frente de todos, senti minhas bochechas corarem e as meninas deram risada. – Nunca mais passe o final de semana fora, Jude quase me deixou louco.

—Mas você passavam sozinhos antes de eu vir. – argumentei sorrindo com o desespero dele.

—Isso era antes dele ter você em casa, ele ficou só falando: “meus deus, será que minha menina esta bem?”, “será que vai passar fome?”, “será que está segura?”. – Natsu imitava a voz preocupada de meu pai e eu não pude evitar de rir alto, afinal conhecendo Jude como ele era, ele fazia assim mesmo.

—Ok, vou tentar. – falei rindo e cumprimentando os outros amigos.

A aula passou-se rápido e logo eu estava indo pra casa e como Natsu descreveu, meu pai estava com os nervos a mil e quase quebrou meus ossos com o abraço que me deu quando retornei para casa.

Depois do almoço eu me fechei no quarto e comecei os preparativos para os enfeites da festa de Natsu, o aniversário dele era na quarta, mas já estávamos deixando tudo pronto, eu fiquei encarregada de fazer as comidas e de achar um tema pra festa e é claro, cada um iria dar o seu presente.

Depois de muito pensar eu tive a ideia de fazer dragões para enfeitar a festa, alguns desenhos e enfeites vermelhos, então passei a tarde fazendo rascunhos e tudo mais, logo me chamaram para janta e Natsu curioso queria saber o que eu tanto fazia no quarto, então falei que estava escrevendo um livro de romance, bem chato, ele aceitou a resposta e não voltou a tocar no assunto.

Terça-feira passou tão rápido quanto o dia anterior e logo estávamos nos reunindo na nossa casa na quarta a noite para comemorar o grande dia que Natsu se tornava maior de idade.

—Eu não acredito que vocês fizeram tudo isso pra mim? – Natsu olhava para os dragões que desenhei nas paredes e pendurados como se voassem por cima das guloseimas na mesa da cozinha.

—Acredite, foi tudo a Lucy. – Erza dizia abraçada com Jellal.

—Oh não, o crédito vai para todos. – eu falei sorrindo ao ver a felicidade que Natsu se encontrava em ter uma festa com dragões.

—Obrigada mesmo. – ele olhou com as pupilas dilatas e quase lacrimejando para mim, então me abraçou.

—Você merece! – eu retribui o afeto e logo nos soltamos para que Natsu pudesse dar as boas vindas ao restante do pessoal que estava chegando.

—Parabéns cara. – Laxus chegou com Cana abraçando seu amigo. Sim eles tinham se acertado, Laxus entendeu que estava errado e viu que amava sua companheira, então lhe deu a atenção e o carinho que ela merecia.

—Obrigado amigo. – o rapaz agradeceu e pegou o presente que o loiro lhe deu.

—Natsu meu querido, eu li as cartas pra você e vi que vai ser muito feliz ao lado de quem ama, apesar das dificuldades em seus caminhos. – Cana segurou em seu braço e sorriu pra ele e depois olhou para mim, eu olhei para o outro lado e fingi que não tinha escutado, mas o rubor em minha bochecha me denunciou.

—Obrigado Cana, mas isso eu já sabia. – Natsu sorriu e olhou para mim também, eu novamente fingi nem notar.

—Olá... – Mira e seus irmãos chegaram trazendo um pacote de presente e entregando ao aniversariante, ele agradeceu entusiasmado e abraçou todos.

—Todos já chegaram? – papai perguntou chegando mais próximo a mim, então observei e confirmei a ele, acho que não faltava ninguém. – Então está na hora.

Jude foi até a geladeira e pegou o bolo que fiz e o trouxe até o centro da mesa.

—Feliz Aniversário garoto! – Jude desejou a Natsu e eu puxei o canto:

—Parabéns pra você... – cantamos em alto e bom som, e dos olhos de Natsu pequenas e teimosas lágrimas tentavam sair, mas ele as impedia, e assim ele olhava para mim e para meu pai com toda gratidão que seu olhar poderia transmitir, Jude trocou um olhar de orgulho e satisfação comigo, estávamos felizes por fazer Natsu feliz.

—Faça um pedido rapaz.. – meu pai pediu e Natsu foi perto do bolo e assoprou a vela.

—Fiz um pedido para manter o outro de pé, afinal o meu sonho já se realizou. – Natsu falou e olhou para mim sorrindo, eu sorri de volta, sim, eu estava apaixonada por ele, não tinha mais como eu negar e nem o porquê, afinal não havia nada de errado, e eu queria ser feliz e fazê-lo rir todos os dias.

—Abra os presentes Natsu. – Erza sugeriu empolgada.

—Ok. – Natsu pegou o pacote de Erza e Jellal e quando abriu resgatou de dentro uma camiseta que continha à estampa de um dragão. – Uou, obrigado gente.

Eu e todos sorrimos ao ver a humildade do nosso amigo.

—Abre o nosso. – Lisanna disse apontando para o pacote maior, Natsu o pegou e com a mesma velocidade tirou um moletom vermelho com desenho de asas nas costas.

—Caramba que demais, obrigado. – ele sorriu para os três Strauss e prosseguiu para um pacote um pouco menor.

—Esse é meu! – Laxus pronunciou-se.

—Oh... obrigado cara. – Natsu tirou de dentro do pacote três pares de meias vermelhas, eu acho que ninguém goste de ganhar meias, mas o rapaz de cabelos rosas pareceu não se importar.

—Toma garoto, esse é o meu. – Jude entregou a ele um pequeno pacote, eu não sabia o que era, meu pai não me mostrou, disse que não podia contar.

—Obri... obrigado Jude... obrigado... – Natsu tirou de dentro palhetas vermelhas e pretas.

—Está na hora de voltar a tocar não acha? – Jude sorriu ao ver a emoção do rapaz.

—Natsu nos contou uma vez que não tocava violão, pois a única música que sabia tocar era aquela que a mãe dele cantava pra ele, e isso era doloroso. – Erza me explicou baixinho para que ninguém ouvisse exceto eu.

—Bem... esse é o meu. – fui até ele com um pacote pequeno, fiquei um pouco envergonhada por ser tão humilde comparado aos outros.

Natsu pegou sorrindo e desfez o pacote, quando abriu, desenrolou um cachecol branco que eu passei tardes costurando, bem Mira me ensinou e eu me esforcei bastante, espero que ele tenha gostado.

Mas não soube dizer, pois ele ficou olhando para o tecido em sua mão, sua expressão parecia de surpresa, mas ao mesmo tempo ele parecia nervoso.

—Natsu? – tentei chamar sua atenção, será que ele não tinha gostado.

—Esses detalhes parecem escamas de dragão... – ele comentou e olhou em meus olhos, vi a felicidade estampada neles.

—Acho que sim... – sorri aliviada ao perceber que ele gostou.

—Sabe o melhor? – Nastu deu um passo em minha direção e com um movimento rápido entrelaçou o cachecol no meu pescoço e no seu fazendo com que nos aproximássemos mais. – é que ele serve para dois.

E assim seus lábios colaram nos meus, minha surpresa foi tamanha que mal pude reagir direito, eu apenas senti o calor me invadindo, uma mão de Natsu em minha cintura para me manter perto e a outra no rosto. Meu coração parecia que iria explodir, mas cedi aos meus desejos, finalmente dei abertura para Natsu aprofundar o beijo e assim nossas línguas começaram a dançar uma com a outra numa eterna melodia de carinho e total sincronia.

Ao longe ouvi os gritos e assovios de nossos amigos, finalmente foi à palavra que mais se deu pra ouvir, bem, além do amor que eu tinha certeza que sentia por Natsu e a alegria de finalmente admitir e me entregar a isso foi tão intensa quanto descobrir que o cachecol é muito mais quente quando usado por duas pessoas.