Magia Negra

14 A Batalha Final


Notas iniciais
SEASON FINALE kkk

Eu a quero, jovem feiticeira... Eu a quero.

Venha até mim.

A voz grave e medonha ecoou na minha cabeça enquanto os olhos completamente negros de Kamome me fitavam, incluindo os glóbulos oculares. Não era mais ela, se tratava de Baphomet. Estava fazendo contato telepático. Ficamos em frente um ao outro pelo que pareceu uma eternidade.

Outras vozes surgiram, desta vez reais. As pessoas da festa se aproximaram, não muitas. Provavelmente por causa do barulho e da gritaria. Gary, o garoto que eu conheci na festa estava entre eles e por coincidência, Ricardo também.

– Sunori? – Gary chamou, enquanto Ricardo apenas me encarava com seus olhos claros.

– É melhor não se aproximarem, galera.

Um grito estrondoso tomou conta do ambiente, vindo da garota possuída. Uma força me empurrou e me fez ser arrastada pela grama a metros de distância. Deixei um berro escapar e Gary correu até mim, ajudando-me a levantar.

– Tudo bem?

– Sim. Precisamos detê-la.

– O quê houve com ela?

– É uma longa história. Vamos, precisa ser rápido! – falei, já de pé. O demônio me fulminava com o olhar e um círculo de chamas se ergueu ao seu redor. As meninas que estavam assistindo curiosas fizeram um escândalo desnecessário.

– A distraia, eu a agarro. – o garoto ordenou, e eu acatei, me concentrando em formar bolhas no ar levantando as mãos e deixando a magia fluir por meu corpo.

Ele começou a correr e logo estaria entrando no fogo, então direcionei as bolhas até lá, penetrando nas chamas e as evaporando até extingui-las. O mesmo pulou em Kamome, a derrubando, mas não foi suficiente; ela conseguiu afastá-lo e o erguer pelo pescoço, arrancando dele urros de sofrimento.

Eu precisava agir. Dei alguns passos a frente até ter uma visão melhor e lancei mais bolhas, desta vez as formei e endureci-as, causando um impacto maior na garota possuída. Ela soltou o rapaz, e ele foi rápido o bastante pra agarrá-la pelas pernas.

Estava prestes a me aproximar mais e atacar aquela vadia, porém alguém passou na minha frente: Ricardo correu até ela e segurou em seus braços, a mesma completamente impedida protestou em brados.

Por esta eu não esperava. O meu amigo, pelo menos eu esperava que ele ainda fosse, estava do meu lado me ajudando. Ele não a soltou, permaneceu firme e seu rosto foi se desfigurando até se tornar um elfo aterrorizante com dentes afiados e orelhas pontudas e compridas.

Elevei minha mão.

– Seja rápida! Não vou agüentar por muito tempo! – o elfo gritou, segurando a bruxa sem ceder.

Formei dúzias de bolhas à minha frente, e as aumentei até meu máximo.

– Estamos contando com você, Su! – Gary avisou, e eu estava pronta pra atacar.

– Pense bem no que vai fazer senhorita! Vai acabar se arrependendo – a voz do demônio falou, desfigurada e ruidosa, contudo com um leve traço da voz de Kamome.

– Não dê ouvidos a ele. – uma voz conhecida me advertiu. Stefani, minha mãe, direcionou seu braço para Baphomet e um de seus habituais círculos mágicos, cheio de símbolos e luzes vibrantes se formou em torno da sua mão, depois se dirigiu até a oponente causando um barulho ensurdecedor; nosso público entrou em pânico, mas o ataque foi eficaz. O círculo prendeu o demônio, que passou a lamentar incessantemente.

Minha cabeça latejou em zumbidos infernais. Eu sabia que era ele, exclamando coisas em mil línguas diferentes e pareceu que eu iria explodir, até perder os sentidos.

*

Abri os olhos.

Estava em uma sala escura, mas estava visível que tudo aqui era branco. Eu estava deitada em uma maca. Um clarão de relâmpago se alastrou e eu pude vê-la novamente. Mãe.

– Olá filha.

– O que houve?

– Você desmaiou, mas está tudo bem. Aqui é a enfermaria da Ala Fogo da Academia.

– Não entendi. O que aconteceu com Kamome?

– Conseguimos capturá-la, foi exorcizada e está se recuperando.

– Quem fez o exorcismo?

Ela sorriu, e entraram no quarto uma mulher de longas madeixas onduladas loiras e um homem alto de cabelos curtos.

– Nós mandamos aquele demônio embora, Sunori. – a mulher falou, com um tímido sorriso.

– Su, essa é minha irmã, Kelly e seu marido Warren. – minha mãe disse, e fui cumprimentada pelos dois com o olhar.

– Não a vejo desde que era um bebezinho – Kelly informou, sua voz era doce e agradável.

– Onde estão Shirley e Nina? – questionei.

– Foram encontradas no subsolo depois de algumas horas e voltaram pra casa. Seus pais a tiraram do colégio como punição, o diretor apareceu por lá. – Stefani explicou. – há quem diga que elas irão para um convento de freiras.

– E o que aconteceu com Jhynn e a amiga dela?

– A fada e a sereia? Estão em segurança, mas não conseguem se lembrar de nada. Já devem a tê-la informado, os estudantes não falam de outra coisa. – minha mãe comentou, e eu fiquei aliviada da minha inimizade com aquelas duas não existir mais, já que era apenas uma ilusão.

“Deve estar se perguntando como conseguimos chegar lá bem na hora certa, mas logo você saberá, não agora. Estamos a observando desde que entrou na escola, achávamos que precisava de proteção e tínhamos razão. Você estava em perigo.”

“Baphomet está no corpo da sua colega, porém ele quer você, e não vai parar. Ele foi, mas voltará. Nosso objetivo principal é encontrar seu pai, Su, ele está atualmente desaparecido.” – mamãe baixou seu olhar ao falar isso – “mas esse demônio está no caminho, e iremos eliminá-lo se for preciso.”

– Espere, ele não é um inimigo qualquer. É um deus pagão! – exclamei.

– Deixe que cuidamos disso. Agora precisamos ir, nos veremos em breve sobrinha. – Warren falou pela primeira vez, sua voz soava surpreendentemente grave.

– Esperem! – gritei, mas não adiantou. Eles sumiram, e a enfermaria se tornou clara e uma movimentação se percebia do lado de fora do quarto. Já era dia.

Queria ter esclarecido algumas coisas com minha mãe, já que a nossa relação não estava das melhores. Teria que ser na próxima oportunidade.

Gary surgiu na janela me encarando e logo entrou.

– Oi.

– Olá Gary.

– Eu queria ter trazido flores, mas não sabia o que você iria pensar.

Eu ri; iria dar continuidade à conversa, mas ele apareceu do lado de fora do quarto também. Ricardo. Meu horário de visitas estava bombando. Não queria falar com ele; ainda prezava sua amizade, mas estávamos afastados, e ele que quis assim. Então seria assim. Olhei Gary nos olhos e ordenei:

– Me abraça.

– O quê?

– Me abraça! Anda! – ele me envolveu em seus braços e eu senti seu calor confortante. Pousei a cabeça em seu ombro e olhei Ricardo que hesitou por um momento, mas se retirou, por fim. Estava acabado; era melhor assim.

– Quando uma bruxa pede uma coisa, você precisa fazer essa coisa.

Notas finais
E é isso, terminou. Todas as pontas soltas que restaram, serão resolvidas na continuação. (se tiver uma)