Magnólia, minha cidade do interior
22 Debaixo do Visco
Depois que a festa do aniversário de Natsu terminou e todos foram embora, já satisfeitos, meu pai fechou a porta e olhou sério para mim e o meu suposto namorado. O que mais me assustava não eram seus braços cruzados, ou o cenho franzido ou até mesmo o tremor dentro de mim pela vida do rapaz ao meu lado. Não, o que mais me assustava era ver o pequeno e discreto sorriso de canto de Natsu e o brilho de orgulho nos olhos de Jude, isso me deixava nervosa.
—Bem... o que dizer a vocês numa hora dessas... – meu pai começou a falar e foi até a mesa da cozinha se sentar e nos chamou com o dedo para nos sentarmos de frente pra ele. – Eu imaginei que isso iria acontecer, e por mais que você Lucy esteja assustada, da pra ver, eu apoio, vocês são jovens e merecem viver isso, não vejo nada de errado, quero que sejam felizes e façam um ao outro feliz, tudo bem?
—Sim senhor... – Natsu pronunciou-se. – Eu jamais, é uma promessa para o senhor e para Lucy, jamais eu a faria chorar ou machuca-la de qualquer forma, eu prometo ser um companheiro que só trará felicidade a ela.
—Certo. – Jude agora adotava uma expressão mais séria. – Agora vamos a algumas regras, que se algum quebrar, as consequências serão severas.
—Certo. – Natsu falou esperando pelas condições de meu pai.
—Muito bem. – Meu pai se ajeitou na cadeira e olhou seriamente nos olhos de Natsu e depois fixou nos meus e assim foi alternando. – Embora eu saiba que ambos são maiores de idade, digo Lucy vai fazer dezoito daqui alguns meses, eu quero que se cuidem e não apressem nada.
—Senhor.. – Natsu tentou se impor para explicar suas intenções mas papai levantou a mão pedindo que o deixasse terminar.
—Vocês são jovens e eu sei como os hormônios funcionam, então não precisam me explicar nada, mas tenham cuidado por favor, por mais que eu queira ser avô, ainda é cedo pra vocês. – meu pai falava com naturalidade, olhei para Natsu e ele estava encabulado, também pudera, nós tínhamos conseguido nos beijar finalmente e o que meu pai fala, para cuidarmos com os hormônios, eu imagino o quão nervoso o rapaz estava. – Continuando, tentem não ficar juntos na escola, por respeito aos colegas, professores e ao próprio diretor, esta bem?
—Sim senhor. – Dessa vez eu respondi, eu não iria querer repetir a nossa conversa com o senhor Hades e ainda nem cumprimos o nosso serviço comunitário.
—Quanto aqui em casa, ainda vão dormir em quartos separados, não quero as portas fechadas quando estiverem a sós, e não quero ver vocês se beijando em todo o cômodo que eu entrar, é desconfortável, apesar de eu gostar de vocês juntos, está claro? – ele disse olhando firmemente para nós dois.
—Sim pai. – respondi, eu entendia completamente, mesmo Jude não dando todas essas regras, eu iria segui-las do mesmo jeito, por respeito a mim mesma, eu sei o que um casal deve manter entre quatro paredes.
—Bem agora está tarde e eu estou cansado, vou me deitar, e confiar em vocês. – papai se levantou da mesa e me deu um beijo na testa e pegou de leve no ombro de Natsu. – Boa noite aos dois... ah e se puderem só dar uma ajeitada aqui na cozinha eu agradeço.
—Pode deixar pai, obrigada, boa noite, durma bem. – respondi sorrindo para ele enquanto o mesmo seguia pelo corredor até seu quarto.
Quando ele fechou a porta, eu olhei para Natsu, o mesmo estava vermelho igual a um tomate bem maduro, eu quase não me contive em rir dele, mas eu sabia o quão isso foi importante pra ele, então me mantive firme.
Passaram-se alguns minutos e estávamos em silêncio, sem dizer nada um ao outro, o clima estava começando a ficar desconfortável, eu acho que depois do beijo não havíamos planejado o que fazer ou falar pro outro, o que se faz? Alguém sabe?
—Natsu... – decidi chamar sua atenção, mas não sabia o que dizer, eu apenas esperava que ele falasse algo, por mais que eu queria dizer o que sentia ou sei lá, essas horas eram estranhas.
—Éh... eu... você... – Natsu começou a falar, mas estava tão nervoso que não conseguia se expressar direito.
—Você esta mais nervoso agora do que antes de me beijar na frente de todos. – comentei rindo, decidi quebrar o gelo, não sei se foi à maneira correta, mas agora ele olhou em meus olhos e riu também.
—Parecia o momento perfeito... – ele comentou olhando para minha mão que estava em cima da mesa, então ele colocou a dele em cima da minha e suspirou. – Eu não tive a oportunidade de agradecer o cachecol, é muito bonito, e eu adorei.
—Pensei que o beijo era o agradecimento. – falei sorrindo para a dificuldade dele de conversar comigo.
—Também... é eu... eu estou muito feliz... de verdade. – ele confessou apertando levemente minha mão, aquele pequeno gesto fez meu coração palpitar e sorrir para a sensação boa que era segurar a mão de quem gostamos.
—Eu também Natsu. – confessei olhando em seus olhos e usando minha mão desocupada para acaricia seu rosto. Ele ficou um pouco assustado, mas fechou os olhos ao sentir meu toque e deixou escapar um sorriso discreto e delicado, eu não pude me segurar, me aproximei um pouco mais dele e senti sua respiração, fechei meus olhos e esperei que ele se distanciasse, mas ele me ajudou, veio em minha direção e nossos lábios se tocaram de novo.
Um breve selinho, de afeto e compreensão se alongou, e depois Natsu usufruiu de sua mão livre para de abraçar e me puxar um pouco mais para perto dele, foi nesse momento que sua língua pediu passagem e combinado com sua mão que se encaixou em minha nuca, fizeram com que eu me arrepiasse e os hormônios acordassem.
O beijo era quente, mas sem malicia, éramos apenas um jovem casal que acabara de descobrir que se gostavam, e apenas isso fez o beijo ser um significante símbolo de amor e de nossa união.
Quando ficamos sem ar, paramos o beijo e nos distanciamos apenas para respirar, nossas testas ficaram encostadas e o abraço permaneceu forte, ambos respirávamos ofegantes até a se normalizar.
—Hum... – Natsu resmungou.
—O que foi? – olhei em seus olhos.
—Foi melhor do que eu imaginei. – ele comentou sorrindo, não pude deixar de responder com o mesmo gesto.
—Como você imaginou? – perguntei curiosa.
—Que fosse bom, que me desse à resposta que você fosse a garota certa. – ele respondeu levando sua mão ao meu rosto, acariciando de leve. – Mas foi maravilhoso e me deu a certeza que eu achei a garota do meu pedido.
Sorri para ele, se eu estava feliz? É lógico que sim, quando Gray me beijou, foi bom, mas não teve toda essa conexão e construção de sentimentos como foi com Natsu, por isso o rapaz de cabelos rosa, me levou muito além do que eu imaginei, ele me fez sentir amada, o que Gray não conseguiu fazer.
—Eu adoraria ficar e beijar você mais e mais... – Natsu comentou e então olhou para a pia e as coisas que tínhamos que arrumar. – Mas temos trabalho a fazer.
Sorri pra ele e levantei da cadeira indo até a pia lavar a louça enquanto ele guardava as sobras requentáveis na geladeira e jogava fora o que não podia se reaproveitar, e assim passou-se o restante da noite com Natsu comentando sobre como amou seu aniversário e logo fomos dormir.
Naquela noite dormi sem pesadelos e como um anjo, fiquei pensando em Nastu, no meu pai e em como eu estava feliz em Magnólia, como uma pequena cidade sem acesso algum ao mundo de fora pode nos fazer tão bem? Acho que se eu tivesse sinal de internet, ou ainda poderia conversar com Gray e meus amigos, mas talvez isso resultaria em ilusão que nos amassemos e eu não estaria tão aberta ao meu pai e a Natsu, no fundo eu sei que tudo o que houve, que todos esse fatos dessa cidade, me levaram ao meu destino.
Durante as próximas semanas que se passaram, tudo estava muito tranquilo, Natsu e eu seguimos as regras de meu pai, só ficávamos mais a vontade quando ele ia dormir ou quando saía, mas sempre respeitando um ao outro também, nunca fizemos algo que desagradasse o companheiro. O namoro estava perfeito, elogios, carinhos, brincadeiras, e o melhor ainda, é que a amizade só melhorou, acho que esse é o medo de muitos não é? Mas acreditem, não poderia estar melhor.
Faltavam poucos dias para o natal, e Natsu e os outros me perguntavam como comemorávamos essa data em Era.
—Bem... não sei como explicar... – eu ri e cocei a nuca. – Bom nós enfeitamos as casas, tipo montamos a árvore de Natal e colocamos luzes pelas janelas e portas, penduramos meias nas portas dos quartos esperando que o papai noel nos deixe doces e por aí...
—Parece divertido... – Cana comentou. – E com quem vocês comemoram?
—Bem, eu sempre fui em festas na casa de meus amigos e depois eu passava o restante da noite de natal com minha mãe. – eu contei e sorri, lembrando-me desses bons momentos que passei com ela.
—Desculpe Lucy... – Cana pedi cabisbaixa.
—Não precisa, eu estou bem. – falei sorrindo e pondo minha mão sobre seu ombro.
—Bem, você vai adorar o jeito como todos comemoram o natal aqui em Magnólia Lucy. – Erza falou olhando para Jellal que retribuiu o sorriso apaixonado da namorada.
—Vai. – Lisanna complementou sorrindo.
—Como é? – perguntei curiosa.
—Não vamos te contar, óbvio que você precisa viver essa experiência com toda a intensidade possível e nós não queremos estragar isso. – Erza comentou com os olhos brilhando, parecia uma data que ela gostava muito.
—Ok. – concordei sem tocar mais no assunto, embora estivesse ansiosa pelo dia.
Olhei para Natsu que estava conversando com Laxus, enquanto Cana trocava ideias de bebida com Cana, e Jellal e Erza estavam abraçados do meu lado conversando sobre o que iriam fazer depois da festa de Natal.
Eu suspirei, será que eles davam presentes um pro outro? Ou pra todos? Eu precisava saber disso, mas ninguém queria me contar nada, tinha medo de chatear alguém.
Então como se soubesse que meus pensamentos estavam em outra dimensão, Natsu se levantou e veio se sentar ao meu lado, passou um de seus braços pelas minhas costas deixando sua mão descansar em meu ombro.
—O que foi? – ele perguntou baixinho perto do meu ouvido, fazendo os pelos de minha nuca ficarem em pé.
—Nada. – eu respondi, não queria insistir no assunto.
—Se toda vez que uma garota disser nada falando a verdade, metade dos problemas do mundo acabariam. – Natsu comentou e eu ri, por que era verdade.
—Bem.. – eu virei para Natsu na intenção de contar e nossos rostos ficaram extremamente próximos, fazendo com que corássemos.
—Vocês ficam tão fofos juntos. – Lisanna comentou fazendo coração com a mão para nós. – Eu já disse isso?
—Toda vez que olha para eles. – Cana fala encostando a cabeça no ombro de Laxus.
—Por que é verdade. – Lisanna disse sorrindo.
Então esquecemos o assunto do caso do Natal por que o sinal tocou e todos levantamos para ir para mais uma sessão de chatice com uma matéria na qual eu já havia estudado, sim estou desesperada, quando vão chegar no conteúdo que eu parei? Bom não é tão ruim, passo as aulas olhando para o céu pela janela, desenhando ou até mesmo dormindo as vezes, depende como está o humor do professor. Crianças não façam isso.
O restante do dia passou rápido, todos estavam ansiosíssimos para as festas, que faltava apenas um dia para comemorar o Natal.
Quando chegou perto do anoitecer e Natsu foi tomar banho eu aproveitei a oportunidade e pedi ao meu pai se precisava comprar presentes ou algo assim, e ele apenas riu e disse que tudo o que eu precisava me preocupar era fazer um bolo para aproximadamente cinquenta pessoas, ou seja, toda a Magnólia.
Depois de receber essa tarefa, eu decidi não perguntar mais nada, vai que ele me peça pra fazer pão pra todos também. Não que eu não faria, mas era Natal, eu queria passar com meus amigos e minha família, não cozinhando.
No dia vinte e quatro, véspera de Natal, Natsu e eu fomos até a vila para comprar os ingredientes necessários para o bolo de dez quilos. E o meu namorado agiu como se fosse normal, e parecia mais feliz ainda quando soube que eu iria fazer a comida.
Tentei ajudar com as compras depois, mas Natsu, meu namorado super protetor não me deixou carregar nem um pote de fermento. Sabe o tamanho de um pote de fermento né?
Por mais que isso me irritasse às vezes, eu gostava das atitudes de Natsu, ele me tratava super bem, me fazia carinho, me fazia rir, me beijava sempre mais apaixonado e com mais amor, eu não tinha do que reclamar, eu estava muito feliz e por mais que esse seja o primeiro Natal que eu vá passar sem minha mãe e meus amigos de Era, eu estou bem e satisfeita com a vida.
O Natal caiu exatamente no domingo este ano e lá estava eu acordando as oito horas da manhã para verificar se estava tudo certo com o bolo e preparar o café da manhã, fui até o banheiro fazer minha necessidades e me dei uma certa olhada rápida no espelho a cima da pia. Olheiras, cabelos despenteados, ramela nos olhos, bafo horrível, bem eu parecia a protagonista da série que eu assistia, O fim, vivendo num mundo apocalíptico.
Primeiramente lavei meu rosto e escovei os dentes, então sai do banheiro e dei de cara com Natsu, apenas de cueca. Ele também estava sonambulo, ambos fomos dormir as cinco horas madrugada passada, ele ficou me ajudando com o bolo e depois ficamos conversando e namorando.
—Lucy... – Natsu disse e então lembrou que estava seminu e então estava voltando para seu quarto tentando tapar com as mãos suas partes intimas, mas parou e veio em minha direção com o mesmo cuidado e me deu um selinho e então voltou para o quarto, e dessa vez fechou a porta, não pude deixar de sorrir, voltei para meu quarto e me arrumei e então fui para a cozinha.
Chegando lá, abri a geladeira e o bolo estava intacto, parecia perfeito, mal coube no eletro de meu pai, mas era o único lugar. Então coloquei a água para esquentar e comecei a arrumar a mesa, quando ouvi a porta do banheiro se abrindo, Natsu deve ter se vestido e ido até lá.
Com muita sonolência e cansaço, sentei na mesa e preparei um bom café, os bocejos eram meus companheiros fieis nesta manhã, a cada gole de café, um bocejo para igualar.
Comecei a imaginar como seria hoje, já que ninguém me contou, foi então que acordei com o bom dia extremamente agitado de meu pai.
—Que horas foi dormir ontem? – meu pai me perguntou assim que percebeu que eu estava debruçada sobre a mesa e dormindo, sim, literalmente eu dormi no café da manhã e Natsu estava sentado quietinho no seu lugar.
—Por que não me acordou? – perguntei olhando seriamente para meu namorado.
—Você parecia muito cansada, não quis te acordar e além disso.. – Natsu olhou para meu pai e depois para mim de novo. – Você fica linda dormindo.
Corei com o comentário e então me ajeitei bem na mesa.
—Desculpe pai, bom dia pro senhor também. – eu falei sorrindo para ele, mas ele apenas levantou uma sobrancelha.
—Não respondeu minha pergunta. – ele parecia um pouco bravo. – Que horas foi dormir?
—As cinco. – respondi honestamente.
—Por que? – Jude perguntou, pareceu não gostar do horário.
—Por que eu estava fazendo o bolo que o senhor pediu. – respondi novamente.
Ele ficou sem falar nada por alguns instantes e depois começou a choramingar e veio até mim, se ajoelhou no chão ao meu lado e me abraçou.
—Ah me desculpe minha filha, eu sinto muito, não sabia que iria exigir muito de você isso, me perdoe de todo o meu coração. – ele falava enquanto lágrimas rolavam de seus olhos constantemente.
Eu ainda não tinha me acostumado com essas choradeiras repentinas de meu pai, embora eu achasse estranho, também o considerava fofo por conseguir pedir desculpas tão facilmente quando percebia que fazia algo errado.
Eu o abracei de volta e ele se acalmou. Então se levantou e ergueu o braço em direção ao teto da cozinha.
—Todos hoje irão saber de seu sacrifício minha Lucy. – ele olhou orgulhoso para mim e então foi se sentar e começou a comer.
Natsu apenas me olhava tentando conter o riso. Bem o restante do dia passou-se muito depressa, papai nos atarefou monte, por que precisava que tudo estivesse pronto para as sete da noite nós sairmos.
Quando todos estavam de banho tomado e o bolo estava na carroça sendo segurado por mim e Natsu, papai deu a ordem para o cavalos andarem e partimos em direção a vila.
Chegando lá, eu não reconheci o lugar, embora eu nunca tivesse vindo à noite, estava completamente diferente, quilômetros de luzes coloridas cobriam os postes e toda parte central da vila. Onde se encontrava o maior pinheiro que eu já havia visto, aproximadamente cinco vezes maior do que meu tamanho. Deslumbrada, desci da carroça e me aproximei um pouco da árvore de natal, vendo ela ficar maior aos meus olhos, bolas e luzes de todas as cores, meias penduradas com um certo peso dentro e algodões para simbolizar a neve.
—Luuuuucy.. – Cana e Erza me acharam e pularam em mim dando risadas e enfiando uma touca vermelha com pompom na ponta. – Feliz Natal!
Sorri pra elas e vi todos os outros amigos sentados num banco próximo a uma grande mesa de madeira que colocaram na rua, chegamos mais perto e reparei em todo o tipo de comida, desde salgada, a doces de diversos sabores.
Mais pro canto, haviam alguns copos descartáveis e grandes barris de vinho, cerveja e água para os menores.
—Aceita um copo? – Natsu chegou ao meu lado e as meninas já haviam posto uma touca em sua cabeça também, ele estava perfeito, com seu moletom que ganhou de aniversário, uma calça jeans, uma bota de cadarço e é claro, o cachecol que eu lhe dei, ele não tirava do pescoço.
—Obrigada! – sorri e peguei o copo com água da mão dele. – Eu queria tomar vinho hoje.
—Bem, terá que pedir autorização de seu pai, pois ainda é de menor. – Natsu riu e saiu correndo quando fui atrás dele, passamos por muitas pessoas, algumas eu nem conhecia, eram pessoas mais idosas, e outras até acenaram para mim, como o professor e o diretor de nossa escola.
—Pai? – o chamei quando cheguei perto dele, Natsu se escondeu atrás do casaco de Jude, enquanto o mesmo arrumava o bolo na mesa do banquete.
—Diga querida. – ele voltou sua atenção para mim e sorriu esperando pelo que eu iria dizer.
—Posso tomar vinho hoje? – perguntei corajosamente, afinal era uma regra dele, nada de bebidas alcóolicas até fazer dezoito anos.
—Pode, mas não exagere. – meu pai permitiu e olhou para Nastu que saia de trás dele. – Fique de olho nela, você é o namorado.
—Sim senhor. – o rapaz sorriu e veio comigo até os barris me dando um copo, que eu provei com a maior felicidade, aquela bebida era a qual mais me encantava, como podia ser tão bom?
Por mais ou menos uma hora, todos conversaram, beberam e cantavam, até que meu pai chamou a atenção de todos, e como demonstração de respeito que os habitantes de Magnólia tinham por ele, todos fizeram silêncio.
—Mais um ano se passou... – ele começou a falar e eu fiquei emocionada que seria ele, todos elegeram meu pai por ser um dos mais antigos moradores daqui que conseguia falar sem problemas, pois os idosos com todo o respeito, gaguejavam e esqueciam das coisas com facilidade. – e eu estou mais feliz do que nunca por comemorar mais um ano com todos os meus mais preciosos e leais amigos e familiares dessa pequena e humilde cidade.
Todos aplaudiram, mas ele pediu silêncio gesticulando com as mãos.
—Estou feliz, por que... – ele olhou para o canto que Natsu e eu estávamos. – esse ano comemoro com minha pequena, e estou tão emocionado e orgulhoso que mal consigo falar.
Muitos assoviaram inclusive Natsu, para incentivar Jude a continuar.
—Desculpem... – meu pai limpou algumas lágrimas que escorreram pelo seu bondoso rosto. – enfim, obrigado a todos vocês por fazerem deste ano mais um ano feliz e próspero para nossa pequena cidade e Lucy minha pequena, obrigado por fazer esse velho se sentir pai novamente, eu amo você!
Dessa vez eu fui até ele e o abracei, as lágrimas rolaram pelo meu rosto também e poxa, eu aprendi a amar meu pai, e a perdoar ele e minha mãe por tudo, eles só queriam o melhor para mim, e eu para eles.
O abraço foi longo e duradouro, quase tão longo quanto as palmas e gritos de euforia de nossos amigos que se emocionaram com as humildes, mas encantadoras palavras de meu pai.
Quando nos distanciamos, haviam muitas lágrimas ainda querendo rolar de seu rosto e eu só pude observar seu enorme sorriso de alegria, tantos dias eu passei odiando este homem, achando que ele era um monstro por ter me abandonado, isso me serviu de lição, não julgar uma pessoa antes de saber os motivos dela.
—Quem diria... – papai olhou para cima e viu um visco pendurado no pinheiro de Natal que estávamos logo a baixo, então ele me abraçou de novo, para simbolizar o significado de amor verdadeiro do Visco de Natal.
—Eu amo você papai... – disse o soltando e seus olhos se arregalaram por um instante, eu sabia que essas palavras eram importantes pra ele, por isso as guardei para falar quando eu realmente sentisse isso, e não iria ter oportunidade melhor que essa.
—Escutem todos... – ele se ajeitou sorrindo para o público. – Hora do banquete, comam bastante e provem o bolo que minha Lucy dedicou tanto tempo e carinho para prepara-lo, um feliz natal a toda Magnólia.
E assim todos responderam gritando, assoviando e pulando, aquilo virou uma festança, as músicas de natal e country logo encheram a noite de emoção, eu não poderia estar mais feliz naquele momento. Quando percebi estava nos braços de Natsu, dançando e cantando com todos os nossos amigos, então era assim que se comemorava o Natal em Magnólia? Eu não poderia esperar nada melhor, era tudo o que eu precisava, meu pai, meu namorado e meus amigos, todos reunidos felizes, sorridentes, e cheios de energia. Dando sorte ou não aquele Visco, eu agradeço por ter aparecido e me dado um sinal de que nossa família era feliz.
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