Magic

11 Capítulo 11


Notas iniciais
A dor da perda nunca irá se comparar a qualquer outra. Quando perdemos alguém, um vazio se instala dentro de nós, um buraco que sabemos que talvez demore para se fechar.

Eram duas da manhã quando o telefone tocou. O que era meio estranho, quem estaria ligando aquela hora? E por quê?
Ouvi os passos de Marck pelo corredor, enquanto as luzes se acendiam.
Um longo minuto se passou, depois o único som que se ouvia era a voz distante de Marck.
Tentei ignorar e voltar a dormir, devia ser só um trote. Mas algo me dizia que aquilo era sério, ouvi Marck fungar algumas vezes. Ele estava chorando?
Me sentei na cama e esfreguei os olhos.
Os minutos seguintes me marcariam para o resto da vida.
Marck abriu a porta do meu quarto e me encarou, seus olhos estavam vermelhos.
Eu não sabia o que estava acontecendo, mas senti as lágrimas se formando, e então elas caíram.
Me levantei enquanto Marck abria os braços e me abraçava.
Ele não precisou dizer muito, na verdade ele nem conseguiu dizer mais que quatro palavras.
Meus pais estavam mortos. Mas como? Eles não podiam ter morrido. Eu me negava a acreditar naquilo.
Algo rachou dentro de mim, uma ferida que eu sabia que demoraria séculos para se curar.
Pela primeira vez na vida eu chorei de verdade, aquele choro em que se soluça, que o nariz escorre e que seu corpo e mente entram em um estado de choque, aonde seu queixo fica tremendo e tudo parece frio e deprimente.
Marck me soltou e sentou na cama, o olhar perdido no chão.
Eu estava pronto para correr e me esconder, do mesmo jeito que eu fazia quando era pequeno e algo me assustava demais. Mas eu não podia, na verdade, eu não conseguia, meus pés pareciam estarem grudados no chão, pesados demais para se moverem.

......

Vinicius acordou no meio da noite, ele não sabia o porque, já que não havia tido nenhum pesadelo. Ele pegou o celular e olhou as horas, eram apenas 2:30h da manhã.
Vini se sentou na cama e soltou um longo bocejo, então veio a dor. Não uma dor física, mas espiritual, como se a coisa mais triste tivesse acabado de lhe acontecer. Ele encarou a foto na tela do celular, a mesma que estava em seu notebook e que ele havia colocado no de Paul, eles dois no jogo de basquete. Vini só percebeu que estava chorando quando uma lágrima caiu sobre a tela de seu celular.
Ele discou o número de Paul, e levou o celular a orelha. As lágrimas continuaram a cair enquanto a ligação apenas chamava.

......

Olhei para meu celular vibrando sobre a cômoda, mas eu não queria falar com ninguém, mesmo vendo que era Vini que estava ligando.
Continuei sentado ao lado de Marck. Ambos não dizíamos uma única palavra. Fechei os olhos repetidas vezes, esperando que ao abri-los percebe-se que tudo aquilo era um sonho, que meus pais ainda estavam dormindo em seu quarto e que estava tudo bem. Mas sempre ao abrir os olhos, eu percebia que aquilo não era um pesadelo, e as lágrimas voltavam a cair.
Perdi a noção do tempo enquanto estavamos sentados ali. Deitei a cabeça no ombro de Marck, e encarei a porta do quarto.

......

Vinicius já estava começando a ficar preocupado, ele estava disposto a pegar sua caminhonete e dirigir até a casa de Paul, mas algo lhe dizia que ele não devia fazer isso. Então ele continuou tentando ligar. Mesmo que em todas as vezes tenha dado caixa postal.

......

– Marck? Minha voz saiu em um sussurro fraco e quase não se deu para escutar.
Ele não respondeu, seu olhar não havia se movido nem um pouco, ele continuou a encarar o chão.
– Marck. — sussurrei de novo. — Por favor, fala comigo.
Seus olhos se moveram e ele piscou, como se tivesse acordando de um sono profundo.
– Eles estão mortos — sussurrou ele, enquanto as lágrimas voltavam a cair.
– Eu sei. — sussurrei em resposta.
– Por que?
– Eu não sei. — limpei as lágrimas de seu rosto. — Eu simplesmente não sei.
– Eles não podem ter nos deixado aqui.
– E não deixaram, eu sei, eles estão aqui, nesse exato momento.
– Como você sabe?
– Porque ele são nossos pais, e eles sempre estarão conosco.
Marck desviou o olhar do meu e voltou a encarar o chão. Ele tremia tanto, que fiquei com medo de ele estar tendo algum ataque.
– Precisamos ser fortes. — sussurrou ele entrelaçando os dedos. — Te proteger.
– Vamos cuidar na mãe e no pai, depois pensamos nisso. Eles precisam de um enterro digno.
– Eles vão ter.
Marck levantou a cabeça e me encarou.
– Te amo maninho. — disse ele se levantando.
Me levantei junto, e o encarei de volta, seus olhos verdes pareciam vazios, sem brilho, como se estivessem sem vida.
Marck me deu um abraço tão forte, que fiquei com medo de quebrar algum osso, mas retribui o abraço. Aquilo era bom, era reconfortante, eu me senti seguro, nem que tenha sido por uma fração tão pequena de tempo.
– Dorme um pouco. — disse ele me soltando. — Você tem que descansar, vai ser um longo dia.
Marck me lançou um último olhar e saiu, fechando a porta.
Fiquei parado encarando a porta.
Eu não queria dormir, até porque eu não iria conseguir, mesmo tentando.
Caminhei até minha escrivaninha e peguei o porta retrato, com a foto dos meus pais.
Minha mãe estava sorridente, seus olhos castanhos brilhavam, combinando com o sorriso. Meu pai beijava sua bochecha, o rosto sorridente.
Senti as lágrimas voltando e não fiz nada para impedir que elas caíssem.
Eu estava tentando ser forte na frente de Marck, apenas para lhe dar um pouco de segurança, mas a verdade? Bem, eu estava tão destruido quanto ele, o buraco em minha alma parecia aumentar a cada lágrima que caia.
Eu estava destruído, reduzido a pedaços tão pequenos que eu duvidei que algum dia eles voltariam a se juntar novamente.

......

Marck entrou em seu quarto e caiu de joelhos no chão, suas lágrimas haviam voltado a cair enquanto ele caminhava pelo corredor.
Ele só percebeu que seu quarto estava frio demais, quando viu sua própria respiração em forma de fumaça.
Marck levantou a cabeça e encarou a forma parada perto da janela.
– Mãe? Sussurrou ele, tão chocado, que mal conseguiu pronunciar a palavra.
– Marcos. Eu não tenho muito tempo, elas me permitiram ficar tempo suficiente só para lhe dar um recado. — disse ela, com certa urgência na voz.
Marck encarou sua mãe confuso. Ele se levantou e se aproximou dela.
– Escute bem, memorize essas palavras.
Marck estava chocado demais para falar.
– Daungher irá despertar no Halloween, ele precisa do sangue do seu irmão para poder se libertar por completo. Mas tem uma maneira de impedir que ele se liberte. Um sacrifício terá que ser feito.
– Co...como assim? Gaguejou Marck.
– Você não poderá se sacrificar pelo Paul, quando chegar a hora, vocês todos saberão quem ira se sacrificar, salvando todos ou trazendo a destruição. — a forma começou a tremulizar e a desaparecer. -Sejam fortes, fiquem juntos, coisas ruins estão para acontecer e a união de vocês irá significar muito.
Eu e seu pai amamos vocês dois. — disse Meghan desaparecendo por completo.
Marck caiu no chão, enquanto sua mente se apagava.

Notas finais
Oi oi gente, tudo bem? E ai, o que estão achando da fic? Comenta aqui ♡ Soundtrack - Cena até a segunda aparição do Vini Broken Home- 5SOS. Cenas a seguir Organs- Of Monster and Man. ♡♡