Magic Whisper
18 Não é o jeito que eu faço as coisas.
Notas iniciais
Natane caiu na cama e puxou os pés para cima enquanto assistia Denver erguer os braços e se livrar de sua camisa.
O ruivo desceu os olhos pela boca, pescoço e peito bem definido do lobo a frente dele e admirou quando os braços grossos e bem desenhados se apoiaram na cama, Natane não tinha músculos assim, ele era mais longilíneo, típico dos elfos, com a delicadeza elegante e músculos magros. Mas sempre imaginou como seria estar entre os braços fortes do lobo e isso estava prestes a acontecer.
Denver deslizou sobre o colchão em direção a ele, os olhos âmbar sem deixar os orbes do elfo se desviarem ou fugirem, tinha algo de predador neles, Natane não era uma presa, ou era?
Esse pensamento o fez morder o lábio, ele queria ser uma presa do lobo dominante a sua frente. Mas ao mesmo tempo que era excitante e sexual, era também tudo muito novo para ele, o que deveria fazer agora?
Claro que ele sabia o que ia rolar entre os dois, ele não era tão inocente assim, mas tudo era teoria.
Ele se viu se afastando lentamente, quanto mais Denver engatinhava para cima dele, mais ele deslizava para o lado oposto, até sentir suas costas baterem na madeira de encosto da cama, e então ele estava encurralado.
Não havia muitos sons no quarto, só o vento que batia na janela e as respirações rápidas e pesadas. Ele ia mesmo fazer isso? Ele ia! Nossa, seu coração parecia que ia sair pela boca, suas mãos estavam suando e frias.
E Thassos? Não, isso não estava certo.
Denver aproximou mais seu corpo e espalhou as pernas de Natane se posicionando entre elas. Delicadamente, sua mão subiu de seu calcanhar a sua perna, em uma leve e íntima carícia, até o meio de suas coxas, onde as roupas ficaram entre o toque quente e sua pele. Era estranho que uma mão tão grossa e um tanto rude pudesse ser tão leve.
Natane fitou cada traço do rosto de Denver e deuses, ele era lindo, principalmente quando o homem sorria, discreto e sedutor. O ruivo sentiu o frio na barriga e a ansiedade crescerem dentro dele, talvez essa não fosse uma boa ideia, ele ia fazer papel de idiota para Denver.
Se ele ia desistir disso era melhor falar logo, Natane lambeu os lábios, de repente sua boca estava seca, ele ia falar, mas então o rosto de Denver começou a se aproximar lentamente e lentamente, Natane queria sentir de novo os lábios e partilhar do mesmo beijo que tinham trocado em sua casa. Tinha sido quente e fez seu corpo sentir coisas novas, uma delas foi desejo.
Ele achava que era uma bobagem e um exagero quando os outros falavam de uma paixão ardente, onde o corpo sofria e a alma acordava, ele achava que era um exagero de todos, mas estava começando a repensar sobre isso. Quando a boca quente de Denver encostou na dele, Natane gemeu um pouco e pode escutar a respiração de Denver ficar mais pesada. Qualquer pensamento de desistir simplesmente fugiu de sua mente.
E então, ele sentiu sua blusa ser puxada para cima, seus braços pareciam ter feito aquilo milhões de vezes, porque ele simplesmente os levantou para que o tecido pudesse sair, a blusa solta saiu sem dificuldade e o ar externo, frio, tocou sua pele.
Natane sentiu o frio eriçar sua pele e a boca de Denver chegar em seu pescoço e mordiscar de leve, o elfo apenas fechou os olhos para toda as sensações percorrendo seu corpo e seu pescoço caiu ainda mais, dando mais espaço para Denver brincar com ele, um som grave deixou a garganta de Denver, ele parecia ter aprovado o movimento, Natane sentiu a mão de Denver subir por seu abdome, acariciar sua barriga e finalmente ela parou em seu mamilo em pico, massageando a ponta saliente, a mão de Natane foi ao ombro de Denver subindo por seu pescoço ate que seus dedos entrelaçaram-se por seus fios curtos, enquanto um choque caminhava dos toques de Denver em seu peito até seu pênis crescido entre os tecidos.
Denver acariciou suas pernas e as puxou, deitando o corpo de Natane no colchão e espalhando seu cabelo pelos lençóis brancos. O ruivo fitou o corpo que o cobria e mais uma vez ficou tenso. Denver estava esperando alguma coisa? Os olhos castanhos agora assumiam uma coloração clara como ambar, era como se Natane estivesse olhando para o lobo de Denver.
O moreno desceu e capturou seus lábios mais uma vez e profundamente.
– O que há de errado? — Denver perguntou com a voz grave e baixa.
– Eu... deveria estar fazendo alguma coisa? — bom, se ele não sabia era melhor perguntar. Mas o meio sorriso de Denver só foi mais um estímulo a sua libido.
– Não, só precisa relaxar e aproveitar.
Denver lhe deu mais um beijo rápido antes de voltar a lamber o seu pescoço e mordiscar com os caninos afiados, roçando de leve a sua pele, levando seu corpo inteiro a se arrepiar e seu pênis saltar em suas calças, ele estava ficando bem dolorido lá embaixo. Denver estava assim também? Ele queria ver, com certeza.
E então a boca de Denver seguiu pela curva do pescoço, ate sua orelha, os dentes finos mordiscaram o lóbulo da orelha pontuda do elfo, Natane fechou os olhos para a sensação que o percorreu. Sua mão voou ao ombro do moreno e sentiu seu pescoço, a pulsação acelerada do lobo, até que seus dedos se fecharam mais fortes no cabelo de Denver.
Sua outra mão agarrava o lençol com o mais forte dos apertos, era normal sentir tanto desejo com alguém brincando em sua orelha? Céus, ele sentia que sua roupa debaixo estava ficando molhada. Natane já tinha se dado prazer sozinho algumas vezes, mas não era nada parecido com isso.
Ele não estava conseguindo pensar direito, Natane se viu gemendo alto e vergonhosamente. O ruivo rapidamente cobriu a boca com a mão. Que droga foi essa, parecia que Denver tinha acariciado sua ereção em vez de apenas brincado com sua orelha.
– Acho que encontrei um ponto fraco. — Denver sussurrou com o hálito quente em sua orelha. Natane sabia que seu rosto estava da cor de uma pimenta agora. Fazer isso era bem mais constrangedor do que ele imaginava e olha que eles ainda não estavam nus diante do outro.
As mãos de Denver desceram por seu peito, deslizando e sentindo cada curva do corpo de Natane e cada músculo magro saliente em seu peito e barriga, até que finalmente os dedos pararam em sua calça e começaram a trabalhar nela.
Denver a puxou e em dois segundos Natane estava completamente exposto aos olhos do lobo. O pau de Natane pulou livre para fora do tecido, apontando e chorando pré sêmen na barriga do elfo, o que era altamente constrangedor e mais uma vez ele sentiu seu rosto arder.
Ele se obrigou a olhar para Denver, por que o lobo havia parado o que fazia? Ele tinha se decepcionado? Os olhos de Denver estavam sobre o corpo exposto, com tamanho desejo que Natane apostaria que conseguiria palpá-lo.
Natane ficou de joelhos, de frente ao corpo quente de Denver, seus olhos evitando os orbes âmbar do lobo enquanto suas mãos foram automaticamente as calças de Denver.
– Você ainda está vestido. — Natane disse tentando desfazer o nó dos cordões da calça de Denver. Estava difícil, suas mãos não estavam exatamente firmes, mas nada de desistir! Se Denver podia vê-lo como veio ao mundo, Natane também tinha direito. Sua pele estava formigando para isso.
– Eu posso fazer isso. — Denver disse sussurrando na orelha de Natane, enviando um calafrio por toda a sua espinha, como diabos pode uma orelha ser tão sensível?
– E-eu consigo. — a mão de Denver tocou o pescoço exposto e o lobo mordeu de leve a sua orelha novamente. — Se você me deixar.
– Tenho certeza que você consegue, concentre-se. — ai é que estava o problema! Mas pelo tom da voz de Denver, o lobo espertinho sabia o que estava fazendo a ele.
A mão antes em seu pescoço desceu até seu peito e acariciou seu mamilo, a outra foi até o início de suas costas, sempre com um carinho leve, tentando unir mais próximo os corpos, tudo isso só tornava a empreitada de Natane mais difícil. Até que ele finalmente desfez o nó e tentou se livrar da calça de Denver, finalmente completando a missão.
E dessa vez Natane observou todo o corpo de Denver a sua frente. Era isso, os dois estavam ali expostos um para o outro em um momento íntimo, o mais íntimo na vida de Natane e ele estava gostando de cada segundo. O pênis de Denver estava cheio e pronto, assim como o de Natane, parecia duro e dolorido, era ainda maior que o de o do elfo e ele queria provar, tocar...
A mão de Denver deslizou de suas costas para um dos globos redondos, Natane ficou tenso prontamente, ele nunca teve ninguém acariciando sua bunda antes, nem perto disso, apenas ele próprio e em poucas vezes. Isso só o fez lembrar...
– Isso não vai caber. — Natane disse tentando esconder seu embaraço.
– O que não vai caber?
– Isso. — Natane disse segurando o falo duro e quente de Denver em sua mão e dando-lhe uma massagem como ele costumava dar a si próprio. O corpo do lobo se enrigeceu e um rosnar deixou os lábios alheios. Natane gostou desse som, ele olhou por debaixo dos cílios para Denver e o elfo podia dizer que o homem estava se segurando na borda.
Denver tomou sua boca de um modo mais possessivo agora, Natane quase esqueceu de onde sua mão estava, o homem sugava seus lábios contra os dele, parecia que sugava seu ar junto. Denver se afastou alguns centímetros, com os lábios roçando os de Natane.
– Você quer dizer, aqui? — Denver perguntou quando um de seus dedos tocou o botão rosa entre os globos firmes de Natante.
– Ehh... — Natane sussurrou enquanto seu corpo se empurrou em direção ao dedo de Denver e sua cabeça caiu no ombro do lobo.
– Tenho certeza que vai caber.
Denver deitou o corpo do elfo no colchão e deslizou para o início de suas coxas, Natane sentiu os lábios em sua virilha e então a boca de Denver envolveu seu pênis, da cabeça deslizando até a base. Natane gemeu alto da sensação que saiu de seu pau e percorreu sua espinha. Seus quadris se ergueram tentando invadir ainda mais a boca quente e úmida de Denver, as bochechas e a língua do lobo trabalhando a carne dolorosa e pulsante do falo de Natane... era quase impossível de se controlar, Natane levou sua mão ao cabelo de Denver e a outra se fechou nos lençóis brancos tentando retardar a liberação, mas ela parecia muito perto para isso.
– Denver... Eu vou... eu... Agora...
Natane gemeu as palavras e parecia que Denver tinha dobrado seus esforços. Uma onda de satisfação e desejo percorreu seu corpo quando o orgasmo o atingiu forte, liberando toda a sua carga na boca do homem entre suas pernas.
Seu corpo caiu na cama, ofegante e suado, Denver se ergueu e agora o belo rosto o encarava a centímetros de si. Natane ainda estava entorpecido pela descarga de energia passada. Mas isso não o fazia desejar Denver menos, esse tinha sido seu primeiro boquete. Seu primeiro tudo na verdade, porque até seu primeiro beijo havia sido com Denver, ele nunca entendeu porque Thassos nunca o havia nem beijado antes, e quando o fez na última visita para casa, foi estranho... De qualquer modo ele nunca havia desejado isso também, não até Denver aparecer.
E ele queria ir além com isso, ele queria explorar todos os pedaços do homem forte a sua frente. Natane puxou a boca de Denver para encontrar a sua, estava com um leve gosto diferente, mas ele não se importou, Denver tomou sua boca com desejo e possessividade, tudo que Denver fazia mostrava como territorial era o homem, afirmando seu domínio sobre o corpo de Natane, ele gostou, o lobo lhe passava segurança, fazendo suas dúvidas ficarem cada vez mais distantes em sua cabeça.
Denver se afastou e virou o corpo se Natane de bruços na cama. Ele sentiu o peito de Denver próximo a si, o homem beijou suas costas, sua costela seu pescoço.
– Eu adoro o seu cheiro.
– O que tem demais nele?
– É como orvalho. – Denver respondeu respirando fundo na curva do pescoço de Natane. – Como folhas da floresta, com um toque doce, como mel.
Isso tudo? Ele nunca tinha reparado nisso.
Natane sentiu um dedo ser pressionado contra a sua entrada e invadir o aperto dos músculos, lentamente e cuidadosamente, ainda assim não deixou de sentir um pouco do incômodo, imagine quando ele fosse empalado no pau de Denver. Na verdade só a imagem mental da cena fez seu corpo acordar de novo. Ele queria isso, queria muito.
Alguma coisa estava ajudando o dedo de Denver deslizar dentro dele com mais facilidade, mas Natane não estava muito interessado nisso no momento, a sensação era boa e estranha ao mesmo tempo, era diferente de quando ele fazia isso a si. Depois mais um dedo foi acrescentado e a queimação voltou, os dois dígitos agora se moviam para dentro e para fora tesourando dentro de Natane, ele puxou uma perna para facilitar o acesso de Denver dentro dele.
O ruivo ergueu um pouco seu corpo a fim de ver Denver o preparando, mas o homem só veio até ele, buscando sua boca, sua língua invadindo os lábios de Natane com paixão, sem deixar de movimentar os dedos lá embaixo, deixando o corpo do elfo ainda mais quente.
Estava quente no quarto,e como estava, tanto o lobo quanto ele estavam brilhando com suor dos corpos, mas Natane não podia se importar menos.
E então veio um terceiro dedo, mas passou menos tempo do que os outros, quando finalmente Denver removeu os dígitos de dentro dele, Natane choramingou alguma coisa que nem mesmo ele sabia muito bem o que era.
– Eu preciso entrar agora, Natane. – Denver disse com a voz rouca, mas a necessidade por trás das palavras só fez o corpo de Natane vibrar em antecipação.
– Por favor... – Natane ouviu a própria necessidade no tom da sua voz. — Vá em frente.
Denver se afastou por alguns segundos deixando uma sensação de perda nos lábios do ruivo que teve seus quadris erguidos, agora ele estava sobre seus joelhos, enquanto seu peito ainda repousava no colchão macio. Ele sentiu algo bem mais significativo do que um dedo ser pressionado contra a sua entrada apertada, e as mãos fortes de Denver descansarem sobre os dois globos gêmeos.
Quando Denver forçou mais um pouco Natane pensou que seu corpo se partiria em dois e todos os seus músculos se enrijeceram.
– Precisa relaxar, bonito. – Denver disse atras de si com um tom calmo. – Vai ser mais fácil e doer menos. – Natane sentia um leve tremor nas mãos de Denver sobre seu corpo. – Vou usar todo o meu auto-controle para ir devagar.
As mãos fortes e um tanto ásperas, acariciaram as costas de Natane com a intenção de fazer seu corpo relaxar, aos poucos Natane conseguiu e centímetro a centímetro Denver entrou completamente dentro dele, com os quadris de Denver se chocando cotra a sua bunda.
Natane se sentia cheio, um pouco desconfortável, mas o prazer estava lá, estava começando a aparecer com alguns pequenos movimentos de Denver, era incrível o pulsar do pau de Denver dentro dele, era realmente como estar ligado a alguém, literalmente.
Lentamente Denver começou a se mover, entrando e saindo de Natane, fazendo o ruivo agarrar forte os lençóis e fechar os olhos para o prazer intenso que aparecia crescer dentro dele, seu pênis estava balançando com o movimento sincronizado dos dois. Até que o ritmo do lobo aumentou um pouco e seu pênis voltou a vida, mesmo com o corpo meio desossado do elfo.
Ele empurrou contra os movimentos de Denver, erguendo-se em seus braços para ter uma melhor posição, ele espalhou suas pernas desejando que Denver fosse mais fundo dentro dele, o que era impossível, mas não custava nada tentar.
O corpo maior cobriu o seu abocanhando seus lábios e convidando sua língua a brincar no ar externo, Natane estava ofegante, assim como Denver que não abrandou seus movimentos.
Natane conseguia ouvir o barulho dos beijos molhados e seus corpos se chocando, era excitante e erótico. Denver seguiu para seu pênis fazendo uma massagem na ereção dura e sensível. Natane gemeu e se contorceu, ele já estava muito perto sem isso, Denver não precisava...
– Não... – Natane choramingou, quando ele levou sua mão até a de Denver o masturbando. Mas sua força não estava ali, exatamente, ele estava mais ajudando Denver a dá-lo prazer.
– Por que não? – Denver perguntou em sua orelha, mordiscando de leve, fazendo sua ereção chorar pré sêmen e uma onda de eletricidade avisá-lo que ele estava tão malditamente perto de gozar de novo. – É tão bom dentro de você.
– É bom ter você dentro de mim também. – Natane disse sentindo suas pernas tremerem, céus, ele estava tão perto. Não conseguia ter controle entre sua boca e seus pensamentos. – É quente...
Denver rosnou para Natane e se afastou um pouco, finalmente liberando o pau do ruivo e segurando firme seus quadris. Natane gritou quando o ritmo de Denver foi frenético, com o som dos corpos de chocando.
– Eu... – Natane começou, mas ele só conseguiu gemer depois disso, não queria gozar antes de Denver, não queria. Mas então o lobo atingiu um ponto maravilhoso no seu corpo, uma e outra vez, fazendo sua cabeça nublar e o êxtase tomar conta de si.
Natane gozou duro e forte, era como se o maldito lobo tivesse controle do seu corpo inteiro agora, ele esperava ter ainda algum juízo de si depois disso.
Os movimentos de Denver se tornaram mais difíceis quando o aperto do corpo de Natane sobre seu pênis tornou difícil a sua movimentação. Porém, segundos depois, Natane sentiu seu corpo ser preenchido pelo líquido quente transbordado pelo prazer de Denver.
Isso foi ótimo, lentamente Denver puxou seu pênis amolecido para fora do corpo do ruivo, o movimento foi acompanhado por gemidos dos dois. Natane continuou deitado de bruços na cama, tentando finalmente recuperar seu ar, ele tinha certeza que suas pernas deviam estar onde sempre estavam, mas não conseguia senti-las muito bem.
Denver o virou de frente para si, os olhos verdes encarando os orbes, agora chocolate, do lobo ofegante sobre si, o moreno continuava entre suas pernas com uma leve camada de suor e um olhar que Natane não conseguia entender, parecia a mesma expressão séria e um pouco tensa com a qual Denver vivia. Natane apenas sorriu para ele, estava sem jeito, mas não tinha muito o que fazer agora.
Denver desceu pairando sobre seu corpo cansado e tomou sua boca mais uma vez, Natane envolveu o pescoço do lobo em seus braços para mantê-lo ali por um tempo, ele amava a boca de Denver na sua, fazia sua cabeça se perder em névoas, ou seria porque seu corpo já estava meio entorpecido?! Talvez os dois, Natane se sentia exausto.
Denver desceu com leves beijos em seu queixo, depois para a curva de seu pescoço, onde Natane deixou sua cabeça cair para o lado, enquanto o cansaço e o sono tomavam conta de sua consciência. O lobo cheirou a pele suave e deslizou de leve as presas em seu pescoço, até que a pressão se tornou maior.
Denver ia mordê-lo? Uma nova onda de prazer correu por sua espinha com essa ideia, agora ele ia ser um louco pervertido? Algo, no mínimo, estava estranho com esse pensamento.
Mas não, nada aconteceu, Denver apenas lambeu seu pescoço.
– Cansado? – a voz grave perguntou enquanto Natane já estava meio adormecido, ele só concordou com a cabeça.
Ele sentiu seu corpo ser erguido do colchão e levado para outra cama, Natane respirou fundo, era o cheiro de Denver, estavam na cama de Denver agora. O corpo maior deitou ao lado do seu e o cobertor o cobriu, Natane virou para o lado do moreno, sentindo a parede de músculos na altura de seu rosto.
Definitivamente ele preferia essa cama a dele. Nem percebeu quando o sono o levou.
– x-
– E então eu saí da enfermaria direto para uma missão. – Ciaran disse sentado no chão enquanto acariciava o pelo macio de Feiy. – Parecia que Aisha já tinha ido para casa quando eu saí. E então a gente foi mandando para ajudar um vilarejo... que estava isolado do mundo.
Ciaran havia completado seu treinamento de hoje e agora estava contando ao seu mestre como tinha conseguido um espírito da terra para alimentar seu cajado. Além disso, ele tinha que apresentar Feiy ao mago.
– Isolado do mundo? – seu mestre perguntou com a voz mansa de sempre.
– Eu vou explicar.
Ciaran, Deimos e sua raposa andavam pelo bosque fechado, Ciaran achava que já tinha visto aquela árvore, a sua direita, um par de vezes, mas ainda assim ele tinha certeza do caminho. Ultimamente, ele tinha ficado realmente bom em observar as coisas ao seu redor, coisas que eram realmente parecidas a vista de todos eram visivelmente diferentes para ele. Segundo seu mestre, isso era algo que se adquira com o tempo, mas Ciaran parecia acima da média em tudo o que ele fazia. Isso era bom para o ego.
– Eu não acredito que você esqueceu o caminho, Ciaran. — Deimos disse pela terceira vez.
– Já disse que era por aqui! — Ciaran falou chateado. Mas ele também já estava ficando um pouco cansado e o sol já começava a se esconder no horizonte.
– Não parece.
Quando os três chegaram a vila que os convidou, Ciaran ficou sabendo que ninguém conseguia sair nem entrar na cidade, todos se perdiam na floresta, ou voltavam para casa depois de dias perdidos pelas árvores, as trilhas não levavam a lugar nenhum e eram infinitas. Isso tudo era estranho, então eles decidiram investigar.
– Eu sabia que não era uma boa ideia entrar aqui. – Ciaran falou parando no caminho e olhando para as frondosas árvores altas.
– E como você ia resolver o problema, chapeusinho? Pense bem, nosso portal também está em algum lugar no meio desse mato todo!
– Eu tenho certeza que o caminho de volta era esse! Viemos direto pela estrada de terra, depois pegamos a primeira trilha a esquerdar, no outro cruzamento seguimos em frente e mais adiante... voltamos pelo mesmo caminho!
– Estamos perdidos, Ciaran, admita. – Deimos disse, sentando em uma das rochas próximas ao percurso.
– Você podia escalar uma dessas árvores e ver se estamos perto de algum lugar.
Deimos levantou e fez exatamente isso, Ciaran esperou e esperou, dava passos para trás, avaliando a altura que Deimos estava indo e, deuses, aquilo era alto. Deimos puxava seu corpo para cima com muita facilidade, ele tinha muita força bruta guardada... ele tinha percebido isso quando as mãos do moreno estavam sobre seu corpo. E então Ciaran pisou em alguma coisa que estalou em seus pés, era um graveto ou algo assim, então ele chutou para o começo da estrada, não podiam fazer tanto barulho, agora que escurecia, animais selvagens estavam por ai e sabe-se lá o que estava por trás de tudo aquilo.
E então, o gravetinho começou a se mexer e tentar se reerguer. Ah, não, era uma coisinha viva? Mas parecia o galho de qualquer árvore.
Ciaran foi até ele, a coisinha se contorcia e o mago nunca tinha visto nada como aquilo. Ele já havia conhecido muita coisa durante esses meses de treinamento, seu mestre tinha um modo de apresentar-lhe as criaturas, e todo o tempo livre que Ciaran tinha ele estava meditando em contado com a natureza ou caminhando pelo bosque próximo ao instituto. Ele tinha ficado bom nisso. Mas existiam criaturas difíceis de contactar ou conhecer. Os livros ajudavam... mas o estranho, era que tudo o que lhe acontecia era muito natural para si.
Os seres que ele conhecia não lhe pareciam novidade. Era como se ele já os conhecesse e era uma sensação estranha. Ciaran avaliou a criatura em que ele pisou, parecia um inseto gigante feito de um galho de árvore, mas agora estava quebrado ao meio e ele se sentiu extremamente culpado.
– Ah, desculpe por ter... quebrado você! Eu vou resolver! – Ciaran disse esperando que não tivesse matado a criatura. Pegou um pedaço de tecido e tentou remendar o pedaço meio solto ao corpo que se mexia. – Você não vai morrer por isso, vai?
Ele esperava que não, Ciaran era um mago elemental, tinha por sua essência o desejo de proteger e respeitar as coisas vivas da natureza, matar seres naturais não era feitio de um mago, era deles que vinha a sua força. E de qualquer maneira, ele nunca gostou de matar nada, nem quando costumava andar pelos bosques perto de sua antiga escola.
Ciaran escutou o corpo bater do chão quando Deimos desceu das alturas. Ele pulou lá de cima?
– Nada. Parece que estamos no meio de um mar de plantas. – Deimos informou irritado avaliando o ser que estava nas mãos de Ciaran. – O que é isso?
– Eu não sei bem, eu pisei nele agora a pouco. Acha que vai morrer?
E então o tufão de fogo apareceu e Feiy se transformou em homem mais uma vez, ele evitava se transformar para poupar energia para momentos de necessidade, mas ultimamente ele estava conseguindo ficar mais e mais tempo nessa forma.
Porém, significava que o humor de Deimos ia piorar e os dois iam começar a discutir. As vezes era difícil manejar os dois.
Ciaran andava com uma espécie de tecido que ele amarrava na cintura, não era todo mundo que aceitava um cara pelado andando por ai. Talvez ele comprasse uma roupa do tecido de camaleão de Denver, devia ter o mesmo efeito sobre a mudança de Feiy.
– Acho que isso é um tronquilho, Ciaran. – Feiy disse sentando-se ao lado de Ciaran.
– Ah, eu já li sobre eles. – não, não era isso, ele já havia visto um antes? — Eu achava que eles não costumavam aparecer para as pessoas.
– Bom, não tem pessoas aqui ultimamente. – Deimos falou olhando ao redor. – Vamos seguir caminho?
– Mas já vai escurecer. – Feiy comentou, enfatizando os últimos raios de sol no horizonte.
– E daí? Você pode ser útil e fazer uma tocha.
– Ou uma fogueira e manter o Ciaran aquecido.
Deimos apenas ignorou.
– Por mim, nós podemos continuar. – Ciaran falou genuinamente enquanto observava o tronquilho ainda se mexendo em suas pernas. Parecia que ele ia ficar bem. Bom, ele não estava cansado e o quanto antes saíssem daquela floresta, melhor.
– Ele não é tão frágil assim. – Deimos falou incomodado, aquela mesma tensão entre ele e Feiy estava no ar.
É, Ciaran não era tão frágil, embora ele tivesse se sentido usado pelo demônio, de alguma forma ele já esperava algo assim. Mas o fato de Deimos não ter tentado mais tocar nele ou lhe dado a atenção que lhe dava antes ou mesmo dormir mais vezes na cama, o estava incomodando um pouco.
Na realidade ele estava confuso, desde que Feiy havia se transformado que as coisas tinham mudado. Bem, Ciaran tinha perguntado se Deimos se importava com o fato de Feiy gostar dele, de mesmo beijá-lo.
E estava claro que para Deimos pouco importava. Uma pena que ele não sentia por Feiy o mesmo que sentia por Deimos, ele parecia bem mais interessado que o demônio. Afinal, que tipo de interesse ele tinha por Deimos? Ele sabia que estava meio que se apaixonando pelo demônio, mas toda vez que ele pensava nisso, parecia que era algo mais profundo.
De qualquer forma, não importava. Deimos não estava tão afim dele assim.
– Você não consegue farejar nada nessa floresta? – Deimos perguntou a raposa.
– Se eu pudesse já teria feito. Não farejo nada que pareça uma saída, tudo que eu conssigo sentir é o cheiro de outros animais e de um rio que não está muito longe.
O silêncio veio depois disso e Ciaran realmente conseguia ouvir um córrego, era descendo o barranco, não era longe, ele conseguia ver.
– Vamos seguir caminho. – Deimos disse avaliando a estrada que escurecia.
– Não vamos não. – Feiy retrucou ao demônio. – Estamos andando em círculos, não vimos nada parecido com uma saída e não sabemos o que tem aqui. Não vamos andar a noite sem rumo!
– E o que você sugere? Que fiquemos aqui eternamente? Quanto mais rápido nos mexermos mais rápido descobrimos o que está acontecendo aqui! Ficar parado não resolve nada.
– É perigoso! Vamos caçar alguma coisa, fazer uma fogueira e fica aqui, perto da estrada, talvez alguém passe!
– Ah, claro! Vamos fazer uma fogueira no meio desse breu e esperar que as coisas que você sitou venham até nós. É melhor nos mantermos em movimento!
– É mais seguro ficarmos aqui! Principalmente por causa do Ciaran.
– Ele não é tão indefeso assim. Além disso, vamos com ele. Você prefere que as criaturas nos encurralem aqui?
– Devemos descansar e andar pela manhã! A visibilidade é muito melhor de manhã.
– Eu tenho uma excelente visão noturna.
– Claro! Você tem! Eu também! Mas Ciaran não! Como sempre, você só pensa em si!
Ciaran só assistia a discussão sem sentido, ninguém queria saber muito o que ele pensava e isso estava começando a irritá-lo. Por um lado, Feiy o tratava como se fosse cristal e Deimos parecia não se importar com os riscos na floresta.
Deimos se aproximou de Feiy que também estufou o peito para Deimos. Eles iam brigar agora?
– Chega vocês dois! – Ciaran disse firme e os dois olharam para ele. – Nós vamos ficar aqui até pensarmos em uma causa para estarmos tão perdidos! Não vamos andar sem rumo por essa floresta, Deimos, está na cara que andamos em círculos aqui! Só vamos nos cansar e durante o dia não teremos energia! O sol já se pôs, está ficando escuro, se acharmos alguma coisa para comer faremos uma fogueira, Feiy, se não, vamos chamar o mínimo de atenção. Nada de fogo!
– Mas você vai congelar a noite. – Feiy disse como se a ideia de não ter fogo fosse absurda.
– Não, eu não vou! Nem está tão frio assim! Eu posso aguentar um pouco de frio!
– Você não costumava gostar do frio. – Feiy disse lançando um olhar bem mais significativo para o loirinho.
Ciaran lembrou do quarto frio em sua nova casa, como ele se sentia sozinho preso naquele lugar e em sua escola passada. Isso tudo parecia tão distante agora. Era como se esse tempo nunca tivesse existido em sua vida e esse mundo em que ele estava agora fizesse parte de sua existência desde sempre.
Naquela época Feiy era apenas uma raposa, mas o fato de agora Feiy ser o que é, o fazia se sentir meio constrangido de lembrar todas as noites que ele tinha chorado ou de todos os seus momentos melancólicos em que desabafava com o animausinho. Talvez por isso Feiy pensasse que ele era tão frágil.
– Vocês vão parar de brigar?
– Vou procurar algo para comer. – Deimos informou enquanto começava a entrar na floresta. – Não saiam daqui.
– Acho melhor eu ir caçar. Sou melhor nisso e é mais fácil de encontrar vocês. – Feiy falou e Deimos deu de ombros. – Você pode ir buscar madeira para a fogueira.
– Tanto faz. – Deimos falou e olhou para Ciaran. – Você vai ficar ai com o seu amiguinho quebrado. – afirmou com a visível intensão de evitar que Ciaran se metesse em encrencas.
– Eu vou até o rio, estou com sede e precisamos de água. – Ciaran avisou e Deimos parecia que ia falar algo contra. – É logo ali embaixo, até eu que não tenho essa audição sobrehumana de vocês consigo ouvir a água.
Ciaran saiu descendo o pequeno caminho ingrime que levava ao rio.
– Pode ir, eu espero ele voltar. – Ciaran ouviu Feiy falando com Deimos e só revirou os olhos, ele não era idiota, não tinha como se perder, era um pouco mais de cem metros e pronto.
– Não tire os olhos dele. – Deimos falou e Ciaran escutou os passos nas folhas secas.
Qual é! Ele não era criança! Por que estavam agindo assim?! Ele tinha que ficar forte logo para que esses caras parassem de tratá-lo como uma princesa. Ciaran viu o rio e algumas cascas de madeira côncavas, isso ia ter que servir para levar a água.
Ele olhou ao redor e sentiu um frio na nuca, logo percebeu que era uma corrente de ar que tinha passado. Ciaran olhou ao redor e nada viu, só ouviu os grilos e alguns sons menores pelas plantas. Tratou de encher a casca ressecada de água e ela parecia boa, não vazava, mas com certeza teria que fazer mais algumas viagens.
Ciaran deu meia volta e retornou, fez o mesmo percurso, subiu o morro e se viu na estrada principal. Andou um pouco mais para a esquerda, afinal ele podia estar em um outro trecho da estrada, já que, tentando driblar as plantas da encosta, desviou alguns metros do caminho pelo qual desceu. Ele parou, olhou para o lado e para o outro.
O desvio que ele fez não fora suficiente para perder qualquer um de vista, principalmente Feiy e seu cabelo de fogo esperando por ele nas pedras do caminho.
– Feiy? – ele falou mais alto que o normal. – Deimos? – mas nenhuma resposta veio da estrada, apenas os grilhos e o vento balançando as folhas das árvores podia ser ouvido, a lua minguante iluminava bem a noite escura, mas mesmo assim, estava escuro.
E Ciaran estava sozinho. Não fazia sentido e ele não entendia como, mas estava sozinho no meio da floresta.
Deimos ia mata-lo.
Até que seus olhos viram uma luz no meio das árvores, era fogo. Alí estavam eles. Ainda bem que Feiy tinha acendido alguma coisa, ele estava começando a ficar preocupado.
Ciaran andou pelas plantas, os galhos prenderam-se entre suas vestes e ele tinha certeza que estavam rasgando o tecido, mas ele estava tão perto, e não tinha chance dele se perder de novo. Com certeza era algum tipo de magia que estava confundindo aquela floresta. Eles só tinham que descobrir de onde ela vinha.
– Achei que eu tinha me perdido! – ele disse quando chegou a fonte de luz.
Mas não tinha nada lá, ou melhor, tinha sim, apenas uma tocha no centro de uma clareira e mais nada.
Até que várias coisas pareciam descer pelas árvores ao redor da clareira. Ciaran correu para perto do fogo, com suas mãos segurando forte seu cajado, ele já conhecia alguns truques, ele ia evitar o fogo no começo, fogo era arisco e provavelmente ia queimá-lo, ele precisava de mais experiência antes, mas parecia ser a opção mais efetiva.
Ciaran viu várias pessoas descerem das árvores, parecia uma tribo, homens e mulheres, mas não pareciam humanos, nem elfos, nem as muitas misturas dos seres que ele tinha visto antes. Eles emanavam uma aura diferente, com muito mais energia, parecia como se fizessem parte da própria natureza ao redor.
– Isso é bem raro. – ele escutou uma voz feminina e doce atrás dele. Era uma mulher, tinha a pele em tons de verde com a aparência delicada, os olhos da cor do mais claro mel que pareciam brilhar como ouro sob a luz da única tocha no meio da clareira. Suas roupas pareciam brotar de seu próprio corpo, varias folhas e galhos formavam uma bela malha entrançada pelo corpo magro e a cada passo, pequenas plantas pareciam surgir sob seus pés. Ciaran sentiu o poder brotar dela, ele sabia que lhe devia respeito. – Há quanto tempo não vejo um mago da sua raça?!
Ela falou por fim e várias tochas se acenderam ao redor da clareira, iluminando bem o local. Devia ter pelo menos duas dúzias de pessoas ali, algumas sobre as árvores e outras sentadas as bordas da clareira, mas todas muito atentas a ele.
– Quem é você? – Ciaran perguntou da forma mais respeitosa possível.
A mulher parou de caminhar em sua direção e sentou-se, Ciaran achou até que ela ia cair de bunda no chão, mas um trono de vegetação começou a crescer e a acomodou naturalmente.
– Eu faço as perguntas, mago, afinal esta é minha casa e você a está invadindo.
– Sinto muito. – ele disse respeitosamente. Obviamente aquilo era um alto espírito e ele tinha que usar a sua diplomacia para lidar com a situação, ele tinha que mostrar que não era inimigo e quem sabe até ter uma aliada. – Não quero lhes fazer mal.
A mulher sorriu como se não acreditasse no loirinho.
– Não quer? Então por que trouxe um demônio tão sujo de sangue para esse chão?
Ah, Deimos, como sempre sua reputação o precedia.
– x-
Deimos voltou com alguns galhos mais grossos de plantas e que pareciam secos o suficiente para pegar fogo logo. O cabelo vermelho de Feiy chamou logo sua atenção, mesmo no escuro da noite, o homem andava de um lado para o outro, impaciente.
Ele esperava que o cara conseguisse caçar alguma coisa, porque Deimos não tinha visto nada vivo por ali, na verdade, esse lugar lhe dava nos nervos. Por isso ele queria ir logo embora daquela droga e não passar uma noite agradável no meio desse lugar esquisito, mas não, Ciaran queria ficar, ele entendia o ponto de vista do mago, mas quanto antes eles saíssem melhor, menos riscos.
Deimos jogou a madeira no chão e olhou ao redor, observando Feiy farejar o ar.
– Onde está Ciaran? – Deimos perguntou olhando em direção ao rio e não vendo nada da capa vermelha, mas a raposa o ignorou, ele trincou os dentes. – Raposa, onde está o Ciaran?
Feiy acariciou sua nuca e virou para Deimos.
– Eu o perdi de vista. – a raposa disse com a maior cara de culpa e preocupação.
Deimos cerrou os punhos para evitar arrancar aquela cabeça vermelha ali mesmo. Calma, Deimos. Ciaran não ia ficar feliz se matasse seu bichinho de estimação.
– Como diabos você o perdeu? Ele estava ali, na porcaria do rio! Cem metros de você! Que merda!
– É exatamente isso! Eu estava observando seus movimentos o tempo inteiro! Mas ai o tronquilho começou a se mover, a andar de novo, eu observei para que ele não fosse longe, assim o Ciaran ia ficar feliz de ver que ele estava bem! Quando eu olhei de novo não o vi mais! Foram poucos segundos!
– E o cheiro dele? – Deimos amaldiçoou quando a expressão de Feiy foi de derrota total.
– É como se ele nunca estivesse por perto. Eu já desci ao rio e voltei. Não tem como ele ter se perdido.
– Foi esse lugar. Agora o Ciaran ta perdido por aí. – Deimos olhou ao redor. Não havia sinal do garoto em lugar nenhum. – Eu disse para ficar de olho nele!
Deimos rosnou para Feiy. Desde que essa maldita raposa tinha começado a se transformar que as coisas tinham ido de mal a pior. Agora Ciaran estava por ai, perdido, numa floresta que estava visivelmente pregando uma peça neles. Ele ia sair e procurar, Ciaran não podia ficar por ai sozinho, sabe-se lá o que os tinha obsevado pelo caminho.
– Você acha que eu queria perdê-lo? – Feiy falou raivoso e Deimos lhe deu as costas, ele ia colocar esse lugar abaixo para encontrar Ciaran. – Onde você está indo?
– Vou procurar por ele!
– Você vai se perder!
– E o que você sugere?
Feiy parecia que ia surtar e disso Deimos não precisava.
– E se ele voltar?
Deimos lhe deu as costas e começou a andar pela trilha. Feiy foi até ele e puxou seu ombro.
– Vamos todos nos perder!
A mão de Deimos voou no pescoço de Feiy apertando sua garganta, o ruivo parecia surpreso, ele normalmente conseguia evitar as investidas de Deimos. Bom, a raposa nunca soube muito bem com quem lidava antes. Tentou remover a sua mão, mas a força de Deimos não era nada modesta quando ele estava com raiva.
– Você sugere que eu sente ai e espere ele voltar? Sem saber quando e como isso vai acontecer? Não é o jeito que eu faço as coisas.
Feiy queimou o braço de Deimos e o mesmo o soltou, a pobre raposa estava ofegante e fuzilava Deimos com o olhar.
Ele não ia mais perder tempo. Se Feiy se perdesse por ai e fosse comido por qualquer animal ia ser um bônus. Se ao menos Ciaran tivesse feito um contrato com ele, Deimos podia encontrá-lo em qualquer lugar, não havia magia que se sobrepunha a um contrato de um demônio.
Mas pelo visto isso ia ser do modo antigo.
–x-
– Ele não é ameaça. – Ciaran disse isso o mais firme possível. Mas a mulher não pareceu se convencer.
– Eu não acredito em você. Senti o cheiro de sangue e morte há milhas de distância. Espero que entenda que a floresta da minha mãe é um lugar puro, criaturas como essa não são bem vindas.
– Ele não fez mal a ninguém.
– O demônio se comportou até agora, é fato. Mas ele está maculando esse solo. O que quero saber é se você está fazendo uso de magia negra.
Todos pareceram ficar apreensivos quando a mulher fez essa pergunta, até mesmo ela estava mais tensa em seu trono, embora tentasse se manter mais calma.
– Não. Eu não faço uso de magia negra.
Alguns pareceram relaxar e outros não ficaram menos apreensivos.
– Não vejo outro motivo para um mago andar com um demônio.
– Ele é só meu parceiro de missões. Mas eu me sinto em um interrogatório aqui. Acho justo que eu tenha direito a perguntas também.
– Isso depende.
– Quem é sua mãe?
– A árvore mais velha dessa floresta, ela que mantém tudo estável por aqui e faz tudo para que fiquemos seguros. Todos que moram aqui.
– Ela se incomodou com a gente andando por aqui?
A mulher desviou os olhos, mas rapidamente olhou para Ciaran de novo.
– Não exatamente. Ela decidiu observar vocês. Ficou confusa, como eu, você anda com algo tão sujo, como um demônio e algo tão raro como uma kitsune, essas raposas não costumam proteger quem não é merecedor. Mas eu resolvi não arriscar e quero saber qual o propósito de vocês nessa floresta.
– Estamos aqui para descobrir porque, de repente, as pessoas não conseguem mais atravessar a floresta.
– Isso porque nós fechamos as trilhas.
– Por que?
Todos se entreolharam e a garota apenas avaliou Ciaran, um tanto confusa.
– Você não sabe o que está contecendo por ai? Um grande mal se aproxima, muitas florestas estão sofrendo, os animais estão ficando doentes e as matas estão morrendo.
– Já ouvi boatos que tem coisas estranhas acontecendo.
– Não sabemos muito bem o que está acontecendo, só que uma força obscura está surgindo e seres há muito adormecidos estão voltando e trazendo desgraças. – ela levantou e caminhou em direção a Ciaran, parando exatamente a sua frente. – Achamos que a desgraça havia chegado aqui quando vocês entraram.
– O que? Por que? Nós não fizemos mal a ninguém. Só viemos descobrir qual era o problema desse lugar e tentar achar uma solução.
– Sua essência é antiga e poderosa. – ela disse olhando fundo nos olhos bicolores do mago. – E você anda com um demônio, quem me garante que você não é o responsável por esse mal que nos ronda?
– Eu não sou ameaça, nem Deimos!
– Prove.
– E como eu faço isso?
Um farfalhar nas folhas foi ouvido e todos observaram curiosos o barulho exagerado, em dois segundos Deimos pulou na clareira. Alguns dos seres correram e fugiram, outros ficaram apreensivos, mas observaram a cena, pareciam atordoados, mas quem estava mais impressionada era a mulher a sua frente, ela olhava para Deimos como se olhasse para o seu pior pesadelo. Ela recuou alguns passos antes de recuperar a fala.
Deimos aproximou-se de Ciaran, com a maior carranca do mundo.
– Como você conseguiu se perder? – ele perguntou ignorando tudo e todos a sua volta, claro que ele havia dado uma bela avaliada no local, mas não pareceu preocupado. Ainda bem que ele não tinha sacado as lâminas.
– Eu não me perdi! Voltei por onde vim, mas os caminhos mudaram e...
– Eu o trouxe aqui. – a mulher se dirigiu a Deimos, que a observou pelo canto dos olhos escuros.
– Com que propósito? – ele perguntou se colocando entre a entidade e Ciaran. Ah,não. Ciaran não podia deixar Deimos tomar o rumo das negociações, isso não ia significar coisa boa.
– Achei que tratar com ele sobre a razão de vocês estarem aqui fosse mais fácil que tratar com um demônio, mas... nada que tivesse más intenções poderia nos encontrar aqui. O que não faz sentido, já que você está aqui.
– Eu disse que ele não queria fazer mal a vocês, sua mãe ou sua floresta. – Ciaran relembrou.
– Isso é realmente muito esquisito. Vocês dois são muito esquisitos. – realmente ela os observava como duas aberrações.
– Eu só queria encontrar esse cara. – Deimos falou agora com mais cautela. – Agora que encontrei... sem aparentes danos, vamos indo.
– Só queremos que você abra o caminho para que as pessoas possam circular. – Ciaran disse. — Elas precisam de suprimentos das cidades próximas, se não a vila vai definhar.
– Não vou abrir os caminhos e arriscar que a minha casa seja destruída.
– Apenas um! Seria uma forma de vocês controlarem o que acontece e quem entra na floresta.
– Isso nós sempre estivemos cientes, não queremos facilitar para o inimigo.
– Mas vocês vão condenar uma vila inteira. – Ciaran tinha plena consciência que não era brilhante na diplomacia, qualidade tão explorada na sua raça de mago. Mas ele ia melhorar com o tempo.
– Sinto muito, mago. Posso deixar vocês irem para casa, mas os caminhos da floresta vão continuar fechados.
– Por favor, reconsidere, eu... – Ciaran sentiu uma coisa subindo em seu calcanhar, era o tronquilho no qual havia pisado mais cedo. – Oi. – ele falou a criatura com um pedaço de tecido amarrado no corpo. Ciaran abaixou para apanha-lo, ele não queria pisar de novo. – Acho que ele vai ficar bem. – comunicou a Deimos que estava interiormente impressionado como aquele graveto podia estar em todos os lugares.
– Um tronquilho? – a mulher verde perguntou aproximando-se. – O que aconteceu?
– Eu pisei nele sem querer. – Ciaran disse quando entregou a criatura para o espírito da floresta.
– Troquilhos não costumam aparecer, vocês deviam estar perto da casa dele. Eles costumam defender sua árvore-casa ferozmente. Geralmente pulam nos olhos e cegam as vítimas. Esse parece ter gostado de você. – ela colocou as mãos em concha, com o tronquilho no meio e um brilho opaco saiu de lá. Quando ela abriu, o pequeno ser já estava completamente curado.
Ela colocou a criaturinha no chão e ele se perdeu entre as plantas.
– Não podemos sair sem que resolvamos o problema da passagem das pessoas pela floresta. – Ciaran reiniciou o assunto.
– O que vocês sabem sobre o que está acontecendo lá fora? – ela perguntou, parecendo bem pensativa. – Vocês me dizem alguma coisa e eu posso pensar em abrir uma trilha para os moradores da vila.
– Eu disse que não sei o que está acontecendo. – Ciaran replicou.
– Vamos indo, Ciaran. – Deimos chamou. – Ela não vai reabrir as estradas, está completamente com a razão de não deixar criaturas desconhecidas circularem por aqui.
– Não podemos abandonar aquelas pessoas a própria sorte. Vamos ficar aqui até acharmos uma solução.
– Pare de ser teimoso.
Ciaran franziu a testa e sentou no chão. Ele não sabia se estava lidando com as coisas da forma correta, mas era só o que ele ia fazer... até Deimos arrastá-lo dali de alguma forma.
– Não.
Deimos suspirou e passou a mão no pescoço.
– Fala sério. – ele replicou entre dentes e virou-se para a mulher que observava a cena com olhos atentos. No mínimo estava achando tudo ridículo. – Só sei que você está preocupada a toa, por enquanto. – Deimos falou para a mulher, ganhando a atenção de Ciaran. – Há algo acontecendo no outro extremo do continente, bem após Vaselium, a terra dos clãs de vampiros, e alguns eventos isolados em outras áreas. Parece que a concentração é ao sul daqui. Estão notando a movimentação de alguns orcs, shifters, trolls... a maioria com uma índole não muito boa.
– Demônios?
– Sim. Alguns. Bem desonestos se quer saber. Parece que os celestes que estão indo investigar não estão tendo boa sorte, a maioria não retorna. Eles suspeitam que algo está atraindo os seres para lá, mas ainda não está forte o suficiente. Acho que os celestes estão bem preocupados, já ouvi de relatos de corpos sem vida rondando por ai... algo está errado no controle das almas.
Quando Deimos tinha ouvido falar dessas coisas? E por que nunca tinha comentado?
– Entendo, minha mãe disse que a terra está tremendo e que os espíritos estão inquietos.
– Não sei mais do que isso, mas pretendo ir até lá descobrir alguma coisa. Estou apenas terminando de organizar algumas coisas.
– Quando? – Ciaran perguntou um tanto surpreso. Eles tinham conversado sobre isso alguma vez?
Ciaran perguntou, mas Deimos fingiu que não escutou.
– Levante daí, Ciaran. – Deimos falou em resposta, mas Ciaran tinha ficado tão pensativo nessa futura missão que só obedeceu.
– Muito bem. – a garota disse. – Avise para a vila que a estrada principal vai ser reaberta. Mas só ela. Se alguém tentar invadir a floresta eu não me responsabilizo por seu destino.
– Que bom que decidiu confiar em nós. – Ciaran falou quando os outros seres começaram a se dispersar.
– Na verdade, minha mãe mandou que apenas os observasse. Eu me precipitei contra as ordens dela e trouxe o mago aqui. Mas nada com tanto poder como vocês havia andado por aqui antes, eu precisava saber se eram uma ameaça para nós. Porém, se um tronquilho parece confiar em você... além de uma kitsune o ter escolhido para proteger, deve significar alguma coisa. Espero que seja nosso aliado, mago, quando as coisas ficarem difíceis.
– Sim, eu irei ajudar no que for necessário e no que eu conseguir.
– Alguém que consegue domar um demônio sem contrato com certeza deve ser importante... e é ainda tão jovem. – a mulher disse realmente impressionada. – Um tanto imaturo também.
– Domina o que? – Deimos perguntou indignado.
– Ah, sim, essa arte de domar demônios é realmente difícil, luto para mantê-lo controlado todos os dias. – Ciaran concordou debochando da reação de Deimos . – É uma técnica muito antiga.
– Impressionante. Vou cuidar para que encontrem seu caminho para casa. Que a sorte não nos falte quando a hora chegar. – ela falou se distanciando até desaparecer entre as sombras e a tocha apagar-se.
Ficou tudo escuro, só não ficou pior porque a lua minguante estava enorme no céu negro, acompanhada de lindos pontos brilhantes.
– Vamos indo. – Deimos falou tentando voltar pelo mesmo caminho entre as plantas.
– Como me achou? – Ciaran perguntou tentando acompanhar o ritmo do moreno.
– Por coincidência. Eu sai andando por ai e esbarrei em você.
– Onde está Feiy?
– Não faço ideia, mas ele vai nos encontrar.
Como Deimos sabia dessas coisas, sobre o que estava acontecendo? Por que ele nunca comentou nada? O que ele faz no mundo humano e por que Ciaran sempre ficava no escuro sobre tudo o que se passava com o moreno? Eles eram parceiros afinal de contas, certo?
– Você vai acabar se perdendo de novo. – Deimos falou e Ciaran notou que o demônio estava há alguns passos dele de novo.
Deimos voltou e segurou sua mão, como uma criança, não havia necessidade para isso. Mas havia algo incomodando sua cabeça.
– Quando vamos para o sul investigar?
A resposta demorou um pouco a vir.
– Você não vai comigo.
– O que? Por que? Nós somos parceiros...
– Pra começar, Ário inventou essa história de me colocar em duplas, onde eu não deveria estar. Eu trabalho sozinho.
– Mas você é minha dupla, como vou para as missões?
– Feiy pode me substituir. Você não vai ficar só.
Ciaran olhou para as duas mãos juntas, era tão quente e parecia tão certo.
– Quando você ia me contar?
– Quando eu fosse.
Ciaran parou e puxou a mão de volta. Deimos parou e olhou para ele.
– Sabe. – Ciaran começou a falar, somente os grilos pareciam estar ao redor. – Você pode não acreditar, mas eu me preocupo com você e, eu sei que não é da minha conta, mas o fato de você não me contar nada ou eu não saber o que se passa na sua vida me incomoda. – Ciaran tentou focar em algum lugar que não fosse o rosto de Deimos, seus olhos ficaram vagando nas folhas escuras ao redor, ou onde a lua conseguia penetrar. – Eu não estou te cobrando nada só porque a gente... você sabe. – muda a pauta, Ciaran, você não quer falar disso ainda. – Sempre que você some por dias eu não sei se vai voltar ou se você está machucado ou se está se metendo em encrencas. Afinal, a primeira vez que eu te vi, você estava fugindo de vampiros e entrou na minha casa... por falar nisso, como está a sua energia? – Ciaran perguntou e olhou para o rosto de Deimos sem querer, o moreno só ergueu as sobrancelhas, parecia surpreso com a pergunta e Ciaran sentiu o rosco corar, não era isso que ele queria tratar. – Só quero que você saiba que pode confiar em mim e que eu gostaria que compartilhasse algumas coisas comigo, porque se você precisar de ajuda eu vou poder ir te socorrer, como você faz comigo.
Deimos se aproximou e Ciaran encarou os coturnos que apareceram a sua frente. Agora Deimos ia mandar ele ir cuidar as sua vida e deixá-lo em paz. Então, ele sentiu a mão do moreno erguendo seu queixo e Ciaran encarou um olhar suave no rosto do rapaz, seu coração acelerou, ele não esperava isso, Deimos estava tão perto dele como ele não esteve em dias.
– Primeiro. – Deimos começou e Ciaran se preparou para ser colocado em seu lugar. – Você não precisa se preocupar comigo, o que você precisa fazer o mais rápido possível é parar de sumir da minha vista!
– O que?
– Qual é, Ciaran. Toda vez que eu não estou de olho em você, você acaba na enfermaria daquele maldito instituto. Você precisa ficar forte, porque eu não sou louco de deixar você ainda fraco nas mãos daquele incompetente do Feiy. Segundo, você precisa parar de esperar que eu fale da minha vida para você. – ok, Ciaran estava esperando por isso. – Olhe para mim. – Ok, ele voltou os olhos para o moreno. – Eu estive sozinho desde que eu me lembro e não tenho o hábito de falar sobre mim ou sobre os meus planos com ninguém, é hábito meu e provavelmente não vou mudar. Meus planos não são do seu interesse e provavelmente você seria contra todos eles e isso só ia afastar ainda mais você de mim. E terceiro, não quero que você venha atras de mim em nenhuma circunstância.
– Sobre ir para o sul, eu acho...
– Você não vai. – Deimos nunca falou nada tão firme quanto isso.
– Acontece que você disse que ia esperar eu ficar mais forte, isso pode demorar, mas quando acontecer eu posso ir também.
Deimos apenas sorriu.
– Você vai ser um cordeiro no meio de um monte de lobos, ou você não ouviu que tem demônios indo para lá.
– Acho que posso lidar com eles, eu lido com você todos os dias.
– Tudo que você leu sobre nós é verdade, Ciaran. Não confie em demônio nenhum, você deu sorte de me conhecer sob proteção do contrato que eu tenho com Ário. Afinal de contas, por que você quer ir comigo? Por que você se importa com o que eu faço ou deixo de fazer?
Ciaran não estava pronto para falar isso ainda.
– Porque você é importante para mim. – por enquanto isso ia bastar.
Deimos apenas concordou com a cabeça e segurou a mão de Ciaran de novo para começar a fazer o caminho de volta novamente.
– Ah! E quarto... – o moreno falou virando para Ciaran e capturando sua boca. O loirinho ficou tão surpreso que ficou tenso por alguns segundos. Mas, como sempre, ele logo se rendeu e sentiu aquele torpor que se seguia ao beijo entre os dois, depois que suas línguas cansavam de se acariciar e depois que lhe começava a faltar o ar. Até hoje ele não sabia se era Deimos roubando sua energia ou se era apenas porque ele se derretia ao toque do moreno. Talvez os dois. Quando o beijo cessou, Deimos afastou-se apenas um pouco do loirinho. – Quanto a minha energia, eu estou bem. Mas adoraria voltar para o meu lugar na cama.
– Eu não te expulsei. – não mais.
– Achei que estava sendo usada por outra pessoa.
– Quem?
– AH! Finalmente! – Feiy gritou de algum lugar e Ciaran procurou em todos os lugares possíveis, até que os cabelos de fogo apareceram no meio das plantas. – Achei que nunca encontraria vocês, até que o cheiro do Ciaran apareceu no meu nariz! A estrada é logo aqui.”
– E então nós voltamos para a vila e contamos sobre a estrada principal. Na volta, quando chegamos ao círculo de cogumelos, eu senti alguma coisa no meu calcanhar... de novo. E era o tronquilho! – Ciaran disse olhando para o seu mestre, com os olhos baixos e deitado sobre o banco de madeira. Para quem não o conhecia, aquilo podia ser confundido com tédio. Mas seu mestre era meio apático mesmo. – Achei que ele tinha vindo se despedir, mas quando eu me abaixei, ele subiu no meu báculo e virou um tipo de poeira dourada e foi absorvido pelo cajado! Eu achei muito estranho! Eu tentei tirar ele de lá, mas não consegui.
– Alguns espíritos você tem que conquistar, como os dos elementos da água e do fogo, terra e vento são mais amistosos, provavelmente vão segui-lo sem dificuldade. O tronquilho vai ajudá-lo com as magias de terra. Isso é bom porque ele é uma entidade rara de ser vista e bem harmoniosa com seu elemento.
– Pois é! E quando encontramos Aisha eu já consegui usar magia de terra, estudei um feitiço e deu certo! Foi meio loucura, mas eu consegui!
– De primeira?
– Não é demais!
– Você realmente é um aprendiz acima da média, Ciaran. Logo não vai mais precisar de mim.
– Acho que ainda vou precisar de muita ajuda. AH! E Feiy, você não o conhece ainda. – a raposa acordou de seu torpor, aparentemente estava adorando o carinho de Ciaran em seu pelo macio. – Vamos lá, Feiy. Quero te apresentar ao meu mestre.
Feiy não parecia muito feliz com o pedido de Ciaran, mas ele nunca faria nada para desagradar o garoto. Ele se afastou um pouco e o tornado de fogo surgiu.
No segundo seguinte, Feiy estava la sentado no chão, com os cabelos longos e selvagens cor de fogo, olhando não muito satisfeito para o mago negro.
– Oi. – Feiy disse ao homem, que ergueu-se rapidamente do banco, sentando-se e observando o ruivo atentamente.
– Incrível. – o mago falou atônito, enquanto olhava para o rapaz esguio e meio arisco. – Não sabia que eram criaturas tão bonitas.
– Ele é! E também é bem forte. – Ciaran disse muito orgulhoso. Mas Feiy parecia mais arisco que o normal.
– Não vou fazer mal a você, raposa. – o mago falou, voltando-se a posição causal de sempre. — Isi vai adorar conhecer você. Ela tem ajudado as outras fadas ultimamente, tenho ficado muito sozinho aqui. Você podia me fazer companhia, Feiy.
– Meu dever é proteger Ciaran até que ele não precise mais de mim. – Feiy respondeu sem tirar os olhos dourados do mago que não parecia nada impressionado com a resposta.
– Entendi. Vamos trabalhar bem para que Ciaran não precise mais da sua proteção. Assim você pode me fazer companhia.
– Eu nunca iria me desfazer do Feiy, mestre, sinto muito. – Ciaran disse para ele com um sorriso.
Feiy olhou para Ciaran com nada menos que devoção.
– Isso é mesmo uma pena. – Damir sussurrou e ficou observando Feiy que lhe lançou um ultimo olhar antes de se transformar em raposa de novo.
A porta do grande salão abriu e Deimos apareceu.
– Ário quer ver a gente. – ele disse e Ciaran correu para a porta se despedindo de seu mestre, até o dia seguinte.
Ciaran seguiu pelo corredor apenas alguns passos atras de Deimos, ele viu a mão do demônio balançando para frente e para trás, até que a agarrou. Ele esperava que isso não fosse muito estranho.
– Está com medo de se perder? – Deimos perguntou sem olhar para trás.
– É... – Ciaran falou casualmente.
– Pois devia andar mais perto também.
Então, ok. Ciaran apressou os passos e já estava quase ao lado de Deimos, enquanto percorriam os corredores, os passos de Feiy ficaram um pouco para trás e distantes, mas estavam lá. Talvez ele quisesse lhes dar um pouco de privacidade.
– O que o Ário que com a gente?
– Não sei, mas parece que ele não está feliz.
Quando os dois chegaram a sala de Ário, Denver, Natane e Haziel estavam lá, de pé, esperando por eles. Aisha ainda não estava em condições de fazer muita coisa, mas já estava em seu próprio quarto e a julgar pela cara de Haziel, ele estava impaciente para voltar ao seu posto.
– Estamos todos aqui. O que quer? – Haziel falou impaciente para o diretor do instituto que parecia meio preocupado e furioso.
Ele respirou fundo e se apoiou com as duas mãos na mesa, avaliou todos os cinco com um olhar rígido e perguntou.
– O que diabos vocês estavam pensando ao atacar uma vila de Hunters? A principal delas!
– Aisha estava em perigo e fomos ajudar. – Natane falou obviamente.
– Precisavam destruir o local todo?! No dia da nomeação do novo líder?
– Você só pode estar brincando comigo. – Haziel falou mortalmente com um soco na mesa. – Você viu o estado de Aisha quando o trouxe para casa?
Ario respirou fundo e desabou na cadeira.
– Eu vi. E acredite eu teria feito qualquer coisa para recuperá-lo. Mas vocês não vieram a mim e foram direto para a ação!
– Foi o próprio irmão que fez aquilo a ele! – Ciaran falou.
– E convenhamos, você sabe muito bem que Axis não é negociável. – Haziel completou. – Faria tudo de novo se necessário. Sò que dessa vez traria a cabeça de Axis comigo.
– Shh. Cuidado com a boca, Haziel. – Ário disse com uma reprimenda e um olhar significativo. – É verdade que você matou Dorian?
Todos os outros quatro olharam para ele esperando uma resposta. Ciaran sentiu muito pelo vampiro, Dorian era um companheiro de seu antigo lar, não era isso? Era seu líder e agora...
– Ele não ia me deixar salvar Aisha. Suas ordens eram para me ter morto se Axis não completasse o ritual. Acredite, eu não queria, mas era o único modo.
Ário colocou a mão na testa e olhou ao redor.
– O que acontece é o seguinte. Axis está muito... chateado com a morte de seu escravo e com a perda de seu irmão. Os celestes avaliaram a situação e decidiram que o ataque o ataque ao clã dos seus aliados foi exagerado e criminoso. Mas, justamente, nunca concordaram com o ódio dos hunters a raça de Aisha, então resolveram arquivar esse caso. De qualquer forma, os anjos tem estado de olho nesse lugar já por algum tempo e agora mais do que nunca. Eles virão fazer uma investigação nas instalações e se julgarem inapropriado... diante dos acontecimentos medonhos do outro nado do véu, eles vão fechar o instituto.
– Eles podem fazer isso? – Natane perguntou preocupado.
– Bem, sim.
– Mas alguns seres vivem aqui há séculos, é como se fosse a casa deles.
– Eles vão ficar sem ter para onde ir? – Ciaran perguntou.
– Eles vão dar um jeito. – Ário respondeu pensativo. – Tantos séculos de trabalho.
– Mas esse lugar ajuda os seres do véu, certo? – Ciaran apontou, era um decisão ridícula, quem esses caras pensavam que eram.
– Sim... mas no começo era difícil controlar algumas coisas, então o instituto tem uma fama um pouco ruim, embora isso esteja mudando. Enfim, teremos que acatar o que eles decidirem. Além disso, Áxis é muito influente, se ele quiser nossa cabeça, ele provavelmente terá. – Ário olhou para Haziel e parecia ponderar se falaria algo ou não. – Ele exigiu seu irmão de volta, Haziel.
Haziel ficou tenso parado no lugar, provavelmente tentando se acalmar, Ciaran olhou para Denver e o lobo parecia tenso também enquanto encarava o vampiro.
– Acalme-se, Haziel. Ele está a salvo, dormindo no quarto. – Deimos falou, apenas estudando a reação que se seguiria do enorme vampiro. Ciaran não queria ficar ali se ele explodisse.
– E? – Haziel perguntou a Ário.
– E que ele veio com um dos anjos. Michaelis. Eu expliquei o estado que Aisha chegou aqui e o pouco da história que eu sabia. Michaelis vetou que Axis recuperasse o irmão e como Axis não quer perder os aliados indo contra a ordem do anjo... ele saiu furioso daqui. Mas todos sabemos que não acabou. Nas próximas semanas teremos fiscalização dos anjos, quando menos esperarmos. – Ário terminou olhando para Deimos.
– Eu vou sumir. – Deimos falou como se não fosse importante.
– Tenho que esconder o seu mestre também, Ciaran.
– Bem, é isso. Saibam que eu provavelmente faria tudo o que vocês fizeram pelo Aisha. Só quero que da próxima vez, pensem bem na consequência dos seus atos. Podem ir.
Os cinco saíram pela porta e Haziel apenas seguiu caminho, provavelmente voltando para os dormitórios.
– Para onde você vai? – Denver perguntou em direção a Deimos.
– Vou verificar algumas coisas do outro lado do véu. – Deimos falou e Ciaran olhou rapidamente para ele.
– Você disse que não ia logo.
– É, mas já que a oportunidade surgiu.
Os quatro andaram em direção aos dormitórios pelos corredores. Ciaran ia mais atrás, sentindo a perda iminente do moreno a sua frente. Ele queria perguntar quando Deimos ia voltar ou se ele ia voltar.
Mas a pergunta ficou engasgada na sua garganta, ele provavelmente estava com medo da resposta. Então, só agarrou a mão de Deimos de novo e o demônio entrelaçou seus dedos juntos.
– Você está com esse péssimo senso de direção ultimamente, Ciaran.
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