Magic

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Sobre sonhos que se tornam reais? Isso nem se compara a ter beijado ele.

"Lá estava ele correndo para salvar sua vida. Sim, ele, já que não era eu no sonho. O suor escorria por seu rosto, seu coração batia forte dentro do peito, tanto pelo fato dele estar correndo quanto pelo medo. Seus pulmões pareciam querer explodir, o fazendo pensar em desistir. Seu braço esquerdo formigava, devido ao grande corte, que ia do ombro até o bíceps.
Seu cabelo escuro estava bagunçado e grudado na testa, seu rosto estava arranhado, com um corte perto dos lábios. Seus olhos azuis estavam vermelhos e carregados de horror.
Algo o perseguia em meio as sombras, projetadas pela mal iluminação dos postes, algumas luzes piscaram e se apagaram. Pingos de chuva começaram a cair, indicando que uma tempestade estava a caminho.
O garoto tropeçou em seu próprio pé e rolou pelo asfalto frio. Ele gemeu de dor enquanto se levantava.
Algo se projetou a sua esquerda, escondido em meio a sombra de uma árvore. Ele viu o rosto pálido e o terno preto.
– Me deixa em paz. — gritou, voltando a correr.
O garoto avistou sua casa no fim da sua, a porta parecendo lhe convidar a ficar protegido do lado de dentro. Ele acelerou os passos, mesmo sabendo que não conseguiria chegar lá a tempo. Sem perceber ele havia virado em direção ao bosque. Seus pés pareciam não lhe obedecer por completo.
As árvores altas, balançavam com o vento forte. Algumas corujas piavam alto em meio aos galhos mais baixos. Um raio cruzou o céu, fazendo sombras fantasmagóricas surgirem. A floresta se fechava a cada passo do garoto, os galhos secos lhe arranhavam os braços, ele se abaixou evitando de ser atingido em cheio no rosto.
Algo parecido com um tentáculo grudou em seus pés . Ele se viu sendo lançado para o ar. Seu corpo voou por alguns metros, antes de cair, rolando pelo chão. Ele sentiu seu rosto se chocar contra algo duro, sua visão ficou turva, o sangue escorreu por entre seus lábios, enquanto soltava leves gemidos carregados de dor.
E então ele surgiu, em meio a uma explosão de luz, provocada pela queda de um raio. Seu terno estava manchado de sangue, seu rosto pálido parecia mais sombrio, em meio aos relâmpagos, seus olhos encararam sua vítima, com um brilho triunfante. Ele abriu sua boca, revelando dentes afiados, e dispostos a esmo.
O garoto tentou gritar, enquanto um tentáculo negro o puxava em direção a seu perseguidor, mas o grito ficou preso em sua garganta, e então tudo escureceu."

Abri os olhos, respirando com dificuldade.
Meu rosto estava coberto com suor frio. Me sentei na cama e limpei o suor.
As portas que davam para a varanda estavam abertas, fazendo as cortinas balançarem com o vento forte que vinha do lado de fora.
Sabe aquela sensação de ter algo te olhando no escuro? Cara, eu sabia que tinha algo escondido em meio a escuridão. Era desagradável. Tentei manter a calma, enquanto procurava o botão para ligar o abajur.
Um raio cruzou o céu, iluminando meu quarto.
Soltei um grito, nada másculo, ao perceber a forma imóvel perto da porta do banheiro. Era uma forma humanóide, mas completamente esfumaçada, sim, isso é meio confuso de explicar, mas era exatamente isso, era como estar olhando para um ser humano feito de fumaça.
Eu queria levantar e sair correndo, mas aquilo estava bem no caminho da minha fuga. Pensei em gritar o nome de Marck, mas acho que não ia adiantar muito.
A temperatura pareceu cair, enquanto uma névoa azulada se estabeleceu pelo quarto.
O que era estranho, eu não havia percebido que estava enxergando bem no escuro.
Só percebi que havia recuado para a outra ponta da cama, quando meu corpo foi caindo em direção ao chão.Cai com um baque abafado, que ecoou por todo o quarto.
A forma se movimentou e avançou em minha direção. Dois olhos amarelos surgiram, aonde deveria ser o rosto daquela coisa, eram olhos demoníacos, que me encararam com um olhar predatório. Ele parecia estar se divertindo com o meu medo.
Raios caiam do lado de fora, um atrás do outro, os trovões pareciam fazer o chão tremer.
~ Isso daria uma boa cena para um filme de terror, que poderia se chamar " O idiota que morreu atacado por um demônio, porque não gritou seu irmão quando pode. Parte 1"~
Engatinhei até perceber que estava preso, entre o guarda-roupa e a parede.
A forma parou a cerca de meio metro de mim. Ela abriu a boca e emitiu um barulho, que parecia centenas de vozes gritando.
Levei as mãos até as orelhas, tentando cobrilas e abafar o barulho. Fechei os olhos com força, esperando que quando eu os abri-se, a coisa já tivesse ido embora. Minha cabeça parecia querer explodir.
O grito cessou. Um longo minuto se passou, e pareceu durar uma eternidade. Eu estava com medo de abrir os olhos e aquela coisa estar parada bem de frente para mim, me olhando com aqueles olhos amarelos. Contei até cinquenta e abri os olhos lentamente. Não havia mais nada ali, a única luz no quarto partia dos raios.
Me levantei lentamente e procurei pelo outro interruptor, que ficava ao lado do guarda-roupa. As luzes se acenderam, pisquei os olhos freneticamente, para me acostumar com a luminosidade.
Olhei em volta, me certificando de que aquilo havia ido mesmo embora.
Fechei as portas e as tranquei, puxei as cortinas.
Senti meu coração ir parar na boca, quando algo tocou meu ombro. Eu iria lutar se fosse preciso, nem que eu morresse tentando, mas lutaria.
Me virei pronto para dar um golpe de Kung Fu. Minha mão parou a poucos centímetros do rosto de Marck.
– Uou. — disse ele recuando alguns passos. — Calma, sou só eu.
– Marck! Exclamei feliz.
– Eu ouvi um barulho, e vim ver se estava tudo bem.
– Tinha alguma coisa aqui. — olhei para a porta do banheiro.
– Como assim? Perguntou Marck acompanhando meu olhar. — Que coisa?
– Eu não sei o que era aqui. — respondi. — Parecia um fantasma, só que com uns olhos sinistros.
– Talvez você tenha sonhado.
– Não cara, isso foi muito real. — respondi sem tirar os olhos da porta do banheiro, com medo das luzes se apagarem e aquilo aparecer de novo.
– Quer que eu durma aqui?
– Não tudo bem. — desviei o olhar e o encarei. — Eu perdi o sono. — forcei um pequeno sorriso
– Certeza? Eu posso pegar o colchão.
– Tenho, eu, ãhn, vou descer e comer alguma coisa.
Caminhei lentamente para a porta, com Marck logo atrás.
– Vá dormir maninho, você precisa descansar muito mais do que eu.
– Tudo bem. — disse ele concordando com a cabeça. — Se essa coisa voltar a aparecer, você me grita.
– Pode deixar, vou dar um grito tão alto que vai assustar ele e acordar todos os vizinhos.
– Ótimo. — Marck êxito antes de fechar a porta. — Boa noite maninho, eu te amo.
– Boa noite grandão. — sorri. — Eu também te amo.
Desci a escada e me dirigi a cozinha. Sai acendendo todas as luzes mesmo, melhor prevenir doque remediar.
Abri a geladeira e peguei um pedaço de pizza, da noite passada. A esquentei e fui pra sala. Liguei a Tv e coloquei nos desenhos.
...
Pela manhã, Marck e eu decidimos que era melhor ir pra escola, achamos que ficar em casa não nos ajudaria em nada.
Vini havia aparecido e nos dado uma carona.
– Bem. — brincou Marck do banco de trás. — Pelo menos seu namorado sabe a hora certa de aparecer.
Corei com o comentário, mas Vini estava rindo.
– É sempre bom lhe dar carona, cunhadinho.
– Vocês são estranhos. — eu disse enquanto saltava pra fora do carro.
– Falou o garoto que sonha com fantasmas e conversa com bruxas mortas. — provocou Vini.
– Quer levar um chute nas bolas? — ameacei.
– Você é muito violento garoto. — respondeu ele rindo.
– Eu sei. — caminhei em direção a porta.
– Vocês me assustam. — disse Marck, um pouco atrás de mim. — Não sei se são namorados ou inimigos.
– Talvez um pouco da parte de " namorados." — brinquei.
Empurrei a porta e caminhei até meu armário.
Havia uma rodinha de alunos no meio do corredor, eles pareciam apreensivos, como se esperassem um notícia ruim.
– O que ta acontecendo? Perguntei me aproximando de Stelar.
– Alguma coisa atacou e matou o Guilherme na floresta ontem a noite. — respondeu ela me lançando um olhar assustado.
– Co...como assim?
– Acharam o corpo hoje cedo, ele estava jogado perto do bosque.
Cambalei para trás, trombando em Ismael.
– Ei, calma ai. — disse ele sorrindo. — Se quer um abraço era só pedir.
– Paul, você ta pálido. — disse Stelar.
– Você ta legal? Perguntou Vini me segurando pelos cotovelos.
– Estou, é só...- deixei o resto da frase morrer no ar.
– É só o que? Perguntou Ismael me olhando nos olhos. — Você sonhou com isso?
Balancei a cabeça, confirmando.
– Paul, vem comigo. — disse ele segurando minha mão.
– Pra onde? Perguntei confuso.
– Você vai perder as aulas, mas isso é mais importante, e não pode esperar.
– Espera ai. — disse Vini em tom protetor. — Eu também vou.
– Não pode.
– Por quê?
– Isso é entre o Paul e eu. — Mael segurou a alça da minha mochila e saiu me arrastando.
– Desculpa. — murmurei sem som para Vini.
Caminhamos em silêncio até o carro de Mael. Eu nunca havia reparado. Aquele era um Fiat uno preto.
Entrei na porta do passageiro e coloquei o cinto.
– Ele me odeia né? Perguntou Mael enquanto ligava o carro.
– Talvez um pouco. — forcei um sorriso.
– Eu não o culpo. Muita gente da cidade me odeia.
– Por que?
– Pelo simples fato de ser filho de um dos fundadores.
– Só por isso?
– Não, as famílias antigas costumavam dizer que Collen havia sido contraída sobre solo amaldiçoado. E que coisas ruins sempre aconteciam por aqui. Coisa de gente velha, sabe? — Mael desviou o olhar da estrada e me lançou um sorriso fofo. Seus olhos escuros pareciam brilhar, como se ele estivesse se divertindo com a história.
– Bem, parece que eles acertaram. — sorri de volta.
– Chegamos. — anunciou ele parando o carro.
– Mas já? Perguntei tirando o cinto. — Que rápido.
– Estamos em Collen, Paul, onde a única coisa que demora pra acontecer é filmes novos no cinema.
Comecei a rir enquanto saía do carro. Encarei a casa de Mael.
~ Ta, acho que fiquei de boca aberta por alguns segundos. Normal, aquela casa dava duas da minha.~
A casa de Mael era tipo, enorme. Na parte da frente, logo após o portão, havia um longo jardim, o chão era de grama, recém aparada, no meio da grama, um caminho de cascalhos conduzia até a porta. Virei a cabeça observando cada detalhe, sim, esse é um defeito meu. A casa era pintada de um bege, quase branco, aquela cor de leite em pó sabe? Eu contei nove janelas, sendo que cinco delas, mais pareciam portas do que janela, talvez porque realmente fossem portas que davam para as varandas, os vidros das janelas eram de um verde opaco.
Mael me conduziu até a porta.
– Cara, quantas famílias moram aqui? Brinquei.
– Bem, só uma. Mas ela quase não fica em casa.
– Isso aqui é tipo, enorme. — disse enquanto entrávamos.
O lado de dentro era fascinante. Tipo, o chão era feito de mármore branco, assim como a escada que levava ao segundo andar, ela era uma espiral, que era sustentada por algumas vigas pequenas na parte de baixo, não havia corrimão. Sério, eu me senti na casa dos Ravenwoods naquele momento.
– Nem pergunte o porquê da escada não ter corrimão.
– Nem me passou pela cabeça. — murmurei.
– Depois eu te mostro o resto. Meu quarto fica la em cima.
Segui Mael escada a cima. Fiquei com medo de tropeçar e cair, sério, seria uma queda fatal.
O segundo andar era incrível. O teto era branco, nele pendia algo que parecia lustres, porém estes eram pequenos e pareciam feitos de cristais. As portas, que deviam ser todas dos quartos, eram feitas de uma madeira, que parecia brilhar, em uma delas estava entalhada o desenho de uma árvore seca, com um pássaro que parecia um corvo, em um dos galhos.
– Bem vindo ao meu mundinho. — disse Mael abrindo essa porta.
– Gostei do desenho, mas pensei que você dormia em um caixão, na parte mais escura da casa, e que lá ia ta cheio de corpos. — brinquei.
– idiota — disse ele fechando a porta.
O quarto de Mael era grande, porem com poucas coisas. A cama de casal, parecia grande demais para uma pessoa se perder em meio as cobertas. De uma lado havia uma estante grande, com vários livros, reconheci alguns, como Harry Potter, Jogos Vorazes entre outros. A Tv na parede devia ter umas 60 polegadas, o Xbox em um suporte abaixo dela, parecia usado até demais. As janelas estavam abertas, com as cortinas em cor creme balançando com a brisa da manhã.
– Senta ai. — disse ele apontando pra cama.
– Nada de caixões? Perguntei fingindo um desapontamento.
– Paul, eu não sou um vampiro. — disse ele me atirando um travesseiro, que estava sobre uma poltrona, que estava perto da estante de livros.
– Tudo bem, eu tinha percebido que você não brilhava mesmo.
– Cara, você é estranho. — disse ele pegando o note. — Mas vamos ao que interessa.
– Tudo bem. — tirei o sapato e sentei com as pernas cruzadas, sobre a cama.
Mael abriu o note e entrou em uma página.
– Tipo, eu tava pesquisando umas coisas, e achei algo. — disse ele me passando o note. — Acho que você vai gostar de saber.
Olhei para a tela e comecei a ler e voz alta.
– Quando a penúltima lua cheia surgir no céu, antes do décimo sétimo aniversário do escolhido, a marca da chave haverá de aparecer em uma de suas mãos, e crescerá até o dia de seu aniversário. O tornando o lobo alfa e a chave para libertar o herdeiro das Trevas. Será também quando seus poderes começaram a se manifestar, ficando mais fortes a cada lua.
Seu sangue dará poderes inimagináveis a aquele que o beber, ou usa-lo para qualquer outro fim.
Estremeci ao ler a última parte.
– Isso quer dizer que...
– Isso mesmo. — disse Mael me interrompendo. — Daqui a dois dias, você vai começar a passar pela transformação ou seja lá oque isso é.
– Pera, como você sabe que faltam dois meses pro meu aniversário?
– Isso não interessa. — disse ele sorrindo.
– Espero não virar nenhum lobisomem, e sair rasgando minhas roupas antes das transformações. — comentei desviando os olhos da tela.
Mael me olhou nos olhos e sorriu.
– Isso seria estranho — disse ele batendo o joelho no meu. — Só não vai virar um lobo e sair cavando no meu jardim ta, ou eu juro que te levo pra castração.
– Idiota. — murmurei me atirando sobre ele.
– Ei, sai de cima de mim. — Mael se debateu, enquanto ria.
Olhei Mael nos olhos, eles combinavam com seus lábios rosados. Senti um breve desejo de beija-los. Sentir o sabor daqueles lábios.
Desviei o olhar e comecei a rir, tentando disfarçar.
Ficamos ali rindo por um breve instante. Até que ele me jogou para o lado.
– Obrigado Mael. — disse deitado ao lado dele.
– Pelo que?
– Por me mostrar que ainda a um lado bom nisso tudo.
– Eu podia te mostrar muito mais. — sussurrou ele.
– Como é? — me apoiei sobre meus cotovelos e o encarei.
– Nada!
–Você disse que ia me mostrar algo...- Ele corou, tipo, ele corou e aquilo....ele era tão fofo, a cor rosada em sua pele pálida realçava mais os seus lábios e pela primeira vez eu vi um rastro de insegurança naqueles olhos misteriosos.
–Eu...ia te mostrar o meu.....balanço
–Balanço?
–É vem cá- Ele me levantou pela mão e me puxou mais adiante, havia uma árvore alta de frente para a varanda, a árvore era tão alta que passava o telhado da casa, seus galhos lançavam sombra sobre toda a varanda, de um dos galhos pendia um balanço de madeira. Como eu não havia percebido aquela árvore antes?
–Bom agora você definitivamente entrou no meu mundo particular....esse balanço é meu esconderijo de tudo....e essa árvore...- Ele se sentou com as costas apoiadas na árvore. — Já foi minha única amiga por muito tempo....
~ Ah merda ele ta chorando? Eu não sei o que fazer, pensa pensa pensa pensa....~
– É a primeira vez que eu trago alguém aqui... — Ele olhou pra longe de mim, seus cabelos escondiam seu rosto, mas sua voz...ela denunciava tudo, caralho o que eu faço?! — Mas ta tudo bem certo? Porque nós...você é meu amigo né? — Ele olhou pra mim....e eu nunca pensei que o veria daquele jeito, algumas lágrimas caíam e um sorriso triste porém esperançoso era visto em seus lábios.
Então eu sentei ao seu lado e passei um braço pelo seu corpo o trazendo para perto do meu.
– Claro Mael...agora eu to aqui.
– Paul....
– O que?
~Pera...a perna dele ta no meu colo desde quando? Ele ta de frente pra mim desde quando? E quando foi que nossos rostos ficaram tão perto? Ai meu deus.~
– Obrigado — sussurou ele e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele me beijou, um beijo calmo, diferente, mas extremamente bom, era puro, carregado de sentimentos. Eu não sabia mas o que estava fazendo, nem o que fazer, então eu, bem, eu só correspondi...

Notas finais
Oi oi Galera. Bem, sabem né, vou começar a postar cada capítulo de 3 em 3 dias, pq é necessário. Bem, soundtrack? Eu não achei uma legal para a cena do sonho, nem a do quarto. Mas pro beijo? Bem é a Fix you - Cold Play ♡♡♡♡