Magic
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Enterros! O que dizer sobre isso? Um último adeus? Uma despedida que sabemos que não terá mais volta?
Estavamos reunidos em volta das duas sepulturas, uma com a foto da minha mãe e a outra com a do meu pai.
Estavamos todos de preto, o que para mim não significa muito, a cor da roupa não iria trazer meus pais de volta. Eu não conseguia para de chorar, mesmo depois que fecharam os túmulos.
Marck estava ao meu lado, ele não havia pronunciado nenhuma palavra. Seu olhar havia ficado perdido no chão, seus olhos estavam vazios.
O cemitério da cidade ficava em um canto isolado, perto do bosque que dava para as montanhas. O lugar até era bonito, com algumas árvores altas, com copas gigantes, o chão era gramado, e o caminho que levava até a área dos túmulos era feita de cascalho.
Até seria um lugar legal pra relaxar, se não fosse um cemitério.
Eu havia convencido meus amigos a irem pra casa e descansarem um pouco, eles haviam passado boa parte da madrugada comigo. Vini foi o primeiro a chegar.
Lembro de ter aberto a porta e ele me abraçando logo em seguida, e ai eu voltei a chorar, enquanto ele ficava repetindo que ia ficar tudo bem, que ele estava ali comigo.
Logo depois foi o Mael e por fim Stelar e Mitchel, que choraram tanto quanto eu. Parece que meu pai era amigo dos pais deles, o que era estanho. Nem sabia que meu pai tinha nascido em Collen.
Marck e eu despensamos a carona de Vini e seguimos a pé para casa.
Estavamos quase chegando quando resolvi falar.
– Ei. — Chamei baixinho, enquanto dopravamos a esquina.
– Oi. — murmurou Marck, pela primeira vez.
– Vai ficar tudo bem.
– Eu sei. Só não to pronto para completar o meu luto.
– Eu também não, mas temos que nos manter fonte, ou seremos derrubados por qualquer coisa.
– Quem devia ser o mais forte aqui sou eu. — Marck deu um sorriso extremamente pequeno.
– Pois é, to amadurecendo. — brinquei.
– Ainda bem, já que vamos ter que nos virar um pouco.
Parei em frente a porta de casa de casa.
Abri a porta e entrei, aquele lugar parecia tão vazio.
– Eu vou dormir um pouco. — murmurei subindo a escada.
– Espera. — disse Marck enquanto eu estava no meio da escada. — Precisamos conversar.
– Agora? Perguntei o encarando.
– Sim, antes que eu esqueça. Vamos lá, eu prometo que é rapidinho
Desci a escada e o segui até a sala.
– A mãe veio falar comigo. — disse ele enquanto eu ainda me sentava no sofá.
– Como é? Perguntei o olhando confuso
– Ontem, depois que eu te deixei sozinho, eu não sei como explicar.
– E o que ela falou? Ela falou alguma coisa,né?
– Sim, ela falou que o Daungher vai acordar no Halloween e que quando ele acordar, apenas um sacrifício vai poder impedi-lo.
– Que tipo de sacrifício? — Me levantei, andando de um lado para o outro.
– Bem, ela não falou, mas disse que não poderá ser eu.
– Isso pode ser um sacrifício de sangue, não é?
– Não sei, deve ser. — Marck me olhou nos olhos. — Se for, alguém terá que morrer.
– Verdade. — murmurei.
– Bem, agora vai dormir maninho, estamos cansados .
– Acho que não vou conseguir dormir depois de saber disso.
– Precisamos. Agora vem. — Marck me segurou pelo ombro e me empurrou até a escada, e depois escada a cima. — Quando eu sair do banho, quero você dormindo.
– Nossa cara. — o encarei e sorri. — Vai ficar mandão assim mesmo?
– Calado, ou proíbo o Vinicius de vir aqui.
– Ei — protestei.
– To zuando, agora vai. — Marck me puxou e beijou minha testa.
– Ai cara, que nojo. — brinquei.
– A cala a boca. — Marck se afastou rindo.
Entrei no meu quarto e fechei a porta.
Eu não queria dormir, mas o sono me venceu assim que deitei na cama.
Fechei os olhos e mergulhei na escuridão.
" Uma rajada forte de vento varreu o chão, folhas secas de carvalhos.
Uma mão esquelética surgiu em meio a terra. Os dedos se abrem e se agarram a terra, tentando puxar o corpo para a superfície.
A temperatura caiu bruscamente enquanto o corpo se arrastava para fora. O vento passou a soprar cada vez mais forte.
Ele se ergueu em meio a uma explosão de ar, árvores foram derrubadas, tudo ao seu redor se transformou em cinzas.
Seu rosto pálido encarava algum ponto vazio. Seus globos oculares eram escuros, chegando a parecer que não havia olhos. Seus braços foram se moldando até ficarem em carne e osso, mas deles partiram centenas de tentáculos negros. Seu terno estava imaculado, parecia ser feito sobre medida
Ele olhou para o céu e soltou uma risada fria e sarcástica, que fez o chão tremer.
Corvos gralhavam em meio as árvores que ainda estavam em pé. Uma estranha névoa surgiu, carregada de trevas, era quase possível toca-la.
Ele finalmente estava livre..."
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