Magic the Gathering: Tales of the Ætherbreaker

9 Quando eu parti um coração (e tive o meu roubado)


Notas iniciais
Esse ficou grande e vai ter um foco bem legal em como o Stilace se sente em relação à Lavinia, e também ele põe a mão na massa com sua primeira missão. Vamos ver no que isso vai dar!

Ciúme, meus caros...

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Eu saí do quarto de Lavinia e o mago-legista ainda me esperava na porta, ela havia me feito esquecer totalmente dele.

— Senhor Stilace. — Ele começou, eu preferia apenas meu nome, mas era bom se sentir autoritário. — Eu tenho ordens da Senhora Lavinia para guiá-lo até o arsenal para que o senhor se prepare para a missão.

Isso fez com que um sino tocasse em minha mente. — Onde estão minhas armas e meus outros pertences? — Sentia saudades do Estilhaço do Éter, uma arma ótima e também extremamente útil.

— Seus pertences estão no guarda-volumes pessoal de senhora Lavinia. — Que surpresa. — Sua espada, entretanto, foi levada para uma análise nos magi-laboratórios. — Dirigi um olhar perigoso ao bailio, que fazia um esforço considerável para manter a calma.

Lavinia havia dançado em mim no banho, eu precisava exercer dominância em alguém em nome do meu orgulho.

— Quando essas análises vão terminar? — Tentei soar um pouco ameaçador, apenas o suficiente.

— É difícil afirmar com certeza, senhor. — Eu senti a hesitação dele. — Nem mesmo um especialista Izzet chamado aqui conseguiu concluir muito sobre a espada. As estimativas são de alguns dias à mais, no mínimo... — Ele viu em meu rosto que eu não queria essa resposta. — Todavia, uma alta autoridade Azorius poderia requisitar uma pausa nas análises.

— Qualquer alta autoridade? — Acho que uma manipulação mental em algum figurão aí valeria a pena.

Descartei a ideia em seguida, seria muito óbvio. Acho que eu teria que me acostumar a não usar o Estilhaço.

— Qualquer alta autoridade. — Ele repetiu. — Mas o pedido teria que passar pela aprovação de senhora Lavinia. — Eu deveria ter imaginado. — Não há nada que aconteça em Prahv sem o consentimento dela e, com a ausência do Pacto das Guildas, dificilmente há algo em Ravnica que ela não saiba, mesmo que superficialmente.

Então tudo passava por Lavinia em Prahv? Ela era ainda mais do que eu esperava.

— Vamos ao arsenal, então. — Eu disse por fim.

— Sim, senho....

A porta abriu e meu coração pulou um passo. Lavinia colocou a cabeça para fora, ela estava usando um robe azul e seu cabelo estava cacheando.

— Irov. — O bailio estufou o peito. — Leve essa requisição ao guarda-volumes e envie este pergaminho para as esferas de contenção, ala vinte e sete. — Ela entregou uma pequena carta e um pergaminho do tamanho se um indicador. — Anexado ao primeiro pergaminho, este outro. — Entregou outro pergaminho aproximadamente do tamanho do outro. — Use meu duto pessoal. É isso.

Ela voltou para o interior e trancou a porta. A indiferença dela com a minha pessoa me magoou bastante, depois me irritou, pois eu sabia que ela ainda estava jogando.

Essa mulher era o diabo.

Respirei fundo, ciente de minha estupidez por cair nas brincadeiras dela.

— Essa requisição por acaso está me concedendo permissão para recuperar meus pertences? — Eu perguntei para Irov, quando ele começou a andar. Dei um pulo e acompanhei seu passo.

— Está selado, eu não tenho permissão para abrir. — Todos em Prahv eram extremamente quadrados, menos Lavinia, eu diria. — Mas se eu pudesse dar um palpite, diria que é isso mesmo.

Acho que um palpite é o máximo de ousadia que eu tiro dele, pensei.

Ele virou em uma esquina e eu o segui, mas de repente ele não estava lá, não havia nada lá, apenas um círculo de vidro azul.

— Okay... — Eu subi no disco e quando dei por mim, estava em um lugar totalmente diferente. Amplo e movimentado, tomado pelo reintintim das armaduras Azorius. Um teleportal, curioso.

Encontrei Irov, contra um balcão e entregando a requisição e os dois pergaminhos para um homem do outro lado. Me aproximei quando ele estava rompendo o selo.

Ele leu rapidamente, olhou para mim e pousou a requisição.

— Stilace, é? — Confirmei com a cabeça. — Tudo certo, então. Eu só vou entregar esses pergaminhos e já falo com você. — Ele se abaixou atrás do balcão e, quando levantou, estava sem os pergaminhos. Ele levantou o balcão para que eu e Irov passássemos.

Lá dentro, existia apenas uma grande porta de cofre. O homem pegou uma espécie de pirâmide em miniatura cheia de ranhuras e introduziu em uma fresta da porta, era uma chave.

Linhas de luz surgiram a partir da fechadura e se espalharam pela porta, ativando-a. O homem a empurrou com uma mão e ela se abriu sem resistência.

— Senhora Lavinia não tem muita coisa guardada. — Ele explicou. — Você não vai ter problema para achar o que procura.

Entrei no cofre, e previsivelmente, era bem grande, mas também era bem vazio. O mármore ali era azulado por contas das luzes azuis, dando uma aparência fria ao lugar. Digo, mais fria, pois Prahv era fria como um todo, lugares e pessoas.

As paredes eram compostas por quadrados numerados, supus que eram gavetas. Procurei um pouco até parar na gaveta 137, onde meu nome estava escrito. As gavetas não tinham, puxadores, então eu imaginei que abriam com o toque.

Acertei.

Lá dentro, encontrei meus pertences organizados. Meu manto, minha adaga, minha armadura leve, meu boldrié, um pequeno envelope e um bilhete. Peguei o papel na mão e li.

“ Fiz o favor de converter seu dinheiro extraplanar para a moeda local. Você irá encontrar um montante de zinos representativo nessa mesma gaveta assim que a conversão for terminada.

Lavinia”

Okay, fazia sentido. No fundo agradeci a simpatia dela.

Peguei minha armadura, eu ia para uma missão, parecia apropriado vesti-la.

Comecei pelas braçadeiras, me certificando que os cadarços estavam firmes. Depois, ajeitei as ombreiras e, por fim, o corselete. Quando levantei o ultimo, um pequeno papel caiu, outro bilhete.

“Sua armadura foi reforçada com magia e alguns encantamentos para mantê-la conservada. Assim, ela deve oferecer uma proteção decente contragolpes físicos e magia.

Lavinia”

Sorri, eu ficava feliz pela consideração.

Encontrei outro bilhete em minha adaga.

“Bom aço, encantamos para manter o fio independente do uso.

Lavinia”

No meu manto.

“Lavado e encantado para resistir ao desgaste, ao fogo e às manchas também. É uma pena que um manto tão bonito se suje.

Lavinia

PS: Desculpe pelo golpe e pela mancha de antes, mas ela já foi limpa. ”

E no meu boldrié.

“Prometo que sua espada será devolvida em breve.

Lavinia”

Por fim, peguei o envelope, meu nome estava escrito nele com a caligrafia de Lavinia. Meu coração acelerou um pouco quando eu abri e uma pequena pirâmide caiu sobre a minha mão, igual a usada para abrir o cofre e, junto dela, outro bilhete, sem assinatura e com apenas quatro palavras:

“Eu confio em você”

Nessa hora, Lavinia venceu outro round, mas eu só percebi isso depois.

Porque ali, naquela hora, eu me senti como o vencedor.

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Alguns teleportais e algumas horas de carruagem depois, estávamos na tal mina. O sol estava escondido atrás da massa de poluição que cobria o distrito industrial ocidental, lançando uma sombra funesta e melancólica no cenário.

— Preste atenção. — Irov disse pela vigésima vez. — O pessoal daqui não gosta muito de visitas, você precisa ficar atento ou vai acabar com uma faca cravada nas costas.

Eu revirei os olhos. — Eu entendi o recado na décima nona vez, Irov, obrigado pela preocupação.

— De nada. — Ele respondeu. Eu aprendi que deveria deixar o sarcasmo de lado com os de segundo grau. — O mais perigoso é ser pego desprevenido...

Optei por ignorar o resto.

Pela janela da carruagem eu via pessoas de todas as espécies trabalhando, puxando carrinhos e levando sacos e mais sacos sobre os ombros. Eu esperava olhares tristes, porém era muito mais comum ver outra coisa, outro sentimento predominante.

— Esses caras parecem estar em abstinência. — Imaginei que Ravnica, como uma grande cidade, deveria enfrentar algum problema social. — Existem drogas em Ravnica?

Ele interrompeu o sermão, graças à Azor. — Algum tempo atrás, lidamos com um grupo de Selesnya que dava uma infusão de ervas para seus membros no intuito de conectá-los à natureza.

— E qual é um problema com um bando de abraçadores de árvores beberem chá de cogumelo? — Aposto que pelo menos “árvore” ele entendeu.

— A infusão se popularizou entre gruuls e desguildados, e o uso periódico acaba se tornando viciante. — Ele se interrompeu quando o carro sacolejou. — Os Selesnya tomaram consciência disso e restringiram a produção e uso desse chá apenas para sua capital, Vitu Ghazi, e em ocasiões especiais, como o desabrochar das cerejeiras brancas.

Parece justo, eu pensei.

— Mesmo assim — Ele continuou. — Possuímos evidência que a distribuição desse chá acontece em larga escala nas periferias de forma ilegal. Criamos uma divisão apenas para lidar com esse problema.

Ergui a sobrancelha para ele. — Essa é a primeira droga consumida de forma ilícita em Ravnica?

— Sim, e em breve vai ser a última.

O tom orgulhoso dele me fez sentir mal por achar graça. Tentei esconder meu sorriso.

Não importa o universo, algumas coisas não mudam nunca.

A carruagem parou e Irov desceu comigo logo atrás. Além de nós dois, outros quatro soldados desceram de uma segunda carruagem.

— Não gosto desse lugar. — Declarei subindo meu capuz, o que não ajudou a diminuir a sensação de exposição que eu sentia. Aquele lugar era hostil, quente, barulhento, seco e sujo, e eu não queria estar ali. — Realmente não gosto desse lugar.

— Não vamos demorar, senhor Stilace. — Ele assegurou. — Apenas fique próximo e não pare de andar até chegarmos.

— Com prazer. — Respondi olhando sobre o ombro.

Os soldados se juntaram ao meu redor. Três atrás, Irov e mais um na frente, eles estavam fazendo um cordão de proteção ao meu redor.

Faz sentido, eu pensei. Eu era um planeswalker, afinal.

Andamos apressados na direção da mina, que era facilmente distinguível pelas grandes máquinas de escavação despontando no horizonte. Não seriam mais do que dez minutos de caminhada.

Dez minutos de caminhada se arrastaram por conta dos olhares atravessados que recebíamos, pareciam teias que nos atrasavam. Insultos, cochichos, alguns objetos arremessados, vaias.

— Que inocente vocês vieram prender por ser pobre, Azos? — Um homem gritou, um curtumeiro pendurando seus couros.

— Se acham tão melhores que nós com esses uniformes branquinhos e armaduras brilhantes, não acham, Azos? — Desejei que meu manto ainda estivesse sujo.

— Vocês, covardes, não deveriam ter tirado os pés de Prahv! Deveriam ter ardido junto com ela quando o Parheliun explodiu! Deveriam ter morrido debaixo das espirais!

— Vocês vêm sempre aqui, Azos, mas duvido que ponham os pés em Rix-Maadi, lá ninguém tem medo de vocês ou da sua esfinge!

Eu reparei algo estranho. As pessoas que não estavam ocupadas gritando insultos estavam andando com pressa, consultando seus relógios e com olhares intranquilos.

Se você nunca viu um relógio de pulso Ravnique, é uma pequena tira de couro ao redor do seu pulso com uma ampulheta em miniatura em cima, representando uma hora. Mágica dos Izzet fazia a areia cair para cima, contrariando a gravidade, o que fazia a ampulheta tombar para o lado e girar quando o topo estivesse cheio, recomeçando o ciclo sem precisar de pilhas ou baterias. Era tecnologia nova.

Eu tenho uma, ganhei de presente.

Mas voltando.

Chegamos ao portão da mina. Uma grade de ferro escurecida com o símbolo dos Rakdos gravados no metal. “Mina Niix” dizia o cartaz de madeira colorido acima de nossas cabeças, com um goblin sorridente de duas cabeças com o polegar levantado. “Porque duas cabeças dão mais dinheiro que uma! ” Diziam as palavras garrafais.

— Bom slogan. — Pensei alto enquanto um soldado conversava com o porteiro. Eu sentia saudades de um pouco de atitude, característica rara em Prahv.

Nossa entrada foi liberada sem dificuldade, éramos esperados, aparentemente.

A Mina Niix era impressionante, para dizer o mínimo. Dezenas (se não centenas) de escavações ocorriam em uma área que eu arriscava ser do tamanho do vale de Theías, quinze quilômetros para todos os lados. Cada escavação ocorria em poços distintos, separados por algumas centenas de metros, e usava aparelhos diferentes. Uma usava escavadeiras rústicas à vapor, outra usava uma máquina colossal que serrava as paredes de seu poço, uma usava dinamite ou outro explosivo dos bons. A mais curiosa que eu havia visto, entretanto, usava dois elementais, um ser alto e robusto de fogo vivo e um ser mais feminino feito de água corrente que se revezavam em derreter e resfriar as rochas repetidamente. Todos os poços possuíam duas coisas em comum, a infinidade de carrinhos carregados com minério que saía de cada um para uma unidade de processamento própria, e o fato que todos estavam interligados por dutos bem grandes em um verdadeiro labirinto tridimensional, pois cada mina era ligada à todas as outras.

Deixei um assobio escapar quando subimos no carrinho que iria nos levar à recepção. Durante a viagem de dez minutos, eu reparei que, embora muitas espécies trabalhassem ali, havia uma maioria absoluta de goblins, tanto operando o maquinário quanto no trabalho braçal.

Chegamos à recepção, uma construção circular de madeira com ar condicionado e inúmeras portas cobrindo cada centímetro de parede. Uma barreira sonora semelhante à de Nova Prahv fazia com que o ambiente ali fosse calmo, inclusive, uma música suave tocava baixo, dando uma atmosfera de escritório. No centro, um balcão redondo com um exército de secretárias e secretários humanos e goblins atendia ligações ou dava informações aos trabalhadores que saíam das portas que se abriam lateralmente, indicando qual porta eles deveriam tomar.

Irov se aproximou do balcão junto comigo. — Com licença, pode nos informar onde encontrar o senhor Niix?

— Peguem a porta SBRT 2. — Ela respondeu sem tirar os olhos de seus papéis. — Diretamente à frente, apenas dois de vocês podem subir, o resto precisa aguardar aqui, temos revistas nas cestas perto dos sofás e os bebedouros possuem opção quente, fria, chá, grogue, cerveja e syhs

Futuramente eu descobri que syhs é um fermentado que apenas criaturas com estômagos complexos poderiam consumir, como goblins, elfos, centauros e tritões.

— Eu vou. — Disse de cara. — É você que vai comigo, Irov?

Ele assentiu e juntos fomos até a porta SBRT2. Ela se abriu quando nos aproximamos para revelar uma pequena caixa de madeira. Troquei olhares com Irov, que também não parecia impelido a entrar numa caixa fechada em território hostil.

— Não sei se é uma boa ideia entrarmos aí. — Eu disse, por fim.

— Também não estou muito disposto. — Ele admitiu. — Mas senhora Lavinia não ia gostar que voltássemos com as mãos abanando.

Eu respirei fundo e entrei, ela realmente não ia gostar nada disso, e eu queria cair nos gostos dela.

— Vamos. — O apressei. Ele entrou e a caixa rangeu levemente, parecendo afundar alguns centímetros. Trocamos um olhar suspenso e medroso e as portas se fecharam, nos lançando em uma treva abafada e tensa.

Uma luz se acendeu quando o som alto de engrenagens girando começou, nos tirando daquela escuridão cheia de expectativa. Ventiladores começaram a girar, refrescando o calor e até mesmo uma musiquinha instrumental começou a tocar.

Deixei um suspiro de alívio escapar.

— Acho que vamos sobreviver, Irov. — O elevador sacolejou e começou a se mover para cima e para frente, na diagonal. Eu admito que levei um pequeno susto.

— Realmente. — Ele concordou, continuava tenso como uma mola comprimida, entretanto.

Me recostei na parede e cruzei os braços, incomodado pela tensão de Irov, ele parecia ter algo para me contar. Acho que eu sempre fui bom para perceber quando alguém esconde algo.

Discretamente, juntei um pouco de mana azul e plantei uma pequena semente na mente de Irov, apenas uma influência para que a mola soltasse.

— Senhor Stilace? — Bingo.

— O que foi? — Olhei para ele, ciente que a magia fazia meus olhos brilharem, deveria me deixar mais intimidador. — Pode falar.

Ele engoliu e olhou para os lados de forma discreta, parecia estar envergonhado da pergunta, ou pelo menos, estava fazendo um esforço para escolher as palavras certas. — Você... ahn... conversou com a senhora Lavinia, certo?

“Então tem a ver com a Lavi? ” Pensei de forma possessiva. — Sim. — Respondi seco, olhando para a lâmpada ao invés dele.

— Ela estava ocupada quando vocês foram conversar ou algo do tipo?

Deixei meu olhar cair sobre ele como um martelo. “Por que? ” Perguntei mentalmente.

— Pois ela nunca aceita visitas e raramente se reúne com alguém por ser tão atarefada. Ela não tempo nem mesmo para o alto escalão desde que o senhor Beleren se ausentou.

Dei um meio sorriso, sentindo-me importante. — Parece que ela tinha tempo para mim. — Eu disparei, alfinetando-o.

— A questão, senhor. — Ele parecia estar ficando irritado, eu gostei daquilo. — No momento que ela te chamou, ela estava ocupada com outras coisas, não estava?

— Apenas me diga aonde você quer chegar, Irov. — Fui direto ao assunto. — Me diga de uma vez o que você quer saber.

— Eu só quero saber como você e a senhora Lavinia conversaram sendo que ela estava no banho! — Irov metralhou, dizendo tudo de uma vez

— Ahhhhhhhh! — Fingi que só havia entendido naquele momento — Você quer saber se eu vi a Lavi pelada, é isso?

— É, digo, não! — Ele fungou. — Eu quero saber se vocês...

Eu interrompi, me virando para ele com a expressão séria. — Você quer saber se eu e ela transamos?

— Não necessariamente. — Ele parecia tentar manter a calma. — É que a senhora Lavinia...

— Você tem uma queda Lavi, Irov? — Perguntei sem rodeios, apesar da resposta já ser mais do que óbvia.

Quando os ombros dele caíram, eu percebi o quanto ele era jovem. Apesar de ser alto, ter ombros largos e ter certa autoridade, ele ainda tinha dezesseis anos no máximo

As faces coradas, chupando os próprios dentes, não me olhando nos olhos, engolindo saliva.

Balancei a cabeça. O menino se escondia atrás da armadura e força, mas ainda era um menino, no final das contas e, não suficiente, era um menino com uma queda pela mulher que eu estava interessado.

— Você é um menino ainda, Irov. — Falei por fim. — Meninos tem o péssimo hábito de se apaixonarem pelas pessoas erradas, e vai por mim, não existe pessoa pior nesse plano para você se apaixonar. — Olhei para frente. — Esqueça.

Depois de minutos de silêncio, eu disse.

— Quanto sua dúvida. — Ainda não olhei para ele. — Sim.

O resto da viagem seguiu tensa. Eu sentia a inimizade dele crescendo contra mim, mas eu não dava a mínima para seu ódio infantil, seu ciúme ou seu coração partido.

Eu fui ciumento no início de minha carreira como Planeswalker, possessivo, arrogante e prepotente. Mas eu também era poderoso.

E se ele tentasse se meter entre mim e MINHA Lavinia, eu iria partir seu coração de novo, só que dessa vez, de uma forma mais literal.

Notas finais
Gostariam de ver o Stilace com ciúmes? Ele pode ser planeswalker, mas é gente também, não esqueçam disso!