Magic-Reneslec
5 Crenças
P.O.V. Jane.
Meu irmão está enclausurado no quarto.
—Alec, abra a porta ou eu vou arrombar!
Ele abriu a porta.
—Porque não me deixa em paz?!
—O Mestre quer falar com você.
A resposta dele me pegou de surpresa.
—Mas, eu não quero falar com ele! E eu estou no meu direito de não querer olhar na cara dele! Se é tão importante assim, ele que levante do Trono e venha falar comigo.
E ele bateu a porta na minha cara.
P.O.V. Alec.
Tirei aquele maldito uniforme. Me lembrando de uma coisa que ela me disse uma vez.
—Nossas escolhas nos definem. E mesmo que não tenha sido você que matou aquela gente... aqueles vampiros, você só ficou lá e assistiu e isso te torna cúmplice.
Olhei para aquele quarto. Era cheio de luxo. Um X-Box novinho, TV de tela plana, vídeo-games, um laptop Apple novinho. A enorme e quase inutilizável cama.
Joguei todos os uniformes na lareira. Joguei álcool encima e botei fogo.
P.O.V. Aro.
Ele se recusa a atender-me?
—Como assim, ele se recusa?
—Ele se recusa. Mestre, as coisas tem estado... complicadas. E tem algo diferente no meu irmão. Ele tem estado diferente desde que a híbrida veio pra cá e isso se agravou quando ela quase morreu. Acho que ele tem sentimentos por ela.
Sentimentos pela maldita abominação?!
—Bem, acho que o gosto do seu irmão por mulheres ainda é questionável. Mas, se ele não aparecer aqui eu não vou perdoá-lo.
—Bem, sorte a minha que eu não preciso do seu falso perdão então.
—Alec. Onde está o seu uniforme?
—Virou poeira. Eu joguei na lareira e botei fogo e honestamente... me senti ótimo fazendo aquilo.
O que?
—Bem, então precisaremos fazer novos.
—Oh, não. Não tem necessidade. Depois de ver a garota que eu amo ficar doente e quase morrer pelo simples fato de estar dentro deste Castelo, depois de vê-la vomitar aquela gosma negra e espinhenta que se movia sozinha... eu não quero ficar mais aqui. Não quero mais fazer parte disso. Então, basicamente... eu me demito.
—Se demite?
—Estou fora da sua Guarda! Estou indo embora!
—O que? Irmão não pode abandonar sua família.
—Nunca abandonaria minha família. Ou seja, você. Vou ligar, escrever, mandar cartões. Mas, não vou ficar mais aqui. Não serei mais cúmplice ou conivente com isso. Jane, isso não é sobre lei, é sobre Poder! Nós poderíamos, deveríamos ter parado o ataque dos recém-criados em Seattle a anos atrás. Mas, não paramos. Aquilo não foi sobre lei, foi Cullen vs Volturi. Foi... uma rixa estúpida, foi por ciúmes! Carslile Cullen estava disposto a fazer uma aliança com seus inimigos naturais para proteger seu clã. O que você acha que o seu querido Mestre faria se estivesse no lugar do Doutor?
—Ousa questionar minha lealdade ao meu Clã?!
—Você é leal apenas a si mesmo. E nós dois sabemos disso! Então, porque não para de mentir ao menos uma vez!
P.O.V. Jane.
As coisas estavam ficando tensas. Meu irmão está questionando a autoridade e a lealdade do Mestre Aro.
—Como ousa! Menino ingrato!
—Oh, eu sou muitas coisas, mas ingrato não. Ingrato é você. Nós conquistamos tudo e você ficou com a glória! Eu aposto que incriminou Ellie e a assassinou. Do mesmo jeito que fez com todos os outros Clãs e até mesmo com Sulplícia! Sua própria irmã!
O Mestre voou encima do meu irmão, mas este foi rapidamente sedado.
—Você não pode contra mim. Nenhum de vocês pode! Vocês é quem deveriam ser um pouco mais gratos.
Alec retraiu a névoa.
—Foi bom para você?
O Mestre ficou chocado. Alec começou a andar de um lado para o outro.
—Sabe, agora que eu penso a respeito... eu me lembro de que pouco antes de Suplicia ser acusada... ela e Marcus estavam pensando em partir. Começar seu próprio Clã. O mesmo para mim e Ellie. Ela queria mais! E eu também! Mas, você nos negou isso. Aposto que incriminou as duas!
—Seu garoto insolente!
—Seu rato miserável! Eu amei você, salvei você! Matei por você! E você tirou a minha felicidade de mim!
O ar na sala estava pesado, carregado. Mestre Aro estava trincando os dentes.
—Jane.
—Mestre?
—Jane.
—Então, o que vai ser? Ele ou eu? Séculos atrás, nós fizemos um voto. Sempre e pra sempre, só nós contra o mundo. Nós prometemos nunca sob nenhuma circunstância usar os nossos dons um no outro.
—E acha que eu não sei do seu pacto secreto?
—Desconfiava que soubesse, mas agora? Realmente não importa.
Olhei para o Mestre Aro, depois para Alec. E... que merda!
—Sinto muito, Mestre. Mas, ele é meu irmão. E eu escolho ele.
—Traidores!
—Olha quem fala! Eu vou embora.
—E tudo isso pela abominação.
—A abominação como você chama... vale centenas de milhares de você. De nós dois. A verdade é que... nós não somos dignos nem de respirar o mesmo ar que ela.
—Ela me amaldiçoou!
—Você mereceu. Ainda merece.
O Mestre Caius ficou com raiva.
—Você nem imagina a dor! A agonia! Ser degolado, levar um tiro, ser queimado vivo! Todo dia eu descubro uma forma diferente de se morrer!
—Não é como se estivesse vivo. Bem, agora eu vou embora. Adeus.
Alec foi embora, de mala e cuia.
P.O.V. Alec.
Não se alimentar de humanos por ter respeito á suas vidas. Ser amiga de lobisomens. Sempre pensei que fosse algo ruim. Abominável, mas agora que eu vejo o quadro geral, o tabuleiro todo. Nem é tão ruim assim. Afinal, essa aliança salvou-lhe as vidas.
Quando cheguei ao hotel, ela já estava de pé e completamente recuperada.
—Oi. Então... bem vindo á família. Essa família vem com muitos problemas, mas tem um lado bom. Você sempre terá um lar aqui.
—Eu comprei passagens para os Estados Unidos, mas vou entender se não quiserem...
—Se minha neta te aceita, porque eu não faria o mesmo?
—Obrigado.
Senti quando Emmett Cullen me abraçou.
—Bem vindo á família irmão!
—Obrigado.
Falei um tanto desconfortável. Ele me soltou.
—Você se acostuma. Esse ai só tem tamanho.
Nós subimos no avião e apesar de eu ter sido bem recebido, não fui tão bem recebido assim. Podia ver os olhares de esgueira a desconfiança.
—Chega! Vamos parar com isso tá?
—Bella...
—Não. Ele tem o direito de saber. Olha, nós te acolhemos, mas caso não tenha notado não confiamos em você. Então, Alice está de olho no seu futuro, Edward está lendo sua mente e se você encostar... se se quer pensar em encostar um dedo na minha filha... eu mesma mato você.
Respirei fundo.
—Obrigado pela sua honestidade. E eu entendo isso.
—Ótimo. Confiança leva tempo, não vamos entregar assim de bandeja ainda mais depois... dos ocorridos.
Ocorridos. É. É um jeito educado de se colocar.
Quando inalei, senti o cheiro da casa. Tinha cheiro de incenso, plantas, cera de vela e sempre haviam velas. Em todos os cômodos, sem exceção, até nos banheiros.
—Porque todas as velas?
—Ela usa como uma fonte de Poder extra. É algo relacionado a bruxaria que eu não entendo muito bem como funciona.
Disse o patriarca da família Cullen.
—Poder extra?
—Bruxas são servas da natureza. O que implica em conseguir controlar os elementos. Terra, fogo, água, ar.
—É mais do que isso mãe. Se eu só controlasse, eu seria o tio Benjamin. Ele consegue controlar, mas não tem a ligação. Uma bruxa pode literalmente emanar a vida que emana das coisas. Ou no seu caso a morte. Toda vez que vocês encostam em mim, desde que consigo me lembrar eu sinto o frio, a escuridão, a morte. Mas, isso não me faz amar vocês menos.
—E quanto ao Jacob?
—O que tem ele?
—O que sente quando toca nele?
—Calor, vida. Mas, é mais que isso. O calor é como brasas como entrar num prédio em chamas. A energia emana dele de longe. Em ondas. De todos eles. Quanto mais poderoso o lobo, mais concentrada é a energia. Maior o calor.
—Como o seu globo rastreador.
—Tipo assim.
—Globo rastreador?
—É. Ela criou um...
—Silencia!
A voz de Emmett sumiu.
—Ainda não tio. Ainda não.
Globo rastreador? O que diabos seria isso?
—Do que ele estava falando?
Foi a vez da híbrida respirar fundo.
—Olha, eu sei o que fez por mim. E sou grata. Mas, como minha mãe disse... vai levar tempo para eu confiar em você. Foi mal.
—Eu entendo. Mas, tenho que confessar que fiquei curioso.
—Um dia eu te conto.
Ela estalou os dedos e a voz de Emmett voltou.
—Odeio esse feitiço!
—Aprenda a manter a língua dentro da boca então. Eu vou sair com as minhas amigas. Você quer vir?
—Estamos na Califórnia.
—Então, sorte sua que eu te fiz um desses. Bem vindo á família.
Em sua mão havia um anel.
—Um anel? Vai me pedir em casamento?
—Vai sonhando. É um anel da luz do dia. A bruxa que o encantou pode desencantar, então se for um menino malvado de novo... vou tirar o encantamento enquanto estivermos na praia, no sol do meio dia.
—E o que o anel faz, exatamente?
—Te faz sair no sol sem exposição. Idiota.
—Rosalie!
—O que? Ele perguntou.
—Como?
—Mágica.
Coloquei o anel no dedo.
—Obrigado.
—De nada. E nem preciso dizer que isso é segredo, preciso?
—Não.
—Então bora lá. Meus amigos estão esperando. Vai ser legal.
Ela estava usando um vestido preto de renda apertado, maquiagem escura esfumada e batom vermelho.
Entramos no carro e ela dirigiu.
—Onde estamos indo?
—Numa boate. Vamos dançar! Por favor, me diga que sabe dançar.
—Eu sei como dançar.
—Já esteve numa boate?
—Sim.
—Quando foi isso?
—Ano passado.
—Ótimo.
![]()
Fale com o autor