Magic the Gathering: Tales of the Ætherbreaker
8 Quando eu joguei xadrez
Notas iniciais
Esse aqui foi rapidinho de escrever pq não tem muitas cenas elaboradas, é um capítulo mais de diálogos apresentando a primeira quest do stilace em Ravnica e também um pouco mais da personalidade da Lavinia, que é um personagem chave
Outra coisa, estou postando esse capítulo do celular, qualquer estranhice, lemme know
Entretanto, Lavinia não era um deles
————————————Depois de semanas em Ravnica, tentando me adaptar ao clima volúvel (duas chuvas de brasa, um vórtice sulfúrico e uma fenda ciclônica “da brava” no período de três semanas), ao frio pétreo de Prahv e à hierarquia Caso você vá para Ravnica, é vital que saiba que o bailio de grau três está abaixo do bailio de grau um mas no mesmo nível do bailio de grau dois, a diferença é que um bailio de grau três está concluindo seu estudo teórico para atuar no senado de maneira política, executando a chamada “manutenção da paz” podendo se graduar como relator, transcritor e advogado ou promotor; nesse ponto, ele pode optar por se tornar árbitro ou se tornar juiz, a diferença entre árbitro e juiz é que o árbitro age como mediador em disputas e desentendimentos de maior ou menor grau, geralmente entre as guildas e geralmente referente à disputa territorial entre Selesnya e Izzet; já o juiz atua como o papel denota, presidindo julgamentos, e quando se é juiz, você pode chegar ao posto de áugure. Em contrapartida, um bailio de grau dois atua em campo e pode se graduar como um mago-legista e todas as inúmeras categorias que isso se divide.Pode parecer um conhecimento inútil, mas acredite quando eu digo que vai salvar sua pele e mais de uma vez. Aquele cativeiro condescendente era um tédio, eu tinha o direito de andar livremente por Prahv, então eu passava meus dias sentando na Praça de Lvet, um grande pátio com bancos e fontes onde os estudantes (Prahv também era uma universidade) e bailios se reuniam entre as aulas. Eu conversava com eles, dizendo que eu era um desguildado que estava lá para testemunhar em algum caso ou algo do tipo e eles tinham a educação de fingir que acreditavam. Naquele dia, eu estava ouvindo um estudante chamado Jevle, um bailio de grau três com uns dezesseis anos. O Jevle era loiro alto, descabelado e desarrumado, sempre com sua túnica desalinhada, mas era extremamente simpático e muito falante. Eu geralmente o encontrava em Lvet durante o zênite, quando ele tinha um intervalo das aulas. Ele estava falando sobre o trabalho que precisava fazer para passar para o próximo nodo sudeste-centro. Apropriadamente, ele estava me explicando o que significava passar para o próximo nodo sudeste-centro.— Sabe o Olho? — A forma que os Azorius se referiam ao seu próprio símbolo. — Ele fica dentro de um triângulo e cada uma das pontas representa um grau, as duas na base representam o segundo e o terceiro grau, pois estão no mesmo nível, você sabe. O terceiro grau fica no vértice da direita, ou sudeste, e o próximo nodo sudeste-centro seria o próximo nodo mais para o centro, onde fica, no meu caso, a posição de árbitro ou juiz, entendeu? Assenti. — E qual é o trabalho que você precisa fazer. — Uma análise do caso Alhammarret-Beleren. — Ele soou de uma maneira que eu conhecia bem do meu tempo, quando era um tema muito interessante mas igualmente cansativo. Eu ouvi muito sobre esse caso, deveria ser algo enorme. Antes que eu pudesse comentar, um homem se aproximou de forma apressada. — Senhor Stilace, senhora Lavinia o convoca em seus aposentos com urgência. — era um mago-legista de segundo grau, recém graduado aparentemente. — Eu o guiarei, e peço que se apresse. — Ele começou a seguir apressadamente antes que eu levantasse do banco. Me despedi de forma apressada de Jevle e corri para alcançar meu guia, que seguia nervoso e calado. Passaram se alguns minutos de caminhada e eu percebi que estávamos deixando a área do campus, ou seja, estávamos indo mais longe do que eu já havia ido. Seguimos por uma trilha reta de mármore branco que cortava um gramado longo e plano na direção de arcos de pedra que emanavam magia. No momento que passamos pelo primeiro dos quatro arcos, todo o burburinho de Ravnica sumiu, deixando apenas o eco em meu crânio, barreiras sonoras. Passamos pelos outros arcos e, passado o último, uma construção alva surgiu. Quadrada e com detalhes entalhados no mármore. Aquele era o portão de Nova Prahv, onde a justiça Azorius acontecia de verdade. Subimos os degraus com rapidez e viramos à direita em um corredor. O rapaz me guiou por uma série de corredores e escadarias dolorosamente iguais até que ele parou a frente de uma porta idêntica a todas as outras portas. — Aqui, senhor. — Ele abriu a porta e me deu licença. — Vou esperar aqui fora. Sem respondê-lo, entrei e fechei a porta atrás de mim sem ruído. Aquele lugar parecia uma casa, eu estava na sala de estar que era ornada com alguns móveis de aparência opulenta e confortável, além de possuir um grande tapete macio, fina costura da Rua dos Tecelões, e uma lareira para afastar o frio constante de Prahv, que se encontrava apagada e impecavelmente limpa, como se nunca houvesse sido usada. Avancei pelos aposentos cautelosamente. Eles não possuíam nada de anormal, tirando a arrumação que dava a entender que ninguém vivia ali. Entrei em um pequeno cômodo, um escritório com uma grande pilha de pergaminhos empilhada em uma mesa e, no centro dessa mesa, uma pena estava caída. Aquela pena praticamente gritava para mim pelo simples fato de não estar organizada em um padrão lógico como tudo mais nos aposentos, estava apenas caída de forma aleatória, humana. Eu apanhei uma quantidade ínfima de mana azul soprei como um pó fino. As partículas se condensaram no ar, formando uma trilha de essência que me levaria até a última pessoa que tocou naquela pena.
Se você está se perguntando isso, eu podia sim ter conjurado outra mágica igualmente simples para sondar aquele lugar e encontrar Lavinia, mas isso não tem graça nenhuma, no final das contas. Segui a trilha através da sala de estar e entrando no que eu supunha que fosse o quarto de Lavinia, impecável. A trilha terminava em uma porta fechada com um pequeno quadrado de piso mais baixo na frente. Eu respirei fundo e abri a porta. Quente, muito quente e muito vapor. Eu chutei que fosse uma sauna, mas era difícil enxergar com tanto vapor. — Lavinia? — Chamei por fim. — Aqui. — Me guiei com a voz dela, mas, três passos depois, meu pé prendeu em algo e eu caí para frente, jogando os braços para proteger meu rostinho lindo, mas eles não encontraram o chão. Encontraram água. Meu primeiro reflexo foi gritar, mas meu segundo reflexo disse que isso era uma decisão estúpida pois íamos engolir água, e juntos os dois elaboraram, após alguma discussão, um terceiro reflexo que agradou ambas as partes. Eu fechei os olhos e a boca para meu mergulho vestido.Meu rosto submergiu junto com o resto do meu corpo naquela água escaldante. Cegamente, eu tateei por apoio e, quando encontrei, usei para içar a cabeça para fora. Puxei o ar com força e abri os olhos, mas ainda não via nada por conta da brancura do vapor. Abaixei a temperatura do ambiente uns poucos graus, apenas o suficiente para conseguir enxergar. — Olá, Stilace. — Ela me cumprimentou. E lá estava ela, diretamente à minha frente, escandalosamente nua e com uma sombra muito tênue de sorriso em seu rosto, os cabelos curtos e morenos estavam escovados para trás. Eu percebi que me apoiava em seus joelhos. — Olá, Lavi. — Ela era musculosa, mas graciosa. A força dela era algo discreto, sublime. Inferno, era linda. — Você é linda. — Tire as mãos de mim, se não for incômodo. — O tom dela foi macio, ela deveria achar a situação assustadora, mas estava achando graça. — Estou confortável, obrigado. — Era mentira, aquela água estava pelando e minhas roupas estavam encharcadas, mas existe algo extremamente prazeroso em compartilhar um banho quente com uma mulher que te deu uma surra algumas semanas antes e perceber que você não guarda ressentimento dela. É uma sensação rara, essa. E de qualquer forma, eu ainda não guardava ressentimentos contra ela, mas era uma questão de tempo. Ela deu de ombros. — De qualquer forma, não te chamei aqui para um banho, Stilace, eu te chamei aqui para te delegar uma missão. Finalmente, já estava impaciente para cumprir com minha parte do acordo. — Quer que eu mate um Planeswalker? — Ergui a sobrancelha. — Não ainda. — Ela negou com a cabeça. — Não vou te jogar no fogo tão diretamente sem ao menos saber do que você é capaz lá fora. Uma iniciação? Era claro que eu toparia sem pensar duas vezes. — E do que isso se trata? — Me aproximei de seu rosto um pouco. Não queria ser intimidador, só incômodo. Ela não reagiu, a diversão parecia ter deixado seus olhos completamente. — Alguém está por aí matando homens Azorius, um assassino em série. — Tem certeza que é um assassino em série? — Indaguei. — Pelo que sei, essa é uma profissão de risco, não é? — Não traríamos a questão até você se não tivéssemos certeza absoluta do que se passa. — Obviamente, era uma lógica difícil de refutar. — O padrão é muito claro para serem mortes aleatórias. — Hum, — Estava ficando interessante. — O que sabemos até agora? Lavinia se levantou da banheira, me fazendo perder o equilíbrio. Naquela posição, qualquer um que entrasse iria achar que eu estava divertindo-a com minha boca. Ela se virou para fora da grande banheira escavada no chão e se abaixou de forma totalmente provocante e insinuativa. Ou no caso, seria provocante caso eu me atraísse como a maioria dos homens, ela provavelmente estava me testando. Ou não, ela estava revirando uma pequena muda de roupas azuis perto da banheira, provavelmente o que me fez tropeçar e cair ali em primeiro lugar. Independente do que ela estivesse fazendo, toda aquela situação me fazia sentir... Estranho. Aquela intimidade repentina e incoerente despertava uma série de sentimentos em mim, eu percebi. Uma parte de mim queria dizer que aquilo não ia funcionar, uma parte de mim queria submergir e ficar lá um tempo, uma parte de mim queria morder a bunda dela porque estava quase na minha cara, uma parte de mim queria ser gentil com ela. Uma parte de mim queria matá-la.Ela conseguiu, ela mexeu comigo com uma série de movimentos calculados. Eu corei e desviei o olhar, percebendo que ela havia me derrotado naquele round. Ela se virou para mim, o que não melhorou a situação, pois seus seios estavam em meu rosto, agora. Ela me entregou um pergaminho. — Isso é o que sabemos até o momento. — Ela retornou ao seu lugar, mas cobriu o rosto com um pano molhado. — É impermeável. Eu suspeitei. Nadei para o outro extremo da banheira, que não era nada mais que um buraco quadrado de quatro por quatro metros. Desdobrei o pergaminho e li com atenção. Cinco assassinatos de soldados Azorius, todos eles haviam trabalhado em um caso de contrabando de metais não-autorizados entre uma mina Rakdos especializada em operações com minerais instáveis e um núcleo Selesnya no lado oeste que andava em um embate territorial com uma sede de Liga Izzet pelos direitos de exploração Aguabrasa. — Aguabrasa? — Perguntei para Lavinia, que parecia imersa em um momento de relaxamento profundo. — Bosque de Aguabrasa é um bosque do quadrante ocidental com uma fauna e flora bastante diferentes da do resto de Ravnica por conta das propriedades mágicas de Aguabrasa, um rio que surge praticamente fervendo da nascente e possui uma água que nunca perde calor e nunca evapora. — Ela respirou fundo pelo nariz e expirou pela boca. — A área sempre foi de domínio do Conclave Selesnya, mas a Liga Izzet do quadrante adquiriu os direitos de exploração de um terço do bosque que abrange um meandro substancial do rio. — Mas se os direitos de exploração daquela parte são da Liga, porque eles estão brigando? — Espero não ter soado muito inocente. — O Conclave alega que as experiências Izzet estão poluindo o rio e desmatando a vida selvagem local. Já vi onde aquilo iria dar e me esquivei do resto da história. — Enfim. — Pousei o pergaminho na borda da banheira. — Onde eu entro nisso? — Você irá junto com um pelotão de magos-legistas na mina Rakdos responsável pelo contrabando e irá aprofundar-se no caso. — E você? — Ela deve ter uma parte importante nisso, eu pensei. — Eu vou terminar meu banho e lidar com os assuntos referentes ao Ja... — Ela hesitou. — Ao Pacto das Guildas, não tenho permissão de ir ao campo até segunda ordem ou até que ele volte. Eu não sabia se deveria perguntar, então optei por ficar quieto. — Está dispensado. — Ela disse por fim. — Leve o pergaminho com você. Eu sai da banheira usando os degraus entalhados no chão de mármore. Me concentrei um pouco e minhas roupas secaram. — Mais uma coisa, Stilace. — Eu me virei, muito rápido até. — Eu acredito que você vai fazer um bom trabalho. Se eu estava confuso antes, eu estava mais ainda agora. Aquilo não era um flerte, um elogio, ou uma provocação. Nada daquilo era. Aquilo era xadrez, mas ela dominava o campo e as peças. Isso me fez gostar mais dela, mas como adversária. Ela jogava bem, muito bem. — E leve minhas roupas para o meu quarto, por favor. — Ela pediu, ainda com o pano no rosto. — Deixe-as em minha cama. Eu recolhi as roupas e rumei para a saída, quando ela disse. — Stilace. — Rangi os dentes. — Obrigada. Xeque.
Notas finais
Hey, entenderam qual foi a da Lavi?
Caso não, eu explico.
Ela estava testando o Stilace, pq ele bancou o frio e tal, ela queria ver até onde isso chegava.
Além disso, ela era a assistente pessoal de Jace Beleren, o pacto das guildas vivo, com a ida de Jace para Zendikar ajudar os aliados quando o portão marinho foi destruido por Ulamog e Kozilek, a Lavi ficou encarregada com os deveres que ele deixou vagos.
Em suma, o único horário que ela e o Stilace podem conversar e durante o banho ou durante o sono.
E a tendência do Stilace acabar na banheira com mulheres nuas e bonitas é só coincidência, eu juro!
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