Magic Whisper

5 Infelizmente ele teria que escolher o seu mestre.


O quarto estava escuro e o vento assobiava baixo e frio entrando pela janela de tamanho médio do quarto, as cortinas finas velhas e desgastadas de um cinza sujo dançavam lentamente com a brisa das primeiras horas da manhã.

Haziel escutou os pássaros da cidade cantarem desanimados e apressados, como tudo naquela cidade, isso o acordou de seu pequeno sono leve.

Isso era ridículo. Ele era um vampiro classe A. Os mais temidos e respeitados do mundo mágico, ele não deveria dormir durante a noite, ele deveria descansar durante a porra do dia, ele preferia de fato descansar quando aquele maldito brilho solar incomodava seus olhos.

Mas filhos de Hunters não dormiam durante o dia. O maldito pivete tinha que ficar perambulando por aí durante a manhã e claro, graças a sua maldita coleira, ele precisava ficar para cima e para baixo seguindo aquela coisinha de um metro e setenta!

— Eu adorei sua tatuagem. – a voz feminina disse arrastada ao seu lado, a mão leve acariciou seu peito exposto e o dedo desenhou círculos de leve com a unha longa.

— Eu a odeio. – ele disse curto e grosso, Haziel não era muito de conversar com a sua comida, nem ficar para o outro dia, eles nunca acordavam primeiro que ele.

— Hoje em dia eles podem tirar isso aí fácil. Eu mesmo já fiz. – a outra voz disse do outro lado da cama. O corpo masculino levantou do colchão e caminhou pelo quarto apanhando as roupas espalhadas e avaliando se eram mesmo as suas. Haziel tinha que admitir, ele tinha um bom gosto incrível, ele ficou assistindo até o peito definido sumir por dentro da blusa e ele ganhar um sorriso sabedor da outra parte. – Está frio, vim só vestir algo um pouco mais quente.

— Eu ainda acho ela muito legal, doeu? – a mulher ao seu lado disse agora contornando o círculo preto ao longo do pescoço.

— Mais do que você imagina. – ele disse arrastado.

— Hm, eu se fosse você não tirava.

Como se ele se importasse com o que sua refeição achava ou deixava de achar. Se ele soubesse como, aquilo já estaria fora de seu pescoço há tempos. Ele viu a luz aumentar pela janela, melhor ele ir embora.

Levantou devagar sem realmente ter a vontade de fazer o seu caminho de volta. Não que ele também quisesse ficar ali, esses acordaram muito cedo hoje. Pegou suas roupas e as vestiu.

— Você já está indo?! – o rapaz de olhos chocolate perguntou meio decepcionado e sem tirar os olhos do vampiro que já se dirigia a porta. – Se eu pedir para você ficar um pouco mais? Você sabe... eu estava meio alto noite passada. – Haziel sabia, ele estava dão drogado que o gosto do sangue estava meio ruim, mas deu para o gasto, a garota compensava. – Eu não lembro muito bem o que aconteceu. – Haziel não ia deixar uma presa sair espalhando sobre ele por aí. — Mas minha bunda me diz que foi bom. Vamos lá, fique mais um pouquinho, não vai se arrepender.

Haziel apenas sorriu para o rapaz e saiu pela porta do quarto apertado.

— Sabe onde nos encontrar! – a mulher gritou e ele fechou a porta.

Era um hotelzinho de quinta com várias portas verdes desbotadas. Mais um homem ia descendo a escada junto com ele. Parecia que ambos tinham que estar em casa antes que o sol ficasse muito alto.

O homem saiu primeiro e Haziel já franziu o cenho para aquela pequena quantidade de sol. Aquilo praticamente o cegava. Pegou seus óculos escuros e colocou, não ajudava muito, mas já era alguma coisa. Seu casaco preto de couro e as calças jeans chamavam atenção na rua, ou talvez fosse só o seu tamanho, ele não era pequeno e sabia disso.

O sol não seria problema pela próxima semana... isso de precisar sair durante o dia o deixava louco, qualquer dia desses ele ia se queimar e sabia disso, precisava se alimentar com mais frequência. Significava negligenciar seu trabalho mais vezes, significava aumentar riscos.

Ele recebeu ordens. Cuidar do bem estar daquele moleque e obedecer suas ordens. Tinha algo mais humilhante do que se apresentar como o escravo de alguém como Aisha?! Um moleque fraco, pequeno e que visivelmente não era o um guerreiro capaz de derrotá-lo e conseguir que ele fosse seu escravo.

E acima de tudo: um Shame.

Ele perdeu a conta das vezes que cabeças voaram porque riram dele. O menosprezaram. Diziam “como isso derrotou você? Você é um merda.” Nenhum dessas línguas espertas estavam vivos para contar a história de que um dia desrespeitaram Haziel. Era só um maldito desejo de se provar. E ele que costumava ser tão disciplinado.

Mas agora ele era só um... animal que precisava seguir ordens. Ele já pensou em desobedecer e se entregar ao castigo por quebrar o pacto de escravidão. Mas o encantamento o impedia de se matar, de modo que as tentativas só o fariam sofrer duas vezes mais, ele só conseguiria morrer se fosse protegendo seu mestre ou cumprindo ordens.

Ele se dirigiu ao parque da grande cidade e pulou a cerca para chegar aos canteiros cheios de árvores nativas. Lá estava o círculo das fadas, suspirou pesado e foi para dentro dele.

Em dois segundos ele estava no jardim dos portais do instituto, o sol já havia se erguido. Ele viu o momento em que Deimos e Ciaran passaram por um portal. Hm, já estavam trabalhando?! Talvez fosse só uma missão de reconhecimento em Damra. Era muito bonito esse rapaz do Deimos, sim, porque Deimos estava cuidando direitinho para que o garoto caísse em suas garras. Mas para Haziel ele queria era distância do novato, aqueles olhos eram sinais de má sorte e ele não queria piorar a sua fodida vida.

Haziel nunca provara sangue de um mago da classe de Ciaran. Sempre podia haver uma possibilidade. Melhor não, vai que o sangue era amaldiçoado também.

O vampiro se arrastou para o quarto, algumas criaturas passaram por ele, algumas indo para suas missões, outras voltando. Ele era o único maldito vampiro naquele instituto todo! Quando mandaram Aisha para lá ele ficou furioso, nenhum de sua raça trabalhava para o instituto, não tinha porque, eles usavam sua força para coisas maiores, como cuidar do coven. Mas ele acabou por ali, com Aisha.

Ele devia ser escravo da mãe de Aisha, não que quisesse ser escravo, mas pelo menos ele teria tido a honra de ser derrotado por uma guerreira forte. A mãe de Aisha fora a guerreira mais forte que conhecera e de longe a mais bonita.

Aisha tinha muitos traços dela.

Haziel entrou no dormitório e viu Aisha sentado a mesa, o rosto baixo na madeira fria, parecia dormir. Chegou lentamente, ele sabia que não fazia muita diferença chegar lentamente e silenciosamente, Aisha tinha os sentidos muitos aguçados, mas parece que hoje ele estava muito cansado para acordar.

Por que diabos ele não dormiu em sua cama? Haziel só havia tido problemas uma vez quando saiu para se alimentar, um metamorfo tentou atacá-lo por ser do Instituto. Eles tinham alguns inimigos por fora, o problema é que foi em um local bem publico, então deu muito trabalho para abafar o caso, desde esse dia Aisha parecia não relaxar quando ele saía.

Se Haziel fosse ele também ficaria preocupado de seu escravo nunca mais voltar e ele acabar ficando desassistido. O sol já brilhava forte pela janela fina do cômodo. Seus olhos reclamaram. Sol, maldito sol. Ele sentia falta dos vales escuros de Vaselium, terra da maioria dos covens de vampiros. Raramente se via o sol por lá.

Era melhor levar Aisha para dentro do quarto antes que o sol lhe queimasse a pele clara e sensível. Afinal, ele era fruto da mistura de um dos seus com um dos deles, se Aisha tivesse nascido em seu coven ele teria sido abandonado na porta de um ser qualquer e deixado a própria sorte, na opinião de Haziel, o clã dos Hunters foram muito gentis em deixá-lo viver com tamanha regalia. Logo os Hunters que pregavam o ódio aos vampiros. Ter uma criança assim devia ser uma vergonha ainda maior para eles do que paras os de sua raça.

Afinal, para os de sua raça, só provava que Hunters não eram tão imunes assim aos encantos dos vampiros. Ele sorriu para si mesmo enquanto avaliava uma forma de erguer o garoto.

Fez menção de levantá-lo, mas parou... ele estava muito sujo, ele podia não morrer de afetos pela pequena e fraca criatura, mas lhe parecia meio errado tocá-lo fedendo a humanos, a sexo e sangue.

Preferiu seguir para o quarto e levar-se primeiro, despiu-se e tomou uma ducha rápida, sentia falta dos banhos preparados em Vaselium em largas piscinas pessoais.

Enxugou o cabelo loiro platinado, deixando os fios rebeldes como realmente eram, pegou uma roupa limpa no armário, uma camiseta fina e um casaco pesado de couro, alguns jeans e seus coturnos.

Agora tinha melhorado, ele iria tocar Aisha agora bem mais confortável. Não que isso importasse, era só algo que sua maldita consciência de guerreiro lhe empurrava, o respeito. Seu príncipe ficaria muito orgulhoso de si.

— Que bom que você voltou bem. – a voz doce veio da porta e Haziel apenas deixou para lá. Bem, Aisha parecia falar e falar mesmo que ele não respondesse mesmo. – Se machucou? – ele suspirou alto, o moleque podia parar com essa falsa preocupação sempre, era irritante! E ridícula! Nenhum humano ou criatura que tivesse passado pelo véu e vivesse uma vida pacata desse lado poderia lidar com ele. Era um fato! Aisha podia deixar o falso sentimentalismo para lá! Ele não enganava ninguém com isso. Ele sabia muito bem o que esperar dos filhos dos Hunters. Principalmente os do norte. – Acho que não.

— Já disse que não precisa me esperar voltar. Eu não vou me meter em confusão de novo. Sua reputação está segura.

— Não era por isso que eu estava...

— E pare de dormir na sala, sua pele queima quase tão fácil quanto a minha. – depois que o humano de Deimos se revoltou por ele falar com um ‘determinado tom’ com Aisha, Haziel notara que era mesmo um pouco rude com seu mestre. Mas Aisha não parecia ligar e isso ajudava em sua frustração. Ele não devia nada a Aisha, ele não era verdadeiramente seu mestre.

— Tudo bem. – Aisha comentou baixando um pouco a cabeça. Ta vendo? Era disso que ele falava, parecia que ele era o mestre ali, quem tinha que dar-lhe ordens era Aisha não ele. E não que ele quisesse seguir ordens de ninguém, mas aquela merda de maldição servia para isso! E Aisha não sabia lidar com esse tipo de merda! – Desculpe.

Ele fechou a porta do armário com um pouco de força. Bom, não quebrou. Nunca em sua vida ele ouvira falar de um mestre que se desculpava! Que merda! As vezes, ele se perguntava porque a mãe de Aisha não o dera ao irmão mais velho do garoto. Sua vida seria bem mais emocionante, com certeza. Mas o irmão de Aisha não precisava dele, não, o mesmo já tinha conseguido para si um escravo, era seu Príncipe, e aquilo era frustrante!

— Mestres não se desculpam com seus escravos, Aisha. – ele disse entre dentes.

— Des... tudo bem. Mas eu já disse que não sou seu mestre.

— Você dizer isso não muda nada. Eu ainda tenho isso no meu pescoço e enquanto isso existir, estou preso a você.

— Eu não sei o que tem no seu pescoço, mas já disse que estou procurando um jeito de libertar você.

Haziel sorriu para si, há anos ele diz a mesma coisa. Foda-se, ele não sabia porque ele estava tendo essa discussão, talvez esse fosse o maior diálogo que manteve com Aisha durante dias.

A única coisa que Aisha tinha tentando fazer era proferir palavras e ordens tentando fazer Haziel livre, mas parecia que a única forma de libertá-lo era se Aisha mandasse Haziel se matar. E isso ele não faria.

— Esqueça. Deite-se e durma. Ainda é cedo e não tenho missões. – afinal ele era o único útil nas missões.

— Ciaran e Deimos foram para a sua primeira missão hoje. – ele comentou se dirigindo a cama, o sol estava mesmo muito brilhante hoje, Haziel fechou uma das cortinas e deixou apenas um pouco da luz entrar. – Um convite foi deixado para Natane hoje... talvez seja para falar de seu novo parceiro, ou parceira... seria legal uma mulher por aqui para variar. – Haziel não entendia porque diabos aquele garoto ainda tentava manter um diálogo com ele.

Depois de alguns minutos ele decidiu sentar na grande poltrona. Ahh, sim, aquilo sim era um grande descaso, muito melhor do que uma cama humana. Aisha dormiu depressa e ele planejava descansar também, não tinha nada melhor para fazer.

Haziel não conheceu muitos como Aisha, ele só vira bebês ao nascerem, eles eram chamados de Shame, a vergonha dos covens. A mãe era normalmente ignorada no coven e a maioria se retirava e procurava viver em outro lugar ou outro coven que não conhecesse seu passado vergonhoso. Isso só aumentava a raiva de Haziel, ele tinha ainda que proteger um ser que a sua raça abominava.

Passou a mão no rosto como para ver se ajudava a digerir todas as informações que voavam em sua cabeça, pensava que nunca ia se acostumar aquilo. Nunca.

Era frustrante!

Haziel despertou quando ouviu os primeiro passos no corredor fora do dormitório. Ele tinha um sono leve. Notou a respiração de Aisha mudar também, logo o garoto tinha acordado também.

— Tem alguém aqui? – era apenas Natane, o maldito elfo parecia trazer alguém consigo.

— É alguém novo com Natane, não sei quem é. – Aisha se pronunciou e levantou da cama. Se Asiha não reconhecia, então realmente era alguém novo. Mas Haziel não se mexeu. Era só fingir que não tinha ninguém ali.

— Aisha! – Natane disse batendo na porta.

— Já estou indo. – Aisha respondeu com um leve sorriso e se dirigiu ao guarda roupa. Haziel só conseguia admitir uma coisa, se ele não conhecesse Aisha, ele não diria que o garoto era cego, Aisha parecia sentir, conhecer e perceber tudo muito bem a sua volta, isso era uma coisa que a pequena criatura tinha dominado perfeitamente. Haziel tinha um bom olfato, uma boa audição... mas ele com certeza preferia ver.

— Preciso que você e Haziel venham aqui fora.

Aisha trocou-se rapidamente e se dirigiu a porta.

— Você vem? – Aisha perguntou a ele, mas ele não respondeu, nem se moveu, Aisha se pôs para fora sozinho.

Foi aí que o cheiro fétido invadiu suas narinas e suas pupilas dilataram. Haziel se pôs para fora tão rápido quanto pode, sua alimentação recente o ajudou e em um segundo ele estava lá fora atrás de Aisha, pronto para encarar aquele maldito ser.

— Calma, Haziel! – Natane disse se colocando entre ele e o rapaz atrás de si. Haziel viu que seu alvo também estava pronto para a luta, os malditos olhos chocolate o encaravam como se estivessem tendo a mesma ideia que ele. – Este aqui é Denver Woodriver. Ele é o meu novo parceiro, não é ameaça. E Haziel também não é ameaça para você Denver.

— Não parece. – Denver disse entre dentes enquanto entrava em modo de combate, avaliou bem o seu alvo e pareceu relaxar um pouco mais, um sorriso travesso tomou seus lábios e ele voltou a compostura de antes. – Ah, é um escravo. – Haziel podia ver pelo brilho dos olhos do rapaz que ele o estava menosprezando. Essa maldita marca! – E imagino que é desse jovem. – Haziel notou o tom de voz, Aisha mais uma vez conquista com sua beleza. Isso por muitas vezes trouxe problemas a Haziel.

— Ário só pode estar de brincadeira, aquele filho da puta. Colocando um filho de lobo no meu território. – Haziel disse tentando acalmar o sangue que borbulhava.

— Você é um lobisomem? – Aisha perguntou docemente, como sempre, Haziel precisava ensiná-lo que determinado tom de voz significava perigo para ele.

— Sim e não... eu sou um Shifter, do tipo homem lobo, eu posso me transformar em lobo quando eu bem entender, lobisomens só conseguem se transformar na lua cheia e nós somos bem maiores que lobisomens. A maioria não sabe qual a diferença entre lobisomens e homens lobo. Mas nós éramos os principais responsáveis por abater criaturas como ele. – disse apontando para Haziel. – Até os Hunters começarem a fazer um trabalho muito melhor que o nosso. Mas eu proponho vivermos em paz, você não me importuna e eu não faço o mesmo.

Haziel queria mesmo era arrancar a cabeça fora daquele maldito. Sua raça tinha uma rixa bem mal resolvida com esse povo. Mais da outra parte do que da dele. Vampiros sempre levaram a melhor sobre eles, era um fato, mas os desgraçados faziam um bom estrago.

O que mais incomodava Haziel não era o fato de um filho de lobo estar ali... era que o maldito fedia a Alpha e esse tipo era muito territorialista e perigoso. Um vampiro, um demônio e um alpha lobo não iam dar certo em um dormitório só. Onde Ário estava com a cabeça?!

— Você é um Alpha. – Haziel falou como se aquilo já tivesse seu significado.

— Sou o próximo na sucessão. Estou aqui para socializar. Segundo meu pai. – o rapaz disse normalmente sem nenhuma expressão. Era mais inexpressivo que o próprio Haziel.

Haziel não era um bom julgador de caráter, mas esse rapaz parecia muito disciplinado. Ele tinha olhos analistas, posição de ataque e defesa quando estava parado, sempre pronto, postura perfeita, corpo trabalhado, alto, forte e esguio. Sim, o rapaz emanava disciplina e letalidade. Típico de um merda Alpha.

Haziel apenas deixou um leve sorriso se desenhar em seus lábios. Esse ia chutar Natane no primeiro dia.

— Quarto? – Denver perguntou ao seu novo parceiro.

— Ah, é aqui... ainda temos mais uma dupla, mas parece que eles saíram. – Natane respondeu entrando no quarto.

Os olhos de Denver voltaram a Aisha e Haziel não perdeu isso.

— Não meta o seu focinho onde não deve e estaremos bem. Algumas coisas não são brinquedos para você, filhote.

Denver apenas o encarou de volta um pouco mais sério.

— Não pretendo cultivar inimizade com você. Não se preocupe, não pretendo invadir o seu espaço nem mexer no que lhe pertence. Mas espero que faça o mesmo em relação a mim.

— Combinado.

— Bem vindo. – Aisha disse meio sem jeito e o lobo entrou no seu novo quarto. – Você podia tentar sem mais amigável, ele não parece ser má pessoa. – o rapaz continuou em direção a Haziel.

Ele apenas o ignorou voltando para o quarto, ele iria confiar na palavra do lobo, aquele parecia ser um daqueles bem corretos em tudo o que fazia, ligados a uma tradição e tudo mais. Haziel escutou Aisha se dirigir ao quarto ao lado.

Ótimo, corra para dentro da boca do lobo!

— Ário disse que só íamos receber novatos na próxima semana. – Aisha falou no outro lado. Haziel fechou os olhos para relaxar, ele iria ficar escutando, de olho em qualquer oscilação de humor no outro lado.

— Eu não podia vir na outra semana. – o lobo respondeu, sem alterar o tom, do mesmo modo que ele se dirigia a Natane, isso era bom. – Então, Ário abriu uma exceção para mim.

— Ário disse que logo teremos uma missão, assim que Denver se instalar. – Natane disse animado, pobresinho, logo logo ia voltar para casa, esse daí não aguenta por muito tempo um parceiro inútil.

— Que bom. – Aisha disse genuinamente feliz. Haziel podia até imaginar, os olhos sem foco, mas um sorriso doce e genuíno.

— Você não faz muitas missões pelo visto. – Denver comentou de volta.

— Estive em várias. – Natane respondeu casualmente. Mas não fez merda nenhuma. – Meu clã é especialista em espadas.

— Isso é bom. – Denver respondeu, pobre homem. Haziel estava com pena dele agora.

Depois Natane saiu para apresentar o instituto ao seu novo parceiro e Aisha retornou ao quarto. A tarde veio rapidamente e com ela uma mensagem para Aisha e Haziel.

— Temos uma missão? – Aisha perguntou quando o vampiro recebeu o papel e leu as pequenas letras de Ário.

— Parece que sim.

— Do que se trata?

— Deimos e o novato.

Os dois saíram pelos corredores se dirigindo ao Jardim dos Portais. Aisha ia mais a frente de Haziel, andando apressado e preocupado.

— Será que aconteceu alguma coisa? – Aisha perguntou pela terceira vez, tudo bem, Haziel pedira por isso, afinal ele não respondera das outras duas.

— Tenho certeza que eles estão bem. – disse sem muito interesse, pouco lhe importava ter um demônio morto, era menos um problema.

— Era para eles terem voltado no inicio da tarde... já é quase noite. Ciaran não pode passar muito tempo no mundo mágico ainda, ele está ferido e seus poderes não despertaram direito.

Tudo bem, aí estava uma novidade que Haziel não sabia, humanos eram uma boa fonte de alimento, mas ele não sabia muito sobre eles e o mundo mágico.

— E o que é que tem?

— Nunca se perguntou porque não há humanos puros vivendo no mundo mágico? Eles não aguentam a atmosfera, a energia circula no reino mágico, cada ser contribui, humanos não tem magia para oferecer... a atmosfera se torna muito pesada e difícil para eles suportarem. Eles deveriam ter voltado. Deimos devia saber disso!

Aisha entrou em um círculo e esperou por Haziel, a fada colocou as coordenadas em seu cordão azul profundo e prata e a sensação de afogamento veio para envolvê-los. Haziel viu que estavam no meio da floresta e lá em cima o sol já se punha. Ótimo, eles tinham ido para Damra.

— Como diabos vamos encontrá-los em Damra?! – Haziel rugiu para a estrada. Que droga, por que ele tinha que se prestar a esse tipo de trabalho? Ele colou um braço atrás dos joelhos de Aisha e o outro em suas costas e o ergueu para que descessem o barranco. Os braços finos agarraram seu pescoço prontamente, surpresos pelo movimento súbito.

— Por que fez isso?! – Aisha perguntou.

— Tinha um barranco.

— Podia me avisar antes, só para eu saber.

E que diferença fazia? Haziel se viu em uma estrada principal e mais ao longe vinha uma carruagem grande negra, com uma lamparina de fadas na frente, puxada por dois cavalos negros de olhos vermelhos, cavalos de sombra, feitos para cavalgarem por semanas. A carruagem lentamente parou para eles. Era um cocheiro de sombras, um feitiço, só se via a roupa negra de um cocheiro, mas ninguém ocupava o espaço em que deveria estar um corpo.

As cortinas da carruagem abriram e um vampiro estava lá dentro. Um vampiro de alta classe pelo visto, a julgar que tinha uma excelente carruagem.

— Vem ou vão? – ele perguntou olhando para Haziel e Aisha em seus braços.

— Vamos.

— Querem uma carona?

— E quanto vai nos custar?

— Para um irmão e sua dama, nada. Podem entrar. – ele disse sorrindo e abrindo a porta. – Estou de bom humor.

Haziel fez com que Aisha entrasse a sua frente e sentou-se de frente para o desconhecido, Aisha ia sentar ao seu lado, mas não, ele o puxou para o seu colo e Aisha já aprendera a não perguntar em certas ocasiões. Ele ficou lá quietinho encostado contra o peito de Haziel.

— Desculpe-me jovem, eu não notei que você era um rapaz. De longe parecia uma mulher.

A carruagem se pôs em movimento. Haziel notou que o vampiro estava um pouco emagrecido, parecia muito rico e importante, mas ele não parecia forte, saudável... Haziel achou estranho, vampiros não ficavam doentes. A única coisa que fazia vampiros terem aquela aparência era fome, mas não fazia sentido, fome tornava um vampiro animalesco e ele perdia a razão. Precisava ser abatido na maioria das vezes. Era muito raro precisar abater um vampiro classe A como aquele.

— Não tem problema. – Aisha respondeu. O vampiro continuou a admirá-lo e Haziel passou um braço sobre o corpo pequeno ganhando a atenção do vampiro.

— Qual seu nome irmão?! – vampiro perguntou casualmente. Ele não podia estar com fome, o homem bebia uma taça de sangue bem na frente de Haziel.

— Haziel Lightmoon. Do extinto coven de Dorian.

O vampiro ergueu as sobrancelhas e bebeu seu sangue... um sangue estranho, com um cheiro forte, doce, parecia bem apetitoso, devia ser de uma qualidade inigualável, Haziel sentiu sua boca salivar.

— Dorian... há anos não escuto falar desse nome. Foram atacados por Hunters. – o homem apenas encarou sua taça, como se fosse muito interessante. Ele olhou de novo para Aisha e depois para Haziel. – Nunca mais conheci um líder de coven tão belo e letal como Dorian. Soube que ele agora é escravo.

Novamente ele olhou para Aisha, parecia ter dificuldade de manter os olhos longe dele. E isso estava começando a incomodar Haziel.

— Sim. – Haziel queria encerrar a conversa. Aquele assunto não lhe agradava, só fazia lembrar-se da vergonha de não ter conseguido proteger seu líder.

— E qual seu nome?! – ele disse com a voz mais mansa para Aisha. Haziel via a fome aumentar em seus olhos, sendo assim ele preferia voltar ao assunto anterior. Ele começava a pensar que andar pela floresta era mais seguro. O problema era que estava escurecendo e Haziel não sabia o que podia encontrar no meio do bosque. Se ele estivesse sozinho, tudo bem, mas com Aisha era uma conversa diferente.

Como sempre uma pedra do sapato.

— Aisha.

— Aisha. Bonito nome. Combina com você. Você é filho de um Hunter com um vampiro, não é pequeno Aisha?!

Haziel sentiu o clima ficar pesado. De repente o vampiro tão calmo e concentrado, começou a ficar um pouco mais agitado e suas presas crescerem, Haziel viu por mais que o vampiro quisesse disfarçar.

— Por que quer saber?

— É uma boa dica só olhar para você.

— Acho que chegamos. – Haziel comentou quando ele se percebeu a menos de 500 metros da cidade. – Ficamos na entrada.

— Acho que vou cobrar um preço... só um pequeno preço. – o vampiro disse, com a boca salivando, olhando para a veia pulsante no pescoço de Aisha.

O vampiro tomou uma expressão demoníaca e sem controle, Haziel tinha visto poucas vezes aquilo, era uma reação a algum tipo de droga que ninguém sabia bem o que era, eles se tornavam dependentes e instáveis.

O dono do veículo avançou sobre Aisha e encontrou a mão de Haziel no caminho, ele segurou o pescoço o vampiro que tentou arranha-lo e quebrar seu braço, mas Haziel manteve o aberto e o descontrolado o mais longe dele possível.

Aisha encontrou a fechadura e abriu a porta da carruagem se lançando para fora. O vampiro quis segui-lo, mas Haziel agarrou em sua capa e o trouxe para si de novo, agora já fora do veiculo parado no meio do caminho.

— Seu oponente está aqui.

Haziel nunca tinha visto tal reação, aquele devia estar muito drogado, sob efeito ainda. Ele parecia não se importar em deixar seu pescoço para trás se pudesse por suas mãos em Aisha, esse vampiro devia estar faminto! Devia estar vindo a Damra se alimentar, não era normal.

O vampiro arranhou o rosto de Haziel que por um momento deixou o vampiro escapar, mas não deu tempo suficiente para o louco chegar nem perto de Aisha. Haziel agarrou sua perna e o inimigo percebeu finalmente que se ele quisesse o prêmio precisava passar pelo loiro primeiro.

O vampiro pulou com suas garras e presas para cima de Haziel, ele era rápido, mas a loucura não estava deixando seu cérebro trabalhar direito. Haziel socou-lhe forte o estômago e o enviou para o bosque batendo em algumas árvores. Alguns segundos depois ele estava de volta, mais louco que o de costume e sangrando rios, mas se recuperando. Haziel odiava ter que matar um dos seus, mas este parecia perdido.

E entre ele e Aisha. Infelizmente ele teria que escolher o seu mestre.

Haziel segurou o louco pelo fios negros que brotavam de sua cabeça arrancando um guincho de dor do oponente e o levou ao chão, Haziel era muito maior do que o homem e muito mais forte, aquele ali não era um guerreiro, era algum boneco de alguém e muito mal treinado.

O corpo do moreno foi imobilizado no chão, o maldito se estrebuchava de todas as formas querendo se libertar. Haziel recebeu muitos arranhões, mas nenhum letal ou mesmo muito doloroso.

Ele pegou a cabeça o maldito e torceu o pescoço depois o arrancou do corpo que reclamava a ausência de uma parte. O sangue escorria como um rio pela estrada de terra, suas mãos estava sujas e talvez alguns pingos em sua roupa. Ele jogou a cabeça para o meio do bosque e lamentou o que tinha que fazer.

Talvez ele devesse ter deixado o vampiro se alimentar de Aisha. O idiota não sabia que o sangue daqueles como Aisha era como veneno para os de sua raça? Estúpido. Por isso Aisha não o alimentava... sim, Aisha já tinha oferecido.

Haziel virou-se para onde Aisha o esperava. Ele olhou para o garoto e depois para a bagunça do corpo destroçado no chão. Ele dava graças aos céus por Aisha não enxergar, as vezes. Ele sabia que cenas como aquelas não iam fazer bem ao espírito de alguém como Aisha e mais uma vez ele via como os deuses eram sábios.

— Está ferido? – Aisha perguntou quando ele se aproximava. Haziel tinha acabado de se alimentar, todos os cortes feitos pelas unhas estavam quase completamente curados, mesmo os mais profundos. – Eu sinto o cheiro de sangue.

— Ele me arranhou em alguns lugares, mas já estou curando. Vamos indo.

Haziel sempre dizia isso, Aisha seguiu ao seu lado com a capa preta, era a única cor que conseguia disfarçá-lo. Chegando a cidade Aisha pôs o capuz em sua cabeça, não era comum alguém como ele andar por aí. Os que mais sabiam de sua existência eram os Huntes e os vampiros. Apenas, os outros... bem, eles eram raros.

— Vamos onde eles completaram sua missão. Talvez saibam deles lá. – Aisha falou seguindo Haziel que lia o endereço no papel.

Eles desceram algumas ruas, talvez umas trinta ou quarenta, graças os céus eram descidas. Eles se viram já perto do mar quando encontraram uma pequena loja de peixes com algumas margaridas em baixo da janela de vidro. Uma lamparina balançava com a brisa marítima e dizia “Frutos do mar Ayala – os mais frescos, os mais gostosos.” Haziel bateu a porta e Aisha assumiu dali.

Uma senhora colocou metade do rosto para fora e Aisha lhe sorriu, a mulher sorriu de volta.

— Em que posso ajudá-lo querido? – a idosa disse abrindo a porta e vendo Haziel mais atrás, ela ficou seria e parecia quase desistir de falar com Aisha, ele não causava uma boa impressão ele sabia.

— Eu gostaria de saber se dois jovens vieram ajudá-la hoje?! – Aisha perguntou a mulher. – Somos do Instituto e eles são nossos amigos, ainda não voltaram.

— Não meu bem, eles fizeram o serviço que os contratei para fazer, eles trouxeram alguns peixes do porto para mim e se foram. Um era meio enjoado e não fazia o serviço direito, diga isso ao seu chefe, já o jovem mago era muito gentil e atencioso.

— Obrigada, senhora.

— Não há de que. – ela disse e fitou Haziel mais atrás. – Eu... vi o moreno que estava com o mago sair com um grupo muito suspeito da região. Eram demônios. – a mulher disse com uma cara desgostosa. – O loirinho tentou impedi-lo, mas acabou indo com eles, eu não sei para onde foram.

— A senhora não tem nem ideia de onde esses grupos se escondem?!

— Não. – ela disse, mas visivelmente ela sabia de alguma coisa.

— Por favor, são amigos muito queridos, eles podem estar com problemas.

— Não se comenta esse tipo de coisa nas ruas, criança!

— Por favor.

A mulher suspirou e olhou para os dois lados da rua.

— Estamos sozinhos. Pode falar. – Haziel disse grosso de onde estava a a mulher recuou um pouco.

— Sinto muito, ele é um pouco áspero, mas é uma boa pessoa, ele só está preocupado como eu. – Aisha disse ganhando a atenção da senhora de novo.

Claro, Haziel estava apenas preocupado.

— Eles dizem que esse grupo é visto em uma caverna no bosque... a oeste.

Oeste... Haziel pensou. Merda! Era de onde tinham vindo! Que droga, eles teriam que voltar a pé tudo de novo.

— Muito obrigado, senhora. Nos ajudou muito.

— Por nada.

— Desculpe incomodá-la. Boa noite.

— Boa noite. – ela disse sorrindo a Aisha e lançando um olhar suspeito a Haziel. Por isso ele nunca lidava com as pessoas, isso era papel para Aisha.

Os dois seguiram as ruas para cima, eles iam chegar por lá daqui há duas horas, no mínimo, duas horas de caminhada. Com Aisha. E ele não ia arriscar pegar uma carona de novo. Eles caminharam devagar e sempre, Aisha tentou puxar conversa algumas vezes sobre suas esperanças de Ciaran ainda estar vivo e tudo mais. Mas eventualmente parou e tentou se concentrar na escalada das ruas meio desertas, aquela era uma área comercial fechada, a área noturna estava um pouco mais distante.

Tudo bem, Haziel podia detestar Aisha e podia estar preso a ele. Mas ele nunca faria isso que Deimos fez, deixar que o mago humano morresse de um modo tão ridículo, simplesmente porque não conseguia contribuir com o ambiente desse lugar. Era um desperdício de vida.

Mas ele não esperava nada menos que isso de um demônio, criaturas imundas.

— Podemos... descansar um pouco? – Aisha perguntou tateando algo no ar e encontrando uma pedra. Lá sentou-se.

Haziel percebeu que já estavam praticamente fora da cidade. Prestes a entrar no bosque, ele não percebera que já andara tanto, Aisha aguentou muito bem, ele estava impressionado. Procurou seu alvo dentre as árvores. Merda, a oeste ele sabia, mas o oeste era enorme caramba!

Nem sinal, nem sinal de nada. Ele não podia ir explorar e deixar Aisha tão exposto ali no meio do nada. Como sempre, um peso.

— Já podemos ir. – ele disse cinco minutos depois. Claro que não estava descansado, talvez a impaciência visível de Haziel o tivesse apressado.

Ele começou a entrar no bosque, bosques não eram tão bons para Aisha, muita coisa para tropeçar, galhos e coisas assim, muita informação ao mesmo tempo. Ele tentou fazer seu caminho mais limpo e andar pelos lugares mais altos.

— Eu escuto alguma coisa. – Aisha disse e Haziel esperou. – Vem com o vento.

Haziel sentiu o vento, direção oposta. Ele seguiu por onde o vento chamava Aisha e finalmente começou a escutar vozes. Alguns galhos a menos e lá estava uma caverna, a luz do fogo vinha para fora e as várias vozes competiam para ver quem falava mais alto. Aisha o acompanhou e ele ponderou se ia mesmo deixar Aisha acompanhá-lo em uma caverna cheia de demônios. E se eram conhecidos de Deimos, não podiam ser boa coisa!

Foda-se. Melhor Aisha com ele do que sem ele.

Haziel entrou na caverna com Aisha bem a suas costas. Ele avaliou a situação. Muita bebida fazia pilha no chão, pelo menos seis demônios fora Deimos estavam ali jogando conversa fora. O maldito demônio estava li muito feliz e satisfeito, sorrindo e brincando. Onde estava Ciaran?! Ele olhou ao redor e viu alguém que parecia dormir num canto escuro da caverna.

Lá estava.

Todos se calaram quando Haziel entrou na caverna e foi na direção certa de Ciaran.

Deimos observou os dois e franziu o cenho em confusão.

— Que merda fazem aqui?! – Deimos perguntou para os dois?

— Conhecidos seus? – um dos demônios perguntou, vestido com couro e tecidos sujos, lembravam alguns ciganos.

— Infelizmente.

Deimos levantou para encarar Haziel que apenas continuou seu caminho até Ciaran.

— O que fazem aqui, Haziel? – Deimos perguntou se pondo a frente do vampiro exigindo respostas.

— Ário nos mandou aqui porque vocês não voltaram no tempo certo. – Aisha completou seguindo o caminho e encontrando Ciaran.

— É porque eu não pretendia voltar. – Deimos disse obviamente.

— E Ciaran? – Aisha perguntou de volta.

— Disse que só voltava se eu fosse junto. Algo do negocio ridículo de duplas, então ele sentou e esperou como eu mandei. Uma hora ele ia cansar e ir embora.

— Ele está quase morto! – Aisha falou bravo de volta.

Haziel fez seu caminho retirando o moreno do meio e apanhando o corpo adormecido do chão.

— Ele não está ferido. – Deimos disse meio confuso. – Ele está perfeitamente bem.

— Ele é humano! – Aisha gritou como se isso explicasse muito.

— Humanos não costumam sobreviver aqui. – um dos demônios falou a Deimos. – Achei que tinha dito que ele era um mago.

— E ele é! – Deimos gritou de volta e observou Ciaran ser carregado para fora por Haziel. O vampiro viu a confusão nos olhos de Deimos, parecia que o demônio não sabia que isso podia acontecer.

— Se você quiser ficar, fique! Espero que consigamos salvá-lo.

— Eu não sabia que ele podia morrer aqui! – Deimos disse como se quisesse se livrar da culpa. – E eu vou ficar mesmo!

— Quer que a gente pegue o garoto de volta, Deimos?! – um dos demônios disse novamente, um dos cabelos vermelhos como fogo.

Haziel parou logo na entrada, se ele ia ser atacado ele precisava se preparar.

— Não, deixe eles irem. Não me importa.

Aisha e Haziel continuaram seu caminho e Haziel tentava encontrar o portal por onde vieram, ele sentia a respiração de Ciaran lenta e calma, pouco oxigênio entrava, ele estava surpreso do garoto conseguir sobreviver até ali. Era muito resistente pelo visto.

— Como ele está? – Aisha perguntou preocupado.

— Não muito bem. – Haziel respondeu e deu por encerrado o assunto.

Ali estava a colina por onde vieram. Mandou que Aisha esperasse um pouco que ele viria busca-lo, ia deixar primeiro Ciaran la em cima.

Quando não foi sua surpresa ao ver Deimos trazendo Aisha para cima enquanto segurava um pedaço de galho seco do outro lado. Logo os quatro estavam em cima da colina e dentro do circulo de cogumelos.

Haziel o olhou em busca de resposta. Agora ele já queria voltar?

— Ele esqueceu o báculo dele. – Deimos falou ríspido. Haziel olhou o pedaço débil de madeira. Sério? Deimos colocou Aisha no chão. – Vamos trocar. — Ele disse apontando para Aisha e Ciaran. Haziel entregou o garoto a Deimos. Ele não precisava mesmo de dois pesos. – Parece que ele persegue a morte.

— Deve ser culpa dos olhos. – Haziel completou enquanto a sensação de transporte começava.

— O que tem os olhos dele? – Aisha perguntou sem entender qual o problema dos olhos, e talvez nunca conseguisse.