Magic Whisper

15 Tenho outros meios de conseguir minha energia.


Ciaran e Deimos caminharam pelas ruas da cidade de Midkas, no centro do continente. Era uma cidade de apoio aos viajantes, com algumas estalagens e um comércio local a base de cereais, mas para Ciaran, a sua maior qualidade era ser quente, ele estava para derreter debaixo da sua capa vermelha.

Agora ele e seu cajado eram inseparáveis. Ele aprendeu a andar com ele e já conseguia fazer alguma mágica básica, mas não era grande coisa. Bom, pelo menos para Deimos. Pessoalmente, ele achava sua mágica o máximo.

A missão de hoje era investigar uns assassinatos estranhos que estavam acontecendo na cidade, Ciaran já estava se acostumando mais as criaturas que ele via pelo mundo mágico, a maioria não era tão diferente assim dos humanos, podiam ter uma ou outra diferença anatômica, mas não era nada demais.

Claro, alguns eram realmente bem estranhos, como esse cara com pele escamosa. Nossa, ele deve estar cozinhando por debaixo daquilo.

– É a casa da esquina. – Deimos disse para uma casa simples de madeira e tijolos, uma fumaça saia pela chaminé, ou seja, alguém estava em casa.

– E como você sabe disso? Acho que devíamos perguntar para alguém. – Ciaran comentou olhando para as pessoas ao redor, mas todos pareciam preocupados com a própria vida. Bom, ele aprendeu nos últimos tempos que ter um demônio batendo a sua porta não era nada legal para a maioria das pessoas.

Deimos apenas olhou para Ciaran como se aquela sugestão fosse ridícula. Os olhos dele estavam permanentemente vermelhos agora, a cor escura tinha sumido.

– Não precisa disso. Dá pra sentir o cheiro de morte daqui!

Os dois caminharam e Deimos bateu delicadamente na porta, tão delicadamente quanto uma pessoa que segurava espadas de mil quilos podia bater! Na verdade, Ciaran era o único animado nessas missões, quer dizer, sua vida deu uma guinada incrível!

Ele passou de um garoto solitário, que vivia com sua raposa em uma casa numa cidade pequena, para um mago superpoderoso do mundo mágico que resolve todos os tipos de mistérios, com um parceiro sexy e meio chato as vezes. Isso era muito legal. Só ele se sentia animado mesmo?

Deimos sempre parecia entediado e de mau humor nas tarefas de dupla. Por que ele decidiu entrar para o instituto então?

Um jovem atendeu, um garoto, devia ter seus treze anos, cabelo castanho, algumas sardas e bochechas enormes, parecia ter passado a noite acordado.

– Hm, bom dia, nós somos do instituto e viemos tentar resolver os assassinatos que vêm acontecendo nessa cidade... podemos fazer algumas perguntas?

O garoto só olhou para longe de Ciaran e em seguida para os seus pés. Bem, talvez eles não fossem ser convidados para entrar, talvez nem fosse a casa certa e Deimos tinha errado com seu nariz de cachorro! Ciaran olhou para Deimos com um tanto de desconfiança, o moreno só o olhou confuso.

– Acho que é a casa errada. – Ciaran sussurrou.

– Não é. – Deimos disse silenciosamente. – Alguém morreu na sua casa, garoto? – Deimos foi curto e grosso, ele não era nada delicado. Nada de diplomacia para ele.

– Meu irmão. – o garoto falou em um sussurro.

– Eu sinto muito. Você pode nos contar como foi? – o garoto não parecia muito a vontade. – Nós podemos pegar quem fez isso ao seu irmão. — o garoto apenas olhou para o chão de novo.

– Isso é uma raposa? – o garoto perguntou quando Feiy apareceu entre as pernas de Ciaran.

– Sim.

– Eu deixo vocês entrarem se me deixar tocar nela.

– Tudo bem. – Ciaran disse quando a porta foi aberta e ele e Deimos se puseram para dentro.

Bom, depois disso ele estava sentado em uma cadeira simples de madeira, Deimos andava para lá e cara cá e o garoto acariciava o pelo de Feiy que parecia estar adorando a boa massagem.

– Então... — Ciaran começou. — O que aconteceu?

O garoto parou por um momento as caricias, mas depois continuou. Parecia muito mais interessado na raposa. Feiy era lindo de qualquer forma.

– Ele trouxe uma garota para casa. — o garoto falou e se calou.

– Tudo bem, e então, o que aconteceu?

– Eles foram para o quarto e dormiram juntos. Ele fazia muito barulho, mas sempre fazia quando trazia garotas. E hoje ele estava morto.

– Você lembra como era essa garota?

A porta da frente abriu de novo e uma senhora entrou, olhou de Ciaran para Deimos alguns vezes e sua testa franziu quando ela olhou para o garoto sentado na cadeira massageando as orelhas de Feiy.

– Eu saio por dois minutos e você coloca estranhos dentro de casa? – a mulher disse ao garoto. – Assim vai ser impossível de você morar sozinho!

– Somos do instituto, senhora. Viemos tentar pegar quem fez isso. – Ciaran disse a mulher que tentava pegar uma vassoura discretamente atrás de si.

– Você espera que eu acredite que um demônio como esse trabalha para o instituto?

– É verdade, senhora. Nós estamos aqui para ajudar, eu juro. – Ciaran falou de novo, tentando tranquilizar a mulher.

– Entendi porque tanta gente reprova aquele lugar. Ele abriga a escória dessa sociedade. – a mulher disse olhando para Deimos, mas ele não parecia se importar. – Quero que saiam daqui agora! – a mulher disse tentando ser ameaçadora com a vassoura em suas mãos.

– Realmente, nós viemos ajudar. Soubemos que pelo menos seis pessoas foram assassinadas aqui e não conseguiram achar quem fez isso.

– E o que uma criança pode fazer por vocês? – ela disse apontando para o garoto sentado a mesa.

– Pensei que ele morasse aqui e pudesse ajudar!

– Quero que saiam.

– Conte-nos o que aconteceu e prometemos sair o mais rápido possível. – Deimos falou a mulher. – Eu já sei que ele morreu naquele quarto, naquela cama e depois do sexo. Conte a partir daí.

Ciaran olhou para Deimos um pouco envergonhado, a mulher também pareceu incomodada e finalmente o garoto desviou os olhos de Feiy por um momento.

– Estamos tentando fazer justiça e parar essas mortes... a próxima pode ser você.

– Essa pessoa só mata homens.

– Como você sabe?

– Todos os seis que foram mortos eram homens.

– Então talvez ele seja a próxima vítima. – Ciaran apontou para o garoto.

– Ele é só uma criança!

– Mas ele viu e ouviu essa pessoa, não foi? Quem garante que ela não vai voltar atrás dele.

– Você não me parece muito competente.

– Eu sei, mas Deimos vai pegá-lo. Ele é um demônio no fim de tudo.

A mulher olhou de um para o outro e suspirou, depois foi terminar o seu café.

– Ele era meu sobrinho... mas eu não posso ajudar muito, só ele e Kio... – ela apontou para o garoto. — moravam nessa casa. Hoje pela manhã, bem cedo, Kio bateu a minha porta e disse que o irmão estava morto. Eu vim depressa e ele estava sobre a cama, degolado e despido. Mais outros seis foram encontrados mortos em suas camas nas ultima semanas, mas ainda não conseguiram pegar quem fez isso.

– Mas, a cidade não é tão grande, ninguém notou alguém suspeito? – a mulher negou com a cabeça. – Como era a garota, Kio? – Ciaran se dirigiu ao garoto.

– Era alta, loira, com cabelos longos e em cachos... parecia com a garota que morava no fim da rua.

– Não poderia ser ela?

– Ela morreu há alguns meses.

– Ah... tudo bem. Obrigado pelas informações.

– Se vocês descobrirem alguma coisa, nos avisem. – a mulher falou depois de despejar a água fervente, Ciaran a escutou abafar um soluço.

– Tudo bem. Quem mais passou por isso nessa cidade?

Deimos e Ciaran passaram todo o dia indo de casa em casa e investigando. Perto do fim do dia, eles não podiam estar mais perdidos. Ciaran olhou para o sol se pondo e para Feiy que se deitava no meio da rua, demonstrando seu cansaço.

– Então, o que temos? – Ciaran comentou alto para tentar montar o quebra-cabeça.

– Temos uma mulher morena, que é loira e tem cachos, é alta, muito magra, mas também é gorda. Ela tem a sua idade ou a idade da sua mãe.

– Não é mesma pessoa! A menos que sejam várias, ou a mesma usando algum tipo de disfarce.

– Ainda temos uma casa para visitar.

E o resultado não foi diferente,exceto por mais uma confusão.

– Os dois eram meus irmãos gêmeos. – um homem disse parado na soleira da porta.

– Eles foram degolados na cama? – Deimos perguntou alguns passos mais atrás.

– Sim. – o homem respondeu sem muito interesse e acariciando a barba rala, enquanto observava Ciaran parado diante de si.

– Como eram as garotas? – Ciaran perguntou por ultimo e o rapaz pareceu ficar confuso.

– Não era mulheres, eram homens.

– Ah, melhorou muito. – Deimos falou sarcasticamente.

– E um deles era tão delicado quanto você. – o homem disse acariciando o rosto de Ciaran.

– Ah... tudo bem. — o loirinho se afastou discretamente e um tanto sem jeito. — Como eles eram?

– Um era muito parecido com você, acho que foi um rapaz que conheceu em uma viajem. O outro era um cara enorme, maior que o seu amigo aí.

– Aconteceu na mesma noite? – Deimos perguntou, agora mais próximo dos dois.

– Sim, na mesma noite.

– Obrigado por ajudar. – Ciaran disse se distanciando.

– Disponham, se descobrirem algo, me avisem. – o homem disse piscando para Ciaran e fechando a porta. Ele não estava muito acostumado a ser paquerado.

– E agora? Temos homens também? – Ciaran falou ouvindo a barriga roncar e sentindo o vento frio bater em seu rosto, ia chover logo.

– Acho que sua teoria de disfarce foi por água abaixo, tem certas partes da anatomia que você não consegue reproduzir muito bem. Eu voto em algum tipo de metamorfo. – Deimos comentou observando o céu.

– A gente faz o que agora?

– Agora nós vamos para uma dessas hospedarias e vamos passar a noite, não vamos ficar aqui fora nessa chuva. E pelo que eu saiba, humanos precisam comer.

Ciaran apenas concordou e eles entraram em uma estalagem que parecia bem aconchegante, Feiy ganhou um bom pedaço de coelho e Ciaran se empanturrou em sua sopa e pão fresco.

– Para alguém meio magrela, você até que come muito. – Deimos comentou enquanto observava Ciaran comer.

– É porque você não colocou um enorme bolo de chocolate na minha frente. Ele não dura muito. Na padaria perto da minha casa tem um realmente delicioso.

– Hmm.

– Você não come?

– Já falei o que me alimenta.

– Mas... nem um pouquinho?

– Não preciso.

– Então tudo bem. – depois disso veio o silêncio, de vez em quando Ciaran roubava uns olhares por deixo dos cílios para ver Deimos. Ciaran já estava bem com isso agora, ele achava Deimos maravilhoso, o moreno gostava de andar por aí com os braços trabalhados a mostra e Ciaran já tinha imaginado mais de mil vezes como era estar entre eles, Deimos era bem mais livre que Ciaran, muitas vezes ele já tinha encontrado Deimos em poucas roupas no quarto, mas fazia de tudo para ignorá-lo. Sim, ele evitava ao máximo as investidas de Deimos, mas é porque ele sabia que o demônio só estava interessado em sua alma. E ele não queria, seu orgulho não queria que Deimos só olhasse para ele como uma refeição. Embora ele soubesse que era quase impossível um demônio aprender a amar... Mas não precisava ser amor, bastava uma paixãosinha pra começar. — Por que seus olhos estão sempre vermelhos agora?

– É complicado.

– Eles vão ficar assim, permanentemente agora? – por algum motivo, Ciaran gostava deles, eram de um vermelho fechado, lembrava o vinho ou algo assim.

– Eu não sei... mas eu acho que não. É provavelmente só fome.

– E por que você não come? – Deimos olhou para Ciaran e sorriu. – Não a minha!

– Porque não tem graça, mas não se preocupe, tenho outros meios de conseguir minha energia.

– Aqui, os quartos de vocês. – o dono da estalagem chegou e jogou duas chaves para os dois em cima da mesa, deu meia volta e saiu.

– Bem, vamos descansar. – Ciaran disse a Deimos.

– Mas por que duas chaves?

– Porque você sempre fica com a minha cama!

– Achei que você gostasse da minha companhia.

–x-

Deimos foi para um quarto e Ciaran para o outro, lá fora chovia forte e o vento com a chuva batia na janela de vidro que não parecia resistente o suficiente para aguentar.

O moreno duvidava que alguém fosse assassinado em uma chuva como essa, quer dizer... ele não duvidava de nada. Era até melhor que acontecesse alguma coisa essa noite, afinal seriam mais alguma pistas!

Deimos deitou em sua cama e chutou as botas fora, retirou a camisa e ficou olhando para o teto, isso era ridículo, Ciaran não precisava de um quarto só para ele, eles podiam dividir muito bem essa cama.

Ta, o corpo de Deimos tomava todo o espaço, mas eles sempre podiam dormir juntos e com esse frio, um pouco de calor humano era bem vindo. Ultimamente parecia que Deimos estava mantendo a castidade, ele estava se concentrando em derrubar os muros que Ciaran tinha erguido entre os dois, Deimos estava convencido que fazer Ciaran amá-lo era o modo mais fácil de ter acesso a uma alma tão incrível, se isso fosse o necessário, isso ele faria.

A chuva batia firme e constante na janela de vidro. Todas as lembranças que Deimos tinha sobre chuva faziam muito tempo, de onde Deimos vinha, as coisas se resolviam com a força ou com jogos que mexiam com a sua cabeça, a terra natal do moreno não era um lugar muito bonito ou legal de se viver. Ele era um demônio guerreiro, passou a vida em batalhas por outros demônios de um escalão mais alto, sempre escondendo quem ele era e isso... a chuva o lembrava dos campos de batalhas, do cheiro de morte e do mar de corpos. Não, Deimos não odiava isso, as vezes até sentia saudades daquela época, mas ele não podia subir seu status sem antes limpar o nome de sua família e não, demônios não eram muito paternais, mas seus nomes faziam história.

Deimos suspirou e fechou os olhos, ele sentia seu poder aumentando, crescendo cada vez mais, ele precisava de ação, ele precisava amadurecer. Mas acima de tudo, ele não podia explodir com Ciaran perto dele, não enquanto ele não era forte o suficiente para se defender.

Isso estava se tornando uma preocupação constante para Deimos. Ele não queria fazer mal a Ciaran e nem queria matar o garoto... antes de conseguir sua alma, pelo menos. Mas ele sabia que apenas algo muito grande podia desencadear o gatilho. Enquanto as missões fossem leves não tinha problema.

De repente, tudo na estalagem estava em silêncio mortal, o quarto de Deimos agora era iluminado apenas por alguns raios de vez em quando. Não, ele não ia dormir, ele só precisava descansar um pouco.

A porta abriu lentamente e Deimos olhou para o lado, Ciaran estava lá parado, olhando para dentro com metade do corpo escondido pela madeira.

– Não vai me dizer que tem medo de trovão? – os trovões nem estavam tão ruins. – Entra. — o loirinho veio caminhando e sentou na cama ao lado de Deimos, ele estava usando uma blusa branca e frouxa apenas, provavelmente fornecida pela estalagem. Por que diabos ele tinha saído assim no corredor? Ele se mostrava tão tímido e tudo mais. Parecia incomodado com alguma coisa, brincava com os próprios dedos. – Quer me dizer alguma coisa?

Ciaran olhou para ele e abriu a boca para dizer alguma coisa, mas apenas lançou um olhar determinado para Deimos.

Ciaran subiu nos quadris de Deimos, uma perna em cada lado do seu corpo. Ok, por essa o demônio não esperava.

– Isso é novidade! Você está... – Ciaran começou a rebolar os quadris em cima dos quadris de Deimos enquanto removia a blusa que usava. Ok, Deimos tinha que admitir que Ciaran era um dos mais belos rapazes em quem ele tinha posto o olho.

Os orbes bicolores encararam Deimos que ainda estava muito chocado para reagir a qualquer coisa. Quer dizer, ele podia estar, mas o seu pênis já tinha começado a agir desde que Ciaran pulou em sua cintura. Porém, quando o garoto começou a gemer, ele não conseguiu mais ficar parado, ou se controlar, ou pensar muito bem... isso fez sua pele se eriçar de excitação.

Deimos ergueu o corpo e abocanhou os lábios rosados, para depois seguir para o pescoço apetitoso, o moreno inalou profundamente o cheiro da pele de alabastro e seu corpo ficou rígido.

Suas unhas rasgaram o colchão sobre suas mãos e ele se sentiu o maior idiota do mundo.

Sua mão voou para o pescoço do garoto que começou a se contorcer embaixo dele.

– Me mostre quem você é, seu maldito!

A criatura tentava desesperadamente se soltar das mãos de Deimos, suas unhas cresceram e atacaram o rosto de Deimos, que sangrou algumas gotas, mas não o suficiente para fazê-lo perder a concentração.

Deimos jogou a criatura na parede, ele estava cada vez mais e mais irritado, afinal era como se ele estivesse machucando o próprio Ciaran!

– Por que... por que está fazendo isso comigo? – ele escutou a criatura falar, como mesmo tom de voz, o mesmo timbre de Ciaran. Ele com certeza ia estripar essa criatura maldita!

O moreno pegou uma de suas lâminas em cima da mesa e colocou sobre o pescoço da criatura. Não era uma coisa muito forte pelo visto.

– Vou mostrar agora qual é a sensação de ter sua garganta cortada. Seus amantes me agradeceriam.

A criatura estrebuchou sobre a parede, enquanto suplicava pela ultima vez, tentou chutar Deimos, mas o demônio apenas cortou a garganta fora... ele tinha acabado de cortar a garganta de Ciaran e isso fez seu sangue borbulhar, suas unhas cravaram na pele da criatura enquanto o sangue jorrava de seu pescoço e a pele cálida assumia um tom de verde.

Lentamente a criatura foi tomando forma, era um ser verde e magrela, com dois olhos de corça e corpo curvilíneo, como de uma fêmea, unhas afiadas como lâminas e cabelos longos e brancos. Era uma criatura horrorosa, mas Deimos sabia o que era agora.

Um sucubus. Provavelmente a fim de procriar. Depois que drenavam a sua vítima, esta não lhe servia mais e então vem a morte. Fim da força vital.

É um demônio de baixa patente, não são muito espertas e elas raramente costumavam ter corpo físico. Elas costumavam entrar nos sonhos masculinos e lhe roubar a semente quando ejaculavam. Estas coisas não são tão fortes. Agora, as com corpo físico, podem ser bem traiçoeiras.

E definitivamente. O cheiro dessa coisa estava muito distante do delicioso aroma da pele de Ciaran. Onde esse ser estava com a cabeça achando que podia enganar Deimos?

O demônio apenas pegou o lençol da cama e limpou sua espada. Ele agarrou o corpo inerte e levou para o corredor, ele ia acordar Ciaran agora e eles já podiam até ir embora dali, seu humor estava uma merda agora, maldito sucubus. Pelo menos ele não precisava mais ficar nessa droga de cidade.

Deimos deu meia volta e viu Feiy do lado de fora do quarto de Ciaran. Isso nunca foi uma coisa boa.

O moreno abriu a porta de uma vez e qual foi a sua surpresa quando ele viu uma cópia de si sobre Ciaran. Deimos viu vermelho depois disso.

A criatura notou Deimos instantes depois, o moreno correu e subiu na cama pronto para enfiar sua lâmina na desgraçada, mas conseguiu fugir antes do moreno acertá-la. O súcubos estava grudado no teto agora e mantinha a sua aparência, era muito estranho lutar contra um espelho.

– O que está... – Ciaran tentou falar, mas em um segundo a criatura pulou sobre Deimos, e quase enfiou as suas garras afiadas no rosto do verdadeiro moreno. Isso só deixou Deimos ainda mais puto, como uma criatura medíocre dessas ousava desafiar um demônio de sua patente?

Ele pegou sua espada e observou Ciaran bater na cabeça da coisa com seu cajado... ok, Ciaran, a fonte de seu poder não devia ser usada assim.

Deimos mudou de posição com o maldito demônio e sentiu a lâmina rasgar o pescoço da criatura. O sangue jorrava no assoalho do quarto, a maldita coisa apenas gemeu abafado, enquanto voltava a sua forma original.

– Que diabos foi isso? – Ciaran estava lá em posição de combate com o seu... cassetete que devia ser utilizado para a magia e não para bater nas criaturas.

– Isso era um sucubus. – Deimos disse arrastando o corpo para o corredor onde Feiy ainda esperava e pastorava o primeiro corpo.

Depois seguiu para o banheiro para limpar alguns rastros de sangue do corpo.

– Era isso que estava matando as pessoas da cidade? – Ciaran perguntou de dentro do quarto, observando os corpos no corredor.

– Muito provavelmente. As duas estavam querendo procriar, então elas tiram dos homens o que precisam e quando não são mais uteis, matam. Foi o que aconteceu a todos os rapazes daqui.

– São duas...

– Isso, uma me atacou no outro quarto.

– Elas são verdes.

Deimos sorriu um pouco e correu os olhos pelo corpo semi nu a sua frente. Ciaran usava apenas sua calça e ela estava um pouco baixa. Aquela maldita coisa pensava que ia conseguir ir até o fim com Ciaran? Isso era muito ridículo e inaceitável.

Até porque ele duvidava que um sucubus qualquer fosse tão bom quanto ele.

Deimos se aproximou e os olhos de Ciaran se prenderam nele.

– E parecem feitos de madeira... mas eu não estou indo tocar naquilo pra saber. – Ciaran continuou divagando até os olhos bicolores se fecharam nos olhos escarlates. — O que foi?

Com um empurrão Deimos fechou a porta, agora o único barulho era o da chuva batendo na janela.

O moreno estava a centímetros de Ciaran e já conseguia sentir o calor que emanava do corpo menor a sua frente. Cheio de energia.

– Sucubus são demônios sexuais. Para conseguir as suas vitimas eles realizam a sua mais desejada fantasia sexual.

– E...

– E que você estava prestes a transar comigo. – Deimos não conseguiu parar um meio sorriso quando o rosto de Ciaran se transformou em vermelho vivo.

– Eu não sei da onde ela tirou isso! – Deimos envolveu Ciaran em seus braços e puxou o corpo menor para se colarem juntos, a pele da cintura fina sob seus dedos, sentiu o rapaz ficar tenso, mas logo ele ia relaxar.

– Eu estou lisonjeado.

– Você é muito convencido, isso sim! – Ciaran respondeu espalmando as mãos no peito de Deimos, tentando se empurrar para manter uma certa distancia.

– Você não parecia incomodado quando o succubus estava sobre você. – Deimos comentou.

– Isso... foi... eu estava chocado! Você entrou pela porta e eu perguntei o que era, que você não ia dormir aqui porque tinha um quarto e então subiu na minha cama e... então você...

– Não era eu, Ciaran.

Deimos beijou os lábios apetitosos a sua frente, a maldita visita do sucubus só fez sua curiosidade de como seria ter o rapaz gemendo debaixo de si. O moreno sentiu a resistência de Ciaran diminuir gradativamente enquanto as duas línguas se acariciavam no beijo íntimo, as mãos que antes lutavam para afastá-lo, agora se acalmavam sobre seu peito, estavam frias sobre a pele quente. Quando as bocas se afastaram, Deimos ouviu a respiração alta a sua frente um suspiro, nervosismo e alívio.

– Eu sei... mas parecia e...

– Vou mostrar porque tem uma grande diferença entre aquela coisa e eu.

Deimos começou a andar em direção a cama, conduzindo o corpo de Ciaran até o colchão tão convidativo. As pernas do loiro bateram na madeira e em seguida o garoto sentou na cama. Deimos se curvou sobre o garoto, mas Ciaran ergueu a mão em um claro sinal para parar.

– Espera! Acontece que...

– Só relaxe e confie em mim. – Deimos falou sedutoramente para Ciaran que começou a sentir os lábios do moreno em sua bochecha e em seguida na sua orelha, Deimos sabia que estava no caminho certo quando o rapaz se encolheu levemente.

– Confiar... em um demônio?

– Só dessa vez.

Deimos fez as costas de Ciaran deitarem no colchão fino e em seguida sua boca, desceu pelo pescoço delgado, Deimos tinha vontade de morder, mas ele não era exatamente esse tipo de criatura, mas ele sugou a carne com força deixando uma bela marca vermelha e inalou fundo o cheiro de Ciaran. Agora sim, esse era o certo. Erótico e excitante, fez seu pênis se animar de novo lá embaixo.

Deimos desceu ainda mais um pouco mordendo de leve sua clavícula e seguindo para seu mamilo direito. O moreno abocanhou o botão rosa e percebeu a respiração de Ciaran falhar e os dedos do garoto agarrarem o fino lençol da cama, sua língua brincou com a pele sensível, sua boca sugando a carne até que o pequeno botão estava em pico e o moreno conseguia ouvir o coração de Ciaran batendo contra o peito.

Deimos desceu pela barriga plana e alva, deixando pequenos beijos e sentindo o gosto saboroso em sua boca, ele queria provar cada pedaço, cada parte.

Até que finalmente ele chegou ao umbigo, seus dedos invadiram a calça de Ciaran e a tirou do caminho, Deimos olhou para o corpo totalmente exposto agora, seu pênis pulsava em sua calça, implorando por alguma ação, ele tinha que se apressar, mas não antes de ouvir Ciaran totalmente rendido a si. O loirinho apenas corou e se encolheu um pouco com o olhar faminto de Deimos.

– Para de olhar. – Ciaran falou tentando esconder seu embaraço.

Deimos ergueu o corpo e procurou novamente os lábios do loirinho que respondeu prontamente as caricias.

– Por que? Você é lindo.

– Está dizendo isso só porque...

– Se não fosse verdade eu não tinha comentado. Aceite, você é simplesmente delicioso.

Deimos voltou para um local menos explorado, abriu as pernas de Ciaran e viu a ereção que já vazava pré-semem, o moreno não poderia demorar tanto, o rapaz o já parecia quase em seu limite.

Deimos se dirigiu a parte interna da coxa alheia e a mordeu de leve, depois desceu até que a ereção de Ciaran estava em sua boca, o sabor almiscarado explodindo na sua língua, Ciaran gemeu de leve quando Deimos começou a sugar a carne quente e firme com sua boca, subindo e descendo alternando os ritmos e a força de sua sucção. Até que o moreno sentiu a mão de Ciaran sobre seu cabelo e ergueu a visão para o garoto. Ciaran estava com as maçãs do rosto vermelhas e os lábios levemente separados buscando mais ar, estava ofegante, mas ao ver Deimos olhando para ele, o garoto afastou sua mão, não, Deimos não ia deixar ele fugir, ele precisava saber que podia fazer o que quisesse quando eles estivessem assim.

Deimos recolocou a mão de Ciaran sobre seu cabelo enquanto engolia a ereção de Ciaran do início até a base, os quadris do rapaz se ergueram em resposta ao movimento brusco e seus dedos enroscaram-se nos fios escuros de Deimos.

– Deimos, eu...

O moreno sabia o que vinha logo em seguida, ele queria isso, Deimos acelerou seus movimentos, até que os dedos de Ciaran se enrolaram mais fortes na colcha de cama e Ciaran abria ainda mais as pernas para acomodar o moreno entre elas.

Alguns segundos depois Ciaran gemeu sua liberação e Deimos conseguia sentir a energia fluir, sexo não era apenas sexo, era um modo de ele conseguir energia e, acima de tudo, ele estava certo, Ciaran tinha muito para dar. Mas no momento, ele ainda não estava muito afim de deixar o garoto descansar. Ele estava muito duro e dolorido para deixar isso para lá.

Deimos colocou um dedo dentro de Ciaran, isso assustou um pouco o loirinho, enquanto ele recuperava a sua respiração, mas Deimos não podia ser mais gentil, ele estava suado e muito dolorido para esperar que o garoto se acostumasse. Mas isso nunca preocupou muito Deimos, sua excitação era captada por sua presa, isso já ajudava um pouco na penetração, o corpo se preparava para ele. Ele adicionou mais um dedo, isso não significava que o corpo de Ciaran não precisava saber o que vinha por ai.

Deimos se livrou da calça e ficou gloriosamente nu na frente de Ciaran, ele assistiu os olhos bicolores devorá-lo de cima abaixo e assistiu a língua umedecer os lábios avermelhados. Ele queria sentir aquela boca ao redor do seu pênis um dia, hoje não, se ele fizesse hoje, provavelmente ia gozar na boca de Ciaran, o que não era o que ele queria, ele queria foder o traseiro do rapaz até que Ciaran gozasse de novo para ele.

Mas antes, Deimos engatinhou de novo por cima do corpo de Ciaran até que ele uniu seus lábios aos de Ciaran de novo.

– Gosta do que vê? – Deimos perguntou perto do ouvido de Ciaran enquanto brincava com o lóbulo da orelha do rapaz. O moreno sentiu as unhas de Ciaran arranharem sua pele das costas até seu peito, Deimos sentiu sua pele se eriçar e a sua ereção pulsar mais uma vez, implorando quase no limite.

– Você já sabia que sim. – Ciaran respondeu, enquanto Deimos se encaixava melhor entre suas pernas.

– Eu quero consumir você por inteiro, quero me sentir dentro de você. – Deimos sussurrou enquanto a cabeça de seu pênis se encaixava na entrada de Ciaran, até que o moreno percebeu o rapaz se empurrar contra sua ereção, e as pernas alheias se envolverem na cintura de Deimos.

– Eu quero sentir isso também.

Deimos não esperou mais, ele impulsionou seu pênis lentamente, mantendo o ritmo enquanto esperava Ciaran se acostumar ao seu tamanho e aquela invasão nova ao seu corpo, o garoto cravou as unhas nas costas largas, tentando suportar a dor inicial, a queimação. O moreno ainda conseguiu entrar ate a metade e esperou Ciara dar o aval de que ele podia se mexer.

Quando o próprio Ciaran começou a impalar-se, Deimos começou a se movimentar, lentamente, depois seu ritmo aumentou, ele precisava de mais velocidade, mais fricção, Ciaran era apertado, quente e incrível, tudo nele parecia perfeito para Deimos, o cheiro, os olhares e o corpo, tudo era muito erótico aos olhos do demônio. E ele havia sido o primeiro a ter Ciaran e ele realmente esperava que fosse o ultimo e o único, ele nunca fora muito de exigir a monogamia de um parceiro, mas dessa vez ele ia pensar muito a respeito.

– Mais... – Ciaran gemeu da cama e Deimos queria lhe dar o mundo no momento, o que o pequeno mago quisesse.

– Segure no meu pescoço. – Ciaran obedeceu prontamente e Deimos o ergueu da cama.

No momento seguinte Ciaran sentia a parede fria em costas suadas, mantinha suas pernas envoltas no corpo de Deimos que recomeçou a entrar e sair no rapaz preso entre a parede e o seu corpo.

Deimos assistiu com deleite os olhos de Ciaran fecharem e sua cabeça deslizar pela parede enquanto esperava o orgasmo mais uma vez. Deimos estava perto, muito perto, então ele assumiu um ritmo frenético fazendo Ciaran gemer mais alto e procurar sua boca, as duas línguas brincavam agora no ar esterno, até o momento em que Ciaran gozou mais uma vez, aumentando seu aperto sobre o pênis de Deimos levando o moreno a rugir sua liberação, inundando o corpo menor.

Deimos sentia a enorme quantidade de energia fluir de Ciaran para ele e isso era só um ponto a mais ao seu orgasmo, sua pele esquentou e o moreno já se sentia bem menos faminto do que antes. Menos faminto pelas duas coisas: luxuria, e energia.

Os dois estavam ofegantes e os corpos brilhavam de suor mesmo com a chuva fria lá fora, Deimos sorriu quando viu os olhos de Ciaran pesarem, o garoto devia estar exausto depois de perder tanta energia.

Deimos levou o loirinho de volta para a cama e finalmente saiu de dentro do garoto, seu pênis deslizando livre da cavidade quente, Ciaran apenas deitou de bruços e fechou os olhos, caindo adormecido quase instantaneamente. O moreno o cobriu, afinal ia ficar frio daqui a pouco. Ciaran realmente parecia sereno, Deimos levou sua mão até os fios de ouro e acariciou de leve, sentindo a textura macia.

Agora Ciaran tinha o cheiro dele, isso podia ser uma dor de cabeça, demônios não eram bem vistos, eram conhecidos como seres desprezíveis e imundos. Mas não era problema, quem quisesse foder com Ciaran ia ter que se ver com ele... nos dois sentidos da palavra.

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Ciaran estava sentado na sala comum lendo um livro sobre Seres da Terra, ele precisava de um para alimentar seu cajado. Hm, era bastante interessante, talvez ele encontrasse um troll e conseguisse que ele se submetesse aos seus poderes. Não seria nada fácil, a julgar que uma ondinha de água, acender uma vela e produzir uma brisa não eram exatamente poderes incríveis! E era o que ele sabia fazer no momento.

Além disso, seus pensamentos voavam para duas noites atrás com muita frequência, ele não acreditava no que tinha acontecido, mas de maneira nenhuma ele se arrependia, tinha sido, no mínimo incrível... ele não recusaria repetir a dose.

Quer dizer... ele ainda não sabia o que se passava na cabeça de Deimos. Ainda era estranho encarar o moreno depois de tudo e ele esperava que a dor aguda que ele sentiu no dia seguinte fosse por causa da sua inexperiência.

Os moradores ficaram horrorizados quando viram as criaturas e contaram que ultimamente os ataques de demônios e criaturas da noite, todos sem escrúpulos, tinha aumentado muito na região. Pelo menos eles não tinham visto mortos vivos, como Natane e Denver.

Só Feiy que parecia ter ficado chateado com ele, não tinha sido sua culpa que ele tinha ficado fora do quarto! Ele até tinha mordido Deimos, a ferida ainda estava lá, parecia que a saliva de Feiy não era algo muito bom para o corpo de Deimos curar. Foi culpa daquele sucubus maldito! Mas ele ia procurar um bom presente de desculpas para o seu amiguinho.

A porta da frente abriu e Natane entrou com uma carranca em sua testa. Ótimo, ele não estava se concentrando em sua leitura mesmo.

– Algo errado? – Ciaran perguntou ao elfo que apenas cruzou os braços.

– Tem mais alguém aqui? – ele perguntou olhando para as portas.

– Não, só eu.

Natane caminhou na sua direção e sentou-se em uma cadeira a sua frente.

– Denver está estranho comigo. – Natane disse cutucando a unha do pé.

– Como assim?

– Quando a gente foi em uma missão semana passada, passamos na minha casa. E a gente trocou um beijo.

Não, Ciaran não se impressionou com isso, ele já tinha notado um certo clima entre os dois, mas Natane não era comprometido?

– E agora ele...

– Agora ele me trata como no primeiro dia que me viu. Distante, sério e frio. Até diminuiu meus treinos dizendo que eu já podia praticar sozinho e eu quase não o vejo mais! Quando vou dormir ele não está, quando acordo ele já saiu! O que é isso no seu pescoço?

Ciaran corou um pouco.

– Ah... um inseto. Talvez ele esteja tentando se afastar.

– Mas por que? Estava tudo indo muito bem, eu gostava de sair com ele, de ficar com ele, de conversar e de...

– Dividir aqueles momentos?

– Isso só aconteceu uma vez! E parece que complicou tudo.

– Seu... noivo sabe disso?

Natane olhou para Ciaran e torceu os lábios.

– Não. Talvez... talvez seja melhor ficar como está. Quer dizer...

– Você está gostando do Denver, Natane? – Ciaran foi direto ao ponto e Natane pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Bem... eu não achei que tinha nada de errado em conhecer outras pessoas já que eu terei a vida toda com o Thassos e ele seria o único homem em toda a minha existência, e o Denver é...

– Eu sei. – Ciaran disse suspirando, imagens da noite de dois dias atrás se derramaram em sua mente depois disso e o loirinho sentia o rosto corar intensamente. – Mas Natane, o que acontece se você vier a se apaixonar pelo Denver?

– Não era para ir tão longe.

– Mas e se acontecer, você vai cancelar seu compromisso?

– Não posso cancelar, eu...

A porta abriu de novo e Aisha entrou, parou no meio da sala segurando um envelope branco.

– Hm... bom dia, gente. – Aisha falou e parecia muito nervoso, mas mesmo assim, Ciaran ainda achava o garoto lindo. – Haziel já voltou?

– Não. – Ciaran disse vendo a carta deslizar entre as mãos cálidas. – A gente pode ajudar?

– Pode ler... — Aisha não terminou a frase, Haziel abriu a porta e entrou no ambiente, o rapaz correu para ele e entregou a carta. – É de casa. O que tem escrito? — Haziel olhou o remetente e sua testa se transformou em uma carranca, ele olhou para todos na sala e Ciaran achou meio estranho tudo aquilo. Tudo bem que a família de Aisha não gostava muito de manter contato, mas antes tarde do que nunca. – Quem mandou?

Aisha parecia uma criança ansiosa para abrir um presente e agora até Ciaran estava curioso, Natane já havia dado atenção aquela carta desde que Aisha passou pela porta.

– É do seu irmão. – Haziel falou com a voz profunda enquanto se dirigia para o seu lugar preferido do sofá, Aisha sempre seguindo seus passos, eles sentaram e Aisha se encostou em Haziel como se realmente fosse ler a carta, o vampiro apenas colocou o braço no encosto do sofá às costas do garoto.

Ciaran e Natane trocaram olhares, ultimamente Haziel tinha estado bem diferente ao redor de Aisha, mas eles decidiram deixar para lá. Qual é! Eles estavam curiosos sobre a carta.

Os olhos cor de gelo de Haziel voavam sobre o papel e parecia que o conteúdo da carta não era nada agradável, Natane estava quase debruçado em cima do sofá para ler também.

– E então? – Aisha falou mais uma vez. Haziel apenas amassou o papel em sua mão, levantou e jogou no lixo. Ciaran ficou meio chocado e confuso. – Haziel?

– Não é nada demais, Aisha. Seu irmão mandou avisar que estará fazendo uma visita para você nos próximos meses. Só isso.

E foi simplesmente assim, Ciaran sabia que tinha alguma coisa errada, uma notícia assim não era suficiente para deixar Haziel com aquela expressão alarmada, cada músculo do corpo do vampiro ficara rígido enquanto ele lia, mas ele era bom em disfarçar para que Aisha não percebesse, sua voz era calma e despreocupada, embora o corpo dissesse coisas totalmente diferentes.

Depois disso Haziel foi tomar um banho e parecia realmente distante. Aisha ficou lá parado olhando para a porta para onde Haziel havia sumido, Aisha também não parecia muito convencido.

– O que foi Aisha? – Natane perguntou para o garoto parado no meio da sala.

– Meu irmão nunca me avisou que vinha me ver. – Aisha comentou e foi até o lixo pegar o papel amassado. – Deve ter o motivo da visita aqui, Haziel simplesmente não quis dizer. Pode ler a carta para mim, Natane?

Natane prontamente pegou a carta e desamassou. Melhor ele mesmo, Ciaran não queria ser o responsável por ler a carta que havia sido jogada no lixo pelo próprio Haziel, quer dizer, vampiros eram criaturas que ainda enviavam um frio pela sua espinha e faziam seu pescoço doer.

“Aisha,

Aqui quem vos escreve é Axis, recém proclamado líder dos Hunters do Norte, para informá-lo da morte de nosso antigo líder e pai, Zonda. Além disso, exijo sua presença no clã o mais rápido possível nos próximos dias para prestar as devidas condolências.

Axis”

Natane terminou a carta e todos ficaram em silêncio no recinto. Ciaran estava um pouco chocado pelo fato de Haziel ter escondido esse tipo de informação de Aisha, era muito cruel! O pai do garoto tinha acabado de morrer e o vampiro tinha escondido a informação dele?! Que tipo de pessoa faz isso?

E o irmão de Aisha parecia tão frio na carta... que gente estranha!

– Por que Haziel não me disse isso? – foi a primeira coisa que saiu dos lábios de Aisha antes de um lágrima escorrer pelas bochechas alvas.

Ciaran prontamente levantou e abraçou o pequeno que escondeu sua cabeça em seu peito e retribuiu o abraço, isso era muito cruel até mesmo para um vampiro! O que tinha de errado com ele?!

– Qual o problema do Haziel? – Ciaran falou mais alto do que planejava.

– Talvez ele não queira ir para dentro de um clã de Hunter, vampiros são caçados por eles afinal. – Natane disse relendo a carta.

– Isso não é desculpa.

– Eu achei... que ele estava diferente ultimamente, mas... – Aisha sussurrou no peito de Ciaran, abafando o som. – Por que ele escondeu isso de mim?

Não fazia sentido mesmo, todo mundo ali já sabia que Aisha era louco para voltar para casa, não tinha explicação para tamanho egoísmo de Haziel, afinal ele não era o único vampiro que estaria dentro do clã. O irmão de Aisha também tinha um vampiro morando com ele, não tinha?!

Aisha apenas se afastou e ele parecia bem chateado agora. Oh, bem, Aisha tinha direito a boas explicações e parecia que ele ia consegui-las.

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Haziel saiu do banho não muito mais relaxado. Na verdade ele sabia que este dia ia chegar, só não esperava que fosse tão rápido, agora o estado de alerta ia ser permanente, ainda bem que ele havia se alimentado na noite anterior.

Isso era uma droga, Haziel não esperava por isso, ele esperava que Axis viesse procurar Aisha no instituto ou em uma missão para eliminá-lo, mas não assim!

Isso era preocupante, Haziel era forte, mas ele tinha certeza que não conseguiria proteger Aisha de um clã inteiro de Hunters! Ele não ia levar Aisha para o matadouro, nunca, se Axis quisesse ter Aisha ele mesmo viesse pegá-lo, contra ele Haziel ia lutar até o fim de suas forças.

Se dependesse de Haziel, Aisha nunca iria parar nas mãos de Axis e ele ia retardar esse encontro o máximo que ele conseguisse.

Haziel se arrumou rápido e foi para fora, agora ele não podia mais ficar longe de Aisha. Era arriscado demais. E um mago e um elfo novatos não eram páreo para alguém como Axis.

Ele voltou para a sala comum e, por isso Haziel não esperava, Aisha parecia furioso, coisa que Haziel nunca tinha visto em toda a sua vida.

Ciaran estava conversando com ele e Natane olhava para o vampiro com a cara de culpado, obviamente porque o papel amassado na mão dele devia significar alguma coisa. Maldito elfo dos infernos!

Haziel devia ter rasgado a maldita coisa!

– O que você fez? – Haziel perguntou ao elfo que apenas levantou da cadeira a medida que Haziel se aproximava.

– Só reli a carta! – Natane se defendeu encostando na parede e se mantendo o mais distante de Haziel possível. — Aisha quem mandou! E tinha muito mais coisa do que você inventou!

O baque da mão de Haziel na parede atrás de Natane fez o elfo se calar.

– Você precisa aprender a não se meter tanto na vida dos outros, elfo. – que droga! Esse ruivo maldito sabia quanto mal ele tinha feito? Agora Aisha ia desconfiar dele, ia ficar com raiva de Haziel e ele era o único que podia manter a segurança do garoto! E se isso dificultasse as coisas para ele? A situação já estava uma droga total! – Que merda! – Haziel deu mais um soco na parede, o que fez Natane se encolher ao mesmo tempo que a porta da frente explodiu aberta.

– Perdeu a cabeça, sangue suga maldito! – Denver se pôs entre Natane e Haziel com os caninos a mostra e as garras já bem proeminentes, empurrando o vampiro para a parede oposta que reclamou do impacto. Haziel não era muito pequeno. – Onde você ta com a porra da cabeça?

Haziel também entrou em modo de combate. Se era o que esse maldito vira-latas queria, ele ia arrancar seu pescoço fora.

– Se acalmem os dois! – Ciaran gritou, mas foi ignorado. Se o demônio quisesse defender seu recente amante ele podia entrar na briga também. Pelo menos Haziel podia treinar antes que os hunters chegassem para arrancar a cabeça de Aisha fora.

– Chega, Haziel! – Aisha gritou na sala e é óbvio que todo mundo se espantou. Principalmente o próprio Haziel, Aisha nunca falara com ele assim. – Você escondeu de mim a morte do meu pai! Como você pode fazer uma coisa dessas? Eu estou indo amanhã mesmo para casa, e você não precisa vir comigo, eu consigo me cuidar muito bem sozinho! E eu exijo que nunca mais você me esconda esse tipo de coisa! E é uma ordem!

Haziel ficou chocado, não só ele, mas todo mundo ali. Em meio ao silêncio, Aisha apenas se dirigiu ao quarto e fechou a porta. Ótimo, tudo estava cada vez melhor.

Tudo que ele precisava era que Aisha o ordenasse para ele ficar. Se isso acontecesse, essa era a ultima vez que ele veria seu pequeno mestre.